Estrela Apagada - No fundo do oceano
2 Os amigos idiotas da minha irmã
A rua estava iluminada por postes e faróis de carros que dirigiam a toda velocidade naquele lugar tão charmoso, havia outros prédios ao lado do qual eu sai e pessoas caminhavam tranquilamente pela rua conversando tendo certeza que mesmo em uma noite estranha como aquela não tinham nada a temer. Tentei remontar em minha mente como chegar até a praia, ficava perto dali, eu teria simplesmente de descer a rua e cairia na rua movimentada de frente ao mar, era simples. Assim eu fiz, comecei a descer a rua com medo de que alguém viesse perguntar o que eu estava fazendo ali sozinho, mas ninguém se importava, passei na frente de vários hotéis e várias lojas e todas abertas esperando lucrar, desci a rua até o final e me deparei com outra rua onde vários carros estavam correndo a toda velocidade, seria impossível atravessar aquele lugar, então sai correndo até cair na outra calçada, não tinha sido atropelado, mas quase fui. Olhei para a praia antes de pular a pequena cerca e vi minha irmã e os amigos dela andando calmamente pela praia, gritei:
– Helena ! – Ela olhou diretamente para mim enquanto eu corria para ela. – Espere...
– O que foi garoto ? – Disse ela quando eu estava já de frente a ela. – Você não tinha dito que não queria vir ?
– Mudei de ideia... – Olhei para os três amigos dela que me encaravam. – Não tinha nada para fazer...
– Bem, eles você já conhece né ? Julia, Diego e Lucas, eles vieram a praia todos juntos, mas nossa mãe não deixou eu ir com eles para que ficássemos naquele hotel em família...
– Vamos logo... – Disse Lucas caminhando pela praia e o seguimos. – Temos de ir se quisermos aproveitar...
Eles eram da minha cidade, odiava eles por que sempre me humilhavam que eu era baixinho demais para alguém da minha idade, eu tinha acabado de fazer 14 anos, não me acostumei, e também riam que eu era magro demais para eles. Lucas tinha cabelos loiros iguais a da minha irmã e espalhados por toda face, algumas marcas vermelhas tomavam seu rosto pálido. Diego era musculoso e seu cabelo era negro e curto, seus olhos castanhos quase preto e seu rosto parecia muito bruto mas Julia tinha um cabelo curto pelo pescoço e era ruiva, olhos verdes claros. Caminhamos pela praia enquanto a areia entrava em meu tênis, tendo que eu balançar para sair, não tinha exatamente ninguém naquela praia e nós caminhávamos em direção a uma pedra, todos em silêncio ao som das ondas batendo na areia e sua água voltando para o mar, a luz que encontrávamos era da rua e da lua, ouvi Diego cochichando a Helena:
– A gente não vai precisar ficar cuidando dele né ? Eu não vim aqui para isso, quero me divertir...
– Não, ele se vira sozinho eu acho...
– Estou ouvindo vocês dois... – Disse eu irritado. – Eu sei me virar sozinho...
– Deste tamanho ? – Zombou Lucas... – Parece que você tem cinco anos de idade...
– É, o que você quer trabalhar se crescer ? Hahaha... – Riu Diego. – Pintor de rodapé ?
– Calma pessoal, vai que ele chuta seus pés ? – Zombou Julia. – Cuidado para não se afogar na parte rasa da praia...
– Deixa ele gente... – Disse Helena. – Vamos continuar andando...
E assim continuamos enquanto eles riam a minha frente e eu caminhava atrás deles, estava irritado que agora mal observava as coisas a minha volta se não a areia que insistia em entrar no meu tênis. Depois que passamos pelas pedras mal notei que todos tiravam as camisetas para pular na agua.
–O que vamos fazer ? – Perguntei. – Essas águas não estão muito escuras ?
– Blábláblá... – Disse Júlia. – A criança sabe nadar ou não ?
– Eu sei nadar ok ? – Disse irritado, mas a verdade é que eu não sabia e iria acabar afundando. – Muito melhor do que você na sua vida inteira idiota...
– Não está irritado né ? – Perguntou Júlia mudando o tom de voz. – Era só brincadeira e...
Antes que ela acabasse de falar eu pulei na agua irritado com roupa e tudo, achei que era raso e que poderia nadar tranquilamente, mas comecei a afundar, não como se fosse por meu peso, como se algo me puxasse para o fundo, agora não conseguia respirar, prendi minha respiração e continuei sendo puxado até o fundo...
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