Estranho Conhecido
5 Capítulo 5 - Mais um dia
Capítulo 5 – Mais um dia.
O sol ameaçava sair de trás das nuvens, num dia que prometia ser muito agradável, quando Kagome chegou ao colégio e avistou um rockeiro de cabelos esbranquiçados sentado na mureta escrevendo algo em seu caderno.
— Oi. – saudou ela, nesse dia seu cabelo estava de novo cheio de compridas trancinhas.
— Oi. Já fez essa coisa de novo no cabelo? – perguntou ele tirando os olhos do caderno para olhá-la.
— Sem comentários. — respondeu revirando os olhos — O que você está fazendo? – perguntou ela se sentando ao lado dele e tentando ler o que estava no caderno.
— O que parece? – perguntou Inuyasha tirando a franja dos olhos. Hoje só a parte de trás de seus cabelos estava espetada com gel. A franja estava bagunçada caindo sobre seus olhos num penteado maluco, que o deixava muito atraente.
— Sei lá. Parece estranho te ver com um caderno e um lápis na mão – disse ela ainda tentando ler, mas o garrancho lhe fazia impossível de decifrar. – Estudando é que não deve ser. – concluiu franzindo a testa para o papel.
Inuyasha sorriu – É provável que nunca me veja estudar. Estou compondo.
— Sério? – perguntou ela animada. – Posso ler?
— Ainda não – disse ele puxando o caderno da vista dela. – Quando eu terminar eu toco pra você, isso é um trecho da letra.
— Tá bom né, fazer o que. – ela assentiu contrariada. O sinal que indicava o início das aulas bateu. — Vamos?
— Eu vou depois.
— Ok. – disse ela se levantando.
oOOoOoOOoOOo
— Bom dia Sango. – Kagome disse se sentando na carteira atrás da amiga.
— Bom dia Kags. Viu um passarinho verde hoje? – perguntou a amiga se virando para olhar Kagome nos olhos.
— Não, por quê? – perguntou confusa.
— Seus olhos estão brilhando. – respondeu a outra sorrindo divertida.
— Ah para com essa Sango! – disse ela, suas bochechas adquirindo um tom rosado.
— Aposto que o nome do passarinho começa com Inu e termina com Yasha! – disse a outra acusadoramente.
— Sango! Cala a boca! Eu não tenho nada com ele! – disse ela, vermelha como uma pimenta, na defensiva. Então suspirou e abriu um sorriso – Ele estava compondo hoje... – concluiu sonhadora. – Só imagino sobre o que será essa nova musica.
— Você está gamada na do Rockeiro! – Sango quase gritou, animada.
— Você bebeu? Está com febre? – perguntou Kagome com a mão na testa da amiga.
— Claro que não. – disse ela se livrando da mão de Kagome – Mas que você está. Está. Não adianta negar. – concluiu se virando para frente, pois o professor estava entrando na sala.
Kagome ficou pensativa durante toda a aula. Inuyasha não apareceu na primeira e nem na segunda aula.
— Sango cadê o Miroku? – perguntou Kagome, só agora notando a ausência do amigo.
— Ah ele teve que acompanhar a mãe dele no médico, por isso não veio hoje.
— Hum... está explicado. – constatou ela, observando a carteira vazia de Inuyasha.
O sinal bateu, terminando a segunda aula.
— Oi Kagome!
— Oi Kouga. – respondeu ela sorrindo para o garoto.
— E ai? Como que foi o final de semana? – perguntou ele se sentando na cadeira da fileira ao lado de Kagome, com o corpo de frente para ela, que estava com as costas encostadas na parede.
— Foi ótimo. – respondeu sem entusiasmo. Kouga era um garoto muito legal, mas depois de ter sido facilmente enganado por Inuyasha no dia da excursão, Kagome começava a achar que ele era muito bobo. Inuyasha naquele dia conseguira chamar a atenção do garoto com um dos experimentos do laboratório, o garoto se distraiu tanto que Inuyasha se aproveitou para pegar Kagome e sair arrastando-a pelo laboratório, fingindo um interesse exagerado em tudo, só para chamar a atenção dela, feliz por ter se livrado de Kouga tão facilmente. – E o seu?
— Ahhh...foi bem sem graça. Estava pensando se você não estaria interessa... Ai! – o garoto gritou quando sentiu uma coisa batendo na cabeça dele. O caderno de Inuyasha.
O rockeiro batera com o caderno na cabeça de Kouga e continuara seu caminho até sua carteira sem falar nada.
— Esse cara me paga. – falou Kouga nervoso deixando Kagome e se dirigindo a Inuyasha.
— Escuta aqui idiota! Se você me bater de...
— O que você vai fazer? – perguntou Inuyasha cortando o garoto, sorrindo pelo sucesso de ter conseguido o que queria, afastar Kouga de Kagome.
— Eu...
— Você vai se sentar no seu lugar agora senhor Ookami. – falou o professor autoritário.
Inuyasha sorriu faceiro, conseguira escapar sossegado de uma bronca do professor e uma discussão chata com Kouga, abriu um sorriso enorme para Kagome, que o olhava com um olhar indecifrável.
— Kagome? – Sango lhe chamou a atenção.
— Fala – disse ela voltando o olhar para a amiga.
— Você não me contou o que aconteceu sábado, por que estava eufórica daquele jeito? – Kagome ficou vermelha na hora.
— E..eu..euu..é que bem...
— Senhorita Namura e Senhorita Higurashi tem algo para compartilhar com o resto da sala? – perguntou o professor num tom mal humorado.
— Não, professor. – as duas disseram constrangidas.
— Muito bem, como eu estava dizendo... – o professor disse dando continuidade a aula.
Sango mandou um bilhete para Kagome disfarçadamente.
Ai odeio esse professor de história! Não pode nem abrir a boca na aula dele! Mas não pense que escapou, quero saber de tudo tim tim por tim tim.
Kagome leu, ficou apreensiva e respondeu.
Não aconteceu nada demais. NÃO GRITE! Eu fui nos bastidores conversar com o Inuyasha e acabou que a gente ficou. Tipo o maior amasso...e se não fosse pelo amigo dele ter chegado eu nem sei o que aconteceria... As coisas esquentaram rápido demais. Só isso.
Kagome entregou cuidadosamente o bilhete a Sango pela lateral da carteira, do lado da parede.
Sango segurou um grito quando terminou de ler, virou para trás olhando para Kagome com os olhos arregalados, com uma expressão incrédula no rosto. Apressadamente respondeu.
Menina! Não acredito! Como que você deixou isso acontecer? Vocês mal se conhecem! Noosssssssaaaaa...Mas como é que foi? Você gostou? AHHHHHHHHHHHHH ME CONTA TUUUDOOOO COM OS MINIMOS DETALHES! – Sango escreveu e passou o bilhete de volta para Kagome.
Kagome sorriu com a resposta da amiga.
CALMA! Não é pra tanto, só foi isso...ai foi uma sensação maravilhosa! *.* Eu não sei o que esse garoto tem, mas ele faz meu sangue ferver e não é só de raiva! Shaushaushausha! Eu nem sei como que aconteceu, só sei que as coisas esquentaram e quase...que a vaca vai pro brejo...imagina? Que absurdo isso, eu mal o conheço, eu o conhecia, agora não sei mais...só tem duas semanas que voltamos a nos ver e já perdi a conta de quantos beijos ele já me roubou...por que foram todos roubados...ai Sango...sei lá...não sei se devo ficar com ele...ele sabe ser tão chato, idiota, travesso, mandão, lindo, maravilhoso.
Kagome devolveu o bilhete cuidadosamente, porém não viu quando o professor se aproximou vindo da direção oposta ao qual ela esperava.
— O que é que você tem aí na mão senhorita Namura? – perguntou o professor parado ao lado da carteira dela. Kagome começou a suar frio.
—Na-nada professor. Por que eu-eu teria algo? Só...só estou fazendo as anotações da sua aula e...– Sango gaguejou nervosa, escondeu as mãos debaixo da carteira e sentiu Kagome pegar o bilhete e colocar algo na sua mão.
— Deixe-me ver. – o Professor disse autoritariamente.
Sango puxou a mão que estava ao lado do corpo apoiada na perna e abriu-a.
— Está vendo professor era só papel de bala. – disse ela sorrindo.
— Estou de olho nas senhoritas – ele disse se retirando visivelmente contrariado e irritado.
O sinal do intervalo bateu.
— Ufa...essa foi por pouco! – exclamou Sango aliviada, assim que o professor deixou a sala.
— Foi mesmo, ainda bem que ele não percebeu enquanto eu trocava o bilhete por papel de bala. – Kagome disse também aliviada. Ficaria roxa se o professor lê-se qualquer um dos bilhetes para a sala.
— É! E ainda bem que os bilhetes eram pequenos e sentamos na parede, imagina se cai na mão dele?
— Sango cadê os outros bilhetes?
— No meu bolso.
— Passa pra cá que vou levá-los para casa e dar sumiço neles, Deus o livre que alguém ponha as mãos nesses bilhetes!
Sango passou os bilhetes para ela. Kagome pegou-os e guardou-os em segurança no menor bolso de sua calça jeans. As duas saíram da sala rindo juntas pelos apuros que passaram. Era bom ter um tempo só para elas, amigas, sem Kagome ficar de vela para o casal de amigos.
As amigas ficaram andando pelo colégio no intervalo, conversando até que Kagome viu dois casais encostados numa mureta.
Uma garota ruiva, a mesma que quis expulsá-la dos bastidores estava enroscada no pescoço de Inuyasha enquanto ele conversava animadamente com um dos amigos da banda que também tinha uma garota enroscada no pescoço dele.
— Ihhhh... Kah – chamou Sango também avistando os casais – Aquela é Yura, uma 'peguete' dele digamos assim...eles sempre ficam. – concluiu ela olhando triste para a amiga que olhava fixamente para o casal.
— Ah é? Tudo bem...vamos para o outro lado? – perguntou ela escondendo o que sentia.
— Vamos.
As duas saíram andando apressadas para o lado oposto de onde Inuyasha estava.
— Hey Kagome? Aquelas garotas ali não são da banda dele?
— Acho que são elas mesmas...elas são quase idênticas!
— É seriam idênticas se uma não tivesse aquela mecha roxa e a outra uma mecha vermelha nos cabelos castanhos. Será que são gêmeas?
— Sei lá não faço ideia. Peraí eu conheço aquele garoto conversando com elas! HOUJO! – gritou Kagome indo até ele, abanando o braço para chamar a atenção do garoto.
— Kagome? – perguntou o garoto se levantando. – Nossa! Não acredito que é você! – exclamou a abraçando.
— Houjo! Nossa quanto tempo né! Você está diferente! – disse incerta, Houjo usava uma franjinha de lado, camisa preta, calça estilo legging xadrez e um all-star preto.
— Você também. Adorei as trancinhas!
— Obrigada Houjo!
— Ai que cabeça a minha! Essas são minhas primas, Sayuri e Sayumi.
— Oi. – disseram as duas juntas sorrindo.
— Oi! Eu fui ao show de vocês no sábado! Vocês arrasam! – exclamou ela feliz.
— É mesmo! Eu também fui, como vai Houjo? – perguntou Sango se fazendo presente.
— Nossa! Agora muito bem! O Kagome será que você não queria ir... – ele não chegou a concluir a frase por que o sinal bateu. Kagome olhou para Sango lhe enviando um sinal: Vamos sumir antes que ele me convide para sair!
— Temos que ir! Tchau Houjo! Tchau meninas! – disseram as amigas se retirando.
— Nossa San, essa foi por pouco! – Kagome exclamou quando chegou à sala. Avistara e reconhecera Houjo, por isso num impulso havia ido falar com ele. Mas sair com ele? Já estava de mãos cheias com seu problema com Inuyasha e Kouga.
— Foi mesmo, que garoto esquisito ele se tornou! Nunca teria reconhecido aquele menininho que foi na festa do "Verdade e desafio" quando éramos crianças se você não tivesse gritado o nome dele!
— Ele mudou né? Está ainda mais esquisito.
— Pois é. – Sango concordou. – E pelo visto ele ainda é afim de você! – a amiga riu.
— Pare Sango! Já tenho muitos problemas em que pensar! – Kagome exclamou e ao olhar para a cara da amiga acabou rindo. As duas caíram na gargalhada, Houjo se tornara um garoto muito estranho!
As duas ultimas aulas se passaram tranquilamente.
OooOoOOOOo
Quando Inuyasha estava saindo do colégio avistou Kagome no portão. Ela estava acompanhada de dois garotos cada um a puxando para um lado pelas mãos.
— Meninos? Dá pra me soltar? Eu tenho que ir embora, depois vocês me falam o que querem, um de cada vez! – Kagome disse tentando se soltar do agarre deles.
— Larga dela por que ela é minha e vai sair comigo semana que vem! – Kouga exclamou.
— O que foi que você disse ai pivete? Quem te dá o direito de chamá-la de sua? Ela é minha. Entendeu? – Inuyasha falou se aproximando dos três.
— Qual é o rockeirinho de quinta a Kagome não é de nenhum de vocês ela é minha! — Houjo exclamou
— E quem é você? Ô mariquinha?– perguntou Inuyasha intrigado com a figura a frente dele.
— E quem se importa quem é ele! Larga dela que ela é minha eu já disse! – repetiu Kouga.
— Meu nome é Houjo e eu a convidei primeiro!
— Cala boca! – Inuyasha e Kouga gritaram juntos.
— Vocês dois larguem já dela! – ameaçou Inuyasha.
— Por quê? Você não é dono dela! – Kouga desafiou puxando Kagome para o lado dele.
— Dá pros dois largarem os meus braços? Estão me machucando! E se continuarem assim não saio com nenhum de vocês!– Kagome tentou pela terceira vez chamar a atenção dos rapazes que a puxavam como se ela fosse cabo de guerra.
— Nada disso, ela vai ir comigo! – Houjo a puxou para o outro lado, como se ela não tivesse falado nada.
— Dá para vocês três deixarem a Kagome em paz? – tentou intervir Sango.
Inuyasha então empurrou Houjo que caiu no chão largando do braço de Kagome, Kouga aproveitou que Inuyasha estava distraído e na hora que o garoto se voltou para Kagome, Kouga o surpreendeu com um potente soco no rosto do lado direito. Inuyasha cambaleou para trás e num impulso se jogou em cima de Kouga dando-lhe socos e pontapés enquanto Kagome gritava desesperada para que parassem e a plateia gritava em alto e bom som, BRIGA! BRIGA! BRIGA!
Kagome achou que não podia ficar pior do que dois garotos rolando na calçada em frente ao colégio se batendo quando Houjo entrou pelo meio batendo nos outros dois.
Ela nem sabia como que tinha acontecido, fora muito rápido num segundo estava sendo puxada de um lado para o outro, depois os três garotos estavam embolados no chão brigando por causa dela! E tudo por que os dois queriam acompanhá-la até em casa e não queria que o outro fosse e além de tudo isso os dois queriam convidá-la para sair no sábado, um para levá-la à um show de pagode e o outro um show de música emo que seria no mesmo dia. E para piorar Inuyasha apareceu do nada e se meteu no meio da bagunça já formada!
A cena a frente dela era tanto drástica quanto cômica. Kouga estava caído no chão de costas com Inuyasha em cima dele lhe dando socos que o outro tentava a todo custo desviar e Houjo estava agarrado nas costas do Inuyasha puxando-lhe os cabelos e gritando feito um louco daqueles filmes de kung fu barato. Kouga numa tentativa de acertar Inuyasha acertou um soco em Houjo, que ficou furioso, começando a gritar mais histérico ainda.
Parecia que todo o colégio estava assistindo enquanto os garotos se embolavam e Kagome tentava arrancar Houjo de cima de Inuyasha aos gritos e puxões. Quando Bankotsu viu quem estava brigando se enfiou no meio da galera e partiu pra cima de Houjo tirando Kagome primeiro da frente.
Alguém devia ter chamado o diretor por que depois de todo aquele caos o senhor finalmente apareceu.
— O que está acontecendo aqui? – ele chegou gritando aquela frase inútil. Era óbvio o que acontecia. Puxou um dos garotos enquanto mais três professores apareciam atrás dele e seguravam em seguida os outros alunos.
Mais tarde naquele dia...
— Filha por que está chegando a essa hora?
— Ai desculpa mãe – disse a garota fechando a porta atrás de si. – É que teve um briga lá na porta do colégio.
— Não vai me dizer que você estava envolvida de novo, Kagome?
— Estava sim, mas dessa vez não era eu quem estava brigando, mas estou suspensa por ter sido a causa da briga.
— O que aconteceu dessa vez? – perguntou a mãe indicando para que se sentassem no sofá.
— Ah mãe vamos pra cozinha daí te explico estou morta de fome.
— Ah, mas é claro meu amor, desculpa. Vamos. – as duas foram até a cozinha. Kagome se serviu do ramen que a mãe havia preparado, sentou-se ao lado da mãe e começou a explicar depois de comer algumas garfadas.
Kagome contou a mãe exatamente o que havia acontecido.
— Ai minha filha mal chegou e já está arrasando corações! – a senhora Higurashi exclamou emocionada.
— Grande coisa mãe! Não quero garotos brigando por mim. É demais para uma pessoa só.
— Você pode dar uma surra em alguém e eles não?
— Mããe...esse assunto de novo não! – reclamou ela – Quantas vezes tenho que explicar que aquela vadia merecia uma surra? Onde já se viu me trair daquele jeito! Teve o que mereceu! Toda vez que olhar para aquela orelha arregaçada vai lembrar de nunca se meter com Kagome Higurashi! – exclamou ela enfurecida, tentando comer para se distrair.
Sua melhor amiga havia roubado seu namorado no ano anterior e acabara que levara uma surra na frente de todo o colégio, Kagome puxara o brinco da garota e acabara por arregaçar a orelha da menina, claro que não havia sido intencional, foi tudo no calor da briga. E mesmo depois da surra a piranha ainda continuou com o namorado de Kagome.
Kagome foi tomar um banho para ver se relaxava. Estava indignada. A mãe vem comentar aquilo de novo, fazendo seu coração latejar novamente por causa de ter sido trocada no ano passado.
Depois se pôs a pensar sobre Inuyasha, Houjo e Kouga brigando por ela. Cara. Ninguém a conhecia muito bem, havia duas semanas só que esses garotos a conheciam, Houjo só a reencontrara hoje! Qual o direito deles de tentarem fazê-la escolher? Ia dar é um fora em todos eles. Inclusive no babaca do Inuyasha, fala sério! O cara dá o maior amasso nela no sábado e depois ela o vê com a sua 'peguete' como disse Sango? Ele dispensara aquela garota no sábado, mas e hoje?
Estava confusa, não sabia mais o que pensar sobre tudo que estava acontecendo.
— Filha. – a mãe chamou do lado de fora do banheiro. – Estou indo comprar farinha para fazer um bolo já volto, tá?
— Ok mãe – Kagome gritou e continuou a tomar banho.
oOOooOOoOOOoO
Após sair do banho Kagome se deitou confortavelmente na sua cama, pegou um caderno e começou a desenhar. Desenhar era seu passatempo preferido. Colocou um reggae bem tranquilo no aparelho de som e voltou-se para seu desenho, sem se concentrar muito no que desenhava, estava mais era tentando entender por que os homens só apareciam para complicar a vida dela?
Estava deitada de costas com o caderno na frente do rosto. Já fazia algum tempo que estava desenhando, quando ouviu:
— Quem você está desenhando? – uma voz perguntou bem pertinho do ouvido dela.
— Meu Deus!— Kagome gritou e se levantou num pulo, encostando as costas na parede gelada do quarto onde sua cama estava encostada. Sentia o coração batendo a mil. Os olhos arregalados pelo susto. Mirou a seu intruso, aquele garoto era um fantasma! Um doido que invadia a casa das pessoas! – Inuyasha! Meu Deus você tem o dom de me assustar! – falou ela ofegante.
— Não era a intenção. – respondeu ele sorrindo travesso. – Então. Só queria saber se está tudo certo por aqui...
— Tudo ótimo, melhor impossível. Era só isso? – não esperou ele responder – FORA! – gritou ela o puxando em direção a janela pela manga da camisa dele, havia jogado o mais discretamente possível seu caderno de baixo da cama.
— Hey. HEY! – exclamou ele desgostoso. – Calminha garota! – disse ele puxando o braço de volta, quando se soltou exclamou: – Não vou a lugar algum! – se deitou na cama dela e cruzou os braços atrás da cabeça, confortável.
— Você é muito enxerido sabia? Quem te dá a permissão de entrar na minha casa, no meu quarto e se deitar na minha CAMA? – gritou ela furiosa indo na direção dele para puxá-lo novamente.
Ele sorriu vendo-a tão furiosa, ficava adoravelmente linda desse jeito. Quando ela segurou no colarinho da camisa dele, ele a agarrou deitando-a em cima dele e cobrindo seus lábios com os dele enquanto ela o esmurrava com a força de uma gatinha, tentando se livrar do agarre de um tigre.
Depois de pouquíssimo tempo Kagome se rendeu. Logo o beijo se transformou num verdadeiro amasso.
— Kagome! Você tem visita! – gritou Souta do lado de fora do quarto, ele acabara de chegar da casa de um amigo.
Sorte que sempre trancava a porta do seu quarto, pensou Kagome aliviada, enquanto Inuyasha permitia que ela se soltasse, a contragosto. Assim que se viu a distância segura dos braços dele ela lhe avisou:
— Agora saia daqui! – o puxou da cama, ele de muita má vontade e com um semblante mal humorado permitiu que ela o puxasse. – Vai! Some! – disse a garota o empurrando em direção a janela. Mal ele saiu por ela, Kagome deixou o quarto.
Descia a escada quando ouviu a campainha tocar novamente. E logo em seguida ouviu gritos.
— VOCÊ DE NOVO? – perguntou uma voz irritada.
— EU É QUE PERGUNTO! NEM VEM QUE NÃO TEM! EU CHEGUEI PRIMEIRO! – outra voz igualmente irritada respondeu.
Kagome finalmente chegou a sala e deu de cara com Kouga à porta junto com Souta, e Houjo de pé na frente do sofá onde aparentemente estivera sentado.
— HEY! O que vocês fazem aqui? – os três garotos e Kagome olharam para a escada de onde vinha a outra voz.
— INUYASHA? – os quatro gritaram ao ver o garoto parado no ultimo degrau da escada, atrás de Kagome com a mão no corrimão e os lábios inchados, curiosamente iguais aos de Kagome.
Kagome dava graças a Deus que só ela e Souta estavam em casa, graças que a mãe tinha saído!
— KAGOME! – os dois visitantes e seu irmão gritaram olhando para ela mortificados. Pensando no que Inuyasha estava fazendo lá em cima com ela.
Kagome ficou roxa de raiva e de vergonha.
— FOOOOOOOOOOOOORA TODOS VOCÊS! NÃO QUERO VER NUNCA MAIS A CARA DE NENHUM DE VOCÊS! – gritou ela furiosa com um brilho demoníaco nos olhos que deixou os quatro garotos apavorados. Ela pegou a manga da camisa de Inuyasha o arrastou até o sofá onde pegou na manga de Houjo e empurrou os dois com todas as suas forças pra cima de Kouga e Souta, assim jogando todos para fora da casa.
Soltando fogo pelas ventas ela fechou a porta com tudo e passou a tranca. Correu para o quarto maldizendo todos os homens da Terra e trancou a janela, caindo exausta e raivosa na cama.
Onde esses garotos estavam com a cabeça? E como acharam a casa dela?
O Inuyasha sozinho já deixava suas emoções à flor da pele! E olhar para o irmão e os outros dois garotos com cara de indignados lhe ferveu o sangue! Ninguém tinha direito algum sobre ela, e ela era livre para fazer o que quisesse e bem entendesse!
Depois de quase meia hora se retorcendo de raiva Kagome pegou o caderno em baixo da cama e fitou os olhos de Inuyasha desenhados no papel, foi ai que se lembrou de uma coisa.
— Meu Deus! Joguei o Souta pra fora juntos com os outros! – exclamou ela batendo a mão na testa. Desceu correndo as escadas e ouviu o menino resmungando sobre irmãs malucas do outro lado da porta.
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