Notas iniciais
Olá, meus amores, como vocês estão?! ♥ Bem, eu tentei mandar mensagem de Feliz 2016 para todas as pessoas que já comentaram na fic (desde o primeiro capítulo até agora), só que não estava indo. Deu erro e eu tentei por dois dias, mas não foi. Enfim, só desejo que possamos estar todos juntos aqui nesse ano e que vocês tenham muito dinheiro, saúde e sucesso! Queria agradecer as lindas jewfic e maribsousa que fizeram lindas recomendações. Eu não podia começar 2016 melhor do que dessa forma. Muito obrigada mesmo por reconhecerem meu esforço e potencial que a fic tem. Vocês são demais!!! Espero que gostem do capítulo! Os vejo nas notas finais ♥ FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323

BEATRICE PRIOR

Eram sete e vinte da manhã e eu já estava preparando bandejas e organizando a cozinha. Peter havia estado aqui há dez minutos e nos havia falado que hoje seria um inferno, pois além de trabalharmos servindo as mesas e os golfistas lá fora, os responsáveis pela decoração chegariam depois do almoço e teríamos que ajudar nisso também. Sem contar que durante a noite teríamos a festa dos sócios e nós trabalharíamos ainda mais. Mal tinha começado o dia e eu já me sentia cansada. Se o clube não me pagasse tão bem, eu já teria tido outro emprego. Eu precisava de dinheiro para conseguir voltar para Chicago e me manter segura até arranjar outra coisa por lá e era isso que eu estava fazendo.

Esperava que pudesse dar tempo de ver Hector hoje. Eu estava tão preocupada. Ainda não tinha pego de volta o celular que eu tinha ganho de Tobias e eu não tinha notícias de nenhum dos dois. Eu não sabia o que fazer em relação a ele. Mesmo tendo dito que não o daria outra chance, a ideia de ficar sem ele partia meu coração. Eu queria estar com ele. Ele era a única pessoa com quem eu me imaginava tendo um futuro.

– Tris? – eu ouvi a voz de Gabe me chamar.

Eu levantei meus olhos e olhei para o moreno em minha frente.

– Sim? – eu falei, vendo um leve sorriso tomar os lábios de Gabe.

– Você está tão distraída. Eu detesto chamar sua atenção, mas nós precisamos estar focados hoje. Temos muito trabalho e pouco tempo para fazer.

– Sim, claro. – eu concordei e peguei a bandeja de fruta nas minhas mãos. – Eu vou começar com o salão. Abrimos em dez minutos e esse lugar está sempre cheio. Ainda mais no verão.

– Boa garota. – ele beijou minha bochecha e voltou para o fogão.

Eu andei até o restaurante no salão e pus a bandeja de frutas em uma das grandes mesas de self-service, então ouvi passos atrás de mim e a voz de Peter me chamou.

– Tris, você pode me acompanhar até minha sala, por favor? – tinha gentileza em sua voz, mas eu não pude deixar de pensar se tinha feito algo errado. Eu nunca tinha ido a sala de Peter. Uma vez fui até a sala do pai dele, mas somente para preencher a papelada do meu contrato. Fora isso, só tinha estado no salão e no campo ou na cozinha e o pensamento de estar na mesma sala que o meu chefe me deixava muito nervosa.

– Sim, claro. – eu limpei minhas mãos no tecido da minha saia mais por hábito a que sujeira, então segui Peter pelos corredores.

– Você está tensa. – ele disse quando paramos em frente à sua porta. – Relaxe. Você não fez nada de errado. É a minha melhor funcionária, não tem com o que se preocupar. – ele destrancou e me deixou entrar primeiro, até que fechou a porta e andou até sua cadeira, sentando-se nela e em seguida apontou para a cadeira à frente do seu birô. – Sente-se.

Eu fiz como ele me pediu e esperei que ele falasse.

– Bom, como você sabe, hoje teremos um grande evento no clube e eu estou precisando do maior número de funcionários possíveis. – ele começou e eu torci as mãos no meu colo, temendo o que estava por vir. – Só que eu não quero que você esteja servindo. Quero que venha como minha acompanhante.

Eu engasguei com a minha própria saliva e arregalei meus olhos para Peter sem emitir qualquer som. Minha voz tinha sumido e eu não acreditava que ele estava falando sério.

– Qual é, eu já dei em cima de você outras vezes, não faça essa cara. – ele abriu um grande sorriso para mim. – Eu vou largar você mais cedo para que possa ir até o orfanato e ter tempo para se arrumar. Eu quero que você me acompanhe hoje à noite. É um evento importante para mim e eu só consigo pensar em você comigo.

Eu balancei a cabeça. Isso não estava acontecendo. O filho do meu chefe queria sair comigo?

– O que seu pai vai achar disso? – eu falei tão baixo que foi quase um sussurro.

Peter achou engraçado.

– Ele não vai se importar, acredite em mim. Aliás, ele não está nem na cidade. Precisou viajar para fazer mais uma aliança e não estará aqui no evento, então eu irei representa-lo. Por favor, venha comigo.

– Eu não posso. – balancei a cabeça mais uma vez. – Não tenho nada adequado para vestir. Vai ser constrangedor. Você viu como foi desastroso da última vez que tentei me misturar e eu não quero sofrer isso de novo. É humilhante.

– Eu imaginei que fosse dizer isso. – ele se levantou a cadeira e trouxe consigo uma grande caixa branca nas mãos. – Então, eu mesmo cuidei disso. É seu. Abra-o.

Ele me entregou a caixa e eu franzi minha testa, não entendendo onde ele queria chegar com aquilo, mas fazendo o que ele me pedira e abrindo a caixa. Havia um tecido preto dobrado. Eu o peguei e levantei em minhas mãos, me deparando com um longo vestido de festa. Ele tinha alças finas cobertas por pequenas pedrinhas, então seu busto até a cintura era liso, mas à medida que ia descendo, as pedrinhas apareciam novamente e iam até a bainha do tecido, deixando-o brilhante, mas ao mesmo tempo simples. Era simplesmente fantástico. O vestido mais bonito que eu já tinha visto em toda minha vida e eu sequer tinha ideia do quanto custava, mas sabia que tinha sido caro.

Eu não podia ficar com ele.

– Não posso aceitar. – eu o pus de volta na caixa. – É maravilhoso, mas deve ter custado uma fortuna e eu não posso pagar por isso.

– Qual é, eu vi o brilho nos seus olhos quando olhou para ele. Eu não me perdoaria se te cobrasse algo por isso. É seu. Considere um presente de aniversário adiantado. – ele sorriu mais uma vez.

Eu não pude evitar meu sorriso também.

– Eu não o aceitaria, mas ele é tão bonito que não sei se consigo recusar. – eu ri e fechei a caixa. – Obrigada.

– Não me agradeça. Eu sei que vai valer à pena. – ele piscou para mim. – E a propósito, gostaria que você usasse suas sandálias prateadas. Eu já vi você com elas e você fica incrível. Elas são lindas.

– Obrigada. – eu me levantei. – Eu estarei aqui às sete.

– Esperarei por você. – ele me acompanhou até a porta.

– Obrigada pelo vestido mais uma vez, Peter. Eu vou recompensar você com trabalho. Posso vir aqui quando for minha folga.

– Nem ouse fazer isso ou eu demito você. – ele riu. – Ter você como minha acompanhante já é minha recompensa.

Ele me dispensou com um beijo na bochecha e eu voltei até a ala dos funcionários, pondo minha caixa com o vestido dentro do meu armário e fechando a porta. Mal podia esperar para contar a Christina. Ainda não tinha certeza se vir hoje à noite com Peter tinha sido uma boa ideia, mas eu queria experimentar algo diferente. Estava cansada de sempre estar triste e eu queria me divertir hoje à noite. Não queria pensar em Tobias e sentir saudades dele; estava farta disto também. Eu detestava estar usando Peter como uma distração, mas se eu tentasse com ele, talvez pudesse pensar nele como eu pensava em Tobias. Peter era bom comigo. Ele merecia uma chance.

Voltei para cozinha no mesmo instante em que Chris entrou pela outra porta com uma toalha de rosto secando o suor da sua testa.

– Vocês têm sorte de estarem aqui dentro. Lá fora está quente para caralho e eu tive o desprazer de ver o Sr. Bonnet mijando no buraco treze. Como ele pode ser tão nojento? – ela fez uma careta, pegando uma garrafinha de água e bebendo-a em cerca de segundos. – Você é uma puta sortuda! – ela apontou para mim com um sorriso no rosto.

– Não. Acontece que eu já vi ele fazer isso um monte de vezes. – eu ri também. – Tenho algo para contar a você.

– Ótimo, porque eu também tenho. – ela começou a andar em minha direção, mas parou ao ouvir a voz de Gabe.

– Vocês duas podem conversar depois. – ele disse. – Christina precisa voltar para o campo e Tris tem que atender às mesas. Sem contar que você também precisa ensinar a Marlene como servir. Ela foi contratada hoje e vai nos ajudar à noite.

Chris revirou os olhos, enquanto Marlene dirigia um sorriso doce para mim. Eu já tinha gostado dela.

– Você fica tão resmungão pela manhã. É uma merda. – Christina falou com desprezo, enquanto se virava e saía pela porta que dava para o campo.

Gabe apenas a ignorou e continuou cozinhando.

Eu me voltei para Marlene.

– Você está pronta? – eu perguntei, tirando meu bloquinho de notas do bolso do meu uniforme e pegando o lápis.

– Sim. – ela fez a mesma coisa e sorriu para mim. – Eu aprendo rápido.

– Isso é bom. – eu sorri para ela e nós caminhamos até o salão.

O lugar mal tinha aberto e já estava lotado. Eu me impressionava cada dia pela grande movimentação do clube. Para ser sócio daqui você pagava muito caro, mas as pessoas não pareciam se importar. Elas só estavam interessadas nas piscinas, no campo de golfe e na comida maravilhosa que Gabe cozinhava. Era um lugar agradável de estar, mas era cansativo trabalhar aqui. Nós estávamos o tempo todo se movimentando.

– Vamos começar por aquela mesa. – eu apontei, dizendo à Marlene. – Eu vou com você para te auxiliar, mas você quem falará com eles. Pergunte em que pode ajuda-los e o que vão querer para beber ou comer. Geralmente eles pedem primeiro a bebida para depois decidir o que vão querer para comer. Está pronta?

– Sim. – ela assentiu.

Nós andamos até a mesa dos meninos e os olhos de Uriah brilharam em diversão quando ele me viu. Will estava carrancudo. Zeke estava distraído. Peter ainda não tinha se juntado a eles. A mesa estava estranha.

– Não se preocupe se eles azararem para cima de você. – eu sussurrei no ouvido de Marlene. – São inofensivos.

– Ok. – ela assentiu mais uma vez e voltou-se para os meninos. – Bom dia! Em que posso ajuda-los?

Os meninos puseram os olhos nela e as expressões mudaram rapidamente. Zeke parecia encantado. Will, embora estivesse ainda carrancudo, a olhava com um brilho nos olhos. Uriah parecia estar envolto em outra dimensão; ele estava fascinado. Eu não culpava nenhum dos dois. Marlene era loira, com ondulações perfeitas no cabelo. Ela era baixa, assim como eu, mas seus olhos eram azul cor de piscina. Ela era linda.

– Meu Deus, eu acho que vou beijar Peter. – Uriah disparou, ganhando olhares surpresos dos outros dois garotos. – Onde diabos ele consegue garotas tão bonitas?

– Eu não sou daqui. – Marlene respondeu, olhando ternamente para Uriah. Ela tinha gostado dele também. – Vim do Alabama com meus tios. Eles vão passar o verão aqui e eu pensei que talvez pudesse arranjar um emprego. Não que você precise saber sobre a minha vida chata, aliás, eu não sei nem mesmo porque eu estou te dizendo isso. Talvez eu tenha gostado de você, quer dizer, você é bonito. Quero dizer, vocês todos são lindos demais... – ela suspirou, atrapalhada. – Eu acho que vou parar de falar.

Eu ri da sua atrapalhada tentativa de ser legal com os meninos e não pude evitar gostar ainda mais dela. Ela era tão fofa.

– Você é adorável. – Uriah suspirou.

– Tudo bem, meninos, parem de constrangê-la. O que vocês vão pedir desta vez?

– Eu vou querer uma dose de uísque. – Zeke disse carrancudo, olhando para algo atrás de mim. – Preciso esquecer umas merdas e quero ficar bêbado.

– Não acha que é cedo demais para uma bebida tão forte? – eu perguntei, anotando mesmo assim o pedido de Zeke.

Ele deu de ombros.

– E você, Will?

– Eu vou querer uma Corona. – ele disse, voltando a ficar carrancudo. Ficou claro que eles não estavam de bom humor.

– Tudo bem. – eu disse. – Uriah?

– Eu quero ela. – ele disse olhando para Marlene. Ela tinha vermelho agora no seu rosto.

Marlene olhou para mim como um pedido de socorro silencioso. Eu sorri.

– Uriah. – repreendi, chamando-o a atenção. – Você está deixando-a nervosa. O que vai querer beber?

– Café preto. – ele olhou para mim. – Estou tendo um dia maravilhoso e não vou estragar isso ficando bêbado.

– Garoto esperto. – eu pisquei para ele, anotei os pedidos e saí para a próxima mesa, sendo seguida por Marlene.

– Não posso voltar lá. – ela gemeu. – Eu fui péssima, não fui? Será que eu vou ser demitida? Meu Deus, isso não pode acontecer. Meus tios estão precisando de dinheiro e eu não quero ser um encosto para eles. Isso seria tão humilhante. Eu não sei o que aconteceu lá, mas eles me deixaram muito nervosa. Eu já tinha ouvido falar que aqui tinham muitos caras bonitos, mas eles são simplesmente... Uau. Uriah é tão lindo. E fofo. E eu não sei porque eu gostei tanto dele, mas ele tem um belo sorriso. Os olhos são divertidos e ele... Eu vou parar de falar.

– Marlene, apenas relaxe. Eu não vou deixar você voltar lá se isso te apavora tanto e você não vai ser demitida. Apenas se concentre. Nós trabalhamos duro aqui e precisamos dar o nosso melhor para manter o emprego.

– Sim, certo. – ela concordou.

Fomos até a próxima mesa e eu deixei que Marlene assumisse o controle. Ela não estava errada: ela aprendia rápido e era excelente. Seu carisma foi conquistando mesa por mesa e ela era doce e gentil com todos os clientes. Alguns garotos a deixaram nervosa, mas nada comparado ao desastre com Uriah. Ela se saiu bem com todos eles, recebendo as cantadas, mas não dando importância e sendo muito profissional.

Peter iria gostar de ter uma funcionária engraçada e competente quanto ela.

Quando estávamos nos movendo até a cozinha para buscar os pedidos, vi Marlene congelar olhando para a porta principal do salão.

– Ai caramba, aquele é o Quatro da The Lost?! – ela disse, engasgando com a própria saliva. – Ai meu Deus, eu não acredito! Ai meu Deus, eu vou surtar!

Eu virei minha cabeça para olhar na direção que ela estava olhando e quase perdi o fôlego quando o vi. Ele vestia uma camisa polo branca com um short cáqui, o típico uniforme de golfe. Ficava ridículo na maioria dos garotos, mas até mesmo isso em Tobias era esplêndido. Era injusto que alguém fosse tão bonito assim. O cabelo dele estava meio úmido e os olhos estavam cobertos pelo óculos aviador que ele usava. Ele ficava tão sexy quando colocava esses óculos, embora eu gostasse de olhar a imensidão azul que ele escondia por trás dele.

– Eu não vou conseguir servi-lo. Vou ser um desastre. Você pode ficar com ele? – Marlene praticamente me implorou, enquanto saíamos do nosso transe e voltávamos para a cozinha.

– Ele provavelmente irá sentar com os meninos, então irei servi-lo de qualquer forma. Não se preocupe.

– Ele é amigo de Uriah, Zeke e Will? – ela perguntou admirada.

– Pelo que eu sei, eles cresceram juntos aqui em Miami.

– Eu só posso estar sonhando. – Marlene riu, enquanto beliscava a si mesma para acreditar que aquilo era real.

Eu ri também.

– Não é tão divertido quanto você pensa. Na maioria das vezes, quando sabem que ele está aqui, isso vira uma bagunça. Acredite em mim, já passei por isso e não é nada legal. – falei, enquanto colocávamos os pedidos nas nossas bandejas.

– Você já falou com ele?

– Na verdade, eu já morei em sua casa. – eu disse como se não fosse grande coisa apenas para ver a reação de Marlene.

– Não brinca! – ela quase deixou cair a bandeja, enquanto me olhava com curiosidade e surpresa. – Vocês já namoraram?!

– Não! – eu respondi imediatamente. – Você entendeu errado. Eu não morei com ele por esse motivo. Na verdade, meu pai é casado com a mãe dele.

– Então você faz parte da elite de Miami também? – ela perguntou confusa. – Não entendo. Por que trabalha de garçonete servindo sua família?

– Eles não me consideram da família e eu não preciso do dinheiro deles. – eu peguei minha bandeja. – É uma longa história. Eu posso contar a você quando não estivermos tão ocupadas.

– Eu vou adorar ouvir. – ela riu.

Pegamos nossas bandejas e partimos de volta ao salão, servindo todas as mesas. Quando nos separamos e eu andei até a mesa dos garotos, Tobias pousou seus olhos em mim. Senti um frio na minha barriga e um calor no meio das pernas. Era uma sensação tão nova e ao mesmo tempo tão constrangedora. Eu já tinha lido a respeito e minha mãe havia me explicado antes de morrer. Eu também tinha me sentido assim quando deixava as coisas irem um pouco longe com Al, mas nada era tão intenso. Bastava apenas olhar para Tobias que eu já me sentia assim.

– Aqui estão as bebidas, rapazes. – eu ignorei o tremor na minha voz e servi Uriah, Zeke e Will. – O que vai querer pedir, Tobias? – eu fiquei feliz em soar tão profissional. Embora eu sentisse sua falta, eu estava chateada pela noite passada e não estava disposta a lhe dar outra chance, mesmo que meu coração doesse ao pensar na ideia de ter pedido a pessoa que eu aprendi a amar.

– Você tem um minuto? – ele me perguntou. Eu odiava quando ele fazia isso. Eu estava no trabalho e nós dois acabávamos fazendo uma cena. Era ridículo.

– Você sabe que não. – eu respondi. – Estou trabalhando.

– Tris...

– Ela está trabalhando. – a voz de Peter veio de trás de mim. – Não incomode minha funcionária, Tobias.

Eu estremeci ao tom duro que ele usou. Aparentemente, Peter e Tobias não se davam muito bem.

– Tris, será que você pode me trazer uma água com gás? – Peter pediu gentilmente.

Eu assenti e olhei para Tobias.

– Nada para mim, obrigado. – ele me encarou.

Eu praticamente corri em direção à cozinha para pegar a água de Peter. Aproveitei e tomei uma longa respiração. Enfrentar Tobias depois de tudo que tinha acontecido era difícil, mas enfrenta-lo na frente de Peter era ainda pior. Eu não sabia o que se passava na cabeça deles, mas eles pareciam ter uma rixa.

Peguei a água de Peter e mais alguns pedidos e pus na minha bandeja, voltando ao salão para servir os clientes. Não estava nem na metade do meu turno e eu já me sentia acabada. Estava grata por Peter ter me convidado para ser sua acompanhante. Ao menos eu não teria que passar pelo mesmo inferno durante esta noite. Eu estaria pela primeira vez do outro lado da divisão social do clube. Não sabia se ficava feliz ou apavorada.

Quando voltei à mesa de Peter, Tobias não estava mais lá. Eu suspirei em alivio e servi os meninos, enquanto tentava me distrair da confusão que envolvia o filho da nova mulher do meu pai. Quando meu mundo tinha ficado tão diferente? Eu tinha a sensação de ter dado um giro de 360º graus na vida ao ponto de não me reconhecer mais.

Continuei com meu trabalho até que deu uma hora da tarde e nós fizemos nosso intervalo. Encontrei Tris no segundo em que entrei na cozinha e ela parecia acabada. O suor fez com que seu cabelo e sua roupa grudasse em seu corpo e ela estava ofegante. Eu sabia que trabalhar lá fora era bem pior a que ficar aqui dentro. Ao menos no salão nós tínhamos ar-condicionado.

– Só eu estou achando que isso aqui é o inferno? – ela perguntou, pegando a sua toalhinha e enxugando-se.

– Eu diria que aqui tem sido pior, mas você parece um lixo. – eu brinquei, enquanto pegava o meu almoço e me sentava ao balcão na ala dos funcionários.

– É para isso que servem as amigas. – ela me mostrou o dedo do meio e sentou ao meu lado, retirando a embalagem da sua comida.

– Tenho algo para te contar. – nós dissemos ao mesmo tempo.

– Você primeiro. – eu falei para Christina, enquanto comia do meu almoço.

– Ok. – ela mastigou antes de falar. – Fui dispensada hoje à noite. Uriah me convidou para vir a festa.

– Não brinca! – eu exclamei. – Chris, isto é incrível!

– Eu sei. – ela riu. – Ele é legal e muito doce. Talvez ele mereça uma chance. Estou cansada de correr atrás de quem não me quer. Eu amo Will, mas não quero amá-lo. Quero ser feliz. Quero ser amada na mesma medida. Não é pedir muito, né?

– Claro que não. – eu ri. – Estou tão feliz por você!

– Eu também. Não vou precisar trabalhar nesse inferno duas vezes ao dia. – ela deu de ombros e levou mais comida à boca. – Sua vez.

– Ok. – eu bebi um pouco do meu suco antes de falar. – Fui dispensada também. Peter me convidou para ser sua acompanhante hoje à noite.

Chris se engasgou.

– Não brinca! Oh meu Deus, Tris, isso é maravilhoso! – ela gritou e bateu palminhas. – Espera, você vai sair com o nosso chefe? Isso é um golpe baixo. – Christina brincou.

– Ele não é nosso chefe, o pai dele é. – dei de ombros. – Eu não iria aceitar, mas ele foi muito persistente, e bem, você sabe como os garotos daqui têm seu jeito.

– Você está vermelha! – ela zombou e mastigou mais um pouco. – E quanto a Tobias?

– O que tem? – eu tentei desconversar como se isso não fosse importante.

– Nem tente isso comigo. – ela semicerrou os olhos para mim. – Como você sente?

Eu nem tentei mentir para Christina; ela era ótima em ler as pessoas.

– Eu acho que desta vez foi para valer. – disse, de repente me sentindo extremamente triste. – Ele tinha me dito coisas tão bonitas e em seguida correu para irmã. Eu entendo que ele a ama, mas ele é tão cego. Eu não posso simplesmente aceitar ser segunda opção. Ainda mais quando Nita me odeia. Não posso deixar que ele me machuque ainda mais.

Eu não percebi que estava chorando até me dar conta de que minha bochecha estava molhada pelas lágrimas. Eu apenas desabafei.

– Sinto muito, Tris. – Chris soou sincera.

– Obrigada. Eu vou ficar bem. – dei de ombros, limpando meus olhos e voltando para a minha comida.

– Aposto que vai perdoá-lo. – Chris sorriu.

– Eu acho que já o fiz. – suspirei. – É da minha natureza, não tenho como evitar. Só acho que não voltamos a ser o que éramos antes do que Nita fez.

Chris concordou com a cabeça, mas não disse mais nada e nós terminamos de comer em silêncio. Como eu tinha sido liberada durante a tarde para visitar Hector no hospital, fui até os fundos e usei o banheiro dos funcionários para tomar um banho e tirar o suor do meu corpo. Pus meu par de roupas que tinha usado de manhã e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo.

Esperei até que Christina estivesse limpa também para nos despedirmos dos outros funcionários. Quando o fizemos, fomos até a minha picape e eu dirigi até o orfanato. Chris conversou comigo sobre coisas banais como por exemplo o que ela iria vestir hoje à noite, o que iria calçar e a dúvida cruel se usaria ou não calcinha. Eu ri alto quando ela falou que não iria usar porque há tempos que ela não transava. Chris era bem franca quanto ao que dizia e eu sabia que, apesar do tom brincalhão, ela falava sério.

Chegamos ao orfanato e eu parei bruscamente quando vi Tobias com a pequena Lou em seus braços parado na porta.

– Jeanine está com Hector no hospital. Hoje eu estou com as crianças e eu vou precisar de vocês duas. – ele olhou para mim com culpa. – Eu sinto muito. Eu sei o quanto você queria ir vê-lo, mas Jeanine ainda não tinha estado com ele e eu não pude interferir.

Eu assenti.

– Tudo bem, eu entendo.

– Ótimo. – ele concordou e entrou.

Tobias estava diferente. Sua fala não era mais mansa quando ele se dirigiu a mim. Ele tinha mudado seu tom de voz; não se parecia nada com o cara que havia me pedido um segundo de minha atenção. Meu coração partiu em decepção. Ele tinha desistido tão rápido assim? Havia recebido apenas um “não” e já tinha dado um passo para trás como se tudo que aconteceu entre nós não significasse nada? Esse não era o Tobias que eu conhecia.

A tarde no orfanato passou mais lenta do que eu gostaria. Tobias tinha evitado a todo custo olhar para mim. Ele não tinha falado comigo também. Ele raramente ficava no mesmo cômodo que eu estava. Ele também não tinha soltado a pequena Lou. Ela o seguia por toda parte e eles se divertiam juntos. Eu o vi ler histórias para ela e até mesmo brincar de chá da tarde, enquanto ouvia as gargalhadas dos dois.

Meu coração se encheu de amor pelos dois e ao mesmo tempo se apertou com um pouco de ciúme. Eu amava Lou também e me senti deixada de lado. Tobias tinha mudado comigo. Pela manhã, ele tinha sido o Tobias que eu amava. Doce e preocupado comigo; louco pela minha atenção. O cara que beijava o chão que eu pisava. Mas então, agora a tarde, ele estava completamente fechado. Era como se tivéssemos voltado para meses atrás quando eu pisei em sua casa e ele me tratou como uma vagabunda. Seu olhar em mim era frio e ele estava evitando cruzar comigo.

O desprezo que ele estava dando a mim machucava tanto que eu só queria ir para casa, deitar em posição fetal até ficar desidratada de tanto chorar.

Quando o relógio bateu cinco e meia, Jeanine voltou ao orfanato, mas ainda sem Hector.

– Onde está Hector? – Tobias perguntou antes de mim parecendo preocupado.

– Uma das voluntárias que nos ajuda pediu para ficar com ele esta noite. Parece que o menino é muito amado. – ela riu.

– Tenho certeza que sim. – Chris sorriu.

– Vocês estão liberados por hoje. – Jeanine disse, pegando Lou dos braços de Tobias, que agora estava adormecida. – Ouvi dizer que os três têm um evento para irem hoje e eu não quero ser a culpada pelo atraso de vocês. – ela riu, e em seguida acenou com a mão, nos mandando ir embora.

Tobias apenas deu um tchau para Jeanine e um aceno de cabeça para Christina, antes de ligar sua moto, colocar o capacete e dar a partida. Ele tinha me ignorado mais uma vez. Eu só esperava dar tempo de chegar em casa até que eu desmoronasse. Eu não queria chorar por ele na frente de Christina.

– Dê um tempo a ele. – ela me aconselhou, enquanto nós duas entrávamos na picape. – Ele me disse que Peter lhe contou que iria leva-la hoje à noite e mais umas coisas que ele não quis me contar. Ele está apenas lidando com o fato de que a fila andou para você.

Eu liguei o motor e dei a partida em direção ao trailer de Chris.

– Eu não estou em outra. – respondi, forçando a me concentrar na estrada. – Peter e eu somos apenas amigos.

– Sim, sei. – eu podia sentir seu sorriso. – Aposto que ele não pensa dessa forma.

Eu não disse mais nada, apenas me concentrei em dirigir. Chris também não falou e eu sabia que ela estava se esforçando para não fazê-lo. Isso só me fez amá-la ainda mais. Chris estava respeitando meu espaço de lidar com a rejeição de Tobias.

Pensar nele me deu mais vontade de chorar.

Por fim, chegamos ao trailer. Tomei tempo o suficiente apenas para pegar minha bolsa e o vestido que tinha ganho de Peter, antes de entrar e correr para o banheiro, fechando a porta e desabando em lágrimas.

– Tris... – Chris soou do outro lado.

– Eu vou ficar bem. – solucei. – Apenas me dê um minuto.

– Certo. Eu vou buscar a maquiagem, a chapinha e o secador. Nós vamos ficar bonitas hoje.

Eu assenti, mesmo sabendo que ela não podia me ver, então ouvi seus passos se distanciarem de mim e eu me permiti chorar sem julgamentos. Meu coração estava partido e nem mesmo a surra que eu tinha levado de Shauna doía tanto quanto a rejeição de Tobias. Era algo que eu não sabia como lidar e eu estava chorando por isso também. Queria a minha vida simples de Chicago, onde não havia ex-estrelas do rock que roubavam meu coração.

Chris bateu na minha porta.

– Tudo bem, você já teve tempo demais para chorar. Agora tire sua bunda daí que eu vou deixar você de tirar o fôlego.

Eu fiz o que ela me pediu e levou quarenta minutos até que eu estivesse pronta. Christina tinha me distraído com suas histórias de tentar impressionar os garotos do clube. Ela não tinha tocado no nome de Will e isso me preocupava, porque eu sabia que ela também estava sofrendo.

Ela tinha posto meu cabelo em um coque clássico, deixando apenas alguns poucos fios soltos caindo pelo meu rosto. Segundo ela, isso era um charme que os garotos raramente conseguiam resistir. Ela também tinha feito minha maquiagem de modo que eu me sentia bonita. Meus olhos estavam esfumaçados em uma mistura de preto e cinza. A maquiagem adulta tinha me deixado com cara da minha idade. Meus cílios estavam ainda maiores com o rímel e eu tinha um batom escuro nos lábios.

O vestido que Peter me dera tinha caído como uma luva e combinado perfeitamente com as sandálias prateadas da minha mãe. Eu me olhei no espelho e pela primeira vez em muito tempo eu me senti deslumbrante. Chris havia feito um ótimo trabalho e eu não podia deixar de estar grata. Eu amava minha melhor amiga.

Nós fomos na picape de Chris e ela dirigiu até o clube. Da última vez que usei as sandálias da minha mãe, ela tinha sido manchada. Eu esperava que hoje, ao menos uma vez na vida, as coisas começassem a dar certo para mim e eu pudesse me sentir como uma garota normal; sem responsabilidades ou uma família complicada. Eu queria apenas me divertir e me sentir leve.

Notas finais
E aí, o que vocês acharam?! Comentem!!! Sinto muito por ter dito que o aniversário da Tris seria nesse capítulo, mas os personagens simplesmente criaram vida e decidiram o que iria acontecer. No próximo teremos a festa dos sócios e veremos o porquê do Tobias mudar de repente. O próximo sairá em até dois dias no máximo. Se eu conseguir terminá-lo, postarei amanhã. Não me decepcionem com poucos comentários, ok? Amo vocês! Os vejo nos comentários ♥ FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323