Ver Brian dizer que me amava pela última vez mexeu comigo, mas o ver transando com a Kimberly na noite de sexta com certeza me fez ser outra pessoa. A doce Maria que se dedicará a uma pessoa só durante três anos ficou naquele quarto, olhando aquele casal transando.

Levantei a cabeça e me olhei no espelho, meus olhos estavam tão vermelhos que eu não poderia sair do banheiro do colégio naquele estado. Respirei fundo tentando me acalmar, mas quando mais eu tentava não pensar no Brian e na Kimberly mas as lágrimas insistiam em descer do meu rosto.

— Maria. _ Escutei a voz da Daniela, olhei para trás ela estava na porta do banheiro. _ Não acredito que está chorando.

— Eu não estou. _ Enxuguei minhas lágrimas com as costas da mão e virei meu corpo de frente para a Daniela.

— A srt. Gilbert mandou eu procurar você. O colégio todo já está sabendo, já apareceu até naquele site de fofoca nojento das meninas do segundo ano.

— Ai não Melhor eu pedir alguém pra me buscar.

— Não, você vai parar de chorar e vamos assistir nossa aula.

Daniela me pegou pelo braço e saiu me arrastando do banheiro, sem protestar eu fui acompanhando-a. Subimos as escadas e logo chegamos ao corredor onde ficava a sala da Srt. Gilbert.

Paramos na porta, Daniela soltou meu braço e me encarou.

— Vai, entra. _ Respirei fundo, pisquei algumas vezes, e sorri ainda encarando a Daniela.

— Perfeito. _ Daniela disse e piscou sorrindo.

Me virei de costas e lentamente entrei na sala.

A srt. Gilbert estava falando alguma coisa sobre colonias e quando me viu entrando parou imediatamente.

— Maria, que bom te ver, pode entrar. _ Apontou para o resto da turma.

Encarei as pessoas a minha volta, tudo estava como na semana passada.

Os nerd's da turma sempre sentavam na frente e sempre discutiam sobre a matéria. Os amigos do Brian que eram conhecidos como os "bombadões, pegadores e burros" sempre sentavam no fundo, no canto, eles eram seis, cinco homens e uma mulher, Jessica, que era mais homem do que todos os cinco juntos. A turminha da Kimberly sentava no meio da sala. Kimberly e mais três. Eu, Daniela e Camila sentavamos no canto, quase no meio da sala também. Aí tinha os que não tinham turminha, que eram os gatos pingados da turma. Tinha a Ana, que mal falava, mas as vezes trocava duas ou três palavras comigo, ela era irmã do Charlie que se sentava próximos aos nerd's da turma, mas não andavam com eles. Eles eram estranhamente bonitos, e novos na escola. Tinha Samuel que era o jogador de futebol da turma, ele era burro e só estava na aula porque precisava terminar o ensino médio se quisesse continuar sua carreira no futebol, ele ficava com muitas garotas, o que ele tinha de burro ele tinha de bom jogador e dinheiro, bastante dinheiro. Havia também Jayne e Sofia, gêmeas, ambas eram geniais, pintavam, com certeza que se eu fosse chutar em alguém ser o próximo picasso do século 21, eram elas.

A aula passou tão rápido e graças aos bons santos não ouvi nenhum comentário sobre mim na sala. Embora a maioria da turma não conseguisse parar de me olhar. E o sinal tocou para irmos almoçar.

— Maria, vou na biblíoteca com o Carlos. Te encontro no refeitório. _ Olhei para ela e sorri, ela mostrou a lingua porque sabia o que o sorriso significava. Carlos que era da turminha dos nerd's se levantou olhando para nós e eu fiquei seria de novo, antes que ele percebesse nossa piadinha.

Peguei minha mochila na cadeira e a joguei sobre minhas costas. Olhei para trás e vi Brian conversando animadamente com os amigos deles e Kimberly e suas amigas estavam no meio da rodinha. Saí da sala, e fui até o refeitório.

Deixei minha mochila em cima de uma das mesas do refeitório e fui até o balcão. Peguei uma bandeja de comida e voltei para me sentar. Escorreguei pelo banco e me sentei.

— Posso me sentar aqui? _ Olhei para cima, porque não reconhecia a voz. Era Charlie, o aluno novo da minha turma.

— Claro. _ Ele colocou a bandeja em cima da mesa e escorregou no banco se sentando de frente para mim.

— Cadê seus amigos e seu namorado? _ Ele pegou alguma coisa rosa na bandeja e enfiou na boca mastigando como se havia colocado uma pedra na boca.

— Não lê o site de fofocas imbecil. _ Voltei a olhar minha comida, para ver se dava vontade de engolir aquilo, e escutei uma risada baixa dele.

— Nem sabia que existia site de fofocas aqui. _ Levantei a cabeça encarando-o, e ele sorria para mim, me olhando.

— Em que mundo você vive? Estuda aqui a quanto tempo uns seis meses? e nunca viu o site de fofocas daqui? _ Ele balançou a cabeça negativamente, e colocou o garfo com a comida na boca.

— Estudo aqui a um mês, já ouvi falar do site mas nunca tive curiosidade de entrar. Mas me deixou curioso, acho que vou ter que acessa-lo.

— Não precisa, eu resumo a história pra você. Peguei Brian com a Kimberly na cama sexta. _ Charlie tossiu como se tivesse engasgado com alguma coisa.

— Desculpa. _ Ele olhou para trás e eu acompanhei o olhar dele, e só então percebi que Brian e Kimberly estavam na mesa ao lado da minha.

— Kimberly é sexy. _ Ele se virou me olhando com um sorriso tosco no rosto.

— Se pagar bem ela transa com você também. _ Ele riu, tossindo de novo logo após e voltando a ficar sério em poucos segundos.

— Tudo bem?

— Acho que tem arroz no meu nariz. _ Tentei não rir, mas foi inevitável.

Me controlei sem conseguir para de rir, encarei ele ainda rindo e ele ria também.

— Desculpa, precisa de ajuda? _ Ele balançou a cabeça negativamente.

— Está tudo bem. Então seu namorado te traiu. _ Ele tirou o sorriso do rosto me encarando.

— É, estávamos namorando a mais de dois anos. Dá pra acreditar?

— Dá, pior que dá. _ Ele sorriu de novo.

— Maria. _ Ouvi a voz da Daniela e me virei pro lado, lá vinha ela abraçada com o Carlos. Um dos braços do Carlos passavam pelos ombros da Daniela e ela sorria. Eu quase podia imaginar o que tinha acontecido nessa biblioteca.

— Que lindos. _ Disse quando os dois se aproximaram mais.

Daniela se soltou do Carlos e se sentou do meu lado, se arrastando no banco para dar espaço para ele sentar do lado dela, mas ele se sentou ao lado do Charlie.

— Carlos acabou de me pedir em namoro. _ Ela disse sussurrando para que os meninos a nossa frente não escutasse, e estendeu a mão me mostrando a aliança.

— Nossa. _ Olhei a aliança grande e prata no dedo dela, encarei Carlos por poucos segundos e voltei a encara-la e sorri. _ Parabéns. _ Disse sussurrando. _ Melhor namorar um nerd sensível do que um bonitão sem noção. _ Nos duas rimos altos e os meninos pararam de conversar para nos encarar.

— Charlie o que faz aqui? _ Daniela se virou encarando-o.

— Vim fazer companhia a sua amiga enquanto não estava aqui, agora que chegou eu posso ir. _ Ele piscou para a Daniela.

— Pode ficar, não estou te expulsando. _ ela disse toda meiga, ele riu e balançou a cabeça negativamente. Pegou a mochila, pós sobre as costas e pegou a bandeja se levantando, pulou o banco e saiu andando. Assim que ele saiu o sinal tocou para voltarmos para a aula.