Estrela da minha noite
11 Capítulo 11
Acordei em um quarto enorme, o teto era branco de gesso esculpido, as paredes eram azuis quase como a cor do céu a noite. Respirei fundo e me sentei na beirada da cama. No chão havia um carpete de veludo azul da cor da parede. Levantei a cabeça, na minha frente tinha uma mesinha, um notebook, uma impressora e algumas fotos. Era Charlie o pai e as duas irmãs. Em outra era uma mulher loira bonita que eu não conhecia. E na última era Charlie e uma garota ruiva muito bonita, sorridente. Me levantei e me aproximei das fotos. Com certeza era Melissa. Tão bonita.
_ Que bom que acordou. _ Me assustei com a voz atrás de mim, era Charlie na porta do quarto.
— Charlie, desculpa. _ Respirei fundo, meu corpo ainda estava fraco, e a tontura voltou como se uma flecha tivesse me acertado, puxei a cadeira do lado da mesa e me sentei.
— Maria, o que houve? _ Ele se aproximou de mim, então pude notar uma xícara na mão dele.
— Eu não sei. _ Ele parou na minha frente, se ajoelhou e me entregou a xícara, cheirava a chocolate quente, olhei dentro o que confirmou o meu olfato.
— Comeu alguma coisa hoje? _ Então me lembrei que não tinha tomado café da manhã.
— Não.
— Sua glicemia deve ter abaixado. Toma isso que vai melhorar. _ Levei a xícara até a boca e tomei um gole, que esquentou meu corpo no momento em que alcançou meu estômago. Estava delicioso.
— Onde estamos?
— No meu quarto. _ Ele levantou da minha frente, e se sentou na beirada da cama, de frente pra mim.
— Quer me contar o que está acontecendo? _ balancei a cabeça negativamente.
Ele se levantou da cama, andou até uma das janelas abriu a cortina, e depois a porta de vidro. Me levantei da cadeira, estava melhor, fui até ele.
Uma varanda enorme. E a vista. Ele morava dentro da praia. Ainda queria que eu o levasse até lá sendo que alguns passos da varanda e lá estaria ele.
— UAU _ Respirei fundo e fechei os olhos, sentindo o calor do sol e do chocolate quente aquecer meu corpo. Ouvir o som das ondas se quebrando com aquele sol, aquele cheiro de areia. Com certeza era a coisa mais prazerosa que tinha sentindo no dia todo. Abri os olhos, Charlie estava encostado na varanda virado de costas para a vista, me olhando, sorrindo, o que me fez sorrir sem graça.
— Estou preocupado com você. _ Ele tirou o sorriso do rosto imediatamente. _ Me deixa te levar ao hospital. Não é normal desmaiar e ontem você ja estava se sentindo mal.
Tirei o sorriso do rosto.
— Eu estou bem agora Charlie, por favor não conte nada do que houve comigo hoje e ontem para ninguém, eu te peço.
— Já perdi muita gente que eu amo, seria pessimo eu perder uma amiga.
— Somos amigos agora? _ Levantei uma das sobrancelhas sorrindo.
— Claro! Que tal a gente fazer um almoço e depois descermos para lá. _ Ele apontou para a praia.
— Feito. _ Me virei saindo da varanda. Ele veio atrás de mim me acompanhando, passou na minha frente e abriu a porta do quarto. Passei por ela. O corredor era enorme. Devia ter pelo menos uns 30 quartos naquele corredor. E várias fotos de família espalhadas por ele. Vasos enormes, mesinhas com porta retratos, pinturas antigas. Tudo muito misturado. Parecia um museu. Me aproximei de um quadro com cores pálidas. Picasso, com certeza aquilo era um Picasso original. Virei meu corpo encarando o Charlie que caminhava lentamente atrás de mim.
— O que vocês fazem? Meu pai é médico a muitos anos e até hoje não conseguiu comprar um picasso. E nem uma casa dessas proporções. Ele sorriu e se aproximou mais de mim.
— Roubamos banco. _ Ele riu baixo e passou o braço por cima do meus ombros me arrastando de perto do picasso.
— Será que tem lugar pra uma pessoa a mais? _ Levantei o rosto o olhando, ele sorria divertido.
— Claro querida. _ Chegamos a uma escada e descemos. Na parede da escada, havia mais quadros, pinturas antigas.
— Chegamos a uma sala abaixo da escada, era toda branca, um piano branco do lado esquerdo da sala. Luxuosamente posicionado. Um sofá branco em frente a lareira amadeirada.
Charlie se soltou de mim, entrou em um corredor de madeira ao lado da sala do piano, eu o acompanhei. Logo chegamos ao fim do corredor, era a cozinha. Perfeitamente amadeirada. Com paredes de vidro. O que dava a vista pro mar, era perfeita. Suspirei, estar ali me fazia ter uma sensação maravilhosa.
Encostei minhas mãos no balcão da cozinha e fiquei olhando atraves do vidro, a cada onda que se quebrava meu coração palpitava mais.
— Tudo bem Maria? _ Charlie mexia nos armários amadeirados da cozinha, pegando umas panelas.
— Isso é incrível. Será que seu pai se importa se eu mudar pra cozinha dele? _ Ouvi uma risada do Charlie.
— Acho que não. _ Ele ligou o fogão que fez um barulho engraçado.
Me aproximei da mesa e me sentei na cadeira, encostei minha cabeça na mesa, não consegui tirar os olhos das ondas se quebrando. Parecia que todos os meus problemas tinham se resolvido ali.
Ouvi ele jogando a batata no óleo quente, que fez um barulho engraçado. Fechei meus olhos por alguns segundos. E lembrei, que a última vez que minha menstruação tinha vindo tinha sido a três meses atrás. Ela estava atrasada e ela nunca se atrasava. Eu tomava remédio. Mas desde aquela noite que peguei Brian na cama com a Kimberly eu não tomei mais. Então lembrei do homem por cima de mim, eu bêbada. A dor na barriga, o desconforto na vagina. Eu tinha transado com alguém naquela noite. E não tomei nenhum remédio. Burra, será que eu tinha sido tão burra de não ter pensado que podíamos ter transado sem camisinha, eu nem lembrava do rosto do homem direito. Apenas dos braços fortes. As tatuagens que tampavam seu corpo. E um cabelo preto. Bela coisa, quase todos os homens tinham cabelo preto.
— Maria? _ Levantei a cabeça rapidamente, procurando o Charlie em volta de mim, olhei para frente ele estava na minha frente com uma vasilha de batata, bacon e queijo, tudo misturava. Minha boca encheu de água então só a´percebi a fome que eu estava.
Ele se sentou na mesa ao meu lado, a mesa era pequena, 6 lugares, com certeza tinha uma sala de jantar ali em algum lugar naquela casa. Ele levantou uma jarra de suco e me serviu.
— Obrigada. _ Ele sorriu e então comemos, até a travessa de batata acabar por inteiro. Comemos em silencio. Ambos conseguiam olhar apenas as ondas se quebrando na praia. Se eu fosse ter que trabalhar de cozinheira em algum lugar eu com certeza gostaria de trabalhar naquela casa.
— Onde estão os empregados? _ Falei baixo, quase sussurrado.
— Estão de folga. Tem uma casinha perto da praia, quase ao lado dessa casa que eles moram. Devem estar lá. Ou na praia.
— Com certeza estaria na praia agora.
— Podemos ir para lá agora se quiser. _ Ele se levantou e estendeu a mão. Eu peguei a mão dele e me levantei. Ele caminhou até uma porta de vidro no cozinha mesmo e a abriu. Dando vista, não só para a vista do mar, mas para o calor do sol, o cheiro de areia molhada. Era encantador estar ali. Descemos os dois degraus de madeira que separavam a casa da praia. Charlie ainda estava de mão dada comigo. E caminhamos para a areia. Eu me apoiei nele e tirei meus sapatos e deixei ali perto da escada, Charlie fez o mesmo tirando os tênis. Pude sentir a areia nos meus pés. Não era como ir a praia pela primeira vez em um dia não tão quente que a areia estava gelada apesar do sol conseguir esquentar seu corpo. A sensação era diferente, a areia gelada era diferente, o sol era diferente, o cheiro. Tudo era diferente.
— Quero ver você chegar na água primeiro que eu. _ Ele soltou a mão e saiu correndo na minha frente. Então eu acelerei o passo e corri atrás dele. Não tão rápido quanto gostaria porque minha barriga dava uma pontada a cada passo que dava. Mas cheguei na água pouco depois dele. Sentindo a água congelar os dedos do meu pé. Estava gelada. Então sorri, olhei para baixo vendo meus pés se afundarem na areia molhada.
— O que acha de ter me levado a praia? _ Ele sorria, mostrando todos os perfeitos dentes, o que me fez sorrir ainda mais largo.
Chutei a água para molha-lo, o que fez ele fazer o mesmo, rindo. Eu não sabia quem ele era, mas ele me fazia sentir bem e esquecer todos e qualquer problema.
— Não quero voltar para o mundo real. _ Me afastei da agua e me joguei na areia me deitando nela sem me preocupar com a areia me sujar.
— Não volte. Podemos arrumar uma barraquinha para morar aqui. _ Eu ri, ele se sentou do meu lado.
— Obrigada por me trazer aqui Charlie. _ Me sentei, ele me olhava nos olhos. Belo olhos você tem garoto.
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