Essa Estranha Atração
14 Essa estranha sedução
Notas iniciais
Sim, demoramos é verdade. Casa, filho e faculdade (meu caso), estudos e compromissos (caso da Bia) nem sempre deixam tempo para o nosso querido hobby e vício que é escrever fanfiction. O que podemos prometer é que nunca desistiremos da fic e que sim, ela continuará e terá um final.
Obrigada (da parte das duas, embora seja a Sion quem esteja postando e escrevendo aqui) a todos que entendem, ajudam com comentários e recomendações (7! 7! Ficamos muito felizes com isso, obrigada a todos que recomendaram!!! E quem venha mais se merecermos XD!), MPs ou mesmo vibrações positivas.
Capítulo tenso, mas espero que não queiram me linchar hehehehe. Bem, algo eu tenho a dizer: não tenho medo de polêmica XD!
Não betado, perdoem possíveis erros.
Beijos carinhosos a todos e boa leitura!
Sion Neblina
Essa estranha sedução
Capítulo 13
Apesar de todo o abatimento por ter certeza que seu problema com o irmão nunca se resolveria, Ikki acordou animado. Renovado por ter passado uma noite tranqüila de sono, sem sonhos, ao lado de Shaka.
Deixou o apartamento do loiro, enquanto ele ainda dormia, sabia que ele só acordaria horas depois para trabalhar. Voltou para casa e tomou um banho frio, vestindo-se em seguida numa calça e camisa negra. Queria visitar um local antes de seguir para a Santuário.
Procurou na lista telefônica até que encontrou e agendou uma consulta. Usou à tarde para visitar diversas clínicas e hospitais e aproveitava seu móbile para pesquisar na internet.
Suas pesquisas duraram praticamente uma semana inteira. Sim, tinha consciência que era uma pessoa difícil e restritiva, mas não conseguia pensar em entregar Shaka nas mãos de qualquer profissional. Precisava de alguém renomado; o grande problema era que todo profissional que procurava estava com a agenda cheia ou em congressos e seminários ao redor da Europa. Então, entre pesquisas, visitas e a marcação de uma consulta, passou-se um mês do seu fatídico encontro com Shun.
Nesse meio tempo, ele e Shaka não tiveram mais intimidades como a daquela noite. Ou por estar os dois, Shaka com o seu livro e ele com sua busca, ocupados e cansados demais, ou por um estranho impasse: ambos não sabiam se deveriam começar algo que não levaria ao ponto final.
Houve alguns amassos bem quentes nos sofás, mas eles acabavam sempre entrando num consenso mudo de que deveriam ficar por ali. E com isso, Ikki já estava fervendo.
Era difícil para ele ficar tanto tempo em abstinência sexual. Era jovem e a cada noite na santuário um sem número de mulheres lindas em trajes mínimos se oferecia para ele. Não seria hipócrita em dizer que não se sentia tentado e que não flertava com elas. Sim, flertava na maior cara de pau! Cara de pau, porque sabia que aquilo não levaria a nada. Nunca na vida, ele imaginou que seria tão monogâmico como estava agora e não tinha interesse algum em mudar esse fato.
Entretanto, a falta de sexo o estava enlouquecendo. Passou a ter insônia, calores, tremores, seu consumo de café chegou ao nível industrial e seus pobres funcionários aturavam um chefe com humor de Lúcifer em dia de apocalipse. Mas, por mais absurdo que pareça, quando estava com Shaka, responsável-mor das suas dores, ele se mostrava sereno e confiante, pois não queria deixar o amado mais nervoso e inseguro. Dizer a Shaka que ele estava em crise de abstinência sexual seria mais um motivo para o indiano surtar de ciúmes e insegurança e isso ele não queria.
Passou mais algum tempo até que ele se decidisse a marcar a bendita consulta. Shaka precisava começar logo aquele tratamento ou ele com certeza teria um AVC. Em fim o empresário encontrou um psiquiatra que preencheu sua exigente expectativa em Atenas, já que todos os outros estavam em congressos.
“Pelo valor da consulta, você deve ser o melhor, Valentine de Harpy, nome mais estranho!” Pensou olhando o refinado cartão que tinha em mãos.
Depois de acertar os pormenores da cara consulta naquela manhã. Ikki seguiu para a boate onde tomou seu café preto e sem açúcar como de costume, verificando as tabelas e planilhas feitas por Shiryu, mas de segundo em segundo olhava o relógio, certificando-se se já não era hora de ligar para Shaka. Estava um tanto eufórico e isso o irritava. Ikki Amamiya não lidava bem com a própria ansiedade, mesmo porque, geralmente tinha um comportamento frio e analítico em relação às novidades em sua vida. Muito raramente mostrava-se empolgado ou feliz.
Feliz! Isso era uma grande piada. Não se lembrava de quando esteve feliz de fato. Havia uma lacuna sentimental profunda entre a saída de Shun da sua vida que se seguiu até a entrada do loiro indiano.
Discou o número do namorado ainda indeciso se contaria a ele por telefone que havia lhe providenciado um psiquiatra. Shaka sabia que ele andava procurando, mas não sabia da intensidade dessa busca, porque Ikki preferia não entrar em detalhes que deixassem o escritor ainda mais ansioso.
— Oi — falou quando Shaka atendeu ao telefone. O moreno havia saído muito cedo e não tivera tempo de passar no apartamento do namorado.
— Oi. — Shaka respondeu sorrindo do outro lado da linha. — Como foi à noite?
— Solitária sem você...
O indiano sorriu. Percebia que nos últimos dias, Ikki estava evitando dormir em seu apartamento e imaginava os motivos, não era bobo. Isso o deixava um tanto frustrado, mas o moreno era tão compreensivo e carinhoso que logo essa sensação o deixava.
— A minha também foi. Como está sendo o dia?
O moreno mordeu os lábios pensando e resolveu que deixaria para contar sobre a consulta pessoalmente.
— Tedioso — respondeu neutro — Estou cheio de trabalho, mas vou tentar chegar cedo, quero te ver...
— Certo, eu ficarei esperando, também estou cheio de trabalho aqui, a gente se fala mais tarde.
— Okay... — Ikki disse — Então até mais tarde...
— Até...
Shaka desligou e suspirou; pensou em dizer o clichê “eu te amo”, mas achou gay demais até para si mesmo e desistiu. Ikki não fazia parte dos que gostavam de declarações melosas.
Resolveu que o melhor era trabalhar muito, pois assim o dia passaria rápido e ele veria logo o moreno. O empresário fez o mesmo, além de infernizar a vida dos funcionários, como era seu esporte favorito nos últimos meses.
O moreno voltou para casa animado e nem passou no seu apartamento, indo direto para o apartamento do namorado. Esperava que ele estivesse de bom humor. Temia que o escritor não gostasse da notícia, afinal, nem mesmo o consultou antes de marcar a entrevista com o psiquiatra. Bem, ele achava melhor arriscar do que não fazer nada.
Assim que Shaka abriu a porta, Ikki o beijou e entrou, brincando com Jack por alguns segundos, mas logo dizendo:
— Eu sei que não falei nada com você, mas consegui um ótimo psiquiatra que aceitou ajudá-lo, está marcado para amanhã — foi direto, não sabia fazer rodeios.
Shaka recebeu o namorado com um abraço, mas recuou com a informação.
— Quê? Amanhã? — indagou, demonstrando hesitação. — Não acha... Que é cedo demais? Podemos tentar... outra coisa... Eu... eu estou melhorando...
Ikki colocou as mãos no quadril, percebendo a hesitação do mais velho.
— Loiro, você convive com isso desde a infância. Acha mesmo que é rápido demais?
— Tudo bem. Parece que eu não tenho muita opção — disse após um suspiro. — Você vai me acompanhar? — por mais que ele tentasse manter o ar altivo de sempre, sua pergunta era mais uma súplica. Não queria ficar sozinho com um psiquiatra. Era infantil e tolo, sabia, mas ainda tinha medo de ser realmente internado como louco.
— Claro que vou! — Ikki se aproximou do namorado e o beijou com carinho — Eu disse que não vou deixá-lo? Por que é difícil acreditar nisso?
— Não estou duvidando! — Shaka disse em um tom de desculpa. — Mas você poderia ter outro compromisso... não sei... — passou os braços em torno da cintura dele e o trouxe para mais perto.
— Não, eu não tenho — falou Ikki com carinho. — E mesmo que tivesse, eu desmarcaria. Sei o quanto será difícil para você e ficarei ao seu lado.
Shaka sorriu e descansou o rosto no ombro do moreno.
— Como foi o seu dia? — O indiano indagou preocupado, percebia que Ikki estava um pouco abatido. — Você tem que voltar ao trabalho daqui a pouco, não é? Por que saiu tão cedo hoje? Deve estar cansado e ainda passará a noite inteira acordado...
Shaka tinha razão. O moreno admitia que estivesse um trapo. Mal dormia, e as últimas semanas foram estressantes. Aliado a procura por um psiquiatra, os negócios andavam bem agitados com novas contratações para a boate, atrações novas, contratos, mudanças estruturais, etc. Não tinha tempo nem para respirar.
— Estou cansado sim, mas sobrevivo — Ikki respondeu. — Estou com muito trabalho na boate, tenho que ir de qualquer jeito. E não quero preocupá-lo com meus problemas, quero que descanse, amanhã iremos juntos. Está marcado para as 9 da manhã, e o cara é super-requisitado, melhor não se atrasar.
Shaka suspirou.
— Eu não me incomodo em ouvir os seus problemas, mas se você não quer falar tudo bem. — O loiro preocupou-se. Teria que inventar uma desculpa na agência de turismo; naquele ritmo realmente seria demitido. Suspirou — Eu... eu só queria poder ajudá-lo de alguma forma, Ikki. Preocupa-me vê-lo tão cansado.
O moreno sorriu e puxou-o mais pela cintura, olhando seus olhos.
— Não se preocupe, eu estou bem, acredita em mim.
— Tudo bem... — Shaka sussurrou e o abraçou, colando seu corpo ao do moreno de forma carinhosa e não lasciva. — Hoje é noite dançante na boate, não é? — indagou sentindo Ikki mover a cabeça para frente em resposta. — No meio do meu porre eu disse que queria dançar, não foi? — perguntou e corou. Ainda não se lembrava de todos os detalhes do seu papelão. — Você me deve uma dança, Ikki Amamiya — brincou.
— Hum... você quer dançar? — Ikki o encarou com um sorriso feiticeiro — Podemos resolver isso agora mesmo, loiro...
— Eu estava brincando! — Shaka exclamou depois de rir um pouco. — Eu não sei dançar. Quando eu falei aquilo na boate, foi pra tirá-lo de perto daquela loira que estava praticamente sentando em seu colo.
— Sei — Ikki murmurou pensativo, ainda encarando o indiano — Hum... Não sabe dançar, não é? Então é hora de aprender, porque agora eu quero muito dançar com você. Acaba de ativar meu mode romântico, e eu quero uma dança lenta e bem coladinha, se não lá, aqui mesmo... — sussurrou ao ouvido do namorado que sentiu um arrepio gostoso descer por sua coluna.
— Mode romântico? Nunca imaginei que você tivesse um — gracejou. — Eu só iria esmagar os seus pés, Ikki. Os monges diziam que eu sou o ser mais sem jeito de toda a face da Terra...
— Esses monges eram todos idiotas! Não deveria dar atenção ao que eles diziam. — afastou-se minimamente para segurar o queixo do mais velho e olhá-lo nos olhos — Vou ensiná-lo a dançar...
— Não, Ikki... — Shaka tentou impedi-lo, sentindo o rosto arder enquanto o moreno o puxava até o aparelho de som.
— Sim, eu prometo que é indolor — riu o moreno enquanto escolhia uma música — e meus sapatos são bem resistentes, então se pisar em meus pés não tem problema algum...
Colou seu corpo ao de Shaka, envolvendo-lhe a cintura, enquanto a música começava.
Shaka sentia o coração bater com força e ainda tentou se afastar mais uma vez, mas desistiu ao sentir o namorado envolver a sua cintura. Relaxou e permitiu que ele conduzisse a dança. Fechou os olhos e encostou a cabeça no ombro dele, deixando o seu corpo ser guiado pelo som lento da música, aproveitando ao máximo aquela proximidade.
Ikki esqueceu-se de tudo, foi transportado para um mundo à parte, enquanto embalava o corpo de Shaka que o seguia tímido, mas não demorou muito para estarem no mesmo ritmo. Estavam tão envolvidos na dança, no calor e no conforto do corpo do outro que só depois de alguns minutos, eles perceberam que a música havia terminado e que ainda dançavam.
Ikki riu meio sem jeito com isso, ruborizando. Era a primeira vez que se via em uma situação tão íntima com alguém, não a intimidade física, mas emocional, e aquilo, de uma forma estranha, o perturbava. Aquele breve momento serviu para relaxá-lo, tanto que não queria ir, embora, precisasse.
— Tenho que ir... — murmurou ainda mantendo Shaka preso pela cintura, seu corpo não tinha vontade de cumprir as determinações do cérebro, mas sabia que precisava tomar um banho e voltar à boate; Shiryu não daria conta daquela noite, sozinho.
— Tá... — Shaka não queria concordar, mas não tinha opção. Sabia que o namorado precisava trabalhar. Segurou a camisa dele com força, o puxando para perto do seu rosto. — E meu beijo de despedida? — já havia desistido de se surpreender com suas atitudes nada usuais quando estava com Ikki.
O mais jovem tomou-lhe os lábios em um beijo ardente e íntimo, um verdadeiro beijo de despedida que deixou ambos sem fôlego. Sorriram um para o outro e murmuraram um “tchau”, lambendo os lábios e sentindo as vibrações da excitação em cada terminação nervosa. O moreno saiu em seguida, indo para o seu apartamento, onde tomou um banho frio — precisava —, comeu alguma coisa e logo partiu para a boate.
Como sempre, provocou olhares ao entrar e cumprimentar de forma simpática alguns clientes. Aquele era seu trabalho e precisava ser simpático, coisa que geralmente não era. A voz sensual de Pandora, uma das atrações da noite, dominava o salão e casais dançavam enlouquecidamente o ritmo quente que a banda executava. O empresário conferiu cada canto e salão e só depois disso foi para o mezanino observar a movimentação. Isso lhe deu tempo para pensar no que estava acontecendo em sua vida nos últimos meses. Coisas que se alguém dissesse que aconteceriam, ele riria e diria que NUNCA!
Estava apaixonado e namorando um homem, ele que tão cruel e preconceituoso foi à vida toda. Realmente, se o destino era irônico, em seu caso, não foi apenas irônico, foi sádico. Mas isso ainda não era o pior, se fizesse uma conta rápida do seu estado atual não sairia nada muito animador.
Ikki = gay + namorado homem+ Shaka + TOC = PROBLEMAS elevados à milésima potência.
Riu com os próprios pensamentos e balançou a cabeça sorvendo seu drinque. Estava mesmo encrencado, mas havia algo de felicidade em si que nem entendia muito bem o motivo e por mais complicada que estivesse sua vida, sentia-se bem ao lado de Shaka e aliviado por saber que, apesar de tudo, Shun estava bem.
— O que é tão engraçado? — a suave e insinuante voz feminina falou, e o moreno engoliu em seco. Pandora estava parada à sua frente em seu insinuante e curto vestido negro com uma indecente fenda lateral. Os cabelos estavam soltos e caiam como um manto negro sobre a pele alva dos braços e ombros em seu visual vampírico tão sexy.
Ikki não conseguiu evitar o nó que se formou em sua garganta, junto com a excitação involuntária e isso o levou a imaginar uma nova “fórmula matemática”.
Homem comprometido sofrendo de abstinência sexual + mulher bonita com voz aveludada = Tô fodido!
Sentiu gotículas de suor escorregarem por suas têmporas e tratou de terminar o drinque que tomava e pedir outro.
— Olá, Pandora, estava aqui admirando sua performance, você estava incrível no palco como sempre. — falou tentando não olhar muito para o decote insinuante da mulher, mas... puta que pariu! Que peitos ela tinha!
A bela morena sorriu e se sentou ao lado do empresário, cruzando as pernas bonitas e desnudas de forma insinuante.
— Que bom que gostou. Temos contrato até o final do mês, é bom que esteja satisfeito com... minha performance... — a mulher passou as unhas cumpridas e vermelhas sob a pele clara da própria perna, num movimento insinuante que Ikki não conseguiu deixar de acompanhar. O moreno abriu dois botões da camisa, vítima de um calor repentino, mesmo com o forte ar-condicionado da boate.
— V-Você quer beber algo? — ele perguntou por que ele mesmo precisava de algo urgentemente.
— Um dry, por favor — pediu a mulher ainda com seu sorriso insinuante. — Estive em sua casa duas vezes para ver como estava o Jack, mas não o encontrei. Seu celular também tem andando desligado...
— Estou sem muito tempo... — murmurou engolindo o uísque e pedindo outro.
— Anda me evitando, isso sim...
O moreno pediu logo uma garrafa de uísque ao garçom. sua vida estava em crise, fato. Não podia mais permanecer como estava ou enlouqueceria. Entretanto, sua mente fazia um novo cálculo, no mesmo momento que seu corpo gritava que queria comer Pandora de qualquer jeito:
Transar com Pandora + magoar Shaka = não vale à pena.
— Ando sim, não nego, eu estou comprometido. — confessou tenso, mas sorriu de leve — Então acho melhor você levar seu decote para outra mesa...
Pandora entreabriu os lábios e pareceu ofendida.
— Não precisa ser grosseiro...
— Desculpe, é que sou naturalmente grosseiro... — disse, mas a verdade era que seu corpo não parava de mandar mensagens impróprias para seu cérebro. Via-se puxando Pandora, jogando-a sobre aquela mesa e rasgando seu vestido, mordendo seus seios fartos e redondos, chupando-os até ela gritar...
“Deuses... me ajude...”, suplicou mentalmente, tentando espantar as imagens em que se via num sexo selvagem com a alemã.
A bela morena sorriu e bebericou o seu drinque se inclinando sobre a mesa, deixando que o seu hálito adocicado pela bebida tocasse o rosto de Ikki e dando a ele uma visão panorâmica do seu decote.
— Tudo bem. Então ficaremos só bebendo. Não tem mais ninguém que me interesse hoje aqui, podemos beber como amigos, sim? — ofereceu o copo para um brinde. Ikki aceitou tilintando seu copo contra o dela. Os olhos de cobiça da moça brilharam, mas eles seguiram à noite, apenas conversando como bons amigos e, no caso de Ikki, com a garrafa de uísque.
O álcool pareceu ajudá-lo a controlar seus hormônios e depois de algum tempo a conversa ficou realmente agradável e inocente. Conversa vai, conversa vem, a casa já estava fechando quando ele veio se dar conta do horário já passava das duas da manhã, e Shiryu vinha lhe avisar que fecharia a boate.
Só quando se ergueu percebeu que tinha passado e muito do ponto na bebida.
— Merda... — resmungou se apoiando no ombro do gerente — Estou bêbado, Shiryu.
— Quer que eu chame um táxi? — Shiryu se preocupou, nunca vira o amigo daquela forma.
— Não precisa. — Pandora se ergueu rapidamente. — Estou bem, eu o levo pra casa, estou de carro.
— Não, não... — falou Ikki com a voz arrastada — Eu vou ficar por aqui mesmo... Se Shaka me vê assim... Ele me mata...
— Quem é Shaka? — indagou Pandora curiosa.
— Ikki, acho melhor levá-lo para o escritório — cortou Shiryu com um olhar severo para a moça. Não sabia o que estava acontecendo entre os dois, mas algo lhe dizia que não deveria confiar em Pandora.
— Isso, Shiryu, boa ideia! — falou o empresário completamente bêbado, balançando o corpo para frente e para trás.
— Então, vamos...
— Shi, precisamos fechar o caixa! — Seiya chamou o gerente.
Shiryu hesitou, mas o fato era que também estava cansado, então o melhor era colocar Ikki para dormir, fechar o caixa e ir para casa.
— Okay, venha, Ikki, dois minutos, Seiya! — o gerente apoiou o chefe e o levou para o escritório, acompanhado de perto por uma preocupada Pandora.
— Ele está bem? — ela perguntou.
— Está sim, só precisa de um banho e cama — respondeu Shiryu.
— Não! Cama, não. Sabia que quem dorme bêbado tem risco iminente de convulsionar? O melhor é mantê-lo acordado. — A mulher sorriu com malícia. — Pode fechar seu caixa e ir embora, eu cuido dele.
Shiryu não viu muita opção além de deixar o chefe com a bela mulher. Precisava mesmo fechar o caixa e dormir um pouco, estava exausto.
— Certo, qualquer coisa me chama. Na agenda dele tem meu telefone — ele disse e saiu.
Ikki estava apoiado à parede, não conseguia se manter de pé. Merda! Não era um bom momento para rolar na jaca, teria que acompanhar Shaka ao médico no dia seguinte. Péssimo momento para encher a cara.
— Que merda... — resmungava sem parar, fazendo Pandora rir.
— Relaxa, não vai morrer por causa de um porre. Venha comigo até o banheiro, eu o ajudo a molhar a cabeça, você vai melhorar — falou a moça e o empurrou pelo corredor até o banheiro do escritório. Lá, Ikki mergulhou a cabeça sob a água fria da pia. Havia um resquício de consciência nele ainda, mas isso não impedia sua mente de rodar como um carrossel.
— Eu tenho um compromisso amanhã...merda! não posso acordar... de ressaca! — resmungou desligando a água e passando as mãos nos cabelos para que esta escorresse por ele.
— Você vai ficar bem — falou Pandora se aproximando dele e o ajudando, passando as mãos em seus cabelos, descendo-as pelo pescoço e peito do empresário que se apoiou na parede e fechou os olhos.
— Obrigado pela ajuda, Pandora — ele falou num suspiro.
— Não há de quê. Venha. Vou colocá-lo na cama.
Ela segurou o pulso de Ikki e o levou de volta ao escritório. Ikki se apoiou na parede abrindo os braços como um crucificado e suspirando. Sentia aquela sensação estranha, como se um buraco tentasse tragá-lo para suas profundezas e perdia-se naquele carrossel que o sufocava junto com a náusea.
Pandora abriu o sofá o transformando numa cama e procurou algo para forrá-lo nos armários, encontrando lençóis e travesseiros.
— Vem, Ikki, deixe-me ajudá-lo... — ela falou e estendeu a mão, mas quando o moreno tentou dar um passo, acabou caindo por cima da mulher, sobre a cama.
— Deuses... me desculpe... — ele pediu vendo o rosto de Pandora de forma embaçada.
A alemã sorriu da inocência do rapaz e o enlaçou pelo pescoço, colando seu corpo ao dele de forma insinuante e girando o corpo, ficando por cima dele.
— Não precisa se desculpar. Eu serei muito boazinha com você essa noite — murmurou roçando seus lábios nos dele.
— N-Não... Pandora... eu... eu estou...
— Ah, Ikki, vamos lá, eu vi como me olhou a noite toda... — murmurou começando a desabotoar a camisa do moreno.
Ikki sentiu imediatamente algo semelhante a um choque em seu corpo que pulsou dolorido.
— Pandora... Ah... eu disse que... — tentava achar palavras, mas não conseguia, estava muito bêbado.
— Ah, relaxa... ela não vai saber, ninguém vai saber, será um segredo apenas nosso...
Ela deslizou a língua para dentro dos lábios do moreno que entreabriu os seus a acolhendo sem demonstrar resistência. O beijo de Pandora era lento e aliciante e ele se via enredado na teia daquela experiente rainha-aranha, como uma mosca perdida.
— Não... eu... — ele tentou afastá-la, mas sua mão acabou por pousar nos seios fartos da mulher e como se tivessem vida própria começaram a acariciá-los, fazendo Pandora gemer dentro de sua boca e abrir o zíper do vestido, expondo os seios para uma carícia mais ousada.
Ikki prendeu a respiração. Pandora era linda, perfeita, mas um fio de racionalidade tentou lhe alertar de que não podia se arriscar a magoar Shaka.
— Pare... pare... não podemos continuar... — disse o moreno. — Eu... eu não posso...
— Claro que pode... — murmurou a cantora começando a morder e chupar o pescoço do empresário, para em seguida beijá-lo. Ikki sentiu o contato da boca macia de Pandora e entreabriu seus lábios por instinto, provando o sabor adocicado dos lábios dela, suas mãos deslizaram pela cintura fina e marcada dentro do vestido negro que ela vestia e seguiram para as nádegas arredondadas, puxando-a de encontro ao seu sexo e aprofundando o beijo. Pandora gemeu e enfiou as mãos por baixo da camisa do empresário arranhando sua pele com as unhas longas, marcando.
A razão e a luxúria agora rodavam junto com o mundo de Ikki numa louca confusão de imagens e sons. Ele via o rosto de Shaka e nesses momentos ele empurrava a morena, então ela o acariciava, beijava, lambia, e seu corpo pedia para que esquecesse tudo.
— Não... Pandora... eu... não posso... Eu não quero...— tentava falar, mas a moça continuava a beijar-lhe o pescoço, arrebentando os botões da sua camisa, expondo o peito forte do empresário para seus beijos. Ikki gemeu, a bruma da luxúria tentando apagar seus pensamentos tendo o álcool como grande aliado. Mas ele continuava repetindo não, que não podia, mas a moça não se importava, continuava “abusando” do seu corpo com sua boca libidinosa sem pudor.
— Não, Pandora... Pelos deuses... ahhh... — acabou gemendo alto e sentiu as pernas bambas quando ela abriu o zíper de sua calça, expondo seu pênis que abocanhou com gula, deslizando-o para dentro da garganta e chupando com força. A mente de Ikki nublou-se completamente, mas ele continuava repetindo “Não, não, não”, embora não tivesse mais forças para impedir e até movesse os quadris pra frente e pra trás, fodendo gostoso a boca da alemã. Pandora chupava, deslizava a língua até perceber que Ikki estava completamente vencido e ávido pelo orgasmo, então ela se ergueu e tomou-lhe a boca que foi devorada com uma intensa fome. O moreno a segurou forte pelos cabelos não sabendo mais se queria afastá-la ou devorá-la, enquanto a beijava e com a outra mão, invadia seu vestido e rasgava a calcinha de renda vermelha que ela usava.
Pandora gemeu alto quando a mão do moreno chegou a sua intimidade, ela arriou a calça de Ikki junto com a cueca, o masturbando.
O moreno chegava a um nível de embriaguez onde já não conseguia distinguir entre realidade e fantasia. Já não sabia quem estava com ele ali, o rosto de Shaka ocupava sua mente e alternava com a expressão de prazer lascivo de Pandora.
Ikki retirou a mão que acariciava a mulher e deixou-a cair ao lado do corpo, ficando a encarar a alemã com uma expressão perdida.
— O que foi? — Pandora indagou, o rosto bonito rubro de excitação.
— Eu, Você não é...
A morena não deixou que ele concluísse a frase, voltou a beijá-lo, enquanto livrava-se do vestido, ficando completamente nua. Continuou a beijar e masturbar o moreno, mas percebia que ele já não tinha muita reação, estava quase adormecido.
— Ikki! — ela gritou fazendo o rapaz abrir os olhos. — Não acha que é muita grosseria dormir agora?
Ikki tentou focar a imagem, mas apenas jogou a cabeça para trás e sentiu as carícias prazerosas da morena.
— Eu... eu não posso... Não... não... Ah... — balbuciava de forma fraca e gemia a cada investida dos lábios da cantora.
— Claro que pode, pode e quer... — ela sorriu satisfeita em ter um homem como aquele e fazer dele sua marionete.
Ikki grunhiu vencido, quando a morena encaixou-se no seu falo rebolando e gemendo de prazer, cavalgando-o com sensualidade e fúria. Fechou os olhos e deixou-se arrastar pelo turbilhão erótico que era o corpo úmido da cantora. Não havia mais nenhum resquício de lucidez e ele adentrava uma bruma escura de prazer e ausência.
Ele gemeu quando o prazer o arrebatou fazendo-o se derramar dentro da mulher. Pandora sorriu e gritou chegando também ao orgasmo, contorcendo-se como uma serpente e deixando-se cair sobre o corpo forte e suado do empresário.
O moreno estava quase que desfalecido pela letargia pós-orgasmo e o efeito ainda pesado do álcool. Pandora aninho-se em seus braços, beijando-o no pescoço.
— Mesmo bêbado você é incrível, Amelie tinha razão — ela sussurrou-lhe ao ouvido — Ikki?
Ergueu a cabeça para mirar o rosto do moreno, mas ele já havia adormecido. A bela alemã sorriu satisfeita, sabia o quanto era bela e fogosa, com certeza, na manhã seguinte, o moreno despertaria totalmente apaixonado.
Continua...
Notas finais
A TODOS VOCÊS QUE NOS ALEGRAM COMENTANDO, O MAIS SINCERO MUITO OBRIGADA DA SION!
BEIJOS E ATÉ A PRÓXIMA!
SION NEBLINA
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