Notas iniciais
Oi amores, tudo bom vocês?! ♥ Nem demorei tanto assim né? Haha estou conseguindo postar toda semana e isso graças a vocês, que continuam comentando e incentivando. Estou muito feliz! Espero que gostem. Achei o capítulo muito triste. Sério, estou de coração partido. Aproveitem e se envolvam!! Mamãe ama todos ♥ Os vejo nas notas finais!

TOBIAS EATON

— Sinto muito. – ela soltou das minhas mãos e subiu no carro. Porra, não. – O amor não é o suficiente.

Suas palavras me atravessaram como navalhas fatiando meu coração. Eu não podia acreditar na merda que estava acontecendo. Duas horas antes, estávamos jurando amor um ao outro. Agora... Ela estava me deixando. Ela estava me deixando, porra! Ajoelhado ali, vendo seu carro partir, me senti um derrotado. Não me importei com as lágrimas que caiam dos meus olhos. A dor do abandono era grande mais. Como poderia viver agora sabendo do que era viver uma vida com Tris?

Eu estava fodido.

— Francamente, por que vocês homens não conseguem controlar a porra do pau diante um rostinho bonito? Você é igualzinho ao seu pai, Tobias. – a voz da minha mãe alfinetou meus ouvidos e eu vi vermelho. Ela era a culpada de tudo.

Voei para cima dela e a pressionei contra parede a entrada da casa. Com o antebraço pressionando seu pescoço, vi minha mãe engasgar. Nita soltou um grito agudo, mas eu estava cagando para ela nesse momento. Eu não conseguia acreditar que Evelyn tinha ido tão longe. Que porra de mulher era ela?

— É o seguinte, eu só não mato você agora porque a porra do seu sangue corre em mim e porque não quero ser como você. Não sou um assassino. Você foi longe demais, mãe. – quase cuspi dizendo a última palavra. Sentia nojo dela. – Ela é tudo pra mim, você entendeu? A mulher que foi embora daqui tem a minha alma! Eu vou fazer você pagar por todo mal que você fez, você tá me ouvindo, porra?! – gritei, cuspindo e pressionando ainda mais meu antebraço contra seu pescoço. Quando Evelyn começou a ficar roxa, soltei; ela rapidamente se afastou de mim, tossindo e me olhando com horror.

Não perdi nenhum tempo. Quando me virei, meti um soco no meio do rosto de Andrew. Os nós dos meus dedos doeram com o impacto. Eu bufava. A dor que rasgava meu peito era insuportável. Eu queria descontar em alguém e eu iria. Iria machucar todos aqueles que tinham machucado Beatrice. Ela não merecia aquilo, caralho.

O filho da puta apenas massageou o local e me encarou. Ele não se importou. Eu tinha vontade de arrancar seus membros com minhas próprias mãos e ele sabia disso, mas não dava a mínima. Estava acostumado com meu ódio por ele todos esses anos. Ele só não sabia que agora eu o odiava ainda mais. Não me importava se ele valia alguma coisa para minha mãe ou Nita. Eu só queria bater minha merda nele até deixá-lo inconsciente.

— Você deixou ela sozinha todo esse tempo. – falei por entre os dentes. Não entendia como alguém pudesse ser capaz de abandonar Beatrice. – E mesmo assim, ela nunca odiou você. Nem por um maldito segundo ela o fez. Você não merece o ar que respira, seu filho da puta.

— E você acha que eu não sei? – ele disse simplesmente. Era como se o homem não tivesse a porra de uma alma.

Cerrei meu punho, tentando controlar minha raiva. Deus, como era difícil.

— Eu não acredito em você! – Nita berrou e se pôs na minha frente. Usou as duas mãos e me empurrou com toda sua força. Dei um passo para trás e a encarei. Estava furioso com ela também. – Você quase matou nossa mãe e agora quer matar meu pai também? Filho da puta!

— Cale a porra da sua boca, Nit. – apertei meus olhos. Sabia que, se partisse para cima dela, me arrependeria mais tarde. – Eu tô fazendo o possível pra não quebrar sua maldita cara! – rosnei. – Por que você tinha que ser tão cadela desse jeito? Não podia simplesmente aceitar que eu estava feliz?! – eu gritei desesperado. Ela tinha ferrado tudo. – Eu achei que podia te perdoar depois do que você armou com Shauna. Eu juro, Nita, poderia perdoar você se me prometesse que iria mudar.

— A culpa é toda sua! – Nita me interrompeu, gritando com os olhos cheios de lágrimas. Não senti porra nenhuma por ela. Estava destruído. – Você sabia quem ela era! Sabia o que ela representava para nossa família e mesmo assim escolheu ela. Você. Escolheu. Ela!

— Você não tem noção do quanto ela sofreu. – eu rebati, respirando fundo. Porra, era difícil me conter quando tudo que eu queria era acabar com todo mundo ali. – Você não tem noção do quanto vocês a fizeram sofrer! Mataram o irmão dela, Nit. E você sabia dessa porra e nunca me contou. – apontei para minha mãe. – Ela matou um inocente, Nita. Por causa de toda essa merda, ela matou uma pessoa! Como você pode achar isso normal?!

Eu estava arrasado. Minha voz estava falhando. O nó na minha garganta dificultava qualquer coisa que eu tentasse fazer. A dor no meu coração passou a ser física também e corria por todo meu corpo. Eu queria morrer. Tinha perdido minha irmã no momento em que ela colocou os pés na minha casa. Tinha perdido Tris. Tinha perdido tudo.

— Por minha causa! – Nita defendeu nossa mãe, com a voz trêmula. Eu podia notar o quanto ela estava insegura. À medida que a ficha de toda essa merda caía, ela se dava conta da gravidade. Ainda tinha um resquício de humanidade na minha irmã.

Eu estava anestesiado. Tinha perdido muito tempo ali. Iria atrás da minha garota. Ela precisava de mim. O mundo tinha sido arrancado dela. Ela precisava de proteção. Quem a abraçaria quando ela chorasse? Quem cuidaria dela? Eu a faria acreditar em mim. Porra, eu precisava dela e por mais que ela achasse o contrário nesse momento, sabia que ela precisava de mim. Eu tomaria conta dela. Eu enfrentaria essa porra com ela. Eu recompensaria meus erros. A verdade que escondi dela... Eu a recompensaria tudo. E a faria feliz. Ela seria a mulher mais feliz do caralho do mundo.

— Eu quero todos vocês fora. – eu disse, soando um pouco mais calmo dessa vez. Estava decidido a fazer justiça pela morte do irmão de Tris, mas não seria com minhas mãos. Eu colocaria todos os responsáveis na cadeia, não me importava quem fosse. – Estão por conta própria agora. Se afastem de tudo que for meu. Casa, carro... Tudo. Eu não quero ter que olhar pra vocês nunca mais.

— Você não pode estar falando sério. Isso tudo por alguém que acabou de conhecer? – disse minha mãe, esfregando uma das mãos no pescoço. A marca do meu aperto tinha formado uma mancha roxa azulada ali. – Somos sua família, Tobias.

— Cale-se! – rugi e me virei para ela com os olhos queimando. – Vocês não são nada para mim. Qualquer tipo de coisa boa que eu podia sentir por qualquer um de vocês morreu no exato segundo em que entraram na minha casa. Saiam agora ou as consequências serão muito pior.

Comecei a caminhar para dentro de casa, quando senti uma mão segurar meu braço. O aperto frouxo nele fez meu estômago revirar. Nunca mais seríamos mesmo depois de hoje.

— Jay... – Nita engasgou com o choro. Eu não podia olhar para ela agora. Ela sabia que tinha ido longe demais e eu não queria olhar o arrependimento em seus olhos.

— Você morreu pra mim, Nit. – soei derrotado, mas não me importei. Entrei na minha casa e fechei a porta, caindo no chão no segundo seguinte que a dor me atingiu.

Sentia falta de ar. Tinha acabado de perder minha irmã e o amor da minha vida no mesmo dia. Soltei um rugido alto o suficiente para que Miami inteiro pudesse ouvir. Forcei minhas pernas a se levantarem e fui em direção a meu quarto, subindo as escadas o mais rápido que eu conseguia. Cheguei nele amaldiçoando o lugar por ter tantos malditos degraus. Fui em busca da minha carteira e pus algumas roupas dentro da minha mochila. Eu tinha feito uma promessa mais cedo a ela que nunca a deixaria se afastar de mim. Nunca. Mais.

Disquei o número do meu irmão enquanto fechava o zíper e descia as escadas. Eu estava indo atrás dela. Não importa para aonde estivesse indo, eu iria junto. Nada me faria desistir. Eu a faria acreditar em mim. Eu não sabia da morte do irmão dela, porra. Nunca teria deixado minha mãe impune disso. Eu não era um filho da puta. Ela teria que acreditar em mim.

A ligação chamou quatro vezes antes de cair na caixa postal. Bufei e tentei de novo. E de novo. E de novo. A raiva tomou conta de mim e eu arremessei o celular contra a parede da sala. Ele não ia me atender. A porra do Will não iria atender e estava levando ela para longe de mim. A dor mais uma vez começou a bater forte e desta vez a fúria veio junto. Eu não queria acreditar no que estava acontecendo.

Peguei a coisa mais próxima de mim e arremessei também. Uma estátua de guitarra de vidro estilhaçou contra parede. Isso só me deixou ainda mais furioso. Revirei a mesa de centro com tudo que tinha em cima e o barulho dos estilhaços pareceu distante. Meu corpo enlouquecia. Retirei o espelho da parede e o quebrei ao meio forçando-o contra minha perna. A dor no local me atravessou, mas eu não conseguia parar. Arranquei um quadro da parede e fiz a mesma coisa. Gritei até que o ar faltasse nos meus pulmões. Nada adiantava. Nada fazia a dor ir embora. Nada a traria de volta.

— Puta merda! – ouvi a voz de Zeke e me virei para encará-lo. Uriah estava atrás dele. O olhar no rosto dos meus amigos só me deixou mais furioso. Usei toda minha força e revirei o sofá. Eu queria destruir tudo. Me sentia um animal, mas não conseguia me controlar.

Ela tinha me deixado, porra!

— Calma, porra! Respira! – os braços de Zeke me envolveram por trás. Tentei me soltar, mas ele foi firme. Minha cabeça girava e eu respirava com dificuldade. – Que porra você tá tentando fazer? Toma um fôlego. Destruir tudo não vai mudar caralho nenhum.

Ele estava certo. Respirei fundo várias vezes. Uriah levava o celular à orelha enquanto olhava para mim. Podia ver o medo nos olhos dele, mas não me importei. Ele não fazia ideia do que tinha acabo de acontecer comigo.

— Ela me deixou. – minha voz saiu quebrada. A dor era visível para qualquer um e eu não dava a mínima. Precisava colocar para fora, mas dizer em voz alta me fez sentir pior. O embrulho no meu estômago e o vazio que sentia no meu peito era demais. Tudo era demais para aguentar.

— Nós sabemos. – Uriah disse para mim, mas voltou no segundo seguinte para a outra pessoa do outro lado da linha. – Já estamos com ele. Cuida dela, cara... O quê? Indo embora para onde? – soube que ele estava falando com Will e tentei ir para cima dele, mas Zeke continuava me impedindo. O aperto dele tinha ficado ainda mais forte. Era o único que conseguiria me parar e estava fazendo isso. – Certo. Valeu, cara. Nos mantém informado. Não vamos sair daqui até que vocês voltem. Ok, valeu. – e encerrou a ligação, colocando o celular de volta no bolso.

— Onde ela está? – perguntei. Soei cabisbaixo e ferido. Meus amigos perceberam que eu estava derrotado e Uriah se aproximou mais. Zeke deixou seu aperto se afrouxar, mas ainda manteve as mãos lá.

— No aeroporto. Voltando para Chicago. – Uriah respondeu. – Will e Christina estão com ela. Estão tentando fazê-la mudar de ideia, mas Tris é dura na queda.

— Ela me deixou. – repeti mais baixo, sendo tomado por uma dor aguda no peito. Queria morrer. Eu tinha certeza de que nem mesmo a morte poderia ser pior que isso.

— Mas isso não é o fim do mundo. – Zeke disse calmo atrás de mim. Ele não entendia. Ele nunca tinha perdido a razão da vida dele. Porra, nenhum deles entendia o que eu estava sentindo. – Posso soltar ou você vai quebrar a gente também?

Respirei fundo e ele entendeu o recado. Aos poucos, Zeke me soltou e se colocou ao meu lado. Uriah estava de frente e eu podia ver o estrago que tinha feito. Tinha vidro espalhado por todo lado. A sala principal tinha sido destruída. O espelho, o quadro... Tudo eram pedaços.

— Sua perna tá sangrando, assim como seus braços. – o mais novo dos irmãos apontou. Eu apenas encarei ele. Que se fodesse tudo.

— Que horas é o voo dela? – perguntei, procurando minha mochila. Onde essa porra tinha ido parar?

— Dá um tempo pra ela, cara. – Zeke falou. – Ela precisa de espaço. Se você for atrás agora, só vai piorar tudo. Deixa ela respirar.

— Você sabia desde o início que não poderia se envolver com ela. – Uriah acusou. Ele estava com raiva. Podia sentir. Por mais que fosse meu amigo, ele estava bravo por perdê-la também. – Devia ter contado logo a verdade antes de Nita chegar e foder tudo.

— Há coisas que você não sabe, mano. – Zeke rebateu e cruzou os braços. Pelo seu tom, pude saber que ele também sabia sobre Caleb. Eu só não sabia como. – Vamos fazer isso juntos. Você – ele apontou para Uriah. – mantém a porra da boca fechada e você – apontou para mim. – se acalma e me escuta. Não é detonando sua casa que você trará Beatrice de volta.

— Como eu continuo? Sem ela? – perguntei, sendo mais uma vez tomado pela emoção. O soluço que eu tentava prender escapou, enquanto meus dois amigos me encaravam. – Não sei o que fazer.

Zeke suspirou e continuou:

— Pense no que vai fazer e dizer quando ela voltar. – disse ele simplesmente. Eu juro que só queria socar o meio do seu rosto. Não era tão simples assim.

— Ela não vai voltar. – ignorei o gosto amargo que a frase trazia na minha boca. Meu corpo inteiro sentia os efeitos do abandono de Tris. – A merda é grande demais. Ela acha que fiz algo quando na verdade eu não fazia a menor ideia da porra que tinha acontecido. Ela não quer me ouvir. Ela só... Ela não acredita em mim. – desabafei. – Como vou seguir agora? Porra, eu não tava pronto pra perdê-la. Não quando eu tinha acabado de ganha-la.

Zeke e Uriah se entreolharam, mas nenhum dos dois sabia o que dizer.

Olhei ao redor em busca do meu celular e o encontrei no canto da parede. Fui até lá e o peguei. O visor estava todo estourado, mas quando apertei o botão início ele acendeu. Ótimo, ainda funcionava. Fui na discagem rápida e cliquei no nome de Will novamente. Sabia que era inútil ligar para Tris agora. Ela não iria atender. Não sabia sequer se ela ainda estava com o celular.

Chamou, chamou e ninguém atendeu. Mais uma vez. Só que eu não estava desistindo agora. Eles veriam isso. Apanhei minha mochila e comecei a procurar minhas malditas chaves. Quebraria Uriah e Zeke no cacete se fosse possível. Eu não estava deixando Tris ir embora. Iria manter a porra da minha promessa, mesmo que ela não quisesse.

— Aonde você tá indo? – Uriah perguntou.

— Vou busca-la. – disse convicto e apanhei as chaves do chão. Sentia o ferimento causado pelos vidros na minha perna sangrar, mas não dava a mínima. Meu corpo todo estava dormente.

— Você não vai pará-lo? – desta vez ele tinha se voltado para o irmão. O pânico começou a surgir na sua voz.

Zeke cruzou os braços na minha frente e eu o adverti com o olhar. Ele sabia que isso não estava em acordo. Eu iria para a porra do aeroporto eles querendo ou não. Quebraria um nariz se fosse possível. Isso não estava em discussão.

— Quer saber? – Zeke começou. – Não vou me meter nessa porra. Sei como ele tá se sentindo e, no lugar dele, faria a mesma coisa. O fato de não ter feito tem me destruído por dentro. – ele parou e pegou as chaves da minha mão. – Só não vou deixar você dirigir nesse estado. Dá isso aqui – foi em direção e abriu a porta que dava acesso à garagem. Eu o segui e Uriah veio logo atrás de nós.

— Obrigado. – agradeci, entrando no banco do carona do meu carro. Não discuti com ele. Sabia que não tinha a menor condição de dirigir com prudência. Não estava raciocinando. Eu só pensava em ir atrás dela.

— Porra, vocês enlouqueceram. – Uriah bufou e subiu no banco de trás.

Zeke deu a partida e ignorou todos os sinais amarelos e alguns vermelhos até que chegássemos ao aeroporto. Eu notei que ele estava fodido com algo. Tinha voltado a fumar e bebia com mais frequência. Antes da banda decolar, Zeke e eu éramos quase irmãos. Crescemos juntos e éramos melhores amigos. Em algum momento, o nosso laço tinha se rompido. Ele não concordava com algumas das minhas merdas e devido ao sucesso, acabei me afastando. Eu esperava ter nossa relação antiga de volta algum dia.

— Obrigado. – agradeci mais uma vez quando ele estacionou no aeroporto.

Não esperei ouvir sua resposta; abri a porta e saí correndo para área de embarque, mas antes de chegar lá, encontrei com Will e Christina saindo abraçados. Chris chorava no ombro do meu irmão, enquanto ele acariciava seu cabelo e sussurrava ao seu ouvido, parecendo consolá-la. Deixei a mochila cair no chão e permaneci paralisado. Tinha chegado tarde demais.

Passou-se apenas um segundo até que eu sentisse o impacto da mão de Christina no meu rosto. Continuei paralisado. Que porra era essa?

— Isso tudo é culpa sua, seu desgraçado filho da puta! – ela berrou, atraindo a atenção de todo mundo que passava ao redor.

— Chris, calma, ele também tá sofrendo – Will tentou argumentar, mas ela logo interrompeu.

— Ele merece! – ela gritou; o ódio sendo derramado nas suas palavras. – Ele e sua família fodida destruíram a garota! Ela não merecia isso, porra! Ela. Não. Merecia! – ela partiu para cima de mim, mas meu irmão a agarrou.

— Você deixou ela ir sozinha? – perguntei a Will. – Ela não tem ninguém, porra.

— Tem gente esperando por ela lá. – ele respondeu, ainda com os braços em Christina. Ela bufava na minha direção. – Um sujeito chamado Al. Tris confia nele.

— Porra. – rugi e passei a mão no cabelo, começando a andar de um lado para o outro, desesperado.

Eu me lembrava dele. Beatrice havia me dito que tinha sido seu primeiro e único namorado. O idiota não tinha dado valor a ela. Não parecia ter noção do que tinha nas mãos. Eu nem o conhecia, mas já o odiava. Odiava o que ele era. Odiava tudo, porra. O fato dela correr para os braços dele só fez tudo ficar pior. Além da dor e da raiva, o ciúme agora me consumia. Me sentia a porra de um inútil sem poder fazer nada a respeito.

— Ei, você é o Quatro? Como o daquela banda? – uma garota se aproximou de nós, junto com mais duas amigas. Só agora tinha percebido o círculo de pessoas formado entre nós.

Caralho. Essa era a última coisa que eu precisava agora.

— É ele mesmo! – alguém gritou e senti os celulares apontados para mim. Porra, não.

Zeke e Uriah me conduziram rapidamente até o carro, enquanto eu tentava me separar da pequena multidão que corria para cima de mim. Entramos e Zeke deu marcha ré, partindo em alta velocidade para longe daquele lugar. Meti um soco na porra do painel do carro. Uriah soltou um assobio atrás de mim.

— Uau – ele disse parecendo divertido. – Fazia tempo que não tínhamos um desses. Senti falta.

— Cala a porra da sua boca. – rugi pra ele. Não era hora para seus comentários alegres. Eu queria foder todo mundo, caralho.

— Wow, calma aí. – ele riu. – Só tava tentando aliviar o clima.

Ignorei, porque esse era Uriah. Troquei um olhar com Zeke, que apenas deu de ombros. Ele também estava acostumado com o jeito do irmão.

— Para onde estamos indo? – perguntei.

— Pro clube. Espera essa porra acalmar, então você vai atrás dela. – Zeke respondeu. – Até lá, a gente enche a cara.

Recostei a cabeça no banco do carro e fechei os olhos. Não tinha muito para fazer agora. Mais uma vez, meu amigo tinha razão. Eu não poderia ir atrás dela agora. Se eu fosse, talvez piorasse tudo. Eu estava afastado dos holofotes, mas isso não garantia segurança nenhuma. Tinha sido cauteloso por esse tempo, mas sempre tinha uma fofoca ou outra. Fugir da mídia não era fácil. Mesmo depois de um tempo afastado, essa merda não ia embora.

Zeke olhou para trás algumas vezes durante o percurso, mas não havia sinal algum de que estávamos sendo seguidos. Quase chorei de alívio. A tentativa de suicídio de Nita tinha rendido algumas boas manchetes, mas eles agora estavam procurando mais. Sabia que logo logo estariam na minha cola.

Paramos no clube e Zeke entregou a chave ao manobrista. Seguimos ao bar e nos sentamos. Uriah pediu a primeira dose. Virei o copo e o líquido desceu rasgando. Estava fodido. Tris estava a quilômetros de mim agora nos braços de outro cara. Graças ao caralho da minha família tinha perdido minha razão.

Mais uma dose.

E mais outra.

E mais outra.

Não sabia há quanto tempo estava ali. Não conseguia sequer dizer meu nome completo. Meu corpo todo estava dormente e tudo parecia desfocado. A dor que eu sentia ainda estava lá e nem mesmo o álcool no meu sangue amenizava as coisas. Eu sentia falta dela. Sentia falta do seu cheiro, da sua risada, da sua voz... Sentia falta de tudo. A queria comigo. Tínhamos tido um dia maravilhoso, caralho. Eu a tinha tomado em meus braços. Ela me deu tudo. Ela me deu tudo, porra!

É, não tinha bebido o suficiente...

— Vamos cara, terminamos por hoje. – ouvi a voz distante de Uriah. Tentei focar a visão e vi algo parecido com o corpo de Zeke jogado ao balcão do bar. Sorri pra mim mesmo. Ele estava tão fodido quanto eu. – Que porra você acha tão engraçado?

— Ainda não terminei. – tentei dizer, mas minha língua enrolou. Isso era engraçado. Isso era engraçado como o inferno.

— Ah, terminou sim. Ou você sai agora comigo ou vou deixar sua bunda bêbada jogada aqui. – ele disse impaciente. Eu dei de ombros. Queria ficar sozinho de qualquer forma. – Droga.

— Deixe ele comigo. – uma voz feminina surgiu. Não dei a mínima. Não era Tris, então que se fodesse também. Minha menina provavelmente estava abraçada a outro agora. Eu queria matar o filho da puta do Al. – Leva seu irmão. Eu dou carona a esse aqui.

— Tem certeza? Ele fica meio ranzinza quando bebe. – Uriah falou. Zeke continuava desmaiado. Eu ri mais uma vez.

— Acho que ainda estamos na fase em que tudo é muito engraçado. – a mulher disse outra vez. Ela sentou ao meu lado, mas não me virei para olhá-la. Continuei encarando a garrafa de uísque na minha frente. Ainda estava na metade. – Deixa eu adivinhar: mulher?

— Você sabe que sim. E você sabe quem. – respondi seco, virando mais um copo. Não estava a fim de papo. Só queria que ela fosse embora.

— É uma merda. – Cara respondeu, dando dois tapinhas de consolo no meu ombro.

Eu já tinha desabafado com ela a respeito de Tris algumas vezes. A transa na minha casa com ela tinha sido um fracasso após eu despejar tudo que estava sentindo. Depois, teve os seus conselhos na festa dos sócios, quando ela me mandou ir atrás de Beatrice. Acho que para Cara, estávamos construindo meio que uma amizade. Em outra época, eu curtiria. Agora eu só queria que ela sumisse.

— Você está com uma aparência horrível. – ela continuou, mesmo eu tendo ignorado sua presença. – Isso no seu braço é sangue?

— Me deixa em paz. – respondi, bebendo mais um gole. Estava funcionando. Já não sentia quase nada. Tudo estava dormente. Até mesmo o sofrimento estava menor. Tudo era suportável agora.

— Ok, chegamos na parte em que você fica ranzinzo. – Cara rebatou, quando abriu a bolsa e pegou sua carteira, colocando algumas notas de cem em cima do balcão. – E o bafo tá ainda pior. Vem, eu te deixo em casa. – ela pegou um dos meus braços e o apoiou em seu ombro. Tentei ficar de pé, mas não sentia minhas pernas. Gargalhei. Era engraçado pra caralho.

Cara chamou o garçom para ajuda-la e juntos me levaram até seu carro. Quis dizer que o meu estava aqui, mas não consegui formar uma frase coerente. Aliás, eu não tinha certeza se tinha vindo de carro. Espera, onde estava Zeke e Uriah?

— Eles já foram. Zeke estava tão ruim quanto você. – Cara respondeu, concentrada no volante. Virei-me assustado. Desde quando ela sabia ler mentes? Porra, em que ano estávamos? – Eu não leio mentes. Não seja idiota. – ela riu e eu arregalei os olhos. Ela fez de novo. Que porra (?)

— Você é como a Jean Grey. Aquela da Marvel e tal. – soltei.

— Sim, eu sei. Me lembro de não perder um único episódio. Não assisto esse desenho há anos. – ela riu e parou o carro.

Estacionamos na entrada da minha casa e Cara deu a volta para me ajudar a descer. Apoiei um braço por cima do seu ombro magro e tentei ficar de pé. Estava um trapo. Não me lembro da última vez em que tinha bebido tanto. Tudo começou a ficar escuro e tentei focar minha visão. Cara ainda tentava me equilibrar e ao sentir seu perfume doce pra caralho, meu estômago embrulhou. Tentei segurar colocando a mão na minha boca, mas já era tarde demais.

Tinha vomitado. Bem em cima dos pés de Cara.

— Que porra é essa, Tobias?! – ela soltou um grito estridente e bufou em frustração. – Esses são Louboutin legítimos, você tem noção do estrago que fez? – ela fez uma careta de nojo. Seus saltos estavam cobertos de vômito. Era nojento, mas ao mesmo tempo engraçado pra caralho. – Você está rindo, não é? Eu deveria chutar sua bunda! – Cara tentou parecer brava, mas pude ver que estava reprimindo o riso. – Vamos, agora você precisa de um banho urgente. – ela me segurou novamente e começamos a caminhar para porta principal. – E eu de sapatos novos.

Entramos em casa e subimos o primeiro lance de escadas. Cara me perguntou qual era meu quarto, mas apontei para algum do segundo andar. Eu não a levaria lá. Eu não estava levando ninguém lá. Queria manter aquele lugar intacto. As lembranças da última noite ainda estavam vivas e eu queria manter desse jeito. Tudo estava como tínhamos deixado. Eu não estava destruindo isso. Eu sequer sabia se seria capaz de ir lá novamente.

Cara ligou o chuveiro e começou a tirar minha roupa. Quando suas mãos foram para a barra da minha cueca, senti meu sangue parar de circular. Não queria transar com ela, mas porra, era um homem! Se meu pau sentisse que estava recebendo atenção, ele ficaria animado.

— Acho que consigo me virar a partir daqui. – segurei suas mãos e as tirei de mim com gentileza. Não era necessário ser um filho da puta se ela estava apenas me ajudando.

— É, é melhor. – ela riu e retirou seus sapatos, colocando-os no lixeiro do banheiro. Eu pensei que o normal seria lavá-los, mas estava acostumado com pessoas como ela. Minha irmã era igualzinha.

Afastei meus pensamentos sobre Nita. Ela não merecia agora.

— Qualquer coisa, é só chamar. Vou esperar do lado de fora. – Cara disse e, em seguida, fechou a porta, me deixando sozinho.

Rapidamente senti um vazio tomar conta do lugar. Enquanto a água molhava meu corpo, por mais quente que estivesse, sentia frio. A sensação do abandono estava lá. Nunca tinha me sentido assim. Sabia o que era ser rejeitado e talvez até um pouco odiado, mas ninguém nunca havia me deixado. Nem mesmo meu pai. Por mais duro e injusto que fosse, ele sempre esteve lá. Ele havia me levado embora várias vezes quando as coisas ficavam difíceis entre minha mãe, Nita e eu. Ele nunca tinha me abandonado. Ninguém nunca tinha. Agora eu sabia o que era. E não desejava isso nem pro meu pior inimigo.

Tomei um banho demorado, pensando no que faria agora. Não tinha certeza mais de nada. Sabia que Tris não queria me ver. Porra, eu no seu lugar faria a mesma coisa. Nunca confiaria novamente. Não tinha sido apenas uma parte do seu passado que eu tinha escondido. Havia também todas as mentiras que eu tinha contado para ela. Era uma merda muito grande para lidar. Ela jamais me perdoaria.

Chorei toda a merda que tinha dentro de mim. Antes de ela chegar, eu estava confortável. Estava confortável na minha vida de sexo casual e as festas que eu dava. Eu tinha dinheiro, tinha meus dois irmãos e, aparentemente, uma família que me amava. Eu tinha fama, porra. Eu tinha absolutamente tudo e estava no auge da minha vida. Agora... Sozinho, na porra do banheiro da minha casa, eu não tinha ninguém. Eu não tinha mais nada que valesse à pena.

Terminei o banho e me sequei. Enrolei a toalha na cintura e saí. Vomitar tinha ajudado a me sentir um pouco melhor, mas eu ainda estava meio zonzo e cansado pra caralho. Tirei uma cueca da gaveta do guarda-roupa e me vesti. Era um hábito deixar cuecas em todos os quartos. Antes de Tris aparecer na minha vida, eu nunca sabia qual seria meu abatedouro, então meio que me prevenia.

Lembrar dela doía. Não tinham nem 24 horas que ela me deixou e a saudade já era insuportável.

— Fui lavar os pés e vou te contar, não sei se conseguirei te perdoar um dia. – Cara brincou entrando no quarto. Pisquei para sair do meu transe e me concentrar nela. – Aproveitei e peguei algumas aspirinas e um comprimido para enjoo. Ando com um monte deles na bolsa. Você tem sorte de eu estar aqui. – ela riu e me entregou os comprimidos junto com um copo de água.

Engoli os remédios e bebi a água, pondo o copo em cima da mesinha ao lado da cama. Estava cansado. Estava cansado de toda merda que tinha acontecido comigo.

— Eu sinto muito. – Cara disse com voz doce. Ela realmente parecia sincera. Me perguntei o quanto tínhamos avançado esta noite. De alguma forma, tinha conseguido me ligar a ela.

— Obrigado. – falei e ela me abraçou. Retribuí. Eu não tinha ninguém aqui. Tris, Nita, Will... Todos eles tinham ido embora. Se pudesse me sentir feliz, eu estaria; por ter Cara aqui. Ela estava sendo uma boa amiga.

Me soltei pondo um beijo na sua testa. Ela me ajudou a ir até a cama e puxou o cobertor por cima do meu corpo. Fechei os olhos e minhas pálpebras pesaram. Graças ao álcool, não seria difícil pegar no sono. Respirei aliviado. Eu só queria que a porra do dia acabasse logo.

Quando senti Cara se afastar da cama, segurei sua mão. Não queria sentir a droga do vazio que me rodeava. Não queria me sentir só e abandonado. Quando ela estava lá, me distraía, por mais difícil que fosse. Eu precisava de alguém agora. Precisava de um amigo.

Ou uma amiga.

— Não vá. – pedi, ainda de olhos fechados. – Não quero ficar sozinho.

— Ok. – ela respondeu. – Eu fico até você se sentir melhor.

Não sabia se ficaria melhor algum dia. Pensei em todo meu dia. Desde acordar com ela agarrada a mim até o momento em que subiu no carro e me deixou sozinho.

Tinha achado que jamais amaria alguém, mas tinha amado Tris. Ainda amava. Talvez mais forte do que qualquer outra coisa que eu já senti. E isso me destruiu. Completamente. Eu estava todo fodido. Mas em nenhum momento me arrependeria disso.

Nunca, em toda minha vida, me arrependeria dos momentos que passei com ela.

Nunca, em toda minha vida, me arrependeria de amá-la.

Notas finais
E aí, amores?! O que acharam?! Comentem, comentem, comentem ♥ Confesso que sofri horrores escrevendo esse capítulo. Tudo foi difícil. Entrar na mente do Tobias e descrever como ele se sentia foi complicado e estou de coração partido. Espero que vocês tenham se envolvido tanto quanto eu. Estou amando o desenrolar da história! Alguns de vocês abandonaram a fic no capítulo anterior porque Tris e Tobias se separaram. Eu lamento que vocês não tenham continuado, mas não havia outro jeito de seguir. Tinha que se ser assim. Esperava que entendessem, mas boa parte quis me matar. Enfim, até o próximo!! Será narrado pela nossa Tris e eles se encontrarão. Tobias não vai deixar tão fácil assim. Mal posso esperar para contá-los! Continuem comentando!! Amo todos vocês ♥