Os dias passaram se como um trem, me atropelando, a cada vez que via Brian e Kimberly juntos, mais eu deixava de me importar.

O meu amor pro Brian e minha admiração tinha deixado de existir naquela sexta que encontrei os dois, e doía cada dia menos.

Daniela estava sentada na grama do colégio no meio das pernas do Carlos, os dois conversavam e riam juntos.

Carlos era uma pessoa de bom coração, inteligente, diferente dos outros garotos e se fazia Daniela feliz eu tinha muitos motivos para ama-lo também.

Parei em baixo da árvore e abri minha mochila, procurando o celular. A cada bolso que eu vasculhava meu coração palpitava mais. Passei a mão no bolso da calça jeans que usava e ali estava ele. Respirei fundo de alívio.

— Maria. _ Olhei para o lado e Charlie passava por mim ao lado da irmã.

Sorri para ele e tive um sorriso de ambos em troca.

Não queria atrapalhar Daniela nem Carlos, eles pareciam felizes juntos e eu queria dar tempo a ambos para se conhecerem, já que hoje era sexta e fazia apenas cinco dias que ele a pediu em namoro.

Entrei para a sala sozinha e me sentei na mesma cadeira de antes. Os mesmo alunos sentados em seus lugares também estavam lá.

Daniela chegou alguns minutos depois que eu já tinha entrado na sala.

— Achei que não ia vir, ficamos te esperando na entrada do colégio, não vi você entrar.

— Vocês fazem um casal perfeito, não quis atrapalhar. _ Carlos agora se sentava ao lado da Daniela, não fazia mais parte dos nerd's da turma. Embora todos daquela sala reconhecessem sua inteligencia.

E o dia passou rápido. Logo o sinal tocou para irmos embora, é o final de semana que mais esperei.

Saí do colégio, meu pai já me esperava na porta com o carro. E ele deu uma buzinadinha, embora eu já tinha o visto desde quando sai na porta, e ele sabia que eu tinha o visto, mas ele amava aquela buzina e fazia aquilo para me implicar. Acelerei o passo para ele não buzinar de novo, abri a porta do carro e entrei.

— Oi pai. _ Ele estava rindo.

— Não gosta da buzina?

— Como se precisasse de você me perguntar isso, engraçadinho.

Ele deu partida no carro. Eu morava a pelo menos uns oito quilômetros da escola, o que era bem longe para ir e voltar a pé. Morávamos em uma pequena chácara na saída da cidade. Uma casa grande e confortável que meu pai comprara a muitos anos atrás. Meu pai era médico, o pai do meu pai também era médico, e era exatamente esse os planos do meu pai para mim. Não que eu achasse ruim, admirava o trabalho do meu pai. Ia adorar cursar e exercer medicina, mas não me achava tão inteligente para esse curso. Algo me prendia e mesmo estando no terceiro ano eu não sabia o que seria da minha vida após o termino do colégio.

Chegamos em casa, e logo que desci do carro senti um cheiro delicioso de comida nos esperando.

Entrei em casa acompanhando o cheiro da comida. Lúcia, nossa empregada estava na cozinha cozinhando alguma coisa. Ela cantarolava alguma música que não consegui saber qual era.

— Oi. _ Sorri assanhada entrando na cozinha. Ela me acompanhou com o olhar e riu.

— Está quase pronto, que tal tomar um banho?

— Estou com tanta fome. _ Sorri ainda mais aberto.

— Vá tomar banho. _ Ela jogou o pano de prato em mim rindo.

Ri baixo, me virei saindo. Subi as escadas até meu quarto. Entrei no quarto. Tranquei a porta atrás de mim. Tirei minha roupa no quarto mesmo e entrei no banheiro. Fiz minha higiene, quando estava vestindo meu pijama, minha mãe grita educadamente do outro lado da porta.

— Filha, se arruma, seu pai convidou um amigo para jantar conosco. _ Ela disse, sem abrir a porta mas alto o suficiente para que eu escutasse.

Sequei meu cabelo que estava um pouco molhado, passei uma maquiagem discreta no rosto e vesti um macacão que se encontrava jogado na gaveta do meu guarda-roupa.

Saí do quarto, meu estomago já estava roncando e eu mal podia esperar para comer aquela comida maravilhosa que a Lúcia estava preparando.

Desci as escadas, ouvi a risada do meu pai de longe. Quando cheguei no final da escada.

Um homem, bonito e bem vestido estava sentado na poltrona confortavelmente, rindo. Olhei para frente, meu pai estava sentado de frente para ele. Charlie meu colega de turma, estava em pé, de frente a lareira olhando as fotos de família que ficavam lá em cima. A irmã dele estava sentada em outra poltrona mais afastada conversando com outra garota pouco mais nova que ela, e minha mãe que conversavam com ambas.

Desci o último degrau e meu pai parou de rir e me olhou, todos na sala acompanharam o olhar dele até em mim. No momento eu fiquei extremamente sem graça sem saber o que fazer, apenas caminhei me aproximando de todos.

— Senhor Pascual, essa é minha única filha, Maria. _ Ele se levantou no mesmo instante. Me olhando se cima a baixo e pegou na minha mão.

— Seu pai me falou muito sobre você Maria. _ Eu sorri gentilmente.

— Não tinha ouvido falar sobre você, senhor Pascual. _ Desviei o olhar dele por alguns segundos para o Charlie, que estava com as duas mãos dentro do bolso da calça me olhando, sorrindo de um jeito estranho.

— Josepf, me chame de Josepf por favor. _ Voltei a olhar para ele, ele percebeu que olhava para o Charlie.

— A, esses são meus filhos. Charlie, Ana e Benedita. _ Eu ia rir, mas não podia. Olhei para o lado tentando disfarçar mas um sorriso ainda brotou do meu rosto.

— Não precisa segurar a risada, esse nome é rídiculo. _ A garota que deveria ter uns 10, no máximo 12 anos se levantou e se aproximou, então deixei o sorriso aparecer por inteiro no meu rosto.

— Maria também não é bonito.

Ela riu e eu ri junto.

— Não sei onde estavam com a cabeça pra colocar nome de velho na filha de vocês. _ Ela revirou os olhos e se sentou ao lado do pai.