Estranho Conhecido

6 Capítulo 6 - Vai começar a brincadeira


Notas iniciais
(4° Ed. – 09/07/2013)

Capítulo 6 – Vai começar a brincadeira

Dois dias após o incidente da briga na porta do colégio...

— Kagome! – gritou Sango ao encontrá-la no portão da escola.

— Oi Sango! – saudou Kagome sorrindo.

— Nossa senti muito sua falta ontem!

— Seiiii...ficou é aproveitando seu tempo a sós com Miroku!

Sango ficou vermelha com a suposição certeira da amiga.

— Como foi ficar em casa? Depois de levar uma suspensão? – Sango perguntou enquanto as duas subiam juntas as escadarias do colégio.

— Ai, foi super chato...Não tinha nada para fazer em casa! – Kagome respondeu. — Cadê o Miroku? – perguntou.

— Vai vir para a segunda aula. Me ligou dizendo que estava atrasado.

— Ah, entendi. – Kagome assentiu, quando entraram na sala.

— Kagome. – alguém a chamou, o som vinha detrás dela.

Quando ela se virou foi surpreendida por um beijo.

Bem, não tão surpresa assim, já começava a virar rotina esses beijos repentinos do Inuyasha.

— Já terminou? – perguntou ela depois que ele a largou.

— Na verdade.. – ele começou a dizer sorrindo.

Smack!

— OOOOOOH – foi o coro do pessoal que estava na sala.

— KAGOME! Por que me bateu? – perguntou Inuyasha incrédulo.

— Por que eu devia ter feito isso deste o começo! Seu sacana! – e saiu da sala a passos largos, jogando a mochila na carteira e saindo sem ela.

— KAGOME! – ele saiu atrás dela, enquanto a sala toda permanecia boquiaberta.

Assim que o garoto virou a esquina no corredor se sentiu sendo puxado.

— Mas o q... – ele foi interrompido. Um dedo o impedia de falar. — Kagom...- ele tentava falar.

— Olha já estou de saco cheio de você! – disse ela tirando o dedo da boca dele.

— Como assim de saco cheio de mim?

— Por quê, olha só, esse dia que fiquei em casa algumas coisas vieram a minha cabeça, como por exemplo, dias atrás você ter me surpreendido diversas vezes, me beijado uma outra porção de vezes, me torrado a paciência outras tantas... Ter ficado com uma garota ruiva no colégio, onde eu poderia muito bem ver – ela acusou apontando o dedo para ele — E agora vir do nada me beijando? As coisas não são assim não, garoto! – disse ela. — Estou cansada de um cara que mal conheço ficar andando por ai e me roubando beijos e ainda por cima ficar exibindo a outra no meu nariz!

Inuyasha a olhou boquiaberto, não esperava uma dessas vindo de Kagome – Mas Kagome, Eu...a Yura, bem, ela não é nada. E viu, a gente se conhece! E você gosta muito desses beijos que eu sei!

— Ah, para com essa, e como assim ela não é nada?

— Olha, eu fico com a Yura de vez em quando, mas não é nada sério. – ele deu de ombros.

— E o que você quer comigo?

— E-Eu...eu quero ficar contigo. – ele disse com as bochechas vermelhas de constrangimento.

Kagome respirou fundo, o coração batendo forte com a resposta dele — Pois bem, vou lhe propor um trato.

— Um trato?

— Sim, é bem simples, não vou ficar contigo enquanto não te conhecer melhor, eu não costumo sair por aí beijando qualquer um, entende?

— E quais são as condições desse trato? No que ele implica? – ele perguntou desconfiado.

— Bem, vamos sair juntos, nos conhecer melhor. – ela suspirou — Inuyasha, você costumava ser meu melhor amigo quando éramos crianças, agora cinco anos se passaram e não sei mais o que pensar de você. Tudo que eu sei é que você está mudado, está todo rockeiro, tem um jeito brincalhão e sei lá um lado sombrio quando está na sala, quando os outros alunos te olham, sei que gosta de me roubar beijos e me atormentar, mas quem realmente é você? Não sei. – ela olhou para ele, e a expressão dele era insondável, não dava para saber o que ele estava pensando — Então, vamos fazer assim, você está proibido de ficar com outras garotas e comigo enquanto estivermos nos conhecendo, pensei em te dar um mês para nos conhecermos e bem, se você me convencer eu fico contigo – ela terminou com as bochechas coradas.

— Espera, não posso ficar com outras e não posso te beijar por um mês?

— Isso!

— Mas isso é sacanagem, como vou ficar na seca por um mês? – ele retrucou.

— Se você quer ficar comigo...se você, bem, gosta de mim...sim.

Ele franziu as sobrancelhas.- Posso pensar no assunto?

Kagome suspirou, desanimada que ele tinha que pensar no assunto — Você tem até o intervalo para isso.

— E se eu não topar?

— Bem, então não falo mais contigo, e se me roubar beijo de novo, vai apanhar!

Ele revirou os olhos.

— Vai ser tipo uma brincadeira entre nós isso é?

— Bem, é um trato. Mas se quer encarar como uma brincadeira...seria como brincar de caderno de confidências? Só que sem caderno? – ela titubeou.

— É pelo visto é isso que você quer não é?

— Sim, quero te conhecer a fundo, e não esse cara que você parece ser, todo esquisito.

— Eu não sou esquisito!

— É sim! – ela gritou.

— Não sou!

— É sim, e ponto! Falo contigo depois do intervalo. – ela virou as costas para ele e voltou para sala

Inuyasha demorou alguns minutos e entrou na sala junto com o professor, que estava vinte minutos atrasado.

— Inuyasha? Ei? – Bankotsu começou a cutucá-lo para ver se o amigo lhe dava atenção.

— Que foi? – perguntou o outro bravo.

— Eu é que pergunto! Que bicho te mordeu? Ta ai com essa cara de bobo!

— Umas coisas ai que tenho que decidir – respondeu ele.

— Estava com uma garota antes da aula ein?

— Sim, mas cala boca Bankotsu! Tenho que pensar. – se virou para frente onde observava Kagome anotar o que o professor passava.

As três aulas se passaram e Inuyasha finalmente se decidiu. Assim que o sinal bateu indicando intervalo ele foi até Kagome.

Ela estava terminando de recolher seu material quando ele a interrompeu.

— Eu topo.

Kagome sorriu e notou que ele estava com a mão estendida esperando que ela a pegasse.

— O que está esperando? – perguntou confusa, fitando a mão dele.

— Você não disse que queria me conhecer? Então vamos passar os intervalos juntos, conversando como você quer.

— Okay. – respondeu ela devagar, surpresa ainda. Aceitou a mão dele e saíram juntos para fora da sala.

— O que você acha que foi isso? – Miroku perguntou à namorada, assistindo o 'casal' se afastar.

— Não sei não Mi. Não sei não. Mas que ela vai me contar tudinho essa historia, ela vai! – Sango disse sorrindo.

— Bom pelo menos, vamos ter mais um tempo pra passar os intervalos só nós dois – Miroku falou sorrindo e se aproximou da namorada para a beijar.

oOooOOoOOoOo

— Aonde nós vamos? – perguntou Kagome caminhando de mãos dadas com Inuyasha.

— Procurar um bom lugar para sentar. – ele respondeu, enquanto saiam do prédio do colégio indo em direção ao pátio.

Acharam uma mureta e Inuyasha se sentou puxando Kagome para que sentasse junto a ele.

— E ai? Você quer me conhecer. Por onde quer começar? – perguntou ele mechendo numa mecha de cabelo dela. Hoje ela estava com os cabelos lisos e soltos.

— Humm. Como andam seus pais? – perguntou ela depois de pensar um pouco.

— Essa pergunta eu passo. – respondeu bravo.

— Ãnh?

— Próxima pergunta. Não quero falar sobre isso.– respondeu ele ríspido.

— Mas...Por quê? Eles estão bem?– perguntou ela confusa, se afastando para olhá-lo nos olhos.

— Próxima pergunta.- suspirou ao ver a expressão confusa dela — Pode perguntar outra coisa? Por favor? – ofereceu ele mais calmo.

Ela assentiu – OK.- disse vagarosamente e perguntou — E seus irmãos?

— Estão bem. Vou levar Shippou até sua casa qualquer dia desses. Ele sentiu muita falta de você também. – disse ele fitando-a.

— Ele se lembra de mim? – perguntou Kagome um pouco mais alegre.

— Claro que se lembra. Ele tinha só seis anos, mas se lembra sim.

Ainn. Quero vê-lo! Quando pode levá-lo lá em casa?

— Acho que hoje vai dar. – ele disse coçando o queixo.

— Então está combinado! – exclamou ela animada. – Ok. Vamos continuar. Outra coisa que eu queria saber. Vejamos. – disse ela pensativa – Quando colocou esse piercing? – decidiu perguntar, apontando um dedo para a sobrancelha dele.

— Ano passado. E você desde quando é reggueira?

— Faz dois anos que comecei a curtir reggae. Você devia experimentar é muito bom, relaxa.

— Rock também relaxa. Você libera a energia, principalmente quando está com a guitarra ou o microfone na mão. – rebateu ele.

— Ok. Eu gosto de rock e você já sabe disso. Devia experimentar reggae também.

— Vou pensar.

— Se quiser eu te empresto um cd. – ofereceu ela, feliz.

— Tá bom. – disse ele sorrindo pelo carisma dela. Sentia uma vontade irresistível de beijá-la. Mas, tinha que se segurar, repetia a si mesmo.

— Hey! Finalmente achei você! – uma ruiva se aproximava gritando. Chegou bem perto dele e sorriu. – Por que não está com a gente hoje? – perguntou fitando Kagome com uma cara emburrada.

— Por que sim. O que você quer? – Inuyasha perguntou ríspido.

— Um recado pra você. – disse ela a contragosto, entregando a ele um papel.

— Está entregue. Pode ir. – respondeu ele pegando o papel e o guardando no bolso sem lê-lo.

— Não vai ler? – perguntou a ruiva, aborrecida.

— Depois. Tchau Yura. – disse ele a dispensando com as mãos e voltando-se a Kagome.

— Como ousa me dispensar assim? Por causa dessa aí? – indignou-se ela apontando para Kagome com desprezo.

— Um: A gente não está mais ficando. Dois: Ela não é 'essa ai' e três: Você não me proíbe de falar com ninguém. Agora, pode nos deixar a sós? – disse ele sem se alterar. – Vem. – ele puxou Kagome pela mão, vendo que Yura não iria deixá-los tão cedo.

Os dois saíram deixando uma ruiva chamuscando de raiva para trás.

— Mata aula comigo? – perguntou ele de repente.

— Como? – perguntou Kagome ainda pensando no modo que ele dispensou a outra garota.

— Matar aula. Assim a gente pode conversar sem interrupções.

— Não sei, não.

— Covarde. Você não tem coragem. – acusou ele brincalhão.

— Eu não sou nenhuma covarde, vamos logo! – exclamou ela não gostando da acusação.

Ele riu, vendo quão facilmente ela fazia o que ele queria, sem perceber.

— Então vem. – falou ele a puxando em direção ao muro de trás do colégio. Ajudou-a a pular e saltou em seguida.

— Aonde vamos agora? – perguntou ela ansiosa.

— Calma. Ainda não decidi aonde vou levá-la. – disse ele pensativo. – Já sei, vou te mostrar onde ensaiamos, no barracão do Dino Places, o pai do Ramires é dono de lá e nos cede para os ensaios. Vou te mostrar a musica que estava compondo na segunda feira. Na verdade estou trabalhando nela há três semanas. Só faltava a terminar a letra e uns retoques finais. Ontem eu e os moleques trabalhamos nela, já está praticamente pronta.

— Sério? Que legal! E eu vou ouvi-la? – perguntou feliz.

— Claro! Vou tocar pra você. – respondeu ele abrindo um lindo sorriso.

— Quantas vezes na semana você ensaia? – perguntou ela de repente, tentando se livrar as sensações que percorriam seu corpo com um simples sorriso dele.

— Depende. Tentamos ensaiar várias vezes na semana, mas as vezes não dá.

Ela assentiu — O que é Dino Places? – perguntou

— Achei que sabia, foi mal. – ele sorriu – É uma lanchonete.

— Hummmm. – assentiu ela.

— Não tem mais perguntas para mim?

— Sim. Quando colocou esse brinco? — ela perguntou

— Ano passado também.

— Teve quantas namoradas? – a morena perguntou. Ele a fitou, surpreso pela pergunta.

— Nenhuma. – Inuyasha respondeu.

— Sério? – perguntou Kagome surpresa.

— Sim e você? – perguntou ele enquanto caminhavam até o metrô.

— Mas você tem as suas 'peguetes' né?

Ele riu – Que foi está com ciúmes?

Kagome emburrou-se e fechou a cara.

Ele continuou – Claro que tenho como você disse? "Peguetes", não sou mais o cara tímido e babaca que eu era quando éramos crianças. Eu cresci.

— Você não era um babaca – ela retrucou.

— Ah, eu era sim. Um idiotinha que não sabia nada da vida...nem o quanto ela pode ficar ruim.

— O que você quis dizer? – ela perguntou intrigada com a tristeza repentina na voz dele.

— Deixa quieto.

— Mas...

Ele a cortou – Kags, deixa pra lá, ok?

Ele assentiu a contragosto.

— Você não me respondeu quantos namorados você teve nesses cinco anos... – ele disse depois de alguns minutos caminhando em silêncio.

— Tive três – ela disse.

— Três em cinco anos?

— Sim.

— É bastante! Quanto tempo durou cada um?

— O primeiro uns dois meses, eu tinha quatorze. O segundo durou seis meses quando eu tinha quinze e o ultimo, bem, esse foi o Kira, não deu certo por que ele me traiu.

— Como esse cara teve coragem de trair uma garota como você?

— Traindo, e olha você não pode dizer muito, já que também estava meio que, bem digamos que ficando com duas ao mesmo tempo né? – ela acusou.

Ele a fitou constrangido.

Eles ficaram em silêncio uns instantes e então Inuyasha se lembrou de algo e disse:

— Sabe...Não consigo tirar da cabeça aquele dia do show com você agarrada na minha cintura. Me faz pensar em outras coisas que podíamos fazer naquela hora. – ele sorriu.

— Seu! Pervertido! – exclamou ela corada.

— Sou pervertido, mas você gosta né? – perguntou ele divertido, agarrando-a pela cintura possessivamente enquanto andavam até o metrô.

— Inuyasha me larga! – Kagome pediu, se soltando dos braços dele.

— Que foi? Não agüenta ficar assim comigo sem querer me beijar, é?

— Oh! – ela abriu a boca em um 'O' perfeito chocada pela ousadia dele, e por estar terrivelmente certo. – Como ousa? É você que não consegue ficar perto de mim sem me beijar! – disse ela entrando no metrô e se sentando, com ele bem ao lado dela.

— Só estava constatando a verdade, não minta que se sente atraída por mim, Kagome. – disse ele olhando-a nos olhos para obter a confirmação de suas palavras.

— Ok. Vamos ser francos. – desistiu ela, decidindo abrir o jogo – Ambos nos sentimos atraídos um pelo outro.

— Quer dizer que sou correspondido? Rá. Já sabia disso. – concluiu ele se ajeitando no banco cruzando os braços atrás da cabeça.

— Convencido – ouviu ela sussurrar.

O restante do caminho, Inuyasha passou brincando com uma mecha do cabelo dela. Trocaram algumas palavras sobre coisas triviais. Nada importante.

Quando chegaram à estação desejada, Inuyasha guiou Kagome até o Dino Places, que ficava a duas quadras da estação do metrô.

— Dai, Rogério. Beleza? – perguntou Inuyasha passando por um homem barbudo e gorducho.

— Fala Inuyasha. Matando aula, rapaz? Oi moça. – acrescentou Rogério, ao avistar Kagome.

— Oi. – respondeu ela timidamente.

— Só o de sempre. – falou Inuyasha respondendo a pergunta do homem.

Ambos entraram no barracão. Não era um espaço muito grande, mas suficiente para a banda. Havia um conjunto de sofá ao lado da bateria e os instrumentos estavam guardados dentro de suas capas numa prateleira. As poucas janelas deixavam entrar uma pequena parcela de claridade, o ambiente era escuro e úmido.

— Então? O que acha? Não é lá grande coisa, mas... – Inuyasha falou olhando em volta, dando de ombros.

— Não, é muito legal! Vocês ensaiam sempre aqui?

— É... Sayuri e Sayumi moram aqui perto, o Ban e o Ramires também, fica perto pra todo mundo.

— Menos para você. – apontou ela.

— Não, pra mim também, eu não estou morando mais lá. Moro aqui perto também.

— Sério? Por que não me disse aquele dia?

— Eu sei lá. – respondeu dando de ombros.

O barracão se encontrava numa área mais pobre da cidade.

— Ta... Então...Anda logo quero ouvir você tocar! – disse Kagome, animada, indo se sentar num sofá que estava ao lado da bateria.

— Ta bom, apressadinha. – respondeu ele, pegando sua guitarra e se preparando para tocar. Sentou-se num banquinho perto do sofá.

[Numb- Linkin Park.]

I'm tired of being what you want me to be.

Eu estou cansado de ser o que você quer que eu seja.

Feeling so faithless, lost under the surface

Sentindo tão infiel, perdido debaixo da superfície

I don't know what you're expecting of me.

Eu não sei o que você está esperando de mim.

Put it under the pressure

Pondo isto sob a pressão

Of walking in your shoes.

De me colocar no seu lugar.

(Caught in the undertow, just caught in the undertow)

(Preso na ressaca, simplesmente preso na ressaca)

Every step that I take is another mistake to you

Cada passo que eu dou é outro erro para você.

(Caught in the undertow, just caught in the undertow)

(Preso na ressaca, simplesmente preso na ressaca)

I've...become so numb,

Eu me tornei tão insensível

I can't feel you there

Que eu não posso sentir você aqui.

I've become so tired,

Me tornei tão cansado,

So much more aware.

Muito mais ciente.

I've becoming this

Eu estou me tornando isso,

All I want to do

Tudo que eu quero fazer

Is be more like me

É ser mais como eu

And be less like you.

E ser menos como você.

Quando Inuyasha terminou de tocar, Kagome veio até ele e o abraçou desajeitadamente por causa do instrumento no colo dele.

— Nossa. É tudo que eu posso dizer! Amei a musica, Inu. Mas tem um sentimento de revolta...

— Inu? – perguntou ele, com um sorriso no rosto.

— É..Inu... – ela sorriu também.

— Isso foi só um trecho dela. Quer que eu toque outra? — Ele mal terminou a pergunta, e um barulho o interrompeu. – Está com fome? – perguntou ele dando risada, pelo ronco do estômago dela.

Kagome sorriu envergonhada e assentiu com a cabeça.

Ele guardou sua guitarra e a guiou para a lanchonete.

Era um espaço modesto, simples, no entanto limpo e arrumado. Rogério os atendeu, servindo um hamburguer acompanhado por uma porção de fritas para cada um, e um copo de coca-cola.

Depois de se alimentarem, Inuyasha achou melhor levar Kagome para casa, afinal a ultima aula tinha terminado e ela deveria estar voltando para casa, naquele horário. Mais tarde ele passaria na casa dela, trazendo seu irmãozinho, Shippou.

Durante o caminho Kagome se perguntava o que será que havia acontecido aos pais de Inuyasha? E por que estava morando no lado mais pobre da cidade? O que acontecera com ele para que mudasse da água para o vinho? E essa música o que ele queria dizer com ela?

— Você está bem? – perguntou ele de repente. Tirando-a de seus devaneios.

— Estou sim. – sorriu – Só estava me perguntando a razão de você ter mudado tanto. – pensativa olhou para o céu, o clima estava bom, quente, o sol de meio-dia cegava-lhe os olhos.

— Kagome. – ele respirou fundo – O que aconteceu pra mim mudar é simples. Eu cresci. As pessoas mudam.

— Eu sei que sim, mas você mudou totalmente seu jeito de ser.

Ele nada respondeu. Continuaram em silêncio até entrarem no metrô.

— Sábado eu tenho outro show. Tá afim de ir? – perguntou ele quando se sentaram.

— Pode ser. Tenho que ver se não tenho nada marcado.

— Tá. Mais tarde eu levo Shippou na sua casa.

Seguiram em silêncio o restante do percurso. Ambos perdidos em seus pensamentos.