Estrela da minha noite
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Charlie estava quieto no carro, a música estava baixa e ele cantarolava nos refrões. Conhecer Melissa me fez questionar os dias que dormi querendo morrer por causa do idiota do Brian. Me fez querer questionar a vida e entender porque pessoas se vão quando a vida mal foi apresentada a elas.
— Maria, está muito quieta. _ Olhei para o Charlie.
— Estava pensando na Melissa.
— Isso mexeu com você? _ Ele me olhou por alguns segundos e depois voltou a olhar a estrada.
— Como ela era? _ Ele sorriu, e não tirou o sorriso do rosto.
— Ela era a pessoa mais incrível que já conheci.
— Porque fizeram isso com ela?
— Eu já te disse, a sequestraram.
— Mas porque? A família dela tinha muito dinheiro?
— Não. _ Ele respirou fundo. _ Maria, isso ainda meche comigo, podemos falar de outra coisa?
— Sim, onde vamos agora?
— Ao mercado, vamos almoçar na minha casa. E depois você vai me levar a praia, né? _ Ele levantou só uma das sobrancelhas, sem me olhar.
— Tá bom, mas porque vamos almoçar na sua casa?
Ele sorriu.
— Algum problema?
— Sua família vai pensar que...
— Não estão em casa.
— Não disse que queria ir ao lago?
— Vamos a praia primeiro.
Ele dirigiu mais uns 3 quilômetros até chegar a um mercado da cidade. Descemos do carro. O mercado era pequeno, o estacionamento tinha apenas três carros contando com o do Charlie. Atravessamos o estacionamento e entramos. Charlie pegou um carrinho perto da porta e saiu arrastando, eu os acompanhando.
— Sera que aqui tem aqueles chocolates com amendoas? De repente me deu uma vontade de comer uma caixa deles. _ Charlie virou o rosto me olhando sorrindo.
— Acho que vi um desses chocolates a uns dias atrás na prateleira lá no canto.
— Vou lá ver. _ Sai na frente dele até passar pela última prateleira. E ali estava ele. O chocolate mais gostoso que existia. Peguei uma caixa e me virei para procurar Charlie no meio das prateleiras. Mas ele estava ali atrás de mim com um saco de batatas congeladas na mão.
— O que acha de almoçar batata frita hoje?
— Eu gosto de batata. _ Olhei o carrinho que tinha algumas frutas, chocolates, refrigerante e queijo.
— Quer mais alguma coisa? _ Ele pegou o chocolate da minha mão e colocou no carrinho.
Encarei o carrinho de novo, sempre quis subir em cima de um deles.
— Sim. _ Me aproximei do carrinho, fiquei na ponta do pé e entrei dentro dele e me sentei. Ele ficou me olhando com uma cara pasma.
— Agora podemos ir. _ Ele sorrio, pegou o carrinho e saiu arrastando-o para o caixa. Não tinha quase ninguém dentro do mercado. Apenas o garoto do caixa que ficou me olhando com cara feia. Charlie passou as comprar. Entregou o cartão. E colocou a compra de novo no carrinho e eu fiquei lá dentro. Estava me sentindo criança de novo. Ele saiu empurrando o carrinho pelo estacionamento até chegar no carro.
— Quantos anos tem Maria?
— 16. _ Ele parou o carrinho na traseira do carro e abriu o porta malas.
— Achei que tinha seis. _ Ele ainda sorria, com seus lindos dentes brancos e seus óculos escuros tampando os olhos.
Me levantei desajeitada dentro do carrinho e pulei pra fora, senti uma pontada na barriga e coloquei a mão me curvando.
— Tudo bem? _ Levantei a cabeça olhando para o Charlie, ele me olhava com duas sacolas na mão.
— Sim, deve ser só uma cólica. _ Cólica? Tinha uns dois meses que eu não sentia cólica. E nem ficava menstruada. Arregalei os olhos, indireitei meu corpo lentamente.
— Maria, o que que foi? Você está branca! Tudo bem? _ Ele deixou a sacola dentro do carrinho e rapidamente se aproximou de mim. _ Maria me responde. _ Pisquei forte duas vezes e o encarei, ele me olhava nos olhos, suas mãos estavam no meu rosto, me esquentavam. _ Maria?
— Nada. _ Dei um passo para trás fazendo que suas mãos se soltassem de mim. _ Quer dizer, eu estou bem.
— Tem certeza? Parecia que ia desmaiar.
— Estou bem. _ Atravessei o carro, abri a porta e me sentei, Charlie terminou de guardar as compras e devolveu o carrinho.
Meu Deus, eu não tinha me tocado. Já iam fazer quase três meses que minha menstruação não vinha. E eu não tinha tomado nenhum rémedio depois daquela noite.
— Burra, muito burra. _ Charlie abriu a porta do carro e se sentou no banco do motorista.
— Porque está se chamando de burra?
Virei meu rosto encarando Charlie.
— Maria, você está palida, está me assustando. O que foi? _ Minha cabeça começou a pesar e minhas vistas embaçaram. Me ajeitei no banco, encostei minha cabeça nele e fechei meus olhos tentando respirar.
— Acho que vou desmaiar.
— Maria, quer ir ao hospital?
—_ Não, o que quer que aconteça não me leve ao hospital. _ minha respiração foi ficando mais pesada e meu corpo mais mole e minhas vistas se apagaram.
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