Estrelas cadentes
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Notas iniciais

“Pai! Cheguei! O Jack está aqui.”
“Que ótimo”, meu pai fala enquanto desce as escadas.
“Como vai, filho?”, eles se comprometam com um aperto de mão.
“Tudo bem, Sr. Lawler”, Jack fala meio temeroso.
“Acho que Amelia já deve der lhe dado a notícia.”
“Sim senhor”
“Fico feliz que esteja encarando isso tão bem. Diferente de Amelia”, papai lança sobre mim um olhar de desaprovação, “Parecia uma criança pequena.”
Jack apenas acena a cabeça. Nossa que constrangedor...
“Tudo bem. Pai, vamos subir para empacotar o resto, Ok?”
Peguei na mão de Jack e o puxei. Subimos as escadas.
Chegando no meu quarto, o Jack diz um Uou!
“Nunca notei que você tinha tantas coisas aqui”
“Acho que o motivo dessa desatenção sou eu. Mas se envergonhe, isso acontece com todos”
Ele ri e dá uma olhada em volta. Pelo visto não se tem mais nada para se empacotar, tudo já está nas caixas!”
“Tudo não”, falo e olho para minha janela. Até que passar um tempinho com o Jack aliviou um pouco aquela tensão da semana. “ O principal que é a minha janela, eu não posso colocar dentro de uma caixa e levar na bagagem”
“Realmente estava pensando em levar à janela?”, ele ri.
Nunca revele tudo para o seu namorado. NUNCA. Ele pode até ser o seu melhor amigo, mas existem coisas que devemos guardar pra si. Porque apesar de tudo, todos nós temos um lado único dentro de si, seja ele meio louco ou não. Mas no fundo isso não importa, porque apenas você vai saber que ele existe. Mesmo assim aquele comentário do Jack sobre a minha janela me chateou. Acho que eu nunca tinha contado pra ninguém o lance da janela, talvez porque não tenha muito o quê falar sobre ela. Apenas gosto de olha pela janela e conversar com as estrelas e principalmente a lua. E sei, as estrelas e a lua podem ser avistadas em qualquer lugar da Terra então porque o drama? Eu também não sei, tem algo naquela janela que faz o céu ficar mais especial. Não sei se é a janela, acho que no meu ver aquela janela ser especial seja pelo simples fato de eu ter passado toda a minha vida sentada lá, conversando sobre minha vida com as estrelas. Momentos bons e ruins. Pretendia pensar mais sobre o assunto, mas agora que vou mudar de cidade, e obviamente de casa também, creio que nunca irei descobrir o que aquela janela tem de especial.
Jack se aproximou da janela e sentou na bancada.
“Realmente se tem uma boa visão da rua nessa janela.”
“Não é por isso que eu gosto dela! Quer saber? Deixa pra lá, você nunca entenderia.”
Ele ri e me dá um beijo. E logo em seguida eu o abracei, senti aquele cheirinho de sabonete e perfume importado no pescoço dele.
Eu amava aquele cheirinho dele. Jack sempre se importou muito em ser o melhor, e isso me deixava indignada no começo. E sempre foi assim, desde antes da época da viagem para FN.
Naquela noite adormeci com a música echo nos meus ouvidos. Acordei cinco e meia da manhã, ainda todos dormiam. Coloquei os fones e levantei da minha cama e caminhei de ponta de pé para não acorda a Lily, e bati a porta suavemente para não acordar nenhum Mason.
Sentei no sofá e voltei a entrar na letra da música.
“Listen,listen
I would take a whisper if
That’s all you have to give
But it isn’t, ins’t
You could come and save me
Try to chase it crazy right out of my head”
“O quê faz acordada tão cedo?”
Levo um susto quando levantei o meu rosto e vi Jack recostado na parede da cozinha.
Droga! Ele deve ter me escutado bater a porta do quarto. O cabelo estava despenteado, mas nem assim ele deixava de ser lindo, ao contrário, isso dava a ele um ar de garoto sexy.
“Não tenho mais sono.”, falo evitando olhar para ele. Não queria desviar a minha atenção para outras coisas...
“ Compreendo.”, ele diz se virando e abrindo a porta da geladeira.
“Compreende o quê?”, falo na defensiva.
“ A sua falta de sono. Se eu fosse você, eu descansava no lugar de ficar aí ouvindo música. O dia vai ser longo, vamos após a aula de mergulho, mergulhar. E depois do almoço vamos conhecer uma praia aí”
“Então porque não está dormindo?”
“Porque ouvi a porta batendo, e achei que fosse você”
“Que ótimo saber que causo preocupação em você. Aliás como foi o luau?”
“ Ótimo. Que bom saber que também causo preocupações em você”, ele fala sorrindo e logo após bebe um gole de água.
“Tchau”
“Pra onde você vai?”
“Vocês vem para uma ilha dessa para ficar dormindo? Me poupe! Vou descer para o resort”
“Não vai sumir de novo!”, ele diz. Então olhei a sua expressão e ele me lançou um sorrisinho.
Que ódio eu tinha quando ele fazia aquele sorriso.
“Não precisa se preocupar Jack, eu volto logo”
“Assim espero.”
Que garoto mais chato. Entrei no quarto para pegar o meu casaco e sair da acomodação.
Não esperei o elevador, desci imediatamente pelas escadas. Porque nesses últimos dias tenho brigado tanto com o Jack?
Nunca isso havia acontecido antes. Erámos amigos, eu nunca tinha enviado uma indireta como aquela pra ele.
Quando cheguei no salão do resort vi que eu tinha razão. As pessoas acordam cedo para aproveitar tudo que a ilha tem para oferecer. Fiquei impressionada como o restaurante que serve o café da manhã estava lotado. Já era o segundo dia na ilha, e eu não parava de me surpreender. E até agora nem sequer sai do resort. Tudo bem que aquele resort estava mais para minicidade mas, qual é? Eu quero conhecer a ilha! Ainda nem coloquei meus pés dentro do mar.
Olhei todos se servindo mas não senti a mínima fome.
Sabia que era perigoso sair do resort sozinha, mas o resort era em frente ao mar então... o que podia acontecer?
Fui em direção as ao piso das piscinas, e lá um pouco mais para frente tinha umas rampas que davam acesso à praia.
Fiquei temerosa e ouvi a voz do meu pai dizendo: “Não saia de perto dos Masons”.
Mas eu precisa ir, nunca iria ser quem eu sonhava ser se não saísse da casca do ovo. Não pude deixar de pensar como eu gostaria que a Lily estivesse comigo agora. Acho que fui rude com ela.
Comecei a descer a rampa.
“Amelia!”, escuto uma voz família. Mas não consigo lembrar exatamente de quem é.
Me viro para me certificar que não era o Jack, mas eu já sabia que não era pela voz.
“Oi”, digo ao ver Sebastian de pé bem na minha frente.
“Oi”, ele diz sarcástico e com as mãos na cintura ainda ofegante pela corridinha que deu até a rampa. “O quê faz aqui?”
“O mesmo que você. Sou hospede daqui esqueceu?”
“Doce como um caramelo, como sempre”, ele diz sorrindo. Percebo que sua respiração está quase normalizando.
“Tá, então tchau”, me viro e percebo que ele me segue.
“Ei, espera aí”
“Que mania chata que você tem de ficar me seguindo, garoto!”
“Sempre, querida Amelia”
“Diz logo o que você quer. Tenho que volta o mais rápido possível para a minha suíte, e ainda quero andar um pouco na praia. Seja rápido!”
“Quero companhia.”
“Desculpe, estou de férias. Meu emprego de dama de companhia está momentaneamente desativado!”, digo com uma tom de voz tão irônico que até pensei por alguns segundos se fui indelicada. E acho que fui...
“Que coincidência, o meu emprego de cavalheiro de companhia já acabou de abrir.”
“Tudo bem. Só não fala muito. Preciso pensar”, imediatamente ele abriu um sorriso tão grande que até pensei que a pele dos seus lábios estavam se rasgando.
Descemos da rampa e começamos a caminha. Esqueci do detalhe de tirar a sapatilha, então imediatamente começou a entrar areia nas minhas sapatilhas. Sebastian se ofereceu para carregar e é claro que dei essa honra à ele.
Ele não falou uma única palavra até eu puxar algum assunto, que me deixava intrigada.
“Qual é esse seu lance com termos da idade média.”
Ele sorri como se estivesse conversando consigo mesmo.
“Você notou, foi?”
“Meio difícil não notar.”
“Minha mãe é professora de história e literatura, e sua especialização é a idade média. Então cresci ouvindo minha mãe falando de idade média. Lá em casa temos duas estantes cheias de DVDs da idade média: filmes, documentários e romances”
“Legal. Deve ser interessante crescer em um lugar que não parece nada com o seu tempo.”
“Você acha mesmo? Basta desviar o seu olhar que dá direto na tela plana!”, ele ri.
“Tirando isso”, sorrio, “Obrigada por me acompanhar”
“ É o meu dever. Esqueceu que sou seu cavaleiro de companhia?”
“Quase”
“ Ei, quê ir comigo e com meu pai na praia de Ponta Negra?”
“ Você realmente quer me ferrar! Já me causou problema na primeira vez.”
“Bora! A gente volta logo. Eu juro”
“Eu realmente não posso. Logo os pais da Lily acordam e dão pela minha falta. Aliás, também volto com a velha pergunta: você é um serial Killer?”
“ Não!”, ele responde fazendo uma careta, “A gente volta antes que eles notem”
Olho para os apartamentos, e novamente para Sebastian.
Por mais que eu me odiasse por isso, não consegui não confiar no Sebastian.
“Porque você quer que eu vá?”
“Um cavaleiro deve sempre acompanhar sua dama”, ele fala orgulhoso.
“ Tudo bem, eu vou. Mas por favor: vamos voltar logo. Tenho que estar aqui antes das sete”
“OK”, ele fala não evitando mais a animação.
Ele pega a minha mão e saímos correndo.
Fiquei ofegante ao subir a rampa.
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