Parte 1

Os jovens bebiam e dançavam. Todos sentindo-se mais leves pelo fim da guerra. Era um erro, e até um certo preconceito, pensar que todos os sonserinos concordavam com o pensamento de Voldemort. Bom, era mais fácil apontar um culpado do que aceitar que o pensamento deturpado poderia estar em qualquer casa de Hogwarts. Vale lembrar: a qual casa Pedro Pettigrew pertencia?

A pequena festa foi permitida apenas para alunos a partir do 5º ano. Bebidas alcoólicas apenas permitidas para aqueles que já tinham completado 17 anos e, ainda assim, sob a supervisão dos monitores-chefes. Um deles, Draco Malfoy.

Os olhos cinzas se abriram em surpresa assim que viu com quem Pansy chegara ao Salão Comunal. Puxou-a sem nenhuma delicadeza, segurando seu braço na altura do cotovelo.

- Você realmente tem merda na cabeça! — exclamou, nervoso. A guerra tinha acabado, mas algumas barreiras ainda precisavam ser transpostas.

- Por quê? — Ela perguntou, rompendo o contato e cruzando os braços.

- Como aparece aqui na companhia de... – Draco disse, apontando para a garota que ficou parada na entrada da Sonserina, totalmente desconfortável.

- De...? – Ela perguntou, deixando as palavras no ar. Draco não completou a fala com o xingamento que estava dançando em sua língua. Afinal, havia mudado de lado, não? — Há estudantes de outras Casas nessa festa caso não tenha percebido.

- Não da Grifinória. – O loiro afirmou, raiva em seus olhos.

- Bom, resolvi mudar isso. Agora, se me dá licença... – Pansy tentou passar, mas ele a impediu.

- Não sabia que era amig-

- Por favor, Draco! Acontece que eu preciso de ajuda em transfiguração e a diretora me orientou a pedir ajuda a ela. – Pansy explicou, irritada.

- Eu poderia ter te ajudado. – Disse, de forma superior.

- Acontece que eu cansei do seu deboche. – aquilo o surpreendeu, mas não deveria. Não tinha paciência alguma para ensinar o que parecia tão óbvio.

- E preferiu pedir ajuda de uma... – Novamente o xingamento. Ela o interrompeu.

- De uma estudante da Grifinória. Da Granger. Isso mesmo. Acontece que, por mais estranho que pareça, nos demos bem. Ela tem paciência para ensinar, ao contrário de você – não ouviu o resto porque viu a Granger se aproximando. Pansy estava de costas e parou de falar quando sentiu um toque em seu ombro.

- Pansy,...

- Oi, Hermione.

“Hermione? Hermione?”, Draco pensou, exasperado. Elas se chamavam pelo primeiro nome? Quando essa aproximação aconteceu sem que se desse conta? Contudo, quando é que ele realmente pensava em qualquer uma das duas?

- Acho que realmente não foi uma boa ideia eu ter vindo. Não quero causar problemas para você – Hermione disse, sentindo os olhos sobre si.

“Quão grifinória essa garota poderia ser? “ Draco pensou, novamente.

- Deixa de besteiras! Venha beber algo. Aposto que, no seu Salão, a única coisa que servem é suco de abóbora apimentada – Pansy falou, irônica.

Draco cruzou os braços irritado e ficou ouvindo a conversa das duas como se não estivesse presente.

- Na verdade, Parkinson, caso tenha esquecido, os gêmeos Weasley eram da nossa Casa – Hermione falou, um sorriso desafiador — E o legado deles continua mesmo após a saída de ambos.

- Verdade. E me diga uma coisa... Já rolou um lance a três entre vocês? — perguntou, piscando de forma marota.

- O quê??? – Draco perguntou ao mesmo tempo em que a Hermione. Os olhares se encontraram e ela desviou o seu, visivelmente corada.

- Claro que não! – Ela disse, inconformada com a pergunta.

- Que tipo de pergunta é essa? – Draco indagou nervoso. Aquela era Pansy sendo Pansy, sabia, mas mesmo assim.

- Ué... – ela deu de ombros – Dois ruivos lindos e idênticos... É algo para se pensar, não é, Granger?

A grifinória hesitou. Ela não poderia realmente estar pensando naquilo, poderia?

- Você deve ter merda na cabeça, Parkinson – Hermione falou e a amiga riu.

- Olha só! Você e Draco combinam em algo! Ambos acham que eu tenho merda na cabeça! – Ela pegou a mão de Draco e a da Hermione, depois juntou as duas – Quem sabe não possam ser amiguinhos?

Draco puxou sua mão, xingando Pansy em pensamento, afastou-se e foi conversar com Blaise e Theodore.

- Essa Pansy sempre nos surpreende, não? – Theodore perguntou enquanto bebia sua cerveja amanteigada.

- De todas as pessoas dessa escola, ela traz a Granger – Draco murmurou, observando as duas, enquanto dois corvinais se aproximavam delas.

- Não vejo nada de mais. É apenas uma garota – Blaise falou e Draco olhou surpreso para ele – Ué... Granger é apenas uma garota.

- De família trouxa – Theodore falou, exprimindo um pensamento que Draco concordava.

- E daí? Ela é inteligente. Vai me dizer que o Goyle é melhor que ela? Ou Longbotton? Crabbe? Já sei! — ele exclamou de forma dramática — Marcus Flint!

Draco bebeu sua cerveja sem saber o que responder. Não poderia discordar do amigo, tampouco concordar. Blaise continuou:

- Ela vai bem nas disciplinas, é leal à sua Casa como somos à nossa. Fora que...

Ele ficou em silêncio e Theodore falou:

- Fora que?

- Eu a acho bonita — falou de forma simples, dando de ombros, sem tirar os olhos da grifinória.

Draco engasgou. Sentiu Theodore batendo nas suas costas, depois riu sonoramente. Blaise, no entanto, olhava sério para eles.

- Cara,... – Draco começou quando se recuperou – Você recebeu, durante a guerra, algum feitiço que afetou seu cérebro? – Theodore riu. Blaise olhou para os amigos, deu de ombros e disse:

- Realmente não me importo com seus comentários. Na verdade, — ele deixou o copo vazio sobre a mesa, ajeitou a roupa e o cabelo – tenho que agradecer por vocês não verem o que eu vejo. – afastou-se, caminhando até Pansy e Granger disposto a mandar pelo menos um dos corvinais procurar outra garota para conversar.

***

Draco acordou com uma leve ressaca e agradecendo por ser domingo. Olhou para o relógio e logo o café deixaria de ser servido. Tomou um banho rápido e foi até à mesa da Sonserina.

- Vocês poderiam ter me acordado – afirmou, sem disfarçar o mau-humor para Blaise e Theodore.

- E correr o risco de ser azarado? Está fazendo um belo domingo para ficar na enfermaria – Draco mostrou o dedo do meio para Blaise.

- E Pansy? – Draco perguntou ao não encontrá-la.

- Com a Granger – Theodore respondeu e apontou para mesa da Grifinória com a cabeça. Aquilo fez Draco acordar completamente. Então percebeu que outros comentavam sobre a presença de uma sonserina à mesa da Grifinória.

E não era qualquer sonserina, nem qualquer grifinória. Tratava-se de Hermione Granger e Pansy Parkinson.

Parece que os amigos dela estavam tão surpresos quanto todos os outros.

***

No dia seguinte, Draco foi para a aula de Herbologia. Muitos estudantes voltaram para fazer ou refazer o sétimo ano. Então essas salas eram as mais cheias. Devido à guerra, cada um teve um motivo para afastar-se, outros para permanecer. O motivo de Draco todos sabiam. Olhou para o braço e agradeceu que não havia nenhuma tatuagem sombria.

- Senhor Malfoy.

- Senhora – o chamado da professora fez com que voltasse para os tempos atuais, saindo da sombra sinistra que foi seu passado.

- A diretora o aguarda na sala dela. Está liberado antes do final da aula.

Draco pegou a mochila e saiu. Seus pensamentos indo do passado para o presente, indo da imposição de seguir Voldemort para escolha de ajudar a Ordem da Fênix. Indo para a nova amizade que ele não entendia como podia acontecer… Sem perceber, chegou ao seu destino e entrou na sala da diretora, observando os quadros que o olhavam com curiosidade.

- Senhor Malfoy, sente-se – ela falou com seriedade. Será que soube sobre a bebida na festa?

- Estou revisando as matérias que os alunos estão cursando para os NIEMs. Você quer se candidatar ao Departamento de Leis Mágicas, certo?

- Certo – respondeu, mesmo sem entender onde ela queria chegar. Afinal, as aulas já tinham começado há um mês.

- O Ministério vem passando por algumas modificações desde a queda de Voldemort. Precisamos evitar ao máximo que existam leis como as que os bruxos nascidos em famílias trouxas foram submetidos – Ela fez uma pausa — Ou você não concorda?

- Concordo – respondeu meio desconfortável. Ele poderia não ser fã de nascidos trouxas, mas dizer que “roubaram” a magia bruxa era um pouco de exagero. Aliás, era até contraditório. Como uma pessoa sem magia poderia roubar magia?

- Nesse caso, será necessário que você curse mais uma disciplina. — ela falou com calma, lendo, da forma que podia, todas as expressões do jovem sentado à sua frente.

Draco teve a sensação de que não gostaria da continuação daquela conversa, contudo permaneceu em silêncio, tentando não demonstrar qualquer emoção.

- Você precisa se matricular em Estudo dos Trouxas – pois é, ele não gostou nada daquilo. Claro que não conseguiu disfarçar nem um pouco ao receber a notícia.

- A senhora deve estar de brincadeira! – Deixou escapar, inconformado. Inclinou o corpo para frente, exasperado.

- Tenho cara de quem brinca, senhor Malfoy? – Ele não precisava responder. Calou-se imediatamente, ajeitando-se novamente na cadeira – Você pode dirigir-se à ala leste, 4º andar, sala 454. — ele continuou imóvel. — Imediatamente, senhor Malfoy.

Aquilo não parecia uma opção.

- Não tenho material – Falou estupidamente.

- Tenho certeza que uma carta para sua mãe resolverá o problema. Pode se retirar — ele se levantou, murmurando um obrigado nada educado.

Claro. Draco até imaginava a expressão de Narcisa ao ler que precisava de um material que correspondia às aulas de estudos sobre trouxas. TROUXAS!

Ela era responsável por ele ter mudado de lado. Seria uma chance de garantir a segurança de sua mãe, depois de anos sofrendo na mão de Lucius. Sim, Draco e ela resolveram ajudar os aliados de Harry Potter. Aquela guerra estava perdida e queriam se manter vivos. Tentaram convencer Lucius, mas foi em vão. Quando o loiro foi enviado para pegar o objeto na Sala Precisa (depois ele soube do que se tratava e se arrepiou ao saber o quão louco era aquele mestiço), quis apenas garantir que Potter chegasse à horcrux. Tudo corria bem, infelizmente o precipitado do Crabbe lançou o Fogo Maldito. Sentia falta daquele inútil comedor compulsivo, mas não comentava isso com ninguém.

Antes de chegar à porta, acreditando que as coisas não poderiam ficar piores, McGonagall o apunhalou com algumas palavras:

- E quanto às aulas que perdeu, fale com a senhorita Granger. Estou certa que ela poderá te ajudar. Vou conferir com o professor Cross sobre seu desempenho e parceria com nascidos trouxas.

Pensou um palavrão e agradeceu por estar de costas.

Enquanto caminhava para o quarto andar, sabendo que seria o único sonserino a cursar aquela porcaria de matéria, sentiu os passos lentos e pesados se arrastarem. Uma memória nada agradável surgiu. Havia um novo professor nessa matéria. A outra professora, Caridade Burbage, havia sido assassinada na frente de Draco e ele ainda tinha pesadelos com aquela cena.

- Ai... – ouviu uma exclamação feminina.

- Granger? – “Bela segunda-feira, não?”, pensou irritado – Presta atenção, garota!

- Eu? Você que trombou em mim, garoto. – verdade – O que está fazendo aqui? – Draco percebeu que havia apenas os dois em frente à sala.

- Fui obrigado a me matricular nessa porcaria – respondeu friamente – Não vai me dizer que somos apenas nós? O que não me surpreenderia em uma matéria estúpida como essa.

Ela não respondeu. Ouviu vozes e mais alguns estudantes chegaram. Estudantes para os quais não perderia tempo tentando lembrar seus nomes.

O professor abriu a porta. Draco o conhecia apenas das refeições e da apresentação no dia que chegaram para o último ano. Assim que entrou, escolheu o lugar mais afastado. Sentiu uma mão no seu ombro e por pouco não o azarou.

- McGonagall falou sobre você, senhor Malfoy – ele sorria de forma simpática e aquilo embrulhou o estômago do loiro.

- Tenho certeza que ela falou – a mão dele ainda no ombro do sonserino.

- Você perdeu quatro aulas. Não é muito, mas é aula perdida. E, aqui, não temos vira-tempo para recuperar o que passou — ele riu da própria piada, enquanto Draco apenas o encarava, impassível — Sente-se com a senhorita Granger.

- Como? – A ideia era pegar anotações de qualquer outro idiota, menos daquela idiota.

- Sente-se com a senhorita, Granger. Vamos, vamos! — falou, empurrando o rapaz pelo ombro — O tempo está passando e precisamos continuar nossa discussão sobre os trouxas e seus inventos para viver sem magia.

Sentou-se. Abriu a mochila e retirou pergaminho, pena e tinteiro.

- Não utilizamos isso aqui – ouviu Hermione falando.

- Ah não? Eu gosto de fazer anotações.

- Mas aqui usamos objetos trouxas – olhou para a mesa dela. Que merda era aquela toda? Não conseguiu disfarçar o espanto, afinal onde ela arranjou pergaminho com linhas e encadernado? Havia apenas alguns diários assim, mas aquilo... Puxou da mão dela, esquecendo propositalmente seus bons modos, e folheou.

Granger tinha uma letra caprichada. Certo. Uma passagem para Saint Mungus. Ele elogiou a Granger. Além do mais havia… Seu pensamento foi interrompido.

- Tenho um caderno extra. Pode ficar com este – ela passou outro daqueles tais de caderno e ele entregou o dela de volta – E aqui não usamos pena ou tinteiro. Tome – ela entregou um objeto feito de plástico.

- Se a conversa entre o casalzinho acabou, será que posso continuar a aula sem interrupções?

Draco notou que Hermione corou, sem dúvida, por ter sido chamada a atenção. Então lembrou das palavras de Blaise.

- No nosso mundo, viajar entre locais distantes é relativamente fácil. Temos o pó de flu, aparatação e chave-do-portal.

- Jura? — Draco murmurou, olhando para o relógio.

- Shiu! — Hermione sussurrou. Draco revirou os olhos.

- Nada de shiu para mim. Até parece que você não sabe o que ele tem para falar, Granger.

-... então para conhecer mais sobre o transporte no mundo trouxa, em duas semanas, faremos uma excursão para Londres. Para isso, façam uma pesquisa sobre os meios de transporte, quando foram inventados, tecnologia aplicada, etc. Formem duplas. Malfoy, você permanece com a Granger.

- Mas, professor! — ela exclamou, exasperada.

- Ordens da diretora, senhorita. Nossa próxima aula será para pesquisa e tirar dúvidas. Vocês podem realizar a aula aqui ou em qualquer outra parte do castelo. Estarei aqui de plantão. Boa semana a todos.

- Pode ficar com a caneta até seu material chegar — Hermione disse quando ele quis devolver o objeto — Estudamos no meu ou no seu salão de monitoria? — não esperou resposta — No meu, claro. Tenho bastante material que vai nos auxiliar na pesquisa — ela falava enquanto organizava o material na mochila e Draco a observava — Podemos separar entre transportes aéreos, terrestres e marítimos — ela retirava uma mecha que caia com insistência em seu rosto. Em algum momento, ele parou de ouvir o que ela dizia e apenas observava o rosto dela. Como nunca tinha observado antes.

- Está pronta, Hermione? — Draco levou uns segundos para olhar quem a chamava. Apesar de reconhecer a voz, levou alguns segundos para identificar.

- Ah sim, claro, Zabini.

- Draco, não esperava encontrá-lo aqui. — o outro sonserino falou, sorrindo de lado.

- Aula obrigatória. O que você faz aqui?

- Acompanhar Hermione até o Salão Principal para o jantar.

“Acompanhar Hermione até o Salão Principal para o jantar”, Draco repetiu, em pensamento. O que tinha perdido? Agora além de Pansy, seu melhor amigo também deu para se aproximar da grifinória? Olhou para ela, seu rosto levemente avermelhado. Aquela imagem…

- Amanhã após o jantar, Malfoy?

Ele concordou em silêncio e observou os dois saírem conversando, a mão de Blaise repousando levemente nas costas dela.

- Ei, está lembrada que sua casa ainda é a Grifinória? — Gina provocou quando a amiga sentou-se ao seu lado, despedindo-se de Blaise.

- Do que está falando, Gina?

- Provavelmente ela quer dizer que passa mais tempo com os alunos da Sonserina do que conosco — Dino falou, dando de ombros e bebendo seu suco. Hermione sentiu o rosto corar.

- E ainda vai piorar… — Hermione murmurou, mas mesmo assim chamou a atenção dos seus colegas. Notou que além de Gina e Dino, Simas e Neville estavam atentos à conversa.

- Malfoy começou as aulas de Estudo dos trouxas e com quem vocês acham que ele foi incumbido de estudar? — Hermione rolou os olhos, sem responder.

Não precisava de respostas. Estudar com Malfoy era algo que não estava em seus planos quando regressou para Hogwarts. Tampouco uma amizade com Pansy. Contudo, a família dela pediu auxílio a Remus. Sua mãe pediu que fosse protegida.

- Mentira! — Gina deu um tapa amistoso na amiga e depois começou a rir, tirando Hermione de seus pensamentos e lembranças — Essa eu queria ver. Malfoy estudando sobre os trouxas ao seu lado. Você, definitivamente, vai me contar tudo quando voltarmos ao dormitório.

- Olha, não é por nada, não — Simas começou, — mas acho que você precisa estar mais na companhia de seus ilustres amigos grifinórios. Que tal uma festa neste sábado?

- Excelente! — Gina exclamou animada, enquanto Dino aprovava a ideia. — Vou falar com os gêmeos. Eles conseguem nos ajudar a entrar com bebidas.

- Acho que você quer traficar mais que bebidas para cá, não quer não, Gina? — Hermione falou, sorrindo de forma maliciosa.

- Ah — a ruiva falou, sem perder a classe — Se Harry quiser garantir que as bebidas cheguem aqui sem nenhuma mistura perigosa, qual problema?

Os cinco amigos riram e continuaram a comer, falando sobre a festa, decoração, o que servir...