Estrelas cadentes

4 Capítulo 3 - O pensamento


Notas iniciais
Olá! Eu espero que estejam se divertindo com a Amelia! Um novo capítulo pra vocês. E espero que gostem, amei escreve-lo. XD

“Deixa de ser louco! Levanta desse chão menino!”. Falo rindo, mas envergonhada com a situação.

“É loucura demonstrar o quanto me importo?”, ele fala. Sei que ele está se divertindo com a situação. E tenho que admitir que eu também.

“Não. Mas é loucura ficar ajoelhado nesse chão sujo”

Ela levanta e me encara.

“Que foi?”, pergunto completamente sem graça. Ele já estava me assustando. É assim que os namorados agem após saberem da mudança de cidade das suas namoradas?

“Nada não. Vamos?”. Eu sabia que havia algo, mas não quis ser chata e insistir, porque hoje não era apenas mais um dia comum... era um dos últimos ao lado dele, pelo menos fisicamente.

“Teus pais não abriram nenhuma brecha para contornamos dessa vez”, ele diz. “ Já pediu para ficar com seus avós?”

“Sim. E meu pai respondeu com um ‘como eu viveria sem a minha princesa?”, faço uma cara de ódio e Jack ri.

“E bem a cara do seu pai mesmo responder isso. Mas até que eu compreendo ele. Você é filha única, e sei que eles são muito apegados a você que chegam a ser egoístas”

“Isso me sufoca quase todas as vezes”, falei saindo de cima da bicicleta e segui o caminho caminhando. Até que é um pouco desconfortável carregar aquela bicicleta, mas o Jack se ofereceu para carrega-la então tudo bem!

“Não se preocupa, não vamos ficar muito tempo afastados. Está perto de eu completar minha maior idade, e quando isso acontecer, volto pra cá para morar na casa dos meus avós”

“Ainda falta três meses para você completar dezessete”, ele explica.

Como se eu não soubesse.

“Eu sei! É melhor esperar do que nada. A não ser que você tenha outro plano? E sei que não tem, infelizmente, então vai ser esse mesmo”

“Porque o nervosismo?”, ele diz colocando o braço nos meus ombros.

Ele estava brincando com a minha cara?

“Deixa pra lá. Você vai ver depois”, falo em tom de provocação.

Como eu ia sentir saudade disso. Só os céus sabem! Então lembrei como aquela noite em Fernando de Noronha à dois anos atrás tinha sido humilhante para mim. Mas pelo menos teve um lado bom...

O tal restaurante francês era um completo luxo. A duas coisas que me incomodaram foi o lugar estar lotado (e não digo um pouquinho, me reviro a muita gente em um só espaço, MUITA) e tivemos que esperar meia hora na fila de espera por uma mesa.

Acho que o motivo da lotação é a ilha ser muito parada à noite. O que se pode fazer à noite? Ir aos restaurantes do resort (que ao todo são cinco, e todos, sem exceção estão sempre lotados). Ou se arriscar ir no mar, o que poucos fazem.

Após meia hora irritantemente longa, conseguimos uma boa mesa bem no meio do salão. O Sr. Mason me perguntou se eu tinha alguma alergia, respondi que não. Então ele disse para eu escolher o quê quisesse-se do cardápio. Fiquei sem jeito, já que tudo era caríssimo.

Prestei atenção no que Lily iria pedir. Ela analisava o cardápio como se fosse uma questão difícil de física.

“São tantas opções que fico em duvida!”, Lily diz com um sorriso enorme no rosto, como se escolher fosse a parte mais difícil. E pagar? O custo de uma porção de crepes pequenos (vinham três unidades) era R$ 68,90! Um Absurdo!

“Que sabor escolher?” , ela demora mais uns instantes para decidir. “Já sei! Vou arriscar no crepe de morango e canela”

Eca. Morango? Uma massa feita de morando dentro de um crepe, e canela por cima? Que nojo! Nossa, pensei em pedi um crepe mas não estava afim de comer nada doce (e se eu pedisse um crepe, pediria um normal. E não um sabor exótico daquele).

Li novamente as partes que me interessavam no cardápio.

O Sr. e Sra. Mason pediram um prato com lagostas cozidas. Não acho que lagosta seja uma comida francesa, mas... não ia criticar o cardápio do restaurante...

“ Acho que vou querer um sanduíche de peito de peru com pão árabe.”, digo. Não existe erro, na dúvida vá no sanduíche.

“Querida, tem certeza que quer comer isso?”, a Sra. Mason pergunta preocupada.

“Gosto de sanduíche”, falo tentado terminar logo a conversa.

“E o Jack não vai comer?”, a Lily pergunta.

“ Quando ele chegar, ele pede o que ele quiser comer” , o Sr. Mason fala.

Lily mexe a cabeça positivamente.

Após fazer os nossos pedidos ao garçom, conversamos.

O Sr. Mason estava todo animado com as aulas de mergulho que aconteceriam amanhã. E tenho que admitir que eu também estava ansiosa para nadar com os golfinhos.

Uns quinze minutos depois, Jack entra no restaurante. Ele olha ao redor parecendo procurar algo, mas logo nos à vista.

“Boa noite para todos”, ele fala com uma felicidade perceptível na voz. Ele senta ao lado do tio. “Já pediram o jantar? Tio está aqui as chaves, obrigado”. O Sr. Mason estica a mão e pega o molho de chaves.

“Já pedimos, mas se quiser comer algo diferente e só pedir”, o Sr. Mason fala soltando risadinhas.

“Valeu”, Jack fala enquanto estava lendo o cardápio.

“O que achou da praia?”, a Sra. Mason fala puxando assunto.

“Maneira. Tive sorte com as ondas.”

“E pelo visto com as garotas também, não é?”, Sr. Mason fala em meio a uma gargalhada.

Jack não respondeu. Apenas ri, balançando a cabeça de uma forma negativa, mas também não criticou a observação do tio.

“Faz bem meu, filho. Nessa idade temos mesmo é aproveitar! Essa face é muito curta para ser desperdiçada”. Ok... O Sr. Mason não é bom de dar conselhos que preste...

“ Acho que vou comer camarão, posso?”, ele fala finalmente fechando o cardápio. Sr. Mason responde com um claro! Qual é? Isso aqui é um restaurante francês ou de frutos do mar? E logo depois de fazer o pedido para o garçom. O celular de Jack toca e vejo um nome: Karine, escrito. Ele atende.

Que mal educado, atender o celular à mesa. E eu preocupada em não escutar música durante o voo por falta de educação!

“Alô? Oi! Claro que lembro. Não, agora estou jantando com os meus tios. Um luau? Então tubo bem. Onde? Sei onde fica, apenas alguns minutos dessa praia né? Você já está aí? Ah, se arrumando. Que horas? Ok, assim que o jantar acabar vou direto pra lá. Beijo, te vejo lá”, ele desliga o celular. Ele pareceu estar envergonhado com a situação porque não levantou a cabeça depois do telefonema. A não ser na hora que o Sr. Mason lhe dar outro conselho segundo a ligação ter sido desligada.

“Esse meu sobrinho não perde tempo em garoto! Não precisa perguntar, claro que pode ir”

Notei que suas bochechas coraram. Não me importava a mínima! Ele que fosse logo pra esse maldito luau! Que pegasse todas! Fico feliz por ele ser um desses pegadores de meia tigela.

Não sei porque esses ciúmes!

Não Amelia, você não está com ciúmes! É apenas o cansaço, só isso. Logo, logo vai passar.

Pedi licença para ir ao banheiro. Levantei dá cadeira evitando olhar para qualquer um que estivesse naquele local. Acho que meus olhos começaram a ficar lagrimejando. Estava vindo a tempestade...

Saí do restaurante e caminhei em direção as piscinas calmas. Estava olhando para o chão, nenhum outro lugar. Não queria que ninguém me visse chorando. Eu não ia permitir que uma lágrima sequer caísse. Quando saí de dentro do prédio, não pude evitar olhar as piscinas. Não sei se eram mais maravilhosas de dia ou durante a noite!

Elas ficavam com um azul marinho escuro mas nas bordas bem clarinho por causa dos vários LEDs que iluminavam o ambiente.

Sorri, mas eu sabia que iria chorar. Qual a razão de tanta tristeza. Nunca me senti incomodada com as namoradas dele, e agora esse maldito luau me deixou assim? Nunca havia sentido isso... Nem mesmo quando Theo pediu Anna em namoro na sexta série. Naquela situação eu fiquei com ódio e não triste! E acho que fiquei com mais ódio por causa daquela mal amada da Anna e não por causa do pedido de namoro em si.

Tinha umas cadeiras inclinadas (aquelas branquinhas que tem em todas as praias e pessoas usam para se bronzear) na borda das piscinas, e dava uma impressão de organização.

O lugar estava completamente deserto. Caminhei mantendo certa distância da piscina.

Porque aquilo estava doendo? Estava me sentido traída. Como se algum vendedor ambulante estivesse me vendido algo e prometido que seria o melhor negócio da minha vida, mas quando abri a caixa não havia nada dentro.

Sempre vi em filmes que o amor é imprevisível. Então porque sempre é do mesmo jeito? Isso deve ser uma falha no sistema! Em filme é sempre tão óbvio.

Uma garota conhece um garoto, que lhe chama a atenção (nem sempre...) então sempre existe algo que aproxima e distanciar. Mas não importa o que aconteça, eles no final ficam juntos. SEMPRE! E nesses filmes modernos não dizem a tão famosa frase... E viveram felizes para sempre! Isso fica explícito!

Lembro quando a Lily se apaixonou por um garoto da escola, ela tinha onze anos na época. Ela simplesmente foi lá e disse, ”Acho você inteligente e bonito, ou seja, gosto de você”. Foram um casal lindo... por cinco dias. Depois ela enjoou dele.

O piso do resort era antiderrapante, não sei por que não notei isso de manhã. Acho que porque de manhã eu tinha mais o que fazer além de admirar o chão. Agora o único lugar que eu tenho acesso à visão é o chão.

“Olha por onde anda garota!”, de repente uma voz diz. Senti minha cabeça que estava abaixada (apreciando aquele maravilhoso chão) esparrar em algo. Olho e vejo um menino com uma expressão de raiva e chateação ao mesmo tempo.

“O quê?”

“Olha por onde anda? Acha que tenho peito de ferro? ” , ele diz com tom de deboche.

“Desculpa” , digo não conseguindo mais controlar as lágrimas. De repente um riacho se formou em cada uma das minha bochechas.

Saiu da presença daquele garoto inconveniente. As pessoas hoje em dia estão muito ignorantes. Desnecessária essa atitude dele!

“Você está chorando?”, ele fala como se tivesse feito uma descoberta cientifica que ajudaria a humanidade.

“Não é da sua conta, garoto que não tem o peito de ferro!”

“Calma aí, relaxa”, ele diz se aproximando. E de repente coloca a mão no meu ombro. Saiu mais uma vez de perto dele e sento em uma cadeira inclinada.

Percebo que ele senta em uma cadeira ao meu lado.

“Pode começar”, ele diz sorrindo.

Rio de uma forma forçada e cruel.

“Acha mesmo que estou disposta a contar o que fez essa porcaria de noite uma droga? Sério? E ainda para um completo estranho que não conheço à nem três minutos? E ainda por cima o mais indelicado dos brutamontes?”

“Não sei se você está disposta. Está?”, percebi um pouco de esperança. Se eu não estivesse em um dia ruim, até conversaria com ele civilizadamente.

“Não, garoto! Saí daqui!”

“Eu diria que o resort permite que os hóspedes fiquem em qualquer lugar público. Mas isso não é coisa que se diga para uma garota com raiva, que por acaso é a sua situação. Então não está afim de falar o que aconteceu?”

“Não! Só agora notou?”, falo aumentando o nível da minha voz

“Tudo bem. Fim de noite merda! Topo com uma garota chorando e tento ajuda-la e levo um ponta pé!”, não segurei o riso. “É um riso que escutei saindo dos seus lindos e amargos lábios?”

“Não. Apenas uma tose. Amargos?”

“Desde o momento que à conheci só levo bofetadas”

Pensei em pedi desculpas mas não iria dar esse gostinho para ele.

“Bem, você disse que não ia contar o que aconteceu né?”

“ Nunca!”, falo sorrindo.

“Então vou contar o que me traz aqui”, olhei pra ele. Acho que eu estava com a maquiagem toda borrada, ainda estavam saindo lágrimas dos meus olhos. Mas o fluxo já estava se encerando.

Fiquei curiosa. O que me traz aqui? Comecei a achar o garoto simpático. Olho pra ele esperando o começo da história.

“ Tudo bem”, ele diz rindo e finalmente encosta a cabeça na cadeira inclinada, e fica praticamente deitado. Faço o mesmo, e a visão dava para as piscinas, e logo atrás o mar... e como para completar o ambiente a Lua cheia. Se eu soubesse pintar, teria feito uma pintura daquela visão.

“Não tenho muito o quê falar. Não espere! Antes de começar não espere nada de muito surpreendente, viu? Muito dessa história, ela é extremamente comum. Pais divorciados, pai tentando comprar o filho com uma viagem, e tentando acostuma-lo com a ideia de uma madrasta”

Fiquei surpreso como ele expressava tudo aquilo de uma forma tão simples, e nada dramática

“ Sinto muito”, digo constrangida.

“Não sinta. Meu pai disse que eu já devia crescer e aceitar a ideia do divorcio.”, ele olha para o céu e continua. “E uma pena ele não ver que eu já aceitei”

Olho pra ele. Seu rosto parecia uma estátua, dura e sem expressão. Completamente diferente daquele garoto legal que estava tentando me animar.

“ O divórcio foi difícil, eu tinha oito anos. E pra mim foi um choque. Sempre vi os meus pais felizes juntos, compartilhando alegrias. Dava pra ver que eles se amavam. Até que veio as brigas, lembro dos gritos da minha mãe. Me trancava no meu quarto e colocava o travesseiro para não ouvir. Mas só fazia abafar. Pra mim foi estranho meu pai dizer que não moraríamos mais juntos. Acho que seis ou sete meses depois, ele me apresentou uma mulher que não gostei nem um pouco, não sei como mas, eu via falsidade emanar dela”

Escutei cada palavra com muita atenção, sem interrupções.

“Agora sou obrigado a dividir a acomodação com ela e o meu pai, nesse maldito resort. Pedir toda a admiração que um dia tive por ele”

Eles colocou as mãos embaixo da cabeça como um travesseiro.

“Qual seu nome?”, ele perguntou olhando pra mim. Fiquei envergonhada porque retribui o olhar e vi que ele era bonitinho...

“Amelia”, falo timidamente.

Ele levanta de repente. E faz uma reverência.

“Princesa Amelia. Muito prazer sou seu Principe, está noite. Me daria a honra dessa dança?”, ele fala estendendo a mão.

Não consigo evitar pega-la. Era macia e quentinha, como um biscoito que acaba de sair do forno. Levanto ainda segurando a sua mão.

“O quê? Mas não tem música!”

“Sério? Estou escutando uma valsa qualquer emanar dos meus poros ou será que está saindo daquele salão ali? Você não consegue escutar?”

Ele me puxa para mais perto dele, e começamos a rodar em círculos.

“Agora escutei”, digo rindo. Eu não estava escutando nada, mas podia rodar qualquer música na minha cabeça que eu dançaria com aquele menino.

Encosto minha cabeça no ombro dele. E sinto um perfume, nunca havia sentido nada parece. Meu coração começou a acelerar. Me sentir em pé em cima de nuvens, que a qualquer momento pudesse desabar sobe os meus pés.

Que perfume maravilhoso .Tenho certeza que fiquei embriagada com aquele perfume, porque perguntei algo que jamais eu perguntaria no meu juízo normal.

“E qual o nome do meu Príncipe que está me conduzindo nessa maravilhosa dança?”

“Sebastian, digníssima Dama”

Volto a colocar a cabeça no seu ombro.

“Você é sempre assim?”, pergunto.

“Assim como? Encantador? Maravilhoso? Humilde? Inteligente?”

“Não!”, até porque não achei ele humilde. E eu não estava mais me preocupando em ser artificial. Sabia que não precisava ser assim com ele. “Imprevisível.”

“ Não. Só quando acho que vale a pena.”

Após rodarmos durante vários minutos, paramos. Ambos ficamos tontos.

Voltamos a sentar nas cadeiras. Queria perguntar porque o pai dele escolheu justamente Fernando de Noronha, mas achei que tocar no assunto PAI na seria uma conversa muito animada.

“Até agora, o que está achando da ilha?”, puxo assunto.

“Muito bonita. O resort também é maravilhoso. Algumas pessoas reclamam das noite daqui, que não tem festas, mas acho que o simples fato de admirar esse céu estrelado, que não se tem nas cidades, é o suficiente para passar a noite. Mas eu tive sorte! Hoje não só admirei as estrelas e a lua, admirei você. Já mergulhou?”. Senti minhas bochechas corarem com a observação: Admirei você.

“Ainda não. As aulas de mergulho vão ser amanhã”, falo tentando fugir do assunto que se trata de qualquer coisa sobre admirar. “Já viajou para algum país no exterior?”

“Alguns. Estados Unidos, Canadá, Suíça...”

“Ela está ali! Amelia!”, escuto os gritos de Lily.

Viro e vejo ela correndo e logo atrás vinha Jack.

Quando ela percebe o Sebastian diz um oi desanimado e se volta pra mim.

“Você é louca? Eu e Jack rodamos esse resort todo em sua procura. E olha que esse ressorte é enorme! Fomos no quarto, nos outros quatro restaurantes, enfermaria, banheiros. Tudo!”

“Esqueceu de acrescentar as piscinas”, falo sorrindo para Sebastian que retribui o sorriso.

“Não tem graça Amelia! Meus pais já estavam preocupados, pensando até em chamar a segurança do resort, e ligar pros seus pais! Só não o fizeram porque pedi para te procurar, e graças a Deus o Jack se ofereceu para ajudar! O jantar já chegou há muito tempo! Vamos sua retardada!”, ela me puxa.

“Vamos Amelia”, diz Jack. Só quando ele disse isso notei a presença dele ali. Jack ohava para Sebastian como um leão espreita uma gazela indefesa.

“Tchau Sebastian, foi um prazer te conhecer”

“O prazer foi meu, Bela Dama”, ele sorri.

E começo a ser puxada por Lily.

“Espera!”, ele fala nervoso, “Qual é o número da sua acomodação?”

“Amelia! Não...”, Lily diz com um olhar preocupado.

Puxo minha mão, me livrado da mão de Lily. E me aproximo novamente do Sebastian.

“Como vou saber que não é um sequestrador?”, falo em um tom de brincadeira. Mas Jack e Lily pareciam levar aquilo a sério.

“Você sabe que não sou. Pois bem, eu descubro sozinho.”, ele diz isso olhando pra mim. E retribui o olhar de ameaça para o Jack.

“504. Mas não venha bater na minha porta!”

“ Sei que as aulas de mergulho são oito e meia, então te vejo perto da piscina das correntezas amanha as dez e meia?”

“Combinado”, digo sem pensar duas vezes. Nunca tinha me sentido tão bem após tomar uma decisão.

“Até amanhã Sebastian”

“Até amanhã, Princesa Amelia”

Ele fez uma reverencia e fui puxada novamente pela Lily.

Quando entrei no restaurante parecia que a Lily realmente não havia exagerado.

“Achei ela!”, Lily grita como se eu fosse o último ovinhos de páscoa que existia no caça ovo.

“Amelia querida! Onde você estava? Fiquei tão preocupada!” , a Sr. Mason me abraçou tão forte que fiquei sem ar por alguns segundos.

Após confirmar para a gerente do resort e para os Mason milhares de vezes que eu estava bem finalmente comi meu sanduíche e um crepe de morango. Até que eu gostei do crepe.

Como será que eu não percebi o tempo passar com o Sebastian?

Pra mim tinha passado no máximo quinze minutos!

Parei de pensar nisso quando mordi meu sanduíche. Como um sanduiche podia ser gostoso desse jeito? Não, acho que ele ficou gostoso desse jeito por eu estar com muita fome.

Fomos para as nossas acomodações às dez e meia. E claro, Jack foi para o luau. Mas nos acompanhou até nossa suíte e teve a necessidade de deixar o seu comentário de sarcasmo.

“Da próxima vez que sumir diga onde vai estar, ou precisamente com quem...”, ele revirou os olhos e saiu.

Após eu deitar na minha cama e vestir o meu pijama procurei algum filme que prestasse no netflix, decidimos assistir Meninas Malvadas.

LIly estava estranha. Acho que pensativa, e quando Lily está pensativa ela passa um longo tempo pensando consigo mesma. Depois de acabar o filme Meninas Malvadas, escolhemos assistir Meu Malvado Favorito.

“Você já conhecia ele?”

“Não. Nos conhecemos na piscina.”

“Porque ele te chamou de Princesa Amelia?”

“Porque ele é uma pessoa educada?”, falo sarcasticamente.

“Ele não pareceu muito receptível com o Jack”

“Muito menos o Jack com ele”, que raiva da Lily! Qual era a dela? Ficar com raiva por que passei alguns minutos conversando com um garoto?

“Por que essa raiva? Qual o problema?”

“Nenhum. Só não gostei de você der dando o número do nosso apartamento para um completo estranho. Ele pode ser um serial Killer ou sei lá mais o quê!”

“Eu garanto que ele não é, ok? E ele não é um completo estranho, sei mais dele do que ele sabe de mim. Só o que ele sabe de mim é um número 504 e meu nome: Amelia!”

“Esse número 504 dá mais informações do que qualquer outra que ele disse pra você”

“LILY para de encher! Eu não quero mais falar dele. Por favor!”

“Diz isso porque sabe que está errada”

“Digo isso porque não quero brigar! Esse assunto já me encheu, por isso! Que saco.”

“Tudo bem”, ela deligou a TV, como se ela fosse a única que estivesse assistindo, e logo após o seu abajur.

Deixei o meu ligado. E pesquisei aquela música que ele disse que estava escutando no seu iphone. Lembrava de como ele falou Echo, Jason Walker.

Assim que a melodia da música começou a sair dos meus fones para os meus ouvidos, lembrei imediatamente que aquela canção era familiar. Certamente já havia ouvido em alguma festa. Mas nunca descobri o nome dela.

Aquela melodia invadia minha alma. Nossa que sensação. A voz era suave e doce, passava uma tranquilidade.

E a letra era perfeita. Não sei porque Sebastian pensou justamente nessa música, mas de uma coisa eu sabia: não foi por acaso.

Echo — Jason Walker

Hello, hello
Anybody out there?
'Cause I don't hear a sound
Alone, alone
I don't really know where the world is but I miss it now

I'm out on the edge and I'm screaming my name
Like a fool at the top of my lungs
Sometimes when I close my eyes I pretend I'm alright
But it's never enough
Cause my echo, echo
Is the only voice coming back
My shadow, shadow
Is the only friend that I have

Listen, listen
I would take a whisper if
That's all you have to give
But it isn't, isn't
You could come and save me
Try to chase it crazy right out of my head

I'm out on the edge and I'm screaming my name
Like a fool at the top of my lungs
Sometimes when I close my eyes I pretend I'm alright
But it's never enough
Cause my echo, echo
Is the only voice coming back
My shadow, shadow
Is the only friend that I have

I don't wanna be down and
I just wanna feel alive and
Get to see your face again once again
Just my echo, my shadow
Youre my only friend

I'm out on the edge and I'm screaming my name
Like a fool at the top of my lungs
Sometimes when I close my eyes I pretend I'm alright
But it's never enough
Cause my echo, echo
Oh my shadow, shadow

Hello, hello
Anybody out there?

Aquela letra deveria ter um significado...

Escutei aquela canção, repetidamente vezes antes de dormir. Acabei adormecendo com os fones nos ouvidos. Acho que aquela música estava acariciando minhas orelhas, porque passei a viagem ouvido ela.

Eu tenho que admitir... gostei de ter conhecido o Sebastian.

“Quer tal eu te ajudar a arrumar o resto das suas coisas?”

“ Já está tudo empacotado.”

“Incrível como você conseguiu esconder isso de mim”, Jack fala colocando as mãos nos bolsos.

“Desculpa”.

“Tudo bem. Fico feliz que ainda tome suas próprias decisões, que julgam certas.”

“Apesar de egoístas?”

“Continua sendo uma escolha”

Me envergonhava ser tão egoísta.

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado. Se quiser deixe sua opinião nos comentários! Espero que estejam amando "Estrelas Cadentes"!