Estrela Apagada - No fundo do oceano
3 A caverna das pedras douradas
Mal conseguia respirar, a água estava tão escura que não via nem minha mão na frente da minha cara, minha respiração travou, não podia a soltar se não afogaria, estava sendo puxado mas não sentia mãos em volta da minha perna, apenas a sensação de ser sugado para o fundo, aquele lugar era mais fundo do que parecia. Quando pude ver novamente eu soltei minha respiração enquanto abria os olhos aos poucos, olhei para cima, ainda estava na agua mas agora boiando, ela era azul e brilhava muito iluminando tudo a minha volta, nunca vi nada como aquilo, e quando olhei para a cima não vi o céu com poucas estrelas como costumava ver e sim pedras reunidas como se eu estivesse em uma caverna, uma caverna dentro do mar. Aquela água era como um rio que iluminava tudo lá dentro, como se toda a água que entrasse lá dentro ficasse assim, enfiei a mão no bolso e notei meu dinheiro todo molhado, então o tirei do bolso e joguei dentro da água sem se importar com o quanto tinha ali, no teto da caverna algo brilhava como se fosse ouro, era a coisa mais linda que vi em toda minha vida, consegui sair da água e demorei até ficar de pé sem cair, então olhei, toda a caverna iluminada pela água e pedaços do que pareciam ser ouro formavam um caminho que julguei que era o que deveria seguir.
Seguia todo o caminho pisando descalço sobre as pedras que não machucavam meus pés agora descalços, o que aconteceu com meu tênis afinal ? Caminhei pelas pedras douradas que brilhavam como estrelas, elas não machucavam meus pés e pareciam ouro, me deparei com um grande buraco por onde elas passavam que passaria um adulto em cima do outro por lá. Passei no buraco seguindo as pedras e dentro do buraco não havia mais nada se não várias outras pedras que estavam em todo chão, parede e teto, montando um espaço pequeno com uma pedra reta como uma mesa. Comecei a tremer, embora aquele lugar fosse tão lindo havia algo mais estranho que a própria caverna em cima da pedra, algo que em vez de me deixar maravilhado me dava medo: uma caixa marrom e pequena, parecia um pequeno baú com detalhes azulados em sua tampa, estava fechada e havia várias marcas, um desenho alaranjado do que parecia ser barro formava uma linha reta que atravessava toda a caixa, aquilo me deixava com uma imensa vontade de abrir, mas também com medo.
“Vamos David, abra a caixa e veja o que tem dentro, eu sei que você quer”, “não, não abra a caixa, pode ser perigoso”, é o que dizia meus dois lados, estava curioso com o que possuía dentro mas também nervoso, aquele lugar era estranho o suficiente, atrativo mas sabia que não devia ter algo bom na caixa, mas aquilo estava me matando, levantei a mão com os dedos tremendo em direção a caixa e fiz algo que me arrependeria em seguida: a abri.
Fui jogado para trás com força tamanha, fora daquele pequeno espaço onde eu pude observar a caverna novamente, minha cabeça balançava e meus olhos lutavam para não fechar, algo estava em pé na minha frente mas não conseguia ver direito. Uma luz branca brilhou me cegando, mais brilhante que o sol eu diria, ela me pegou em cheio mas não causando nenhum mal se não a falta de visão que me torturou por poucos segundos até retornar, abri os olhos rapidamente e o que eu vi era apenas a caverna que entrei como normalmente deveria ficar. Caminhei balançando até o rio e cai, olhei para cima onde o mar do oceano me derrubou na cachoeira e vi que não iria conseguir sair. Sai da agua e fiquei observando o lugar, ouvi uma voz dizer: “venha”, era feminina e doce, delicada como uma rosa, vinha de um dos cantos da caverna, eu segui até lá mas não via garota nenhuma se não um túnel iluminado apenas por pedras brilhantes e douradas, segui o túnel e cheguei em uma parte onde vi um grande buraco no teto, tentei escalar por ele e empurrei uma pedra que ficou no caminho com as mãos, não sei se foi um erro ou algo bom, mas entrou a agua do oceano na caverna me fazendo boiar para cima até eu novamente conseguir ver a lua e o céu, estava boiando novamente no mar, até minhas costas se encontrarem com a areia da praia.
Caminhei um pouco, não estava longe das pedras ao qual eu pulei, caminhei até lá onde todos gritavam meu nome e Diego tinha mergulhado me procurando. Helena estava desesperada assim como todos, até os garotos pareciam estar preocupados comigo, eu disse:
– Eu estou aqui...
Todos vieram ao meu encontro, inclusive Diego que agora tinha saído da água. Helena me abraçou fortemente com uma força que poderia quebrar minhas costelas, ela perguntou:
– Afinal, onde foi que você se meteu ? O que aconteceu ?
Eu estava tonto, a única coisa que consegui dizer foi:
– Eu perdi meus sapatos...
Todos riram nervosos se entreolhando, enquanto eu estava lá sentado observando a água, mal dava para imaginar que era tão funda.
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