Estranha Perfeição
44 Capítulo XXXXII
Notas iniciais
TOBIAS EATON
Ela estava linda, mas isso não era nenhuma novidade pra mim. Eu não me lembrava de uma vez sequer onde Beatrice Prior estivesse menos do que maravilhosa. O vestido longo que ela usava era vinho e tinha uma fenda na perna esquerda, deixando-a completamente sexy e de tirar o fôlego. Enquanto ela descia as escadas, podia ter um vislumbre de sua coxa à mostra e isso fez com que meu pau latejasse imediatamente. Ela estava tão perfeita. Os olhos estavam destacados por uma maquiagem preta e os cílios dela pareciam ainda maiores. Eu sempre fui fascinado nos cílios dela, desde quando ela pôs os pés na minha casa pela primeira vez. Eles eram tão grandes, tão vivos... Eu amava.
— Você está maravilhosa. – eu estendi minha mão para segurar a dela.
— E você vai precisar de um babador, irmão. – Will zombou ao meu lado.
Meu irmão ainda estava ao meu lado enquanto eu esperava Beatrice aparecer. Eu tinha pedido para ele chamá-la, mas agora ele já podia ir embora. Eu não queria plateia. Eu só queria ficar a sós com Beatrice.
— Vamos deixar eles irem. Toma cuidado, amiga. Se precisar de alguma coisa é só me ligar. – Christina abraçou Beatrice e se virou para mim. – E você... Vê se não faz nenhuma cagada desta vez. Me esforcei o caralho para convencê-la a voltar, então não estrague tudo.
— Pode deixar. – eu concordei e sorri para Chris.
Ela sorriu de volta antes de agarrar o braço de Will e puxá-lo para outro cômodo da casa.
— Você também está maravilhoso. – Beatrice disse baixinho com um sorriso e pôs sua mão na minha. – Graças a Deus você está de terno. Estava começando a me achar exagerada demais.
— Você está ótima, baby. – eu sussurrei ao pé do seu ouvido. Ela fechou os olhos e suspirou.
Era óbvio que eu também a afetava. Entre nós, além da saudade, também havia atração, desejo e tesão. Porra, qualquer um que chegasse perto sentiria isso. Eu estava fodido. Como levá-la para jantar se eu só pensava em tê-la o tempo todo? O vestido que ela usava era foda de perfeito, mas eu só pensava em rasgá-lo antes mesmo de chegarmos ao restaurante. Sentir sua boca na minha e também em lugares que Beatrice ainda não havia explorado com ela...
Afastei os pensamentos com um balanço rápido de cabeça.
Eu precisava me concentrar, porra.
— Você está pronta? Podemos ir? – perguntei.
— Sim, claro. – ela riu e eu a acompanhei até a saída com a mão apoiada em suas costas.
Entramos no meu carro e dei a partida para fora do condomínio do clube. Não liguei o sistema de som porque queria conversar com Beatrice, mas ela parecia tensa. Durante o trajeto arrisquei olhar para ela algumas vezes, mas Tris parecia olhar para todos os lugares, menos para mim. Ela ainda estava insegura ao meu lado. Era minha missão mudar isso esta noite.
Chegamos ao restaurante e entreguei a chave ao manobrista do local. Apoiei minhas mãos nas costas de Tris novamente e seguimos até a entrada onde a recepcionista nos recebeu com um sorriso.
— Sr. Eaton, Beatrice, a reserva de vocês é por aqui. Sigam-me por favor. – ela nos guiou até uma mesa com dois lugares na área aberta do restaurante. – Aqui está. Estaremos à disposição para qualquer coisa. Aproveitem o jantar e bom apetite.
Haviam poucas pessoas ali. Era a parte mais cara e também mais reservada do lugar. Eu me certifiquei disso antes de ligar para cá. Queria que Tris ficasse confortável comigo e também não queria ninguém nos vigiando como no hospital. Ela ainda não estava pronta para tanta exposição. Um passo de cada vez.
Apressei-me para puxar a cadeira de Tris antes que o garçom que iria nos atender o fizesse. Queria que ela reparasse nas pequenas coisas. Eu ia reconquistá-la até mesmo nos mínimos detalhes.
— Obrigada. – agradeceu e me deu um sorriso. Era difícil olhar para ela e não sentir vontade de agarrá-la. Ela estava tão bonita. E o melhor: estava bem ali na minha frente. Finalmente tinha voltado.
Isso era um sonho?
— Então, o que você vai querer comer? – perguntei me sentando de frente para ela.
— O que você sugere? Estou faminta, vale ressaltar.
— Que tal uma surpresa? – arqueei uma das sobrancelhas para Beatrice. Ela sorriu e concordou com um aceno de cabeça. Me voltei ao garçom que nos atendia. – Peça ao chef para nos surpreender. E para acompanhar vou querer esse vinho aqui. – apontei para o cardápio. Ele assentiu, pediu licença e nos deixou a sós.
— Por que você tá olhando pra mim desse jeito? – Beatrice me deu um sorriso sem graça. Acho que eu estava assustando ela, mas foda-se, eu não conseguia parar. Estava hipnotizado com sua imagem na minha frente.
— Ainda não consigo acreditar que você voltou. Se isso for um sonho, eu vou ficar muito puto. – resmunguei. – Tenho tanta coisa para te dizer, mas não sei como dar início a isso. Esperei tanto por você, Beatrice.
— Por que você não começa me contando sobre Cara? – ela levantou uma das sobrancelhas.
Não pude reprimir o sorriso na minha boca. Vê-la com ciúme significava que ela ainda sentia algo. Se ela sentia algo, eu podia ter esperança.
Foda-se, eu estava feliz pra caralho.
— O que você quer saber? – eu iria contar tudo que ela quisesse. Se nós íamos tentar de novo, eu não ia foder tudo como da última vez.
— Eu me lembro do dia em que você a levou pra sua casa quando eu ainda morava lá. Depois vi vocês dois juntos na festa dos sócios.
— E...? – dei espaço para ela continuar.
— Isso que acontece entre vocês... É desde aquela época?
— Desse jeito você me ofende, Beatrice. Nós estávamos começando a ter algo nesse tempo. Eu não faria isso com você. – respondi, me sentindo mal que ela pensasse assim de mim.
— Desculpe. Eu só estou tentando entender a relação de vocês. – ela parecia envergonhada.
— Cara e eu ficamos logo quando você chegou. Eu mal lembrava disso, mas agora que tocou no assunto, realmente aconteceu. Depois disso, nós nem nos falamos mais. Então houve a festa dos sócios e nós só conversávamos sobre você. Minha relação com ela funciona porque ela sabe como me sinto em relação a você, Beatrice. – confessei. – Nos aproximamos quando você foi embora. Eu me abri com ela. Ela me ajudou pra caralho nesse tempo. Nós somos grandes amigos.
— Só amigos mesmo? – Tris semicerrou os olhos.
Eu sorri novamente. Não iria conseguir mentir para ela e ela sabia muito bem disso.
— Acabou rolando. – eu disse sem o sorriso e respirei fundo. – Uma única vez.
— Você se arrepende? – perguntou e estava atenta a qualquer movimento que eu fizesse. Era como se ela esperasse me pegar em algo que contradissesse minha resposta.
Parei e pensei um pouco, tentando me lembrar da noite que tinha passado com Cara. Eu me arrependia? Porra, não sabia responder. Achava que não, mas eu não estava totalmente com Cara enquanto a gente transava. As lembranças da noite com Beatrice estavam na minha mente o tempo todo. Tinha sido confuso.
— É complicado, Beatrice. Eu gosto dela. Acho que não me arrependo, mas eu não o faria se soubesse que havia alguma chance de você voltar para cá. Aconteceu porque eu estava seguindo em frente. Você tinha acabado de me dizer que tinha ficado com Edward.
— Em minha defesa eu achei que estivesse falando com Christina. – ela me interrompeu e fez um sinal de rendição com as mãos.
— Isso não muda o que aconteceu. – eu soei cabisbaixo. Porra, o rumo da conversa não estava ajudando, embora eu soubesse que tudo isso seria necessário para nosso recomeço.
— Sinto muito você ter descoberto daquela forma. Eu... Eu estava tentando ser feliz de novo. – ela me deu um olhar de desculpa.
O garçom que estava nos atendendo voltou com duas taças e uma garrafa de vinho tinto. Notei os olhares que ele dirigiu à Beatrice enquanto nos servia e não pude culpá-lo. Ela estava perfeita.
Ele serviu minha taça e em seguida pediu licença, nos deixando a sós novamente.
— Você conseguiu? – eu retomei ao assunto um pouco receoso. Meio que não estava pronto para ouvir se sua resposta fosse positiva.
— Você acha que eu teria voltado se estivesse feliz em Chicago?
— Você saiu daqui arrasada, Beatrice. Eu tinha motivos para acreditar que você jamais conseguiria ser feliz aqui de novo.
— Você está aqui. – disse suavemente e tomou um gole do seu vinho.
— E o que isso significa? – porra, meu coração batia tão rápido. Era como se eu tivesse correndo em uma puta maratona. Isso era esperança. Ela estava me dando esperança, caralho. Eu sabia o que isso significava, mas queria ouvir dela. Queria que ela dissesse que tinha voltado por mim. Ou melhor: por nós. Eu esperei tanto por isso.
— Eu soube que você voltou para música. – ela desconversou e sorriu. Eu a acompanhei. Estava feliz pra caralho. Qualquer um perceberia.
— Digamos que eu tive uma musa inspiradora para as minhas canções e mostrei à minha antiga gravadora. Eles amaram. O álbum vai ser lançado ainda esse mês. “Everything” nós lançaremos na próxima semana.
— Você vai lançar essa música? – ela se espantou. Eu compus e cantei para Beatrice no dia do seu aniversário. Essa música era um xodó para mim. Ela dizia muito. Eu tinha certeza de que ela seria número um em todas as paradas.
— Espero que esteja tudo bem para você. É uma música que me toca quando canto. Ela consegue passar aquilo que eu realmente tô sentindo. Meus fãs irão adorá-la. É uma conexão única, sabe.
— Eu apoio. – Beatrice sorriu. – Ela é linda.
— Sim. Você também é. – sorri junto mais uma vez, vendo as bochechas da minha garota ficarem vermelhas com o elogio. Eu tinha sentido tanta saudade de vê-la assim. – Como eram as coisas em Chicago?
— Nada muito emocionante. – ela deu de ombros. – Nem se compara com a agitação que é viver aqui, acredite.
— Eu quero saber tudo, doce Tris.
— Eu tinha um emprego. – ela começou. – Meu chefe era um senhor de meia idade bem rabugento. Acho que ele não gostava muito de mim.
— Não tem como não gostar de você, Beatrice. – eu balancei a cabeça ainda sorrindo. Duvidava que qualquer pessoa que passasse ao menos cinco minutos ao seu lado pudesse não se encantar pela pessoa que ela era.
— Ah, tem sim! O Sr. Walker é a prova viva disso. – ela riu. – Mas o mais estranho é que eu gostava dele. Ele e sua esposa pareciam ser pessoas boas.
— E como foi que você conheceu Edward? – perguntei, odiando ter que fazer isso. Eu queria saber como era a relação deles, mas detestava o fato dele ter sido alguém para Tris, mesmo que Cara tivesse esse papel para mim. Era egoísta, mas eu não suportava a ideia de outra pessoa tocando minha garota.
— Edward e Al são melhores amigos. Eu o conheci no dia em que você esteve em Chicago. Depois desse dia nós saímos algumas vezes.
— Vocês dois...? – que porra eu estava fazendo? Eu não queria saber disso, caralho!
— Não. – ela me cortou antes que eu pudesse terminar a frase. – Eu não estive com ele desse jeito.
Uma onda de alívio tomou conta do ambiente e era como se eu pudesse respirar de novo.
— Sei que não tenho esse direito, mas estou aliviado pra caralho em ouvir isso de você. – eu não conseguia conter o sorriso idiota que eu tinha. Porra, ela ainda era minha. Eu tinha sido o único a tocar seu corpo. Ela e Edward podiam ter tido algo, mas não se comparava ao que eu tinha construído com Beatrice. Ela tinha confiado sua alma a mim. Ninguém nunca tivera isso. Eu era sortudo pra porra.
— Como estão as crianças? Estou tão ansiosa para vê-las! – Beatrice me deu um sorriso animado.
Merda. Como contar para ela que eu não tinha ido ao orfanato desde que ela foi embora? Parecia cruel demais admitir isso.
— Eu não vou lá já têm algum tempo. – disse mais baixo que meu tom comum, me sentindo meio sem graça.
Onde diabos estava nossa comida?
— Quanto tempo exatamente? – ela me olhou atenta.
— Desde que você voltou a Chicago. – respondi, desviando o olhar. Não queria seu julgamento. Eu tive meus motivos, caramba.
— Por quê isso? Elas gostavam tanto de você. Principalmente Hector e Lou.
— Eu sei. Eu tenho cuidado de tudo deles a distância. – suspirei. Estava sendo sincero. Só porque não tinha mais ido visitá-los, não significava que eu não me importava. Me certificava quase todos os dias com Jeanine para saber se estava faltando algo. O plano de saúde de todos eles estavam pagos pelos próximos dois anos. Eu tinha muitos projetos para aquele lugar também. Eu amava aquelas crianças. Só precisava ficar um tempo sozinho para lidar com tudo, então eu voltaria. Não conseguiria ficar longe daquele lugar nem mesmo se eu quisesse. – Não conseguia encara-los, Beatrice. Eles me lembravam você. Foi um período difícil e eu precisava de um tempo. Jeanine entendeu.
— Espero que já tenha tido tempo suficiente. Amanhã é um bom dia para gente ir lá visitá-los. Eles devem estar com saudades também.
Ela havia dito nós. Eu tentava – inutilmente – tentar fazer meu coração bater menos depressa, mas ele não entendia. O fato de que amanhã ela também queria estar comigo me deixou uma bagunça. Eu não conseguia me acalmar. Ela queria estar comigo, porra.
Porra, porra, porra.
— Eu aposto que sim. É uma ótima ideia. – eu não conseguia parar de sorrir. Tinha certeza de que parecia um idiota na frente dela, mas estava cagando pra isso. Ela era o motivo da minha felicidade; seria bom que percebesse o quanto antes.
— Você tem falado com meu pai? – sua voz estava tensa e à menção da palavra “pai”, meu sorriso se desfez na hora.
Andrew estava sumido. Eu odiava o maldito filho da puta que havia colocado no mundo as duas mulheres mais importantes da minha vida. Eu tentara ligar para ele inúmeras vezes desde que Nita tinha dado entrada no hospital, mas o número só dava caixa postal. Era bom que ele estivesse bem longe de nós. Eu tinha certeza de que o mataria se pusesse as mãos nele de novo.
— Eu não tenho notícias dele desde aquele dia na minha casa. Nem mesmo hoje consegui falar com ele. Desculpe por ele ser seu pai, mas ele é um maldito filho da puta. Sei que Nita tem muitos defeitos, mas ela é filha dele. Ele devia se importar. A essa altura ele já deve estar sabendo do que aconteceu. Ele só não se importa.
— Ele costumava ser diferente quando éramos uma família. Ele nos amava. Eu não o reconheço mais. Acho que a morte de Caleb o afetou mais do que eu imaginava.
— É, acho que você está certa. Além do mais, deve ter sido um choque enorme pra ele descobrir sobre o que Evelyn tinha feito.
— Sim. Caleb era seu favorito. – ela disse melancólica, mas sem qualquer ciúme ou raiva na voz. O fato de que seu pai amava mais a seu irmão parecia não incomodá-la.
— Sinto muito por tudo, Beatrice. – eu disse, desejando que minhas palavras de alguma forma pudessem conforta-la.
Eu odiava que seu irmão e sua mãe tivessem morrido. A única família que ela tinha era o inútil do seu pai e ele era um bosta. Nita estava longe de ser perfeita, mas eu quase morri hoje com a ideia de perdê-la. Eu podia imaginar o quanto isso devia ser duro para Beatrice. Encarar a vida sem a mãe e o irmão que ela tanto amava devia ser doloroso. Eu admirava sua força.
Ela me deu um sorriso e colocou sua mão por cima da minha na mesa. Seu toque era acolhedor. Os movimentos com a ponta dos dedos que ela fazia enviava uma corrente de eletricidade por todo meu corpo. Era algo tão simples, mas havia tanta saudade e amor entre nós que um toque pequeno quanto esse era capaz de fazer um estrago dentro de mim.
Eu queria tanto beijar a boca dela.
Beatrice iria falar alguma coisa, mas fomos interrompidos pelo garçom novamente. Desta vez ele trouxe nossos pratos com a comida surpresa que o chef tinha preparado. Ele falou algo antes de sair, mas eu não consegui prestar atenção. Na primeira garfada que levou à boca, Tris gemeu de satisfação e eu não consegui reparar em mais nada a não ser ela. Meu pau instantaneamente ficou duro. Engoli em seco quando ela fechou os olhos, mastigou e fez mais um som de contentamento. Tudo parecia acontecer numa maldita câmera lenta.
Eu estava tão fodido.
— O que foi? – Beatrice pegou o guardanapo e limpou o canto da boca. Até mesmo esse pequeno gesto parecia sexy vindo dela.
— Você é sexy até quando está comendo. – a declaração fez Beatrice rir e balançar a cabeça. – Isso é fascinante.
— Eu senti falta dos seus elogios. – ela disse suavemente. – Acho que ninguém nunca olhou para mim do jeito que você olha.
Eu tinha um ponto com isso. Eu duvidava que outros caras não tivessem visto nela o que eu havia; ela só não dava a importância de perceber isso em outra pessoa que não fosse eu. Porra, isso me deixava animado pra caralho. Ela se importava comigo. Ela se importava com o que eu falava dela. Ela merecia ser elogiada. Beatrice era fantástica.
— É aí que você se engana, doce Tris. – eu lhe dei meu melhor sorriso. – Mas eu sou um cara de sorte por você não ter percebido todos os outros.
O resto da noite seguiu mais rápido do que eu gostaria. Nós comemos nosso jantar e conversamos absolutamente sobre tudo, como se o tempo não tivesse passado para nós. Beatrice me contou mais sobre seu trabalho, sua relação com Al, sobre o vestibular que ela prestaria no final do ano e todas as coisas que ela gostaria de fazer agora que estava de volta à Miami. Eu contei para ela sobre meu retorno aos palcos, os projetos que eu tinha para as crianças do orfanato, onde e como seria nossa turnê de lançamento do CD e desabafei sobre o lado da fama que ela ainda não conhecia, deixando bem claro todos os prós e contras da minha nova vida agora.
Ao final do jantar nós já não éramos mais tão estranhos um ao outro. Tínhamos conversado sobre tudo que ficara em aberto entre nós e, mais uma vez, eu me vi completamente apaixonado por Beatrice Prior.
— Eu não quero que esta noite acabe. – Beatrice soou triste.
— Eu também não. – concordei, sem saber ao certo como dizer como me sentia sem assustá-la.
— Será que podemos passar algum tempo juntos? – mais uma vez não pude conter meu sorriso. Foda-se se hoje não era o melhor dia da minha vida!
— O que você acha de um passeio na praia? – sugeri. Sabia que ela amava o mar e ainda não tinha tido tempo de vê-lo.
— Essa hora? – ela franziu a testa, mas logo depois havia um sorriso em seus lábios. – Eu vou adorar. Só estava querendo um pretexto para tirar essas sandálias.
E eu o seu vestido, meu subconsciente pensou, mas não falei em voz alta. Era cedo demais.
Paguei nossa conta e enquanto esperávamos o manobrista trazer meu carro, abracei Beatrice por trás e plantei um beijo no seu pescoço. Não conseguia mais resistir a algo que eu queria tanto. Eu tinha aguentado ficar sem tocá-la a noite inteira, mas tinha sido difícil. Agora eu não queria mais lutar contra.
Ela não ficou tensa como eu esperava que ficasse. Pelo contrário, vi seus ombros relaxarem e ela fechou os olhos, deitando a cabeça no meu ombro e abrindo um sorriso para mim.
— Eu estava me perguntando quanto tempo mais demoraria para que você tomasse a iniciativa. – falou parecendo muito satisfeita com minha atitude.
— Se você queria que eu te beijasse era só falar, querida. Sabe que eu jamais negaria algo a você.
— Eu quero que você me beije. – ela disse com um sorriso, mas ainda de olhos fechados. Minhas mãos estavam apoiadas na sua cintura e eu fechei os olhos quando inspirei seu cheiro. Era tão doce e único quanto eu me lembrava.
— Eu vou beijar, baby. – plantei um beijo suave atrás da sua orelha. Senti o corpinho de Tris se arrepiar ao toque e gostei disso. – Só não pode ser aqui. Se eu começar, não vou ser capaz de parar tão rápido.
— Isso é bom. – ela suspirou e nos afastamos quando o manobrista desceu do carro e me entregou as chaves.
Entramos e eu dei a partida em direção ao bairro da minha casa. Queria estar perto de lá caso Beatrice aceitasse passar a noite de hoje comigo. Eu ainda achava cedo para perguntar, não queria que ela pensasse que eu só queria sexo. Eu queria muito isso, mas não era só isso. Ela era mais.
Liguei o som e a demo de Everything começou a tocar no carro. Eu tinha colocado lá antes de sair de casa. Queria resgatar algumas memórias. Eu me lembro da felicidade estampada no rosto de Beatrice no seu aniversário. A música tinha feito parte daquilo e eu queria que ela se lembrasse daquele dia.
— No que você está pensando? – a voz de Tris me tirou dos pensamentos.
— Em você. Na nossa última noite juntos, para ser mais exato. – eu desviei o olhar da estrada apenas um segundo para olhá-la.
Ela me deu um sorriso.
— Eu nunca esqueci também. – sua mão ficou por cima da minha na marcha do carro. – Nós estávamos tão apaixonados, lembra?
Assenti.
— Eu ainda estou. – confessei baixinho estacionando o carro, não sabendo ao certo se ela pôde me ouvir.
Descemos do carro e Beatrice correu em direção a areia. Ela estava descalça e o vento bagunçava seus cabelos. Tirei meus sapatos, as meias e o blazer do meu terno antes de caminhar atrás dela.
— Se eu soubesse que você ficaria tão feliz assim teria te trazido antes. – eu ri. Ela parecia uma criança que havia acabado de ganhar um doce. Seus olhinhos brilhavam com entusiasmo. Era uma graça.
— A sensação da areia tocando meu pé e o vento soprando meu rosto foi de longe a coisa que eu mais senti falta daqui. – ela disse ofegante.
— Assim você machuca meu pobre coração, Beatrice. – eu brinquei, enfiando as mãos nos bolsos da minha calça e me permitindo apenas olhar para a garota na minha frente. Minha garota.
Ela começou a correr pela praia novamente. Estava tão leve. Eu me sentei na areia sem me importar se sujaria ou não minhas roupas. Eu não me importava com nada que não fosse Beatrice. Olhando-a ali tão feliz fez tudo ter sentido novamente. Eu existia por ela.
Depois de um bom tempo apenas observando-a correr ali, ela parou e veio em minha direção.
— Desculpe, eu precisava fazer isso. – falou rindo e sentou-se ao meu lado. Estava um pouco ofegante e eu podia ver gotinhas de suor escorrendo pela sua testa e pescoço.
— Você já matou sua saudade? – eu ri da sua figura tão feliz com algo tão simples. – Não tenha pressa, nós temos a noite toda.
— A vista não está tão bonita quanto eu esperava. – seu rosto agora tinha uma carranca e nós levantamos o olhar para o céu. Beatrice estava certa. Não havia sinal de nenhuma estrela e a lua estava escondida sob grandes nuvens nubladas. Ia cair uma baita chuva.
— Eu discordo. – disse me voltando a ela e sustentando meu olhar no seu. – Minha vista não poderia estar melhor.
Beatrice me deu um sorriso singelo.
Ah porra, eu amava esse sorriso.
— Você tem um jeito com as palavras, Tobias Eaton.
— Você acha? – sorri e me aproximei um pouco mais. Movi minha mão, tirei uma parte do seu cabelo que cobria o rosto e o pus atrás da orelha. Beatrice não tirava os olhos dos meus.
Ela não me respondeu. Ao invés disso, num impulso rápido, mordeu o lábio parecendo prestes a tomar uma decisão importante, então enlaçou suas mãos no meu pescoço, segundos antes de colar seus lábios nos meus. Sua ação me pegou de surpresa. Meu coração batia acelerado no peito e meu corpo parecia congelado no lugar. Eu não sabia como agir. Na verdade sabia, mas o choque era tanto que meu corpo parecia não obedecer meus comandos.
Ao ver que eu não a correspondi de imediato, Beatrice rapidamente se afastou de mim.
— Desculpa, eu achei que... – não a deixei concluir sua frase. Agarrei sua cintura e a puxei para um beijo. Um longo e delicioso beijo.
Eu quase esqueci de como era sentir seus lábios junto aos meus. Eu me recusava a lembrar da sensação que era beijar Beatrice, porque pensar nela era doloroso demais, mas agora eu queria não ter me reprimido tanto: o que eu sentia ao beijá-la era incrível. Suas mãos foram para meus cabelos e eu a apertei ainda mais contra mim, enquanto minha língua passeava pela sua boca. O gosto dela ainda era o mesmo. O frio na barriga que eu sentia quando ela me beijava também. Nós beijávamos como se o tempo não tivesse passado para nós. Minhas mãos se lembravam exatamente onde e como segurá-la. Tudo parecia certo novamente.
Tão perfeito.
Incapaz de me manter quieto, inclinei meu corpo sob o dela, fazendo-a deitar na areia da praia me deixando por cima, sem interrompermos o contato das nossas bocas. Tris enlaçou suas na minha cintura e meu pau foi de encontro com sua entrada. Ah, porra. Isso estava sendo muito melhor do que eu tinha imaginado. Um gemido escapou dos seus lábios e eu tive a certeza de que estava condenado. Não conseguiria nunca mais me afastar dela.
Um assobio de alguém fez com que eu me lembrasse de que estávamos em lugar público e, por mais que eu amasse a sensação de estar assim com ela, sabia como a publicidade poderia ser maldosa. Eu estava voltando para mídia e se alguém nos visse aqui, eu já poderia imaginar como seriam as matérias. Eu não deixaria que faltassem com respeito à minha garota.
Fui parando aos poucos, roçando meus lábios nos dela uma, duas, três vezes antes de mordiscar levemente o canto da sua boca. Me afastei relutantemente o suficiente apenas para encostar minha testa na dela.
— Porra, eu senti falta de beijar você. – murmurei.
Beatrice soltou uma risadinha.
— Eu acho que isso foi uma reconciliação, então. – ela disse e beijou a ponta do meu nariz.
— Vem para casa comigo. – pedi, dando meu melhor olhar de cachorrinho abandonado.
Ela riu mais uma vez.
— Eu não consigo dizer não a você. – ela fez uma expressão pensativa e inclinou um pouco a cabeça para o lado esquerdo. – Quais seus planos? Ainda não estou totalmente convencida.
— A gente pode ver um filme e tirar um cochilo depois. – Beatrice arqueou uma das sobrancelhas como se duvidasse da minha proposta. É, eu também duvidava, mas não estava falando isso para ela. – Eu te levo na Christina se você não estiver confortável, eu prometo. – garanti. Por mais que quisesse muito passar a noite com ela, eu não forçaria nada.
Gotas de chuva começaram a pingar sob nós. Um trovão fez Beatrice dar um pulo e eu me levantei de cima dela, ajudando-a logo em seguida. Um sorriso tenso tomou seus lábios quando ela olhou para mim.
— Eu acho melhor a gente se apressar então. – ela falou e segurou parte do seu vestido para não tropeçar antes de começar a correr em direção ao carro.
Nós chegamos onde o carro estava estacionado, mas não a tempo suficiente para que a chuva não nos encharcasse. O vestido que ela usava colou ao seu corpo enquanto ela se sentava no banco do carona. Vi seu queixo tremer e ela abraçou os próprios braços numa tentativa de diminuir o frio que sentia.
— Tire o vestido. Eu tenho uma manta no banco de trás, você pode se enrolar nela até chegarmos em casa. – eu sugeri enquanto ligava o aquecedor, tirava com certa dificuldade a minha camisa e dava a partida no carro em direção à minha casa.
— Essa é uma ótima desculpa para ver meu conjunto de lingerie, Eaton. – Beatrice brincou, mas se esticou para pegar a coberta no banco traseiro.
Por mais tentador que fosse olhar para ela enquanto se despia, não o fiz. A chuva caía forte na pista e eu sabia o quanto era arriscado desviar minha atenção do volante nem que fosse por alguns segundos. Eu não era idiota.
— Eu não tinha pensado nisso, mas é uma ótima observação. – eu ri e balancei a cabeça, tentando controlar minha respiração e meu instinto de olhar para ela enquanto ela tirava o vestido e se enrolava na manta.
— Eu adoro a chuva, mas morro de medo quando tem trovões. Não importa quanto tempo passe, nunca consigo me acostumar com eles. – declarou, se recostando no banco e atacando novamente o cinto de segurança.
— Eu posso oferecer meu serviço de dormir agarradinho se isso fizer você se sentir melhor. – arrisquei uma olhada rápida para ela agora que não tinha mais o risco de me distrair. Ela tentava reprimir um sorriso espremendo os lábios.
— Desde quando você ficou tão espertinho? – a diversão na sua voz era quase palpável.
— Fiquei muito tempo longe de você, então não me culpe por tentar. – me defendi.
Eu só queria chegar logo em casa e passar mais tempo ouvindo ela falar. Beatrice estava solta mais uma vez, se sentia à vontade comigo, e nada conseguia ser mais fascinante do que vê-la conversar sobre qualquer coisa. Eu estava tão entregue a ela novamente. A forma como ela fazia eu me sentir era indescritível. Por mais que eu tentasse entender, não conseguia sequer me expressar. Ela era tão importante. Como eu tinha sobrevivido esse tempo todo sem tê-la ao meu lado?
A chuva ainda não tinha dado trégua quando estacionei na garagem de casa e parecia que ela não iria embora nem tão cedo. Saí do carro, dei a volta, ajudei Beatrice a descer e logo entramos em casa. Ela ainda estava enrolada na manta e eu decidi que mandaria nossas roupas molhadas para a lavanderia somente na manhã seguinte, então as deixei no carro. Fechei a porta atrás de nós e ouvi Beatrice respirar fundo.
— É estranho voltar aqui. – confessou. Eu podia imaginar o porquê. Tinha sido naquela sala que Nita e minha mãe tinham destruído seu mundo. Era perfeitamente normal e compreensível que ela se sentisse dessa forma. Eu não a culpava. – Você sabe... As últimas lembranças que eu tenho daqui não são lá as melhores.
— Eu imagino. – concordei. Não tirava sua razão, mas queria que ela se lembrasse dos bons momentos que tivemos também. Eu amava essa casa, não queria que Beatrice a odiasse. – Mas nós tivemos bons momentos aqui também, lembra?
— Sim, eu me lembro. – ela me deu um sorriso verdadeiro. – Eu gosto da sua casa, Tobias.
— Isso é bom, porque eu não queria ter que ir para outro lugar. – eu sorri. – Ainda mais com essa chuva.
— É verdade. Será que você teria algo para eu vestir? – Beatrice perguntou e me lançou um olhar cauteloso. – Preciso de um banho e eu não quero ter que ficar apenas de lingerie.
— Até que não seria uma má ideia. Por favor, não acabe com a minha diversão, Beatrice. – eu atirei e vi suas bochechas corarem enquanto ela baixava o olhar e a balançava a cabeça tentando não rir. – Vamos lá em cima. Vou providenciar tudo pra você.
Beatrice assentiu e nós subimos as escadas em silêncio até o último andar da casa onde ficava meu quarto. Peguei uma calça de moletom e um suéter para que Tris pudesse vestir e a entreguei. Ela seguiu para o banheiro e se trancou lá. Decidi descer para usar um dos banheiros do quarto de hóspedes. Não perderia tempo algum longe de Beatrice.
Tomei meu banho o mais rápido que pude e quando voltei para meu quarto, Beatrice ainda estava no chuveiro. Coloquei uma cueca e uma calça de pijama, então me movi para ligar a netflix na televisão. Dei uma olhada no quarto e mentalmente agradeci por Lucy ter vindo aqui mais cedo e colocado tudo em ordem. Deitei na cama e usei o controle para escolher algo, mas não sabia ao certo o que Beatrice iria querer ver. Olhei para porta do banheiro na esperança que ela saísse de lá naquele exato momento, mas ainda podia ouvir o barulho do chuveiro ligado misturado ao seu canto completamente desafinado. Não consegui segurar o riso.
Ela era bem ruim cantando.
Saí do quarto e fui até a cozinha. Pus milho de pipoca na pipoqueira e, enquanto ela estourava, abri a geladeira e peguei duas latas de refrigerante. Pensei em escolher um vinho, mas nós já tínhamos bebido no restaurante e eu não queria passar minha primeira noite com Beatrice embriagado, nem muito menos embriagá-la também.
Quando a pipoca estava pronta e eu voltei para o quarto, Tris já estava vestida com minhas roupas e estava de frente ao espelho enquanto secava seu cabelo com a toalha.
— Eu estava começando a me perguntar onde diabos você tinha ido. – ela sorriu ao me ver. Não tive certeza, mas pude jurar que vi seus olhinhos brilharem quando ela olhou para o balde de pipoca na minha mão. – Você fez pipoca? Que fofo!
Beatrice estava se mostrando um pouco diferente desde a vez em que ela esteve aqui em Miami. Ela estava mais solta, mais conversadora, mais animada... Era quase uma nova pessoa. Sua essência continuava intacta, mas seu jeito estava mudado. E eu estava gostando desta nova Tris.
— Digamos que eu estou me esforçando para que você fique um pouco mais. – eu pisquei pra ela.
— E tenta me conquistar com comida? – ela arqueou uma sobrancelha. – Você deveria ter feito bolo de chocolate então. Essa tática nunca falha.
Eu ri e coloquei os refrigerantes e o balde de pipoca em cima da mesinha de cabeceira. Deitei na cama e dei dois tapinhas de leve no colchão ao meu lado, convidando Tris para deitar ali.
— Eu não sei se é seguro eu deitar aí. – ela me deu um sorriso constrangido.
— Eu vou me comportar, prometo. Confie em mim. – pedi, mas o sorrisinho sacana nos meus lábios não me dava nenhuma credibilidade.
— Eu confio em você. Eu não confio é em mim. – Beatrice disse, me fazendo lembrar da primeira noite em que ela tinha estado aqui no meu quarto. Ela tinha dito exatamente a mesma coisa antes de me encher de perguntas sexuais.
— Sei que eu sou irresistível, mas se eu consigo me controlar, você também pode. – brinquei, convidando-a mais uma vez para cama.
Ela revirou os olhos, mas veio até mim antes de colocar a toalha pendurada numa das poltronas. Beatrice deitou um pouco mais afastado do que eu gostaria e deu uma risada quando fiz uma careta de reprovação para ela.
— Não seja tão convencido. E se vamos ficar na mesma cama, eu tenho que manter uma distância relativamente segura de você. – ela explicou com um sorriso no rosto. – Qual filme você escolheu?
— Eu não consegui decidir. Pensei que talvez você pudesse ajudar. – respondi, colocando a pipoca no meio de nós dois e pegando o controle da TV. – Ação ou Terror?
— Eu estava pensando em Romance. – ela me devolveu, enfiando a mão no balde e pegando um punhado de pipoca.
— Romance só se for com você, gata. – atirei e Beatrice soltou uma gargalhada. Ótimo, eu estava conseguindo. – Desculpa, eu tinha que tentar essa.
— Você é um descarado. – ela ainda dava risada.
— Você gosta. – dei de ombros sorrindo e enfiei um pouco de pipoca na boca.
Ela aproveitou que eu estava distraído e pegou o controle da minha mão.
— Que tal “a barraca do beijo”? – falou já selecionando o filme e lendo a sinopse em voz alta.
— Tem como ser mais clichê?
— Toda garota ama um clichê de vez em quando. – ela defendeu e olhou para mim com uma cara de quem queria muito algo. – Por favor. – Beatrice me suplicou e eu vi que não ganharia essa discussão.
Nós veríamos o maldito filme clichê adolescente porque eu simplesmente era incapaz de negar qualquer coisa a ela. Ela me tinha completamente, até mesmo nas coisas mais simples como esta. Isso não tinha mudado e eu duvidava muito que pudesse ser diferente algum dia.
Quando eu assenti, Beatrice bateu palminhas e vibrou com a escolha do filme, dando play logo em seguida.
A noite passou lentamente. Nós comemos a pipoca, bebemos o refrigerante, e em algum momento do filme, ficamos abraçadinhos. Ainda podíamos ouvir o barulho da chuva lá fora e os trovões que soavam só faziam Beatrice se aninhar ainda mais em mim. Eu estava amando aquilo. Não rolou sexo e, por mais que eu quisesse, também não rolou sequer um beijinho. Estávamos tão envolvidos na nossa própria bolha que aquilo por hora parecia ser o suficiente. E era. Eu não podia me sentir mais satisfeito do que estar ali, agarradinho à garota que eu amava, vendo um filme clichê, enquanto deixávamos nos envolver pela atmosfera fantástica que nos rodeava. Era incrível.
Algum tempo depois, adormecemos. E aquela fora a segunda melhor noite de toda minha vida.
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