Estrela da minha noite
18 Capítulo 18 - Hospital
Notas iniciais
Charlie dirigia o carro a caminho para minha casa, eu já estava ficando nervosa.
— Charlie quem é você? _ repeti a pergunta pela terceira vez quase gritando. Enquanto ele olhava pela estrada, estava tenso e não dizia uma palavra se quer.
— Charlie. _ Gritei.
— Eu menti pra você Maria, menti pra você o tempo todo. _ Ele disse alto, quase gritado. Ele me encarou por alguns segundos e voltou a olhar para estrada. Eu o encarei esperando que ele dissesse alguma coisa. _ Eu trabalho pro governo. _ ele falou baixo. _ Eu trabalhava pro governo. Eles me tiraram do projeto quando matei doze pessoas por conta própria. _ quase engasguei com meu própria ar quando ele disse isso.
— Matou doze pessoas?
— O meu pai treinava em uma sede do Governo. Quando fui abandonado ele me encontrou. Ele me pós pra dentro e eu cresci lá. Com eles. Eles me ensinaram a atirar, a matar, ele me ensinou tudo, ele e todos que estavam lá. Eu me tornei o melhor com 14 anos. Eles me designavam pra missões. Eu matei a filha de um dos maiores traficantes do mundo. E eles sequestraram Melissa, e depois que achamos ela quase morta. Eu surtei e matei todo mundo. Eles me expulsarão, a mim e ao meu pai. Viemos para cá, mudamos nossos sobrenomes. _ Olhei para o lado. Estávamos chegando em casa. Ele parou o carro perto da entrada.
— Porque me escondeu tudo isso? Porque mentiu pra mim?
— Maria... _ Ele disse então eu o interrompi.
— Eu não vou deixar meu filho ser criado com você! Pra o que? Eles virem e nos matar também? Igual aconteceu com sua ex-namorada?
— Eles não... _ ele balançou a cabeça negativamente, suspirou e me encarou.
— Não volta aqui em casa, não quero meu filho com você. _ Desci do carro, e corri para dentro de casa. Quando fechei a porta atrás de mim, comecei a chorar, minha barriga deu uma pontada, uma dor diferente da que eu estava acostumada, coloquei a mão sobre ela e subi as escadas, e fui para meu quarto.
A história que Charlie me contará até parecia mentira quando lembrei daquele garoto bonito e meigo que eu conhecerá a alguns meses atrás. Que tinha me ajudado em tanta coisa. Que havia me apoiado e chamado meu filho de seu. Eu gostava do Charlie, mas não podia acreditar que ele tinha mentido pra mim esse tempo todo.
Senti uma dor insuportável na barriga, tentei não gritar, mas foi falho. Eu gritei e gemi de dor. Me arrastei até a cama e me deitei nela.
— Pai. _ Eu grite, supliquei a Deus pra que ele estivesse em casa, eu sabia que tinha algo errado comigo.
— Filha? _ Meu pai apareceu no quarto, me olhando. _ Você está sangrando. _ Ele correu até pra perto de mim. _ Chame a ambulância_ Ele gritou. Minha mãe apareceu correndo na porta do quarto e me olhou e saiu correndo dali.
— Meu bebê. _ coloquei a mão sobre a barriga.
— Vai ficar tudo bem querida, vai ficar tudo bem, eu prometo _ Então tudo se apagou.
Acordei minhas vistas estavam embaçadas, olhei para o teto branco e então para os lados. Estava no hospital com certeza. Olhei para os cantos do hospital procurando alguém. Charlie estava sentado na poltrona todo desajeitado, dormindo. Tentei chama-lo. Mas minha voz não saiu. A enfermeira então entrou com uma bandeja de medicamentos e Charlie acordou.
— Tudo bem Maria? _ a enfermeira falou então eu balancei a cabeça positivamente.
— Maria? Você acordou? _ Ele se levantou da poltrona e se aproximou de mim. _ Você tá se sentindo bem?
— Sim. _ Então a voz saiu. _ Meu bebê? _ Olhei pra enfermeira, que sorriu.
— Ele está bem, seu pai foi rápido querida. Tá tudo bem com ele e com você. _ Respirei fundo e olhei pro Charlie.
— Não chora Maria. _ Ele levou a mão até meu rosto e enxugou uma lágrima que eu não sabia que estava ali.
— Desculpa. _ Eu sussurrei.
— Eu que tenho que te pedir desculpas._ Ele apoio o braço na cama e me abraçou, senti o cheiro de café que estava nele. O corpo dele me esquentava. Ele ia se levantar mas firmei meu braço para ele não se levantar, a enfermeira colocou alguma medicação no soro e saiu.
— Fica aqui. _ sussurrei. _ Ele se apoiou na cama e deitou ao meu lado, ainda me abraçando. E eu dormi, meu corpo estava fraco e eu estava cansada.
Acordei com a voz do meu pai no quarto, abri os olhos. Ele estava na poltrona conversando com o Charlie.
— Pai? _ Ele me olhou, se levantou e veio até mim.
— Querida, está tudo bem? Está sentindo alguma coisa? _ Ele colocou as mechas do meu cabelo para trás.
— Estou bem, o que houve?
— Foi um começo de aborto, mas agora ta tudo bem. Só precisa repousar até esse menino nascer.
— Que dia eu saio daqui?
— Hoje ainda. Vai descansar em casa. _ Olhei para o Charlie que estava com o copo de café enorme na mão bebericando. Quando viu que eu estava o encarando ele sorriu.
— Aceita um café? _ Ele se levantou e veio até a cama.
— Eu vou buscar alguma coisa pra você, e avisar sua mãe que já acordou, ela vem te buscar, estou em serviço.
— Deixa que eu levo ela. _ Charlie disse para o meu pai.
— Tudo bem, vou ver se acho alguma coisa descente nesse hospital pra você comer. _ Ele se virou e saiu do quarto, Charlie o encarou até que ele sumisse no corredor, e se virou me olhando.
— Seu pai me ligou assim que chegaram no hospital ontem. Eu não me perdoaria se acontecesse alguma coisa com você ou com o bebê. _ Ele abaixou o rosto até próximo o meu. E me deu um beijo na testa. O cheiro de café nele estava fresco. Ele não levantou o rosto, ele me olhou nos olhos, olhou pra minha boca e depois pros meus olhos novamente. _ Maria, eu... _ Senti a respiração prolongada dele. Sua boca se aproximou da minha, seus lábios quentes encostaram nos meus, então eu abri minha boca dando espaço para a língua, o gosto do café era tão bom quanto o cheiro. Coloquei a mão em seu rosto, senti meu corpo se esquentando.
— Ei. _ Meu pai chegou no quarto, Charlie se afastou do meu rosto, me olhando. _ Deixem isso pra quando saírem do hospital.
Ele em olhava nos olhos, eu sei o que ele estava sentindo. Meu coração estava pulando do peito e eu estava sem ar. Ele estava me encarando, desviei o olhar pro meu pai. Que estava com uma caixinha na mão.
— Uns pães de queijo e um suco. Precisa comer. _ Ele me olhou e depois olhou pro Charlie. _ Tá. _ Ele deixou em cima da mesinha e saiu do quarto.
— Charlie... Eu preciso me trocar. _ Firmei minha mão na cama e me sentei, coloquei os dois pés no chão e levantei com cuidado. Peguei uma roupa que estava dentro da bolsa e fui até o banheiro me trocar. Me troquei, quando sai Charlie estava encostado na porta do lado de fora conversando com uma enfermeira, jovem e bonita. Ele riu pra ela e ela tocou o braço dele e quando me viu deu um sorrisinho para mim e saiu. Me aproximei da porta.
— Quem era ela? _ Olhei para ele que se virou me olhando.
— Uma das enfermeiras que cuidou da Melissa. _ Levantei uma das sobrancelhas o encarando.
— Tá com ciúmes? _ Ele riu baixo. — Não temos nada. _ Ele me encarou e depois olhou para frente. Começamos a andar pelo corredor do hospital.
— A não? _ ele riu mais alto.
— achei que eu era o pai do seu filho.
Parei de andar o encarando.
— Vocês já transaram? _ O encarei
— Que? _ Ele olhou para os lados, rindo.
— Já. Mas percebeu isso só por ver a gente conversando? Tem superpoderes agora? _ Ele levou a mão no meu rosto colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
— Não, sou mulher. A gente percebe essas coisas. _ Me virei andando e ele me abraçou de lado. Atravessamos o corredor do hospital em silêncio. Quando olhei pra frente estávamos aproximando da enfermeira que ele estava conversando a alguns minutos atrás.
— Oi. _ Ela sorriu quando cheguei.
— Maria, essa é Julieta. Julieta essa é Maria, a mãe do meu filho e minha futura esposa. _ Levantei o rosto encarando ele, perplexa. Como ele podia dizer isso.
— Parabéns Maria, cuide bem dele. _ Ela piscou para mim e saiu de perto toda sorridente.
— Porque?
— Porque! _ Ele me olhou e sorriu. _ Tenho uma surpresa pra você. _ Ele beijou minha testa e saiu comigo do hospital, abraçado comigo. Fomos até o carro dele. Então ele começou a dirigir para um caminho que não era minha casa.
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