Essa Estranha Atração
18 Essa estranha tentativa
Notas iniciais
Bem, mais um capítulo para vocês, espero que gostem. Não tive muito tempo para revisá-lo e nem mesmo analisá-lo, então me perdoem se ele não estiver muito bom.
Beijos a todos vocês que continuam acompanhando a fic e sofrendo com minha demora XD! Obrigada de coração por continuarem comigo, A TODOS VOCÊS.
Boa leitura!
Essa estranha tentativa
Capítulo 17
Shun ficou observando o irmão abraçado ao loiro por um tempo. Conhecia aquele lado superprotetor de Ikki, mas nunca imaginaria que ele fosse assim com outra pessoa que não com ele, Shun. Algo se moveu dentro do peito do mais novo; uma insinuação de saudade e ciúmes que ele quis ignorar saindo dali a passos rápidos.
Demorou um pouco a que Shaka percebesse que era Ikki quem o abraçava e parasse de se debater. Ouviu quando as pessoas deixaram o quarto e gradativamente foi se acalmando. Estava apavorado, apavorado de verdade.
— Ikki... — ele soluçou enquanto afundava mais o rosto no peito do moreno —, ele disse... que vai me internar! Eu não sou louco. Eu preciso de ajuda sim, mas... Não me deixa sozinho, por favor! — pediu desesperado. — Ele vai me levar se você não estiver aqui, entende? Vai me levar para um hospício!
— Calma, Shaka, eu não vou deixá-lo sozinho e ninguém vai interná-lo. Você precisa se acalmar. Você não é louco, ouviu bem? — segurou nas laterais do rosto do loiro para encarar seus olhos apavorados. — Vamos embora daqui hoje, certo? Fica calmo.
Shaka balançou a cabeça afirmativamente.
— Eu vou me acalmar, eu vou me acalmar — repetiu trêmulo, levando uma das mãos ao rosto para limpar uma lágrima. —-É que... Você sabe como eu relutei em ir ao psiquiatra com medo que ele quisesse me internar. Quando Valentine falou isso eu me descontrolei..., mas eu não sou assim, você sabe... Me desculpe...
Ikki meneou a cabeça e o beijou na ponta do nariz.
— Não pense nisso — falou e se afastou um pouco do loiro. — Eu vou encontrar o médico, vamos sair daqui agora mesmo. Não se preocupe — completou, porque Shaka se mostrou apreensivo. — Eu só vou à recepção e volto.
Shaka permitiu que ele saísse, evidentemente mais calmo por saber que logo estaria fora dali. Ikki assinou alguns papéis se responsabilizando pelo loiro, pois os médicos ainda achavam que ele não deveria ter alta. Mas o moreno pensava que deixá-lo ali não estava ajudando muito e os ‘obrigou’ a autorizar a saída.
Já passava das três da tarde quando conseguiu sair com Shaka do hospital. Guiou com tranquilidade até o prédio onde moravam. Quando o indiano abriu a porta do seu apartamento, Jack apareceu fazendo festa para o loiro, feliz com a presença dos donos.
— Olá, Jack!— Shaka sorriu para o cachorrinho que pulava ao seu redor. — Sentiu minha falta? Eu senti a sua! — foi até o sofá e largou-se, observando a bagunça. Massageou levemente as têmporas sem forças para mais nada. — Minha vida está uma zona. Mas não vou reclamar, pelo menos estou fora daquele hospital. Obrigado.— sussurrou. Parecia que nada ultimamente dava certo.
Ikki suspirou e se sentou ao lado dele. Estava exausto também, não dormiu a noite inteira, mas tentava se mostrar bem. Shaka precisava dele, e ele tinha que permanecer forte.
— Quer comer alguma coisa? Quer que eu prepare um banho pra você? — indagou beijando o ombro do loiro com carinho.
O indiano sorriu com a pergunta.
— Seria ótimo comer algo com sal e sem gosto de borracha. Mas não quero dar trabalho. Você parece cansado. Por que não pede alguma coisa? Daí podemos tomar um banho enquanto esperamos e depois do jantar dormir como duas pedras.
— Proposta tentadora! — Ikki sorriu, pegou o celular e pediu comida japonesa. Shaka concordou com o cardápio. Depois o moreno foi até o banheiro do loiro e começou a encher a banheira, pegando alguns potes com sais e espalhando na água. Livrou-se dos sapatos, meias e camisa e voltou à sala, chamando o escritor para o banho.
— Vamos, loiro, uma banheira de água morna e cheia de sais coloridos espera por nós...
— Não vou recusar— Shaka brincou enquanto segurava a mão dele. Ao entrar no banheiro, tirou a camisa e a dobrou com cuidado antes de colocá-la no cesto de roupa suja. Estava abrindo a calça quando foi abraçado por trás com carinho. Virou-se nos braços do moreno e o encarou.
— Eu te amo, Ikki, não duvide disso — disse lembrando-se da discussão que tiveram antes da visita de Valentine. — Se eu falei em terminar, foi porque não quero te ver sofrer.
Ikki beijou o pescoço dele e aspirou o cheiro dos seus cabelos.
— Eu também te amo, Shaka... — sussurrou-lhe ao ouvido. — Te amo, te quero... quero fazer amor com você... quero tê-lo inteiro pra mim... — respirou fundo se afastando antes que ficasse excitado.
—Eu sei... – Shaka murmurou de forma cansada. – E sei que não te dou tudo que você precisa...
—Ei! – o moreno beijou o nariz do namorado.— Tudo ao seu tempo e não ficarei te pressionando, não sou desse tipo. — Suspirou e sorriu — Vamos tomar banho agora...
Afastou-se e começou a se livrar da calça justa que vestia.
Shaka ficou de costas para o namorado enquanto terminava de se despir. Ouviu o som da água se agitando quando Ikki entrou na banheira. O loiro terminou de tirar a cueca e a colocou junto com as outras peças de roupa suja, tudo muito organizado. Entrou na outra ponta da banheira, de frente para Ikki, que acompanhava todos os seus movimentos.
— Ah... — o loiro gemeu fechando os olhos e sentindo os músculos relaxarem — Se eu não estivesse com tanta fome, dormiria aqui.
— Eu também... — disse Ikki e fechou os olhos.
Ficaram naquele banho relaxante até que o moreno ouviu a campainha tocar e antes que o loiro se erguesse, com um sinal, ele informou que seria ele mesmo a abrir a porta. Enrolou-se em uma toalha e foi para a sala sob o olhar de Shaka. Já imaginava o que o namorado pensava: “Esse pervertido vai atender a entrega só de toalha”, mas não ligou, saiu sem dar chance de o loiro reclamar e quando abriu a porta quem trazia os pedidos era uma mocinha de traços orientais que fez questão de olhá-lo de cima a baixo e sorrir, entregando os pacotes.
Sem pressa, Shaka saiu da banheira e começou a se secar. Estava um pouco aborrecido. Sabia que Ikki não gostaria nem um pouco, caso fosse ele a atender a porta só de toalha. Ele voltou ao quarto e vestiu uma calça de moletom e uma camiseta. Quando chegou à sala, viu o namorado seminu conversando com a fulaninha que parecia louca pra dar para o moreno muito mais que a comida japonesa. Com um suspiro pesado, o loiro pegou a própria carteira e caminhou até eles, praticamente empurrando o empresário para dentro. Pagou a entrega e bateu a porta na cara da garota quando ela abriu a boca para agradecer.
— Exibicionista — Shaka resmungou ao passar pelo namorado.
Ikki riu do resmungo do escritor e o agarrou pela cintura, beijando-lhe o pescoço.
— Você é muito ciumento, sabia? Mas não se preocupe, aquela garota não faz meu tipo e... ‘tá bom, eu deveria ter vestido uma roupa, desculpe...
—Admita que gosta que as pessoas te olhem e fiquem babando! — Shaka disse aborrecido, mas não tentou se soltar do abraço.
Ikki riu mais, continuando a mantê-lo cativo em seus braços.
— Tudo bem, admito. Mas juro que pra mim só é necessário que elas olhem, eu não quero mais ninguém além de você, loiro... Apesar de que dessa vez, só dessa vez, não foi intencional...
— Vaidoso de uma figa! —o indiano deu um soco não muito forte na barriga dele e aproveitou-se disso para escapar. Começou a tirar a comida dos pacotes sob o olhar atento e faminto do namorado.— Pelo menos eu consegui pagar alguma coisa dessa vez. Parece que você andou pagando meu tratamento sem que eu soubesse — jogou a isca para saber se o que Valentine dissera foi verdade.
— Não sei do que está falando — replicou Ikki passando as mãos nos cabelos molhados.— Eu vou me trocar certo? Ainda não tenho roupas aqui, provocou. Vou ter que passar pelo corredor de toalha, a não ser que você queira que eu fique nu e seja sua bandeja humana para esse sushi — piscou ameaçando tirar a toalha.
"Típico! Fugindo do assunto", Shaka pensou enquanto concluía que o dito por Valentine era verdade, mas não adiantaria brigar com Ikki porque ele continuaria a negar até o fim.
— Não provoque, Ikki. Depois eu entro na brincadeira e acabaremos os dois machucados — disse em um tom sério sem nem perceber.
— Okay. Eu já volto. – falou Ikki um tanto decepcionado com o tom da voz do namorado, mas talvez ele tivesse razão. O problema era que não via muita solução para o caso deles. Não sabia até quando conseguiria viver naquela abstinência, mesmo amando Shaka, ele era um homem jovem, cheio de vigor e com os hormônios à flor da pele, não poderia viver se enganando que conseguiria passar o resto da vida sem sexo. Já tivera o incidente com Pandora, e mesmo que estivesse bêbado, o seu corpo obedeceu à própria necessidade. Sentia-se culpado e não queria cometer um novo erro, mas era difícil, seus hormônios estavam em ebulição, era algo meio primitivo e incontrolável. Amava Shaka, não queria magoá-lo, pensar em magoá-lo o desolava, precisava manter-se firme e longe das tentações.
Shaka percebeu a decepção de Ikki, mas manteve-se firme. Já bastava o estresse que havia tido durante todos aqueles dias. A última coisa que precisava naquele momento era uma nova crise. Em seu íntimo, tinha consciência que exigia demais do moreno; ele era um homem jovem, muito jovem por sinal. Até se espantava com a maturidade que ele tinha muitas vezes, possuindo apenas vinte e cinco anos, mas tinha consciência que ele não suportaria aquilo por muito tempo. Em algum momento ele iria surtar. A vida que Ikki levava antes de si lhe dava a consciência de que ele precisava sim de sexo, e muito. O que faria para não perder o moreno? Não sabia; e isso o deixava desesperado, embora escondesse tudo em sua postura fleumática.
O moreno foi para o seu apartamento e se trocou, vestindo um short preto leve, uma regata e voltando, encontrando Shaka pondo a mesa.
— Estou morto de fome! — disse se sentando.— Deveria ter pedido saquê para acompanhar.
— Tem cerveja na geladeira—Shaka disse quando Ikki reclamou da falta de bebida. —Ainda cortesia das visitas de Aiolia.
A expressão do mais jovem mudou ao ouvir o nome do editor.
—Shaka, favor não falar mais no nome desse cara, certo? – pediu. – Pode jogar as merdas das cervejas dele fora também, devo crer que ele não vai voltar aqui e eu não vou beber nada do que ele comprou. Então, faz isso.
Voltou a prestar atenção em seu sushi que era servido pelo loiro com uma cara emburrada.
— Não tem porque você se preocupar com Aiolia — Shaka disse um pouquinho mais animado por Ikki demonstrar que sentia ciúme dele. —Ele não fala comigo há meses... E você viu o que eu fiz quando ele me beijou lá na boate.
—Não estou preocupado, só quero que você se livre da merda das cervejas dele e tudo que tenha dele aqui, antes que ele resolva vir buscar, só isso. E vamos comer antes que eu perca o apetite por causa desse cara.
—Tudo bem, tudo bem. Eu vou dar as cervejas para o porteiro, está bem assim? –o loiro continuou despreocupado.
Eles terminaram de comer em silêncio. Shaka percebeu que o mau humor de Ikki continuou a todo vapor e fez uma anotação mental de não falar mais em Aiolia por alguns dias.
— Vem – o indiano disse erguendo-se e estendendo a mão para o namorado. —Vamos dormir. Amanhã teremos que ver como faremos para resolver o meu problema já que você não quer que eu fale com o seu irmão.
— Não é que eu não queira que você... – respirou fundo. – Olha, é melhor dormir mesmo – falou. Não queria recomeçar aquela discussão. No dia seguinte, começaria a maratona de procura por outro médico, mesmo que o loiro dissesse que não queria. Ele daria um jeito de convencê-lo do contrário, nem que tivesse que ficar ao seu lado em todas as sessões.
Shaka não insistiu no assunto. Eles foram para o quarto, escovaram os dentes e deitaram-se na cama, abraçados.
— Nem parece que eu dormi a noite inteira — disse enquanto encostava a cabeça no peito do namorado e fechava os olhos. Boa noite, Ikki—desejou já meio sonolento.
O mais novo lhe beijou os cabelos e se ajeitou na cama fechando os olhos, mas não conseguiu dormir muito bem, passou a noite sonhando com todos os acontecimentos. As cenas na clínica, o ocorrido com Pandora e Shun, sonhava e repetia os nomes como se delirasse, acordando sobressaltado muitas vezes até que amanheceu e com ele veio o cansaço da noite mal dormida. Estava com uma cara péssima. Foi logo cedo para o seu apartamento, deixando um recado para Shaka que ainda dormia; precisava tomar um banho e resolver algumas coisas antes que o namorado acordasse.
Ao acordar, Shaka tateou a cama procurando pelo namorado. Assustou-se ao perceber que estava sozinho. Ikki não costumava acordar antes dele. Encontrou o bilhete, mas não ficou mais tranquilo ao lê-lo, pois Ikki não explicou nada no pequeno pedaço de papel. O loiro tinha medo que o namoro se deteriorasse de vez depois do surto do dia anterior.
— Eu preciso ficar bom — sussurrou encarando a sua imagem no espelho. -Se eu não me curar, irei perdê-lo. Mas como confiar em outro psiquiatra depois do que aconteceu?
Ikki fez sua higiene matinal e se vestiu num jeans e uma camisa leve elegante. Iria à boate; havia dias que não dava as caras, e Shiryu já havia ligado várias vezes. Pegou o laptop e entrou na internet para fazer algumas transações bancárias. Depois voltaria ao apartamento do namorado. Shaka estava de licença médica, e ele o levaria consigo para a boate, não queria que o loiro ficasse sozinho o dia inteiro.
Verificou alguns e-mails, fez algumas transações bancárias e voltou ao apartamento vizinho. Shaka estava lavando a louça quando ouviu a porta ser aberta. Secou as mãos e praticamente correu para a sala.
— Ikki! —exclamou feliz, pois pensou que o namorado não fosse voltar logo. —Bom dia! — passou os braços em torno do pescoço dele e o beijou de leve nos lábios.
—Nossa! Quanta empolgação! – riu o moreno se afastando levemente. – Que bom que acordou bem. Vim buscá-lo, vou à boate, tenho que resolver algumas pendências com Shiryu. Podemos aproveitar e tomar café numa cafeteria lá perto mesmo, o que acha?
— À boate? —a animação do loiro diminuiu um pouco. —Não sei. Eu não quero te atrapalhar. Você vai trabalhar... — na verdade, Shaka não estava com muita vontade de encarar os funcionários do namorado depois do vexame da última vez que esteve na Santuário.
—Você não vai me atrapalhar, além do mais, não pode ficar o dia inteiro sozinho nesse apartamento, isso não lhe fará bem. E também, eu não vou demorar, serão só algumas horas.
— Eu não ficaria sozinho. Esqueceu do Jack? – o escritor sorriu enquanto indicava com a cabeça o cachorrinho que estava mordendo um brinquedo na varanda. —Mas tudo bem, eu vou. Parece que você não consegue mais ficar longe de mim — brincou. Era melhor mesmo acompanhá-lo. Pelo menos se distrairia e não pensaria bobagens. E os funcionários do moreno provavelmente fingiriam que não se lembravam da sua bebedeira.
Ikki apenas riu e o beijou sem retrucar. Shaka pediu para esperá-lo enquanto ele tomava um banho e trocava de roupa. Vestiu uma calça azul escura, uma blusa branca e prendeu os cabelos em um rabo de cavalo. Não demorou tanto quanto costumava demorar no banho, pois sabia que o empresário deveria estar com muito trabalho acumulado e não queria atrapalhá-lo. Pararam na cafeteria que ficava próxima à Santuário. Ikki tomou um café puro com pão e geleia, Shaka preferiu um chá de erva cidreira e algumas torradas.
Quando chegaram à boate, o gerente de Ikki praticamente o arrastou dizendo que as contas não estavam batendo e que ele não sabia mais o que fazer. O indiano se viu sozinho com barman que exibia uma cara de tédio e sono.
— Eu odeio vir para cá tão cedo — Seiya resmungou após um bocejo e fixou seu olhar no loiro que sentava em um dos bancos do balcão.—Ah! Você é o namorado do chefe, que tomou um porre naquele dia! —exclamou animado.
Shaka corou e não respondeu nada, fingindo-se de surdo. Aquele garoto falava demais. Por sorte não havia nenhum outro funcionário por perto. O rapaz que varria o chão estava longe demais para ouvir.
— Eu vim porque estava com o Shi e ele não quis me deixar sozinho no apartamento dele. Disse que eu iria explodir o lugar se ficasse sozinho! Um tremendo absurdo! —Seiya desatou a tagarelar.
"E eu estaria interessado nisso por quê?" Shaka pensou aborrecido.
—Foi mal eu ter ficado falando naquele dia que o chefe ia se dar bem com a garota lá. Eu não imaginava que vocês estavam de rolo. Na verdade, eu nunca imaginei que o chefe fosse gay. Eu fiquei até feliz, sabe?
Shaka lançou um olhar do tipo "fuzilante" depois que Seiya disse aquilo. Como assim ele ficou feliz? Ele estava de olho em Ikki e ainda lhe dizia isso na maior cara de pau?
— É que eu e o Shi somos namorados, sabe — Seiya abaixou o tom de voz, como se confidenciasse um segredo. — Nós não contamos ao chefe porque tínhamos medo que ele nos demitisse.
— Ele não faria isso mesmo se não estivesse comigo — o indiano disse em um tom sereno, mas tranquilo por saber que o fedelho tagarela irritante não estava de olho no seu moreno. Todavia, Shaka não conseguia parar de se perguntar como o tal de "Shi" aguentava aquele turbilhão na sua orelha todos os dias.
— Se eu soubesse que o chefe estava te namorando não teria dado o número do telefone nem o endereço da casa dele para as garotas — Seiya continuou em um tom displicente.
Shaka, que já havia se desinteressado pela conversa outra vez, arregalou os olhos e encarou o rapaz.
— Você o quê? — exclamou incrédulo. O coração do indiano acelerou. Aquele tempo todo ele pensando que Ikki havia dado seu número para as meretrizes, e elas tinham conseguindo com o barman idiota! “Eu não sei como elas conseguem meu número”, o namorado havia dito e ele não acreditou. Sentiu-se culpado.
Ikki havia finalmente terminado de checar os livros com Shiryu e foi procurar o namorado, chegando perto dos dois bem no momento que Seiya confessava o fato. Ficou parado em silêncio atrás do barman enquanto ele continuava tagarelando.
— Ah, na época eu não sabia que o Ikki tinha namorado – continuou ele -, eu recebia altas gorjetas das garotas, você sabe, o Ikki é um cara bonitão, muito do sucesso da santuário é por causa dele, homem bonito e rico chama mulher igual nasce chuchu na serra. Elas me davam uma graninha pra eu passar o telefone e o endereço, nada demais.
O empresário olhava o funcionário de maneira homicida enquanto Shaka o encarava, e Seiya continuava a falar sem se dar conta de que o chefe “esquentadinho” estava a ponto de torcer seu pescoço.
— Eu acho melhor você calar a boca — Shaka continuou olhando para o namorado, e Seiya imediatamente virou o corpo para ver quem ou o quê o loiro olhava. E o barman perdeu completamente a cor ao dar de cara com o chefe.
— Eu vou matar você... – foi a única coisa que Ikki disse antes de erguer Seiya pelo colarinho da camisa, estava furioso. – O que você achava que estava fazendo seu imbecil? Me agenciando? Por acaso eu tenho cara de prostituto? – e sacudia o menor pelo colarinho, enquanto Seiya não demonstrava nenhuma reação, só espanto.
Shaka viu o brilho assassino no olhar do namorado e preocupou-se; não pelo idiota tagarela, ele bem que merecia uma surra, mas por Ikki. O moreno já andava estressado demais para esquentar a cabeça com aquele tipo de coisa.
— Ikki —- Shaka se levantou e segurou o braço do namorado tentando fazer com que ele soltasse o empregado. — Esquece, amor, ele não vai fazer mais. — Disse olhando para o rosto pálido de Seiya e pontuando bem as suas palavras.
— Não vou mesmo, chefe! Eu não sabia que você era comprometido, nem que era gay, vai ver por isso as garotas sempre reclamavam depois de que você não queria mais nada com elas... – continuou o tagarela fazendo Ikki grunhir.
— Escuta, seu idiota, arruma suas coisas, você está demitido!
Seiya empalideceu mais ainda enquanto Ikki o largava e ele caía sentado de volta na cadeira.
— Vamos Shaka, eu já terminei as coisas aqui. Quanto a você, resolve suas contas com Shiryu, quando eu voltar não quero mais vê-lo aqui!
— Mas... – Seiya tentou argumentar, contudo um olhar de Ikki o fez se calar derrotado.Realmente não compreendia por que o chefe estava tão bravo.
Shaka olhou para o rapaz; ele parecia completamente desolado, e por mais que o garoto fosse um chato de galocha, o loiro sentiu pena dele.
— Ikki... Você não acha que está sendo duro demais? —perguntou hesitante. Estava com medo que o empresário, com a raiva que estava, acabasse descontando nele. -Tenho certeza que se você der uma segunda chance, ele vai saber aproveitar.
— Ele merecia uma boa surra, Shaka, não uma segunda chance! – esbravejou andando sem olhar para trás. – E eu que me perguntava como elas conseguiam meu endereço! Ah, Seiya, por que eu não quebrei sua cara mesmo? – resmungou continuando a andar nervoso para o estacionamento.
— Não fica assim — Shaka o puxou pelo braço fazendo com que ele parasse de andar. Colocou as mãos nos ombros dele os massageando de leve. — Pelo menos agora eu sei que você não teve qualquer culpa nessa história de telefonemas e garotas. Até peço desculpas porque pensei que você continuava dando o seu telefone mesmo depois que começamos a namorar.
— Eu preferia que você tivesse acreditado em mim – disse sério abrindo a porta do carro. – Mas não vamos brigar por causa disso agora, vamos pra casa.
Sem dar chance de Shaka responder, ele abriu a porta do carro. e eles seguiram para casa. Entraram em silêncio no elevador, chegando ao andar e caminhando pelo corredor. Ikki segurava o braço de Shaka de forma possessiva, mas estancou o passo dando uma espécie de puxão no loiro, ao ver quem estava sentado no canteiro de plantas na entrada do seu apartamento.
— Shun! – exclamou alto, mais que surpreso.
Shaka também ficou surpreso pela presença do irmão do namorado. Jamais imaginou que fosse vê-lo ali, procurando pelo irmão mais velho.
— Olá Shun — cumprimentou em um tom calmo tentando apaziguar os ânimos que estavam tensos. —Como vai?
— Olá, Shaka – Shun disse com um sorriso -, desculpe, eu peguei seu endereço na ficha do hospital, porque... precisava conversar com o Ikki... – falou e se virou para o irmão. – Podemos conversar?
Ikki soltou o braço de Shaka com uma expressão ainda mais fechada do que a anterior, olhou o namorado, lhe beijando a testa.
— Entra, eu falo com você daqui a alguns minutos – disse baixo. Se Shaka pensou em protestar não o fez, pelo contrário, foi para seu apartamento sem reclamar.
Ikki abriu a porta e fez um sinal para que Shun entrasse. O irmão mais novo obedeceu, e o mais velho fechou a porta, cruzando os braços numa demonstração de autodefesa, ao mesmo tempo em que encarava o irmão em silêncio, esperando que ele falasse o que queria. Shun mirou ao redor ainda calado, analisando cada detalhe do apartamento até localizar com os olhos um porta retrato. Aproximou-se e segurou-o nas mãos, observando a foto.
— Não pensei que você ainda guardasse alguma recordação minha...
— Você com certeza nunca pensou em coisas boas a meu respeito – falou cansado. – Shun, poderia ir direto ao assunto?
O mais novo soltou o objeto e encarou o irmão.
— Eu vim dizer que posso ajudar o Shaka, mas por ele e não por você.
O moreno riu incrédulo.
— Sério? Eu fico muito agradecido, mesmo não sendo por mim, mas tenho que lhe informar que o problema do Shaka é sério demais para que eu deixe nas mãos de um estudante, então se veio só por isso...
—Sempre prepotente, não é? – Shun suspirou ainda calmo. – Poderia falar com o Shaka e ouvir dele o que ele quer?
— Não, você não pode falar com ele. Eu decido isso! – irritou-se. – O que quer, Shun? O que quer de verdade?
—Ajudar o seu... namorado – Shun falou e sorriu de lado, murmurando em seguida: Eu ainda não acredito nisso...
— Pode continuar sem acreditar, Shun. Eu cansei de tentar convencê-lo de que mudei, de que me arrependi do que lhe disse...
— Não. Você nunca disse que se arrependeu, isso é novidade. Se arrependeu por que está namorando um homem e sentindo na pele o que é preconceito e solidão? Isso não é arrependimento, Ikki, é remorso!
— Que seja! Você tem razão! —– o mais velho falou baixo, de forma derrotada. – Se eu não me apaixonasse por Shaka ainda consideraria isso... isso de ser gay, sabe... algo nojento. Eu não minto quanto quem sou, Shun. Nunca menti. Sou um filho da puta, preconceituoso e arrogante, mas eu amo aquele cara, amo de uma forma que sei que nem você e nem ninguém pode entender e nem perdoar quem eu fui, então... Por favor, não vamos continuar com isso...
Shun mordeu os lábios hesitante. Seus olhos marejaram, mas ele escondeu isso atrás das grossas lentes que usava. Se fosse sincero consigo mesmo, admitiria que gostaria muito de abraçar o irmão, chorar em seu ombro, dizer que sentiu falta dele, mas... Havia mágoa demais. Tudo que ouviu ainda cortava seu coração como uma navalha afiada, e ele simplesmente não conseguia.
— O-Olha, vamos ao que interessa aqui – o futuro psiquiatra disse um tanto nervoso, tirando os óculos e os limpando com a ponta da camisa. – Eu sei que ainda sou um estudante, mas sou um bom estudante e estou estagiando com um dos maiores psiquiatras de Atenas. Eu sei que não tenho respaldo para tratar um caso tão complexo, m-mas posso ajudar, fornecendo os remédios certos para tratar a ansiedade causada pela fobia. Precisa confiar em mim porque aquele rapaz precisa de ajuda.
Ikki ponderou o que o irmão dizia. Queria muito que Shaka voltasse à terapia, mas sabia que não seria fácil convencê-lo. Talvez se aceitasse a ajuda de Shun e os remédios, com o tempo, o loiro fosse adquirindo confiança suficiente para voltar ao tratamento.
—E como você acha que pode ajudá-lo? – indagou preocupado. – Ele não quer mais tratamento, não aceita ir ao psiquiatra...
—O Valentine agiu errado, ele é psicólogo e psiquiatra, mas não usou a terapia certa, nem todos pacientes reagem bem a uma terapia de choque como a regressiva.
Ikki convidou Shun a se sentar, enquanto escutava como o irmão achava que deveria ser o tratamento do loiro dali em diante. Ouviu com detalhes – detalhes que muitas vezes não entendia – cada palavra, questionando outras tantas, mas o Amamiya mais jovem parecia bastante seguro do que falava.
—Shun, eu temo que ele piore se algo der errado de novo. Você tem certeza do que está fazendo? – interrogou muito sério.
—Eu nunca colocaria a vida de um paciente em risco. Eu só preciso das fichas dele, as que o Valentine tem, aí as encaminharei para o meu professor. Ele vai me dizer qual seria o tratamento mais adequado e eu aplicarei ao Shaka. Claro que ele não saberá o que vou fazer, mas assim, acho que não teremos erros.
—Você confia mesmo nesse professor?
—Totalmente – disse o mais jovem com convicção.
O Amamiya mais velho se ergueu, pondo as mãos nos bolsos.
—Então tudo bem, vamos falar com o loiro e ver o que ele acha de tudo isso.
Shun esboçou um leve sorriso, mas quando foi correspondido pelo irmão e sentiu seu peito bater mais forte, tratou de fechar novamente o semblante e caminhou para porta. Eles iriam para o apartamento do indiano, e ambos rezavam para que Shaka aceitasse aquela estranha tentativa.
Continua...
Notas finais
PERDOEM QUALQUER ESTRUXULICE PELO TEXTO, NÃO FOI REVISADO.
BEIJOS DA SION E ATÉ MAIS!
SION NEBLINA
POSTADO EM 14/05/2013
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