Estranho? Pois Eu Não Acho!
18 Os Poderes de Nosso Povo
Notas iniciais
– Alguma coisa muito ruim vai acontecer. — eu disse espontaneamente.
– VAI acontecer? Como se o que já aconteceu não fosse ruim! — exclamou Orfeu.
– Mas vai ser pior, muito pior. — disse.
– Como pode saber?
– Estou sentindo. Está próximo, é... É... Assustador.
– Você está me assuntando Pan.
– Desculpe, o que eu disse?
– Você não lembra? — Orfeu me olhava muito apavorado, eu via preocupação em seus olhos, mas realmente, naquele momento, não sabia a causa disso.
– O que houve Orfeu?
– Nada, melhor deixar pra lá. Vamos, preciso te mostrar uma coisa.
Não sabia exatamente para onde íamos. Já havia estado naquela parte da floresta, era exatamente a direção oposta ao caminho da minha casa. Eu me lembro vagamente, quando era menor ia para lá as vezes, havia um pequeno campo, uma laranjeira com um balanço, bem no centro de uma parte fechada da mata. Foi lá que Orfeu me levou, estava tudo do mesmo jeito, mas agora, lá havia uma casa.
Era simples, mas grande e bonita, de madeira escura, de uns dois andares, com vasos de flores nos peitoris de todas as janelas. No jardim, a laranjeira e o balanço, além de um monte de novas flores, lindas e coloridas.
– É a sua casa? — perguntei a Orfeu.
– É.
– Como é linda! — lhe disse impressionada, ele riu.
– Minha mãe adora flores. — ele me disse sorrindo.
Nós entramos. O interior era ainda mais maravilhoso, todo de madeira como o exterior, flores e plantas por todos os lados, uma estante repleta de livros, uma grande escada, um lugar extremamente aconchegante que cheirava a rosas e biscoito de chocolate.
Me deparei com uma mulher, fazendo uma margarida crescer em um vaso de barro. Cabelos loiros como os de Orfeu enfeitados por outra margarida, olhos azuis e brilhantes, magra e alta, muito bonita, o sorriso bonito e gentil, a expressão relaxada e bondosa, totalmente ao contrário da minha mãe.
– Olá. — a mulher me disse sorrindo.
– Oi. — lhe devolvi o sorriso.
– Pan, essa é minha mãe, Leia. — disse Orfeu.
– É um prazer conhece-la. Pandora não é? Orfeu me falou muito bem de você.
– Mãe! — Orfeu exclamou, a face vermelha feito um tomate. Não pude deixar de rir.
– Um prazer conhece-la também. O poder que a senhora possui é muito lindo. — lhe disse.
– Oh! Obrigada meu bem.
– Vem Pan, preciso de mostrar algo que achei, acho que pode ajudar. — Disse Orfeu. Ele se dirigiu a estante cheia de livros na sala, me despedi da sua mãe e o segui. Ele puxou um livro de capa azul, e ao fazer isso uma portinha na lateral da estante se abriu. Orfeu botou a mão na abertura, e de lá sacou outro livro, maior devia ter umas seiscentas páginas no mínimo, a capa marrom, com uma gravura dourada de uma coruja, não possuía título.
– Eu demorei todo esse tempo para descobrir que esse compartimento secreto existia, nem minha sabia, meu pai quem o criou e colocou o livro aí, achei semana passada, é interessante. — falou ele me alcançando o livro, era bem pesado.
– Senta aí. — me disse apontando o sofá, sentei. Apoiei o livro no colo e o abri. A primeira página em branco, e a segunda também, e todas as outras. Olhei nos olhos de Orfeu e disse:
– Não há nada. — ele me franziu as sobrancelhas e inclinou um pouco a cabeça, como sempre faz quando está chegando a uma resposta. Sua mão tocou meu braço, e as páginas se rechearam de letras e gravuras douradas. Não pude evitar que meus olhos se arregalassem.
– Nós precisamos saber mais sobre isso Orfeu! — lhe disse.
– Todas as informações necessárias estão nas suas mãos nesse momento. — retornei a primeira página, lá também não havia título nem ao menos autor, apenas a mesma coruja, na página seguinte, um índice gigantesco, vários capítulos, "Criaturas mágicas", "Poções perigosas", "Transformações", "Feitiços proibidos", "Bruxas claras e obscuras", etc. Tudo, tudinho sobre nosso mundo se encontrava ali, naquele livro empoeirado e sem título, em um compartimento secreto em uma estante em uma casa florida de madeira, no meio de uma floresta. Mas, no meio de todos aquelas informações meus olhos se dirigiram ao capítulo treze, " Os poderes de nosso povo".
– É isso que você queria mostrar para mim? — lhe apontei o item com o nome do capítulo.
– Foi o primeiro que li. Mas não é só isso. Está vendo todos esses nomes? — Orfeu passou a mão pelo índice. Assenti, confirmando que via. — Pois então, eles dizem tudo não é? Tudo que está dentro desse livro, está sendo indicado pelo índice não mesmo?
– É o que parece. — lhe respondi. — Onde quer chegar?
– Pois não é. Olhe a ultima página, ela não é indicada pelo índice, nem escrita com a letra padrão do livro, as letras são feitas a mão, alguém a colocou ali. — Eu me dirigi a página da qual Orfeu falava e realmente, as letras eram negras não douradas, um tanto grotescas, feitas com traços velozes e despreocupados. A primeira frase era: " A verdadeira situação do nosso mundo, os reais poderes de nosso povo".
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