Enquanto tudo se destrói a minha volta penso no que eu fiz comigo mesmo, eu não consegui os salvar, não consegui me salvar, não consegui nem salvar quem eu amo e isso está acabando comigo, este deve ser meu último suspiro antes de enlouquecer por completo esta noite, depois de tudo o que passei enfim um descanso, é óbvio que não vou conseguir descansar depois de tudo o que passei, mas bem, essa é minha história, a história de como eu quase salvei a nossa civilização.

Quando tudo começou estava quente, meu rosto geralmente branco e pálido estava vermelho como uma pimenta, até o encostar de uma pena em minha pele iria arder como se eu tivesse caído em lava. Helena olhava para mim enquanto massageava seus longos cabelos loiros na cabeça, não parecia ter se queimado nem um pouco e seus olhos azuis me seguiam como se eu fosse uma presa. Ela se aproximou e perguntou:

- Então David, quer ir para uma aventura ?

Eu ri olhando em volta no que poderia encontrar naquele quarto de hotel decadente com camas bagunçadas e malas abertas a todos os lados. Eu perguntei:

- Que tipo de aventura ?

- Não sei não, eu e meus amigos... – Ah sim, sempre os amigos imbecis dela. – Vamos voltar para a praia esta noite, sair deste quarto de hotel para variar e explorar por ai sem nenhum adulto por perto... o que você acha ? A menos que queira ficar aqui de novo trancado jogando este vídeo game idiota a noite toda...

- Não obrigado... – Eu disse em um tom grosso, odiava os amigos dela e eles me odiavam. – Prefiro ficar aqui jogando vídeo game a se encontrar com seus amigos chatos...

- Se você prefere passar o resto da semana se queimando de sol nesta praia sem graça e jogando vídeo game problema seu...

- Nossos pais sabem disso ?

- Não, eles foram num restaurante perto daqui como se estivessem na lua de mel novamente ou qualquer coisa do tipo, provavelmente vão sair para ir em festas e coisas assim e só voltaram de madrugada... eu volto antes disso...

- Tudo bem...

Ela apenas colocou seus tênis, enfiou uma câmera com lanterna no bolso e saiu batendo a porta daquele quarto de hotel. A verdade é que eu não estava nada entusiasmado em ficar a noite toda jogando vídeo game enquanto havia várias coisas lá fora naquela praia e ela podia aproveitar, eu não ! Apenas não aceitei por que acho os amigos dela uns imbecis completos. Eu e Helena somos irmãos de pais diferentes, ela era mais velha, 17 anos enquanto eu tinha 14, ela podia até ser mais velha, mas tinha a mentalidade de cinco anos para baixo. Ela era loira e eu tinha o cabelo moreno, ela tinha olhos azuis e eu olhos castanhos, ela parecia com minha mãe e eu com meu pai.

Fiquei mudando os canais da televisão, nada interessante, liguei o vídeo game, nenhum jogo que eu me interessasse, internet, todos meus amigos foram a lugares mais interessantes nas férias então não havia com quem conversar, e eu sei de uma coisa, eu não iria passar o resto da minha noite dormindo. O telefone tocou, corri para atender, se fosse meus pais e se eu atendesse aquela ligação eles não iriam me encher o saco ligando pelo menos o resto da noite, atendi:

- Alô...

- Oi pai... – Eu disse reconhecendo a voz grossa de meu pai assim que atendi o telefone. – O que foi ?

- Eu liguei para avisar que eu e sua mãe vamos chegar muito tarde, não nos espere acordado, tem algumas coisas na geladeira do hotel então...

- Tudo bem pai, tudo bem...

- Bem só isso, boa noite filho...

- Boa noite...

Desliguei o telefone e fiquei pensando: minha irmã, meus amigos e até meus pais deveriam estar se divertindo mais que eu em uma hora dessas, tenho de fazer alguma coisa além de ficar trancado neste quarto de hotel, mas o que eu poderia... assim surgiu uma brilhante ideia em minha cabeça, iria sair daquele quarto de hotel para explorar, nem que fosse para ir exatamente onde fora minha irmã, tolerar os amigos dela deve ser melhor que ficar preso ali. Me olhei no espelho, cabelo desarrumado que facilmente penteei e tomou a forma de uma franja, meus olhos estavam fundos e bochechas vermelhas não importavam tanto, odiava usar calção mas estava com um que cobria até os joelhos dando a forma das pernas de uma caveira na estampa, camiseta manga curta preta com o desenho de uma guitarra quebrada na frente, estava mais ou menos apresentável. Peguei todo o dinheiro que estava em meu cofre e guardei em meu bolso, eram várias notas. Quando abri a porta do quarto do hotel me deparei com um gigante corredor escuro com algumas luzes fixadas na parede, caminhei até o fundo e chamei pelo elevador que veio rápido, ninguém estava lá, enquanto naquele elevador espelhado eu apertava o botão para parar no primeiro andar eu pensava: será que devo ir ? Eles deviam estar na praia que sempre fomos, então é para lá que devia ir ! Mas não seria melhor ficar em casa ? E perder a noite ?! Nem pensar...

Assim que o elevador se abriu a minha frente eu sai, lá estava a porta a minha frente, era só sair, e assim eu fiz, saindo pela porta de vidro direto na rua...