Estórias de Colégio

2 Capítulo 2 - Feed Back


Notas iniciais
apelidos dos amigos: Lay - Laíse Mica - Mirela

Não era muito fácil se isolar na sala. Especialmente quando se tem amigos como os meus. Quando estou mal, eles sempre aparecem. Lay, Mica, Luís, Matheus, Max, etc. Todos preocupados comigo. O que eu digo dessa vez? Alegaria TPM? Uma coisa é certa: A verdade jamais poderia contar.

- Diga o que você tem Ap! Você está muito estranha! — Falava Lay

- Eu estou bem! Eu só tenho... — Fiz uma pausa buscando uma mentira convincente

- Uma dor de cabeça! É isso.

- Por que você não vai na enfermaria então? — Mica, a pessoa mais feliz da sala, estava agora gesticulando na minha frente. Eu ri.

- Gente, eu juro que é só uma dor de cabeça! Logo logo passa! Agora por favor, me deixem quieta!

- AFE! VAAAI EMO — Berrou Mica num tom de ironia. Soltei um riso ainda maior. Ela era a única pessoa que, em termos de idiotices e caras engraçadas, superava qualquer um.

Voltei ao meu estado \"normal\", agora forçando um teatro de dor de cabeça. E estava funcionando. Era a ultima aula e Hamilton continuava o seu assunto de cálculos estequiométricos. De repente, alguém se sentou ao meu lado. Em um reflexo, olhei para o lado e vi quem não queria. Lá estava ele.

Sentado a poucos centímetros de mim, o garoto de cabelos escuros e bagunçados, pele levemente morena e um corpo bem esculpido. Um rosto magnífico se não fossem os óculos. Um óculos escuro e totalmente impenetrável. Um preto vivo quem ontem esteve nas minhas mãos. Uma lembrança que eu queria esquecer.

***

Eu estava indo ao encontro de Isa e Lucas, na portaria da Orla. Era um intervalo nublado, como os dias de Salvador estavam se seguindo. Encontrei com os dois. Ficamos um longo tempo conversando e depois, cansada de segurar vela, deixei o casal em paz e fiquei vagando pelo colégio. Fui atrás de Gabi e Mica. Estava acontecendo um jogo de futsal na quadra e os alunos se amontoavam na frente da quadra para assistir. Tentei ver também, mas minha pequena estatura não conseguia passar dos ombros dos alunos do 3º ano. Desisti de assistir o jogo. Avistei Gabi indo comprar balas, como em todo (ou quase todo) intervalo. Andei um pouco rápido para encontrá-la e nessa hora tudo aconteceu. Na minha pressa, não olhei para os lados e dei um belo encontrão com o aluno novo, recém chegado a minha turma. Ele tinha um físico um pouco mais robusto que os meninos da minha sala, o que me fez ser arremessada direto para o chão. Ou quase ser. Já estava sentindo o chão abaixo do meu ombro (e isso com certeza deixaria um machucado), mas a única coisa que senti, foram as mão dele me segurando. Não sei como, fiquei numa posição inclinada, sem nenhuma parte do corpo, a não ser os pés tocando o chão. No mesmo instante, senti algo tocar meu abdômen. Era o seu óculos que acabara de sair do rosto. Olhei seus olhos numa curiosidade infinita, já que ninguém nunca o tinha visto sem óculos. Mas a única coisa que enxergar foi... Vultos! Os olhos dele tinham se transformado em telas e através dessa tela eu vi tudo. Vi minhas amigas, meus amigos, meus parentes, me vi. Estavam todos um pouco mais velhos, como se fosse uma visão... DO FUTURO! Não, não podia ser! Como seria possível ver o futuro nos olhos de alguém? Minhas visões foram interrompidas assim que ele colocou os óculos. Agora, eu podia focalizar seu rosto como um todo, sua expressão era assustada! Não era para menos. E eu podia apostar que a minha estava pior. Ele me ergueu com uma certa facilidade. Ele mantinha as mãos em meu ombro e quando eu percebi que estava voltando a mim e que agora conseguia me controlar, comecei a tentar me esquivar das suas mãos.

- Não comente com ninguém! — Sua voz penetrou meus ouvidos mas eu não conseguia falar. Nem raciocinar.

- Me solta!

- Não fale com ninguém! — Seu tom de suplica agora me agoniava. Por que eu não conseguia me livrar de suas mãos?

- ME LARGA! — Minha voz agora tomara um tom decente. Algumas pessoas olharam e ele recuou. Me soltou, e agora, eu corria pelo colégio indo a lugar nenhum. Finalmente fui para a sala. Peguei meu celular e comecei a ouvir música. O rock do Three Days Grace cantando I Hate Evrething About You estava me ajudando a melhorar mas eu sentia que eu não estava nem um pouco melhor. As cenas agora passavam pela minha cabeça com mais calma. As pessoas que eu vi... O futuro que eu vi... O PAVOR NAS FACES QUE EU MAIS GOSTAVA. Isso estava indo rápido demais. A aula de redação passou lenta demais para meu tormento. Felizmente ninguém percebeu nada e eu consegui ir para casa em \"paz\". Depois, descobri um bilhete dele em minha mochila.

Por favor, não conte nada a ninguém. Esse é o nosso segredo!

Notas finais
Ai está mais um capítulo. Agora a história ficará mais dinâmica a cada capítulo Comentem e digam o que acharam!