Estrela da minha noite
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Os meus pais demoraram cerca de uma hora e meia na casa do Charlie eu já estava tão nervosa. Eu andava pra lá e para cá na sala. Esperando ouvir barulho do carro ou a porta se abrir ou o telefone tocar. Então o telefone tocou.
— Charlie
— Seus pais estava alterados. Disse pra eles que eu era o pai do bebê?
— Não Charlie, eu juro que não.
— É, estavam bem convencidos disso.
— O que houve? _ Ouvi a porta se abrindo. _ Eles chegaram, vou desligar.
— Mãe, pai. _ Eles abriram a porta. Estavam com uma cara péssima.
— Eu não quero falar com você Maria. _ Minha mãe passou por mim e subiu as escadas.
— Pai? _ Meu pai estava nervoso.
— Conversei com o pai do Charlie, você acredita que ele teve coragem de falar que não era dele? Era isso que queria pra sua vida Maria? Um pai que não quer nem assumir um filho.
— Pai ele não é.
— Ele assumiu Maria. Não venha defender esse moleque.
— Ele o que? _ Me encostei no sofá, encarando-o.
— Vocês se merecem mesmo. Não tem noção da burrice que fez né? Mas você vai pagar pode ter certeza. _ Ele passou por mim e subiu as escadas.
Peguei o celular e liguei pro Charlie, que me atendeu de imediato.
— O que você fez? Tá louco?
— Maria.
— Charlie você não podia fazer isso.
— Maria.
— Charlie não pode assumir um filho que não é seu.
— Maria, ta tudo bem.
— Que droga Charlie.
Desliguei o telefone.
— QUE MERDA _ Gritei sozinha.
Subi as escadas correndo e entrei pro meu quarto, me olhei no espelho. Minhas olheiras estavam saltando no meu rosto, eu estava tão chateada visivelmente. Me sentei na cama.
— Maria. _ Ouvi uma voz conhecida, era Charlie, a voz vinha de fora. Fui até a janela, ele estava lá em baixo olhando pro chão. Então sai do quarto, desci as escadas. Sai para fora da casa. Charlie estava de moletom cinza, de chinela, eu nunca o tinha visto assim, parecia tão mais calmo do que eu.
— Maria, não pode desligar o telefone na mina cara mais. Ok? _ cruzei os braços e o encarei.
— O que pensa que esta fazendo Charlie? Assumindo um filho que não é seu?
— Maria, seus pais chegaram na minha casa gritando e falando um mone de coisas. Meu pai acreditou e minhas irmãs também. E eu fiquei sem saber o que fazer. Mas
— Dissesse que não. O que você disse? Que sim? Que é o pai desse bebê?
— Disse que eu assumiria o bebê. Não disse que era o pai.
— Vai assumir um filho que não é seu? Nos mal nos conhecemos?
— Maria, passamos os últimos quatro meses juntos, até o médico achou que eu fosse o pai desse bebê. Ninguém vai acreditar que engravidou de um estranho na balada.
— Você é um babaca Charlie.
— Maria, eu estou tentando te ajudar desde que te conheço e você...
— Eu o que? Porque não vai resolver seus problemas primeiro? O velório da sua namorada é amanhã. Porque não vai resolver isso e para de se meter em meus problemas. _ quando vi já estava gritando.
— Maria, a babaca aqui está sendo você. Primeiro para de gritar comigo. Vai fazer mal pro bebê. _ Ele se encostou no carro e passou a mão no rosto.
— Eu não sei o que fazer Charlie. Eu tenho 16 anos e vou ter um bebê. Eu não sei quem é o pai e minha família já mais vai entender isso. E você ainda concorda quando eles chegam na sua casa e grita com você pra assumir.
— Maria, foi uma escolha minha. Eles não me obrigaram. _ Senti uma pontada na barriga e coloquei a mão sobre ela fazendo careta.
— Tudo bem? _ Ele falou mais baixo.
— Sim, são só pontadas. _ respirei fundo tentando me acalmar, e me sentei no banco de madeira do jardim que estava perto do Charlie.
— Maria, vai ficar tudo bem. Prometo. _ Charlie se sentou ao meu lado no banco.
— Eu gosto de você Charlie, tem sido um grande amigo. Mas seria injusto da minha parte se deixasse assumir essa responsabilidade que não é sua.
— É minha a partir do momento que decidi que seria minha._ Ele se aproximou de mim no banco e passou a mão em volta do meu ombro, encostei minha cabeça no peito dele e ele me abraçou.
Então foi isso, Charlie subiu comigo e ficou trancado no meu quarto comigo até entardecer. Assistimos um filme de desenho, contamos piadas sem graça um para o outro e comemos muitos chocolates que ele tinha dentro do carro. Agora ele poderia ter um pouco a mais de liberdade comigo dentro de casa, já que meus pais estavam certos de que ele era o pai do bebê que estava esperando. Decidi com minha mãe em uma longa conversa a noite quando o Charlie foi embora que continuaria o pré-natal com o médico que comecei. Foi difícil pra ela ter essa conversa e mais difícil ainda tentar não gritar com ela e faze-la entender que eu iria ser uma mãe que não sabia quem era o pai do seu filho.
Então o outro dia chegou. Eu acordei bem cedo, tomei um banho e me vesti. Charlie estava me esperando no hospital. Iriam desligar os aparelhos da pessoa que ele mais amou. Eu precisava estar lá.
Cheguei em poucos minutos. A família do Charlie estava toda na recepção. Eles me olharam estranho quando cheguei.
— Onde está o Charlie?
— No quarto. _ Disse a irmã dele e deu de costas para mim.
— Passei pelo corredor e fui para o quarto. Charlie estava sentado na cadeira ao lado da cama. Conversando com a enfermeira.
— Charlie?
Ele virou o rosto me olhando.
— Vem cá.
Fui até ele e parei ao lado da cadeira dele olhando a Melanie, ela parecia tão jovem e saudável.
— Podemos começar Charlie? _ A enfermeira nos olhou.
— Os pais dela.
— Chegamos. _ Uma senhora, ruiva, igualmente linda apareceu na porta ao lado de um senhor de uns 40 e poucos anos. E uma garotinha de uns 13 anos ruiva, igualmente bonita a Melanie.
— Charlie meu filho. _ Ela se aproximou e abraçou Charlie, estava chorando muito. O pai também estava chateado e a garota parecia indiferente com a cena.
— Senhora Bernardes. _ Ele a abraçou e ele se levantou dando lugar para ela se sentar.
— Vou desligar os aparelhos do respirador e do coração. Talvez demore alguns minutos para para. Podem desligar o monitor se o barulho os encomodar. _ A enfermeira falou se aproximando da cama. _ Posso senhora Bernardes?
Ela balançou a cabeça positivamente. Ela tinha ficado um ano lado do corpo da filha sem vida. Assim como o Charlie. Ela não precisava de mais um tempo com ela. Precisava enterrar a filha, sentir a dor.
Então a enfermeira desligou três dos quatro aparelhos que estavam ligados a ela. Ela só não desligou o monitor que marcava os sinais vitais. Então a gente viu a vida da garota jovem ir diante dos nossos olhos. A pressão dela caiu, os ritmos cardíacos foram diminuindo. a oxigenação também. E em poucos minutos o monitor já estava gritando que naquele corpo já não tinha vida. Então olhei a minha volta. Todos estavam chorando, inclusive eu. Até a irmã mais nova. Então eu olhei para o Charlie ao meu lado. Ele não estava chorando, estava com os olhos fixos nela. Mas estava aguentando.
Então foi oferecido um almoço na casa da família do Charlie e logo depois enterraram a garota. Foi tudo muito rápido. Eles não queriam sofrer mais por esse processo de morte. Charlie no enterro fez um discurso onde disse as mesmas palavras que tinha me dito quando a conheci. Que a amara, a desejara e cuidou dela quando ela estava viva. Mas agora ela tinha ido, e que ela podia ir tranquila que aqui ia ficar tudo bem. Disse o quanto a amava. E eu chorei. Parecia uma boba chorando, acho que era os hormônios.
Então aquele longo dia acabou, Charlie me levou para casa e foi embora na mesma hora. Acho que ele queria ficar sozinho. E eu fui dormir. Precisava recuperar minhas forças.
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