Estranho Conhecido

15 Capítulo 15 - Reflexões


Notas iniciais
4. EDIÇÃO - 19/02/2014

Capítulo 15 — Reflexões

O céu estava claro e límpido na manhã daquela terça feira, Kagome caminhava ao lado de Ayame e Inumaru em direção ao metrô para ir para o colégio. Ela não sabia o que estava acontecendo entre Inumaru e Inuyasha, porém o garoto estava estranho, não respondera quando ela perguntara aonde ele se metera no dia anterior e estava ali ao lado dela caminhando num silêncio sepulcral e com cara de zumbi, devido às olheiras profundas em volta dos olhos. Ayame também estava estranhamente quieta.

Kagome ligou seu mp4 quando os três se sentaram no metrô, ouvir reggae sempre a deixava em paz, e ultimamente paz era tudo que precisava e ouvir o som de Bob Marley, Natiruts e sua banda favorita de reggae Chimarruts sempre trazia-lhe sentimentos tranquilos. Estava com medo de olhar para as esquinas procurando o Justin e por acaso encontra-lo, sabia que devia ter cuidado, mas tinha mais medo de vê-lo, era irracional, mas decidiu por esquecer-se dele, morreria de medo se ficasse procurando-o em cada esquina, deixaria de viver? Por causa do medo? Não, não valia a pena, tinha que seguir adiante e tentar esquecer que ele andava solto por aí...suspirou, relaxe Kagome ela pensou.

Fazia tempo que não fazia trancinhas no cabelo e por essa razão ela havia acordado mais cedo e fizera minúsculas trancinhas em toda a extensão de seus volumosos cabelos, é lógico que contara com a ajuda de sua mãe para fazer tantas trancinhas, já que o processo era trabalhoso.

— Kagome, bom dia! – Miroku exclamou quando a morena entrou na sala – Você viu minha adorável Sangozinha?

— Não, ainda não, ela não ia vir com você?

Miroku riu e coçou a cabeça sem graça – Chegou uma multa ontem por excesso de velocidade e meu pai me proibiu de usar o carro até eu ter dinheiro para pagar, como vou conseguir isso, ainda não sei.

— Ah! Bem feito quem mandou andar correndo por ai! – Kagome acusou em tom sério, mas sorriu o que estragou o efeito da acusação.

— Avisei Sango que não poderia buscá-la. Ela deve estar vindo de metrô. – ele mal terminou a frase e Sango entrou na sala, com cara de poucos amigos.

— Que foi Sango? – Kagome indagou antes que Miroku pudesse fazê-lo.

— Ah aquela vaca daquela mulher que chamo de mãe. – a outra gritou, e praticamente jogou-se na cadeira.

— O que foi que aconteceu? – Miroku se fez presente.

— Ah ontem ela brigou com a Rin por ter chegado em casa tarde, vê se pode, minha irmã ficou desaparecida por um tempão e ela nem ligou só pensando nos problemas dela e agora Rin saiu de casa de novo!

— Meu Deus, mas onde essa garota foi? – Kagome perguntou preocupada.

— Eu não faço idéia, deve estar com o namorado, vou perguntar para o Inuyasha se ele tem notícias dela quando ele chegar. – a morena bufou cansada.

Miroku e Kagome se olharam e ambos perguntaram a Sango como estava a situação com a mãe dela.

— Minha mãe, é louca, ela está histérica por que ontem saiu finalmente o divórcio. Parece que agora caiu em si que não tem mais marido e é uma divorciada, não a entendo, brigavam feito gato e rato, chegaram a se bater e ela não se deu por satisfeita até meu pai sair de casa e agora faz isso. Ela e Rin discutiram feio, minha irmã jogou tudo que estava entalado na garganta para cima da minha mãe e depois eu tive que ficar escutando as lamúrias dela dizendo que não sabia o que fizera de errado que ninguém a amava e blábláblá – Sango concluiu suspirando, estava cansada de tanto drama, já sentia saudades da irmã e também muitas saudades do pai que não dera nunca mais notícias a carta do divórcio era a única que tivera praticamente desde que ele saíra de casa.

Kagome e Miroku olharam angustiados para a amiga sem saberem como confortá-la.

oOOoOOooOOOoO

Quando Ayame entrou na sala de mãos dadas com um muito sorridente Kouga, Kagome caiu em si e entendeu quem era o namorado misterioso da amiga. O casal sentou-se um do lado do outro e ficaram cochichando quase que a aula inteira.

Sango passara a primeira aula toda observando a porta à espera de Inuyasha, mas ele não aparecera para a primeira aula e tão pouco seu amigo Bankotsu.

Kagome percebeu que o grupo de abutres da Kikyo estava sem a líder e estranhou, a outra morena havia ficado quieta na manhã anterior e isso era mais uma das coisas que a intrigara.

A segunda aula passou num borrão e Kagome se perguntava se faltava muito para as aulas acabarem e as tão estimadas e necessárias férias chegassem, afinal já estavam quase em julho.

Kagome observava Sango discutir com Miroku um exercício de matemática quando um movimento ao seu lado lhe captou a atenção. Era um bilhete, ela o agarrou antes que acertasse seu rosto e olhou por alguns instantes Inumaru que a fitava visivelmente ansioso.

O que você tem com o rockeiro? Me trocou por aquele lixo de garoto mesmo?

Kagome terminou de ler, respirou fundo e pegou uma caneta para responder, e ela que pensara que Inumaru já havia desistido dela. Com tantos problemas em sua cabeça tinha que lidar ainda com o ciúmes do ex-namorado!

Não tenho nada. Não troquei você por ninguém. Você mesmo me disse que sabia que as coisas poderiam não dar certo entre a gente, e bom, não deram, foi bom enquanto durou Inumaru, eu gosto de você, mas não como deveria.

Ela jogou o bilhete novamente para ele e observou enquanto ele escrevia com força a resposta de volta. Ele devolveu o papel e ela leu:

É! Não do jeito que gosta daquele idiota! Kagome eu quero o melhor para você e aquele cara não presta, presta atenção nisso!

Kagome olhou para o papel a sua frente e soltou mais um longo suspiro, sabia que tinha algo errado com Inuyasha, mas não achava que o amado pudesse se encaixar no 'não presta'. Como alguém que podia ser tão amável, volátil, no entanto, mas sabia muito bem ser amável, poderia não prestar? Então respondeu:

Não precisa se preocupar comigo, não tenho nada com ele. Por favor, Inumaru, esquece dele. Não se meta com ele.

Jogou de volta o bilhete sem comentar nada sobre a parte do 'não presta', afinal não sabia ao certo e pela ultima conversa que tivera com Inuyasha era melhor que ninguém soubesse que eles eram sim 'amigos'.

Inumaru leu o bilhete e fitou Kagome desconfiado, no fim rasgou o papel e cruzou os braços sem saber mais o que fazer.

Inuyasha entrou na sala assim que o sinal de encerramento da segunda aula soou, arriscou o olhar na direção de Kagome e sorriu internamente ao ver as trancinhas, era incrível, mas ela continuava linda apesar de usar aquelas trancinhas sem graça na opinião dele.

Avistou Inumaru e esse lhe dirigiu um olhar hostil, Inuyasha deu de ombros, esperava que o garoto parasse de incomodá-lo, não queria se envolver mais com aquilo. O lance dele com Kagome ninguém deveria botar bedelho e muito menos ficar sabendo que ele a visitara, sorriu com o pensamento, já estava com saudades dela, ficar abraçadinho com a morena era o paraíso e já começava a sentir falta disso. Assim que alcançou sua carteira, alguém o pegou pelo braço.

Pensou que fosse Inumaru o atacando pelas costas, com reflexos rápidos torceu o braço de quem o segurava e ouviu a pessoa gemer de dor enquanto gritava para que a soltasse.

— Sango! – ele exclamou soltando-a com a surpresa. – Foi mal!

— Ai! Doeu seu louco! – ela gritou, atraindo a atenção do restante da sala que não vira Inuyasha torcer o braço dela.

— Foi mal! – ele disse de novo – Você me pegou de surpresa. Diga logo o que quer e vaza. – respondeu, se sentando em seguida. Bastou um olhar para a sala, e todos voltaram a fazer qualquer coisa menos olhá-lo. Ser taxado como delinquente juvenil e 'rebelde' valia a pena algumas vezes.

Sango deu uma olhada à volta admirando como ele conseguira controlar a sala com um simples olhar, ali estava o Inuyasha que o colégio conhecia, não aquele que ele parecera ser por um tempo enquanto 'gostava' de Kagome. O pessoal no colégio o temia, muitos diziam que estava envolvido com gangues e outras coisas, nada comprovado, no entanto, só que ele continuava sendo ameaçador com aquele cabelo espetado, piercing e roupas negras.

— Eu só queria saber se você tem noticias da minha irmã, afinal ela é namorada do seu irmão.

Inuyasha a fitou por alguns instantes antes de responder.

— Ela está com ele. – respondeu mais ríspido do que planejara.

— Ah que bom – Sango respondeu se sentindo estranha, nunca falara com Inuyasha diretamente, pelo menos não dentro dos últimos anos. E julgando pela resposta curta e grossa que ele dera, pensou que não teria mais do que isso de noticias sobre sua irmã. Ele a fitava de modo estranho, intenso, como se tivesse avaliando o que poderia ou não revelar a ela. Sango se virou para voltar para a carteira quando o ouviu dizer:

— Feh! Ela está bem. Não se preocupe.

Sango assentiu um pouco mais tranqüila. Inuyasha era um cara muito estranho, não entendia como a amiga podia ser apaixonada por alguém como ele.

Ela viu que Kagome a observava enquanto se dirigia de volta a sua carteira e foi logo dizendo.

— Ele disse que ela está bem, está com Sesshomaru.

— Só isso? – Kagome perguntou. – O Miroku ficou aqui parado se perguntando se ia ou não te socorrer quando ele prendeu seu braço.

Miroku sorriu encabulado e Sango o beliscou. Os três riram e naquele instante o professor da terceira aula chegou.

Enquanto o professor tagarelava lá na frente, Kagome estava imersa em pensamentos, ficara surpresa com Inuyasha, nunca o vira agir daquela forma e tinha se esquecido do poder de influência que tinha sobre o pessoal da sala. Quando o fitava não via o garoto que ele era por fora, o rebelde, o estranho, rockeiro, alguém que era temido no colégio, apesar de achar que o medo era inconsciente, já que nunca vira Inuyasha fazer nada de mal a ninguém. Vestia roupas negras sim e se olhasse para ele sem considerar quem ele era, a pessoa que ela conhecia, ele parecia alguém perigoso, alguém com quem se deve tomar cuidado.

Percebeu que o fato de conhecê-lo antes e saber pelo menos um pouco de quem ele era realmente a haviam impedido de vê-lo como os outros o viam, ficara chocada quando ele agarrara o braço de Sango e depois quando todos haviam afastado o olhar quando ele os olhara, tinha visto que a amiga ficara com medo. Sua corajosa amiga Sango, com medo de Inuyasha. Era incrível.

A dúvida persistia em sua cabeça, quem era afinal Inuyasha? Nesses meses desde que o reencontrara, ele se mostrara diferente em muitos sentidos, chato, implicante, fofo, carinhoso, cuidadoso, sofrido, aos poucos fora se revelando, a cada instante uma face diferente, um humor diferente. Ela percebeu que as pessoas conheciam um Inuyasha diferente do que ela conhecia. Mas a questão é, qual é o verdadeiro Inuyasha?

Mais tarde naquele dia...

— Sabia que você não ia desistir tão fácil Inuzinho. – Inuyasha disse quando Inumaru o seguindo entrara num beco sem saída numa ruela escura da cidade.

— Humpf! – o outro respondeu – Eu quero que você esqueça a Kagome, ela é uma boa garota não precisa de um idiota como você a atormentando!

— Nunca machucaria a Kagome, seu imbecil, eu a amo! A amo desde quando éramos crianças, a conheço perfeitamente bem e sei o que estou fazendo, quero que você deixe de me seguir ou você vai se arrepender.

— Por quê? O que você vai fazer?