Estranho Conhecido
16 Capítulo 16 - Festival?
Capítulo 16 – Festival?
Mais tarde naquele dia...
— Sabia que você não ia desistir tão fácil Inuzinho. – Inuyasha disse quando Inumaru o seguindo entrara num beco sem saída numa ruela escura da cidade.
— Humpf! – o outro respondeu – Eu quero que você esqueça a Kagome, ela é uma boa garota não precisa de um idiota como você a atormentando!
— Nunca machucaria a Kagome, seu imbecil, eu a amo! A amo desde quando éramos crianças, a conheço perfeitamente bem e sei o que estou fazendo, quero que você deixe de me seguir ou você vai se arrepender.
— Por quê? O que você vai fazer?
— O que eu já devia ter feito antes, quebrado a tua cara. – Inuyasha disse e partiu para o ataque, Inumaru viu que o outro vinha lhe bater e assim como na outra vez ergueu o braço para dar um soco no garoto. Inuyasha prendeu-lhe o braço atrás das costas uma vez mais e sussurrou no ouvido do outro – Se manda Inumaru, não me importo que seja amigo da Kagome, ela precisa de amigos, mas esqueça que eu existo – ele disse o segurando com força, logo Inumaru sentiu o cano frio nas suas costas e seu sangue gelou. – Te prometo que nunca vou machucar a Kagome – Inuyasha continuou – E não pretendo ferir você, você não sabe do que sou capaz, garoto, eu não estou sozinho, por isso vá embora e me esquece – ele terminou empurrando o outro para frente que correu sem olhar para trás.
Inuyasha respirou fundo e balançou a cabeça, esperava que a ameaça surtisse efeito ou o outro podia se dar mal se continuasse a segui-lo.
oOooOooOooOOoooO
Kagome acabara de se deitar quando o ruído familiar na janela se fez ouvir.
— Ka-go-me...
Ela sorriu, era lógico que conhecia a voz de seu visitante.
— Oi. – Inuyasha disse assim que entrou – Como você está hoje? — completou após trancar a janela.
— Estou bem – Kagome o olhou e pegou-se perguntando sobre o comentário de Inuyasha na sala — Me diz aí que história é essa de 'gata selvagem'? – ela franziu a testa e cruzou os braços diante do corpo.
— Ah aquilo – ele disse, sorriu e se deitou na cama dela – Foi só um comentário. Foi lindo ver você brigando com aquela garota, ela se acha demais.
— É! Eu sei que ela se acha a gostosona – ela bufou — Mas ainda não entendi seu comentário, pode se explicando! – ela exigiu.
Ele bufou – Bem, como eu disse, adoro te ver com fogo nos olhos, fica tão linda! – ele piscou para ela que ficou com o rosto pegando fogo – E além disso, foi bom te ver daquele jeito você estava tão triste e abatida no outro dia.
Ela sorriu em compreensão e o observou deitado na cama dela, todo folgado. Os cabelos esbranquiçados estavam bagunçados, a roupa como sempre, era negra. Ele era lindo. Era tão bom vê-lo! Sentiu ímpetos de abraçá-lo e foi o que fez.
— Tem razão específica para isso? – Inuyasha perguntou surpreso, porém não deixou de afagar as costas da garota. Inspirou fundo sentindo o cheiro dos cabelos recém lavados dela que ainda estavam úmidos.
— Nada. Senti vontade – disse ela se aconchegando no peito dele. – Inuyasha. – suspirou.
— Kagome? – perguntou ele depois de um tempo.
— Hm? – ela levantou a cabeça para fita-lo.
— Sei que é ridículo, já que eu disse tudo aquilo para você e tudo mais, sobre sermos só amigos e tal – revirou os olhos e afagando os cabelos da garota, continuou — Mas...p-posso beijar você? — pediu.
Kagome o olhou por alguns segundos, sabia que não era certo, ele estava com Yura, ele dissera que não podiam ser amigos, e apesar de ter concordado em ter uma amizade às escondidas com ele, já se arrependia da decisão. No entanto, olhar para ele com aquele rosto lindo, os olhos cor de mel, olhando-a fixamente, os lábios tão próximos dos seus...ela mandou o bom senso para o alto e assentiu de leve aproximando-se para beijá-lo.
Era melhor do que se lembrava – os dois pensaram ao mesmo tempo.
Kagome fechou os olhos com força e mergulhou no mar de sensações que aquela boca provocava nela. Era tão bom senti-lo tão próximo dela, poder beijá-lo como queria.
Inuyasha sentia aquela sensação estranha que sempre acontecia quando estava próximo daquela garota, era como voltar para a casa, para tempos mais alegres, sentia-se em paz e eufórico ao mesmo tempo.
As mãos dele que estavam nas costas de Kagome lentamente desceram pela cintura, passaram pela suave curva do quadril feminino e repousaram um pouco mais a baixo, para logo em seguida subirem novamente para as costas.
Kagome agarrou firme o pescoço de Inuyasha e o puxou para mais próximo ainda de seu corpo. O garoto inverteu as posições e deixou Kagome por baixo dele. Beijou-a com todo o seu ser. Amava ficar com ela, as sensações eram fantásticas, era algo único o que sentia quando estava com ela.
A garota o abraçou pela cintura, os lábios nunca deixando de se tocarem. As mãos dele logo a apalparam novamente e Kagome puxou as mãos dele para seus quadris, não queria perder o controle, por mais perdida que estivesse nos braços dele não iria deixar as coisas passarem dos limites. Inuyasha passou a beijá-la no rosto, cada bochecha, nariz, queixo, e desceu a linha do maxilar distribuindo beijos e mordidinhas.
Perdeu-se no pescoço. Ah como gostava de beijar o pescoço daquela garota.
— Inuyasha – ela sussurrou.
Inuyasha levantou o rosto e sorriu para ela. Kagome o puxou de volta para que seus lábios se encontrassem.
— Nossa – ele sussurrou assim que seus lábios se afastaram – É sempre tão bom beijar você.
Ela sorriu – Também acho muito bom beijar você, muito bom!
— Melhor do que aquele idiota daquele Inumaru? – ele perguntou bravo.
— Ai Inu, não o chame assim, ele não é idiota.
— É sim, um babaca.
— Inuyasha, pode parar já aí, quem você pensa que é que pode insultar os outros por causa de ciúmes bobo? Eu detesto aquela garota que vive grudada no seu pescoço e mesmo assim não fico xingando ela!
— É, você é única, não suportaria te ver com outro e comigo ao mesmo tempo – ele resmungou.
— Pois é, eu sou é louca de ficar te dividindo assim! Por que será né? — ela disse empurrando o peito dele.
Ele suspirou – Eu sei que não é nada fácil essa situação e realmente não entendo como você aguenta, mas não posso fazer nada.
— Por que não?
— Kagome...olha eu, que droga! Não posso falar! Feh! – ele se levantou e começou a andar pelo pequeno quarto – Se eu apenas pudesse... – ele parou e encostou a cabeça na parede, visivelmente atormentado.
Kagome suspirou ainda sentada na cama, ela não entendia o que se passava com ele e era difícil vê-lo tão atormentado assim.
— Hey, calma. – ela falou – Eu já sei que te pressionar não me leva a lugar algum e não quero que você vá embora ainda. Vem, senta aqui. – ela chamou.
Quando ele se sentou ela pegou as mãos dele com as suas – Como está o Shippo?
Inuyasha piscou por causa da mudança brusca de assunto e respondeu – Ele está bem, já deve estar dormindo a essa hora – ele disse olhando o relógio – E eu não devia estar aqui. – ele suspirou.
— Fique mais um pouco – ela pediu o olhando nos olhos.
Inuyasha não se aguentava quando ela o olhava assim, rapidamente a puxou para si e cobriu-lhe a boca com a sua.
Aos poucos eles se afastaram e Kagome sentiu-se com as bochechas vermelhas, o beijo dele era enlouquecedor.
— Como estão suas notas? Precisa de ajuda no colégio? – ela perguntou após alguns minutos de silêncio.
— Feh! Estão uma porcaria com o tanto que eu falto, não sei como não reprovei ainda.
Ela riu – É, não sei mesmo, você falta bastante, por que ein? – ela perguntou e ele só olhou para ela – Já sei, não pode me dizer – ela mostrou a língua para ele. E ele riu.
— É, é por aí...
Eles ficaram em silêncio por um momento e ela perguntou – E suas músicas? Alguma nova?
— Ah sim, estou trabalhando em algumas.
— Se importaria de cantar pra mim?
— Sua mãe pode nos ouvir, não?
— É verdade, mas e se você cantasse baixinho?
Ele riu – Você ama minha voz né?
— Inu? Eu amo praticamente tudo em você, menos essa parte que você esconde de mim...
Ele lhe deu um sorriso triste, não levando a sério o que ela dissera – Me lembro de quando nós brincamos aquele jogo idiota de Verdade ou desafio, eu fiquei torcendo para a garrafa parar em mim, toda vez que você a girava, nem acreditei quando aconteceu, foi o meu primeiro beijo sabia?
Kagome sorriu – Eu também ficava torcendo para isso acontecer, e também foi meu primeiro beijo, foi incrível!
Ele riu – Eu nem sabia o que fazer, mas foi sim incrível, nunca me esqueci daquele dia, guardei ele na caixinha de memórias preciosas.
— Ah é? Você tem uma caixinha de memórias preciosas, é? Me diga aí seu top 5, eu ia pedir 10, mas hmm...não, quero saber seu top 5.
Ele arqueou as sobrancelhas – Meus 5 momentos mais preciosos? Bem, deixe me ver...
5. O dia que conheci você.
4. Todos os dias que voltamos juntos do colégio rindo de alguma bobagem.
3. A primeira vez que você pegou na minha mão.
Ele hesitou e continuou:
2. Aquele dia quando tínhamos uns nove anos e eu tava triste e você me abraçou e me disse que eu não precisava ficar triste por que você estava ali comigo.
1. O nosso primeiro beijo.
Kagome olhou para ele emocionada – Seu top 5 se parece muito com o meu, o meu mais precioso também é nosso primeiro beijo. – ela sorriu – E também todos esses momentos 'roubados' que passamos juntos estão dentro do meu top 10.
Ele riu – Sim, nossos momentos roubados também estão no meu.
Ele a abraçou e ficaram assim mais algum tempo – Como você está com relação aquele monstro?
Kagome ficou rígida – Eu estou com medo é claro, ele não foi preso e ainda deve estar solto por aí, só esperando uma oportunidade, aquele infeliz.
— Hey, não fique nervosa, eu to sempre de olho em você, sempre que posso tenho te vigiado, mesmo correndo risco de alguém me descobrir, e descobrir o que eu ando fazendo, mas...
— Como assim?
— Feh! Olha, você só precisa saber que está seguro aqui na sua casa, ok? E no colégio sempre estou de olho em você.
Ela suspirou e assentiu.
— Ein? – ele chamou – Tenho que ir embora, só precisava te ver um pouco...
— Mas já Inu?
— Sim, está tarde, passa das onze da noite, não posso ficar mais, mas amanhã nos vemos no colégio, só ein...é...continue fingindo que não é minha amiga, ok?
Ela bufou – Tá bem, eu não te entendo, mas tudo bem, se essa é a única maneira de poder te ver... queria tanto poder falar contigo no colégio.
— Eu sei, eu também as vezes tenho vontade de ir falar alguma coisa contigo, mas não dá, Kags, tem que ser assim.
— Já sei Inuyasha. Já sei. Eu só...bem deixa para lá.
— Como assim?
— Ah bem, é que comigo você é tão fofo e no colégio você é tão diferente! Você me assustou com a Sango hoje.
Inuyasha suspirou – Olha, sei que não é nada fácil me compreender, mas quero que para você isso fique bem claro, eu sou eu mesmo quando estou contigo, estou sendo totalmente sincero aqui Kagome, quando eu..bem...estou sozinho contigo sei que posso ser eu mesmo, como sei o quão verdadeira você é comigo, eu sou verdadeiro contigo, fora daqui as coisas são diferentes, eu tenho uma, como posso dizer? Reputação, uma imagem a manter, e eu dependo dela para muitas coisas, eu nem sei se é seguro te contar essas coisas, mas quero que você, só você, saiba quem eu sou – ele se aproximou dela e colocou as mãos de cada lado do rosto dela – Kags, eu sinto que só contigo eu posso ser eu mesmo, eu sou o que eu quero ser quando estou com você, eu... – ele suspirou – Só me entenda, por favor, fora daqui as coisas mudam de um jeito que você não tem noção, é como se eu fosse — ele bufou – Vou usar aquele filme bobo do Shrek de exemplo – ele sorriu – Eu sou uma cebola— Kagome riu e ele continuou sorrindo – Tenho muitas camadas Kagome – e então ele ficou sério – Só você vê através delas, sempre foi assim, desde crianças, você sempre me enxergou de verdade, tente não me julgar pelo que você vê quando estou longe de ti, eu sei que é difícil o que estou pedindo, não quero te magoar, mas também não posso te prometer que não vou fazer algo que vai te deixar confusa, ou te afastar, só se lembre desse momento ok?
Ela assentiu, sentia-se estranha, ele estava sendo tão sincero, via o coração dele naquele momento – Eu vou tentar Inuyasha, eu quero muito te compreender.
— Isso já basta, por enquanto.
Ele a beijou mais uma vez e saiu pela janela.
ooooOoOoooOOoooO
No dia seguinte...
Kagome se sobressaltou quando o professor avisou que na próxima aula teriam prova. Andara tão perdida e distraída com tantos acontecimentos que nem percebera o tempo passar, agora teria que correr atrás de todo o material e estudar.
— Sangozinha meu amor! – Miroku exclamou e sorrindo disse a namorada: — Sabe o que é, querida, preciso de ajuda para a prova! Estive em outro colégio né, e então...
— É, eu sei bem Mi, e queria poder ajudar – Sango respondeu – Acontece que eu também não tenho todo o material, você também não né Kag?
— Acho que tenho quase tudo e o que você acha da gente juntar tudo que cada um tem no caderno e os livros e estudarmos juntos? Ayame! – chamou.
— Oi! – Ayame respondeu sorrindo – O que foi?
— Você tem material para a prova?
— Tenho alguma coisa. – ela disse pensativa.
— Que tal todos nós nos encontrarmos lá em casa hoje para estudar? – Kagome perguntou aos amigos.
— Beleza – Ayame concordou. – O Kouga pode ir? – perguntou fazendo biquinho.
Kouga sorriu para a 'nova namorada'.
— Pode sim. – a morena assentiu. – E vocês Sango e Miroku?
— Eu vou! – Miroku exclamou e Sango sorriu, pegou a mão do namorado e exclamou – Sim, nós vamos, preciso ficar de olho nesse aqui!
Kagome balançou a cabeça e sorriu para os amigos — Beleza! Que tal lá pelas duas horas? — ela propôs e todos aceitaram.
— Inumaru? – Kagome chamou vendo-o sozinho e um pouco afastado do grupo – Você quer vir também? — O garoto estava muito calado e Kagome estava preocupada com ele.
Ele balançou a cabeça assentindo e não disse nada.
Kagome o olhou sem entender o comportamento do ex-namorado.
Quando o sinal do intervalo soou, o grupo recolheu o material e saiu da sala.
oOOooOOoOOoO
— Kagome? O que você sente pelo Inuyasha? – Sango perguntou, assistindo a amiga observar o garoto do outro lado do colégio com Yura agarrada nele.
— Eu...- Kagome olhou a amiga e o namorado que estava brincando distraído com uma mecha do cabelo de Sango. Soltou um longo suspiro – Eu não quero falar sobre ele, San. – disse por fim, desviando o olhar do casal para o céu.
Sango bufou, mas assentiu em silêncio. Se a amiga não queria confirmar que gostava do garoto, tinha acabado de fazê-lo, negando-se a falar.
Assim que o grupo de amigos chegou ao corredor que levava a sala deles, Kagome avistou Inuyasha discutindo com Yura aos gritos.
— Mas que droga! Vou participar sim! Porra! Você não é minha mãe para me dizer o que posso ou não fazer!
— Inuyasha! – Yura gritou e depois sussurrou algo no ouvido dele que Kagome não conseguiu entender.
— Ah vê se me erra! – Inuyasha empurrou a garota e entrou na sala.
— Você vai se arrepender! – a ruiva gritou de volta, deu um giro nos calcanhares e saiu porta a fora exalando fumaça.
Inuyasha jogou-se na carteira e cobriu o rosto com os braços, nada satisfeito.
Kagome o observou por alguns instantes, morrendo de vontade de abraçá-lo, fosse o que fosse que estava acontecendo não gostava de vê-lo assim, porém sabia que ele não queria que ela fosse até ele, então para distrair-se se pôs a observar Inumaru, que estava sentado do lado oposto da sala, o garoto estava realmente estranho, o olhar distante, o que poderia ter acontecido com ele?
O sinal bateu e o restante dos alunos entraram junto com o professor da quarta aula.
Kagome se sobressaltou ao ver Houjo ao lado do professor.
— Turma, o colégio está promovendo um festival para depois das férias, e nele vocês podem participar com música, teatro ou dança. A apresentação não é obrigatória, já que é um projeto cultural, porém aqueles que participarem terão dois pontos extras em todas as disciplinas, — afirmou o professor, observou a sala e prosseguiu — É obrigatório sim a presença já que será realizada lista de chamada e uma adição de uma pequena nota de participação por evento. Quero ressaltar que é muito importante a participação de vocês e saibam que o colégio convidou olheiros de faculdades de música, teatro e dança e eles concordaram em oferecer bolsa de estudo aos três primeiros colocados nas três áreas. Alguma dúvida? – o professor observou a sala novamente, muitos pareciam eufóricos com a notícia, no entanto ninguém ergueu a mão, então ele continuou — Esse aqui é Houjo um dos alunos do 3º D e representante dos alunos que querem se inscrever na área de música.
Houjo sorriu quando o professor assentiu para que ele começasse.
— Oi gente! Oi Kagome – ele acenou sorrindo.
A sala toda voltou o olhar para a morena e ela ficou vermelha de constrangimento.
Não era por nada não, mas Houjo era uma figura um tanto bizarra, com aquela franja emo, camisa preta, calça laranja com tênis roxo e um óculos muito extravagante que lembrava muito o do vocalista da banda restart.
— Bem gente, eu como representante da área de música, já que fui eu quem deu a idéia, — sorriu — convido a todos que possuem banda ou querem se aventurar cantando, a falar comigo na sala 108, para se inscreverem, estarei lá todas as tardes, e de manhã vocês podem falar com a Amanda que também é representante. Para se inscreverem na área de dança, é só irem até a sala 109 falar com o Pablo ou Kikyo, e para teatro na sala 110, com Ana e Fernando.
Kikyo que estava parada ao lado de Houjo sorriu e anunciou:
— Na semana passada esse era o assunto da reunião com os representantes de turma. Alguém tem alguma dúvida?
Sango levantou a mão: — Quem foi que te nomeou representante de turma?
Kikyo ficou vermelha de raiva — Jessy tinha faltado e eu fui no lugar dela. – falou entre dentes. – Mais alguma coisa?
Sango balançou a cabeça sorrindo.
— Que dia será a apresentação? – Ayame perguntou.
— Toda segunda e terceira semana de agosto, ou seja do dia 8 ao dia 19. – Kikyo respondeu.
— E até quando vai as inscrições? – outro aluno perguntou.
— Até dia 30 de julho. Mas as inscrições são limitadas. – Kikyo respondeu e prosseguiu com as regras e regulamento de participação.
Kagome ficou se perguntando se essa era a razão de Kikyo ter sumido a manhã inteira, só que isso ainda não explicava ela ter ficado quieta no dia anterior.
Será que Inuyasha estava falando sobre participar do festival com Yura? – Kagome o olhou e viu que ele conversava com Bankotsu. Iria tentar compreendê-lo, mas não era nada fácil, como ele dissera ontem, vendo-o no colégio ele era uma pessoa totalmente diferente de quando estava sozinho com ela, era incrível de se ver. Virava e mexia ele soltava um comentário debochado sobre alguma coisa, mostrava aquele sorriso misterioso que de alguma forma era muito atraente, ele parecia um garoto mal, e Kagome se pegou pensando que gostava desse jeito dele também, quando deu por si Houjo e os outros representantes de turma já haviam saído da sala enquanto ela ficava pensando em Inuyasha.
O professor deu continuidade à matéria, alertando que na aula seguinte teriam mais uma prova.
oOOooOOooOOOo
— Você viu Kagome? Que massa essa história de festival cultural, será que a banda do seu amigo vai participar? – Miroku perguntou quando saíam do colégio.
— Não sei, e ele não é meu amigo – respondeu franzindo a testa, se Inuyasha não queria que ninguém soubesse que eram amigos, ninguém saberia, pensou.
— Tá – Miroku rolou os olhos – Mas ele vai participar?
— E eu que sei! – exclamou a morena dando de ombros. Miroku arqueou a sobrancelha fitando a namorada parada ao lado dele. Sango deu de ombros também e ele bufou conformado.
Em seguida ouviram os gritos:
— Droga garota, quer largar do meu pé!
— Mas eu pensei...
— Pensou errado!
Kikyo e Bankotsu estavam a alguns metros à frente do grupo de Kagome.
Bankotsu se soltou da garota que o segurava e gritou – Não quero nada com você! Acabou!
Ele virou as costas e seguiu caminhando, encontrando-se com Inuyasha mais a frente. Inuyasha sorriu balançando a cabeça e ambos desapareceram rua adentro.
— Não acredito! – Sango exclamou depois que eles passaram por Kikyo.
— Será que estavam namorando? – Kagome perguntou.
— Tudo indica que sim! Não acredito que ele ficou com aquela garota!
— Coitado, ficar com aquela megera. – Kagome afirmou e balançou a cabeça.
— Mas ela pareceu arrasada – Miroku disse olhando para trás onde a garota ainda estava, parada como se não acreditasse no que acabara de acontecer.
— Ah cala boca, Miroku – Sango e Kagome disseram em uníssono. As duas riram quando perceberam que falaram juntas.
Kikyo era uma vaca, ladra de namorados e uma verdadeira cobra, era bom vê-la levando um fora para variar, Kagome pensou.
E então soltou outro suspiro, caramba como o Inuyasha era diferente no colégio, e de algum modo estava se sentindo atraída por esse outro lado dele.
oOOoOOooO
Mais tarde naquele dia o grupo se reuniu na casa de Kagome para estudar.
— Miroku! Assim ninguém consegue estudar com você fazendo esse barulhinho irritante! – Sango exclamou.
Os seis estavam deitados no tapete do quarto de Kagome com livros e cadernos ao redor deles. Miroku não parava de apertar o botão da caneta fazendo com que o bico aparecesse e desaparecesse, fazendo aquele barulho irritante.
— To entediado! – ele exclamou largando a caneta. E se deitou em cima do caderno abrindo a boca num bocejo.
— É, mas temos que estudar, você entendeu? – Sango explicou novamente o exercício de física que estavam praticando.
— Cansei. – Inumaru exclamou, largando o lápis e fechando o caderno. – Vou embora.
— Mas Inumaru, você só resolveu o primeiro exercício! – Ayame reclamou.
— E to aqui há três horas, desisto – respondeu ele, pegou seus pertences e com um sonoro – Fui! – saiu da casa.
— Inumaru! Espera! – Kagome foi atrás dele.
O alcançou na soleira da porta – Inumaru?
— Hum? – ele perguntou sem se virar.
— O que há contigo? Está estranho, aconteceu alguma coisa?
— Não. – ele disse.
— Tem certeza? – ela insistiu.
— Tô bem Kagome! Só estou triste.
— Triste por causa do fim do namoro? – ele não respondeu, diante do silêncio ela continuou — Tem certeza que é só isso? Você está tão quieto, eu...
— Pare Kagome! Por favor, me deixa, eu to bem! – ele disse e saiu intempestivamente da casa.
oOoooOoooOO
Kouga olhou para os cadernos e os amigos a sua volta e desistiu também – Ay, acho que vou embora também, não entendi nada na aula, nem agora e nem nunca vou entender.
— Mas Kouga é fácil olha – Ayame respondeu e resolveu o terceiro exercício da lista.
— Fácil para você querida – ele disse, deu um selinho na namorada e começou a recolher o material que levara.
— Espera eu vou com você – Ayame disse e juntos eles saíram da casa após se despedirem.
Kagome voltou ao local que os amigos estavam e ouviu Sango dizer:
— Que coisa, ein? Seu barulhinho chato espantou todo mundo Miroku. – ela afirmou, batendo na cabeça do namorado.
— Ai! – ele gritou alisando o local machucado – Você sempre me bate! Por queeeê? – exclamou olhando para o teto.
Kagome riu do casal de amigos que começaram a discutir e olhou para os exercícios, não conseguia se concentrar, pelo visto ninguém ouvira sua conversa com Inumaru.
oOoOOOoOOOoo
— Ah como é bom tomar banho! – Kagome exclamou saindo do banheiro. Passara toda a tarde estudando e depois de preparar um lanche para o casal de amigos e para si, fora tomar um quente e delicioso banho, afinal após uma tarde estressante nada melhor que um banho para relaxar e para pensar um pouco, o que estava acontecendo com o Inumaru? Não parecia somente magoa com o término do namoro, o garoto não era quieto daquele jeito...algo estava acontecendo...
— Hey – ela ouviu – Psiu!
Kagome foi até o quarto e viu Inuyasha do lado de fora da janela acenando para ela.
Sorte que levara as roupas para o banheiro. – ela pensou e foi abrir a janela, Inuyasha acabara de entrar quando ouviu:
— Kagome o jantar está pronto – A senhora Higurashi gritou ao longe.
Inuyasha estremeceu pensando que seria pego ali – Acho que vim em má hora – ele disse já se preparando para sair.
— Espera. – ela pediu – Desço para pegar meu jantar e depois eu subo.
— Mas... – começou ele. Kagome colocou um dedo nos lábios dele.
— Por favor, quero conversar com você.
Inuyasha sorriu – Conversar é? Aposto que não é bem isso.
— Bobo – ela deu um peteleco no braço dele – Já volto. – disse depositando um selinho nos lábios do garoto.
Depois de poucos minutos Kagome voltou com um prato bem cheio de ramen.
— Hmm...parece bom – Inuyasha comentou observando a garota comer.
— Quer um pouco? — ela ofereceu pegando um pouco do macarrão com os hashis.
Ele assentiu e Kagome levou os palitinhos até a boca dele.
— Hmmmm, sua mãe sabe fazer ramen como ninguém – comentou o garoto depois de engolir.
Kagome sorriu – Sabe mesmo, eu adoro! – afirmou.
Assim que o prato ficou vazio, Kagome o deixou no criado mudo e se sentou na cama, com as costas encostadas na cabeceira, Inuyasha se deitou com a cabeça no colo dela e a garota passou a acariciar-lhe os cabelos, então ela falou o que a estava atormentando o dia inteiro:
— Inuyasha, sabe, estive pensando, você me disse ontem que o modo como você age no colégio é tudo uma fachada, mas é parte de você também, não é mesmo?
— Como assim?
— Ah é difícil de explicar, mas sei lá não é tudo mentira o jeito como você age fora desse quarto? É?
— Ah, acho que estou entendendo onde você quer chegar...bem, é claro que não é tudo mentira, o que eu disse ontem é que as vezes tomo algumas atitudes e faço algumas coisas que podem te confundir, e bem, faço coisas que eu mesmo não gostaria de fazer, mas é claro que não é tudo mentira, é isso que quer saber? – ele perguntou num jeito confuso.
Kagome suspirou e tentou explicar – Estive te observando, você age de modo bem diferente no colégio, todo sei lá, durão, aquele sorriso debochado, até o jeito que você fala muda, isso tudo é uma fachada somente?
— Ah tá! Não! – ele riu – Esse sou eu mesmo, durão, marrento, implicante, chato, sou eu mesmo, claro que com você... – ele parou e seu rosto ficou vermelho – Com você meus sentimentos são outros, eu fico pensando em outras coisas... – ele a fitou e Kagome se pôs a hiperventilar, entendendo o que ele estava querendo dizer.
Ele sorriu e ergueu-se de modo quee sua boca cobriu a dela, Kagome sorriu e ele se aproveitou para aprofundar o beijo.
— Entendi – ela disse assim que eles se afastaram um pouco, os lábios dele ainda estavam bem próximos dos dela – Eu gosto do jeito que você é então, aquele sorriso debochado – ele sorriu e ela riu – Esse aí mesmo, fica tão lindo!
Ele sorriu mais ainda e a empurrou para a cama deitando-se sobre ela – Então gosta quando sou mal, é? Feh, que garota que não se sente atraída por um cara mal, uma vez na vida, não é mesmo – ele estava tão perto, seu corpo tão colado ao dela, tão quente! Ela olhou naqueles olhos dourados, o piercing na sobrancelha de algum modo fazia com que a expressão dele fosse meio predatória, e o jeito com que ele a estava olhando... – ele sorriu aquele sorriso safado dele – Quer um cara mal Kagome? – ele a beijou no pescoço e ela estremeceu – O quão mal, você quer? – ele sugou e mordiscou o pescoço dela, suas mãos estavam fixas na cintura dela, a afagando devagar, mas forte, no entanto sem sair do lugar.
— Inuyasha... – ela suspirou, seu corpo estava pegando fogo! Ela o abraçou apertado – Me beije.
— Onde? – ele perguntou sem deixar de lhe beijar o pescoço preguiçosamente.
— Na boca...
Ele sorriu e a olhou nos olhos antes de cobrir-lhe a boca com a sua.
Ele a beijou profundamente e logo as mãos dele começaram a vagar, a subir... e Kagome percebeu que as coisas estavam ficando fora de controle – Inu – ela o afastou – Estamos indo de pressa demais, não?
Ele respirou fundo e sorriu para ela, afagou-lhe os cabelos e virou-se de modo que ele estava deitado com as costas na cama e ela ficou ao lado dele.
Kagome suspirou, tentando acalmar seu corpo que estava fervendo. Depois de alguns minutos, seus pensamentos entraram em ordem e ela perguntou:
— Vai participar do festival do colégio?
— Vou. – ele assentiu e olhou para ela com uma sobrancelha arqueada.
— Que foi?
— Não vai dizer nada?
— Dizer o que? – ela perguntou confusa.
— Esquece. – ele suspirou – Vou fazer uma surpresa para você. – ele sorriu.
— Que surpresa? – Kagome perguntou.
Inuyasha sorriu faceiro gostando do leve rubor que ainda estava nas bochechas dela.
— Você vai ver – Inuyasha olhou para o relógio no criado mudo e franziu a testa – É uma musica é óbvio, espero que você goste.
— Até agora gostei de todas as suas músicas e falando nisso ontem você não cantou para mim, né espertinho?
Ele sorriu – Mas o que você quer que eu cante?
— Ah não sei, algo novo que me revele um pouco dos seus sentimentos.
Ele franziu a testa e balançou a cabeça, suspirou – Deixa eu pensar...queria ter meu violão aqui ou minha guitarra, mas..vamos lá...
I dreamed I was missing
Eu sonhei que estava desaparecido
You were so scared
Você estava tão assustada
But no one would listen
Mas ninguém podia ouvir
'Cause no one else care
Pois ninguém mais se importava
(...)
When my time comes
Quando minha hora chegar
Forget the wrong that I've done
Esqueça os erros que eu cometi
Help me leave behind some
Me ajude a deixar para trás algumas
Reasons to be missed
Razões para ser lembrado
And don't resent me
Não fique ressentida comigo
When you're feeling empty
Quando sentir-se vazia
Keep me in your memory
Mantenha-me em sua memória
Leave out all the rest
Esqueça todo o resto
Leave out all the rest
Esqueça todo o resto
(...)
I'm strong on the surface
Eu sou forte na superfície
Not all the way through
Não por completo
I've never been perfect
Eu nunca fui perfeito
But neither have you
Mas nem você foi
[ Leave out all the rest – Linkin Park ]
— Wow, sua voz é mesmo linda Inuyasha e todas as suas musicas possuem tanto sentimento! É tão lindo! – ela exclamou e se ergueu sobre ele para que pudesse fita-lo nos olhos.
Ele sorriu – As vezes fico inspirado e as musicas saem assim, outro ponto alto da minha vida além de você é a musica. É um jeito de sei lá me libertar. Tenho mais uma que to com vontade de cantar:
When this began
Quando isto começou
I had nothing to say
Eu não tinha nada a dizer
And I get lost in the nothingness inside of me
E me perdi no nada dentro de mim
I was confused
Eu estava confuso
And I let it all out to find
E deixo tudo isso sair para descobrir
That I'm not the only person with these things in mind
Que não sou a única pessoa com essas coisas em mente
Inside of me
Dentro de mim
But all the vacancy the words revealed
Mas todo o vazio que as palavras revelaram
Is the only real thing that I've got left to feel
É a única coisa real que me resta para sentir
Nothing to lose
Nada a perder
Just stuck, hollow and alone
Simplesmente preso, vazio e sozinho
And the fault is my own, and the fault is my own
E a culpa é toda minha, e a culpa é toda minha
I wanna heal, I wanna feel
Quero me curar, eu quero sentir
What I thought was never real
O que achei que nunca fosse real
I wanna let go of the pain I've held so long
Eu quero deixar ir essa dor que segurei por tanto tempo
Erase all the pain 'till it's gone
Apagar toda a dor até que ela se acabe
[ Somewhere I belong – Linkin Park ]
— Caramba Inuyasha, quanto sentimento! Queria entender o que você trás no seu coração que lhe causou tanto dor.
— Ah Kagome, você não faz ideia do que aconteceu na minha vida, tantas coisas que eu passei, eu te disse que eu mudei bastante. Eu cresci, mas não foi só isso, eu tenho motivos para ser do jeito que eu sou...
— Que motivos Inu? O que te aconteceu?
— Ah querida, se eu pudesse te falar, se eu não soubesse que você ia...
— Eu ia o quê? Não entendo!
— Ah Kagome, por favor, não dá para... – ele suspirou – Tenho que ir. Está tarde. – ele começou a se levantar.
— Já vai? Não pode ficar mais um pouco?
— Não posso Kagome. – ele bufou. Se pôs de pé e perguntou a ela: — Kagome você não vai contar nada sobre a gente à ninguém, né?
— Claro que não Inu – ela respondeu, soltando um longo suspiro em seguida – Olha, não tô nada gostando disso de ficarmos juntos as escondidas.
— Eu sei – ele disse, e pareceu triste por alguns instantes, ela a puxou da cama para que ficasse de pé a frente dele e beijou-a apaixonadamente de novo, só então foi até a janela e a abriu. – Amanhã a gente se vê.
— Tchau. – Kagome disse vendo-o sair janela afora, sentindo o frio que se instalou no quarto depois que ele se foi.
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