Estrela Apagada - No fundo do oceano
4 Perdendo meus tênis
– Eu conto para ele ? – Lucas sussurrava a minha irmã, odeio quando ele faz isso por que eu posso ouvi-lo e ele acha que não. – Pode assusta-lo e tudo mais...
– Não deixa para lá... – Ela respondeu. – Não é uma boa ideia contar agora !
– Eu posso ouvir vocês dois ! – Eu disse fazendo eles se virarem direto a mim. – O que vocês estão escondendo ?
– Nada demais, relaxa... vou te levar de volta ao hotel...
– Você vai levar ele de volta ? – Disse Julia protestando. –Deixe que ele se vira, fica aqui com a gente...
– Não é uma boa ideia, ele acabou de quase se afogar, podem vir junto se quiser...
Se não fosse um movimento de Lucas em nos seguir, Julia e André teriam ficado na praia, eles me ajudaram a ir até o quarto de hotel, mas a única coisa que eu conseguia perguntar no caminho era: “Cadê meus tênis ?”. Quando subimos ao quarto de hotel sentei todo molhado sobre o sofá, e disse:
– Eu queria ter continuado na praia...
– Chega por hoje... – Disse André. – É melhor você dormir...
Enquanto eu puxava a primeira toalha que eu vi no banheiro eu contava tudo para eles, a caverna, a caixa, como eu me senti vivendo tudo aquilo mas eles pareceram não acreditar muito em mim, contudo pensei que era melhor contar que guardar apenas para mim. Eles se olharam novamente, mas sem rir, estavam um pouco nervosos com aquela situação, eles estavam me escondendo algo.
– Olha David... – Disse Lucas em um tom tranquilizador. – Você deve ter apagado lá e simplesmente imaginado coisas... deve ter só sonhado...
– Era real demais...
– Descanse, amanhã nós conversamos... – Disse Helena calmamente para mim. – Dorme um pouco...
Deitei sobre minha cama e nem puxei as cobertas, estava um calor que quando acordasse estaria me afogando em suor, enquanto isso Helena e os amigos dela conversavam no outro canto do quarto, ficaram lá por um tempão e só aumentaram o tom da voz quando pensaram que eu estava dormindo. Eles estavam bastante preocupados e ouvia Helena dizer:
– Não quero preocupa-lo, podia ter sido qualquer coisa...
– Ninguém afunda daquele jeito Helena...
– Tudo bem, podemos ter visto uma sombra de outra pessoa na água, pode ser tão real quanto uma impressão... agora vão ficar impressionados pela história que ele contou também ? Acho melhor vocês irem, foi um dia cheio por hoje...
Ouvi a porta abrir e se fechar, em seguida minha irmã pular cansada na cama, mas tudo o que entendi daqui foi: OUTRA PESSOA COMIGO NA ÁGUA ME PUXANDO ? Algo realmente queria me atrair para a caverna, mas por que ? Apenas para abrir a maldita caixa ? Apenas para libertar sabe lá o que ? Sabe lá o que eu fiz não deve ter sido nada bom. Olhei para o lado, minha irmã dormia tranquilamente e o relógio marcava apenas 20:30, não era tarde ainda, afinal eu tinha estragado a noite dela e dos amigos dela, mas ainda tinha tempo de salvar a minha, peguei a minha mala e de lá tirei uma calça jeans azul escura e uma outra camisa azul de manga curta que mostrava uma cidade linda ao fundo, coloquei a roupa e em silêncio sai do quarto, estava prestes a descobrir o que eu vi, nem que fosse sozinho. Desta vez peguei duas notas de 20 reais e guardei bem no bolso da frente, disposto a não molhar, peguei a mochila e nela coloquei a lanterna no lado, a câmera da minha irmã no outro, e dentro enfiei vários pacotes de bolacha, uma corda grande, e uma jaqueta preta dentro, abri a porta do quarto devagar assim como fiz com a porta da frente, então andei apressado por todo o corredor e entrei no elevador, não fazia a mínima ideia de onde eu iria, talvez voltar para a caverna ou coisa e tal, mas preferia procurar mais informações. Enquanto estava no elevador pensava no que foi que eu libertei, um demônio ? Um monstro ? Eu não sabia direito mas o fato de ter estado naquela caverna me deixava bastante assustado. Como sempre a porta do elevador se abriu, revelando minha saída, iria descobrir o que aconteceu...
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