Notas iniciais
Hey people, como vocês estão? ♥ Bom, primeiro quero me desculpar pelo atraso. Eu falei lá no blog uma coisa, mas não consegui cumprir. Mas enfim, meus motivos pela demora do capítulo serão explicados lá no blog e eu espero que vocês entendam. As palavras do cap. onze são dedicadas à Drika Campos, que fez uma lindíssima recomendação. Muito obrigada, lindona!! Espero que goste desse capítulo, querida. Ele é todo seu!! Agradeço também a todos que estão comentando e favoritando. Vou responder a todos com o maior carinho! Não esqueçam de continuar fazendo isso, ok? Haha, é muito importante para mim ♥ Até as notas finais! FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323

BEATRICE PRIOR

– Está. Onde mais você achou que ela estaria? Ela só tem você e você fugiu como um maldito covarde, a deixando sozinha aqui comigo. – ele rugiu. – Acontece que eu não posso mais mantê-la aqui. Minha irmã a odeia e eu amo a minha irmã. Você não está indo para a porra do caribe. Você está trazendo seu rabo para cá e vai resolver sua merda.

Eu congelei. Tobias estava falando sobre mim com o meu pai. Eu não era ingênua o suficiente para não entender. Estava começando a entrar em pânico. Eu não tinha para onde ir. Eu tinha trabalhado duro para conseguir meu salário e tinha poupado quase tudo, mas hoje de manhã, antes de ir ao clube, Will tinha me levado a uma oficina e o conserto da picape tinha me custado mil dólares. Eu quase não podia pagar tão caro, mas também não queria ficar dependente de Will. Eu precisava de um carro. O clube era longe para caminhar e o orfanato ainda mais. Eu não tinha escolha. A única coisa que eu tinha era a minha picape.

– Ela está indo hoje à noite. – Tobias falou e, depois de alguns segundos, encerrou a chamada.

Ele virou-se e seus olhos bateram em mim. Ele estava me analisando. Eu não podia deixar que ele me visse em pânico. Se eu estava sendo um fardo para ele, eu iria ter que me virar. Meu pai não iria voltar para casa. Não até que eu estivesse indo embora.

Senti meu estômago torcer. Andrew Prior estava me abandonando novamente.

– Eu vou cuidar das plantas enquanto você cuida da cerca. Eu... – tomei uma respiração profunda. Não podia perder o controle agora e deixar que a ideia de não ter para onde ir me apavorasse. Eu era forte. Tinha sido forte minha vida inteira. Eu iria ficar bem. – Você vai precisar de mim?

Tobias balançou a cabeça negativamente e eu saí para longe dele. Iria regar o nosso jardim. Seria uma forma de me distrair e pensar em como eu iria fazer para me manter aqui. Morar em Miami era caro, por mais que houvesse bairros onde meu salário daria para pagar o aluguel. Talvez fosse melhor voltar para Chicago. O dinheiro que eu tinha conseguido aqui daria para colocar gasolina na picape e passar uma semana lá pagando minha comida e moradia. Seria difícil encontrar um emprego que pagasse tão bem quanto o clube, mas eu iria arranjar algo que desse para sobreviver. Eu também tinha Al lá. Ele iria me ajudar e não iria me deixar sozinha. Ele me adorava. Ao contrário daqui, eu seria amada lá. Ele tinha me proposto morar com ele quando mamãe morreu, mas eu não queria ser seu fardo. Porém, agora eu não tinha outra escolha. Eu estaria voltando para lá.

Enquanto eu cuidava das flores, pensei em como seria deixar Miami. Apesar de estar aqui há apenas um mês, a ideia de ir embora me deixava com ânsia. Eu não queria deixar os amigos que eu tinha conquistado. Por mais que Christina tivesse sua maneira louca de viver, era divertido estar com ela. Também tinha Peter. Embora ele azarasse comigo, ele era um bom rapaz e tinha me dado todo o apoio que eu poderia precisar no emprego. Zeke e Uriah eram divertidos também. Eu iria sentir falta de servir suas bebidas enquanto eles jogavam golfe. E ainda havia Will. De longe ele era o meu favorito. Sua fala mansa e a segurança que ele me passava era surreal. Eu iria sentir falta das suas brincadeiras e da sua generosidade. Mesmo ele sabendo quem meu pai era, ele jamais negara ajuda. Sua gentileza e bondade iriam me fazer falta em Chicago. Ninguém nunca havia sido tão bom comigo. E, por mais estranho que isso pareça, eu iria sentir falta de Tobias.

O mistério naqueles grandes olhos azuis me provava que ele era feito de camadas. Eu tinha a certeza de que ele não era mau, mesmo que sua forma de me tratar fosse injusta. Ele amava sua irmã. Ele amava Will. E eu o tinha observado com as crianças daqui. Ele era manso e cuidadoso com elas, de forma que eu jamais o vira tratar alguém. Longe da mansão, dos carros luxuosos, das suas inúmeras festas e da sua irmã, Tobias era maravilhoso. Ele era protetor, honesto e tinha um bom coração. Ele tinha me dado um lugar para dormir mesmo odiando meu pai. Ele não tinha obrigação comigo, mas mesmo assim estava disposto a me ajudar, mesmo que a ideia deixasse sua irmã à beira dos nervos.

Terminei minha tarefa e me virei para olhá-lo. Ele estava sem camisa, martelando o prego na madeira da cerca e seu corpo estava coberto de suor. A tatuagem que cobria suas costas se destacava. Era coberta por chamas nas laterais e cinco símbolos em perfeita simetria. Eu não entendia nada, mas minha curiosidade havia sido despertada como uma criança que espera pelo natal. Os raios solares iluminavam seu corpo de maneira que deveria ser pecado. Ele era muito bonito. Minha experiência com caras era quase nada – já que em toda minha vida eu só tinha namorado Al e na época ele era meu melhor amigo –, mas eu não precisava saber muita coisa para identificar quando um homem tinha um corpo absurdamente lindo. Tobias era esse tipo de pessoa. Não era admirar o fato de que ele sempre estava rodeado de mulheres. Mesmo que ele nunca tivesse sido um astro do rock, Tobias com toda certeza seria famoso entre as mulheres.

– Tris, leve um pouco de água para o rapaz. O sol está escaldante. – Jeanine disse e eu dei um pulo por não ter percebido que ela havia se aproximado. Ela soltou uma risada. – Estava admirando? – eu senti minhas bochechas queimarem e desviei o olhar. – Não se preocupe, eu não vou contar a ele. Eu não posso culpa-la, querida. Tobias é realmente de tirar o fôlego. – ela brincou.

– Eu vou ver se ele precisa de alguma coisa. – eu falei, querendo ir para longe dela. Eu estava começando a ficar constrangida e com certeza se Tobias virasse seu rosto para nos observar, ele iria notar. E eu não queria que ele descobrisse que eu achava seu corpo irresistível.

Caminhei de volta para dentro do orfanato e fui em direção à cozinha. Abri a geladeira e peguei uma garrafa de água e um copo. Respirei fundo antes de voltar para o jardim. Tobias estava fixando a cerca na terra e a forma como seus músculos se flexionavam me distraiu. Meu impulso era estender a mão e senti-lo. Como deveria ser tocar aqueles braços? Como seria a sensação de sentir seu suor? Eu não achava nojento. Nada que saísse dele poderia ser nojento. Era impossível.

– Admirando a vista? – ele levantou a cabeça e olhou para mim com um sorriso convencido. Malditos hormônios femininos! – Pode continuar, eu realmente estava me divertindo. – seu tom duro fez com que eu me endireitasse. Ele claramente não havia gostado.

– Eu trouxe água. Está quente aqui fora. – eu mudei o assunto, estendi-lhe o copo e quando ele o segurou, eu despejei a água. Não tinha de me desculpar por ter olhado para ele. Não havia maldade nisso e se eu dissesse algo poderia parecer estúpido.

– Obrigado. – ele disse, antes de tomar tudo em só gole, enquanto seu pomo-de-adão subia e descia conforme ele fazia isso. Até esse simples movimento vindo de alguém como ele parecia sexy. – Eu terminei o pesado por aqui. Agora só temos que pintar e fica pronto antes do jantar. Você sabe onde encontrar os pincéis?

– Sei, sim. Eu vou busca-los. – eu falei.

– Certo.

Eu deixei a garrafa em cima da mesa redonda de madeira e saí em direção à dispensa. Peguei dois pincéis e um latão de tinta branca. Por mais que a ideia de ficar perto de Tobias me deixasse um pouco apavorada, esse era meu trabalho. Quanto mais rápido eu terminasse a cerca, mais tempo eu teria com as crianças. Era gostoso estar com elas. Eu estava me apaixonando por cada uma e novamente o pensamento de ir embora e deixar tudo isso para trás me deu medo. Eu precisava pensar.

Voltei para o jardim com o material de pintura. Entreguei a Tobias e ele me agradeceu com um aceno de cabeça, mas começamos e passamos a maior parte do tempo trabalhando em silêncio. Depois de minha cabeça viajar em tantos pensamentos, eu acabei decidindo que vou voltar para Chicago. Embora me parta o coração ter que deixar Miami, aqui não é o meu lugar. Eu vou voltar para a minha cidade e seguirei com minha vida lá. Quem sabe daqui um tempo quando eu me estabilizar, eu não entre para uma faculdade? O sonho de me formar na Universidade de Chicago tinha sido deixado de lado há muito tempo.

Só havia um problema nisso tudo: minha picape só ficaria pronta em dois dias. Isso significava que eu iria ter que achar um local para dormir se Tobias me mandasse embora hoje à noite. Eu respirei fundo. Já tinha chamado Will hoje de manhã e eu não queria incomodá-lo novamente. Ele já estava vindo me buscar hoje à noite depois de muito insistir pela manhã. Eu não poderia pedir a ele que me deixasse ficar em sua casa. Não depois de tudo que ele já havia feito por mim. Mas se Tobias iria me mandar embora hoje à noite, para onde eu iria?

– Você está tensa. – Tobias falou, me tirando dos devaneios.

Eu olhei para ele. Quando estava prestes a falar, Christina veio até nós.

– Vocês devem estar morrendo de fome. Aqui, fiz biscoitos para as crianças, mas separei alguns para vocês dois. Ainda falta muito? – ela perguntou, enquanto ofereceu uma pequena bandeja com cookies.

– Só a pintura. – eu respondi.

– Precisam de ajuda?

– Não. Estamos bem aqui. – Tobias falou antes de mim.

– Hum... Tris, se você precisar de ajuda, é só me chamar. – Christina olhou zangada para Tobias. – Você deveria parar de agir como um idiota. Não sabe o que perde com isso.

Ela saiu e eu olhei para Tobias. Dessa vez, ele estava ilegível. Eu senti como se estivesse fora do lugar. Eles tinham dito muito, mesmo com poucas palavras. Procurava entender enquanto encarava aqueles olhos azuis. Tobias apenas suspirou e voltou ao trabalho. Eu tinha compreendido. Não era da minha conta. Certo.

Já era noite quando nós tínhamos acabado e eu estava exausta. Eu só queria ir para casa e dormir um pouco. Amanhã seria a minha folga. Eu estava dando graças aos céus por isso. Por mais que eu amasse estar no clube e estar com as crianças, eu merecia um descanso. Não havia comido quase nada e me sentia fraca. Amanhã eu tiraria o dia inteiro para descansar. Minha folga era aos sábados e o orfanato nos liberava no fim de semana, já que um grupo de estudantes tirava esse tempo para nos ajudar. Eu estava quase delirando de tão ansiosa para meu descanso que quase esqueci que Tobias me mandaria embora hoje. Com esse pensamento, fiquei gelada. Eu precisava de um lugar para dormir.

Depois de ter posto todas as crianças em suas camas e limpado a bagunça na cozinha, eu suspirei. Christina havia saído mais cedo devido a um problema do pai. Tobias também já tinha ido embora. Eram nove horas e Will ainda não havia chegado.

– Se você quiser eu posso te pagar um táxi. – Jeanine ofereceu. Eu balancei a cabeça.

– De jeito nenhum. Eu vou esperar mais um pouco. Ele já deve estar chegando. – eu sorri, tentando esconder meu nervosismo. Se Will não aparecesse, eu iria ter que caminhar novamente, e a ideia de ter que fazer isso me deixava apavorada. Meus pés ainda tinham bolhas gigantes e elas iriam queimar se eu andasse por muito tempo.

– Tudo bem. – ela sorriu, mas pude ver que oscilava entre falar mais alguma coisa. – Eu... Bem, eu preciso fechar, então você se importa...

– De esperar lá fora? – eu completei para ela e sorri de maneira amiga. – Eu estou indo para lá agora mesmo. Will chegará em poucos minutos.

– Tem certeza? – ela me olhou apreensiva. – O bairro não é perigoso, mas eu não confio em uma moça bonita sozinha há essa hora.

– Não se preocupe. Eu ficarei bem. – eu repeti. Eu tinha uma arma na minha bolsa. Já tinha lidado com coisas parecidas.

– Tudo bem. – ela assentiu. – Tenha uma boa noite, querida. E aproveite o fim de semana para relaxar. Você está sobrecarregada.

– Ok. Eu farei isso. – concordei. Apesar dos apesares, esse tinha sido meu plano inicial. – Descanse também.

Ela sorriu.

– É impossível. – Jeanine me acompanhou até a porta e me deu um abraço, antes de fechá-la e trancá-la.

Estava silencioso. Um casal caminhava na calçada oposta e o único som que eu poderia ouvir era o riso da garota e o pisar nas folhas que estavam caídas. Suspirei e apertei minhas mãos no meu colo. Se Will não chegasse a vinte minutos, eu iria ter que caminhar. Eu tinha dez dólares na carteira e tinha certeza de que não iria ser o suficiente para pagar o táxi. O resto do dinheiro havia ficado no quarto, onde eu estava poupando tudo que eu recebia.

Quando faltavam dois minutos do prazo que eu havia estabelecido, faróis iluminaram a rua e eu me levantei. Estava começando a agradecer quando percebi que não era o carro de Will. O pavor durou até eu reconhecer quem estava por trás do vidro escuro.

Tobias.

Ele abriu a porta e acenou para que eu fosse até ele. Eu estava confusa. Ele já tinha ido embora, então por que tinha voltado? Onde Will estava? Oh meu Deus, será que ele estava bem?

– Eu vou leva-la hoje. Will me ligou. Ele ficou preso no trabalho e não queria deixar você esperando. – ele explicou e eu senti meu peito aliviar. O pensamento de algo ter acontecido a Will me deixava nervosa.

Olhei para Tobias e depois olhei para o carro. Eu nunca tinha visto nada tão luxuoso. Ele era baixo, completamente preto e tinha apenas dois lugares. O designe era simplesmente fantástico. Eu não sabia que tipo de carro era, mas parecia um daqueles que a gente vê nos filmes de Hollywood.

– Um Gallardo lançado recentemente. – Tobias explicou e só quando ele continuou a falar que eu entendi que ele estava explicando o tipo de automóvel que era aquele. – Tive que trocar de carro porque os paparazzi estavam desconfiando e seria uma merda se eles descobrissem onde eu moro. Você pode admirá-lo enquanto voltamos para casa. Vamos lá, Tris. – ele havia mencionado “nós” e “casa” na mesma frase, então talvez ele tivesse desistido da ideia de me mandar embora.

Tobias meneou a cabeça em direção ao carro e eu respirei fundo, caminhando em sua direção. Ele abriu a porta do passageiro para mim, um gesto educado, mas que me fez sentir um frio na barriga. Ele o tinha feito de uma maneira tão natural que meu coração derreteu um pouco. Eu estava ficando fascinada por ele. Seus gestos, sua generosidade e seu cavalheirismo estavam me atraindo. Ele era um poço de qualidades.

Quando ele fechou a sua porta e deu partida no carro, eu tomei coragem para quebrar aquele silêncio desconfortável.

– Obrigada por abrir a porta para mim. Foi gentil. – falei.

Tobias respirou fundo e apertou o volante com as duas mãos. Ele não desviou o olhar da estrada para olhar para mim.

– Precisamos conversar, Tris. – seu tom foi quase um alerta.

Merda. Eu estava quase radiante porque ele tinha mudado de ideia, mas a forma como seu maxilar estava contraído e os nós de seus dedos estavam brancos de tanta força que ele colocava para apertar me disseram que ele estava nervoso. Ele iria me mandar embora agora. Eu iria implorar por apenas essa noite.

– Eu sei que não é fácil você me manter em sua casa, mas eu só peço mais uma noite. Eu prometo que amanhã bem cedo eu apronto minhas malas e saio. Eu só preciso de hoje. Minha picape quebrou e eu ainda não ficou pronta. Eu não tenho para onde ir. Se você me deixasse apenas...

– Do que você tá falando? – ele finalmente olhou para mim, quando diminuiu e parou o carro no semáforo vermelho.

– Eu pretendo voltar para Chicago. Eu só preciso ficar até que minha picape fique pronta. Minha intenção nunca foi ficar muito tempo por aqui. – eu o expliquei. Tobias parecia confuso. – Eu ouvi você falando com meu pai. Ele não vai voltar e você vai me mandar embora. – eu o lembrei. Ele parecia perdido demais.

– O quê? – ele perguntou incrédulo. – Não, eu não vou manda-la embora. Não até eu ter certeza de que você está segura. Eu sinto muito, Tris. Não era para você ouvir aquilo. Eu só queria ter a certeza de que...

– Ele não iria voltar por mim. – eu completei soltando uma risada seca. Eu já tinha sido rejeitada por ele uma vez. Não estava impressionada com o fato de ele estar fazendo isso novamente. Só queria entender como ele poderia ser tão sem coração. Eu estava sozinha e não tinha nenhuma família além dele. Não era de admirar o ódio que Tobias sentia pelo meu pai. Ele era um tremendo babaca.

– Sinto muito por isso também. Ele é um merda. Fico impressionado por você não odiá-lo. Tendo passado pelo que você passou, todo mundo o odiaria. Por que você não o faz, Tris? Ele merece. – Tobias soou triste.

– Eu sei que sim. Mas antes de morrer, minha mãe me ensinou que não devemos sentir ódio. Ele pode acabar nos consumindo e levando tudo que há de bom em nós. Às vezes eu o odeio um pouco, mas então me lembro da minha mãe e deixo passar. Ela não ficaria feliz sabendo que eu o detesto. Minha mãe o amou incondicionalmente. Ele é meu pai e minha única família agora. Não preciso amá-lo, mas devo respeitar sua decisão. E se ele não me quer, eu estou de bem com isso.

Ele me observou por um curto momento antes de voltar sua atenção ao trânsito.

– Deve ser duro. – ele confessou. – Como era a sua mãe?

A pergunta me pegou de surpresa. Mais uma vez, eu iria ter que falar sobre Natalie Prior com ele. Eu não entendia seu interesse na minha vida. Entretanto, se ele iria me deixar ficar, eu não poderia ser rude. Ignorá-lo seria grosseria. Além do mais, por mais que a morte dela ainda estivesse fresca, eu gostava de falar sobre ela. Minha mãe era minha heroína.

– Ela era divertida. Ela contagiava e conquistava todo mundo à sua volta. Ela era simplesmente incrível, isso sem falar na sua beleza natural. Quando papai nos deixou, nós passamos a fazer tudo juntas. Ela não queria demonstrar o quanto estava triste com o abandono, mas eu podia ver. Mamãe não sorria mais da mesma forma e quando eu perguntava por que ela ainda tinha a foto do seu casamento com o papai em cima do piano, ela havia me respondido que amava o papai. O tipo de amor que você só encontra uma vez. Eu me apaixonei por seu coração tão puro. Ela foi meu exemplo durante toda a minha adolescência. Nós tínhamos uma floricultura e todos os dias dos namorados ela assinava cartões e distribuía rosas por nossas ruas. Todo mundo a amava e a admirava. Mesmo lutando contra o câncer durante três anos ela não se deixou abalar. Ela era forte e determinada. Eu nunca conheci alguém tão puro quanto ela. Ela era inteligente, bondosa e altruísta. Agora ela é a minha estrela. – eu disse, orgulhosa da minha mãe. Minha vista tinha embaçado um pouco à medida que eu falava, mas eu não estava triste. Eu estava feliz por ter tido a sorte de ter alguém como a ela para chamar de mãe.

Tobias tinha engolido em seco quando eu olhei para ele.

– Ela foi uma pessoa incrível. E está orgulhosa de você. Você é como ela, Tris. – ele confessou, com uma emoção profunda em seus olhos.

– Eu tento ser. Tenho certeza de que era isso que ela queria me passar. – dei de ombros e ele estacionou o carro na garagem. Eu abri a porta para descer, mas Tobias segurou meu braço.

– Eu ainda não disse o que eu queria falar. – ele suspirou. – Eu quero me desculpar por ontem à noite, Tris. Você não merecia ter visto aquilo. Eu devia ter tomado cuidado.

Ah, então ele queria se desculpar por ter transando com alguém em seu sofá na sua casa? Era surpreendente. Mais uma prova de Tobias não era quem ele mostrava ser. Eu tinha trabalhado bastante à noite para manter aquela imagem fora da minha mente e havia conseguido. Ele parecia arrependido, mas a culpa não era dele. Eu deveria ter sido mais atenta e ter cogitado a possibilidade disso acontecer. Era a sua casa, oras. Ele tinha o direito de fazer o que bem entendesse.

– A culpa foi minha. Eu devia ter usado a porta dos fundos, de qualquer forma. – eu dei de ombros.

– Não. – ele balançou a cabeça e me olhou. – Você deve usar a entrada principal. Você é minha hóspede aqui e eu não quero que você tenha que dar a voltar na casa só por causa de uma maldita porta. Você me ouviu? Eu não consegui dormir bem sabendo que você assistiu àquilo. Eu vou ter mais cuidado da próxima vez, Tris. Eu prometo.

O fato de que haveria uma outra vez fez meu estômago embrulhar. Eu odiava pensar nele com outra mulher daquela forma. Eu estava me sentindo ainda mais atraída porque eu o estava conhecendo de verdade. Elas não conheciam. Tudo que as mulheres sabiam sobre ele era que ele era um ex-astro do rock famoso. E eu tinha percebido as garotas que frequentavam suas festas. Elas eram fúteis e sem conteúdo. Por que ele ainda ficava com elas?

Tobias merecia mais que isso.

Eu balancei a cabeça para espantar a decepção nata em minha expressão.

– Ok. – eu respondi e saí do carro. Eu precisava distância dele. Toda aquela aproximação estava me afetando.

Abri a porta da frente e entrei, caminhando apressadamente. Parei bruscamente quando Tobias segurou meu braço.

– O que eu falei dessa vez? – ele perguntou confuso.

Merda.

– Nada. – eu respondi e tentei me afastar. Encarar aquele par de olhos azuis estava fora de cogitação agora.

– Tris. – ele insistiu.

Ele precisava ir para longe. O cheiro dele estava fazendo meu coração acelerar. Eu não sentia isso desde que Al e eu terminamos, o que aconteceu há muito tempo. Tobias estava me fazendo sentir coisas que eram desconhecidas também, como o latejar do meu corpo. Tudo nele estava me atraindo.

– Me deixe dormir. – eu pedi. Eu não podia falar a ele o que eu estava pensando. Com toda certeza do mundo, ele iria entender errado. Ou certo. Eu estava tão confusa.

– Só quando você me disser qual é o problema. – ele tinha a voz mansa, mas seu aperto firme em meu braço me dizia que ele não estava disposto a me soltar.

Eu suspirei. Ele não iria ceder. Não até que eu lhe contasse que eu achava sua maneira de viver muito promíscua. Que coisa mais ridícula. Ele provavelmente me diria para fechar minha boca e não me intrometer na sua vida como eu havia feito no primeiro dia em que estive aqui.

– Tris. – Tobias soou firme.

– Você disse que haveria uma próxima vez. – eu soltei e esperei para ver sua reação. Ele primeiro franziu a testa, mas à medida que ele compreendia o que eu queria dizer, seu rosto ficou pálido e sua expressão tornou-se séria.

– Está falando as mulheres. – ele repetiu para confirmar o que eu havia falado. Eu balancei a cabeça. Ele fechou os olhos com força e seu aperto em meu braço afrouxou. Algo o estava atormentando. – Eu... Simplesmente não posso, Tris.

Ele havia entendido. Eu não me esforcei em esconder a decepção na minha voz quando falei. A verdade da atração estava bem ali. Eu me importava com ele.

– Não tive uma vida normal, Tris, e por causa disso tenho umas questões bem bizarras. Eu vivo numa bagunça e tenho muita merda que precisa ser resolvida. – eu dei um passo para trás e olhei para ele. Ele parecia angustiado. – É vazio. Elas vêm à noite e eu as mando embora pela manhã. Não rola nada mais que isso. – ele respirou fundo e olhou para mim. – É melhor não estar com alguém que eu realmente me preocupe.

Havia muito mais naquela frase do que ele realmente queria dizer. Eu entendia. Por mais complexo e indeciso que ele pudesse ser, Tobias já havia deixado sinais de que estava atraído por mim. Eu não entendia muito bem. Eu não era feia, mas não era bonita. Eu tinha visto as mulheres com quem ele dormia. Elas pareciam supermodelos da Victoria Secret’s.

– Eu acho que você merece coisa melhor. – confessei, porque era verdade. Tobias parecia não ter noção do quão bom e justo ele era. – Não concordo com suas escolhas.

– Eu também não concordo com a minha merda. Não mais, eu quero dizer. Mas é assim que tem que ser, Tris. – ele disse e começou a se afastar. Aquela era a minha deixa. Eu não insistiria no assunto. Estava começando a me cansar desse jogo de quente e frio.

– Ok. – eu disse e comecei a andar em direção à cozinha, mas parei quando a voz de Tobias ecoou naquela imensa sala de estar.

– Não quero você morando naquela porra de quartinho. Detesto isso. Mas não posso manda-la aqui para cima. Eu nunca conseguiria manter distância, Tris. Estou lutando para não perder o controle no orfanato, mas enfrentar isso aqui dentro não seria fácil. Preciso que você fique bem escondidinha. Me aproximar de você é errado. – ele apertou o corrimão da escada com tanta força que seus dedos ficaram brancos. Depois, sem esperar por resposta alguma, ele subiu correndo de dois em dois degraus, e foi para longe de mim.

Eu não achava errado. Em algumas ocasiões, sim. Tobias tinha o olhar sombrio na maioria das vezes, como se quisesse me falar algo, mas nunca falava. Em momentos assim, não deveríamos estar sequer no mesmo continente. Mas então havia horas em que estávamos soltos, livres, longe de tudo que poderia nos afastar, e era em circunstancias assim que o fato de estarmos juntos era mais certo que a matemática.

Quando eu já estava no meu quarto, troquei minha roupa por meu “pijama” da noite anterior. Deitei na cama e pensei em Tobias pouco antes de pegar no sono. Eu estava ficando em apuros. Precisava tomar cuidado, porque ele estava tomando conta de toda minha linha de pensamento. Eu tentava me convencer que não havia o controle das minhas emoções que envolviam Tobias, mas a verdade estava tão óbvia que meu esforço de esconder o que eu sentia era inútil. Era nítido de que eu estava a fim dele. Meu maior medo era que isso se transformasse em algo maior que pudesse estraçalhar meu coração.

Notas finais
Heyyy, o que acharam? ♥ Espero que realmente tenham curtido e a resposta para a pergunta de muitos é: em breve. Em breve (bem pertinho) Tobias e Tris ficarão juntinhos. ALERTA DE SPOILER DO PRÓXIMO CAPÍTULO: Provavelmente, com quase toda a certeza do mundo, no próximo vai rolar um beijo!! Vocês fiquem à vontade para decidir de quem vai ser haha!! Não esqueçam de opinar aqui em baixo ♥ Mil beijões!! FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323