Notas iniciais
Bem, aqui está o início de tudo. Eu tenho a história mais ou menos pronta, mas ainda tenho que dar mais vida a alguns dos personagens... Enquanto isso, vou postando alguns dos capítulos :) Prédios flutuantes - Pensando no grande crescimento populacional atual, penso que no futuro, esse tipo de construção vai ser algo comum no futuro Skyped - Computador ficcional criado pelo Skype e a Apple, cujo único imã no dedo permite guardar informações de um computador potente. Sua tela, teclado e demais funções são virtuais (produto inventado pela autora) Meleca - gíria utilizada na época da fic (2052) quando algo é nogento, idiota, escroto, enfim, como você quiser chamar :)

Espero isso há anos.

Vivo no prédio flutuante — em pleno oceano — mais conhecido do Rio de Janeiro: o Bruna Fells.

Meu nome é Joana, tenho catorze anos e vivo no ano de 2052.

— Jô, pode colocar o Prim para dormir, por favor? — pediu a voz rouca da minha mãe.

Minha mãe é professora de literatura juvenil no ensino médio da minha escola, o Colégio Professora Eliane Camara. Só que a tecnologia e a informação correm tão rápido que, às vezes, é difícil até para uma mulher moderna como ela acompanhar.

— Claro, mãe — gemi, deslizando dois dedos no ar para que a imagem do skyped sumisse com um plim discreto. Caminhei preguiçosamente até o quarto do Prim — meu irmão recém-adotado, de seis meses.

Bianca Mey tinha só vinte e cinco anos e uma carreira incrível para a idade dela. Seu currículo incluía, além da profissão desafiadora de professora em plena era dos skypeds, cinco livros de romance e ficção — cheios de seres sobrenaturais.

Eu a adorava.

Quando Bianca tinha oito anos, seus pais sumiram misteriosamente e ela foi criada na mansão Corror, um orfanato antiquado e irritante. O uso de computadores — ou qualquer tipo de tecnologia — era proibido, então ela aprendeu a escrever usando lápis e papel (meleca!). E, com a ajuda das outras crianças e muita imaginação, publicou seu primeiro livro aos quinze anos.

Com a maioridade aos dezesseis, saiu do orfanato e alugou um apartamento com o dinheiro dos livros. Fez faculdade, virou professora e me adotou — eu tinha cinco anos na época — porque não queria que eu tivesse uma vida como a dela.

Meus pais morreram quando o carro deles caiu de um prédio, voltando de uma visita aos avós, em Osasco.

— Ei, Prim, não quer dormir, não? — perguntei, pegando ele no colo. Apesar de ter presenciado o assassinato dos pais e sido deixado na sacada como um enfeite (sim, sério), pra mim ele era só um bebê cor-de-rosa e dorminhoco, que mudara um pouco minha rotina.

Desde que o Prim chegou, meus livros, músicas e baladas virtuais deram lugar aos cuidados com ele, enquanto minha mãe tentava se atualizar para dar aula na era dos hologramas.

Entre cinco paixões! — gritou minha mãe da cozinha, meio falando comigo, meio com ela mesma. — Conhece, Jô?

Revirei os olhos. Aquele livro já estava na lista dos mais vendidos há dois dias!

— Sim, mãe — respondi, enquanto o pequeno Prim deitava a cabeça no meu ombro, se aninhando como uma bolinha rosa. — É um romance entre um garoto de quinze anos e cinco seres.

— E o que são esses seres? Vampiros? Lobisomens?

Revirei os olhos de novo. Seres da época da minha mãe — biológica.

— Sereia, centauro, anjo, fada e pockersy — expliquei, como se fosse óbvio. — Esse último é uma mulher que, de dia, é um cavalo branco lindíssimo e, à noite, se transforma numa mulher de asas que seduz os homens em troca de vingança.

Minha mãe gruniu lá da cozinha.

— Já leu? — perguntou, já sabendo a resposta.

— Claro — respondi. — Ontem.

— Ah, entendi.

Eu sabia o que ela queria dizer. Os livros mais populares hoje em dia costumam ser os dela — com cerca de cem páginas, ou talvez um pouco mais. Os outros eram bem menores. E ela definitivamente não gostava disso.

— Trinta — disse, antecipando a pergunta sobre o número de páginas.

— Hunf — resmungou.

Olhei para o Prim, que dormia com o dedo pálido na boca. Sorri. Garoto esperto. Espero que, quando crescer, ele não se lembre de nada daquilo. Espero que ele só lembre da gente.

Notas finais
Sei que é curtinho, normalmente meus capítulos são assim. Espero que gostem ;)