Notas iniciais
Há quanto tempo minha gente, perdão (pela milhonésima vez porque eu sou "MUITO" pontual kk), é aqui na minha cidade tava lotado de turista tudo usando a internet ao mesmo tempo, então tava ó uma bosta, e ainda tinha visita aqui em casa, enfim tava complicado. Esse cap é meio que um flashback, espero que gostem bjs

Eu tinha 5 anos, era uma época feliz, quando minha mãe era boa, não posso dizer que ela era a melhor mãe do mundo, mas boa, do tipo que ao menos se importava um pouco comigo. Eu me lembro que eu andava por aí com um vestido azul e tiara na cabeça, mas não de brincadeira como crianças que usam fantasia de fadinhas e asas de arame, eu me vestia assim por que era a princesa, era minha obrigação e eu não sabia negar.
Todos os dias eu acordava ia até a penteadeira e dava corda da caixinha de musica redonda verde-água, e quando a abria meus olhinhos curiosos brilhavam ao ver uma bailarina vestida de preto rodopiando ao som de uma melodia bonita.
Um dia eu fui andar sozinha por aí, meus pais nunca notavam, mas eu havia começado a perambular pelo mato desde os 3 anos de idade, meus pais nunca foram lá muito responsáveis, por isso sempre fui uma criança muito independente.
Eu levei a caixinha junto, não sabia o por que exatamente, simplesmente meu deu vontade. Eu andei sem rumo por um tempo como sempre, e acabei parando num ponto dos arredores do castelo onde nunca havia ido. Um grande campo verde e bonito, com grama em todas as partes, e lá no fundo do pasto um potro negro.
Lindo animal aquele, fiquei fascinada, era o primeiro cavalo que eu via pessoalmente na vida. Eu cheguei perto e vi que ele não estava sozinho, ou melhor estava. Deitada no chão uma égua linda toda negra e forte estava gravemente ferida, nem vou descrever por que foi chocante, traumático na verdade, principalmente para uma mera criança de 5 anos de idade.
O potrinho me olhava como se quisesse uma explicação com aqueles olhinhos castanhos, curiosos como os meus, aquele olhar de criança começando a tentar entender o mundo, e que mais tarde descobre que nunca conseguirá entende-lo.
A mãe dele levou um tiro provavelmente, como sabia? Duas palavras: Criança prodígio. Pois é, sou uma geniazinha. Mas enfim, a mãe dele havia morrido, morrido por causa deles, dos seres humanos, agora por que fizeram aquilo eu nunca entendi. É o mesmo que perguntar a um ignorante por que seres humanos existem, por que eles prejudicam o mundo, por que o céu é azul, esse tipo de pessoa provavelmente responderá, porque sim, ou, porque eu quis, esse também é o tipo de pessoa que comete esses erros banais, como atirar em animais.
Eu fiz dois juramentos à mim mesma naquele dia, jurei que nunca mais deixaria uma fatalidade daquelas acontecer, e cuidaria daquele filhote até o fim das nossas vidas. Eu sentei do lado dele na grama, e lhe expliquei a história da melhor que poderia faze-lo entender:
– Sua mamãe morreu. Ela não vai mais cuidar de você, eu vou, eu vou por que, além de você ser fofo, foi por causa de bichos do meu tipo que sua mamãe se foi.
Ele virou a cabecinha e respondeu:
– Não vou mais ver ela? Por que?
Como qualquer criança daquela idade eu levei aquilo como se fosse algo comum, foi a primeira vez que tinha falado com um animal, mas simplesmente achei que fosse algo normal e acontecesse com todos. E na verdade eu acho que é isso, acho que todo mundo nasce entendendo os animais, só que quando as pessoas crescem elas perdem essa capacidade, já há minha é eterna.
– Não, você não vai mais ver ela, porque as pessoas são estúpidas, e elas não se importam com os bichinhos.
– Você não é estúpida, se importa comigo.
– Muitos são, eu não, acho, existem pessoas boas, são poucas, mas tem.

Eu dei corda na caixinha e a abri, ele vidrou os olhos na dançarina como eu sempre fiz.
– A maioria das pessoas que constroem esse tipo de coisa. — apontei pra caixinha, e continuei — São boas, querem a felicidade das crianças.

Ele sorriu com os olhos, e ficou, olhando para a caixinha com as orelhas em posição de alerta ouvindo a melodia. Quando eu olhei pra ele eu simplesmente vi à mim mesma, vi os meus olhos curiosos, meus medos, eu o batizei de Mayros, pois era uma criança e simplesmente dei esse nome por que ele era preto (com 5 anos já falava grego fluente, agradeço aos livros).
Ele me seguiu sem que eu mandasse nem nada, quando cheguei no castelo o pus nos estábulos que antigamente eram vazios, e cuidei dele dali em diante, meu pai descobriu e simplesmente adorou a ideia de criar cavalos, desde então resgatamos os mustangues que surgem ali pelas bandas e os criamos.
Naquele meio tempo minha mudou, ela ficou má, não sei por ciúme da minha aproximação com meu pai, ou pelo fato de estarmos cuidando de animais, sei lá, só sei que ela passou a me tratar mal. Sempre soube reagir, me defender, e raras vezes ignorar os "ataques" da minha mãe. Minha personalidade mudou assim como meu estilo, fiquei cada vez mais independente à ponto de não precisar mais da minha mãe pra nada.
Se eu a amo? Claro, na verdade acho que todos os filhos deveriam amar suas mães por mais horríveis que elas possam ser, é meio que uma obrigação, e a propósito, se não fosse uma obrigação provavelmente eu não a amaria assim.

Notas finais
comentem por favor! ♥