Desci do carro do Charlie, e ele desceu logo após. As pessoas do colégio achavam que estávamos namorando e que o bebê tinha sido um acidente da nossa primeira transa. Eu deixei que pensassem isso, até meus pais e os pais do Charlie acham que era isso. O corredor estava cheio hoje. A minha barriga já estava grande o suficiente para todos notarem. As pessoas me encaravam mas não diziam nada e tentei usar vestidos largos todo esse tempo que descobri que estava grávida. Algumas pessoas me olhavam, me encaravam, mas não diziam absolutamente nada. Outras tentavam ser gentis comigo e alguns cochichavam me chamando dos piores nomes possíveis, principalmente quando Charlie não estava comigo. Mariana não falou comigo mais, desde que descobri que estava grávida. Eu acho que ela estava com raiva de mim, ela nem olhava mais na minha cara, eu tentei não me importar. Mas cada vez que a vinha atravessando o corredor dava vontade de bater na cara dela e dizer o quanto a amava pra ela fazer aquilo. Eu precisava dela agora, e ela tinha me deixado só com um garoto que nem conhecia direito.

Entrei no colégio. E fui para meu armário, pegar um livro de física para minha próxima aula. O armário do Charlie era afastado do meu então ele foi para o dele.

— Olha quem está aqui. _ Olhei para o lado era Brian, com outros três amigos. _ A vadia que transa depois que pega o namorado a traindo e ainda por cima engravida.

Olhei em volta, tinha muita gente nos olhando. O armário do Brian era perto do meu. Sempre fora, esse era um dos motivos para começarmos a namorar.

— Puta, deu pro cara mais rico do colégio né? _ Charlie se aproximou vendo a cena, mas ainda ficou olhando de longe, Brian viu que ele tinha se aproximado e virou o encarando. _ Isso é golpe da barriga sabia? Ela só quer seu dinheiro.

— Claro. _ Ele balançou a cabeça negativamente e se aproximou de mim. _ Até porque ela precisa mesmo né, sendo o pai dela chefe do hospital e sendo o meu empregado dele. Engraçado dizer isso. _ Charlie esticou a mão e eu a peguei e deu dois passos.

— Cuidado, a hora que o bebê nascer ela arruma outro mais rico que você e engravida dele. _ Charlie soltou minha mão e olhou para Brian.

— Brian, porque não cala? Só está dizendo essas coisas porque percebeu que a amava. Mas era tarde de mais porque ela esta com alguém bem melhor que você agora.

— Melhor? Pergunta pra ela como ela gemia na cama enquanto eu comia a buceta rosa dessa vadia. _ Charlie foi para cima dele e deu um soco na cara dele o derrubando no chão. Os amigos do Brian vieram para cima do Charlie, e outras pessoas apareceram enfiando na frente do Charlie para os outros amigos do Brian não bater nele. Charlie olhou para trás e voltou a encarar Brian que sangrava com a boca cortada no chão.

O diretor chegou encarando Charlie.

— Charlie, pra minha sala agora. _ Os amigos de Brian se afastaram.

— E você Brian, pra enfermaria e depois pra minha sala.

— Maria, você vem com o Charlie. _ Ele se virou e saiu andando. Charlie passou na minha frente o acompanhando. Eu fui logo atrás. Entramos na sala dele e ele apontou a cadeira para nos sentarmos.

— O que que aconteceu?

— Ele xingou Maria, desculpe eu...

— Eu não tolero brigas no meu colégio. É um colégio de referencia. Até ano passado não tinha garotas grávidas e garotos brigando por causa dela. Maria você sabe qual dos dois é o pai do bebê pelo menos? _ Ele me encarou, me coração estava acelerado.

— O filho é meu. _ Charlie passou a mão no cabelo bagunçado tentando arruma-lo.

— Eu não tolero brigas no colégio, da próxima vez expulso todos vocês, inclusive você Maria. _ Ele apontou para a porta e levantamos e saímos.

— Desculpa te deixar sozinha. _ Charlie disse assim que passamos pela porta do diretor. Ele parou de andar e se virou de frente para mim. Eu estava nervosa e com certeza já estava chorando. _ Não chore Maria. _ Senti o bebê se mexer dentro de mim e coloquei a mão na barriga, passei a outra mão limpando meus olhos. Charlie passou os braços em torno de mim me abraçando. Abracei ele, encostei meu rosto na sua camiseta cinza deixando a marca das minhas lágrimas nela. Encostei minha barriga nele. Ele sorriu, pude sentir que ele estava sorrindo pela sua respiração no meu pescoço.

— Precisa se acalmar, Maria, nosso bebê também está querendo bater naquele babaca. _ ele riu baixo.

Levantei meu rosto do peito dele, ele acompanhou meus olhos. Abaixei o olhar olhando pra sua boca um pouco trincada, que belo sorriso ele tinha. Meu coração se acelerou e senti um frio na barriga. Levantei o olhar voltando a olhar os olhos dele. Ele encostou minha testa na dele e depois beijou a ponta do meu nariz.

— Precisamos voltar pra aula. _ Ele sussurrou, me olhando nos olhos. Respirei fundo, dei dois passos para trás me afastando dele. Eu tinha parado de chorar e nem tinha percebido, ele segurou minha mão e me puxou com ele. Chegamos a sala de aula, todo mundo já estava lá. Inclusive a professora.

— Entrem. _ Entramos e nos sentamos, Charlie sempre se sentava ao meu lado. As pessoas estavam nos encarando.

Peguei meu material e decidi acompanhar a professora. Daniela se estava se sentando um pouco a minha frente com o namorado. Eu a vi me encarando algumas vezes esse dia.

— Charlie você sabe se é o pai? _ Escutei um garoto da turminha do Brian cochichando para o Charlie.

— Sim eu sou. _ Ele fez cara feia e o garoto se virou pra professora novamente. Charlie me encarou e eu sorri falso.

A aula acabou rápido e fomos almoçar na casa do Charlie.

Chegamos e todos estavam sentados na mesa almoçando. Então cumprimentei todos e me sentei para comer também. Me servi.

— Vão se casar quando? _ engasguei com a comida que estava na minha boca. O pai dele disse.

— Não vamos nos casar. _ Eu disse rápido, encarei Charlie que riu disfarçadamente.

— Como não? Querem criar um filho juntos como?

— Vamos nos casar depois que o bebê nascer pai.

— Faltam só três meses. _ Ele me encarou.

— Não vamos nos casar por enquanto. _ Eu encarei o pai do Charlie que me olhava feio.

Ana acompanhava a conversa com os olhos e a irmã mais nova do Charlie estava pra aula de balé.

Então o assunto se encerrou. Terminamos de comer e Charlie subiu para ir ao banheiro. Sentei no sofá da sala com o piano com a Ana.

— Charlie deve ter te contado tudo.

— Tudo o que? _ Ela estava sentada no outro sofá me encarando.

— Sobre a morte da ex namorada, sobre ele ter matado várias pessoas, sobre a coleção de armas, sobre ele trabalhar pro governo. _ Encarei ela.

— Maria? _ Charlie desceu as escadas encarando a irmã, eu encarei Charlie e ela pareceu assustada quando ele desceu. _ Vamos.

Levantei o sofá, Charlie pegou na minha mão e saiu me puxando da sala.

— Charlie sua irmã...

— Para Maria. _ Ele saiu da casa e foi até o carro, eu entrei no carro e ele entrou então deu partida.

— Quem é você Charlie? _ Eu o encarei, ele olhava pra estrada, estava com o pensamento distante. _ Charlie _ gritei. _ É verdade o que sua irmã disse Charlie?

Ele virou o rosto me encarando, e respirou fundo.

— É.

— Quem é você Charlie?