Estrela da minha noite
6 Capítulo 6 - Jantar
Notas iniciais
— Conhece meus filhos?
— Sim, estudo com Charlie e Ana _ levantei o olhar encarando Charlie que ainda me olhava sem dizer nada no canto da sala.
— A que bom, eu não sabia. _ Josepf olhou para Charlie e depois para mim, o que me fez desviar o olhar para encara-lo.
— Querida porque não mostra a casa para os meninos enquanto Lúcia termina o jantar.
— Com todo prazer. _ Me levantei da poltrona e caminhei para a porta da sala, e os três me acompanharam.
— Oi Maria. _ Ana deu dois passinhos a frente se aproximando de mim e caminhando ao meu lado.
— Oi Ana. Charlie.
— Olá. _ Ele disse tão baixo que mal pude ouvir. Cheguei até a porta da casa e saí pela porta dando a vista para o jardim.
— Sua casa é legal, vi um parquinho perto da piscina, posso brincar lá?
— Claro.
— Espera Bene _ Ana saiu correndo atrás da Benedita e logo desapareceu entre o jardim.
Diminui meu passo e parei na ponta da escada que dava acesso ao jardim.
— Bela casa. _ Charlie se aproximou lentamente e parou do meu lado.
— Obrigada.
— Não sabia que ia jantar aqui hoje. Só sabia que ia almoçar na casa do chefe do único hospital da cidade.
— Esse é o problema de cidade pequena. _ Desci um degrau e me sentei no degrau de cima.
— É. _ Charlie se sentou ao meu lado, ele olhava para frente. Não alguma coisa na frente, mas parecia que não estava ali enquanto falava.
— Sua mãe não pode vir? _ Virei meu rosto o olhando, parece que alguma coisa o tirou do transe, ele piscou duas vezes e virou o rosto me encarando.
— Não tenho mãe.
— Eu não sabia me desculpe. _ Fiquei sem jeito, olhei para frente e depois para ele de novo, até me bater aquela curiosidade, e eu perguntar. _ ela morreu? Ou são separados?
Charlie respirou fundo, parecia ter ficado sem jeito.
— Eu sou adotado, não tenho mãe. _ Olhei para o lado mais sem graça ainda.
— Desculpa _ Ouvi uma risadinha baixa.
— Mas a mãe da Ana e da Benedita está viva se quer saber. São separados.
— Então você a considera como mãe?
— Não, eu não cheguei a conhece-lá.
— Uê, mas a Benedita tem uns 10 anos?
— Não, ela tem oito. Ana nasceu primeiro, Benedita depois e Josepf me adotou cinco anos atrás. Mas alguma pergunta?
Franzi o cenho, eu estava sendo rude e curiosa e nem percebi, pensei que era melhor eu ficar calada. Mas minha linguá coçava para perguntar.
— De onde nossos pais se conhecem? _ Charlie deu um sorrisinho de canto e virou o rosto me olhando.
— Você é bem curiosa Maria, meu pai é médico. Trauma. Ele está trabalhando na emergência do hospital.
— Meninos o jantar está servido. _ Minha mãe chegou atrás de nós e disse.
— Tá, eu vou chamar as meninas. _ Me levantei da escada, Charlie se levantou logo após. Desci os outros degraus e caminhei até chegar nas meninas, ambas estavam no balanço. Até mesmo Ana que tinha minha idade se divertia no balanço.
— O jantar está pronto, vamos? _ Charlie disse, Benedita se levantou correndo do balanço e pulou nas costas do Charlie, que segurou suas pernas e saiu correndo na nossa frente, trotando como um cavalo e até imitando um. Eu ri baixo e Ana se levantou e veio até a mim, me virei seguindo em direção a casa e ela me acompanhou.
Entramos e a mesa já estava posta e todos sentados, inclusive Charlie e Benedita que saíram correndo a nossa frente. Me sentei na mesa ao lado da minha mãe e da Benedita, de frente ao Charlie.
— Porque veio pra uma cidade tão pequena Josepf? _ Minha mãe perguntou enquanto beliscava a comida.
— Já trabalhei muito, preciso de uma vida mais calma.
O jantar foi demorado, não que comecem muito, mas mais conversavam do que comiam, devíamos ter ficado umas duas horas ali na mesa. Até que eles terminaram e se despediram.
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