Estava Escrito - Cobrade
11 Capítulo 11 - A Dama e o Vagabundo
Notas iniciais
O parque estava incrivelmente lindo naquela tarde. Cheio de cães, crianças, casais, grupos de amigos. E o colorido das flores estava encantador.
– vamos nos sentar ali Jade. — Cobra disse me puxando levemente pelo braço.
– No chão Cobra? Vai sujar minha roupa. — ele então tirou a sua camiseta azul escuro e a estendeu ao chão.
– prontinho patricinha, pode sentar.
– quase um cavaleiro. — eu disse me sentando em cima da camiseta, e ele se sentando ao meu lado.
Cobra tirou o celular do bolso, parecia ler alguma mensagem. Enquanto ele lia eu observava o seu corpo, e que corpo. Seus braços eram grossos porém não exagerados, seu peitoral e sua barriga eram definidos. Ela possuía uma tatuagem em sua costela, era com letras estranhas (มวยไทย), tentei entende-lá mas definitivamente era impossível. Então passei meus dedos por cima de cada letrinha, Cobra seguia meus dedos com seus olhos.
– o que significa essa tatuagem? — eu disse olhando para ele.
– é Muay Thai em tailandês. — ele disse com um discreto sorriso sem mostrar os dentes. — você também tem tatuagem?
– não, e nem pretendo. Acho que minha mãe me mataria se eu fizesse.
– então você é filinha da mamãe? — ele disse com um sorriso provocador.
– minha mãe é quase um sargento, você nem imagina como ela é. — disse novamente olhando para o peitoral de Cobra. Aquele corpo dele me hipnotizava, tudo ali era perfeito.
– gostou do que viu hein?! Não tira o olho. Isso por que eu só estou sem camiseta, imagina se eu estivesse sem nada. — ele disse me encarando de uma forma bem provocadora, e com um sorriso de lado. Revirei os olhos e senti meu rosto queimar de vergonha. — calma Jade, mas estou falando sem maldade. É que minhas coxas são bem saradas, e minhas panturrilhas são definidas. Claro que se eu estivesse sem roupa na sua frente você olharia para minhas pernas, não é Jade? — o olhar e o sorriso continuavam. Se meu rosto já estava queimando antes, agora estava em chamas. Cobra era muito mais provocador do que eu imaginava, ele havia me deixado completamente sem reação. Estava me sentindo uma menininha boba.
– você é um idiota sabia? — eu disse o encarando.
– posso até ser, mas você gosta que eu sei. — não aguentei, sorri. Por que aquilo era uma verdade.
– vamos mudar de assunto, onde você mora? Lá no Catete mesmo? — perguntei.
– eu moro no fundo do QG. Tem tipo um quarto lá.
– você mora no fundo daquela loja estranha? Que horror.
– desculpa se eu não sou um mauricinho, dona patricinha. — ele disse sorrindo.
– há é, você faz mais o estilo badboy.
– o badboy e a patricinha.
– a bailarina e o lutador. — continuei. — somos completamente opostos um do outro.
– nem tanto. Somos grandes sonhadores, e fazemos de tudo para realizar-mos nossos objetivos. Somos venenosos, e quase sempre os vilões. Porém você é a dama, é delicada e cheia de classe, e eu o vagabundo, marrento e totalmente bruto. — ele disse. Abri um sorriso e comecei a pensar sobre isso, Cobra estava completamente certo em suas palavras. Nós éramos mais parecidos do que eu havia imaginado.
– a dama e o vagabundo. — eu disse.
– minha dama. — ele disse e logo se formou um sorriso em seus lábios.
– meu vagabundo. — eu o encarava e olhava seus lábios. Os lábios de Cobra eram grossos e convidativos para um beijo.
Qualquer outro garoto já teria tentado me beijar, mas Cobra não. Ele era diferente, gostava de provocar. E isso estava me deixando louca.
***
Aquela tarde passou depressa, conversamos sobre tudo; minha mãe, sobre luta, sobre a ribalta, filmes, música. A conversa com Cobra era boa, sentia prazer em conversar com ele. À noite havia chegado e nem havíamos percebido.
– nossa estou morrendo de fome. — Cobra disse. — tem uma sanduicheria aqui perto, anima de ir lá dama?
– animo, também estou com muita fome. — Cobra já estava de pé, por isso estendi minha mão para que ele me ajudasse a levantar.
***
Entramos no carro e fomos para a sanduicheria. Lá era um local simples. Entramos e fizemos os pedidos. Enquanto comíamos conversávamos sobre assuntos aleatórios. A companhia dele era incrivelmente boa, e ele me surpreendia a cada segundo. Porém a conversa foi interrompida pelo toque do meu celular. Olhei para tela e vi que era minha mãe, havia esquecido de avisá-la do meu passeio. Atendi rapidamente.
– oi mãe.
– jade onde você está? Cheguei em casa e você não estava aqui, e isso já tem tempo.
– desculpa mãe, é que eu fui ao parque e agora estou lanchando. Mas agorinha estou em casa.
– e você está com quem Jade?
– com um amigo, a senhora não conhece ele. Ele treina na academia do Gael.
– aluno daquele bruto? Não deve ser boa pessoa.
– ele é sim mãe, uma ótima pessoa. — disse olhando para Cobra e vi o sorriso em seu rosto. — preciso desligar mãe, agorinha estou ai. Não se preocupe.
– assim espero dona Jade. — após minha mãe falar desliguei a ligação.
– nossa, nem deu tempo de mandar um beijo pra minha sogra. — ele disse sorrindo com uma batata frita entre os dentes.
– sogra vagabundou? — eu disse com ar de desdenho.
– há é, esqueci que você não tem irmã. — ele disse e eu logo joguei uma batata frita nele.
Ficamos ali conversando por alguns minutos e depois fomos embora. Já na porta de casa senti Cobra se aproximar de mim, talvez ele viesse dar o beijo que fiquei esperando aquela tarde inteira. Fechei os olhos quando seus lábios já estavam a poucos centímetros de mim, e logo senti seus lábios em minha bochecha. Abri os olhos rapidamente e nos despedimos. Sai do carro e fui para meu apartamento.
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