Notas iniciais
Olá meus amores, tudo bom com vocês? Como foi o Natal? ♥ Esse provavelmente será o último capítulo do ano, porque eu não sei se o próximo ficará pronto amanhã, então se não ficar, já quero desejar um bom 2016 para vocês! Obrigada por me acompanharem até aqui e ano que vem estaremos juntos de novo. Vocês são muito importantes para mim. Espero que gostem! Os vejo nas notas finais ♥ FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323

TOBIAS EATON

Ela era tão malditamente incrível. É talvez a mulher mais bonita que eu já vi, com seus longos cabelos loiros, olhos verdes profundos e lábios perfeitos. Meu Deus, eu amava beijá-la. Eu tinha feito isso agora há pouco e já sentia saudade. Eu estava viciado no seu gosto, no seu cheiro e em todos os possíveis sons que ela fazia. Eu amava sua risada. Eu amava o olhar nos olhos dela para Hector. Eu amava o tom doce da sua voz para ele. Eu amava. Em tudo, eu a amava.

– O que é isso na sua bochecha? – Hector perguntou e imediatamente meu corpo inteiro ficou tenso. Merda. – Tá meio roxo.

Eu desviei o olhar, porque ver Tris machucada era a minha perdição. Eu não queria confirmar que tinha sido Nita. Porra, eu iria perder a porra do meu controle se minha irmã aparecesse na minha frente agora. Ela tinha ido longe demais desta vez. Eu estava orando para que eu estivesse errado, porque eu iria até o inferno caçá-la. Eu tinha me esforçado cada maldito segundo para ignorar os machucados de Tris. Eu já tinha tido estresse demais por hoje. Eu queria esquecer e foder toda esta merda.

– Eu apenas me machuquei no trabalho. – Tris deu de ombros, enquanto passava a mão na bochecha de Hector. – Você não precisa se preocupar, querido.

Ela era tão doce. O que foi me dito sobre ela e sua mãe não faziam a porra do menor sentido. Evelyn e Andrew tinham feito Natalie e Tris parecerem o diabo. O que estava diante mim era um Querubim. A vida de Tris tinha sido uma mentira por muito tempo e eu estava começando a desconfiar de que a merda que eu sabia também fosse.

– O Tobias já te chamou para sair? – Hector perguntou, com um sorriso de criança no rosto, enquanto olhava de mim para Tris. – Por que você está vermelha? Ele não para de olhar para você.

Tris olhou para mim e as suas bochechas se destacavam pelo vermelho. Ela me suplicou ajuda com seu olhar, mas eu apenas dei de ombros. Eu gostava do constrangimento que Hector estava fazendo a ela. Era divertido ver a expressão surpresa no seu lindo rosto e ver como ela mordia o lábio quando estava nervosa. Isso fez com que meu pau ganhasse vida imediatamente.

Eu precisava de ar.

– Você não é meio novo para falar dessas coisas? – Tris desconversou, enquanto o celular em seu bolso começou a tocar. Não era o celular que eu havia dado a ela; esse era o de Jeanine. Onde diabos estava o que eu comprei para ela? – Oh, é Christina ligando. Você deu alguma notícia a elas?

Eu balancei a cabeça. Tinha estado distraído e nervoso demais para ligar para alguém.

– Bom, então eu acho que preciso atender. – ela se levantou da cama e beijou o topo da cabeça de Hector, antes de sair do quarto e nos deixar a sós.

Hector abriu um largo sorriso para mim quando Tris saiu e eu não pude deixar de sorrir também. O menino era extremamente cativante.

– Você gosta dela. – ele acusou, enquanto o par de olhos castanhos me desafiava a dizer o contrário.

– E você é um traidor. – eu cruzei meus braços na altura do peito e olhei feio para ele.

Hector não se abalou.

– Você deveria me agradecer. – ele riu, em seguida fez uma careta. – Droga, você deve me lembrar de não rir. Dói pra cacete.

– Você deve tomar mais cuidado com a sua boca. – eu sorri para ele, enquanto me aconchegava e me sentava na sua cama. – Tris não gosta quando você fala assim.

– Ela gosta de você. – Hector levantou uma sobrancelha. – Mas você sabe que o homem que tem que tomar a iniciativa.

– E desde quando você é um especialista em relacionamentos? – eu o desafiei. – Você só tem onze anos, cara.

– Eu tinha uma namorada no antigo orfanato. – ele deu de ombros como se não fosse grande coisa e eu estreitei meus olhos para ele, esperando que ele continuasse a falar. – Ela se chamava Maddie. Ela era mais velha que eu. Eu tinha dez e ela tinha onze. Ela era muito bonita e inteligente, então conseguiu uma família. Eu gostava de beijar ela. – eu arregalei os olhos e tossi com o bolo de saliva que tinha me engasgado. – Isso é o que os namorados fazem, ué.

– Você está me dizendo que namorou uma garota com dez anos? – eu perguntei, incapaz de esconder a descrença na minha voz.

Hector se esforçou para não rir.

– Sim. – ele deu de ombros. – Você já beijou Tris?

Eu me ajeitei na cama, ficando desconfortável pelo rumo que a conversa tinha tomado. Não era tão divertido quando você era o entrevistado por Hector. Observar a reação de Tris tinha sido hilário porque o garoto não deixava que nada passasse despercebido, mas estar desse lado era complicado.

– É tão simples. – ele bufa, frustrado com o meu silêncio e morrendo de curiosidade. – Sim ou não?

– Algumas vezes. – eu me remexi na cama novamente.

Hector apertou os lábios com mais força para não rir.

– Eu posso ajudar você. – ele falou e quando ia continuar, Hector fez uma pausa. – Espere, você gosta mesmo dela, não é? – eu concordei com a cabeça, o fazendo abrir um largo sorriso. – Ok, isso vai ser divertido. Nós do orfanato a conhecemos muito bem.

– Hum, ok. – por que eu estava tão nervoso? Jesus, era apenas Hector conversando comigo!

– Ela ama música. – ele começou, então soltou um pequeno riso, segurando a parte da barriga em que tinha sido operado. – Você já deve saber disso. Jeanine disse que você é famoso e que você tinha uma banda.

– Já faz um tempo. – eu dei de ombros.

– Ela gosta de abraços também. – ele sorriu e eu pude ver seus olhos inundarem de amor ao falar de Tris. Hector e eu tínhamos isso em comum: estávamos apaixonados pela mesma garota. – Quando nós a abraçamos, ela fica muito feliz. – ele franze a testa, tentando se lembrar de mais coisas. – Eu a ouvi conversando com Christina sobre flores. A mãe dela tinha uma floricultura. Tris adora flores.

Interessante. Eu já tinha a ouvido falar sobre as entregas que sua mãe costumava fazer no dia dos namorados. Ela também já tinha mencionado que amava flores e ela amava sua mãe também. Talvez fosse uma boa ideia misturar as duas coisas quando eu a chamasse para sair novamente.

– Ela adora chocolate. – ele faz uma careta. – É alguma coisa das garotas.

– Hum... E como você acha que eu devo chama-la para sair? – perguntei, erguendo minhas sobrancelhas em desafio para Hector. Eu me recusava a acreditar que estava pedindo conselho a um garoto de onze anos. Era patético.

– Aproveite a semana que vem. É aniversário dela. – ele sorriu.

Eu concordei com a cabeça, mas parei bruscamente quando me dei conta do que Hector tinha acabado de dizer. Eu ouvi direito?

– Semana que vem já é março? – eu juntei as sobrancelhas em confusão.

– Você me zoa pela idade, mas eu estou parecendo o adulto aqui.

Seis de Março.

– O aniversário dela é dia seis de março. – eu falei, mais para mim mesmo.

– Eu pensei que você já sabia. – Hector deu de ombros.

– Não, eu sei. Eu tinha a ouvido falar na noite passada. – eu disse, tentando repassar mentalmente o que nós havíamos conversado na noite passada. Tudo era uma mistura de informações.

– Então você esteve com ela na noite passada? – Hector perguntou em desafio, com um sorriso divertido nos lábios e insinuação em seus olhos.

– Cale a boca. – eu o soquei de leve no ombro, fazendo com que ele soltasse uma pequena risada.

A porta do quarto de Hector foi aberta e Tris entrou com uma carranca no rosto.

– Desculpem a demora, eu tive que passar na recepção para dar os documentos. – ela olhou para Hector. – Você está bem?

– Por que vocês ficam me tratando como se eu estivesse doente? – Hector fez uma carranca.

Tris e eu nos entreolhamos e sorrimos um para o outro. O sorriso dela podia facilmente me matar. Era tão doce e ingênuo quanto ela. Os dentes perfeitamente alinhados se encaixavam tão bem em sua pequena boca. Não era a estética dele em si, mas sim o que ele passava para nós quando ela sorria. Tudo ao seu redor se iluminava. Eu não estava ficando louco. Eu claramente via tudo mais brilhante quando ela sorria.

– Talvez seja porque você está em um hospital? – Tris perguntou com ironia.

– Eu quero ir para casa. – ele soou triste e eu senti como se tivesse levado um soco no estômago.

Eu olhei para Hector e o garoto animado e brincalhão não estava mais lá. Ele agora tinha dado espaço ao seu lado triste, o que sentia falta de ter amigos, pais e pessoas que o amavam.

– Você logo irá, Hec. – eu o assegurei. – Não se preocupe.

– E nós vamos comprar cupcakes de todos os sabores que você imaginar. – Tris sorriu para ele. – Você vai poder comer todos eles. E eu até posso te fazer um bolo enorme de chocolate.

Os olhos de Hector brilharam em animação.

– Eu vou poder tomar banho de piscina na sua casa? – Hector perguntou para mim.

Eu sorri.

– Quando você quiser, campeão.

– Então é assim? – Hector perguntou, os olhos inundando num tipo de reflexão e admiração.

– O quê, querido? – Tris perguntou.

– Ter uma família. – ele respondeu.

Se antes eu amava o garoto, agora eu estava o adorando. Eu queria coloca-lo em meus braços e dizer que a partir de agora tudo ficaria bem. Que seu passado não o atormentaria. Que ele não precisaria se preocupar em não ser amado, porque eu tinha amor para caralho por ele. Eu odiava que ele tivesse tido uma vida fodida, sendo mandado de lar em lar adotivo, mas estava feliz por isso. Isso o tinha trazido até mim e agora eu não iria deixá-lo.

– Sim, Hec. Nós somos sua família agora. – eu respondi, ganhando um olhar de aprovação de Tris.

– É verdade que as famílias trocam presentes? – o garoto perguntou com um sorriso enorme nos lábios.

Tris soltou uma gargalhada.

– Sim; na maioria das vezes em ocasiões especiais, como Natal, Dia das Crianças, Aniversários...

– É seu aniversário semana que vem, não é, Tris? – Hector perguntou divertido.

Ele era tão esperto e eu também estava percebendo que, apesar de se mostrar tímido e reservado no começo, Hector fazia um monte de perguntas. Ele era uma criança curiosa e muito inteligente.

– Sim, é. – Tris respondeu desconfortável e nervosa. Ela juntou as próprias mãos em seu colo. – Como você sabe?

– Eu ouvi você conversando com Christina. – ele diz causalmente e logo em seguida, põe a mão na boca. Tris cruzou os braços e lhe deu um olhar feio, mas eu só consegui prestar atenção no quanto o peito dela balançou quando ela fez isso.

Ela tinha belos peitos.

– Ouvir a conversa dos outros é feio, Hector. – ela reclamou. – Você não pode fazer isso.

– Eu só ouvi a parte do aniversário, eu juro. – ele abriu os olhos e eu vi um brilho diferente neles. Podia jurar que era a cara do famoso gatinho do Sherek. – Pensei que podíamos fazer uma festa de aniversário. Com bolo, presentes... – ele suspirou e pareceu refletir. – Eu sempre quis ter uma dessas. Eu já vi nos filmes.

– Quando é o seu aniversário? – Tris perguntou, esforçando-se ao máximo para não chorar. Ela era tão fácil de ler quanto ele.

Eu amava poder ler os dois.

– Dia dois de dezembro. – ele deu de ombros. – Jeanine geralmente nos faz um bolo e nos deixa beber um pouco de refrigerante, mas nada além disso. Nós não temos dinheiro.

– Bom... – Tris começou. – Quem sabe esse ano nós não façamos uma festa, hein?

Os olhos de Hector brilharam no mesmo instante.

– Você faria isso por mim? – ele levantou as sobrancelhas; a expectativa era refletida nos olhos dele.

Eu esperei. Nós estávamos no final de Fevereiro. Se Tris fosse embora, talvez ela não voltasse para estar aqui conosco em dezembro, no aniversário de Hector. Porra, eu estava torcendo internamente para que ela dissesse “sim, eu faria isso por você”. Eu queria que ela estivesse aqui em dezembro, março, julho... Caralho, eu a queria aqui todo tempo. Precisava convencê-la de que ir embora era uma péssima ideia. Ela não podia me deixar.

– Nós podemos tentar, Hector. – ela sorriu de forma tranquilizadora para ele e ele assentiu. Eu senti como se todo o oxigênio me tivesse sido devolvido. Não era uma promessa de que ela estaria aqui, mas era um começo. Ela não estava dizendo que não estaria.

Hector e Tris se envolveram numa conversa e eu os observei calado. Era lindo admirar a interação dos dois. Era como se eles estivessem em uma bolha e nada pudesse os afastar. Eu gostava da conexão que eles tinham e foda-se se era muito agradável ver o sorriso de Hector e Tris enquanto eles riam de algo pouco engraçado. Eles eram leves. Ambos sofreram tanto no passado e eles mereciam ser feliz. Eles eram almas gêmeas e eu entendi isso no momento em que pus os olhos neles.

Poderia custar minha vida, mas eu faria o impossível para que Hector e Tris continuassem a sorrir deste jeito.

Passaram-se algumas horas até que Hector sentisse sono e adormecesse. Tris se levantou da cama e veio até mim, ficando ao meu lado enquanto olhávamos a figura bonita deitada na cama do hospital.

– É uma pena que ele tenha passado por tanta coisa, não é? – ela perguntou, ainda olhando para ele. – Ele é uma criança tão boa. – Tris estava pensando em voz alta. Eu não sei se ela se dava conta de que eu podia escutá-la.

Entretanto, eu a respondi mesmo assim.

– Eu queria poder mudar o passado. – eu disse e o significado ia muito mais além de mudar a vida de Hector. Eu queria ter mudado a decisão de ir atrás do filho da puta do Andrew. Só que eu não podia explicar isso agora. Tris não estava pronta ainda. – Eu teria dado uma vida melhor para ele. – eu olhei para ela. – E se você permitisse, eu teria cuidado de você também.

Ela me olhou e me deu um sorriso singelo. Eu amava esse sorriso.

– Gosto de pensar que minha vida foi boa. Eu tive uma mãe que me amou incondicionalmente até seu último suspiro e até por um momento eu tive um pai e um irmão também. – ela voltou seu olhar para cama de Hector, mas seus olhos estavam muito mais distantes. – Você nunca tem um fardo maior do que pode aguentar. Olhe para ele e veja seu sorriso. Seus pais morreram quando ele era muito mais novo. Depois disso, a vida só piorou para ele. Imagine você se apegar as pessoas de um lugar e logo em seguida ser despejado para outro onde tudo é novo. Não é fácil e nunca é. Mas ainda assim, Hector consegue sorrir. Ele vê a felicidade nas coisas simples. E mesmo que ele chegue a lamentar algumas coisas, nós vemos que ele se esforça para olhar o lado bom da vida. Viver é assim. Nós não escolhemos se vamos ou não sofrer. A gente apenas encara e luta para sobreviver tentando olhar pelo lado bom das coisas.

Deus, se antes eu não estava apaixonado por ela, eu acabara de fazer isso agora mesmo.

– Ele se parece com você. – eu confessei. – E eu odeio que você tenha passado por tudo isso. Você é tão incrível. Mesmo que eu não possa mudar o passado nem o rumo que sua vida tomou, eu vou dar o meu melhor para que o resto da sua vida valha à pena.

– Isso em você me lembra a minha mãe. – ela riu.

– O quê?

– Essa vontade de me proteger do mundo e me fazer feliz.

Ela falou isso com orgulho e a vontade de beijá-la doeu ainda mais. Porra, eu estava tão fodido. Estava tão apaixonado por essa garota que chegava a ser patético. Eu faria tudo para vê-la sorrir. Eu daria toda a merda do meu dinheiro se eu pudesse comprar um terço da felicidade dela. Eu estava tão entregue e me perguntava se ela tinha alguma noção do que eu estava sentindo e também se ela sentia o mesmo.

Era assustador.

Quando meu olhar caiu para seus lábios e eu avancei devagar na sua direção, Tris recuou.

– Eu não vou deixar você me beijar. – ela franziu a testa.

– Por que não?

– Porque eu não sei o que estamos fazendo ou o que nós somos, Tobias. – ela soltou a respiração. – Em uma hora estamos jantando e eu me sinto como se fosse especial para você, mas em outro momento sua irmã aparece e você simplesmente não é... Você. Você não é você comigo quando há Nita. – ela desviou o olhar de mim e olhou para alguma coisa por cima do meu ombro. – Eu não estou pedindo para que você escolha; isso não seria justo. Mas e se você precisar escolher? Eu já perdi minha mãe, meu irmão, meu pai, meus amigos... Eu não quero perder mais ninguém. Todas as perdas deixaram cicatrizes em mim, Tobias. Se eu perdesse você... Seja o que for, isso me destruiria. – ela me deu um sorriso triste. – Não posso arriscar a menos que você me diga que não haverá empecilho entre nós. Diga-me que vale à pena arriscar por você. Prometa para mim que se a gente tentar, nada da sua vida agitada irá ser uma barreira entre nós.

Porra, eu queria prometer isso a ela. Queria erguê-la em meus braços e lhe dizer que tudo ficaria bem. Eu iria cuidar dela e nada iria nos impedir de ser felizes juntos. Mas como diabos eu podia dar essa garantia a ela quando nem mesmo eu sabia a certeza de alguma coisa? Isso era uma merda fodida. Ela estava sendo tão sincera comigo e eu estava escondendo algo que ela merecia saber. Isso não era justo com Tris.

– A única coisa que eu posso te garantir agora é que Nita não será mais um problema entre nós. – eu suspirei e peguei suas pequenas mãos. – Eu não vou deixar que ela te machuque mais, Tris, porque quando ela atinge você, ela me atinge também. Eu já te disse isso uma vez e vou repetir: não vou correr para ela sempre que ela precisar. Eu cansei de tentar ajuda-la e corrigi-la. Nita é uma adulta agora. Eu passei anos lutando para que ela fosse feliz. Eu tenho que lutar por mim agora e você é o que me faz feliz, Tris. Eu vou lutar por nós. Eu sei que isso tudo está uma bagunça e que isso pode estar confundindo você. Eu não tenho certeza em relação ao nosso futuro, mas tenho certeza de que hoje, no presente, eu quero você.

Os olhos dela marejaram à medida que eu ia falando. Ela estava com medo, maravilhada, incerta e feliz. Eu não sabia descrever como eu me sentia em relação a ela, mas estava torcendo para que isso bastasse. Isso a dava uma noção do quanto ela era importante para mim. Ela era perfeita. Ela tinha que se sentir amada e especial. Ela merecia isso, caramba.

– Você promete para mim? Promete que vai lutar por nós? – Tris perguntou ainda apreensiva. Eu entendia sua insegurança. Ela não estava acostumada a ser tratada como deveria ser. Ela estava sendo agora minha prioridade em tudo.

Como alguém tinha se tornado tão importante para mim em tão pouco tempo? A menina tinha meu coração em sua mão.

– Eu... – quando iria continuar a frase, o toque do meu celular disparou e eu o tirei do bolso, vendo o nome de Nita aparecer na tela.

Eu estava esperando sua ligação.

Tris também tinha visto. Ela ficou tensa quando leu o identificador de chamadas. Deus, o que eu faria agora? Nita não tinha dado sinal de vida desde manhã e eu não tinha falado com ela o dia inteiro. Ela simplesmente havia pegado um voo para Paris e sumido. Eu não podia negar que estava preocupado. Só que não era apenas isso. Eu ainda tinha um assunto para tratar com a minha irmã e estava esperando sua ligação há um bom tempo. Eu estava num impasse. Parecia que o destino queria me foder, porque justamente quando as coisas estavam começando a dar certo com Tris, aparecia isso.

Tris não iria entender e talvez eu a perdesse para sempre depois disso, mas eu precisava confirmar uma coisa antes. Eu precisava ter certeza do monstro que minha irmã havia se tornado antes de dar um basta de vez nela. E só então eu poderia investir em Tris e contar a verdade para ela. Eu queria fazê-la feliz, mas precisava consertar as coisas antes.

– Era por isso que eu não queria que tentasse nada comigo, Tobias. – os olhos dela agora estavam frios e magoados. – Eu não quero que você escolha. Apenas vá. Ela é sua irmã.

– Eu só preciso atender desta vez. – eu tentei me explicar, quando Tris balançou a cabeça e levantou a mão para me fazer parar de falar.

– Você não precisa me explicar nada. – ela riu sem humor. – Apenas me deixe em paz. Eu não preciso de você para me magoar. Eu já fui magoada demais.

Ela se afastou de mim e foi para perto da janela, onde cruzou os braços e me deu as costas. Já era noite e eu podia vê-la começar a observar as estrelas.

Eu não podia ir atrás dela agora, no entanto. Eu precisava resolver a minha merda antes e provar que eu a merecia. Eu ainda era um monte de merda fodida. Precisava me resolver com a família louca que eu tinha antes de tentar algo sério com Tris. Ela merecia tudo de bom e eu não estava bom o suficiente agora. Eu estava indo me melhorar para poder tê-la comigo.

Me distraí apenas por alguns segundos até que o toque do meu celular começou novamente.

Eu saí do quarto e atendi à ligação.

– O que diabos aconteceu com o meu cartão de crédito?! – a voz de Nita era estridente. Eu sabia que ela me ligaria no momento em que eu bloqueasse seu cartão. E fora exatamente o que eu tinha feito no momento em que comecei a duvidar dela e ela começou a recusar minhas ligações.

– Eu preciso que você me responda uma coisa. – eu falei calmamente. Se eu iria explodir, que fosse depois do que ela me confirmasse.

– Eu não vou responder nada enquanto você não liberar a porra do meu cartão. – Nita rugiu. Ela estava furiosa. Eu sabia que mexer com o cartão de crédito internacional dela seria foda. Ainda mais quando ela estava em Paris.

– Nit, ouça e aprenda: você não me dá ordens. Se você vai continuar agindo como uma cadela, tudo bem; mas aí você vai ter que experimentar a sensação de trabalhar e sabe que aquele salário merda que você ganhava como modelo não dá para sustentar sua vida inútil.

– O que você disse? – ela falou por entre os dentes.

– Ouça e responda quando eu perguntar, então você pode fazer a merda que quiser. – eu fui duro. Minha paciência era sempre testada pela minha irmã. – Ontem foi apenas uma armação?

– Eu não sei do que você está falando. – ela disse nervosa apenas por um maldito segundo, mas em seguida tomou a postura furiosa. – Libere a porra do meu cartão.

– Eu vou perguntar de novo, desta vez mais claramente. – eu respirei fundo. – Você armou aquele showzinho apenas para que Shauna pudesse bater em Tris?

Nita ficou em silêncio. Ela raramente conseguia mentir para mim.

– Responde, caralho! – eu rugi no telefone e ignorei todos os olhares que eu recebi no corredor do hospital.

– Não até você liberar a porra do meu cartão de crédito. – ela insistiu, ainda apreensiva sobre minha explosão.

– Eu acho melhor você ir procurar a porra de um emprego que pague suas contas. Esqueça o seu apartamento e a sua casa aqui em Miami. Esqueça tudo que eu lhe banquei até agora. Você pode ficar com o carro, mas eu não quero ver você pisar seus pés aqui. Você vai para a faculdade e vai levar toda sua merda junto, tá me ouvindo? Eu juro que se você aparecer aqui eu acabo com você. Você foi longe demais desta vez, Nita. Você me fez de idiota. O seu ódio tá te consumindo e eu não quero fazer parte disso. Não quero fazer parte da destruição que você deixa por onde passa. A partir de hoje, você parou de existir para mim. Pelo menos até você melhorar como humana. Eu cansei das suas besteiras. Eu cansei de tentar consertar você. Você se tornou o pior monstro que alguém pode virar e a mudança só pode vir de você. Adeus, Nit. – eu desliguei o telefone antes que ela pudesse falar qualquer coisa e em seguida o pus no modo avião.

Deslizei na parede do corredor e me sentei no chão, passando a mão pelo meu rosto. Eu precisava respirar fundo antes de voltar para o quarto. Tris estava lá e eu não queria assustá-la. Eu já tinha feito demais hoje. Precisava limpar minha cabeça. No fim de tudo, desde o início eu soube que Tris estava certa. Só que era como Christina havia dito: eu sabia, só me recusava a acreditar. Me recusava acreditar que qualquer vestígio de humanidade que restava na minha irmã tivesse se apegado. Me recusava a acreditar que ela tinha mentido bem na minha frente com algo tão sério somente para atingir a minha garota.

– Você está bem? – a voz de Christina me chamou e eu ergui meus olhos para vê-la em minha frente.

– Você estava certa. – eu suspirei. – Nita armou tudo aquilo. Não que eu não sabia, eu só... Não queria acreditar.

Christina se abaixou e fitou meus olhos.

– Você está assumindo que foi um idiota? – eu podia ouvir a diversão na sua voz.

Eu, no entanto, não estava com nenhum humor.

– Não enche. – respirei fundo. – Hector está no quarto depois de passar por uma cirurgia que podia mata-lo. Eu acabei de ligar para minha irmã e praticamente a mandei para o inferno. Precisei deixar Tris quando ela me pediu para ficar e talvez ela nunca me perdoe depois disso. Não estou com humor para caralho nenhum e se vai ficar fazendo piada é melhor você ir.

– Primeiro: eu não estou aqui por você. – Christina me respondeu inabalável. – Segundo: eu não estou nem aí se você está fodido. Depois de tudo que você já fez minha amiga passar, você merece. – ela fez uma pausa antes de continuar, e desta vez eu podia jurar que sua voz estava suave. Isso era quase inédito e eu só a ouvi usar esse tom com Will e Tris. – E terceiro: Tris irá perdoá-lo, mesmo que você não mereça. É o que ela faz de melhor.

– Eu tinha acabado de prometer que lutaria por ela quando Nita ligou. Eu tinha acabado de dizer que não correria para a minha irmã sempre que ela quisesse, mas precisei fazer isso. Precisava ter certeza do que ela tinha feito antes de tentar qualquer coisa com Tris. Não acho que ela vá entender e perdoar isso.

– Você já falou com ela? – ela arqueou as sobrancelhas.

– Não. – eu respondi. – Estou tomando um ar antes de encará-la.

– Eu sugiro que faça isso rápido, então. – ela se levantou. – Eu vim busca-la para irmos para casa. Amanhã nosso turno começa cedo e teremos hora extra à noite graças à festa dos sócios. Imagino que esteja sabendo.

– Sim, eu sei. – eu me levantei também.

– A propósito – Christina começou enquanto caminhávamos até o quarto de Hector. – Eu não sei pilotar uma moto. Lembre-se disso na próxima vez que me emprestar alguma coisa. – ela riu.

Eu concordei com a cabeça e abri a porta do quarto de Hector, deixando que Christina entrasse primeiro. Ela alcançou de Tris e a envolveu em um abraço apertado, depois a soltou e se virou para olhar Hector.

– Obrigada por nos manter informadas. – ela sorriu para a amiga. – Jeanine estava uma loucura, mas ficou muito melhor quando tivemos notícias dele. Você está pronta para ir?

– Espere. – eu pedi antes que ela pudesse responder. – Você tem um minuto?

– Não. – Tris me respondeu e encolheu os ombros num pedido de desculpas, embora nada disso fosse culpa dela. – Eu acho que nós já conversamos tudo o que tínhamos para conversar.

Ela se virou, beijou a testa de Hector e começou a sair com Christina a acompanhando.

– Me deixe explicar... – eu segurei seu braço e ignorei o olhar da sua amiga para mim. – Eu precisava ter certeza, antes de qualquer coisa. Você estava certa. Nita armou tudo aquilo para mim. Eu sinto muito, Tris.

– Eu sei. – ela soltou-se gentilmente do meu aperto em seu braço. – Você já disse isso. Era a sua última chance, Tobias. Estou cansada de sempre tentar com você algo que é incerto. Não posso arriscar. Você me provou hoje que não vale à pena arriscar.

Ela me deu um último olhar e saiu pela porta, enquanto Christina ainda permanecia no quarto. Eu pus as mãos nos bolsos do meu jeans e meus ombros caíram. Ela não ia me ouvir, porque quando ela queria que eu a ouvisse, eu não tinha feito isso.

– Ela vai perdoá-lo, confie em mim. Ela já perdoou coisas bem piores. – ela sorriu para mim. Acho que foi o primeiro sorriso que Christina me dera desde que eu comecei a me envolver com Tris. – Eu preciso das minhas chaves.

Eu as joguei para Christina e ela as pegou no ar.

– Eu vou ajuda-lo, porque sinceramente você parece uma merda. – ela começou. – Mas isso fica apenas entre a gente, certo? – eu concordei e ela abriu um sorriso. – Ótimo. Você sabe que o aniversário dela é na semana que vem, não sabe?

Notas finais
O que acharam?! Vocês gostaram? Odiaram? Falem comigo ♥ Bom, eu confesso que esse não foi um dos meus capítulos favoritos, mas tinha que acontecer assim. Prometo que essa foi a última vez que Tobias foi capacho da irmã. Agora as coisas irão mudar!!! O próximo será o aniversário da Tris! Quem está animado? Comentem e eu postarei o mais rápido possível. Ele já está todo pronto na minha cabeça, só falta passar para o Word. Feliz 2016!!! Amo vocês demais ♥ Os vejo nos comentários. FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323