Essence

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Posso considerar essa como minha primeira fic de verdade então aceito muito bem críticas, espero que gostem e comentem!

O lápis de cor vermelho que Annabeth tanto adorava escorregou por entre seus dedos com o susto, sua mãe havia chegado em casa e já era tarde da noite, se a visse acordada a esta hora, bem, ela não queria arriscar. Tratou de juntar o mais rápido possível seus desenhos e os escondeu, correu para a cama e se enroscou nos lençóis o mais naturalmente possível. Poucos segundos depois sua mãe, Carrie, abriu uma fresta da porta e espiou. Como sempre seus cabelos ruivos estavam emaranhados e o batom borrado. Ela olhou para o casulo pequeno de lençóis e sorriu ao ver uma trancinha ruiva pendendo para fora da cama. O chão ainda tinha algumas canetinhas coloridas esquecidas na hora da correria. Carrie sabia que ela havia passado a noite desenhando, mas não estava com cabeça para bronca, então fechou a porta. Annabeth, espiando tudo, suspirou e fechou os olhos, se preparando para seus pesadelos.

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O despertador tocou, mas apertei a soneca fingindo não ouvir. Abri os olhos e fitei o teto por uns bons 5 minutos, esperando a coragem para levantar até que ouvi uma porrada na porta e sabia que minha mãe estava indo pro trabalho, esse era o comum “Tchau filha, estou indo, tenha um bom dia.”

Quando ouvi a porta da frente fechar levantei e fui me arrastando me arrumar para o colégio. O ônibus passava no ponto ás 6:30 e já eram 6:20, só fiz trocar de roupa e enfiar um pacote de biscoito na mochila e sai correndo. O ônibus a essa hora estava vazio e ainda sim preferi sentar no fundo. Gostava de ir na janela, vendo a vizinhança, observando as possibilidades...

Entrei na sala sem olhar para ninguém além do professor, porque sabia que estava atrasada. Sentei no fundo e procurei ficar o mais invisível possível, era sempre assim. Eu gostava de estudar e cada aula passava cada vez mais rápido, mas últimamente minha cabeça não tinha tanto espaço para o colégio. Quando a aula terminava, eu, já com tudo planejado em mente, estava pronta para botar meu plano em prática.

Minha touca preta andava sempre comigo, para qualquer lugar que fosse. Assim que pulei a cerca baixa, me assegurei de que a casa estava vazia e passei um grampo de cabelo na fechadura da porta. Em um segundo eu já andava na pontas dos pés com meu canivete em mãos vasculhando a casa, até que ele apareceu. Apenas sorri e esperei. Ele veio arisco e desconfiado cheirar meus sapatos, o cheiro do desconhecido. Me agaixei calmamente e passei o dedo por entre o pelo macio do bichano, e cada lembrança, cada imagem instantaneamente passava por meus olhos. Meu pai, numa madrugada fria chegando bebado em casa, eu tinha apenas 5 anos e mal sabia que passaria por tanta coisa...

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O corpo do gato rolou penhasco a baixo deixando rastros de sangue por onde passava até que alguns segundos depois atingiu o rio. Isso tudo me esgotava demais. Já passava das 9 da noite mas não liguei pra isso enquanto sentava a beira do precipício e abraçava os joelhos. As mãos ensanguentadas de meu pai, como as minhas agora, segurando a Alice como se ela não fosse um animal, como se fosse um objeto. Minha mãe correndo em desespero para ver o que havia acontecido. Gritos. E depois que corri pro meu quarto, a partir desse dia passei a ouvir os tapas e as discussões, até que percebi tudo calmo demais e descobri que, enfim, meu pai havia nos deixado.

Até o gramado parecia macio agora que estava exausta tanto fisicamente como psicológicamente, e alí mesmo fiquei até que os soluços cessaram. Durante o caminho de volta, fiz questão de apagar quaisquer vestígios de que pudesse ter passado por alí e lavei as mãos num riacho. O bosque era tranquilo a noite, que ao contrário de achar aterrorizante, era para onde eu sempre ia esfriar a cabeça. Alguns passos depois o senso foi voltando, a realidade me atingiu em cheio e parei bruscamente, olhando para as mãos agora limpas "O que realmente eu havia feito?"