Estes Laços Que Unem

3 A Suspeita Sempre Assombra a Mente Culpada.


Notas iniciais
Aqui estou com mais um capítulo, espero que gostem! ;)

Enfim sábado havia chegado, e todos aqueles que habitavam a cidade de Rosewood, Pensilvânia — um subúrbio rico e bucólico a vinte milhas da Filadélfia —, estavam se preparando para entrarem em seus finíssimos trajes de gala, e Spencer, Hanna, Aria e eu não ficávamos atrás. Estávamos todas no quarto de Spencer, nos preparando para a longa noite que teríamos a partir do momento em que fizéssemos a nossa entrada no evento da Semana da Moda em Rosewood.

— O que acham deste? — Spencer havia comprado dois vestidos novos para o evento: um para a entrada e o outro para depois do desfile. Afinal, quantas vezes nós teríamos que trocar de roupa?

— Parece perfeito. — Aria, que estava sentada em frente à penteadeira que um dia pertencera à avó de Spencer, virou seu corpo para trás, lançando um sorriso positivo a ela.

— Alguém viu meu delineador? — Hanna gritou do banheiro, emergindo no batente da porta com uma postura rígida e impaciente.

Sua voz já estava rouca de tanto que ela havia gritado durante a organização de todo o desfile, enquanto seu rosto estava perfeitamente restaurado de todo o estresse e chateação que a abateu por alguns dias. Ela usava um vestido na cor cinza, cheio de brilhos, de Kate Spade, e seu pescoço estava envolto por um bonito colar da Tiffany. Seus cabelos estavam soltos e cacheados, e logo iriam se desmanchar, assim como os meus.

— Nós já estamos prontas? — Perguntei depois de um longo momento em silêncio, observando enquanto as meninas terminavam de se maquiar. Olhei-me no espelho mais uma vez, ajeitando meus cabelos compridos sobre os ombros tensos.

Desde que a hora de começarmos a nos arrumar chegou, meu estômago se contraía constantemente com o nervosismo. Eu não era muito do tipo de garota que gostava de todas as atenções voltadas para si. Na verdade, eu detestava quando isso acontecia, uma vez que era sempre pelas razões erradas, como quando a primeira “A” — vulgo Mona Vanderwaal — me chutou para fora do armário bem no começo do ano passado e todos do Colégio Rosewood Day criaram um interesse fora do padrão por mim.

Depois daquilo, no entanto, ao invés de me sentir mais leve com o meu segredo exposto, o peso apenas aumentou quando eu percebi que não era só de garotas que eu realmente gostava, apesar de ser a minha grande preferência. Por conseguinte, todas as minhas dúvidas retornaram conforme eu me sentia cada vez mais atraída por um garoto que eu conhecera numa igreja, Isaac Colbert, o primeiro garoto que eu realmente gostei e com qual eu havia tido a minha primeira vez, há quase um ano.

— Qual lado do meu rosto vocês acham que eu fico melhor sorrindo? — A voz aguda e espalhafatosa de Hanna soou com um grande impacto contra os meus pensamentos.

Agora, ela estava ao meu lado e também se olhava no espelho, virando seu rosto bonito de um lado para o outro enquanto treinava o seu sorriso perfeito e triunfante como sempre fazia quando estávamos a caminho de algum evento importante de Rosewood. Então, quando eu estava me afastando dela, pude escutar seu longo e pesado suspiro, seguido de um sussurro cheio de confiança e convencimento, “Eu sou Hanna. E eu sou fabulosa”.

***

A música que tocava assim que chegamos à Mansão Harper — onde era muito comum a maior parte dos eventos de Rosewood acontecerem — era Paparazzi de Lady Gaga, e Hanna mal teve tempo de apreciá-la, uma vez que havia sido imediatamente puxada e arrastada por uma das assistentes da produção do desfile. Spencer me lançou um olhar quase que indecifrável sobre isso e Aria se afastou de nós duas quando avistou seu namorado, Noel Kahn, bebendo e rindo na companhia de Mike Montgomery, no bar que ficava no canto da extensa sala de estar. Eles haviam se tornado muito amigos desde que Aria e sua família voltaram da Europa.

— Agradável. — Spencer se limitou a dizer quando olhou ao redor, analisando cada pequeno detalhe da bem elaborada decoração que preenchia todo o espaço. Era tudo muito artificial, assim como a maior parte das pessoas que estavam aqui.

— Eu preciso de uma bebida. — Despejei o ar que estava segurando quando meus olhos se voltaram ao bar onde Aria e Noel estavam.

— Eu concordo. — Spencer disse. — Você parece que vai ter um colapso a qualquer momento.

Antes que eu pudesse respondê-la, seu celular fez um bipe irritante e, então, ela também se afastou. Encaminhei-me em direção ao bar e me sentei a algumas cadeiras de distância de Aria, que conversava de maneira muito íntima com o seu namorado. Ela parecia realmente feliz... Alguma de nós tinha que ser.

— Ei, Fields! — A voz zombeteira e sonora de Noel ecoou em meus ouvidos, o que fez com que eu me inclinasse sobre o balcão para poder enxergá-lo através do corpo de Aria, que agora me olhava com uma expressão de quem não havia percebido minha presença. — Onde está o seu namorado trapaceiro? — Ele perguntou, fingindo um tom austero e bravo.

Enzo. Eu não tinha pensado nele o dia inteiro, como também não havia falado com ele uma única vez enquanto estava com as meninas. Na verdade, por uma pequena fração de segundos, quando Noel me perguntou sobre Enzo, eu tive que fazer um esforço relevante para me recordar de quem se tratava. Por um pequeno e insignificante instante o seu rosto havia me fugido de todo o banco de dados da minha memória. Isso me tornava uma namorada muito ruim e descuidada?

— Eu não o vi hoje. — Respondi por fim, tentando localizá-lo dentre as muitas pessoas que circulavam para lá e para cá. — Vou ligar para ele. — Peguei o celular da minha bolsa e disquei o número de Enzo, esperando que ele não demorasse a atender.

— Finalmente! — Ele atendeu no terceiro toque. — Eu tentei falar com você o dia todo, mas sempre caía na caixa postal. — Sua voz estava exasperada e visivelmente irritada, o que me fez revirar os olhos.

— Eu estive ocupada. — Dei de ombros, soando meio insípida. — Onde você está? — Perguntei, logo pressionando o celular contra o meu ombro assim que o barman se aproximou, perguntando o que eu iria beber. — Vodca com limão.

— Ainda estou em casa. — Enzo respondeu com o tom de voz severo.

Um nó se formou em minha garganta. Talvez eu devesse me desculpar, mas o que eu iria dizer? “Ei, eu sinto muito por ter me esquecido de você o dia inteiro. Acontece que eu estive muito ocupada pensando na minha melhor amiga morta.” Isso, definitivamente, não aconteceria. Era tão inapropriado. Afinal, para muitas pessoas, eu já havia superado Ali há muito tempo.

— O desfile é em uma hora. — Eu disse ao invés, encarando o balcão com forte cheiro de madeira misturado com frutas cítricas e Polo. Noel usava Polo, e ele estava muito perto...

Houve um silêncio significativo do outro lado da linha. Mas, antes que eu pudesse dizer alguma coisa e quebrar o silêncio, avistei o Sr. e a Sra. Escoffier acabando de cumprimentar os pais de Mason Byers, o colega de time de Enzo. Eles estavam sozinhos, o que significava que Enzo não estava pretendendo vir — ou estava cuidando do seu irmão mais novo, Auguste.

— Mas, se você não vier, está tudo bem. — Continuei depois de um momento, observando algumas típicas garotas de Rosewood, que pareciam clones umas das outras, caminharem em direção a uma sala de consultas que envolvia o futuro. — De qualquer forma, aqui está cheio de garotas bonitas. — De repente, escutei um barulho de algo se quebrando do outro lado da linha. Talvez fosse um copo, ou um vaso.

— Emily... — Enzo tentou dizer, mas eu o interrompi bruscamente, soando inocente e despreocupada.

— Eu preciso ir, estão me chamando aqui. Vejo você amanhã. — Dito isso, encerrei a chamada e deixei um riso baixo escapar dentre meus lábios. Em seguida, voltei a minha atenção ao barman que havia acabado de colocar o meu copo sobre o balcão.

Alguém gemeu baixo perto de mim e eu olhei, esperando ver alguma velha rabugenta, coberta por diamantes no meio de um ataque cardíaco fulminante, mas, ao invés disso, era uma mulher jovem com cabelos loiros avermelhados e ondulados. Ela olhou para mim e apontou para o seu tablet.

— Você acha que eu consigo impressionar o meu chefe com isto? — Na tela que ela havia acabado de me mostrar, havia uma arte no estilo vanguardista e, olhando de relance, parecia muito com uma mulher nua.

— Se ele olhar de relance, eu aposto que sim. — A mulher riu de instantâneo, abaixando o seu tablet e voltando a atenção para a tela, um pouco receosa.

— Ele é bem rabugento e futurista, na verdade. — Ela disse, olhando para mim novamente e sorrindo de forma misteriosa, como a minha Ali fazia. — Bem ao estilo de Giacomo Balla, sabe? — Balancei a cabeça negando, enquanto despejava as últimas gotas que havia no copo largo de vodca.

— Eu não entendo nada sobre artes, mas a minha melhor amiga entende. — Olhei para o lado à procura de Aria, mas ela não estava tão perto agora. Ela parecia muito ocupada com Noel, concentrada em seu próprio mundo junto dele.

— Eu sabia. — A mulher ao meu lado murmurou, agora, mais perto de mim. — Assim que eu coloquei os meus olhos em você, eu pensei, “Hm, muito bonita para conhecer qualquer tipo de arte”. — Ela sorriu preguiçosamente, se inclinando em minha direção.

De perto, ela era muito mais bonita do que eu pensei que fosse inicialmente: as maçãs do rosto eram bem definidas, sua pele extremamente pálida possuía leves e sutis sardas, e os seus olhos eram de um verde tão intenso e puro que chegava a parecer azul. Ela também tinha uma tatuagem na lateral do seu corpo: pássaros negros levavam uma frase se despedaçando pelo vento. “A arte nunca vem da felicidade” estava escrito em sua pele branquíssima.

— Isso se dá ao fato de você estar conversando com uma futura biomédica. — Sussurrei secretamente, me inclinando de volta em sua direção e sendo incapaz de impedir os meus olhos de caírem sobre os seus bonitos e beijáveis lábios naturalmente avermelhados. — Eu sou Emily, a propósito. — Recuei lentamente, estendendo a mão em sua direção e devolvendo seu sorriso caprichoso e intoxicante.

— Mel. — Ela disse, apertando minha mão devagar e roçando a ponta do seu dedo indicador contra a palma, o que me provocou cócegas instantâneas e um frio gostoso no ventre. — Por que você me parece tão familiar?

— Não faço ideia. — Engoli em seco, sabendo exatamente de onde ela me conhecia. Eu sou uma das Belas Mentirosas, eu poderia dizer, mas isso certamente azedaria qualquer clima de flerte... — Então, você é artista? — Perguntei rapidamente, sorrindo de canto quando imaginei o que Aria diria sobre ela.

— Não da forma como eu gostaria de ser... — Mel abaixou a cabeça, encarando a tela do seu tablet, pensativa. — Mas moda também é uma arte, não é? — Ela sorriu, afastando uma mecha do seu cabelo para trás da orelha e olhando para cima, onde os telões estavam posicionados.

Então, depois do que foram mais alguns drinks e olhares ambíguos, eu só sabia que eu estava encostada numa parede não tão sólida, na parte de trás e deserta do bar, enquanto a pele macia e convidativa do rosto de Mel roçava contra a minha, seus lábios cor de cereja procurando os meus. Seus toques e carícias eram suaves, mas, ao mesmo tempo, urgentes.

— Eu só tenho alguns minutos. — Sussurrei contra os seus lábios com a respiração pesada, deslizando as minhas mãos pelo seu pescoço.

— Eu também. — Mel sorriu, escorregando seu lábio inferior lentamente pelo meu queixo de maneira lasciva e divertida. — Mas agora eu tenho o seu número. — Ela se afastou, balançando o seu celular na sua mão direita com um sorriso vitorioso e satisfeito.

Antes de se afastar completamente de mim, ela pressionou seu corpo delicado contra o meu e me beijou fortemente nos lábios, acariciando meu pescoço com a ponta do seu dedo indicador e, então, o beijo foi quebrado. Passaram-se alguns longos segundos até que eu finalmente abrisse os olhos e encarasse o vazio, ainda com o sorriso de que algo surreal tinha acabado de me acontecer.

Meu celular fez um bipe suave e eu jurava que já era ela me mandando mensagem, mas, quando olhei o visor, o nome Aria Montgomery piscava lentamente na tela. Tratei logo de voltar ao bar em que eu estava havia quase vinte minutos, procurando por ela sem deixar transparente — ou escrito na minha testa — que eu havia acabado de aprontar. Eu podia fazer isso, certo?

— Então? — Aria arqueou uma sobrancelha quando eu me aproximei, sentando na cadeira vazia ao seu lado. Olhei para os lados e percebi que Noel já não estava mais com ela, mas com os amigos perto da entrada. — Conseguiu falar com ele? — Ela perguntou, fazendo sinal para que o barman trouxesse o mesmo que eu estava bebendo antes para nós duas.

Minha cabeça já estava começando a rodar e meu corpo parecia muito mais leve, mas eu não resisti e aceitei o copo quando estava diante de mim. Aria não tinha problemas com bebidas, ela bebia socialmente desde que tinha quinze anos e sua mãe nunca a repreendera por isso.

— Definitivamente. — Dei uma grande golada na minha bebida, sentindo o gosto amargo e azedo do limão descer pela minha garganta rasgando junto da vodca. — Conte no seu relógio, ele estará aqui em menos de quinze minutos. — Garanti com firmeza, lançando um olhar sábio e meio culpado a ela.

— Esta não é a Emily Fields que eu conheci há quase cinco anos. — Aria riu, colocando sua bolsa em cima do balcão para, então, ajeitar seu cabelo preso num coque perfeitamente elaborado.

— Como eu poderia seguir com a minha vida e continuar a mesma de sempre? Eu teria enlouquecido... — Murmurei as últimas palavras, sentindo meus olhos salpicarem enquanto eu os mantinha abertos e fixos no vazio.

O rosto bonito daquela garota que eu poderia assemelhá-la um pouco a Ali brilhou em minha mente, causando-me um aperto forte no peito. Eu não me arrependia de forma alguma de tê-la beijado de maneira tão intensa e calorosa. Seus modos me traziam reminiscências agradáveis, porém nostálgicas de quando a minha Ali ainda estava viva, e isso me despertou um pouco.

— Você ainda sente falta dela, não é? — Aria tocou meu ombro de repente, pressionando seus lábios juntos num gesto solidário e compreensivo. Meu coração pulou uma batida e, então, eu levei o copo à minha boca com o intuito de mantê-la ocupada, virando-o de uma só vez.

Eu não me sentia suficientemente confortável para conversar sobre Ali com ninguém. Era difícil me concentrar em qualquer coisa que fosse quando seu rosto sempre impecável em formato de coração monopolizava os meus pensamentos. Por muito tempo eu procurei pessoas que pudessem substituí-la de alguma forma, mas ninguém realmente se comparava a ela. Eu sabia disso porque só eu a conhecia de verdade...

Ali sabia tudo sobre mim, e eu sabia quase tudo sobre ela também. A única coisa que eu nunca tive coragem de lhe contar era o que eu realmente sentia por ela. E como eu poderia? Ela teria me odiado se eu o fizesse — ou, pelo menos, foi assim que eu pensei que ela se sentiria quando eu soube, no momento em que a julguei um ser perfeito, que eu a amava.

— Não se preocupe, eu não vou dizer nada sobre isso às outras. Será o nosso segredo. — Ali havia dito depois que nos beijamos em sua casa da árvore. Ela havia sido o meu primeiro beijo, o meu primeiro amor e, também, a minha primeira decepção.

— Você sabe, ela gostou de me beijar. — Afastei os meus pensamentos para longe e, então, olhei para Aria, que parecia distraída enquanto bebericava sua bebida.

Chamei a atenção do barman que estava limpando alguma coisa de costas para mim e apontei para o meu copo vazio com um sorriso simpático. Mais do que depressa, ele o pegou e preparou a mesma bebida que eu havia pedido de primeira e, então, me devolveu o copo cheio.

— Quem? — Aria perguntou, abaixando o copo rapidamente para me encarar meramente confusa.

— Alison. — Desviei os meus olhos dela mais uma vez, pegando o meu copo sobre o balcão enquanto observava os telões embutidos estrategicamente nas paredes, reprisando os mesmos ensaios fotográficos de modelos desde o momento em que eu cheguei. — Ela sentiu alguma coisa também, eu tenho certeza disso.

Aria abriu a boca para dizer alguma coisa, mas desistiu quando percebeu que Hanna estava vindo em nossa direção com o semblante incrédulo e meio repreensivo. Havia um fone de ouvido sem fio na sua orelha esquerda e seu cabelo, agora, estava preso, com algumas poucas mechas — soltas e onduladas — balançando conforme ela se movia para perto de nós duas.

— Não posso acreditar que estão bebendo! — Ela tomou o copo da minha mão e de Aria sem ao menos pedir licença. — Vocês não podem desfilar bêbadas, suas irresponsáveis! — Então, sem mais nem menos, ela virou os dois copos, um de cada vez, despejando todo o líquido em sua boca e o engolindo de uma só vez.

— Claro, nós somos as irresponsáveis. — Aria a ironizou, franzindo o cenho enquanto analisava Hanna cuidadosamente, que, por sua vez, logo deu de ombros.

— Tanto faz. — Ela colocou os copos sobre o balcão, batendo-os com força contra a madeira. — Agora vamos, os maquiadores já estão prontos para vocês.

Com isso, ela nos pegou pela mão e então se virou, nos arrastando pelo longo caminho até o outro cômodo, onde havia uma longa e brilhante passarela, que era toda iluminada pelas cores vibrantes de neon. As luzes de toda a extensa sala estavam baixas e os assentos de ambos os lados da passarela com alguns nomes demarcados, como Sarah Burton, Michael Kors e Samara Cook, estavam completamente vazios.

— Han, você pode nos arrumar alguma coisa para beber? — Aria pediu assim que entramos no camarim agitado, com algumas modelos seminuas andando de um lado para o outro, onde nos arrumaríamos para o desfile. Em seguida, ela me lançou um sorriso ambíguo, como se confirmando se eu sabia o que ela quis dizer.

— Sem bebidas para vocês. — Hanna respondeu, escapando do nosso campo de visão.

A música que tocava e a qual passava o clipe na TV de tela plana embutida na parede era, incrivelmente, Justin Bieber e Nick Minaj, mas que, graças a Deus, parecia já estar no fim. Aria, assim que olhou para a tela, revirou os olhos e riu para mim. Então, rapidamente, fomos encaminhadas por uma das assistentes de produção à nossa ala, onde tinha as nossas cadeiras bem perto uma da outra.

— Você acabou de sentar na minha cadeira. — Apontei quando Aria sentou sem ao menos conferir se era mesmo o lugar dela, uma vez que ela estava com a sua atenção voltada à tela do seu celular.

A minha cadeira, onde estava escrito Emily Fields em letras maiúsculas, ficava entre os lugares de Spencer e Aria, que, por sua vez, logo pulou para cadeira ao lado. Enquanto isso, Hanna emergiu do mesmo lugar em que havíamos entrado e, então, Spencer surgiu logo atrás dela, carregando sua tão preciosa bolsa na cor avelã Louis Vuitton que havia chegado semana passada. Ela fazia isso desde quando tínhamos treze anos, encomendava coleções inteiras de bolsas incríveis direto de Nova York.

— Onde você estava? — Perguntei quando ela se sentou ao meu lado, logo tirando seu celular da bolsa.

— Apenas reconhecendo o perímetro. — Respondeu depois de um segundo, olhando para mim com uma expressão serena. — Há tantos garotos lindos lá fora. — Ela suspirou emocionada, deslizando seu celular de volta para dentro da bolsa.

— Então, meninas, estão prontas? — A voz animada e bem equilibrada de Samara ecoou em meus ouvidos, fazendo-me desviar a atenção que eu dava a Spencer e focar somente nela. — Onde está Hanna? — Ela perguntou depois de um longo suspiro.

— Foi buscar algum espumante. — Aria respondeu, piscando logo em seguida para mim. — Ainda está nervosa? — Ela perguntou entre risos, repousando sua cabeça em meu ombro e sussurrando palavras de conforto. Em seguida, Samara se aproximou e nos entregou os vestidos, sorrindo corajosamente para nós duas.

Hanna, então, apareceu segurando o espumante que Aria havia quase lhe implorado na mão esquerda e os copos na direita. Tomei alguns goles antes de começar a me despir para colocar o vestido longo e brilhante, sutilmente transparente nas pernas. Minha visão anuviou por uma fração de segundos quando eu me olhei no espelho; agora, eu me sentia meio que incrível — o que talvez fosse o efeito da bebida agindo no meu organismo.

— Spencer, você pode me ajudar com esse maldito zíper? — Pedi depois de um bom tempo tentando fechar o zíper nas costas do meu vestido.

— Espere um minuto. — Ela disse, puxando o seu vestido para cima. Ela ainda estava ocupada com a sua própria arrumação. Passei os olhos ao redor, procurando por Hanna, mas ela havia sumido novamente.

— Quando você precisar de ajuda, você pode me chamar. — Samara surgiu atrás de mim. — Eu juro que eu não mordo. — Ela sorriu, sustentando o meu olhar através do espelho por um segundo.

— Você parece sempre tão... Ocupada. — Dei de ombros, apontando para o zíper que eu não conseguia fechar.

Mais uma vez, ela sorriu, mas de forma mais intensa e, então, balançou a cabeça lentamente, como se dissesse que era bobagem o meu receio. O modo como ela se expressava e agia ao redor das outras pessoas era algo que realmente chamava a minha atenção, uma vez que eu era extremamente observadora. Exteriormente, Samara parecia ser uma pessoa pacífica, de personalidade agradável e de caráter forte, e eu honestamente adorava pessoas assim.

— E, bem, você meio que me faz perder a concentração. — Murmurei depois de um instante, distraída, pigarreando logo em seguida quando percebi o que eu havia dito.

No entanto, eu não senti as minhas bochechas corarem, provavelmente por causa do efeito natural da relevante quantidade de bebida alcóolica que eu havia ingerido em menos de uma hora.

— Desculpe, não consigo mais controlar o que eu penso e digo. — Passei a mão pelo rosto ao perceber que ela estava rindo como se não soubesse onde enfiar a cara, assim como os seus dedos que se moviam nervosamente na textura suave do vestido que eu usava. — O seu sobrenome é Cook? — Perguntei rapidamente, tentando fugir da situação constrangedora que eu mesma havia criado.

— Sim, por quê? — Ela parou de repente, olhando para mim através do espelho. A lembrança da cadeira da primeira fileira com o nome Samara Cook brilhou em minha mente.

De repente, eu me sentia ainda mais insegura e nervosa sobre desfilar na frente de inúmeras pessoas que eu nunca havia visto na vida, e outras com quem convivi durante quase toda a minha vida. Mas Samara parecia... Diferente. Ela meio que me atraía, e saber que o seu olhar brando e cheio de complacência em algum momento estaria em mim me deixava com o coração na mão.

— Se eu me desequilibrar na passarela você promete não rir? — Apenas com isso, ela deixou um riso confortável escapar. Aria e Spencer olharam para nós duas e, então, cochichou alguma coisa uma para a outra.

— Não se preocupe, eu tenho certeza de que você vai se sair muito bem. — Ela disse, subindo o zíper devagar pelas minhas costas. Em seguida, seu olhar voltou para nossos reflexos e um sorriso de canto surgiu em seus lábios rosados. — Agora, eu preciso dizer honestamente, você está deslumbrante. Estou muito orgulhosa da minha obra de arte ter caído tão bem em você. — Samara se afastou, fazendo seu salto alto ecoar por todo o camarim conforme ela firmava os pés no chão.

— Será que eu posso dizer o mesmo? — Ela pegou o controle da TV e passou para a próxima música quando começou a tocar Taylor Swift, enquanto eu estava tentando flertar da maneira mais sutil possível. — Eu estou realmente impressionada com você. — Admiti quando ela voltou a olhar para mim.

— Mesmo? — Samara arqueou as sobrancelhas muito bem feitas, num tom claríssimo e natural de loiro. — Obrigada! — Ela sorriu, passando a me analisar novamente.

— Emily, vamos! — Hanna apareceu de repente, me puxando pela mão. — Aria e Spencer já estão sendo maquiadas, agora só está faltando você. — Ela disse enquanto me arrastava para junto das meninas.

Assim que sentei na minha cadeira, notei que Spencer já havia encantado os dois rapazes altos e divertidos que a maquiavam. Ela contava histórias engraçadas de sua família e até Aria estava participando das risadas e trocadilhos internos que as duas tinham. Enquanto isso, Hanna me ajudava a colocar todos os acessórios que ela mesma havia escolhido para nós três e que, portanto, eram fabulosos.

— Han, eu acho que fiz uma coisa terrível. — Confessei com a voz um pouco embargada. — Hoje eu beijei uma estranha. — Sussurrei somente para ela quando seu olhar caiu sobre mim.

— Você o quê? — Ela gritou, arqueando as sobrancelhas em desgosto, o que chamou a atenção de Aria, Spencer e até de Samara. — Jesus, Emily. Você tem um namorado! — Sua voz diminuiu, mas não perdeu o tom de repreensão e, então, ela se colocou de frente para mim.

— Eu sei, está bem? — Revirei os olhos, sentindo a minha garganta se fechar com o seu lembrete. — Mas, de qualquer forma, eu não acho que vou vê-la novamente. Foi só um momento e acabou. — Dei de ombros, ponderando acrescentar algo como: “Porque, agora, eu realmente estou mais interessada nela”.

Então, com isso em mente, inclinei a minha cabeça um pouco para o lado só para observar Samara ajudando outra modelo a se arrumar com a mesma empatia de sempre e, por coincidência, a música que começou a tocar nos alto-falantes era Radar de Britney Spears. Mas, muito provavelmente, com a sua incrível beleza e quase irresistível amabilidade, ela também deveria ter um namorado e isso meio que me fez cair na real.

***

Assim que chegou o momento de eu entrar na passarela junto de Spencer, meu coração voltou a acelerar progressivamente. Mas, antes, Samara tinha vindo até mim e feito com que eu bebesse quase um litro de água, dizendo que isso iria ajudar a diminuir o efeito que o álcool estava tendo sobre mim. E ajudou um pouco, eu estava mais nervosa e consciente do que eu estava fazendo.

Dessa forma, quando finalmente chegou a minha vez, Hanna me impulsionou a sair dos bastidores, onde havia inúmeras pessoas assistindo ao desfile por uma TV de tela plana, e encarar a extensa e brilhante passarela à minha frente. A música que começou a tocar era SexyBack de um dos meus cantores favoritos, Justin Timberlake, e, inicialmente, tudo o que eu fiz foi olhar somente para frente, mas então eu me lembrei de um dos shows da Victoria’s Secret, onde as modelos são adoráveis e se sobressaíam muito bem quando olhavam para os lados, sorrindo para quem estava presente assistindo.

Quando eu cheguei ao meio da passarela, a música e o barulho de vozes e flashes preenchia os meus ouvidos, então eu olhei para o meu lado direito, meio que procurando por Samara. Ela estava sentada de pernas cruzadas, com um tablet na mão, e os seus olhos estavam em mim. Meu coração pulou uma batida quando ela sorriu corajosamente em minha direção, parecendo meio deslumbrada com o que via.

Então, no mesmo instante, alguém que estava ao seu lado se inclinou em sua direção, sussurrando alguma coisa em seu ouvido. Seu sorriso se desmanchou e ela olhou para a pessoa com uma expressão perdida e confusa e, em seguida, para mim novamente. Antes que eu virasse para fazer o meu caminho de volta, meus olhos rapidamente seguiram os seus e quase tive um ataque cardíaco quando meu cérebro registrou a pessoa que estava sentada ao seu lado, sorrindo enquanto dizia alguma coisa para Samara. Era ela: a garota de lábios incrivelmente avermelhados. Era Mel.

Assim que eu voltei para os bastidores, Hanna me puxou para um abraço forte e animado, gritando no meu ouvido que eu havia sido incrível enquanto eu mal conseguia me concentrar nas palavras desconexas que saíam de sua boca quando ela me soltou. A imagem de Samara sentada ao lado de Mel piscava em minha mente, e tudo o que eu conseguia pensar era que qualquer chance que eu poderia vir a ter com Samara havia sido arruinada.

— Ela estava lá. — Deixei escapar para Hanna enquanto eu trocava de roupa para desfilar com Spencer. — A garota que eu falei. Ela estava lá. — Hanna ajeitava minha lingerie, que meio que ficaria à mostra quando eu estivesse desfilando ao lado de Spencer.

— Em, nós não temos tempo para isso. — Ela disse com a voz beirando à ternura. — Agora é a sua vez de desfilar com Spencer. Ela já está quase pronta. — Olhei para trás, para dentro do camarim, e vi Aria tirando a roupa que ela havia acabado de desfilar. Ela entrou na passarela bem quando eu estava fazendo o meu caminho de volta, mas mesmo com o fator surpresa eu não tinha perdido a compostura.

— Tudo bem. — Decidi, espiando pelas cortinas pretas e pesadas a passarela com as outras modelos em ação. Samara assistia ao desfile com um sorriso contido e orgulhoso, e o mesmo valia para Mel, que vez ou outra comentava algo sobre as modelos com ela. — Eu posso fazer isso. — Sussurrei com firmeza, voltando minha atenção para Spencer que já estava pronta, ao meu lado, apenas esperando Hanna decidir quando entraríamos.

— Muito bem, vão! — Hanna finalmente acenou, e nós fomos.

A música que começou a tocar assim que pisamos na passarela era Beautiful, Dirty, Rich de Lady Gaga. Spencer olhou para mim e sorriu, como se dissesse que não poderiam ter escolhido outra melhor. Os inúmeros flashes ofuscaram minha visão logo de início, mas então eu me acostumei novamente e a música me ajudava a ter um bom desempenho enquanto meu rosto virava de forma sutil para os lados e um sorriso meio que forçado se formava em meus lábios.

Samara tinha aquele mesmo sorriso motivador e confiante, como se houvesse uma mensagem subliminar através dele. Minha atenção se manteve um pouco mais do que o necessário sobre ela, mas eu realmente não pude evitar. Ela era tão linda e tinha um honesto charme especial. Enquanto isso, Mel também estava com os olhos em mim, mas a forma como ela me olhava era completamente diferente; havia um pouco de luxúria e malícia nos seus olhos verdes azulados e o seu sorriso era misterioso e zombeteiro.

Foi só quando a música trocou para uma da Britney Spears, Piece Of Me, que minha atenção se dispersou daquele lado. Coloquei a mão no quadril e, então, Spencer trocou de lado comigo, ficando à minha esquerda. Bem na parte do refrão, dei uma espiada sutil em Samara e ela sorriu de canto, erguendo seu tablet em minha direção para que pudesse tirar uma foto e logo o abaixou, olhando para a tela por longos segundos.

Spencer e eu voltamos aos bastidores e fomos recebidas por Aria e Hanna, que estavam dando pulinhos de alegria. As duas tinham copos de espumante nas mãos, vez ou outra dando golinhos tímidos e empolgados. E antes de entrar no camarim para colocar suas próprias roupas, Spencer veio até onde eu estava com Aria e me abraçou bem apertado e demorado. Hanna se aproximou e nos abraçou também, logo seguida de Aria, que se juntou ao abraço coletivo.

— Vocês foram tão, mas tão incríveis! — Hanna gritou, se afastando e dando pulinhos de pura euforia. — Eu estou tão orgulhosa de vocês, meninas. — Ela disse, apontando para cada uma de nós.

— E nós estamos de você. — Aria devolveu com sinceridade, envolvendo Hanna em um abraço cheio de afeto. — Parabéns, Han. Você também foi incrível com tudo isso! — Spencer e eu apenas assentimos tão orgulhosas quanto Aria e, então, fomos nos trocar.

— Então? — A voz suave e melódica de Samara soou quando eu estava terminando de colocar os meus sapatos de salto alto. — Eu não estava certa sobre você se sair muito bem mais cedo? — Ela se aproximou e se sentou na minha frente, sorrindo de canto.

— Obrigada. — Sussurrei meio sem jeito, evitando o seu olhar. — Você realmente foi muito gentil comigo.

— Não seja por isso. — Samara deu de ombros, cruzando as pernas e apoiando suas mãos sobre o colo.

— Há quanto tempo você trabalha com isso? — Perguntei, inclinando-me em sua direção apenas para ajeitar meu sapato escuro. Ela riu e parou por um momento, pensativa.

— Há dez anos. — Seus lábios se moveram devagar e o seu sotaque parecia ainda mais vivo e acentuado. De perto, ela também era muito mais bonita e encantadora do que eu pensava. — Eu comecei a me interessar por moda e artes em gerais quando eu tinha treze anos, mas foi apenas com quinze que eu comecei a desenvolver a minha verdadeira ideologia sobre isso. — Foi meio que impossível conter um sorriso surpreso e aprazível diante de tamanha profusão.

— Isso é incrível. — Deixei escapar, sustentando o seu olhar sólido e brando por alguns confortáveis segundos.

— Às vezes nem tanto. — Ela abaixou os olhos para suas mãos, que se mexiam nervosamente. Samara estava prestes a dizer mais alguma coisa, mas antes que ela pudesse, seu iPhone branco apitou e roubou toda a sua atenção. — Eu tenho que ir agora, amanhã eu acordo cedo para escrever sobre hoje. — Ela se levantou e, então, estendeu a sua mão para mim quando eu também me coloquei de pé.

Olhei para ela por um instante, sua altura era compatível com a minha. Os seus lábios, de perto, eram convidativos e muito mais beijáveis do que qualquer um que eu já havia visto, e os seus olhos azuis estavam mais voltados para a cor cinza agora. Em seguida, olhei para a sua mão estendida e então a aceitei de bom grado, com um sorriso de canto, que logo provocou o seu.

— Eu adorei conhecê-la um pouco melhor. — Sussurrei quando eu me inclinei em sua direção, beijando cada lado do seu rosto de forma sutil e, ao mesmo tempo, provocativa. Samara sorriu longamente e, em seguida, se afastou.

Depois disso, no entanto, eu estava a caminho do bar onde estava Hanna, Aria e Spencer conversando alegremente enquanto bebiam, quando avistei Enzo vindo em minha direção. Ele usava calça jeans larga e escura, sapatos Tod’s e uma camiseta polo cinza estrategicamente apertada nos lugares certos do seu torso bem distribuído. Seu cabelo dourado possuía um corte no qual as laterais eram curtas, deixando o volume para a parte de cima, que estava adoravelmente penteado num topete arrumadinho e pomposo.

— Oi, estranha. — Ele disse assim que se aproximou, colocando as mãos no bolso da frente de sua calça. — Então, você pode conversar comigo ou está ocupada demais? — Deixei um suspiro cansado escapar quando eu olhei as meninas sentadas no bar, rindo e se divertindo, para ele com o rosto bonito centrado em mim.

— Não seja bobo. — Empurrei seu ombro para trás de brincadeira, sorrindo fracamente quando ele me olhou de forma mais atenta. — Hoje foi um dia muito estressante, tanto para mim quanto para as meninas, mas eu ainda tenho muito tempo para você. — Enzo sorriu e me puxou para um abraço, o que me fez descansar minha cabeça em seu peito por alguns instantes.

— Noel me disse que você bebeu bastante hoje. — Olhei para ele, inclinando minha cabeça para trás, e franzi o cenho. O que mais Noel contou a ele? — Espero que saiba que amanhã você vai se sentir horrível. — Algo sobre isso me deixou ligeiramente incomodada...

Enzo parecia saber de alguma coisa? Será que depois do que eu disse sobre ter muitas garotas bonitas aqui ele começou a suspeitar de que eu fosse realmente traí-lo? Talvez ele soubesse que eu havia feito algo de errado, mas não o quê exatamente, e a suspeita de que Enzo poderia descobrir o quão ruim eu conseguia ser acabava comigo.

— O que houve? — Enzo perguntou, tocando meu queixo suavemente.

— Nada. — Menti, balançando a cabeça devagar. — Como eu disse, o dia foi cheio. Eu só estou muito cansada. — Suspirei pesadamente, percebendo que pelo menos quanto àquilo eu estava sendo sincera.

— Então, vamos. Eu vou levá-la para a minha casa. — Ele sorriu preguiçosamente e se inclinou para me beijar, seus braços fortes envolvendo a minha cintura.

— Ei, por que Noel chamou você de trapaceiro? — Perguntei com curiosidade, ainda com os nossos lábios colados, lembrando-me de quando Noel quis saber de Enzo.

— Porque nós fizemos uma aposta e eu ganhei. — Respondeu com simplicidade, tomando a minha mão na sua e entrelaçando os nossos dedos enquanto caminhávamos para irmos embora. Afinal, nós estávamos bem e Enzo não parecia saber de qualquer coisa sobre hoje.

Notas finais
Bem, por enquanto é isso. Aos pouquinhos a história vai se contando, então espero que estejam realmente apreciando o caminho que estou seguindo com essa fanfic. Compartilhem suas opiniões a respeito, é sempre bom saber o que vocês estão achando, além de ser de suma importância. Enfim, é isso e até o próximo! :')