Notas iniciais
oi! desculpem o atraso! foi mal! Bem acho que esse foi maior capítulo que já escrevi até hoje! Pelo menos compensa o atraso kkk
espero que gostem!

Se tem um lugar que eu amo muito mesmo, esse lugar é a floresta. Ah! Como eu amo meu querido bosque, tão puro, lindo, verde, tão feliz, tranqüilo. Eu passo mais tempo no bosque do que na minha própria casa. Mas se bem que o bosque também é minha casa.

Além do mais a minha “família” mora lá. Meus queridos animais. O macaquinho-prego Zuba, o falcão Aquiles, a serpente Dafne, e a loba Asémi. Meus amigos, conselheiros, ajudantes, enfim, família.

Eu sentei na beira do rio de águas cristalinas, onde lindos peixes coloridos nadavam, com pequenos e limpos cascalhos no fundo. Zuba se balançava em uma árvore, e pulou em meu ombro se empoleirando nele. Eu tirei da minha mochila uma manga que tinha comprado de lanche na escola, mas que acabei não comendo, e dei para meu amiguinho primata, que a devorou em poucos segundos.

- Alguma novidade? – perguntou o macaquinho quando terminou de devorar a fruta.

- Não Zuba, por enquanto nada. – respondi.

-Masss que pena! – falou Dafne, a serpente, descendo do galho onde estava e vindo se enrolar em meu pescoço.

- A única coisa interessante que aconteceu hoje foi o Píton Voador que apareceu na sala de aula. – comentei.

- E desde quando isso é alguma novidade? – Asémi a loba chegou dizendo, seguida pelo falcão Aquiles que se aproximou voando.

- Ótimo agora não falta mais ninguém né? Um, dois, três... – eu debochei.

-Pandora, a senhora não gosta da nossa companhia? Uahah! – perguntou Zuba desapontados enquanto fazia uma trança nos meus longos cachos negros.

- Claro que gosto Zuba! Eu só estava sendo sarcástica! Eu amo todos vocês! Além do mais, vocês são a única família que me entende! – eu disse um tanto triste ao pensar na minha “outra” família.

- Não fique assim Pan. Você é diferente só isso. – Aquiles tentou me consolar.

- Mas todos aqui são diferentes Aquiles! – respondi.

- Mas você é mais diferente ainda. Sua mente é tão complexa e cheia de idéias que nenhuma pessoa pode compreendê-la, além de você mesma. – explicou a loba.

- É! E só animais extremamente espertos como a gente, com cérebros extremamente desenvolvidos podem compreendê-la. – disse o macaco-prego terminando a trança e a amarrando com um pedaço de cipó.

- Sua modéstia é fascinante Zuba. – eu falei depois de dar uma boa risada. – Mas nem eu consigo compreender a minha própria mente. – continue.

- Ssse não a compreendesssse não sssaberia controla-la. Não é messsmo? – falou a cobra.

- Pois é os argumentos mais sábios e sensatos sempre vencem. Maldita lógica! – eu disse rindo. Olhei para o meu relógio e vi que já eram quase sete horas. Nem havia notado o tempo passar. Se demorasse muito, meus pais iram me matar.

- Foi ótimo falar com vocês pessoal! Mas agora preciso mesmo ir! – disse me levantando. Dafne saiu do meu pescoço, e Zuba pulou do meu ombro. Eles pensavam que eu era um cabide, ou um poleiro né? Só pode ser.

Fui correndo pela trilha de terra e pedras que seguia a correnteza do rio, e que dava direto no meu castelo. Era uma construção incrivelmente linda e gigante, um tanto isolada no meio da floresta. Seguia a estrutura medieval e grega ao mesmo tempo. Era todo feito de pedras cinza, com exceção das colunas gregas de mármore branco na fachada do palácio.

Tinha três torres altíssimas, a do meio e mais alta era onde ficava meu quarto. Eu me aproximei das grandes portas de carvalho, e os dois guardas já se preparavam para abri-la para eu entrar, quando os impedi dizendo:

- Por favor não, eu tenho braços e mãos, posso muito bem abrir essas portas sozinha. – eles se afastaram, e eu empurrei a porta com as minhas próprias mãos. Entrei. Meus pais já me aguardavam sentados na imensa mesa de jantar, com a comida já posta. A minha mãe estava vestida com seu longo vestido de seda bordô. Usando suas jóias chiques e com seu cabelo negro preso em um coque. Sua postura e maquiagem, como sempre, impecáveis.

Aquela forçada perfeição que ela possuía, por alguma razão, sempre havia me irritado. Claro que sempre amei minha mãe, mas as brigas entre nós duas, sempre fora inevitável. Ela adorava me encarar com seus olhos negros, com um olhar rígido. Mas no fundo era uma pessoa muito carinhosa, raramente, mas era.

- Atrasada de novo? Rolando no chão da floresta com seus animais imundos novamente, suponho. – ela disse, sem olhar para mim, apenas encarando a mesa e bebericando o vinho tinto na sua taça de cristal. Eu simplesmente odiava quando ela falava mal de meus amigos, animais, ou da floresta. Ela sempre foi totalmente o contrário de mim. Amava ficar trancada naquele lugar bordando e fazendo nada. Enquanto eu sempre apreciei lutar, ler e estar livre.

- Na verdade não, mãe. Eu estava na linda floresta, sentada conversando com as mais belas criaturas, que coincidentemente também são as únicas que me compreendem. – disparei com palavras raivosas. Sentei-me na mesa, bem longe dela.

- Onde está sua postura Pandora? Esqueceu no seu tão amado bosque? – criticou ela.

- Desculpe, mas não lembro de ter nascido para agradar as pessoas. – desafiei. Meu pai apenas observava. Nos olhando com seus olhos verdes, apenas vendo aonde aquilo ia chegar. Ele havia compreendido que não devia interromper nossas brigas desde que, uma vez, acidentalmente uma faca quase acertou a sua cabeça. Aí ele fica quieto.

- Você é uma princesa, agradar as pessoas é o seu dever. – ela disse calmamente, porém perigosamente também. Desta vez me encarando no fundo dos olhos.

- Não. Posso ter nascido princesa, mas de qualquer forma isso não sou eu. Não é o que eu escolhi ser. A vida é minha, eu a controlo, e o meu dever é ser livre e agradar a mim mesma. – respondi, a encarando com um olhar ainda mais perigoso que o dela.

- O que você quer ser então? – ela perguntou com um sorriso malicioso nos lábios.

E eu respondi simplesmente:

- Nada além de mim mesma.

Notas finais
deixem reviews por favor!