Estranha Perfeição
26 Capítulo XXV
Notas iniciais
BEATRICE PRIOR
Ele estava lindo. O smoking preto que vestia cabia perfeitamente com todas as junções de seus incríveis e absurdamente impressionantes músculos. O azul nos olhos dele era tão brilhante quanto o oceano ao anoitecer; era escuro, calmo, perfeito. O cabelo estava bagunçado, mas isso já era natural de Tobias, o que só o fazia parecer ainda mais irresistível. Era de tirar o folego a junção de todas as coisas que o formavam.
Eu queria tanto beijá-lo.
Vê-lo com a loira que eu me lembrava de tê-lo visto transar no sofá uma vez fez com que meu coração se partisse ao meio. Foi a gota d’água para que eu parasse de me negar o que eu queria. Eu queria ele. O queria de todas as formas que alguém pode querer uma pessoa. Eu queria ser a quem ele recorreria quando estivesse com um problema. Eu queria ser aquela pessoa que ele faria questão de compartilhar momentos felizes. Eu queria ser a única a enxugar sua lágrima e a dá-lo meu ombro para que ele pudesse chorar pelo mundo. Eu queria ser a sua garota.
Eu não queria.
Eu quero.
— Pare de me olhar desse jeito, Tris. – Tobias sussurrou ao pé do meu ouvido, enquanto me levava à pista de dança. – Eu não sou tão forte.
— O que isso quer dizer? – eu abri um meio sorriso, embora não tivesse entendido nada.
— Se você continuar me olhando assim, eu juro que não teremos essa dança. – ele sorriu e sussurrou mais uma vez. – Eu vou jogá-la no meu carro e só te libero amanhã. – ele piscou.
— Isso é uma promessa? – eu o desafiei.
Me sentia tão livre. Tinha dito que queria me sentir como uma garota comum antes de chegar à festa e era exatamente assim que eu me sentia. Eu tinha me permitido ser feliz por ao menos esta noite. Aqui não tinham segredos, irmãs malvadas, meu chefe atrevido e uma ex-estrela do rock. Tinha sido tão bom flertar com Tobias.
Ainda estou sem acreditar que fui eu a pedir para ser beijada.
— O que é tão engraçado? – Tobias perguntou quando nos posicionamos no centro do salão.
— Nada. – eu sorri. – Apenas estou gostando desta noite.
— Pretendo fazer você gostar ainda mais. – ele piscou mais uma vez e eu senti um embrulho na barriga.
Era tão bom ver que as sensações de quando nós somos adolescentes voltam assim que você se permite ser feliz mais uma vez.
— Boa noite a todos! – o microfone fez um zumbido, antes que o cantor da banda que se apresentava hoje voltasse a falar. – Nós estamos muito felizes de estar aqui hoje. A próxima música que iremos tocar é um pouco mais lenta e eu gostaria de convidar alguém muito especial para interpretá-la. É com orgulho que apresento a vocês, Lyla Evans, que além de ser uma ótima cantora, ainda tem a honra de ser minha irmã! – o salão inteiro explodiu em palmas e risos. – Espero que gostem.
Tobias e eu nos posicionamos.
— Eu espero que você não pise no meu pé. – eu brinquei, mas Tobias não falou mais nada, apenas me encarou e esperou que a música começasse.
Quando os acordes do piano começaram, Tobias me puxou mais junto de si e beijou minha testa, ficando parado por alguns segundos, apenas olhando em meus olhos e traçando cada pedaço do meu rosto com a ponta do seu dedo, até que a voz da cantora preencheu todo o salão e nós começamos a nos mexer bem devagar. Eu tinha a mão direita em seu ombro esquerdo e a mão esquerda encaixada na dele, enquanto ele repousava a sua mão livre na lombar das minhas costas. Mesmo que mal estivéssemos nos mexendo, nossa sincronia era incrível. Ele era incrível.
Tobias pegou minhas mãos e colocou em volta do seu pescoço, enquanto abraçava minha cintura com as suas duas mãos. Eu repousei minha cabeça em seu peito e podia escutar os seus batimentos cardíacos.
— Por que todo mundo está olhando para você? – eu perguntei, sentindo seu peito vibrar quando ele riu suavemente.
— Não é para mim. – ele beijou minha testa. – Estão olhando para você. Você está fantástica, Tris.
— Eu me sinto fantástica. – eu ri, enquanto ele me guiava pelo salão na nossa dança.
Era tão bom ser conduzida por ele e essa proximidade de nossos corpos. Eu me sentia tão feliz e nós apenas estávamos dançando! O ritmo era perfeitamente lento, fazendo com que nós não precisássemos fazer muita coisa para dançar. Na verdade, nós apenas estávamos deixando nos ser levados pela melodia. Aquele momento era incrível e a única coisa que nós precisávamos naquela hora era de um ao outro, e isso nós tínhamos.
Então quando o refrão da música começou, Tobias aproximou sua boca do meu ouvido e sussurrou o refrão cantado somente para mim. Eu também conhecia esta música. Era um cover muito bem interpretado da Adele.
I know you haven’t made / Eu sei que você não se decidiu ainda
But I would never do you wrong / Mas eu nunca erraria com você
I’ve known it from the moment that we met / Eu soube desde o momento que nos conhecemos
No doubt in my mind where you belong / Não há dúvida na minha mente de onde você pertence
Eu sorri, mas não o olhei nos olhos. Eu tinha certeza de que se eu o fizesse, poderia ser meu fim em lágrimas. A voz dele era tão suave e bonita. Eu não o tinha escutado quando ele fazia parte da The Lost, mas estava tendo a certeza de que sua voz era incrível. Era rouca, mas ao mesmo tempo forte. Era sexy, mas tão doce. Não era apenas porque ele estava cantando, mas o que ele estava cantando para mim. Eu podia sentir que ele realmente queria dizer aquelas palavras. Queria passar a segurança de não me machucar novamente. Queria dizer que estava esperando apenas pela minha decisão. E queria dizer ainda mais que o lugar aonde eu pertencia era com ele.
Eu não tinha tido ninguém para cuidar de mim. Depois que Andrew foi embora e minha mãe adoeceu, eu não tive mais ninguém. A mãe de Al esteve lá por mim algumas vezes, mas ela era uma mulher ocupada, embora se esforçasse para me ajudar. Ela não tinha cuidado de mim. Nem mesmo Al tinha cuidado de mim.
Eu me sentia tão segura com Tobias. Ele tinha cuidado de mim mesmo quando não quis. Ele era tão bom.
— Querida, não chore. – Tobias pediu, enquanto as inevitáveis lágrimas começavam a molhar seu smoking. – Por favor, Tris, isso me mata.
— Obrigada por ter me dado um lar quando eu cheguei aqui. – eu disse, ainda com a cabeça em seu peito. – Obrigada por me deixar ficar com você, mesmo quando eu era a última pessoa que você queria. Obrigada por me dar um quartinho e por enfrentar sua irmã por mim.
— Não me agradeça por isso, Tris. – ele suspirou e beijou os meus cabelos, em seguida pegou meu queixo e levantou minha cabeça para que eu pudesse olhá-lo. Seus olhos estavam molhados também. – Eu detesto que você não tenha tido ninguém para cuidar de você, mas eu admiro sua força. Você é tão forte, Tris. Eu soube desde o momento em que você pisou na minha sala que você me pegaria. E eu não fui um puto com você porque eu simplesmente te odiei. Eu fui um puto porque sabia que... Você me teria de alguma forma, Tris. – ele beijou meu rosto e sussurrou em meu ouvido a última parte. – Você me tem de todas as formas.
— Você está tão diferente do cara que eu conheci quando cheguei aqui. – eu sorri.
— Uma loira bonita pra caralho entrou na minha vida naquele dia. – ele olhou bem no fundo dos meus olhos, sorriu e eu me perdi na intensidade daquele momento. – Ela me mudou. Depois disso, eu venho me esforçando todo maldito dia para ser um cara melhor. Eu não a mereço, mas quero ser digno dela.
— Você já é. – eu sorri para ele.
— Então eu sou um filho da puta muito sortudo. – ele brincou.
Eu apenas sorri e nós dois continuamos dançando e sentindo a letra da música, até que a última nota foi tocada e a música parou. Foram-se alguns segundos até que a multidão do salão explodisse em palmas e a banda fizesse a reverência. Não que eu estivesse prestando atenção em alguma coisa, porque Tobias estava prendendo seu olhar no meu e eu não conseguia desviar dele. Ele foi se aproximando sua boca da minha e a banda já tinha começado a tocar outra música. Nós não tínhamos nos movido ainda. Quando Tobias estava perto o suficiente para que eu pudesse sentir sua respiração batendo no meu rosto, eu fechei os olhos para que pudesse desfrutar da sensação de ter seus lábios nos meus.
Ele estava tão perto.
Vamos lá.
— Será que eu posso ter minha acompanhante de volta? – a voz de Peter me tirou da névoa de sonhos que eu estava e eu abri meus olhos para encará-lo por trás de Tobias, com a mão firme em seu ombro. – Ainda não tive a oportunidade de dançar com ela.
Eu me soltei de Tobias e dei um passo para trás. Ele estava certo. Eu tinha vindo esta noite como acompanhante de Peter e não de Tobias. Eu nem tinha passado um tempo com ele. Minha noite tinha se resumido em estar ao lado de uma pessoa. Mais precisamente em um par de olhos azuis escuros.
Peter estendeu a mão para mim e Tobias o encarou.
— Nós ainda não acabamos. – ele semicerrou os olhos para Peter, seu corpo que antes estava leve agora tinha uma postura tensa, seus punhos estavam fechados e seu maxilar travado. Eu poderia afirmar que ele estava pronto para partir para o ataque.
Isso não amedrontou Peter.
— Sim, vocês acabaram. – ele disse simplesmente. – Ela é minha acompanhante, Eaton, não sua. Se me der licença... – Peter voltou seus olhos para mim e insistiu, estendendo sua mão mais uma vez. – Tris. – ele chamou. Eu aceitei seu convite e dirigi a Tobias um sorriso tenso de desculpas e encolhi os ombros, enquanto Peter me levou para longe dele.
Tobias assentiu e se virou, indo em direção ao bar. Eu não tirei meus olhos dele. Ele se sentou ao balcão, pediu ao barman uma bebida e virou seu rosto para olhar para mim. Ele não parecia chateado comigo. Ao invés disso, ele me deu um sorriso sexy e piscou para mim. Em seguida, ele moveu os lábios devagar para que eu entendesse o que ele estava falando.
— Eu espero você. – ele pronunciou com os lábios e eu assenti, sorrindo como uma idiota.
Peter percebeu e limpou a garganta, chamando minha atenção e me fazendo virar o rosto para ele.
— Desculpe, você disse alguma coisa?
— Ele está usando você. – Peter disse como se fosse óbvio.
A música tocava ao nosso fundo, mas eu não prestava atenção e nem me dei o trabalho de ouvi-la. Eu mal estava dançando, na verdade. Minhas sobrancelhas estavam juntas e minha testa franzida. Eu olhava para Peter numa mistura de confusão, porque eu não entendi o que ele quis dizer. Se alguém tinha que usar alguém, esse devia ser eu usando Tobias. Ele tinha dinheiro, eu não. Ele tinha fama, eu não. Ele tinha tudo, e eu, aparentemente, não tinha nada.
— Você está errado. – eu disse quase imediatamente, sentindo a vontade de defender Tobias.
— Não seja ingênua, Tris. – ele riu e o sorriso era meio sombrio. Este era um Peter que eu ainda não conhecia. – É tão óbvio. Ele não está sendo sincero com você e está escondendo algo que você merece saber. Nem tudo é o que parece ser, Tris. Ele não é a pessoa que você acha que é. Ele já fez muito mal a você.
— Ele mudou. – eu respondi convicta.
— Há coisas que ele não pode mudar mais. – ele riu. – Pergunte a ele sobre o segredo de Nita.
— Isso não é ético. – eu o defendi mais uma vez. – Se é segredo de Nita, então não é da minha conta. Só porque meu pai agora é casado com Evelyn eu devo saber da vida deles? Isso não é direito meu, Peter. E não deveria ser seu também.
— Você está defendendo ele? – ele perguntou com uma risada incrédula. Esse Peter era tão diferente. Por que os papéis esta noite tinham se invertido? – Mesmo depois de toda merda que ele fez para você?
— Eu já te falei que ele mudou. – eu insisti. – E se vai ofendê-lo, eu vou embora. Minha noite estava indo bem até você começar a falar desse jeito.
— Desculpe. – ele soltou um suspiro cansado. – Apenas não gosto de ver como ele olha para você, Tris. Eu não aceito que ele tenha o que quer desta vez. – ele desviou seu olhar para Tobias. – Quatro sempre teve tudo. Eu não aceito que ele ganhe de mim desta vez. Eu não vou deixar. – a voz de Peter era distante e eu tinha certeza de que ele estava pensando em voz alta.
Eu me afastei dele imediatamente.
— Deixa eu ver se eu entendi. – encarei os olhos confusos de Peter quando ele saiu de seu devaneio. – Você só tem estado comigo para ganhar dele em alguma coisa? – franzi a testa. Isso não podia ser real. – Isso é sério, Peter?
— O quê? Não! – ele praticamente gritou em espanto, enquanto uma pequena quantidade de pessoas começava a olhar para nós. Eu odiava isso. Odiava ter toda a atenção em cima de mim e Peter estava me fazendo criar uma cena. Outra coisa que eu detestava. – Tris, eu não quis...
— Eu entendi. – eu lhe dei um sorriso forçado. – Obrigada pela noite, Peter. E pelo vestido também. Estará em sua mesa amanhã de manhã.
— Tris... – ele me chamou, mas eu já tinha dado as costas e caminhava em direção à saída.
O ar gelado que bateu em meu corpo quando eu abri a porta do restaurante fez com que eu estremecesse. Agarrando meus próprios braços, eu andei até o estacionamento. Só me dei conta de que não tinha vindo com a minha picape quando procurei as chaves e não encontrei. Tinha vindo de carona com Christina. Será que ela tinha deixado a caminhonete para mim? Até onde eu sabia, Uriah a tinha levado.
Passos apressados soaram atrás de mim e eu não precisei me virar para saber quem era. Entretanto, eu também não queria falar com Tobias agora. Eu só queria ir para casa.
— O que aconteceu? – ele perguntou meio ofegante enquanto se aproximava de mim.
— O que você quer?! – eu me virei e o encarei, quando ele parou e me olhou com olhos arregalados e confusos. – Por que não assume logo que está saindo comigo para me exibir como um troféu? É por isso que você e Peter concorrem? Eu sou um maldito prêmio?! “A inocente garota de Chicago que ainda é virgem”. Que título grande, hein?
— Do que diabos você está falando? – Tobias perguntou como se eu tivesse acabado de dizer uma coisa estúpida. E talvez eu tivesse. Eu estava chateada com Peter e não com ele.
Quando as coisas tinham saído totalmente do meu controle?
— Sinto muito. – eu olhei para ele com os olhos repletos de vergonha. – Eu não quis gritar com você. Meu Deus, o que está acontecendo comigo? – eu pus a mão na minha boca incrédula com o que eu tinha acabado de dizer. Tinha feito a coisa que eu mais odiava: uma cena.
Me sentei na calçada do estacionamento de carros do clube e enterrei meu rosto nas minhas mãos. Senti Tobias sentar ao meu lado, mas não me movi para encará-lo. Eu não tinha controle das minhas emoções quando ele estava por perto e isso era frustrante. Eu sempre tive tudo sobre controle na minha vida. Mesmo com os problemas que eu tive que enfrentar até chegar aqui, eu conseguia manter a calma e ser altruísta e bondosa como minha mãe me ensinara.
Por que tudo saía do eixo quando ele estava por perto?
— Vai me contar o que aconteceu? – ele perguntou e eu levantei meu rosto, mas ao invés de olhar para ele, eu olhei para frente.
— Peter. – eu respondi com um dar de ombros. – Ele disse umas coisas que me deixou chateada.
— Como o quê?
— Bem, primeiro ele disse que você estava me usando. – Tobias levantou as sobrancelhas, como se aquilo fosse algo ridículo e eu virei para olhá-lo. – Eu sei, é ridículo. Não me olha com essa cara. – eu revirei os olhos. – Depois ele me falou que você escondia algo que eu merecia saber. – Tobias ficou pálido nessa hora, mas então eu me expliquei melhor. – Ele disse sobre ser segredo de Nita, mas se são delas, Tobias, eu não quero saber. Não importa o que é, eu apenas não quero saber. – eu sorri tranquilizadora para ele, mas Tobias ainda aparentava estar tenso. – O que foi?
— Passa a noite comigo. – ele pediu.
— Como?
— Fique esta noite comigo, Tris. – ele insistiu. – Há coisas que eu preciso explicar para você.
— Eu falei sério sobre o segredo de Nita, Tobias. Não é da minha conta.
— Não é por isso. – ele balançou a cabeça e se levantou. – Passa a noite comigo.
— Foi por isso que eu gritei com você. – eu ri um pouco, mas Tobias não entendeu, então eu me levantei também e me aproximei dele. – Eu não posso entender porquê você está tão interessado em mim. Peter já deixou claro que o que ele queria comigo era apenas por uma competição idiota. Mas e você? Não quer ser sincero também?
— Você diz que eu estou diferente, mas você também está. – ele me deu um sorriso cafajeste e cruzou os braços. – Parece que Miami acabou mudando você também.
— Você não respondeu à minha pergunta.
— Eu só quero ficar com você, Tris. – ele deu mais um passo à minha frente e meu coração começou a acelerar. Os olhos dele brilhavam com sinceridade e eu estaria mentindo se dissesse que não me sentia afetada por ele. Ele soava tão sincero. – Eu já te disse um milhão de vezes só essa noite. Tentei resistir a você desde o primeiro dia que você chegou, mas porra, Tris, eu não consigo. Não consigo me negar algo que eu quero tanto. Eu não quero me negar você. – ele segurou meu braço e aproximou sua boca do meu ouvido. – Passa a noite comigo e eu conto tudo que você quiser saber. Qualquer coisa.
— Qualquer coisa? – eu levantei minhas sobrancelhas.
A proposta era tão tentadora. Será que eu deveria aceitar?
— O que você quiser saber, Tris. – ele praticamente implora. – Eu prometo. Passa a noite comigo. Você disse que queria que esta noite fosse diferente. Eu não decepcionei você. Só me deixa te mostrar o quanto hoje ainda pode ficar melhor.
— Eu ainda serei virgem amanhã de manhã? – brinquei, mas estava evidente na minha voz que todo aquele pensamento me deixava nervosa. Eu ainda não estava pronta e minhas mãos estavam começando a tremer. Minha boca de repente havia ficado seca também.
— Eu prometo que não vai rolar sexo. – ele me garantiu e se aproximou, pegando minhas mãos. – Jesus, você está gelada! A ideia de ter uma noite quente comigo te deixa tão apavorada assim? Você está ferindo meu ego.
— Não é isso, é só... – eu me apressei em explicar, mas Tobias foi mais ágil e me beijou, fazendo-me calar a boca e perder o fôlego.
Ele beijava tão bem. Era doce, calmo, paciente e gentil. Ele acariciava meu rosto enquanto sua língua traçava a minha e uma de suas mãos alisava meu cabelo. Eu amava essa versão do Tobias que ele era comigo. Não aquele homem arrogante que eu tinha conhecido quando cheguei aqui. Eu estava certa: ele tinha mudado e estava muito diferente. Porém, Tobias também estava certo: Miami havia me mudado. Ou melhor, ele havia me mudado. Eu me sentia mais feliz, mais madura e mais confiante da pessoa que eu era.
Era como se pela primeira vez, desde que minha mãe me deixou, eu estivesse encontrando meu lugar.
— Eu nunca vou cansar disso, Deus me ajude. – ele sussurrou contra minha boca antes de se afastar um pouco e olhar para mim. – Eu te prometo que você não vai se arrepender.
— Então o que estamos esperando? – eu sorri e ele segurou minha mão, enquanto me conduzia até o carro.
Quando Tobias me pôs no banco do carona, atacou meu cinto de segurança e me beijou castamente, me peguei sorrindo quando ele fechou a porta. Eu ainda duvidava de que isso pudesse ser real. De que Tobias Eaton estava me levando para sua casa e de que passaríamos uma noite juntos. Eu não sabia como me sentia em relação a isso: era uma mistura de ansiedade, felicidade e medo. Tobias era um poço de mistério e eu não fazia ideia do que faríamos, já que ele prometeu não haver sexo.
A ideia de fazer sexo com ele me queimava por dentro. Eu sentia minhas pernas ficarem fracas, o meu peito arfar e minhas mãos tremiam. Eu também sentia aquele calor no meio das pernas e deduzia que minha calcinha provavelmente estava molhada agora. Eu sentia um pouco de vergonha por ser tão inexperiente, mas não podia negar que estava amando descobrir tudo isso, porque eu estava.
— Se vai ficar com essa cara toda vez que eu te beijar, acho que vou fazer muitas vezes a partir de agora. – Tobias riu enquanto conduzia o carro até a estrada familiar que dava na sua casa e estendeu a mão para segurar a minha.
Eu aceitei.
O painel do carro ligado ao celular de Tobias acendeu e o nome de Nita apareceu no visor, seguido de um toque de chamada. Eu tentei não ficar nervosa com isso, mas por instinto tirei a minha mão da de Tobias e desviei o olhar para a janela. O telefone ainda insistia em tocar e o barulho ecoava por todo carro.
— Atende. – eu falei, odiando o gosto na minha boca. – Ela provavelmente precisa de você.
— Não, ela não precisa. – ele disse firme, apertando o botão recusar mais uma vez. – Tris.
— Você vai ficar atormentado se não atender. Eu não quero ser o motivo pelo qual você se arrependerá.
— Eu vou ficar atormentado se você ficar comigo desse jeito. – ele desviou o olhar da estrada e olhou rapidamente para mim. – Eu fui tão sincero em tudo o que eu disse hoje, Tris. Porra, o que eu tenho que fazer para enfiar na sua cabeça de uma vez por todas? Por que você não consegue pegar a porra da dica quando ela está tão óbvia?
— O que?
— Que eu quero você, Tris. – ele suspirou, cansado daquele discurso. – Eu sinto algo por você. Eu ainda não sei o que é, mas está aqui. Me consome por dentro, porque tudo em mim se sente atraído por você de alguma forma. Você me tem. E eu não sei mais o que fazer para te provar que eu não vou voltar para a minha irmã até que ela pare de ser uma cadela. Eu já te falei, Tris.
Ele balançou a cabeça negativamente e voltou-se para a estrada. Nita não ligou novamente e eu me encolhi no banco do carro. O que eu deveria dizer a ele? Dar a garantia de que estava tudo bem? Não estava tudo bem! Tobias tinha se tornado muito mais do que uma simples pessoa na minha nova vida. Eu não suportaria se ele me deixasse pela irmã novamente. Nita nunca me aprovou e agora não aprovaria mesmo. Era egoísta que eu o tivesse fazendo escolher entre eu e a própria irmã?
Tobias estacionou o carro na garagem da sua casa e deu a volta para abrir a minha porta. Nós tínhamos vindo o resto do caminho em silêncio e eu estava começando a achar que aceitar passar a noite com ele tinha sido uma péssima ideia. Eu desejava não ter perdido a conexão que nós tínhamos há alguns minutos. Eu tinha torcido tanto para essa noite dar certo que não percebi que quem colocou tudo a perder fui eu.
Quando soltei meu cinto de segurança, Tobias abriu minha porta e me ajudou a descer. Assim que travou o carro, ele me prensou contra o mesmo e atacou minha boca num beijo urgente. Suas mãos apertaram minha cintura quando ele mordeu meu lábio inferior.
— Você precisa confiar em mim, Tris. – Tobias acariciou minha bochecha e eu enterrei meu rosto em seu ombro quando ele me abraçou. – Para essa coisa entre nós dar certo, você precisa confiar em mim. Eu não vou machucar você de novo. Eu prometo.
— Tenho medo. – confessei ainda sem olhar nos olhos dele.
— Eu sei, eu também tenho. – ele me disse e eu podia sentir o sorriso na sua voz enquanto ele ainda me abraçava. – É novo para mim também. E eu sei que você se sente como se eu fosse dar um passo em falso toda vez que minha irmã surge entre nós. Você tem medo de que eu possa ser como antes e acabar te machucando, Tris. – ele beijou minha testa e segurou meu queixo para que eu pudesse olhar para ele. – Acontece que eu também tenho medo de você me deixar, de você ver que eu não valho à pena. Eu fico esperando você se dar conta de que eu não te mereço e a qualquer minuto desistir da gente. Eu não posso negar a atração que sinto por você e sei que não é só isso. Eu só preciso que você fique comigo tempo o suficiente para que eu possa descobrir o que mais é e então ficar comigo depois disso também. A gente precisa se arriscar, Tris. Aposto que no final vai valer à pena.
— Você quer arriscar as coisas comigo? – eu perguntei fitando seus lindos olhos azuis.
— Eu nunca quis tanto uma coisa na vida como quero isso. – ele sorriu, então me beijou mais uma vez.
Eu poderia me acostumar com isso. O beijo de Tobias desta vez era calmo e paciente. Ele explorava minha boca com certa delicadeza, enquanto uma mão sua repousava na minha cintura e a outra afagava meus cabelos. Eu me entreguei a ele fechando os olhos e desfrutando seus lábios, enquanto ele diminuía o ritmo e roçava seu nariz no meu queixo e em seguida meu pescoço.
Um arrepio percorreu minha espinha e eu estremeci, segurando seus dois braços para não me desequilibrar.
— Está frio aqui fora. – eu sorri quando Tobias afastou um pouco seu rosto do meu.
Ele riu.
— Sim, claro, vamos entrar. – ele beijou minha testa e segurou minha mão enquanto caminhávamos até a entrada principal da casa.
Eu travei quando chegamos até a porta. A última vez em que eu tinha estado aqui, meu corpo estava coberto de hematomas no dia seguinte. A surra de Shauna era ainda uma memória viva e estar aqui, mesmo que em diferentes circunstancias, me dava arrepios. Eu sabia que aqui também tinha sido meu lar uma vez por um curto tempo, mas não conseguia apagar todas as humilhações que eu tinha sofrido aqui.
— Eu sei. – Tobias apertou minha mão e virou-se para mim. – A casa te traz lembranças ruins, mas você precisa lembrar das coisas boas também, Tris. Nossa tarde com as crianças na piscina. Nosso jantar na varanda. O primeiro beijo na piscina. Isso não vale?
— Você se lembra. – eu sorri com a memória.
"Quando eu enlacei minhas duas mãos em volta do seu pescoço, Tobias agarrou minha cintura e me puxou para seu colo, sem interromper a sincronia das nossas bocas. Meu coração estava a ponto de sair pelo meu peito de tão forte que batia. Ele agora estava exigente, chupando fortemente meu lábio inferior, enquanto eu suspirava para recuperar meu fôlego.
— Puta que pariu, Tris. – Tobias falou, enquanto passava o nariz pelo meu pescoço. – Quero provar essa boca desde o dia em que você pôs os pés na minha sala. – ele tomou meus lábios novamente."
— O primeiro beijo a gente nunca esquece. – ele riu e piscou para mim fazendo com que a tensão aos poucos começasse a se esvair.
— Obrigada.
— Pelo quê? – ele me olhou com curiosidade.
— Por me fazer sentir melhor. Acontece que tenho muitas lembranças boas daqui também.
— A casa não é mais a mesma desde que você foi embora. – ele me disse com um sorriso triste, enquanto movia a mão para abrir puxar a maçaneta. – Ela mudou quando você chegou e depois mudou de novo quando você saiu.
— Eu acho que ainda não estou pronta para voltar para cá. – eu confessei. Me sentia muito confusa em relação a mudança drástica que estava acontecendo. Eram muitos sentimentos surgindo de uma só vez. Eu estava assustada.
— Tudo bem. – ele sorriu e fechou a porta atrás de nós quando entramos. – A gente vai dar um passo de cada vez como um casal normal. Eu vou esperar até que você esteja pronta.
Eu não contive o sorriso que surgiu nos meus lábios.
— Nós somos um casal? – eu perguntei ainda sorrindo.
— Só depende de você.
— Eu acho que soa bem. – respondi e Tobias deu um passo em minha direção, fazendo com que eu desse um para trás e encostasse-se à porta. Ele pôs as mãos na parede em cada lado meu na altura do ombro e aproximou seu rosto.
— Você sabe o que os casais fazem, não sabe? – ele perguntou com um olhar repleto de malicia, desejo e paixão, enquanto aproximava sua boca e beijava meu pescoço. Eu fechei os olhos e balancei a cabeça negativamente apenas para incitá-lo. Eu amava essa versão de Tobias Eaton. Eu não culpava as garotas que aceitavam dormir com ele apenas por uma noite. O homem era um fascínio. – Então eu irei ensiná-la.
E ele assim o fez.
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