Essa Estranha Atração

19 Essa estranha reação


Notas iniciais
Olá, leitores!

Quanto tempo hein? Na verdade nem tanto dessa vez né? Bem, venho com mais um capítulo de EEA, acho que um capítulo bem esperado. Espero que gostem. Perdoem errinhos, não tive tempo de revisar direito.

Beijos a todos e uma boa leitura!

Sion Neblina

Essa estranha reação

Capítulo 18


Shaka só obedeceu a Ikki porque sabia que aquela conversa era particular e não queria ficar sobrando. Mas não podia negar que estava muito curioso. No dia anterior, o irmão mais novo do seu namorado não dera qualquer sinal de que mudaria de opinião sobre se reaproximar do mais velho. O loiro realmente torcia para que Shun houvesse pensado melhor. Ikki precisava dele, sabia. O moreno continuava se fechando para determinados assuntos e nem mesmo com by Text-Enhance\">Virgo se abria mais. Na última conversa que tiveram online, Ikki se manteve impessoal o tempo inteiro, e o amigo virtual não arriscou nenhum tema que pudesse fazer-lhe descobrir sua verdadeira identidade.



O indiano ficou andando de um lado a outro da sala até que finalmente a campainha tocou e ele foi ansioso atender. Nem se deu conta do tempo que havia passado enquanto pensava.



– Então? – perguntou tentando manter-se neutro diante dos irmãos Amamiya.


Ikki entrou no apartamento e esperou que Shun fizesse o mesmo. Convidou Shaka a se sentar no sofá, enquanto o Amamiya mais novo se posicionava em frente aos dois, também se sentando.

– Shaka, o Shun está disposto a ajudá-lo – Ikki falou sério. – Ele é apenas um estudante, mas conhece algumas terapias suaves e alguns medicamentos que são essenciais no seu caso. Ele não segue a corrente de tratamento de by Text-Enhance\">Valentine, é algo totalmente diferente.

O sorriso de Shaka esmoreceu um pouco. Então os dois estavam falando sobre aquilo? Bom, pelo menos se falaram, e isso já deveria servir para a reaproximação deles.

– Eu agradeço, Shun – disse sincero. – Eu realmente estou receoso em procurar outro psiquiatra depois do que aquele doutor fez.

O Amamiya mais novo sorriu de leve mirando o loiro.

– Não se preocupe, não faremos nenhuma terapia de choque. Eu só vou ajudá-lo até que se sinta pronto para encarar uma terapia convencional.

Ikki segurou a mão do loiro, mas seus olhos não deixavam o irmão.

– Ele não suportaria algo traumático novamente – emendou em advertência. Shun se ergueu.

– Bem, eu volto amanhã para conversar com você – falou a Shaka. – Aí veremos o que devemos fazer, qual terapia será a melhor no seu caso. – estendeu a mão ao loiro.

– Shun... – Shaka olhou da mão estendida para o namorado, apertando a mão de Ikki com mais força. Não queria ter que fazer uma desfeita ao rapaz novamente, mas era inevitável.

Shun se recordou da incapacidade do loiro de tocar nas pessoas e corou sem jeito. Iria recolher a mão quando Ikki a apertou, tomando o lugar do namorado.

– Obrigado – disse e se afastou, coçando os cabelos sem jeito.

O Amamiya mais jovem não conseguiu conter a curiosidade, porque aquilo era inédito nos casos de TOC que ele já havia estudado.

– Shaka, por que você consegue tocar o Ikki?

– Eu não sei – o indiano disse lentamente. – Já pensei nisso, mas não consegui chegar a conclusão alguma. Mas até mesmo com o Ikki eu tenho os meus limites. Não passamos muito desses toques – murmurou sem nenhuma timidez em contar aquelas coisas para o irmão do namorado. Shun seria seu médico, então ele teria que saber daqueles detalhes.

O rapaz de cabelos castanhos franziu as sobrancelhas, realmente não entendia aquilo, mas... Bem, era melhor deixar para pensar nisso depois.

– Ah... Você pode dar esses detalhes sem que eu esteja aqui, loiro? – pediu Ikki corado e sem graça.

Shaka deu de ombros quase rindo com o constrangimento do sempre tão desinibido namorado e Shun pigarreou, despediu-se dos dois e foi embora, ainda pensando em tudo que estava acontecendo. Começava a se certificar de que Ikki havia mudado verdadeiramente; Shaka foi capaz de fazê-lo mudar.

O estudante guiou até seu apartamento que ficava em um prédio baixo e charmoso à beira mar. Chegou a casa ainda pensativo e encontrou o namorado sentado de frente ao laptop. Sorriu para ele. os olhos âmbares prestavam especial atenção a algo na tela da máquina. Mime era analista financeiro e geralmente trabalhava em casa, na casa dele, não na de Shun; ainda não moravam juntos.

­–Não vai me dar um beijo? – indagou o ruivo ainda sem encará-lo. O mais novo sorriu e se aproximou dele, erguendo-lhe o queixo e o beijando.

– Oi, amor. Demorei muito?

– Não, mas eu estava ansioso para saber como foi lá com seu irmão – Mime encarou o namorado e tirou os óculos.

– Eu disse que não iria atrás dele e sim do namorado dele – replicou Shun.

– E você é um péssimo mentiroso, sabia? – sorriu o mais velho.

– Por enquanto eu quero apenas ajudar o rapaz, Mime, só isso.

– Eu sei – beijou os lábios de Shun de leve -, mas não negue que sente vontade de reatar com ele. Ele é seu irmão, sua única família.

– Família – o meio japonês repetiu amargo. – Já nem sei o que é isso. Vamos mudar de assunto?

O mais velho sorriu meigo, embora deixasse claro sua posição.

– Okay – Mime acatou. – E então, cinema?


//********//



Na manhã seguinte, Shaka acordou com a campainha tocando de forma insistente. Ele franziu a testa ao verificar que, de acordo com o relógio que estava sobre a mesa de cabeceira, ainda era muito cedo. Ficou mais surpreso ainda ao ver Ikki. O namorado queria avisar que teria que resolver alguns problemas com os fornecedores de bebidas da boate. O escritor achou aquela conversa estranha, afinal era cedo demais, mas não o questionou. Pensou que, provavelmente, Ikki não queria estar por perto quando Shun chegasse. O indiano suspirou, pensando em como faria aqueles dois teimosos se entenderem. Tudo bem que Ikki havia magoado muito o irmão, mas estava arrependido. Bom, pelo menos, Shaka imaginava que ele estivesse. O moreno passara por cima de todos os seus preconceitos para ficar ao seu lado.



Às nove da manhã em ponto, Shun chegou.


– Bom dia. – Shaka o saudou enquanto fazia um sinal para que ele entrasse. – Obrigado por vir.

– Bom dia – Shun sorriu e esperou o convite para se sentar. – Como se sente hoje?

– Estou bem – Shaka respondeu com tranqüilidade, embora estivesse um tanto ansioso.

O futuro psicólogo suspirou.

– Eu queria conversar com você um pouco, Shaka. Confesso que fiquei muito impressionado com o seu caso. E quero muito ser útil de alguma formar. Nunca tinha visto alguém com sintomas de TOC tão fortes.

– Eu sei... – suspirou também desanimado. – Acha que tenho chances de melhorar?

– Claro que sim. Só precisamos dos remédios certos e da terapia certa – Shun sorriu mais abertamente.

Eles conversaram por aproximadamente duas horas. Shaka não teve dificuldade em se abrir com o garoto. Shun possuía uma capacidade incrível de conseguir a confiança das pessoas. Era um tipo tão correto que ficaria difícil duvidar dele. Seus olhos verdes despertariam o bom ânimo do mais desanimado e desconfiado dos homens.

– Shaka, eu vou escolher alguns medicamentos pra você. Eles são bem suaves em comparação a outras drogas, mas requerem muita disciplina na administração, porque alguns deles causam efeitos indesejáveis e inversos em grandes doses. Eu terei que trazê-los, porque você não conseguirá comprar sem uma receita médica.

– Então como...? – o mais velho ficou confuso.

– Eu vou pegar algumas amostras no hospital – Shun confidenciou. – É totalmente errado e se me descobrirem eu estou ferrado, mas você vai precisar desses remédios. Tenho certeza que eles podem aliviar seus sintomas.

– Eu não quero te prejudicar – Shaka disse preocupado. – Isso pode ser perigoso pra você...

– Não se preocupe. Eu serei discreto – o mais novo pegou um bloquinho de anotações na pasta e os óculos de grau que ainda estavam guardados. –Você lembra como tudo começou?

Shaka respirou fundo e começou a contar a história.

Naquele dia, Ikki voltou tarde para casa e nem foi ao apartamento do namorado. Era evidente que ele evitava se encontrar com o irmão. Eles só se encontraram no dia seguinte, quando Shun não faria nenhuma visita ao indiano.

Nos dias em que se seguiram, Shun foi visitar Shaka e eles conversaram por horas novamente. Ikki sempre inventava uma desculpa para estar longe do prédio enquanto o irmão estava por lá. No começo, Shaka apenas respondia às perguntas de forma mecânica, mas aos poucos, foi ficando mais à vontade e já sentia que estava conversando com um amigo e não com um terapeuta. Sentiu-se tão à vontade que se arriscou a falar do seu relacionamento com Ikki. Inicialmente, Shun pareceu ficar incomodado, mas depois a curiosidade foi maior e ele ouviu prontamente e até fez perguntas. Shaka esperava que ao conhecer mais o ‘novo Ikki’, o menor finalmente expulsasse a mágoa do próprio coração.

Era uma tarde tranquila, o indiano tinha acabado de chegar do trabalho e esperava pelo estudante. Shun havia ligado e dito que estava a caminho. Geralmente, aquele não era um dia de visita e isso deixou o loiro bastante ansioso.

Assim que Shaka abriu a porta e o convidou a entrar, o mais novo foi dizendo cheio de entusiasmo:

– Eu consegui os remédios, Shaka! São três. Você tem que tomar todos no mesmo horário e nas doses prescritas aqui – Shun sentou e começou a tirar os remédios da pasta.

– Shun, me diz uma coisa – Shaka volveu um pouco hesitante: – o Ikki era um irmão ruim?

O rapaz parou o que estava fazendo e o encarou sem entender o porquê daquela pergunta tão repentina? Ele não estava ali para falar do irmão.

O indiano engoliu em seco ao ver a testa do garoto se franzir um pouco.

– É que... Ele tem tanta convicção de que você não irá perdoá-lo. Ele anda fugindo de você todos esses dias. Todo dia inventa um compromisso diferente. Queria saber se o que ele fez foi tão ruim que apagou as coisas boas que vocês viveram? – continuou ansioso.

Shun pendeu levemente a cabeça para a esquerda e ficou tanto tempo em silêncio que Shaka pensou que ele não fosse responder.

– Ikki foi um irmão incrível. Eu sempre me espelhei nele. Sonhava em ser como ele. Mas nós sempre fomos muito diferentes. – finalmente o menor falou e com muito custo. – Ele sempre foi muito forte, seguro. Era meio que o valentão da escola, sabe? Não que ele procurasse confusão, ao contrário, era arredio e não tinha amigos, mas ninguém seria capaz de se meter com ele. E eu o franzino e fraquinho que todos queriam bater e se aproveitar. Ele sempre me defendeu. Eu cresci à sombra dele, sendo protegido por ele... Mas quando eu precisei dele para me proteger da fúria do mundo, ele se voltou contra mim.

Shaka sentiu a tristeza do estudante a falar aquilo. A mágoa era muito intensa e profunda e agora ele a entendia melhor. A decepção e o abandono doíam profundamente.

– Mas houve um antes, Shun... – tentou argumentar.

– Não importa o antes – replicou o mais novo. – Ele fez de mim um fraco dependente para depois me virar as costas. Mas isso foi bom! foi o melhor que poderia me acontecer.Tive que aprender a deixar de chorar por qualquer coisa e a me defender sozinho. Aprendi e não preciso mais da sombra dele.

– Mas...

– Shaka, eu não vim aqui para falar do meu irmão – o rapaz disse em um tom definitivo.

– E você está namorando? – o loiro nem soube por que perguntou aquilo, mas não queria que o outro parasse de falar. Parecia que tinha conseguido abrir uma pequena brecha e que se forçasse mais um pouco, conseguiria uma janela.

Shun havia voltado a escrever suas anotações, mas parou outra vez erguendo os olhos e o encarando surpreso.

– Isso é pergunta que se faça ao seu... terapeuta? – volveu corado.

– Acho que isso é um sim – Shaka disse sorrindo.

O celular do rapaz de cabelos castanhos ‘resolveu’ tocar naquele momento, e ele corou ainda mais ao olhar o visor.

– Bom, sim... mas há pouco tempo... – ele disse sem jeito indicando o celular. – Estamos nos conhecendo direito ainda.

– Pode atender. Eu não me incomodo. – Sorriu o indiano.

Meio sem jeito, Shun atendeu a ligação e pelo que Shaka pode entender, ele estava recusando o convite do namorado para jantar àquela noite. O estudante continuou a escrever a “receita” enquanto conversava ao telefone, e Shaka deixou a sala por alguns minutos para deixá-lo mais à vontade. Quando voltou, Shun já havia terminado.

–Tá aqui, Shaka. Siga as recomendações direitinho, tá? Esse remédio – ele pegou uma das caixas com uma tarja vermelha – é um relaxante. Ele vai te deixar com sono nos primeiros dias e esse outro – ele indicou o remédio tarja preta –-É bem forte e também vai te deixar com uma sensação de moleza no inicio, mas logo o seu organismo vai se acostumar. Esse terceiro é um estimulante...

– Estimulante? – Shaka franziu a testa.

– Sim. Não sabia que estimulantes também são utilizados para o controle da ansiedade? Pois é, você precisa dele. É só seguir as doses corretas que não há perigo.

Shaka ficou receoso, mas aceitou os remédios.

– Muito obrigado, Shun. Eu nem sei o que fazer para te agradecer. – Disse sincero.

O rapaz apenas balançou a mão em um sinal de quem diz "nem se preocupa" e falou que precisava ir, pois seu plantão no hospital começava mais cedo naquele dia.

–Nós vamos diminuir as conversas a partir de agora. É bom mantermos contato pelo menos uma vez por semana, certo? Aí você me diz se está se sentindo melhor. – Sugeriu o estudante.

– Certo. Qualquer problema eu te procuro. – Concordou Shaka.

Depois que Shun foi embora, ele concentrou-se no novo livro. Não falou com Ikki durante todo o dia, e o loiro estava sentindo falta do namorado, mas não o procurou. Estava aborrecido com aquela insistência de Ikki em fugir do irmão, porque fugir de Shun significava também ficar longe de si. Sabia que Ikki estava trabalhando muito na boate, mas a compreensão não abrandava sua saudade.

À noite, Shaka pegou os remédios e ficou lendo tudo que havia nas bulas. Pensou, pensou e resolveu tomá-los. Tomou o primeiro comprimido e meia hora depois tomou o outro. O terceiro comprimido foi ingerido com certo receio, mas ele o fez. Queria melhorar urgentemente.

A medida que as horas passavam, a ansiedade do indiano aumentava. Não queria ligar para o moreno e parecer um chato grudento. Esperava que ele chegasse e fosse vê-lo, mas as horas avançavam e isso não acontecia.

Ansiedade... Ansiedade. Não deveria fazer mal tomar mais um comprimido, já que a sonolência tão falada por Shun não veio. Ele pegou mais um dos comprimidos e engoliu com um pouco d’água. O loiro sentou-se no sofá e ficou assistindo a uma ficção cientifica até que acabou adormecendo ali mesmo. Acordou horas depois, sentindo um calor insuportável e a garganta seca. Tossiu um pouco incomodado, umedecendo os lábios e mexendo no colarinho da camisa, abrindo alguns botões.

Shaka mirou a porta do apartamento. Ikki já deveria ter chegado e não foi vê-lo. Ele sentia mais que nunca a falta do namorado. Era como se houvesse um vazio dentro de si sem que ele estivesse por perto. Precisava encontrar Ikki, estava com muita saudade. Sentia uma euforia e uma vontade incontrolável de beijá-lo.

A passos trôpegos, ele abriu a porta e atravessou o corredor. Tocou a campainha da casa do namorado e esperou que ele abrisse a porta.

Já era bem tarde. Ikki estava dormindo pesadamente depois de uma noite de trabalho. Não pôde ver Shaka naqueles dias, primeiro porque não queria atrapalhar o tratamento do namorado e segundo porque evitava Shun. Falaram-se apenas por telefone, e ele estava com saudade. Tentaria acordar cedo o suficiente para encontrá-lo antes de o loiro ir ao trabalho na manhã seguinte.

Mas o insistente toque da campainha o despertou. Espreguiçou-se praguejando de leve, quem poderia ser àquela hora? Seria Shaka? Será que algo aconteceu?

Caminhou para a porta do jeito que estava, vestido apenas em um short de pijama fino. Assim que abriu, Ikki entreabriu os lábios ao encontrar o namorado. O loiro havia lhe dito que dormiria cedo, pois no dia seguinte precisaria resolver algumas coisas no trabalho, isso ao telefone. O empresário ainda dissera que tentaria encontrá-lo naquela noite, mas como não foi possível deixar a boate antes da meia-noite, ele acabou indo direto para casa.

Ikki mirou o rosto levemente ruborizado e os olhos febris do namorado, preocupou-se. Colocou a mão sobre a testa do indiano que estava quente, mas ele não parecia ter febre.

– Loiro, aconteceu alguma coisa? – perguntou.

O toque da mão do moreno em sua pele fez Shaka despertar completamente. A respiração dele que já estava alterada ficou completamente desregulada. O loiro tragava o ar com força pela boca, sentindo que poderia desfalecer a qualquer segundo. Estava absurdamente quente e estar perto de Ikki só fazia o calor aumentar.

Os olhos do escritor deslizaram pelo corpo do namorado. Desejo; Calor; Amor; Paixão. Todos os seus sentimentos e sensações pareciam misturados e ampliados. Agora ele sabia por que queria tanto vê-lo, tanto estar com ele: precisava dele naquele momento e não poderia mais esperar.

Sem pensar, o indiano esmagou seus lábios contra os lábios do moreno, e suas mãos deslizaram de uma forma exigente pelo corpo dele, logo chegando até as nádegas, onde Shaka deixou um generoso aperto.

– Te quero – sussurrou de forma lânguida e lasciva enquanto o empurrava para dentro do apartamento, fechando a porta com o pé.

Ikki não teve reação imediata diante do arroubo do namorado, então deixou que ele o empurrasse porta dentro. O moreno correspondeu ao beijo, o puxando pela nuca, sugando sua língua, sentindo que Shaka gemia por baixo da sua boca. Gostou daquela reação, mas alguma coisa o alertava que ela era um tanto exagerada para o momento. Shaka já parecia muito excitado mesmo antes de tocá-lo, o que estava acontecendo? Sonho erótico na madrugada?

Forçou-se a se afastar minimamente dele que lutava para mantê-lo perto.Ikki riu de leve com isso, examinado o rosto ruborizado do indiano.

– Calma, loiro, eu também quero, mas... o que está acontecendo com você? – indagou confuso, enquanto o namorado continuava o acariciando de maneira ousada e faminta, muito diferente do jeito sempre hesitante de Shaka.

O escritor deixou um som de frustração escapar da sua boca quando Ikki o afastou. Por que o outro queria tanto conversar? O loiro não ouviu o que ele perguntou, tratou de empurrar o namorado até o sofá e sentou no colo dele. Lambeu os lábios, começando a se movimentar lentamente sobre o corpo moreno.

– Estou com calor, Ikki – sussurrou com a voz rouca. – Muito calor. E só você pode resolver isso...

Shaka estava tão excitado que não aguentaria esperar muito tempo se Ikki continuasse tão passivo. Levou as mãos até os cabelos dele e os puxou com força, fazendo o moreno gemer entra a dor e a surpresa. Ele então se aproveitou da boca entreaberta do namorado e deslizou a língua para dentro da cavidade úmida. Sugou, lambeu, beijou a boca do moreno antes de começar a depositar beijos pelo pescoço dele.

Ikki gemeu mais alto quando as mãos do loiro se afundaram em seus cabelos o puxando para um beijo lascivo e faminto. Calor? Aquilo não era calor, Shaka estava insano! Pensava enquanto tinha a boca devorada pelo namorado. Seu corpo reagiu de imediato, como sempre reagiu ao contato com o dele; sua língua foi instintivamente de encontro a língua do loiro, lambendo também os lábios de Shaka, sugando, na mesma cadência desenfreada que ele.

Os dedos do empresário trataram de abrir a camisa que o escritor vestia para passear por seus mamilos e... deuses! A pele dele estava mesmo pegando fogo! O loiro parecia uma massa febril de desejo. Ikki gemeu alto quando o indiano começou rebolar em seu colo, estimulando seu falo que ficou rígido na hora.

– Ah... Shaka... – murmurou afastando a boca dos lábios famintos dele. – Loiro... o que você... Ah... o que você está fazendo? – indagava ainda com um resquício de razão, enquanto gemia apertando a cintura do namorado por instinto.

– Ah...Isso...! – Shaka gemeu com ele ao sentir a rigidez de Ikki roçando em suas nádegas. –Quero tudo, Ikki... Quero você. Quero que me tome, que me ame uma, duas, três vezes. Até não termos mais força alguma em nossos corpos...Ahh...Faz... Por favor, faz...!

O indiano nunca sentiu tanta necessidade de ser amado antes. O corpo estava febril, a respiração alterada, o membro estava doendo de tão rígido e junto à excitação estava a euforia. O pensamento de finalmente pertencer ao namorado o deixava fora de si. Não pensava em nada, simplesmente agia por puro e simples instinto.

O loiro se afastou, ficando de pé diante do moreno. Tirou a calça — sua pele ardia, seus olhos estavam embaçados, mas ele se forçava a manter o ritmo lento para que Ikki enlouquecesse de desejo, para que ele não pensasse em outra coisa que não fosse amá-lo até a exaustão. Assim que ficou completamente nu, começou a se tocar. Deslizava as mãos pelo próprio corpo de uma forma totalmente despudorada, cerrando os olhos e chamando o nome do namorado. – Você não me quer? – murmurou gemendo enquanto provocava, subindo e descendo a mão por seu tórax – Eu vou ter que fazer sozinho, é isso?

Ikki arregalou os olhos, sentindo na mesma hora seu membro doer e parecer ainda mais duro dentro do short. Ao mesmo tempo, o assombro o mantinha parado no mesmo lugar. Aquele era mesmo seu namorado? O homem que tentava levar para a cama há meses e não conseguia? Travou no sofá, enquanto ficava cada vez mais excitado olhando o namorado se masturbando. Sentiu uma imensa vontade de fazer o mesmo, mas não conseguia desgrudar os olhos dele, ficando cada vez mais perdido e excitado. Passou a língua nos lábios seco, salivando com aquela visão deliciosa.

“Deuses, como isso é possível?” Indagou-se, arrepiando-se com os gemidos que Shaka deixava escapar enquanto se tocava. Queria ir até ele, mas aquilo estava bom demais de olhar para que simplesmente interrompesse.

Shaka continuou se masturbando, gemendo e arfando. Estava fora de si, já não era um ser racional; ele precisava, apenas precisava de prazer.

– Você não quer me tocar? – provocou o namorado, fixando o seu olhar no dele. – Meu corpo está implorando por você, Ikki. Eu vou explodir a qualquer segundo – voltou a estimular o próprio membro de maneira mais rápida agora. – Eu quero suas mãos passeando por ele, seus lábios beijando minha pele, sua língua lambendo os meus mamilos... Quero que me marque, que me faça seu...

O loiro aproximou-se outra vez e o puxou para que ele ficasse de pé diante de si. Segurou as mãos fortes do moreno e começou a guiá-las pelo seus corpo, indicando onde e como queria ser tocado. Ikki estava distraído massageando a pele ardente do indiano como ele pedira; então Shaka aproveitou-se disso para arrancar aquele calção incômodo que ele ainda estava vestido. O loiro arfou ao vê-lo completamente nu e excitado. Já sabia que Ikki era grande, mas olhando assim de tão perto e tão nitidamente, sentiu a saliva se acumular em sua boca.

– Deve ser delicioso... – sussurrou e antes que o moreno pudesse protestar ou impedi-lo, Shaka ajoelhou-se e começou a brincar com o falo dele. Lambia lentamente, subindo e descendo, parando na ponta, mordiscando e chupando forte para depois voltar a lamber lentamente.

– Deuses, Shaka...! – Ikki gemeu alto e jogou a cabeça para trás, rapidamente sua mente apagou a ideia de que o loiro estava estranho, que se danasse, estranho ou não, ele aproveitaria aquela noite para saciar todo o desejo acumulado em seu corpo. Mordeu os lábios suprimindo um gemido mais alto ao sentir a língua quente brincar com seu pênis, insinuando entrar no orifício que já gotejava, suas pernas tremeram quando Shaka começou a sugar com mais força e gula, seu membro avantajado desaparecendo dentro da boquinha quente do indiano.

“Onde ele aprendeu a chupar assim? Ele não é virgem?” Um minuto para o pensamento ciumento antes que perder a capacidade de pensar, tendo a língua do namorado enroscada em seu pênis, enquanto os lábios estimulavam e as mãos massageavam suas coxas e suas bolas.

Ikki só gemia e resolveu parar com aquilo antes que a festa acabasse cedo demais naquela boca que era o próprio inferno. Com delicadeza, afastou Shaka pelos cabelos, o trazendo para cima e beijando-o intensamente, puxando-o com força contra sua ereção, roçando-se nele, mantendo-o cativo por sua língua e braços. Se Shaka queria mesmo o que disse, não se privaria de dar a ele cada gota e centímetro do seu amor.

O moreno guiou o loiro, andando de costas sem parar os beijos, para o quarto e o jogou na cama, libertando sua boca, para descer por seu pescoço e peito, parando nos mamilos, que já estavam túrgidos, mordendo e lambendo; acariciando e escutando os gemidos ensandecidos do mais velho. O moreno estava tão excitado que seu membro já doía, queria ir com calma, mas Shaka não parecia querer isso.

Shaka exultou quando Ikki o puxou e o beijou com tanta paixão. Ele sentiu que estava sendo empurrado para algum lugar, mas não ligou; concentrou-se totalmente no beijo que recebia, enroscando sua língua na dele. O indiano pensou em reclamar quando caiu no colchão e o namorado interrompeu o beijo, mas logo qualquer pensamento que tinha se desfez. Ikki estava fazendo o que ele pediu, e Shaka sentiu o corpo esquentar ainda mais. Gemia descontrolado, pedindo por mais enquanto arqueava o quadril fazendo as ereções se chocarem. Afundou as mãos nos cabelos negros do namorado e os puxou com força.

– Ah... Ikki! Eu... Agora... – tentava falar, mas não conseguia formular uma única frase.

Em algum momento, o indiano conseguiu inverter as posições. Ficou por cima do meio japonês e começou a lambê-lo sentindo o gosto salgado da pele suada. Quando ele se aproximava do falo, parou, puxou as mãos dele e começou a sugar-lhe os dedos indicando que não queria saber de mais preliminares. Ikki gemia abafado enquanto o namorado lambia seu peito, seus mamilos mordiscando vez por outra, descendo por seu abdômen trabalhado, experimentando cada centímetro de pele, mas quando ele puxou-lhe a mão e começou a lamber seus dedos, deixando claro o que queria, o moreno se forçou a sorrir e inverter novamente as posições na cama. Prendendo suas mãos contra o colchão.

– Esperamos tanto, loiro... – falou com a voz ainda mais grave e rouca pela excitação, roçando o queixo pelo rosto de Shaka – só mais alguns minutinhos não vão te matar... – completou mordiscando queixo e lábios dele, roçando-se na pele quente do homem mais velho, fazendo questão de mostrá-lo o quanto estava excitado, o quanto queria também, mas que não era um amante afoito, não era um moleque como Shaka gostava tanto de dizer, sabia, e como sabia, muito bem o que fazer.

O loiro gemia muito e se esfregava nele, fazendo questão de mostrar o quanto estava desesperado de tesão. Ikki lambeu e chupou seu pescoço, deixando marcado no corpo de Shaka, marcas de deixavam claro que ele lhe pertencia. Afastou-se um pouco, se sentando sobre o quadril do namorado, ouvindo Shaka resmungar reclamando pela interrupção. Inclinou-se e retirou do criado-mudo, em meio a vários pacotes de preservativos e outros acessórios sexuais, um tubo de lubrificante e passou nos dedos, logo introduzindo o primeiro inteiro dentro do indiano que gritou e arqueou as costas na cama.

– Você é tão quente, loiro, uma delícia – sussurrou sem parar de massagear aquela área estreita, sentindo-se mais duro só de pensar que logo estaria colocando outra coisa bem maior ali.

Prazer e tesão eram tudo que Shaka sentia. Naquele momento, só o que lhe movia era o instinto mais primitivo, ele precisava desesperadoramente de um orgasmo. A vontade de tocar em Ikki era tanta que o escritor enterrou as unhas nas costas dele com ânsia, forte, arranhando, escorregando pelas costas do moreno sem nenhuma piedade ou delicadeza.

– Rápido... Rápid-... Ahh... – o loiro gemia e implorava para ser penetrado. Enquanto Ikki introduzia o segundo dedo, ele arqueava o corpo, sentindo-se em brasas, gritava o nome do moreno, rebolando com força tentando senti-lo mais fundo. Fixou seus olhos nos dele; as pupilas do escritor estavam tão dilatadas que o azul já havia quase desaparecido.

– Diz que você me deseja... Diz que me quer... – Shaka pediu e quando Ikki se inclinou para sussurrar algo em seu ouvido, ele cravou os dentes no ombro dele, mordendo forte e sugando depois.

Ikki gemeu alto entre a dor e o mais latente desejo ao sentir os dentes de Shaka se cravarem em seu ombro tão forte que sua pele cedeu, ficando um sulco ensanguentado. Afastou o loiro de si, afundando as mãos em seus cabelos, segurando seu rosto e o beijando de maneira voraz, primitiva, o guiando contra si e se posicionando entre suas pernas. Quando começou a penetrá-lo, Shaka fugiu dos seus lábios para gemer alto de dor, todavia o escritor queria demais aquilo e sua necessidade era maior que o incômodo inicial. Ikki era grande e o preenchia por completo. Só havia o prazer de tê-lo dentro de si, o tocando da forma mais íntima que poderia. Não existia mais nada que não fosse o intenso prazer que dominava seu corpo num estranho torpor, e ele não impediu-se de continuar rebolando, facilitando a acolhida do membro hercúleo no canal estreito. Ikki parou um pouco, sentindo seu falo comprimido; mirando a expressão de êxtase que o loiro trazia – o rosto corado, os lábio entreabertos arfantes, os olhos semicerrados –, mas quando Shaka sorriu de maneira aliviada e provocativa, o moreno não conseguiu mais se dominar, começou a se arremeter fundo dentro dele, cadenciando os movimentos de avanço e recuo ainda de forma lenta, gemendo, sentindo todo o corpo pulsar.

O suor ensopava os corpos. Shaka passou os braços em volta do pescoço moreno, colando seu corpo ao dele, friccionando a pele clara contra a tez amorenada, as mãos o puxando pela nuca enquanto o corpo dançava no ritmo das investidas de Ikki, e ele rebolava e gemia de forma insana dentro do beijo, as línguas se provando entre gemidos, fora e dentro da boca. O indiano gemia alto cada vez que ele o tocava fundo, num ponto que lhe proporcionava muito prazer. Ele deslizou as mãos pelas costas do amado, o arranhando com gosto, fazendo o caminho inverso até o pescoço e se friccionando contra ele.

– Mais forte...! Ahhh-, Ikki! – exigiu assim que se suas bocas se desencontraram. – Mais forte... e rápido! – Passou as pernas em volta da cintura dele para ajudar na penetração enquanto segurava uma das mãos de Ikki e a levava ao falo até então negligenciado.

Os músculos de Ikki estavam todos contraídos e ele gemia de olhos fechados quando ouviu as ordens do loiro. Logo começou a se movimentar mais rápido, indo fundo, mas Shaka queria mais, precisava de mais, então ele começou a masturbá-lo na mesma velocidade que se enterrava em seu corpo, fazendo o corpo de Shaka dançar ao sabor do seu. Quando percebeu que ele estava prestes a gozar, o segurou pelas nádegas e o puxou pra si, indo ainda mais fundo e invertendo a posição, agora era Shaka que estava sobre ele e poderia comandar os movimentos como queria.

Shaka se assustou um pouco quando Ikki inverteu as posições, mas logo a sensação de surpresa passou e ele começou a "cavalgar" sobre falo do namorado, o mais rápido que conseguia.

– Ah, Ikki... Ah... – gemia extasiado e falava o quanto aquilo era gostoso. Seu corpo estava febril, trêmulo e ele não conseguia mais se segurar. Espalmou as mãos no peito do amado e jogou a cabeça para trás gritando o nome dele com a voz rouca.

– Eu vou... Ah! Ikkiiiii! – O escritor sentiu todo o seu interior se comprimir, abraçando ainda mais o membro do moreno, mantendo-o preso dentro de si e na investida seguinte foi como se sua alma fosse arrancada do corpo por breves segundos quando atingia o ápice.

Ikki apertou mais forte a cintura do namorado, se sentindo ainda mais esmagado dentro dele. Com um grunhido, gozou também, abraçando o loiro com força, sentindo o orgasmo dominar cada poro do seu corpo. A respiração de ambos estava entrecortada, os corações descompassados, corpos empastados de suor. Ele se afastou para afagar o rosto ruborizado do amado e sorrir, o olhando dentro dos olhos.

Permaneceram na mesma posição, Shaka em seu colo, os corpos colados, cabelos e pele molhados. O loiro sorriu para ele também, Ikki lhe tocou os lábios com carinho e adoração.

– Eu te amo... – sussurrou, sentindo-se pleno de felicidade.

– Eu também te amo – Shaka sussurrou enquanto rodeava os braços em torno do pescoço dele e o abraçava. A euforia aos poucos foi diminuindo, e o cansaço começou a se fazer presente.

– Ikki... – o loiro o chamou com a voz fraca, sem forças para sair do lugar. – Preciso de um banho...Agora...Por favor...

O moreno suspirou, também estava meio letárgico depois do orgasmo. Da mesma forma que estavam, ele carregou Shaka até o banheiro e ligou o chuveiro, ficando os dois sob a água quente enquanto ainda trocavam beijos apaixonados. A letargia deu lugar a um novo arroubo de paixão e ele fizeram amor novamente sob a água cálida. Depois tomaram o banho convencional e voltaram para o quarto.

Ikki ajudou Shaka, que estava mais sonolento que ele, a se vestir com um dos seus pijamas e depois se vestiu também, ajeitou a temperatura do ar e então dormiram abraçadinhos embaixo do edredom.

Os amantes decidiram mudamente que pensariam em qualquer coisa apenas no dia seguinte.


Continua...


Notas finais
Gente, o que o Shun deu pro Shaka hein?KKKKKKKKKKKKK

Acho que o Ikki gostou muito desse tratamento.

Beijos a todos que leram em especial os que comentaram!

Até a próxima!

Sion Neblina

Postado em 14/06/2013