Estranho? Pois Eu Não Acho!
6 O aluno novo
Notas iniciais
Espero que gostem!
Eu fui tomar café da manhã no jardim. Brinquei de buscar o graveto com o Órion, ele adora aquela brincadeira. E depois ficamos um bom tempo conversando com os pássaros, afinal, a minha aula era só de tarde. Mas o tempo passou mais rápido do que eu imaginava.
Quando percebi já era hora do almoço. Depois de almoçar, em silêncio, e como sempre, sentada bem longe da minha mãe, e peguei minha mochila, deixei Órion no jardim, brincando, e fui pra escola. Eu sempre vou a pé, já que o colégio é bem perto da minha casa/castelo/prisão.
No caminho encontrei Selena e Helena, que me cumprimentaram:
- Oi miga! – disseram as duas em uníssono.
- Oi! – falei me juntando a elas.
Helena vestia uma calça jeans, tênis, e uma camiseta azul onde estava escrito:
“Nerd com orgulho!”
Eu adoro aquela camiseta dela! Seus cabelos loiros, como sempre, presos em um baixo rabo de cavalo, e seus olhos cinza tempestuosos. Já Selena se vestia de uma forma bem diferente. Ela usava sandálias de salto, mini saia rosa, uma bata verde clara. Seu pulso estava repleto de pulseiras. Seus cachos ruivos se encontravam soltos.
Entramos na escola dois minutos antes do sinal bater e entramos correndo na sala. A professora ainda não havia chegado. Eu me sentei na minha carteira, que é na primeira fileira entre as mesas da Selena e da Helena. Nós cumprimentamos os meninos, Tales e Peter ainda andavam pela sala e não calavam as bocas. A típica atitude das pestes que eles são. Até parece que eles têm 3 anos, mas se bem que a idade mental deles deve ser essa mesmo.
Eu notei que atrás de mim sentava um garoto que nunca havia visto na vida. E tenho que admitir que ele não era nada feio. Tinha cabelos bem loiros, olhos amarelados, e pele bem bronzeada. Era alto e bem magro.
Parece que a Selena notou a presença dele também, por que ela se aproximou e cochichou no meu ouvido:
- Olha só o gatinho que está sentado atrás de você!
- Eu já vi. – respondi indiferente. Também acabei notando que todas as garotas da sala o encaram, exceto eu. E adivinha quem ele encarava? Justamente eu.
A professora de filosofia entrou na sala. Ela piscou pra mim e me lançou sorriso. Se tem uma pessoa que eu posso chamar de melhor professora de todo mundo, essa pessoa é a professora Sofia. Ela é um amor de pessoa, e me adora que bom, por que eu também a adoro. Ela começou a falar:
- Boa tarde meus amores! – ela cumprimentou com a voz doce. – Acho que vocês já notaram que temos um aluno novo na turma. Diga oi Orfeu. – continuou ela.
- Oi! – ele disse simplesmente. Só pela melodia de sua voz eu já percebi que ele era um tanto tímido. Fazia tempo que eu havia aprendido a ler as pessoas, eu interpreto cada movimento, e atitude da pessoa, e acabo descobrindo quem ela é. É uma questão de sobrevivência. Isso é mais do que necessário no mundo em que vivemos, repleto de pessoas falsas.
- Seja bem-vindo! – disse a professora com um largo sorriso no rosto. Ela devia ter por volta de uns trinta e poucos anos, mas parecia bem mais nova. Tinha cabelos lisos e bem loiros, não muito longos. Olhos castanhos. Era magra e alta.
- Bem, hoje faremos um trabalho em duplas! – ela disse. A sala toda começou a comemorar e começar a juntar os amigos. Alguém lá do fundo gritou:
- Professora pode ser dupla de três?
Eu, a Helena e a professora rimos.
- Pelo que eu saiba duplas só existem de dois. – ela respondeu com um sorriso.
- Ah ta! Tudo bem! – o garoto disse de volta. Não consegui ver quem era.
A professora veio até mim e me perguntou:
- Pan, querida. Você poderia formar dupla com Orfeu? É que sabe, ele é aluno novo, não fez amigos ainda e é meio tímido. E você é a pessoa perfeita para fazer alguém se encaixar não é mesmo?
- Claro que faço sim professora! – respondi sorrindo para ela.
- Obrigada! – Sofia agradeceu.
Eu me virei para o garoto. E percebi que ele ainda me encarava, parecia que ele estava fascinado pelo meu cabelo, que maluco!
- Oi! A professora disse para eu formar dupla com você! Bota a sua carteira aqui do lado! – disse a ele sorrindo. Ele sorriu de volta. E trouxe a mesa para o lado da minha e disse:
- Obrigado.
- Não tem de que. – respondi.
Eu ouvia atentamente a explicação da professora. E às vezes via com o canto do olho que Orfeu ainda estava com os olhos focados em mim. Uma hora eu cansei e perguntei:
- Tem algo errado?
- Ah! Desculpe. Não tem nada. É que... – ele se enrolava com as palavras.
- É que o que? – perguntei de novo.
- Você que é a princesa Pandora né? – ele disse.
- Sou sim. Mas não na escola, e nem em nenhum outro lugar fora do castelo, muito menos na minha cabeça. Não me agrada muito ser chamada assim. – expliquei a ele calmamente, enquanto copiava o que a professora passava no quadro.
- Me desculpe. – ele disse um tanto constrangido, enquanto começava a copiar também.
- Tudo bem! – falei, aliviando um pouco a sua tensão.
Eu expliquei o que tínhamos que fazer. Eu não estou acostumada a fazer trabalhos de filosofia em dupla, a professora sempre deixa, mas me agrada mais refletir sozinha. Mas Orfeu é um garoto legal, e inteligente. Eu conversei um pouco mais com ele no intervalo, e o apresentei aos meus amigos, e ele também fez os dele. No fim do dia a timidez dele parecia ter sumido. Puf!
- Todos aqui temos poderes. Qual é o seu? – perguntei a ele em um momento.
- Eu... Eu não tenho nenhum poder. – ele responde de cabeça baixa.
- Como que... – e ia dizendo chocada, mas ele me interrompeu:
— Eu não faço a menor idéia. – ele respondeu, sua voz estava triste. – A única coisa que eu sei de mim mesmo, é que eu sou estranho. – ele continua.
- Estranho? Pois eu não acho! – respondi. Eu sempre falava aquela frase, eu mesma a inventei para inspirar as pessoas que se sentem deslocadas, pois há um tempo atrás eu também me sentia assim. E isso me motivava a seguir em frente. – Você não é estranho. É especial. É raro. Veja meu caso, por exemplo. Eu tenho mais poderes do que deveria. Sempre me sentia deslocada, uma aberração. Até eu perceber que eu não devia ficar decepcionada e triste pelo fato de eu ser diferente, pois é isso que me faz ser quem eu sou. Ninguém é igual ao outro, mas muitos são parecidos. Que graça tem seguir o padrão? Não ter sua própria personalidade? Os nossos poderes dizem quem nós somos. E o seu poder, é não ter nenhum poder. Mas não quer dizer que você não tenha dons. – eu explico, e o faço sorrir.
- Eu me sinto assim também. Mas pensando bem no que você falou, você tem razão! O — obrigada mesmo Pandora, nem sei como agradecer. – ele disse, com um belo sorriso ainda plantado no seu rosto.
- Mas eu sei um modo de você agradecer. – eu digo.
- O quê?
- Seja você mesmo.
Notas finais
Bjs deixem reviews por favor!
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