Notas iniciais
Hello babies! Demorou mas saiu, né? HAAUAHUAH ♥ Então, não tenho muito o que falar no primeiro capítulo. Apesar de todo o primeiro capítulo ser baseado muito no livro, eu prometo que os próximos não serão "cópias". Como eu falei nas notas, a fic é apenas baseada em PsL. Eu espero que gostem e que comentem o que acharam e se pretendem continuar lendo. Obrigada aos meus lindos leitores que me acompanham desde de "Um Novo Começo". Eu cresci e aprendi muito com vocês ♥ Beijinhos e até lá em baixo! Twitter: @poxamalec Acompanhe também minha outra fic! http://fanfiction.com.br/historia/513756/Sem_rumo/

BEATRICE PRIOR

O que eu costumava ver estacionado em frente a uma casa onde estivesse ocorrendo uma festa eram caminhonetes com lama nos pneus, não automóveis caros e importados. Pelo menos vinte deles ocupavam o comprido acesso de carros daquela casa. Eu respiro fundo e estaciono a picape branca de quinze anos da minha mãe na grama, para que não atrapalhe a saída de carro algum.

Desligo o motor do carro e encosto a cabeça no volante, segurando-o com as duas mãos. Meu pai não havia me dito que daria uma festa. Aliás, ele não tem me dito nada desde os últimos cinco anos. Sequer apareceu no velório da minha mãe, no mês passado. Ligar para ele depois dele ter nos abandonado e sumido nesse tempo foi uma tarefa bastante difícil, mas eu não tive escolha: ele era o único parente que havia me restado.

Levanto a cabeça e olho para a imensa casa de três andares situada bem em cima da areia branca da praia de Miami, na Flórida. Aquela era a nova casa do meu pai. Sua nova família. Eu não me encaixaria ali. Não tinha um terço do dinheiro deles. Pelo contrário, a única coisa que me restavam eram minhas roupas e essa picape.

De repente, alguém abre a porta da minha picape com um tranco. Por instinto, levei a mão até debaixo do assento e peguei minha nove milímetros. Levantei-a e apontei em cheio para o intruso, segurando-a com as duas mãos e pronta para puxar o gatilho.

– Caralho, eu ia dizer que você estava perdida, mas agora eu digo o que você quiser, gata. Só abaixa isso, por favor.

Estou encarando um sujeito de cabelos castanhos, de olhos escuros arregalados e as duas mãos para cima.

Mantenho a arma firme e levanto uma sobrancelha, esperando uma explicação. Ainda não conheço esse cara. Puxar a porta da picape de alguém com um tranco não era o jeito de cumprimentar um desconhecido.

– Não, não acho que estou perdida. Aqui é a casa de Andrew Prior? – pergunto.

Ele engole seco, claramente nervoso.

– Andrew? Eu não sei. Não consigo pensar com esse troço apontado pra minha cara, meu bem. Pode abaixar isso antes que aconteça algum acidente? – ele pisca os olhos diversas vezes e seu olhar vai de mim para a arma.

– Não, não posso abaixar. Eu não conheço você. Tá escuro aí fora e eu tô em um lugar desconhecido, então me desculpe se eu não me sentir muito segura no momento. E não se preocupe, não vai acontecer nenhum acidente. Sei muito bem controlar uma arma.

O cara não parece acreditar muito em mim, e agora que eu estou olhando melhor, ele não me parece nada ameaçador. Mesmo assim, eu ainda não estou pronta para baixar a guarda.

– Andrew? – ele diz, balançando a cabeça negativamente, mas para logo depois. – Espera, o padrasto novo de Tobias se chama Andrew. Isso! Eu lembro dele... Bem, eu o vi uma vez antes dele e Evelyn viajarem para o Havaí.

Tobias? Evelyn? Havaí? O que está acontecendo? Eu espero por mais explicações, mas o sujeito está tremendo. Eu abaixo a arma e aciono a trava, antes de coloca-la debaixo do banco do motorista. Talvez se ele não olhar para a arma ele consiga se concentrar.

– Andrew está no Havaí? – pergunto, sem ainda acreditar, esperando por uma confirmação.

– Sim. Você tem porte de arma pra carregar esse troço? – ele acena com a cabeça em direção ao assento.

Eu ignoro a sua pergunta e respiro fundo. Andrew sabia que eu chegaria hoje. Nós tínhamos conversado há uma semana, assim que eu vendi a casa. Como ele pôde?

– Você o conhece? – pergunta o sujeito, referindo-se ao meu pai.

Sinceramente, não. Não o conheço mais desde os meus cinco anos de idade, quando ele abandonou a mim e a minha mãe. Eu me lembro do pai que me acompanhava em todas as apresentações musicais da minha mãe e em todas as atividades voluntárias que fazíamos durante todo o ano, principalmente nas férias e no Natal. Me lembro do pai que me carregava no colo, enquanto mamãe abraçava Caleb. Mas quando Caleb morreu em um acidente de carro, dirigido por ele, tudo mudou. Nesse dia, ele se tornou um homem frio que não se importava com a família que lhe restava. Ele sequer fez questão de ligar para saber como eu estava, enquanto eu cuidava da minha mãe doente.

Talvez a culpa o tenha o consumido. E deixado tudo ainda mais sombrio.

O novo Andrew eu não conhecia.

– Sou a filha dele. Tris.

E então, o cara tem a reação mais inesperada que eu imaginei. Ele arregala os olhos, joga a cabeça para tris e solta uma gargalhada. Eu junto as sobrancelhas. O que é tão engraçado? Espero que ele me explique novamente, mas ele apenas estende a mão.

– Venha cá, Tris. Quero te apresentar à uma pessoa. Ele vai amar saber disso.

Encaro a mão do sujeito e suspiro. Estendo uma mão para ele e ele me ajuda a descer da picape.

– Você tem outra arma escondida aí? Devo dizer pra todo não te irritar? – ele me dá um sorriso divertido. Eu arqueio as sobrancelhas.

– Não é engraçado. – eu digo e caminho até o porta-malas, abrindo-o.

Eu não trouxe muita coisa. Apenas tudo que me restou depois que vendi a maioria dos nossos pertences em um leilão na internet para terminar de pagar as despesas médicas da mamãe. Só há duas caixas com coisas pessoais, uma caixa para doação e minha mala.

– Deixa eu te ajudar. – ele diz e eu dou passagem, enquanto ele tira a mala.

– Obrigada. Bem, eu... Hã... Acho que não sei seu nome. – eu dou um sorriso envergonhado e encolho os ombros.

– Esqueceu de perguntar enquanto tinha uma arma apontada pro meu rosto? – ele sorri.

– Desculpe por isso. – eu sorrio. – Eu fiquei nervosa. Estou em um lugar estranho, então não sei o que esperar.

– De onde você é? – ele pergunta, enquanto cruza os braços no peito e me olha de baixo para cima.

– Sou de Chicago. – respondo, enquanto enfio as mãos nos bolsos do meu jeans.

Vejo o queixo dele cair e ele arregalar os olhos.

– Você dirigiu de Chicago até aqui?! – ele levanta as sobrancelhas, um sorriso maroto tomando seus lábios. Eu dou de ombros e assinto com a cabeça.

– Você ainda não me disse seu nome. – eu sorrio pra ele.

– Sou Will... Hã... Sou amigo do Tobias.

– Tobias? – o mesmo nome outra vez. – Quem é Tobias?

O sorriso dele se alarga ainda mais.

– Você não sabe quem é Tobias? – ele levanta as sobrancelhas e logo solta uma risada. – Foi mal, talvez você o conheça por Quatro? – ele me encara com um rastro de expectativa. Eu nego com a cabeça. – Ok. Então, porra, você tá mal. Agradeça que eu esteja aqui. Agora venha, vamos entrar.

Ele carrega minha mala e fecha o porta-malas da picape, dizendo-me que voltaremos para pegar as caixas depois. Caminhamos por um tipo de passarela de madeira que vai da grama até a porta da casa. A medida que nos aproximamos, o som da festa aumenta. Se meu pai não está aqui com sua mulher, quem está? Será que a festa é dos filhos dela? Meu pai havia me falado que ela tinha filhos, mas foi muito vago ao falar da sua nova família. Apenas me falou que eu gostaria deles e que eles me receberiam muito bem.

Paramos na entrada principal e Will se vira para mim.

– Você tem alguma noção de quem esperar aí dentro? – ele pergunta.

– Não. Esse Tobias mora aqui?

– Mora. Bem, pelo menos no verão. Ele se muda para as outras casas conforme a estação.

– Outras casas? – eu levanto as sobrancelhas. Will sorri.

– Você não sabe nada sobre a sua nova família, sabe? – eu nego com a cabeça. Ele me dá um sorriso gentil e passa a mão no cabelo. – Rápida mini apresentação. Tobias Eaton é o vocalista da The Lost, uma das mais famosas bandas de rock. – ele cruza os braços novamente – Mas, como você já deve saber, ele deu um tempo na carreira e tá parado há uns dois anos e meio. Ele é filho único da sua madrasta com o famoso baterista da Slacker Demon, Marcus Eaton. Os pais dele nunca se casaram. Essa casa é dele. – ele aponta para o local. – Seu pai e a mãe dele só moram aqui porque ele deixa. – Ele aponta para as pessoas através da janela. – E toda essa gente aqui é amiga dele.

Eu concordo com a cabeça enquanto ele abre a porta e me convida para entrar. Ao notar a casa lotada e analisar rapidamente todas as pessoas que estão aqui, sinto como se tivesse levado um soco no estômago. Todas estão muito bem vestidas. São muito ricas, pelo que vejo.

Eu não me encaixo aqui.

– Por aqui. – Will me guia e abre caminho entre as pessoas.

Noto os olhares que recebo e percebo que cochicham e apontam para mim. Sinto minhas bochechas queimarem e abaixo o olhar, seguindo Will de cabeça baixa. Eu nunca gostei de ser o centro das atenções.

Quando passamos de uma das salas e estamos seguindo para duas portas de vidros, que dão entrada à uma varanda com vista para o mar, uma morena para na nossa frente e me analisa.

– Quem é ela? – ela arqueia as sobrancelhas e não consegue esconder o nojo em sua voz. Eu me encolho um pouco.

– Uma amiga. Não faça essa cara de quem chupou limão, Nita; não combina com você. – Will revira os olhos e segura minha mão, guiando-me até um bar.

Um bar? Um bar em uma casa? Sério mesmo? Olho ao redor e vejo que não há tanta gente depois que passamos pelo saguão aberto. Estamos passando por uma sala de estar e indo em direção ao bar. Aqui é bem maior que minha casa.

Ou melhor, ex-casa.

Olho para as pessoas de relance e vejo que todas elas param para me olhar. Eu estou me destacando muito mais do que achei que me destacaria.

– Tobias, esta é Tris. Acho que talvez ela seja sua. Encontrei-a lá fora com um ar meio perdido. – Will diz, reprimindo um sorriso.

Eu paro de observar as pessoas ao redor e desvio os olhos para a pessoa com quem ele está falando. Tobias se inclina para frente no sofá branco com uma cerveja na mão. Ele tem cabelos escuros, bem curtos e músculos bem definidos. Sua pele é morena e seus olhos – que agora me analisam de baixo para cima – são azuis.

– É mesmo? – ele responde, com uma voz preguiçosa e arrastada. – Até que ela é bem gata, mas é muito novinha. Não dá pra dizer que é minha.

– Ah, dá sim. – Will dá um sorriso divertido para ele, enquanto cruza os braços na altura do peito. – Considerando que o pai dela e a sua mãe resolveram tirar férias pelas próximas semanas no Havaí... Eu diria que ela é sua, sim. Eu bem que ofereceria um quarto pra ela na minha casa se ela prometer guardar a arma.

Tobias estreita os olhos e me analisa. O azul dele é tão incomum e diferente. São escuros, escuros tanto quanto a noite e também intensos. Acho que nunca vi olhos tão intensos. Seriam lentes de contato?

– Isso não é problema meu. – ele dá de ombros e se recosta no sofá.

Will pigarreia. Eu continuo congelada.

– Você está de brincadeira, não está? – ele dá um sorriso nervoso.

Tobias não responde. Ao invés disso, ele toma mais um gole da sua cerveja e fecha os olhos. Eu encaro Will, que tem a mão nos bolsos e espera por Tobias. Tobias abre os olhos e me olha novamente. Ele é indecifrável. Seus olhos param nos meus e ele olha para Will e posso ver o alerta na sua expressão. Essa não. Ele vai me mandar embora. Isso não é bom. Eu tenho apenas 20 dólares na bolsa e o tanque da picape está quase vazio. Também não tenho mais nada de valor, já vendi tudo que pude. Quando liguei pro meu pai, eu só pedi um lugar para ficar até que eu conseguisse arranjar um emprego e juntar dinheiro para me mudar. Ele concordou de imediato e me passou esse endereço, dizendo que eu iria adorar morar com ele.

Tobias me olha novamente e espera que eu fale algo. Eu não sei o que falar. O que devo falar?

– Estou com a casa cheia hoje. – ele dá de ombros. – E minha cama tá lotada. – ele abre um sorriso e arqueia as sobrancelhas. – Acho melhor ela dormir em algum hotel até que eu consiga falar com o papai dela.

Pela maneira que ele pronunciou a palavra “papai”, eu pude ver que ele não gosta nada de Andrew. Ótimo. Não posso culpa-lo, aliás. Minha situação não é problema dele. Quem me mandara até ali fora meu pai. Por que fui confiar nele? Gastei o único dinheiro que me restava para chegar até lá.

E ele me abandonou outra vez.

– Ele tem razão. É melhor eu ir embora. Foi uma péssima ideia. – eu digo com um sorriso nervoso e estendo a mão, pegando a mala da mão de Will. Ele solta com uma relutância e eu começo a caminhar em direção a saída da casa.

– Você tá maluco, porra?! – Will grita com Tobias, mas não me interesso em ouvir a sua conversa. Estou ocupada demais engolindo o nó da minha garganta.

Enquanto saio, a morena que vimos assim que entrei para na minha frente e cruza os braços, sorrindo debochadamente.

– Já vai tarde, não acha? – ela diz.

Eu a ignoro e abIro a porta, caminhando o mais rápido possível até a picape. Minha mãe sempre me ensinou que não devemos atacar as pessoas. Ela me ensinou que não importa o que nos aconteça, nos devemos sempre ser altruístas e pensar no bem estar do outro. Eu admirava esse seu lado. Eu gostaria de ser tão boa quanto ela.

Quando chego à picape, abro o porta-malas e coloco a mala lá dentro, fechando-o e indo para o banco do motorista. Quando estou dentro da picape, eu encosto a cabeça no volante e deixo que um soluço escape. Por que fui confiar no meu pai? Por que pensei que ele me ajudaria? Eu fui tão idiota.

E então, agarrada ao volante, eu deixo que as lágrimas caiam e choro baixinho. Paro somente quando sinto que há alguém me observando e quando vejo os olhos azuis me encarando, eu congelo.

Notas finais
E então, amores? O que acharam? ♥ Como eu falei, eu prometo que a fic não será nada clichê. Pretendo manter o mesmo esquema de "Sem Rumo", onde os personagens vão se aproximando aos poucos e se conhecendo através da convivência. As coisas não acontecerão tão rápido como na maioria das fics e eu espero que vocês tenham paciência. Esse é meu método ♥ Apesar de tudo, espero que tenham gostado e que comentem. Se muita gente comentar, eu tento postar o mais rápido possível, amanhã ou sábado ♥ Beijos e até logo! Twitter: @poxamalec Acompanhe também minha outra fic!http://fanfiction.com.br/historia/513756/Sem_rumo/