Notas iniciais
Desculpem a enorme demora! É que eu estava sem internet e com bloqueio criativo, mas agora tudo voltou (por enquanto kk) Adoro vocês, por favor leiam as notas finais, é importante bjs até lá embaixo!

Nada. Não vi nada. Era como se a voz estivesse sendo trazido de longe, pelo vento, como se o nada me dirigisse a palavra. Eu sentia uma presença, mas não sentia onde nem quando. Parecia estar em toda aparte e em todo o tempo.

Como se uma coisa sussurrasse baixinho perto do meu rosto a ponto de me fazer arrepiar, e me trazer uma sensação ruim. Orfeu segurou minha mão como havia feito na casa de madeira, e a sensação sumiu.

– Oi, alô você está bem? – ele perguntou abanando sua mão na frente de meus olhos vidrados e me observando com seu olhar preocupado.

– Tudo. – respondi. Mas ele sabia quando eu mentia. Ele só fez uma careta e disse:

– Vamos, depois conversamos com mais calma sobre isso ai que deu m você, seja lá o que for. – eu ri.

– Tá bom.

Seguimos andando pela floresta. Aquela frase ainda martelando na minha cabeça sem cessar.

– Sobre aquilo, eu ouvi... – comecei a dizer.

– Ouviu o que? – ele perguntou.

– Algo sobre alguém saber que somos os “bisbilhoteiros”.

– Quando isso?

– Naquela hora em que eu fiquei “paralisada”.

– Mas não tinha ninguém lá além de mim e você.

– Eu sei! – respondi. – Mas eu ouvi! Eu senti alguma presença.

– Você acredita em... – ele chegou perto de mim e sussurrou em meu ouvido — ... Fantasmas?

– Acredito sim! E não é engraçado ficar brincando com esse tipo de coisa!

– Eu não estou brincando! Também acredito. – falou baixinho. – O que você ouviu exatamente?

– “Ora, ora, então são esses os bisbilhoteiros?”

– Só isso?

– Aham.

– Hum. Interessante.

– Ahn?

– Se fosse um fantasma por que iria se comunicar com você pra falar só isso?

– Sei lá, como vou saber por acaso tenho cara de gente morta para entender fantasmas?

– Ei! Não fale assim! Ele pode ficar bravo!

– Você tem medo? – perguntei quase rindo.

– Claro que não!

– Eu tenho. – falei.

– Talvez eu tenha um pouco mas... espera, o que você disse?

– Eu tenho medo dessas coisas. Sei lá porque mas tenho.

– Você? Com medo?

– Sim. Todos tememos algo. Eu além de temer essas coisas tenho aracnofobia (medo de aranhas), medo de que apaguem minha memória, de que todos sumam e eu fique sozinha no nada, e muitas outras coisas. Como diria Clarice Lispector: “Eu tenho medos bobos e coragens absurdas”.

– Nossa. Eu tenho medo de quase tudo na verdade. Mar, De que algum dia um cometa caia na minha cabeça, da sua mãe. – eu tive que rir nessa parte. – De pessoas, de histórias de terror, e mais uma cambada de coisas. Mas eu supero.

– É, eu também.

– Como você supera?

– Ah, livros, pesquisa para cobrir um pouco a ignorância, por que, você sabe né, o medo é só mais um tipo de ignorância, todos temos algum medo porque ninguém sabe de tudo. Outra coisa que tem me ajudado é você. – respondi.

– Eu?

– Sim. A felicidade cura os medos. E na maioria dos maus momentos você me faz feliz.

– A recíproca é verdadeira. – Ele falou. Nós dois sorrimos.

–Você tem certeza de que não tem poder nenhum? – mudei de assunto por que eu já estava começando a ficar vermelha que nem um tomate.

– Sim. Por que?

– Nada, é que... esquece.

– O que? Agora fala.

– Por que que toda vez que você segura a minha mão ou toca em mim as coisas mudam? — Como assim?

– Por exemplo, quando os homens feiosos apareceram eu só via homens feiosos, ai você tocou no meu ombro, e eu passei a ver monstros mais feiosos ainda, a verdadeira forma deles, e quando eu estava ouvindo “a voz”, você segurou a minha mão e ela sumiu.

– É?

– Quem sabe você tem algum poder e não saiba, tipo mostrar a verdade, ou apagar a ilusão.

– Seria bem legal.

– Né? Contanto que você continuasse sendo você mesmo.

– Eu já te prometi isso, mas vou prometer de novo, serei eu mesmo aconteça o que acontecer.

– Ótimo.

– Ótimo. – ele repetiu.

***

Nós estávamos perambulando pelas ruas da cidade afim de descobrir alguma coisas. As casas malucas eram cada uma mais surpreendente que a outra. Tinha uma meio inclinada para a esquerda, e outras de cabeça para baixo literalmente, o telhado era parcialmente enterrado no chão, e o chão era virado para cima.

Acabamos passando por um prédio que era uma academia, daquelas em que você faz exercícios (não! Sério?). Era azul claro, não muito alta nem muito baixa. Não sei por que, mas meus olhos foram direto para uma janelinha do último e mais alto andar do prédio.

Eu não sei se foi impressão, loucura, ou sei lá, o reflexo do sol. Mas naquela janelinha que parecia dar para um cômodo completamente vazio eu vi um vulto. Não uma sombra qualquer, algo passando, algo ruim, algo horrível. Como se um bicho muito cruel me encarasse daquela janelinha.

Orfeu deve ter percebido minha inquietação, e segurou minha mão, e adivinha? O vulto sumiu.

– Obrigada. – eu disse.

– Não é que funciona mesmo? – ele sorriu.

– Pois é.

– O que você viu?

– Depois eu falo, agora estou com medo, vamos sair daqui, por favor.

– Tudo bem.

De mãos dadas seguimos reto naquela rua. E no meio dela vimos um Pégaso, de um tipo raro que nunca havia visto, as asas maiores que o comum, todo preto, com exceção dos cascos, que pareciam ser feitos de alumínio.

– Que bela criatura – comentei.

– É mesmo, esplendida!

Eu soltei gentilmente a minha mão da de Orfeu, com o objetivo de me aproximar do animal, mas ele havia sumido.

– O que houve? Não vai me dizer que você também tem medo de Pégaso?

– Não, claro que não. É que ele sumiu.

– Não sumiu não.

– Sumiu sim!

Ele segurou minha mão de novo, e o cavalo alado reapareceu.

– Agora ele voltou. – falei.

Nós dois nos aproximamos do animal. E Com a minha mão livre eu toquei na testa dele. O Pégaso disse:

– Ache as respostas.

E depois simplesmente desapareceu, e desse vez para o Orfeu também.

Desse dia eu só consegui tirar uma conclusão concreta, Talvez o que seja estranho para mim não seja para você e vice versa. Mas uma coisa é certa, o estranho pode se tornar mais estranho ainda.

Notas finais
Uma parte deste capítulo foi baseada em algo que ocorreu comigo nessa semana, e sim é verdade. Eu faço aula de natação em uma academia aqui do meu bairro, e ultimamente muitos dos alunos e funcionários têm sentido "presenças" estranhas na academia. No corredor, atrás do balcão, etc. E esse ocorrido me inspirou para fazer a parte do vulto na janela. Espero que tenham gostado e por favor comentem, novamente peço desculpas pelo atraso gigantesco bjs!