Paramos na porta de uma pequena e luxuosa chácara. Ele abriu a porta do carro e desceu e eu desci também.

Olhei em volta. Apesar do terreno ser pequeno a casa era grande, toda feita em madeira e vidro. Havia um jardim enorme e muitas flores, e ao lado do jardim um parque de diversões para crianças e aos fundos uma piscina tão grande que dava para ver ela de onde estávamos.

— Vem. _ Charlie pegou minha mãe e saiu me puxando até a porta da casa, ele destrancou a porta e entrou.

A sala era como a casa por fora, era de madeira, tinha uma grande lareira e um sofá gigante vermelho, vem de frente a lareira. Olhei para os lados, tinha vários porta-retratos vazios. Espalhados pela parede, em cima da lareira em todos os lugares que dá pra imaginar.

— Vamos colocar porta-retratos do nosso bebê neles. Quando ele nascer. _ Encarei Charlie, que estava sentado na ponta do sofá me encarando.

— O que é isso tudo?

— Bom, eu tinha minhas economias e isso é um presente pro nosso bebê.

— Charlie, tudo bem você registrar a criança e dar amor a ela. Mas isso é de mais. _ Apontei pra sala toda.

— Eu já amo essa criança desde o dia que a vi no ultrassom, desde quando coloquei a mão na sua barriga e senti ele chutar. E o amor que tenho por ele. Não é amor de quem apenas registra e da um pouco de amor a ela. O amor que tenho pelo seu filho é amor de pai. Sim, é uma coisa inesplicável. Mas eu o amo e por favor não me tira esse direito. É só um presente. _ Respirei fundo e coloquei a mão na minha barriga. Ele estava chutando, se mechendo todo lá dentro.

— Charlie, não pode fazer isso.

— Tudo bem, quando ele nascer a gente decide sobre isso. Não precisamos falar sobre isso agora. Eu espero ele nascer. _ Ele se levantou do sofá e saiu da casa, sai logo atrás dele. Então ele trancou a casa e voltamos pro carro. E fomos para minha casa.

Charlie desceu do carro.

— Vou te ajudar a colocar as coisas lá dentro. _ Ele desceu minha bolsa do carro e me acompanhou.

Abri a porta de casa, minha mãe estava encostada no balcão da cozinha encarando um livro de receitas.

— Mãe? _ Ela se virou me olhando e abriu um grande sorriso.

— Amor, estava tão preocupada com você. _ Ela veio até mim e me abraçou.

— Estou bem mãe. _ Ela se afastou me olhando de cima a baixo e pós a mão na minha barriga grande.

— Como nosso bebê está? _ Olhei ela nos olhos. Ela nunca tinha sido tão carinhosa e atenciosa comigo.

— Ele está bem mãe. _ Charlie fechou a porta atrás dele nos olhando.

— Bom, vou deixar suas coisas no quarto e vou para casa. _ balancei a cabeça positivamente e ele subiu com minha bolsa.

— Eu preparei um bolo pra você.

— Você é péssima na cozinha mãe. _ Eu ri baixo.

— Eu sei. _ Ela fez uma careta que me fez rir ainda mais alto. _ Mas experimenta, vou pegar um pedaço pra você. _ Ela entrou para cozinha.

Charlie desceu as escadas me olhando.

— Eu vou, mas se precisar de algo me liga que eu venho correndo. _ Ele se aproximou seu rosto do meu e parou alguns segundos me olhando tão perto. Sorri e aproximei ainda mais meu rosto do dele e dei um selinho demorado nele e ele sorriu entre o beijo.

— O que eu posso dizer sobre isso? _ eu disse. Ele levou a mão até meu rosto e deslizou a ponta do dedo no meu pescoço o que fez meu corpo inteiro arrepiar.

— Não diz. _ Ele sussurrou e aproximou o rosto do meu novamente, senti sua mão por trás do meu pescoço aproximando meu rosto do dele e então ele me beijou intensamente por alguns segundos.

— Maria eu... _ paramos de beijar e olhamos para minha mãe que estava com um prato na mão nos encarando perto do balcão da cozinha. Ela sorriu e se virou para trás e saiu andando. Eu ri baixo e Charlie me deu mais um beijo de surpresa e se afastou, abriu a porta e sem dizer nada foi embora.

Eu fiquei o olhando da porta até o carro dele desaparecer da estrada.

— Você e o Charlie estão se dando muito bem. _ Virei encarando minha mãe, ela ainda estava com o prato nas mãos.

— Sim.

— Achei que vocês estavam mentindo, que ele não era o pai do seu filho.

— Mãe, achou? Você foi na casa dele e fez um escândalo.

— É, mas depois eu... Não importa, vem comer, vem. _ Eu estava confusa, sobre o Charlie, minha mãe, sobre tudo desde que descobri essa gravidez. Me sentei na cadeira do balcão e comi o bolo que minha mãe tinha feito para mim. Depois fui para o quarto, entrei no banheiro tomei um longo banho de banheira, minha barriga estava maior do que eu achava, senti o bebê chutando e passei o sabonete na barriga acariciando, até ele se acalmar. Logo ele parou, terminei meu banho e fui para a cama.

Acordei bem cedo, tomei um banho rápido, vesti um vestido branco, porque era uma das poucas roupas que estavam me servindo. Desci as escadas de casa e ninguém tinha acordado ainda. Abri a porta de casa e fui dar uma caminhada na vizinhança. Não era uma manhã muito fria, o sol tinha acabado de nascer e ele me esquentava do vento que soprava. Caminhei alguns minutos em volta das outras casas e voltei. Cheguei em casa o Charlie estava sentado no banco do jardim. Ele me encarou quando eu me aproximei e sorriu.

— Oi. _ Ele me olhou até eu me aproximar dele.

— Oi. _ Sorri e o encarei.

— Vem cá. _ Ele colocou as duas mãos na minha cintura e me puxou me colocando sentada em uma das pernas dele. Apoiei minha mão no ombro dele e o encarei.

— Onde a senhorita pensa que estava?

— Fui pegar um ar. _ Encostei minha cabeça no ombro dele e senti sua mão acariciar meu cabelo.

— Casa comigo. _ Ele sussurrou. Levantei meu rosto o encarando e ele parecia estar falando bem sério.

— O que?

— Eu amo você. _ Meu corpo inteiro pareceu ficar sem forças no momento em que ele disse isso.

— Nem me conhece direito. _ Eu disse, ele sorriu e balançou a cabeça negativamente.

— Te conheço o suficiente pra saber o que quero pra minha vida.

— Charlie.

— Maria. _ Ele passou os braços em volta do meu corpo e me abraçou. _ Eu sei que sente alguma coisa por mim.

Meu sentimento por ele era tão confuso quanto esse bebê, sobre o estupro que eu não comentava mais, sobre Brian, sobre Daniela, sobre tudo. Mas sim, eu o amava, mas eu não poderia simplesmente decidir minha vida assim.

— Você aceita? _ Ele sussurrou baixo, perto do meu ouvido.