Essa Estranha Atração
9 Essa estranha descoberta
Notas iniciais
Vida corrida. Tanto para mim como para a Sion. Por isso estamos demorando para postar.
Capítulo curto, mas com emoções.
Esperamos que vocês gostem :)
Essa estranha descoberta
Capítulo 8
Os raios solares acabaram despertando Shaka. As cortinas ficaram abertas durante a noite e por isso, assim que o sol raiou, o quarto ficou excessivamente claro.
Ele piscou confuso, tentando se situar, e ao virar-se na cama, deu de cara com Ikki adormecido e o abraçando de forma possessiva pela cintura; aliás, o peso do abraço possessivo do moreno já era uma evidência da sua presença ali.
Não sentiu-se mal, como imaginou que aconteceria. Pelo menos, não naquele primeiro momento, mas logo as lembras do surto da noite passada começaram a invadir-lhe a mente. Céus! Ikki deveria estar achando que ele era louco, ou um idiota patético! Que vergonha!
O namorado dissera que não o deixaria, mas quanto tempo ele suportaria aquilo? Como ele mesmo gostava de dizer, a sua vida sexual era plenamente ativa, e ele se orgulhava disso, gostava, era extremamente sensual e seu magnetismo sexual atraía toda espécie de... Piranha!
Shaka coçou freneticamente a cabeça com se isso pudesse afastar tais pensamentos. Ele não conseguia! Não conseguia fazer sexo, isso estava fora de questão!
Ikki acabaria se cansando dele ou caindo em tentação por causa de uma daquelas garotas que viviam se atirando aos pés dele.
O loiro tentou se levantar, mas Ikki suspirou e o puxou com mais força, prendendo-o ainda mais junto ao corpo. Ele o admirou em seu sono, o moreno era tão bonito, mas não era apenas isso que o atraía a ele, Ikki, por trás daquela máscara de bad boy que ele fazia questão de ostentar como troféu, era paciente, carinhoso, gentil e protetor. Um homem como sempre sonhou e que agora, por sua culpa, poderia perder.
Sentiu um medo profundo ao chegar a essa conclusão. Estivera durante tanto tempo enganado a respeito dele! Talvez ficasse criando todos aqueles defeitos para não se apaixonar tal como agora. Sim, estava perdidamente, irremediavelmente e completamente apaixonado por Ikki Amamiya.
Ikki se virou na cama, sentindo o corpo reclamar um pouco. Quando abriu os olhos, deparou-se com o olhar azul de Shaka sobre si. Sorriu e esticou a mão para tocar-lhe o rosto com carinho. — Bom dia, loiro, está melhor? Tá vendo que eu não vou a lugar nenhum? — Tentou lhe passar confiança, enquanto continuava afagando a tez clara do indiano.
— Sim, estou melhor, obrigado — Shaka disse, mas desviou o olhar, sentindo vergonha demais por ter agido daquela forma. — Eu não sei o que aconteceu comigo ontem, Ikki, eu... Desculpe, mas... Podemos... Tentar de novo, se você ainda quiser, claro! — sugeriu envergonhado e amedrontado na mesma medida; medo de perdê-lo, mesmo que Ikki dissesse o contrário.
O moreno se ajeitou na cama, elevando o dorso e, se aproximando de Shaka, beijou-lhe de leve os lábios. Em seguida, se ergueu da cama, espreguiçando-se e pegando a camisa que estava abarrotada no chão, começando a vesti-la.
— Podemos sim, loiro, e eu quero, mas não precisa ser agora. Tenho que fazer algumas ligações, hoje é segunda e é o dia em que falo com os fornecedores — explicou tentando demonstrar naturalidade, pois compreendia o quanto à situação ali era delicada. — Você quer tomar café em minha casa? Mas lá não tem nada natureba — aproximou-se dele enlaçando sua cintura. — Ou eu tomo café aqui, se você tiver café, claro!
Shaka suspirou aliviado ao ver que Ikki agia de forma absolutamente normal. Seu coração foi preenchido por calor e esperança de que realmente ele continuasse ao seu lado e que, quem sabe, conseguisse superar aquela mania?
— Há quanto tempo você não dormia com alguém sem fazer nada? — perguntou com um tímido sorriso, mas em seguida arregalou os olhos. — Por Buda! Esquecemos de alimentar o Jack!
Ikki nem teve tempo de pensar em uma resposta, porque Shaka correu para a sala atrás do cachorro que estava encolhido dentro da casinha. Ikki o seguiu e abriu a porta, o cão entrou fazendo festa.
— Ele parece bem. Acho que deixamos ração quando saímos ontem – falou enquanto o bichinho corria pelo apartamento do loiro. – Em falar nisso, tenho que comprar ração pra ele e temos que levá-lo ao pet para tomar um banho, fazer uma tosa, coisas do tipo... – bufou balançando a cabeça. – Eu sempre soube que não daria certo ter um cachorro, e até agora não apareceu dono pra isso aí...
— Daremos um jeito — Shaka disse despreocupado. — E não o trate assim, eu realmente me afeiçoei a ele. Não quero que o leve embora.
Como adivinhando que estava sendo elogiado, Jack saltitou até perto do loiro, mas Ikki o apanhou no meio do caminho e Shaka suspirou aliviado por não ser alvo das lambidas carinhosas do animalzinho.
— Ainda tem um pouco de café... Aiolia é viciado, por isso eu sempre compro — Shaka disse casualmente enquanto se dirigia à cozinha.
Ikki o acompanhou parando à porta e cruzando os braços – Aiolia... – Repetiu como se falasse de um inseto nojento. — Não quero aquele cara por perto — outra ordem. Ele era bom em mandar, só não sabia se Shaka era bom em obedecer, mesmo assim, faria. Não admitiria que aquele cara ficasse rodando o loiro agora que eram mais que vizinhos.
Shaka bufou enquanto estreitava os olhos.
— Nem pense que vai dizer o que eu posso fazer ou escolher quem pode ser meu amigo! — volveu aborrecido. — Quanto a Aiolia, não acho que precise se preocupar, ele deixou bem claro que não quer me ver nem pintado de ouro.
— Ótimo! Assim não teremos problemas! — falou se aproximando do loiro e beijando seus cabelos. — Vou pra casa, tomar um banho, fazer a barba... — continuou beijando Shaka agora no pescoço — Tenho certeza que você não gosta de barba por fazer, arranhando seu rosto... Vou tomar um banho e pegar meu celular, preciso trabalhar, loiro!Já volto para o café.
Afastou-se dele, caminhando em direção a porta e saindo, indo para o seu apartamento. Fez toda sua higiene matinal e se vestiu em uma bermuda leve marrom, camisa com listras azuis largas e brancas mais finas e chinelos, bem descontraído. Antes de sair de casa, pegou o celular de última geração sobre a mesa. De última geração e daí? Ele não ligava para aquelas frescuras, comprou aquele porque Seiya indicara. Percebeu que o aparelho estava desligado e tratou de ligar, se deparando com várias chamadas perdidas e mais um número absurdo de mensagens. Resolveu ignorar todas, mas também não se preocupou em apagá-las, discou o número de Shiryu e voltou ao apartamento de Shaka enquanto ainda falava com ele sobre trabalho.
Shaka também resolveu tomar um banho antes de preparar o café. Era engraçado como quando estava com Ikki esquecia-se um pouco da sua mania por limpeza. Ele só queria ter conseguido esquecer na noite anterior. Suspirou de forma pesada enquanto secava os cabelos. Não adiantava chorar o leite derramado; pelo menos Ikki não estava bravo e nem riu por ele ainda ser virgem. Bom, Shaka imaginava que o moreno tivesse chegado a essa conclusão depois do surto da noite.
Quando voltou para cozinha, Ikki já estava por lá, falando ao celular com um tal de Shiryu. O loiro não interrompeu. Apenas começou a por a mesa, colocando algumas frutas, torradas, café, gelatina e leite. Tinha um pouco de bacon e ovos na geladeira também (por causa da rotina alimentar nada saudável de Aiolia), mas não sabia se Ikki gostava daquele tipo de coisa então esperou que ele encerrasse a ligação para perguntar.
Quando terminou de passar instruções para Shiryu, Ikki desligou o celular e olhou a mesa posta com esmero. Percebeu também que Shaka já estava banhado e perfumado. Pousou o celular na mesa e se aproximou dele, lhe beijando a testa, era minimamente mais alto que ele.
— Que mesa mais organizada — reparou. – Confesso que geralmente como no sofá.
— Você é um relaxado — Shaka brincou. — Tem ovos e bacon, você quer?
— Hum... Quero sim! Mas deixe que eu prepare, não quero que fique cheirando a bacon. — Beijou o loiro e seguiu para a cozinha. Bem, ovos com bacon não era nada difícil de fazer, pelos menos aquilo ele sabia. Estava a caminho da cozinha quando seu celular começou a tocar, bufou e voltou para atender.
— Ikki Amamiya... Quem...? Não, não lembro... — olhou para Shaka sem jeito continuando a falar. — Ah... sei... sim, eu... estou me lembrando vagamente... Escuta... Quem te deu meu telefone? Eu? Não, eu não posso... Hoje não posso, sinto muito... — bufou e baixou o tom de voz se afastando de Shaka. —Não venha a minha casa, tá legal? — pediu num cochicho. — Eu estou comprometido agora, não... Eu o que? Ah, faça-me um favor, Emily... Ah, okay, Anne! Certo, eu tenho que desligar, sim, sim, eu ligo depois, certo!
Desligou o telefone, claro que o “eu ligo depois” foi uma grande mentira. Voltou mais que sem graça para perto do loiro, sem saber muito bem o que dizer. Shaka franziu a testa quando viu que Ikki retornar. Ele parecia muito sem jeito depois daquela ligação suspeita. Bufou irritado ao perceber que era uma das garotas com quem ele ficou durante o período de galinhagem. Assim que ele desligou e o fitou, o loiro estreitou os olhos e fingiu que não se importava, mas o celular tocou indicando que havia uma nova mensagem.
— Eu disse... Vai ser sempre assim, sempre! — resmungou aborrecido, mas de modo que o moreno não ouvisse. Começou a se servir, sem encará-lo e mantendo a sua pose de quem não se importava com nada.
Ikki olhou o visor, número desconhecido, simplesmente rejeitou a chamada e foi para a cozinha. Percebia que Shaka não estava nada feliz com aquilo, claro! Ele também não ficaria, mas não tinha culpa. Nem mesmo sabia como aquelas loucas conseguiam seu endereço e seu telefone! Foi para a cozinha do loiro e preparou os ovos com bacon, voltando com eles em seguida em um prato. Shaka já havia posto seu café na caneca e sorvia seu chá em silêncio.
— Até quando vai ficar mudo hein? — indagou provando o café, mas de forma um tanto áspera. Estava irritado com aqueles telefonemas também, aliás, sempre detestou aquele assédio. Gostava de ir para cama de vez em quando com uma bela desconhecida, mas aquilo passava dos limites algumas vezes e quando elas insistiam em invadir seu espaço a coisa começava a se tornar realmente tensa.
— Termine de tomar café e vá para o seu apartamento. Leve Jack com você. Vou passar o dia trabalhando e não quero ter uma surpresa desagradável quando chegar — Shaka disse seco, ignorando solenemente a pergunta do namorado. Ele só sabia de uma coisa: estava com raiva, muita raiva, misturada com ciúme e um mau humor desgraçado despertado por aquelas ligações. Não poderia sair coisa boa dessa mistura.
Ikki o olhou por cima da caneca enquanto continuava tomando o café. Quando terminou, se ergueu sem tocar no bacon e nos ovos. Okay, se Shaka o queria fora de sua casa, ele estava saindo!
— Vem, Jack! — chamou o filhote que logo o seguiu balançando o rabo. Virou-se para o loiro o encarando. — Quando quiser falar comigo sabe onde estou.
Saiu batendo a porta e acabou esquecendo o celular sobre a mesa.
Shaka deixou os ombros caírem. Por que eles não podiam passar mais que cinco minutos juntos sem discutir? Seria sempre daquele jeito? E se ele não conseguisse transar com o namorado? Aquelas meretrizes com certeza se aproveitariam disso e o namoro acabaria.
Estava remoendo a vontade de ir atrás do namorado e pedir desculpas pelo comportamento infantil, mas o celular começou a tocar outra vez e qualquer pensamento racional do loiro foi para o espaço. Enquanto ele se preparava para sair, o celular continuou tocando de forma insistente. Ele sentiu uma vontade enorme de pegar o aparelho e verificar quantas ligações e mensagens havia ali, mas seria masoquismo demais. Ora, ele e Ikki estavam juntos há apenas 48 horas! Tinha que dar um tempo para o moreno se livrar das abutres-femeas. Com esse pensamento, pegou o celular e bateu levemente na porta do vizinho.
— Você esqueceu lá em casa — disse mantendo o seu tom firme quando Ikki abriu a porta. — Pelo menos mude o chip, isso resolveria por enquanto. Ah, e não dê o número novo para as mere... Digo, para as garotas — destilou um pouco de ciúme. — Vou indo, tenha um bom dia! — e começou a se afastar.
Ikki pegou o celular, mas quando o loiro tencionou se afastar, segurou seu pulso e o puxou para dentro do apartamento fechando a porta. Jogou o celular no sofá e prensou o indiano contra a porta fechada, olhando dentro dos seus olhos.
— Será que não percebe que se eu quisesse elas, estaria com elas? — disse sério. — Shaka, eu não posso simplesmente mudar o chip do celular, meus contatos são feitos através dele, contatos de trabalho, loiro, e mesmo se mudasse a maioria delas sabem meu endereço, não me pergunte como! Será que poderia confiar em mim? Não é nenhuma delas quem eu quero...
Shaka suspirou e tentou se afastar, mas o moreno o segurava de uma forma que era impossível fazê-lo. Ikki não entendia qual era o seu medo. E ele não queria se expor ainda mais ao confessar que seu grande temor era que alguma delas conseguisse roubá-lo dele. Não! Preferia manter aquela pose blasé que sempre ostentou e que o moreno acreditava ser traço indistinto da sua personalidade.
— Eu preciso ir — disse desviando o rosto. — Já estou atrasado.
Ikki bufou irritado. — Merda, Shaka, você não vai sair daqui antes de falar direito comigo! Qual o problema? Você mais que ninguém sabia do meu passado com essas moças! E sabe que elas não têm nenhuma importância pra mim! Droga, o que quer que eu faça? — Exasperou-se, não entendia as atitudes do namorado. Eles mal haviam começado e já estavam em crise! Aquilo era demais e, antes de tudo, ficar sempre insistindo e dando satisfações o tempo inteiro mexia com uma parte do seu orgulho que não estava acostumado. Afinal, sempre se orgulhou profundamente da sua solidão e independência, de poder sair, ficar ou o que quer que fosse, sem dar satisfações a ninguém. Por que isso estava mudando de forma tão visceral?
— Pense no que não aconteceu ontem à noite e tire suas próprias conclusões, Ikki, eu preciso mesmo ir — o loiro puxou o braço com força conseguindo se libertar e deixou o apartamento antes que Ikki tentasse detê-lo mais uma vez.
O moreno deixou que ele saísse, mas não conseguia pensar com clareza no que o namorado queria dizer com aquilo. Sentou-se no sofá e apoiou a cabeça entre as mãos. Sua vida estava perfeita! Estava apaixonado por outro homem e como se isso não fosse confuso o suficiente, ainda escolheu a pessoa mais problemática que poderia existir!
Merda, loiro, o que há com você?
Murmurou cansado e resolveu não pensar mais naquilo, ao menos momentaneamente. Foi para o quarto e pegou seu laptop, tinha algumas transações bancárias a fazer e isso com certeza ajudaria a passar o tempo e não pensar na confusão que estava sua vida.
Shaka caminhou até a agência em passos mais lentos que o normal. A cada segundo ficava mais convencido de que aquilo não daria certo, mas não queria desistir. Nunca imaginou que algum dia pudesse se apaixonar por alguém e queria lutar, mas, ao mesmo tempo, tinha medo da grandiosidade daquele sentimento. Seria tão mais fácil se apenas terminasse...
"Não, eu não vou fazer isso. Tenho que lutar e vencer esse meu medo de me entregar. Ikki é a pessoa certa, tenho certeza disso".
A agência estava tranqüila, mas Shaka não escapou de uma bronca por causa de sua falta no sábado. Alegou que estava adoentado e o chefe acabou esquecendo quando um grupo grande de turistas chegou querendo um guia para conhecer os principais pontos de Atenas.
Depois de terminar alguns relatórios, ele conectou-se ao MSN e sorriu ao ver que Fênix estava on-line.
Virgo diz: Bom dia! Ainda é cedo para alguém que trabalha a noite toda estar de pé. Caiu da cama?
Ikki viu a janela do MSN piscando e suspirou. Estava mal humorado e mesmo que não gostasse de falar dos seus sentimentos, sentia uma necessidade tremenda de desabafar com alguém e aquilo não era um problema, pois esse alguém que aparecia era Virgo.
Fênix diz: Não dormi muito bem, estão acontecendo muitas coisas em minha vida e minha manhã também não está sendo das melhores... Mas e você? Como andam as coisas?
Virgo diz: Eu vou indo. Mas o que aconteceu? Não conseguiu se acertar com a garota? Eu estou no trabalho agora, mas as coisas por aqui estão calmas então se você precisar conversar...
Ikki passou as mãos nos cabelos alternando as janelas entre o site do banco onde fazia pagamentos e transferências e o MSN.
Fênix diz: Eu estou me relacionando com uma pessoa um pouco complicada, é isso...
Resolveu não dizer mais nada. Dizer aquilo já era muito e estava confuso pra conseguir assimilar detalhes sem que se expusesse demais, mas... com Virgo, tudo que sempre fez foi se expor, nunca teve receio de falar as coisas mais absurdas. Era incrível como alguém pode ser duas pessoas ao mesmo tempo, uma na virtualidade e outra no mundo real? O Ikki virtual, ou melhor, Fênix, era aberto, muitas vezes até extrovertido, completamente diferente do Ikki real que se protegia numa couraça árida em que poucos conseguiam entrar.
Virgo diz: Hum... As pessoas são sempre complicadas, Fênix. Você nunca vai conseguir encontrar alguém que seja totalmente do jeitinho que você sonhou.
Fênix diz: Eu não quero alguém do jeitinho que eu sonhei, mesmo porque não sou homem de criar ilusões, eu quero alguém que não fique pirando por causa do meu passado, alguém que eu possa tocar pelo menos!
Digitou rápido e enviou antes que se desse conta do que estava fazendo, sim, existia impulsos também na internet. Aparentemente os dedos se faziam mais velozes que o cérebro! Mordeu o lábios e continuou:
Fênix diz: Eu não fui totalmente sincero com você, me desculpe, mas é que esse assunto é um pouco difícil pra mim. A pessoa por quem estou apaixonado é... é ele e não ela. Tá, eu sei que é idiota, mas eu senti vergonha de dizer isso não sei por quê.
Shaka franziu a testa e leu a frase três vezes. Ela não era ela? Alguém que ele pudesse tocar? Aquilo era tão familiar que chegou a lhe causar calafrios.
Virgo diz: Wow! Por essa eu não esperava!
Fênix diz: Nem eu (Risos).
Virgo diz: Eu te entendo em parte. Não é fácil admitir que está apaixonado por alguém do mesmo sexo, imagino que você esteja confuso e com medo, mas, tenha paciência. Tenho certeza de que vocês vão conseguir encontrar o ponto certo.
“Ponto certo! Hahahahha... Nem certo, nem G, nem merda nenhuma pelo que estou vendo!” Resmungou o moreno mentalmente e depois de respirar fundo voltou a digitar.
Fênix diz: Não sei. A questão não é aceitar estar apaixonado por alguém do mesmo sexo, creia, eu aceitei isso mais rápido do que imaginei. O problema é que... Certo, eu admito que andei sendo um pouco mulherengo e... O problema é que as mulheres vêm bater em minha porta, eu não sei como, não estou mentido. Elas simplesmente conseguem meu endereço! E a merda é que ele mora no apartamento da frente!
Shaka gelou e aproximou o rosto da tela. Aquilo estava realmente ficando assustador. Fênix estava namorando outro homem e era vizinho dele... O tal rapaz parecia ser um pouco problemático e Fênix não conseguia nem tocá-lo direito.
Ow, ow, ow! Coincidência demais! E Shaka realmente não acreditava em tanta coincidências assim. Seria possível que Fênix e Ikki fossem à mesma pessoa? Não, isso não acontece na vida real! Não podia ser verdade.
— Shaka? — Sorento, um colega de trabalho, o chamou em tom preocupado. —Você está pálido! Aconteceu alguma coisa?
— Não. Eu estou bem... — Shaka disse em um murmúrio e voltou a prestar atenção ao MSN. Precisava saber se aquela loucura era real, teria que perguntar algo que somente Ikki poderia lhe responder, mas o que?
Virgo diz: Vocês estão namorando há quanto tempo? Talvez ele também precise se acostumar com a situação.
Ikki leu o que o amigo escreveu e riu incrédulo, balançando a cabeça. Estava irritado com a situação e realmente não sabia o que fazer, por isso resolveu desabafar.
Fênix diz: 48 HORAS! Sério, eu entendo que ele se sinta inseguro, mas descontar isso em mim é um pouco demais, não acha? Eu não me reconheço! Pareço um retardado louco para agradar e não adianta!
"Por todos os deuses! É o Ikki!", Shaka pensou enquanto encarava a tela do computador e seu sangue gelava nas veias.
Continua...
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