Estes Laços Que Unem

10 Doces Sonhos São Feitos Disso.


Notas iniciais
Olá, vocês! :') Demorei, não é? Eu sei e peço desculpas. Pensei que não ia terminar nunca esse capítulo, mas, felizmente, terminei. Portanto, sem mais delongas, espero que gostem! ;)

Eram quase oito horas da noite quando Samara e eu pegamos nosso voo rumo à cidade de Nova Iorque, onde nós estaríamos dentro de duas horas e meia. O tempo, tanto em Rosewood quanto em Manhattan, aparentava sofrer leves instabilidades conforme a distância do percurso parecia se encurtar e, enquanto isso, Samara manteve-se ocupada com seu tablet durante quase todos os momentos em que dormi aconchegada em seu corpo quente e convidativo.

— Eu mandei limparem a casa inteira para quando chegássemos. — Samara comentou assim que entramos na sua residência de quando ela vinha à Nova Iorque, em Greenwich Village.

O bairro citado tinha uma aparência confortável e agradabilíssima, e as casas que compunham toda a vizinhança eram de uma superioridade nada extravagante. Havia árvores coloridas e robustas pela calçada inteira, de ambos os lados, enfeitando ainda mais a paisagem de uma rua que cheirava a cedro, com um doce e suave gosto de inverno. E em cada esquina se concentravam as cafeterias, restaurantes, boutiques e padarias de estilo italiano.

— Você sabe que estamos a apenas alguns quarteirões de distância da Universidade de Nova Iorque, não é? — Despertei de repente, virando meu corpo e encontrando Samara enchendo uma taça de vinho do outro lado da sua extensa sala de estar.

— Sim, por quê? — Ela bebericou o líquido devagar, aparentemente apreciando o gosto da bebida.

— É onde eu vou estudar daqui a alguns meses. — Respondi simplesmente, voltando minha atenção para frente; pela janela, era perfeitamente possível ver o movimento tranquilo do outro lado da rua.

— Mesmo? — Sua voz soou genuinamente surpresa. — Eu pensei que você fosse para alguma universidade da Carolina do Norte. — Ela se aproximou de mim.

— Ora, não fique tão desapontada. — Adverti com bom humor, sentindo Samara envolver minha cintura com o seu braço direito e beijar meu pescoço delicadamente. — Talvez eu abandone a faculdade e volte para a natação. — Dei de ombros, descartando internamente essa possibilidade de modo quase automático.

— Eu aposto que você ficaria incrível de maiô. — Ela disse com delicadeza, suspirando perto do meu ouvido.

— Você acha? — Tentei olhar para ela, mas seu rosto estava escondido entre meus cabelos. — Eu prefiro biquíni, porque incomoda menos. — Gesticulei para o meu corpo, virando-me para poder encará-la.

— Você trouxe? — Samara perguntou, recebendo um instintivo olhar confuso de minha parte. — Biquíni. — Ela sorriu, balançando a taça em sua mão esquerda.

— Por que eu traria? Aqui está congelando, não é como se eu fosse querer me jogar em uma piscina, afinal de contas. — Retorqui de modo afetado, o que fez o seu sorriso aumentar ainda mais.

— Tudo bem, venha comigo. — Orientou de maneira decidida. — Está na hora de passearmos um pouco pela casa.

Dito isso, ela se afastou e me puxou pela mão, levando-me até o andar superior, onde os corredores tinham pisos laminados de cor cinza claro, assim como no andar de baixo. Além de serem longos e cheios de quadros de artes abstratas, era também uma leve introdução aos três quartos de um lado e ao banheiro do outro.

— Aqui que Melanie dorme quando também vem à cidade. — Samara abriu a porta do primeiro quarto à esquerda, sinalizando com a mão para que eu entrasse no cômodo de cores claras e aparência agradável. — É longe o suficiente do meu quarto. Os barulhos, desta forma, passam a ser mais toleráveis. — Ela riu fracamente, encostando-se no batente enquanto eu observava ao redor com cuidado.

— Você não gosta de barulhos? — Voltei minha atenção a ela, sentando-me na cama confortável e impecavelmente arrumada, que eu gostaria muito de bagunçar...

O quarto inteiro cheirava a sândalo e hortelã, com um leve tom amadeirado. E eu me recordava tão bem desse aroma; era um cheiro quase inesquecível, que pertencia exclusivamente a Mel. Claro que, com Samara aqui e considerando a situação, eu não ousaria trazer essa observação à tona.

— Só o barulho da chuva. — Ponderou depois de um instante. — Na verdade, eu acho que prefiro mesmo o silêncio. — Ela decidiu inocentemente.

Seu comentário aguçou ainda mais a minha curiosidade sobre como ela se comportava na cama, o que me fez querer descobrir tal informação o quanto antes; e no ato da tão requerida prática.

— Mostre-me o seu quarto. — Anunciei de repente, sentindo meu coração acelerar apenas com o leve, mas instigante teor do meu pensamento. — Eu quero conhecê-lo.

Samara me pegou pela mão e me levou até o último quarto, que cheirava a lavanda e frutas secas quando o adentrei tão rapidamente. A cama de casal, que ocupava uma pequena parte do espaçoso cômodo, estava tão impecavelmente bem estendida com lençóis de seda que a vontade de me sentar nela havia sido quase nula.

— Nós vamos dividi-la ou isso é muita pressão para você? — Perguntei, tentando conter o sarcasmo beirando meu tom o máximo que pude.

— O que está dizendo? — Ela enrugou as sobrancelhas, aparentemente confusa.

— Nada. — Balancei a cabeça, desistindo da ideia de provocá-la com a minha frustração.

Antes de cogitar a hipótese de sair do quarto para conhecer o andar de baixo com mais precisão, avistei a porta do banheiro do quarto e quis verificar. Era espaçoso, de decoração quase transparente e sofisticada, com as paredes esculpidas por mármore branco e os pisos seguindo à risca o mesmo estilo.

— Eu acho que o vinho me deixou sonolenta. — Samara emergiu no batente do banheiro. Ela não estava mais vestindo seu gorro ou suas botas de cano curto e salto alto. — Nós podemos descer? Eu ainda não terminei de te mostrar a casa. — Ela encostou a cabeça no batente da porta, cruzando os braços com uma expressão de puro cansaço.

— Não se preocupe com isso. — Dei de ombros, indo até onde ela estava. — Vamos tirar essa roupa e colocar uma mais leve. Eu quase posso sentir sua exaustão. Aposto que dormiu muito mal por esses dias, não é? — Sorri com astúcia, tirando seu casaco de forma ágil.

Samara riu em silêncio e abaixou a cabeça por um breve instante, voltando sua atenção para mim logo em seguida. Ela puxou minha cintura para si, escorregando sua mão pelas minhas costas devagar.

— Então acho que é melhor eu tomar banho primeiro. — Ela deu um meio sorriso, inclinando-se para poder me beijar nos lábios.

— Claro, mas antes... — Coloquei meu braço ao redor do seu pescoço e aprofundei nosso beijo o máximo que pude, jogando o seu casaco no chão enquanto eu a puxava para ainda mais perto de mim.

— Assim eu fico muito mal acostumada, você sabe. — Samara sorriu assim que se afastou. — E eu juro que não estou reclamando.

— Acho bom que não esteja, porque agora mesmo eu estou indo tomar banho para depois tentar cozinhar alguma coisa para você. — Apontei para ela, fazendo um biquinho de leve e saindo do banheiro logo em seguida.

Depois de trinta minutos, eu já estava perfeitamente vestida nos meus pijamas leves e confortáveis — camiseta cinza escura com estampa de joaninhas e calça de algodão na mesma cor — enquanto tentava decidir o que fazer para Samara e eu comermos. De preferência, algo que fosse rápido e prático.

Eu sabia que, desde que ela esteve ocupada com toda a organização do evento de caridade de Rosewood, tanto a sua alimentação quanto o seu descanso haviam sido negligenciados pela falta de tempo.

No entanto, quando fui até o quarto chamá-la para comer a lasanha que eu havia acabado de descongelar no micro-ondas, percebi que Samara estava deitada de bruços, com o braço para fora da cama, no seu mais tranquilo sono. Aproximei-me devagar, deitando-me ao seu lado e apoiando minha cabeça na palma da minha mão enquanto decidia se eu a deixava dormir ou não.

— Sam? — Chamei depois de um instante, afastando alguns fios loiros do seu rosto.

— Em? — Ela abriu os olhos brevemente e me fitou com serena seriedade, o que me fez tombar a cabeça para trás só para que eu pudesse ter um melhor vislumbre de sua graciosa naturalidade.

— Olá, meu raio de sol. — Sussurrei devagar, sorrindo divertidamente com o apelido carinhoso que acabou de me surgir. Ela rapidamente ergueu a cabeça e sorriu preguiçosamente, com os olhos avermelhados.

— Vem! — Samara me puxou para perto dela, ajeitando-se na cama para poder ter meu corpo junto ao seu. — Assim está bom? — Ela nos cobriu com os lençóis de seda e aproximou seu rosto do meu, fechando os olhos quando os nossos narizes se tocaram levemente.

— Está agradável. — Assenti, pensando em acrescentar algo como: “Mas poderia estar melhor se estivéssemos nuas.”, porém desisti de tal ousadia no mesmo instante.

Não era como se Samara fosse me corresponder, de qualquer forma, o que me faria ficar ainda mais frustrada por estarmos presas numa linha que nem pensei que existisse mais nos tempos de hoje. Além disso, já se passavam das onze da noite e tudo o que ela provavelmente gostaria nesse momento era de uma boa noite de sono, assim como eu.

Assim, no outro dia pela manhã, acordei extremamente cedo com o intuito de preparar o nosso café da manhã e me livrar da lasanha que não comemos ontem. E, enquanto o café ficava pronto, eu colocava as panquecas num prato branco sobre o balcão, onde estavam também as geleias que Samara tanto apreciava e seu suco de laranja e frutas cortadas em cubinhos específicos.

Distraída, fui sorrateiramente surpreendida quando senti seus braços me envolverem de repente, abraçando-me por trás com firmeza, mas sem perder sua tão costumeira gentileza.

— Emily. — A voz rouca e carregada pelo adorável sotaque de Samara soou bem próximo do meu ouvido, causando-me arrepios pertinentes.

Parei imediatamente o que estava fazendo, fechando os olhos quando seus lábios escorregaram para o meu pescoço. Seu corpo estava colado ao meu, enquanto suas mãos repousavam em minha cintura.

— Bom dia, dorminhoca! — Virei meu pescoço para trás, recebendo um sorriso largo e bem humorado dela. — Está com fome?

— Faminta! — Assentiu rapidamente, roubando alguns pedaços de frutas da vasilha e despejando um pouco de suco no copo. — Acordou há muito tempo? — Ela se voltou para mim, colocando sua mão sobre a minha em cima do balcão.

— Não muito. — Balancei a cabeça negativamente, observando seu rosto bonito e sonolento com cuidado. Apesar de parecer disposta e enérgica, ainda restavam vestígios de um insistente cansaço físico e mental em suas características. — Por que acordou cedo? Pensei que teria que levar o seu café na cama, já que ontem você dispensou a minha lasanha, que estava deliciosa, por sinal. — Tentei soar indiferente, mas pude sentir minha voz vacilar fracamente.

— Eu peço desculpas. — Ela arqueou as sobrancelhas de forma afetada, quase espantada, e se aproximou de mim.

— Não se preocupe com isso, eu entendo que estava cansada. — Sorri com sinceridade, achando uma graça sua tamanha preocupação.

— Não, por favor, eu insisto. — Samara tomou minhas mãos nas suas, decidida. — Deixe-me recompensá-la pela minha falta de sensibilidade.

Antes que eu pudesse responder alguma coisa, seus lábios tocaram os meus com extrema doçura ao tempo em que ela me puxava para perto dela. Envolvi sua cintura com os meus braços e a beijei profundamente, pressionando seu corpo contra o meu com certa necessidade, enquanto suas mãos percorriam minhas costas devagar.

— Você quer almoçar comigo depois da minha reunião? — Sussurrou contra os meus lábios, afastando-se lentamente para me fitar nos olhos.

Concordei rapidamente, sem dizer uma palavra, voltando a beijá-la com impaciência. Deslizei minha mão sob sua camiseta de bolinhas, sentindo a pele das suas costas na ponta dos meus dedos; era quente e macia. Ela me colocou contra o balcão com cuidado, correspondendo minha urgência conforme nossas línguas se entrelaçavam, tornando o contato mais preciso e caloroso enquanto seus toques se intensificavam.

Interrompi o beijo rapidamente quando a falta de ar começou a ser um problema, sentindo seus lábios correrem para o meu ouvido de imediato, onde ela deixou um suspiro rouco escapar antes de seguir caminho ao meu pescoço. E, justo quando pensei que estávamos indo na direção certa, Samara se afastou vertiginosamente.

— Podemos continuar isso mais tarde? — Ela olhou para o relógio do seu celular sobre o balcão e, então, para mim. — Eu não posso me atrasar. — Virei o rosto para qualquer outro lugar da cozinha, sendo incapaz de impedir o sentimento de irritabilidade crescer em minha garganta.

— Então não se atrase. — Resmunguei quando a afastei de mim. — O seu café já está pronto.

Eu estava prestes a me virar para sair da cozinha, mas Samara foi um pouco mais veloz e segurou minha mão antes que eu pudesse me afastar completamente. Ela me abraçou pela cintura e beijou a ponta do meu nariz com candura, repetindo o mesmo gesto quando seus lábios repousaram com suavidade nos meus.

— Eu prometo que não vou desapontá-la. — Ela disse assim que nos separamos, empurrando uma mecha de cabelo para trás da minha orelha com um bonito e interessante fascínio em seus olhos acinzentados. — Nunca.

Por alguns longos e intermináveis segundos, fiquei sem saber o que dizer e como proceder diante de tal afirmação. De repente, a raiva e a frustração que eu havia experimentado há poucos instantes evaporaram de dentro de mim.

E, com isso, ela apenas sorriu em minha direção e tratou de tomar café enquanto eu a observava em puro deleite e silêncio confortável.

***

Depois de mais de três horas esperando pacientemente Samara voltar de sua reunião com um dos editores-chefes da revista Visionaire, tive uma deliciosa surpresa quandoa própria voltou com um humor ainda mais agradável e vibrante do que antes. Aparentemente, ela havia sido convidada para trabalhar na revista em questão, com todas as honras que a cabiam perfeitamente.

— Então você aceitou? — Perguntei assim que terminei de escutar os pormenores de sua conversa com o tal Patrick.

Estávamos, a essa altura, num restaurante francês que ficava próximo à Broadway, onde Samara havia garantido que iríamos assistir à peça Os Miseráveis antes de voltarmos à Rosewood. Ela bebericava seu vinho constantemente, como uma forma de recobrar seu fôlego e aquecer seu corpo do clima tempestuoso, porque, mesmo vestindo roupas que se adequavam ao mau tempo, seu corpo ainda não havia se acostumado ao frio de Nova Iorque — assim como o meu também.

— Ainda não. — Samara respondeu entre risos confortáveis, devolvendo sua taça de vinho tinto à mesa assim que terminamos de comer. — Mas não vejo motivos para não aceitar. Não é como se eu fosse voltar para a Austrália, de qualquer forma. — Ponderou com profusão, fitando-me atentamente.

— O que te fez vir para cá? — Semicerrei os olhos, questionando-a. — Até onde eu sei, você tinha uma vida bem estabilizada em Melbourne.

— Eu tinha. — Ela assentiu, desviando os olhos para o outro lado. — Mas, você sabe, as coisas mudam e é algo inevitável prever o que será para o bem e o que não será.

O silêncio que se instalou após isso se perdurou por alguns minutos, até que Samara resolveu que estava na hora de irmos para a Times Square fazer compras até que o dia chegasse ao fim. E, após realmente o fazermos, voltamos para casa com sacolas de diversas lojas de sua preferência, como Louis Vuitton, Prada e Burberry.

— Você não vai mesmo me dizer o que comprou? — Samara apareceu do banheiro assim que terminou de tomar banho, apenas com uma toalha envolvendo seu corpo bonito.

— Não. — Balancei a cabeça automaticamente, levantando-me da cama depressa.

— Não seja malvada. — Samara fez biquinho, ficando de costas para mim ao começar a escolher o que vestir.

— Acredite, eu não estou. — Garanti com sinceridade, parando perto do batente para observá-la em meio a sua indecisão.

Antes de eu entrar no banheiro, contemplei a visão que parecia monopolizar todos os meus pensamentos no momento: seu cabelo preso num coque bagunçado, o sorriso leve e descontraído que ela frequentemente lançava em minha direção e a forma com que seu corpo levemente úmido e avermelhado pela água quente do chuveiro parecia cintilar aos meus olhos.

Por fim, fui tomar banho com a convicção de que, com a minha nova camisola de renda azul, nós teríamos algo a mais para compartilhar no dia de hoje. E dessa forma eu me mantive, até que me deparei com as luzes apagadas quando voltei ao quarto depois de terminar de me trocar.

— Qual é o problema com as luzes? — Perguntei ao vê-la acender algumas velas do outro lado do quarto.

— Não tem nada de errado com as luzes. — Ela riu, uma risada quase incrédula, conforme terminava de acender as velas ao redor de todo o quarto.

— Mas assim você não pode me ver. — Choraminguei completamente alheia ao que estava realmente acontecendo.

Samara se aproximou de mim e eu pude notá-la com um sorriso largo e astuto moldando seus lábios rosados. Ela vestia uma camiseta regata na cor rosa claro, transparente, e shorts na altura da coxa.

— Na verdade, eu posso. — Corrigiu-me devagar, colocando seus braços ao redor da minha cintura e me puxando contra o seu corpo quente e convidativo. — E também posso tocá-la, vê?

Suas mãos deslizaram pelas minhas costas sem pressa, trazendo-me ainda mais para si. Em seguida, ela se inclinou em minha direção e me beijou nos lábios com candura, descendo-os pelo meu queixo devagar para, então, mordiscá-lo de leve. Seu toque me causou arrepios imediatos por toda a extensão do meu torso, fazendo-me suspirar enquanto sua boca mantinha-se ocupada em meu pescoço.

Samara parou o que estava fazendo e me fitou atentamente, conferindo-me de cima a baixo com um sorriso preguiçoso e satisfeito crescendo em seu rosto. Ela tocou meu rosto com um cuidado irretocável, afastando alguns fios de cabelo dos meus olhos devagar. Em seguida, grudou seus lábios nos meus e me arrastou até a cama que estava logo atrás dela.

— Isso é mesmo real? — Suspirei enquanto meu corpo repousava sobre o seu, sentindo a intensidade de seus chupões em minha pele.

Ela se afastou e sorriu fracamente, o que me fez ficar de joelhos na cama, admirando seu corpo deslumbrante ainda coberto por alguns instantes, fazendo-a corar.

— Deixe-me respondê-la da melhor maneira possível. — Respondeu com certa determinação, ajoelhando-se bem à minha frente.

— Como seria isso? — Senti meu coração acelerar com sua aproximação, levando minhas mãos ao seu pescoço para puxá-la para mim.

— Provando. — Sorriu, como se fosse óbvio. — Vou fazê-la minha de uma vez por todas.

Dito isso, ela desviou seus olhos para a minha camisola transparente, mostrando a lingerie azul sob o tecido de renda, onde Samara tocou com muito cuidado e estima. Ela deixou que seus dedos escorregassem até as extremidades da camisola, puxando-a para cima até a mesma passar pela minha cabeça.

— Eu gosto assim. — Toquei sua cintura devagar, inclinando-me para beijá-la na boca enquanto suas carícias pelas minhas costas se prolongavam.

No entanto, agora era a minha vez de deixá-la apenas de lingerie para o meu próprio prazer de admirá-la ainda mais. E, assim que nos separamos, tratei de tirar sua camiseta sem pressa, fazendo o mesmo com o short curto e transparente. Suas pernas, quando as toquei, eram tão macias e convidativas que parecia ser quase impossível; seu corpo de perto era ainda mais desejável e deslumbrante do que eu jamais imaginei.

— Ei, eu preciso perguntar uma coisa. — Ela chamou a minha atenção, passando os dedos levemente pelo meu abdômen nu. — Quantas vezes você já fez isso? — Arqueei minhas sobrancelhas instintivamente, sentindo-me pega de surpresa.

— Por quê?

— Eu só estou tentando conhecer o território antes de tomá-lo por inteiro. — Ergueu o ombro devagar, como se fosse algo comum.

— Bem, não se preocupe, porque não foram muitas. — Respondi francamente, tomando seu rosto em minhas mãos e trazendo-o para bem perto do meu.

Fechei os olhos e senti sua respiração quente se misturando com a minha. Beijei seus lábios brevemente, repetindo o processo diversas vezes até sentir suas mãos envolverem meu quadril novamente. Desci meu lábio inferior pelo seu pescoço, beijando a pele amorosamente conforme o caminho até a sua clavícula se prolongava.

— Mais de três? — Tornou com insistência, o que me fez parar momentaneamente apenas para encará-la.

— Não. — Deixei uma risada em descrença escapar. — Uma vez. — Suspirei cansadamente, vendo seus olhos se arregalarem com tamanha surpresa.

— Eu estarei sendo a sua segunda? — Ponderou bobamente, deslizando suas mãos pelas minhas pernas de modo apreciativo. — Tipo, em toda a sua vida?

Apenas fiz que sim com a cabeça, sorrindo ao levar minhas mãos às suas costas. Meus lábios foram de encontro aos seus, famintos e frustrados pela sensação de demora. Senti o fecho de seu sutiã sob os meus dedos, desatando-o no mesmo instante. Não pensei duas vezes ao livrá-la da peça, jogando-a de lado conforme nossas línguas se movimentavam em sincronia.

Samara, em resposta, rapidamente puxou as alças do meu sutiã para baixo, expondo meus seios ao se afastar lentamente para me fitar. Seus olhos possuíam aquele brilho lascivo e satisfeito que eu tanto esperava encontrar. Ela ergueu a cabeça e voltou a me beijar de forma tão urgente e amorosa que seus dedos logo encontraram o caminho para a minha única peça restante. Ela acariciou meu seio lentamente, contornando o mamilo com seu dedo polegar enquanto mordia meu lábio inferior de leve.

Mas, antes de tentar aprofundar seus carinhos, ela empurrou meu corpo contra a cama, onde senti minhas costas repousarem suavemente enquanto ainda nos beijávamos com voracidade. Sentei-me na cama devagar e segurei sua cintura cuidadosamente, impedindo-a de se inclinar em minha direção. Deslizei minha boca pelo seu queixo, sugando a pele conforme meus lábios desciam até chegar ao seu seio esquerdo.

Ela gemeu com o contato suave da minha língua em seu mamilo agora rígido. Pude sentir seu corpo vacilar por um instante, conforme meus dedos escorregavam em direção à sua calcinha. Aproveitei, então, para puxar a peça levemente para baixo, revelando um pouco mais de pele, a qual eu toquei com meus lábios enquanto voltava a deslizar sua calcinha pelas suas pernas.

— Emmy? — Senti a mão de Samara tocar meu rosto delicadamente, puxando-o para cima. — Eu preciso que você me beije agora. — Ela disse; sua respiração pesada e difícil.

Tomei seus lábios nos meus imediatamente, recebendo o choque elétrico e fugaz que corria pelo meu ventre por conta das nossas línguas em contato constante. Seu corpo se inclinou ainda mais sobre o meu, fazendo-me deitar novamente enquanto suas mãos exploravam toda a extensão do meu torso. Sua mão voltou ao meu seio, apertando-o com mais firmeza e precisão.

— Aqui, Sam. — Peguei sua mão livre e a coloquei dentro da minha calcinha, arquejando quando o canto de seus lábios se ergueu num meio sorriso lascivo.

Seus olhos seguiram o movimento de nossas mãos e não pude, de forma alguma, conter o gemido rouco que me escapou assim que senti seu toque suave em minha intimidade úmida. Agora era uma séria questão de necessidade tê-la somente para mim, e de forma tão íntima como a que eu estava tendo nesse momento.

Samara se colocou entre as minhas pernas com cautela, beijando minha boca ternamente enquanto tentava tirar minha última peça restante sem parecer afobada. Sua língua se movimentava com precisão contra a minha, inventando um ritmo por conta própria. Era algo admirável que ela estivesse tão relaxada e paciente, o que, em contrapartida, estava começando a me incomodar.

— Sam! — Resmunguei baixinho, emaranhando minha mão esquerda em seus cabelos loiros, enquanto a outra arranhava seu braço fortemente. — Por favor... Eu quero você. — Consegui dizer por fim, soando impaciente e frustrada.

Ela deixou uma risada silenciosa escapar contra o meu pescoço, sugando a pele com veemência ao escorregar sua mão de volta ao meu centro, que, a essa altura, estava encharcado. Rapidamente, senti seus dedos deslizarem com facilidade na minha entrada, o que me fez arquear o quadril de modo instintivo.

— Assim está bom? — Provocou quando começou a se movimentar devagar, controlando a força com que ela investia em mim.

— É tudo o que pode fazer? — Desafiei, encontrando certa dificuldade em pronunciar as palavras. Recebi em troca um aceno negativo de sua parte, seguido de um beijo suave e afetuoso.

— Eu só estou começando, meu amor. — Samara sorriu abertamente, entonando seu sotaque sexy e adorável enquanto roçava nossos lábios eroticamente.

Apertei as unhas em seu braço ao sentir seus movimentos ganharem intensidade, reprimindo um gemido quando sua boca desceu lentamente até meu seio, tomando-o em sua boca enquanto eu movia meu quadril contra sua mão. Ela respirou com dificuldade contra a pele, mordendo com cuidado meu mamilo entumecido.

Samara logo levou seus lábios até o meu ouvido, onde sussurrou palavras doces e estimulantes. Desci meus lábios até a sua mandíbula, erguendo minhas costas levemente com a reação que o contato contínuo de nossas peles me causava. Deixei um gemido rouco escapar quando ela pressionou seu corpo contra o meu, apertando e arranhando minha coxa com firmeza conforme seus dedos se movimentavam com força e rapidez, tornando o ato algo profundo e ainda mais intenso — quase alucinante.

Meu corpo inteiro respondia aos seus estímulos, que, a cada toque mais brusco e urgente, sentia o impulso do ápice se aproximar gradativamente. Percebendo isso, Samara gemeu rouca e longamente no meu ouvido, empurrando sua mão o máximo que pôde na minha entrada úmida enquanto pressionava minha cintura contra o seu corpo colado ao meu.

Senti meus músculos tencionarem com a sua última e decisiva investida, não conseguindo conter as vibrações que passaram a circular por todos os lugares do meu corpo quando alcancei o céu mais alto que julguei ser possível. Meus batimentos cardíacos estavam descompassados, dando-me a sensação de que meu peito estava prestes a explodir, enquanto o fôlego parecia ser algo escasso em meus pulmões.

Aos poucos, Samara foi parando os movimentos e, então, deixou seu corpo cair sobre o meu, suado e exausto; sua respiração contra o meu peito tão fora de ritmo quanto a minha. E, enquanto eu tentava me recuperar, ela traçava uma linha invisível pelo meu braço com a ponta do seu dedo.

— Está satisfeita agora? — Samara ergueu sua cabeça para cima subitamente, fitando-me com atenção; seu rosto rubro por conta de todo o esforço e desempenho.

Tirei alguns fios loiros de seu cabelo que estavam grudados em sua testa, sorrindo amplamente para ela ao observar sua tão convicta aparência jovial; o repentino brilho facial acentuado pelas suas expressões de puro contentamento, que se misturava também a uma vivacidade que se estendia a cada traço bem desenhado de seu rosto bonito.

— Quem sabe depois da terceira vez? — Respondi simplesmente, comprimindo um riso quando ela arqueou as sobrancelhas.

— Parece que alguém está esbanjando vitalidade. — Ela riu, arrastando seus dedos pelo meu pescoço com cuidado.

Desviei os olhos para o teto sem dizer nada, sentindo minha respiração começar a se estabilizar. Samara saiu de cima de mim e se colocou ao meu lado, relaxando o seu corpo ainda mais. Virei meu pescoço para ela depois do que foram alguns segundos e percebi que suas pálpebras estavam fechadas agora.

Em um movimento rápido e preciso, girei meu corpo para o seu lado e me coloquei em cima dela. Seus olhos se abriram quase instantaneamente, encarando-me com um leve sobressalto. Depositei um beijo casto em sua testa, outro na ponta do seu nariz e, por último, selei nossos lábios longa e afetuosamente.

— Você sabe que ainda não terminamos, não é? — Afastei-me lentamente, deslizando minha boca até seu maxilar. — Eu ainda quero você da mesma forma que antes.

— Você tem certeza? — Ela virou o rosto à procura dos meus lábios, acariciando as laterais do meu corpo com as unhas suavemente. — Porque eu sinto como se estivéssemos prestes a cair num sono bem profundo a qualquer momento.

— O quê? De jeito nenhum. — Neguei enfaticamente. — Só vamos dormir quando estivermos completamente exaustas, o que eu sinto que não é o nosso caso, porque eu estava apenas ganhando um novo fôlego.

— Já que colocou dessa forma... — Samara se interrompeu, conectando nossos lábios no instante seguinte e invertendo nossas posições agilmente. — Eu acho que ainda não tive o suficiente de você. — Prosseguiu entre beijos famintos e urgentes enquanto tomava meu seio com sua mão e o apertava com firmeza.

— Mas agora é a minha vez. — Protestei, sentindo meu corpo esquentar rapidamente.

Samara, sem dizer nada, deslocou seus beijos e chupões por todo o meu pescoço, descendo pela clavícula até chegar ao meu seio direito. Ela dedicou alguns preciosos instantes sugando a pele com veemência, vez ou outra puxando o mamilo rígido e sensível com os dentes.

— Você é tão incrível. — Sussurrou vertiginosamente, massageando o outro seio intensamente conforme meus gemidos tomavam forma em minha garganta.

Sem parar as carícias, seus lábios desceram pelo meu abdômen devagar, mordendo alguns pontos específicos durante todo o caminho. Senti uma forte tensão em meu ventre quando ela afastou minhas pernas ainda mais ao tocar meu sexo com a sua língua, o que me arrancou um gemido rouco e arranhado.

Coloquei minha mão sobre a sua em meu seio, ajudando-a a pressioná-lo o máximo que pude. Samara rapidamente deslizou sua língua por toda a extensão da minha intimidade, forçando-a em minha entrada.

Joguei a cabeça para trás e arqueei os quadris instintivamente com a pressão que sua língua quente fazia, sentindo a onda de prazer me invadir como uma torrente. Ela se dedicou em estimular meu sexo com a sua mão disponível, enquanto sua língua se movia para dentro e fora de mim.

— Sam... Mais rápido. — Pedi entre arfadas furiosas, arrastando minhas unhas pelo seu braço estendido.

Ela olhou para cima por um breve instante e, então, se ajeitou entre minhas pernas, deslizando seu dedo vagarosamente pela minha virilha enquanto sugava meu sexo com veemência. Apoiei-me sobre os meus cotovelos com certa dificuldade e passei a observá-la, afastando minhas pernas o máximo que pude.

— Deus, isso é tão bom! — Deixei escapar ao sentir minha umidade aumentar cada vez mais diante de suas firmes investidas. — Sammy... — Gemi alto quando seus movimentos se tornaram bruscos e velozes, provocando pontadas fortes e deleitosas em cada parte sensível do meu corpo, que não tardou a ter espasmos com a chegada do tão glorioso e esperado ápice.

Samara beijou minha coxa interna suavemente, acariciando minhas pernas ao se arrastar para cima de mim. Sua respiração, assim como a minha, parecia ainda mais impossível; nossos peitos, agora bem próximos, subiam e desciam num ritmo descontrolado.

— Emily... — Samara encostou sua testa na minha, fazendo o possível para estabilizar seus batimentos cardíacos. — Acho que acabamos de ter um bom começo. — Ela disse, afastando alguns fios de cabelo do meu rosto carinhosamente.

— Você realmente acha? — Puxei seu pescoço para mais perto, beijando seus lábios demoradamente enquanto eu permitia que minhas mãos vagassem por seu corpo.

— Por quê? — Ela riu, passando a mão em seu cabelo úmido com o intento de afastá-lo de sua nuca.

— Bem, alguém claramente está em desvantagem aqui. — Apontei simplesmente, tocando seu rosto tomado por uma brilhante coloração.

— Talvez um pouco, mas eu sinceramente não me importo. — Retorquiu com serena seriedade. — Tecnicamente, eu sou a sua primeira e não é como se eu não levasse isso em consideração. Você uma vez me disse que era insistente e, em troca, eu lhe digo: eu sou paciente. Por isso, hoje é tudo sobre você, Em. — Samara pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos, sorrindo abertamente para mim.

— Você é mesmo real? — Devolvi seu sorriso na mesma intensidade, sentindo-me incapaz de conter as borboletas pelo meu estômago.

Em seguida, tornei a trocar nossas posições, repousando meu corpo sobre o de Samara. Ela levou uma de suas mãos ao meu cabelo, agarrando-o entre os seus dedos com gentileza e estima. Ela rapidamente desceu sua mão livre até minha cintura, onde arrastou suas unhas pela lateral do meu corpo devagar.

— Nós somos reais. — Sussurrou calidamente, roçando seus lábios nos meus vagarosamente, provocando arrepios pertinentes por toda a minha estrutura física.

Samara, então, puxou meu lábio inferior com os dentes, levando uma de suas mãos ao meu rosto. Seu toque gentil me instigou a fechar os olhos por um breve momento, onde ela o aproveitou para me beijar calmamente na boca. Ela apertou sua mão em minhas costas, pressionando nossos corpos juntos com firmeza.

Separei nossos rostos devagar, fitando seus olhos escuros e brilhantes; um sorriso de pura satisfação cresceu de imediato em cada canto dos meus lábios. Samara enrugou as sobrancelhas confusamente, inclinando a cabeça para longe de mim.

— Por que está rindo? — Ela quis saber.

— Nada. — Balancei a cabeça vagamente. — Eu só estou feliz.

Notas finais
Eu pensei que iria conseguir relevar algumas coisas sobre a Samara nesse capítulo, mas teve que ficar para o próximo. Mas, de qualquer forma, comentem o que estão achando; é de extrema importância saber a opinião de vocês sobre o que foi contado até agora. Bem, por enquanto, é isso. Até mais! :)