Essa é a minha tradição
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Graph sai do cavalo e entra em uma cabana, tão rápido que o perco de vista. Eram tão semalhantes que depois de um tempo olhando me confundi por onde ir. Meu irmão desce e deita na grama, entre as árvores, para dormir. Quando coloco os pés no chão, me apoio olhando em volta e ajudo a jovem Christina a descer de Hércules.
– Vamos deixa-los presos com esses cavalos sujos? – Pergunto.
– Por que não? – É a única resposta que obtenho.
– E agora?
– Vamos subir em uma árvore? – Chris me pergunta animada, com um sorriso no rosto e eu olho para nossas roupas. – Vai, você deve ser capaz de subir numa simples árvore.
– Sim, eu sou, mas nunca tentei de vestido. – Murmuro e corro atrás de minha irmã, subindo na mesma árvore que ela.
Largo os meus saltos na grama e escalo a impecável árvore. Chris não precisa, pois veio sem. Quando chegamos no galho mais alto possível a faço ver o que temos em volta. O tamanho da selva que nos cerca.
– Acha que Stuart vai se adaptar? – Pergunto. – Ele é muito preguiçoso e tentará tirar proveito da situação para se ausentar no trabalho.
– Contanto que haja álcool por aqui, está tudo bem. – Ela riu e ficou na ponta do pé. – E pelo que vimos, todos aqui gostam de ficar bêbados e felizes.
– Cuidado, você pode cair! – Seguro-a, porém Chris consegue se livrar das minhas mãos. Ela olha para baixo. Há um arbusto pequeno e o resto se divide em pedras e grama. Com um salto ela sai do meu campo de visão e eu levo um susto a vendo cair da árvore que deve ter mais de sete metros de altura. – Meu senhor! – Digo a não vê-la no chão.
– Calma, irmã. – Ela ri de dentro do arbusto. – Estou viva.
– Espera! Já vou descer. – Aviso e desço devagar a longa árvore para que minha falta de equilibro não me derrube.
Chegando a dois metros do chão tento pular. No mesmo instante que toco no chão, minha atenção volta-se para Chris, e pelo enorme animal perto dela. Me descuido e tropeço, cortando o meu braço com uma das pedras.
– Chris, atrás de você! – Aponto e ela se vira apoiada na planta. Vem até mim devagar e me ajuda a levantar.
Um enorme lobo cinza e branco esperou atrás de uma árvore até que minha irmã chegasse perto de mim. Ele parecia estar preste a avançar. O lobo veio e encarou meu braço cortado. Pareceu estar tentando sentir o cheiro. Não ataque, lobo bonzinho. Não ataque Chris. Ele chegou mais perto, subiu em uma pedra grande e rosnou. Um som tão estridente que fez meus braços se arrepiarem, não pelo medo de me machucar, mas de que o lobo notasse a minha irmã. Quando ele pulou de lá. Eu fechei meus olhos e puxei a pequena menina para de baixo de mim. Usando meu corpo como escudo, como proteção contra todo o mal. Como se nada pudesse atingi-la.
Ouvi uma voz grossa em uma língua que não era a minha e o lobo pousou perto de mim. Senti seu bafo quente em meu cabelo, seu hálito azedo em meu nariz. E quando abri os olhos, seus dentes afiados estavam a mostra. Abracei Chris mais forte e sussurrei que ia ficar tudo bem.
– Ecrues, calneba seriuca. – A voz disse.
Me levantei devagar e ajudei Chris, antes mesmo de ver meu salvador. Limpando o vestido, me virei para o garoto que fez a fera não me atacar. Era lindo, uma beleza selvagem e exótica.
– O que você disse? – Digo olhando-o. – Sabe falar a minha lingua?
– Sei. Vivo aqui. – O garoto diz com um olhar sério e examina minha roupa. – Você não vive com a gente. Você não pode ficar aqui.
– Mas vamos passar a viver – Diz minha irmãzinha. – O que foi que o Sr. falou?
– Não sou senhor, senhorita. – Ele tenta parecer gentil, porém me faz ter um pouco de temor. Sua voz é grossa, e seu rosto é másculo. Me sinto só e esse sentimento me faz sentir calafrio. – Sou um Head. E eu falei “calma, ele não vai te machucar” na minha língua.
– Também não sou senhorita. – Sorriu a caçula e fez reverencia. – É muito legal conhecer mais um Head. Sou uma Head.
– Com certeza não é. – Diz ele. – Me chamo Replha para os de fora do meu povo.
– E como é para o seu povo? Pois dessa vez, ela não está mentindo. Somos Head. – Encaro o garoto e continuo. – Metade Head e metade inglesa.
– Metade selvagem, metade nobre? – Ele ri. – Acho difícil, com você usando essa roupa, não consigo imaginar vocês vivendo fora do luxo.
– Ela está rasgada, estou descalça e cheguei agora pouco com meus irmãos e meu pai. – Diz Chris. – Qual seu nome Head?
– Sou Thalios – Ele pronuncia o nome dele na própria língua.
– Thales? – Pergunta Christina
– Quase isso. – Ele ri. – Acho que se fosse traduzir para o inglês seria isso.
Espero ele prestar atenção no lobo, que estava perto da minha perna me distraindo, para poder ver o nosso salvador. Era forte, aproximadamente dezenove anos, olhos negros. Cabelos tão pretos e bagunçados quanto a noite, e roupas marrons escuras, bem desgastadas. Se Thales me seguisse no meio dessa floresta, nunca o notaria.
– Somos as sobrinhas de Suble. – Tento falar o nome, mas sai enrolado. – Aquele que se casou com Cloe Kirst.
– Sua tia não é mais chamada de Kirst por aqui. – Ele coça as costas e chama o lobo. – Ela é a curandeira do nosso povo. Uma delas, pelo menos.
– Será que ela não manteve o sobrenome para continuar viva? – Pergunta Chris segurando minha mão e seguindo Thales. – Se foi isso, Cloe é muito inteligente.
– É provável que ela não pense que é o nosso sobrenome que a mataria. – Rio. – Então Thales... aqui nem sempre é aqui? – Aponto para terra.
– Creio que seja sim. Como aqui sempre é aqui. – Ele olha para de baixo dele. – E lá é sempre lá – Ele aponta para uma árvore. – Ao menos que você a corte.
– Entendi. – Olho para Chris que dá de ombros. – Quero saber quando vão mudar de local? Vão continuar nesse canto da mata?
– Vamos, até alguém chegar e nos fazer mudar. Cobrar impostos ou algo assim. – Olho para as sandálias marrons do homem na minha frente e sinto pena do seu jeito de viver, mas não comento.
– Isso significa que posso voltar para perto da minha casa, e depois vir para cá, que estarão aqui? – Pergunto
– Provável. – É tudo o que ele diz.
– Papai não quer que você fuja para jogar – Sussurra minha irmã. – Ou você vai procurar o Lorde Lance, seu futuro marido?
– Não gostamos de ganhar dinheiro por aqui. – Resmunga Thales, evidentemente irritado com o caminho da conversa. – Tudo é de todos. Tanto a comida, quanto o dinheiro, ou a cabana.
– Minha roupa é minha roupa. – Contra argumento. – Não acho divertido dividir o parceiro... – Murmuro sabendo dos costumes dos nobres.
– Vamos encarar que nenhuma das garotas daqui gostariam das suas roupas de mileide, então está com sorte.
– E onde vou dormir? – Pergunto
– Em alguma das cabanas. – Ele dá de ombros. – Não faz diferença onde vai dormir, contanto que não incomode ninguém.
Vejo meu pai ao longe, conversando com Suble e com Stuart, cada um com uma garrafa de vinho na mão. Acho que meu irmão já está se adaptando. Stuart está em contraste com as roupas do tio Suble. Enquanto um é modesto o ou usa roupas finas e caras. E meu irmão nem liga em afetar visualmente o resto a sua volta.
– Aquele é seu noivo? — Pergunta Thales apontando, nada discreto, para meu irmão.
– Ele se chama Stuart — Abaixo a mão dele com delicadeza e observo que a pele da palma de sua mão é áspera, então passo a imaginar como seria o resto de seu corpo... — Não se aponta para as pessoas e aquele é meu irmão.
– Desculpe me, mileide – Ele se curvou como um servo, em ironia — Não tive aulas de etiqueta em minha infância. — Thales me olha sério, fazendo-me apoiar em meu coração para ele não sair.
– Quem me dera não ter tido essas malditas aulas. Eram tão chatas! E quando não era a Sra. Caveira dando lições, era a mamãe.
– O sobrenome da senhora que lhe ensinava era "Caveira"? — Thales ri e Chris concorda enquanto eu discordo.
– Minha irmã é uma mentirosa compulsiva. Não precisa acreditar nela. — Arrumo o cabelo de Chris — Vamos pequena, estou morta de sono — Puxo o braço de minha irmã que me olha suplicando para ficar perto de seu novo amigo.
– Thales fica comigo — Ela insistiu dando a ideia que o rapaz era propriedade dela e olhou para o lobo. Agachou e coçou a barriga peluda dele. — Até o lobo gosta de mim. A culpa não é minha de você não gostar de ser quase morta. – Christina olha para Thales – Avalon não sabe se divertir.
– Ele viu que você não é ameaça e eu também notei que você gosta da natureza, criança. — Seu sorriso foi sutil mas não deixou de realçar os olhos negros. — E é fêmea Se chama Hanhak. — Ele usou o nome em sua língua — Mas é mais fácil para vocês, que não estão acostumadas a língua, dizerem Hannah. -
Chego perto de Hannah e ela rosna, mostrando os seus caninos bem afiados e brancos. Chego um pouco mais perto com a tentativa de toca-la, porém ela sente meu cheiro e rosna mais alto. Fico em dúvida se estava faminta pelo meu sangue ou indignada com meu atrevimento.
– Faça silêncio Hanhak, não precisa atormentar-la por não ser uma Head. — Escuto sua voz grossa dizer e depois sussurrar. — Quem sabe no futuro. — Ele puxa minha mão até mais perto da loba e coloca a sua por cima da minha. — Não tema. —
Inspirei fundo e deixei o estranho conduzir minha mão. Passei-a pelo seu pelo liso, primeiro na barriga, depois na cabeça. Thales enfiou meu braço, devagar, dentro da boca da loba e disse um "não se preocupe" sussurrado em sua língua, mas eu entendi. Essa era uma frase que meu pai soltava as vezes para minha mãe. Depois tirou meu braço de lá e me colocou de pé. – Ela é obediente e leal.
– Também é tão linda e grande... — Falei notando que Hannah era só um pouco mais baixa que um cavalo. — Como tinha certeza que sua loba não me morderia?
– Eu não tinha. — Ele deu de ombros. — Você foi a primeira sem noção que me deixou colocar a própria mão dentro da boca de Hanhak. Ela é tão agressiva. Achei que tiraria um pedaço seu. — Thales foi rindo em direção ao meu pai e irmão. Sempre a três passos na minha frente.
Dou uma espiada em Chris e ela tinha subido na loba, que estava deitada na grama. Minha irmã pulava para que a loba andasse com ela, mas Hannah só bocejou e deitou a cabeça para dormir, indiferente da presença de Christina.
– É a hora de jantar — Thales fala alto, sem me olhar. — Vamos atrás de seu pai, para que eu possa voltar ao meu trabalho. – O qual você está me atrapalhando, penso que ele diria se continuasse a falar.
– Estava trabalhando quando sua loba me atacou? – Pergunto sussurrando a ultima parte, mas ele concorda — Fazendo o que?
– Caçando pássaros para o jantar.
Senti falta da enorme mesa de jantar, que tínhamos em Eddit House, quando a fome chegou. Meu pai me disse que o tio Kev estava tentando arranjar camponeses para reconstruir nossa nem um pouco humilde morada. Porém também me contou que erra possível que Kev fosse perder todo o dinheiro, da construção, nos jogos do casino. Já que a família Kirst era tão azarada, era muito válido a opção de Graph.
Foi fácil fingir para mim mesma que aquilo era uma indireta para "pegue um cavalo e recupere o dinheiro que seu tio vai perder. E aproveite para comer algo melhor que coxa de pássaro ". Puxei Chris, que estava com uma coxinha nas mãos, até atrás de uma árvore e contei meu plano de fugir para a cidade por uma noite. Por ultimo perguntei se ela queria alguma coisa do centro da cidade.
– E se meu pai perguntar onde você está? — Minha irmã perguntou depois de negar com a cabeça o que lhe perguntei.
– O que você faz de melhor? — Pergunto e a resposta veio tão rápida quanto um raio.
– Eu minto.
– Então já sabe o que fazer. — Beijo sua testa. — Não deixe Stuart desmaiar de tanto álcool enquanto eu estiver fora?
– Certo... mas como saberá que cabana entrar para dormir?
– Voltarei em algumas horas. Pelo o que Thales disse, tudo é de todos. Posso entrar em qualquer cabana, que não irão me condenar. — Rio e pego as rédeas de Safira. — Porém prefiro achar a sua do que a de um lunático. Qualquer coisa durmo em uma árvore.
– Só não caia como de costume — Ela ri e acena enquanto saio por entre as árvores a caminho da civilização. – Acredito que quando você passar mais tempo na natureza como eu, e eles, você logo será a selvagem Avalon que Stuart me contava nas histórias para dormir.
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