Estrela da minha noite
16 Capítulo 16
Os próximos dias que se passaram. Charlie quase não me ligou, quase não falou comigo. Eu fui a aula apenas os dias que acordei me sentindo bem, o que era raro porque quase toda a manhã vomitava. Charlie respondia apenas minhas mensagens de "bom dia" e "boa noite", até que chegou o dia da minha consulta. Charlie buzinou cedo na porta de casa e eu desci. Era a primeira vez que o veria desde a morte da Melissa.
— Bom dia. _ Fechei a porta do carro e me arrumei no banco.
— Bom dia. _ Ele estava me olhando com um sorriso branco e verdadeiro.
— Está melhor? _ O sorriso dele me fez sorrir instantaneamente.
— Estou. _ Ele acelerou o carro e deu partida.
Alguns minutos depois chegamos no consultório.
— Bom dia. _ O médico logo nos cumprimentou quando chegamos.
Me sentei na maca dele para fazermos um outro ultrassom.
O médico deu um sorriso enorme quando colocou o aparelho de ultrassom na minha barriga.
— Já escolheram os nomes? _ O médico me encarou e depois olhou para o Charlie.
— Não. _ Eu disse rápido.
Charlie se aproximou da tela do ultrassom.
— Você está de cinco meses querida e seu bebê é um homenzinho.
Arregalei os olhos olhando pro Charlie que sorriu igual um bobo.
— Podem escolher o nome agora. E ele está perfeitamente saudável.
Ele me limpou, foi até a mesa dele e se sentou.
— Seus exames estão ótimos, exceto por uma anemia. Mas isso as vitaminas que te passei vão melhorar, já podemos pensar na possibilidade de um parto normal.
— Que ótimas notícias. _ O Charlie disse.
— Só boas notícias.
Logo saímos do consultório.
Charlie dirigia pensativo.
— Antes de sairmos de volta pra nossa pacata vida no interior quero comprar um presente pro nosso bebê. _ Encarei ele. Ele dirigia com um sorriso no rosto. Me olhou por alguns segundos e logo voltou a encarar a estrada.
Ele parou no estacionamento de uma loja enorme. Descemos, eu encarava a loja e ele ao mesmo tempo.
— Charlie não precisa comprar nada.
— Quieta Maria, presente não se recusa. Você diz muito obrigada e sorri. _ Ele passou o braço por cima do meu ombro e me abraçou de lado. Entramos na loja. Ela era enorme e era chique. Uma loja de crianças e bebês.
Eu o encarei e ele sorriu. Um mulher bem vestida veio nos atender.
— Bom dia, como posso ajuda-los?
— Precisamos de algumas coisas pro nosso bebê. _ Ele disse pra moça, virei o rosto encarando.
— Me acompanhe.
— É um menino _ Ele desviou o olhar de mim olhando pra moça.
— Parabéns. _ Subimos a escada rolante. O segundo andar tinha só coisas de meninos. Muitas coisas de meninos.
Ela entregou uma arminha de marcar produto para o Charlie. Fique a vontade para comprar o que quiserem. É só passarem na identificação do produto que no final pegamos tudo e embrulhamos. Ela saiu.
— Essa arminha faz a gente querer comprar mais. _ Ele riu baixo e se afastou de mim indo até um lugar onde ficavam várias roupinhas de bebê.
— Por favor, não sai comprando a loja toda. _ Falei alto e fui atrás dele.
Charlie ficou no mínimo umas duas horas dentro daquela loja, meus pés já estavam doendo de tentar acompanha-lo e discutir com ele sobre o que ele não podia comprar. Estava sentada em uma poltrona confortável esperando os produtos serem embrulhados para irmos embora. Senti um desconforto na barriga e coloquei a mão sobre ela. Ele estava se mexendo dentro de mim. Arregalei os olhos e encarei Charlie que estava me olhando de longe e me encarou.
— O que? Tá doendo? _ Ele se aproximou de mim sério.
— Me dá sua mão. _ Ele estendeu a mão, peguei a mão dele e a coloquei em cima da minha barriga. Então ele sorriu e entendeu o que estava acontecendo.
Ele se ajoelhou na minha frente, olhando minha barriga enquanto o bebê se mexia la dentro.
— Ele está se mexendo. _ balancei a cabeça positivamente.
— Está tudo pronto. Que ajuda pra levar até o carro? _ a moça se aproximou. Charlie se levantou e encarando com o mesmo sorriso de segundos atrás.
— Sim. Por favor. _ Então ela saiu e ele estendeu a mão para me ajudar a levantar. Levantei e fui para o carro com ele.
O homem estava colocando as coisas dentro do carro. Era muita coisa. Tanta que ocupou o porta malas, o banco de trás e um berço no teto do carro.
Voltamos para casa. Charlie desceu do carro, meu pai estava no jardim e veio até nos assim que Charlie parou o carro.
— Quanta coisa. _ Meu pai colocou a mão no bolso do seu moletom.
— Nosso menino precisa ter o melhor. _ Charlie desceu do carro e fechou a porta, desci do carro também olhando meu pai.
— Menino? _ Ele tentou segurar um sorriso mas não conseguiu. Meu pai estava sorrindo com a notícia.
— Lindo e saudável pai.
Meu pai e o Charlie desceram todas as coisas que estavam no carro, e colocaram no meu quarto. Ursinhos, roupinhas, banheira, carrinho, meu quarto ficou entupido de coisas de bebês naquele dia. Eu e Charlie ficamos até tarde da noite tentando organizar as coisas no meu quarto.
— Precisamos de uma casa. _ Levantei o olhar encarando ele.
Ele estava sentado no chão do meu quarto com uns carrinhos de pelúcia na mão.
— O que está querendo dizer?
— Que precisamos de uma casa para criamos nosso filho.
— Charlie, você quer fazer isso mesmo?
— Sim, ele vai saber que tem um pai. Que o ama. A não ser que não queira isso.
— Eu não sei o que dizer nem o que pensar. _ Ele sorriu.
— Então não diga e nem pense.
Jantamos ali em casa e voltamos para arrumar a bagunça de plasticos e papeis que tinha ficado. Quando dei por mim, Charlie estava dormindo no canto da minha cama. Ele assim como eu deveria estar cansado. O tampei, depois me deite ao lado dele também. Não consegui dormir de imediato. A presença dele ali do meu lado estava me tirando o sono. Como que alguém tão bonito, rico e inteligente assumiria um bebê que não é dele. Eu nem o conheço direito e nem ele a mim.
Isso era loucura, mas não sabia o que fazer.
Fale com o autor