Estrela da minha noite

9 Capítulo 9 - Ex-namorada


— Porque nunca me contou que tinha uma namorada? _ Ele dirigia o Jeep.

— Porque? _ Ele riu baixo. _ Achei que a garota que namorava o fodão do colégio não queria nada comigo.

— Eu não quero. _ Falei rápido

— Então porque te contaria? _ Ele desviou o olhar da estrada por dois segundos e me olhou ainda sorrindo.

— Não sei. _ me ajeitei no banco.

— Conheço essa rua. _ Olhei para o lado, estávamos na rua do hospital.

Ele entrou com o carro no estacionamento do hospital, e parou na vaga mais próxima da porta que conseguiu achar.

— O que estamos fazendo aqui? _ Ele abriu a porta do Jeep e desceu, eu abri a porta e desci também, batendo a porta com mais força do que eu gostaria.

— Vem. _ Ele caminhou, atravessando o estacionamento, eu dei passos mais longos para alcança-lo.

— Meu pai está trabalhando hoje. Ele não gosta que eu venha aqui. _ Ele esticou a mão, me pegando pelo pulso e me puxando para dentro do hospital.

Entramos, a recepcionista estava distraída fazendo alguma coisa no computador, então entramos sem ser notados, apenas por algumas pessoas sentadas na recepção.

Entramos no corredor de internação.

— Charlie, sabe que não podíamos estar aqui né? _ Ele parou na porta de um quarto, bruscamente, me fazendo tropeçar no pé dele e trombar com o corpo dele, dei um passo para trás e me virei encarando a porta do quarto.

— Quem está aqui? _ Ele virou o rosto me olhando, sem me dizer nada voltou a olhar para a porta do quarto. E depois de alguns segundos, levou a mão até na maçaneta da porta e a abriu.

Ele entrou para dentro do quarto, e eu entrei logo atrás dele.

A primeira coisa que vi, foi flores, de todas as cores e formas. Muitas e muitas flores, balões de coração. E só depois vi a garota deitada na cama, ela era incrivelmente bonita, os cabelos ruivos, a pele cheia de sardas, parecia dormir em paz. Então vi os enormes aparelhos os quais ela estava ligada.

— Melissa, essa é Maria minha amiga. _ Olhei para o Charlie que sorria olhando para ela. Eu estava assustada. Não sabia o que pensar.

— Maria, essa é Melissa. _ Olhei para o lado e rapidamente para ela.

— Oi Melissa.

— A Melissa era minha namorada, desde quando tinhamos 14 anos. _ Meu coração estava batendo forte. Ver Charlie a garota. Eles deveriam fazer um casal lindo. Mas a menina estava na cama.

— O que houve com ela? _ Charlie respirou fundo e se sentou na cadeira ao lado da cama da Melissa.

— Eles a sequestraram, a espancaram com um taco de beisebol. _ Meus olhos se arregalaram.

— Porque fizeram isso?

— Queriam dinheiro, muito dinheiro.

— Não pagaram? _ Encostei minhas mãos no pé da cama da garota.

— Sim, pagamos.

— Quanto tempo ela está assim?

— Já vai fazer um ano.

A porta rangiu e uma enfermeira entrou no quarto, e parou na porta por uns segundos nos olhando.

— Oi Charlie.

— Oi Aurora.

— Ela se aproximou da cama com uma bandeja com medicamentos.

— Trouxe uma amiga para conhecer a Melissa. _ a enfermeira sorriu, deixando aquela cara seria de lado, então percebi que não teríamos problema.

— Você é a filha do...

— Sou, por favor não conte a ele que estou aqui. _ Ela balançou a cabeça positivamente. _ Pegou uma seringa com a agulha e aplicou alguma coisa no soro dela.

— Melissa foi declarada com morte cerebral assim que chegou aqui. _ Olhei para o Charlie. A Enfermeira ouvia sem dizer nada.

— Então ela não vai voltar?

— Não. _ Ele estendeu o braço e pegou a mão dela. _ Ela morreu a quase um ano.

— E porque ela está aqui?

— Os pais dela pediram pra deixar os aparelhos ligados por um ano. Assim que fizer um ano vamos desligar os aparelhos._ Charlie não parecia triste, parecia conformado, sua voz era seria e fria, como se não fosse alguém que ele amasse deitada ali.

— E você? _ Ele desviou o olhar dela me encarando.

— Eu a amei, muito enquanto ela estava viva. E sofri muito quando ela morreu, fiquei os três primeiros meses trancado em um hospital psiquiatra. Mas agora, eu estou bem. Sei que o que tivemos, foi a melhor coisa que podia ter acontecido. Mas, preciso seguir minha vida. _ A enfermeira terminou o que ela estava fazendo e saiu do quarto com a bandeja nas mãos. _ Essa é parte da minha triste história. _ Ele se levantou da cadeira, olhou para ela, e então soltou a mão dela a pondo no lugar.

Eu tentei assimilar toda aquela história que ele havia acabado de me contar, mas era muito triste até mesmo para mim que não conhecia a garota.

— Vamos? _ Ele se virou e veio até mim.

— Vamos. _ Ele saiu do quarto na minha frente, e eu olhei a menina ruiva e bonita deitada ali na cama, pela última vez e saímos do quarto.

Passamos pelo corredor vazio, e pela recepção que agora parecia um pouco mais cheia. Saímos no hospital e então eu consegui respirar fundo, Charlie parou de andar e virou me olhando.

— Tudo bem?

— Eu sinto muito.

— Ela está em um lugar melhor do que estamos agora. Vem. _ Ele estendeu a mão, eu peguei a mão dele e sai caminhando ao lado dele, passei meu braço em volta do braço dele até chegarmos ao Jeep. Entrei no Jeep e ele também, acelerou e saímos.