Essa Estranha Atração
10 Esse estranho transtorno
Notas iniciais
Mais um capítulo de Essa estranha atração. Acho que dessa vez nem demorou tanto e está enorme! Gostaria de agradecer a todos vocês pelo carinho deixado nos comentários. Para mim é muito gratificante saber estão gostando assim da história, beijo a todos vocês e muito boa leitura.
Obs. NÃO BETADO.
Esse estranho transtorno
Capítulo 9
"Por todos os deuses! É o Ikki!", Shaka gritou chamando a atenção da repartição, enquanto encarava a tela do computador, branco como papel e sem conseguir acreditar ainda que realmente houvesse conversado com o namorado durante todo aquele tempo sem saber. Não! Não era possível, aquilo só podia ser uma brincadeira de muito mau gosto!
Ikki e Fênix eram tão diferentes! Como aquilo seria possível? Mas ainda precisava de uma prova definitiva e poderia consegui-la ao comparar o e-mail do namorado com o do amigo; entretanto, relembrando as conversas, Shaka ficava cada vez mais convencido de que eles fossem à mesma pessoa. Como não pensou nisso antes? Como não percebeu as coincidências? Devia ser muito burro!
O loiro não sabia o que dizer. Era difícil responder sem entregar a sua identidade, e, ao mesmo tempo, ele queria continuar conversando e tentar arrancar alguma coisa do sempre tão reservado namorado. Ikki não era uma pessoa fácil e nem aberta, ele possuía uma dificuldade terrível de saber o que o moreno pensava, então... Que mal havia em prolongar apenas por mais um tempo seu anonimato?
Virgo diz: Sim, mas tente se colocar na situação dele. O que você sentiria se as ex-namoradas dele não parassem de importuná-lo?
Ikki que, devido à demora de Virgo em responder, havia se concentrado totalmente no trabalho, voltou a digitar quando viu a janelinha do MSN piscando.
Fênix diz: Ele não tem ex-namoradas ou namorados. Ele não deixa que ninguém o toque, na verdade, somente eu ainda consigo tocá-lo, dos demais, ele tem verdadeira ojeriza. Pensei em sugerir uma terapia, mas tenho medo de magoá-lo. Eu já disse muitas coisas para magoá-lo quando éramos inimigos, mas você não sabe dessa história, o fato é que agora fico com receio de falar algo que o magoe. Já disse, não sou o cara legal que você acha, meu namorado me chamava pelo singelo apelido de Ogro.
Céus! Não precisava de mais prova, estava realmente conversando com Ikki! Conversaram por meses sem que ele jamais desconfiasse que o seu amigo tão divertido e inteligente fosse o vizinho (e agora namorado)... Ogro. Por um segundo, Shaka pensou em dizer quem era, mas novamente pensou em como Ikki era fechado. E lá estava ele, falando coisas que jamais diria "ao vivo". Não, não poderia contar ainda quem era. Entretanto, era horrível ter que se fingir de ignorante na história toda e falar como se fosse uma terceira pessoa.
Virgo diz: E você tentou descobrir por que ele não permite que outras pessoas o toquem?
Shaka sabia a resposta, é óbvio. Ikki pensava que ele era fresco. Embora já houvessem conversado sobre seu trauma de infância, mas o moreno nem deveria se lembrar daquela conversa estúpida.
Fênix diz: Eu não sei. Acho que ele é louco (risos), certo, pode até não ser completamente louco, mas sei que ele precisa de tratamento psicológico, o problema é convencê-lo disso.
Shaka mordeu o lábio inferior com força. Ótimo! Seu namorado pensava que ele era louco! Começou a digitar de um modo irritado, pois, embora já desconfiasse que Ikki o visse dessa forma, “ouvir” aquilo dele o magoava.
Virgo diz: Se você acha isso por que está com ele? Ele parece só te trazer problemas!
Ikki franziu o cenho ao ler o que o amigo escreveu. Achou aquela pergunta dura demais. Virgo geralmente era doce e compreensivo e aquela frase tão agressiva fez com que Fênix se fechasse; talvez estivesse se expondo demais, mesmo que fosse virtualmente. Talvez o amigo começasse a julgá-lo de alguma forma por estar com Shaka e aquilo o inquietava, porque não sabia como começou, mas não se imaginava longe do vizinho. Era tão difícil admitir certas coisas e aquela reação de Virgo lhe causou um constrangimento sem medidas.
Fênix diz: Não é tão fácil...
Digitou somente, querendo se resguardar de mais julgamentos a si e ao seu relacionamento com Shaka. Por mais que uma pessoa tenha problemas, quando se ama não é fácil ficar ouvindo que essa pessoa só lhe faz mal, porque o amor não é como um botão que possamos desligar quando queremos. Sentiu-se magoado pela insensibilidade do amigo, insensibilidade que nunca achou que ele tivesse.
O indiano suspirou. Claro que não era fácil. Relacionamentos nunca são fáceis e em sua raiva pelo que Fênix havia dito acabou sendo frio demais. Mas estava magoado por Ikki pensar que era louco, embora não lhe tirasse a razão.
"Talvez ele esteja certo sobre não falar com medo de me magoar. Eu acabo me magoando fácil demais e brigo com ele na tentativa de esconder o que estou realmente sentindo".
Recriminou-se mentalmente e voltou a digitar tentando manter a calma.
Virgo diz: É uma situação difícil, mas tenho certeza de que vocês conseguirão encontrar uma saída. Ele deve estar se sentindo tão perdido quanto você.
Fênix diz: Eu sei que está. Eu só gostaria de saber como ajudá-lo... Bem, mais isso não é um problema seu. Melhor falarmos de coisas mais agradáveis. Como vai aquela questão com o rapaz homofóbico?
Shaka apaixonou-se um pouco mais ao ler aquilo. A preocupação de Ikki o tocava, mas a segunda parte da frase o preocupou. Ele não poderia dizer como estava a sua relação com o "rapaz homofóbico", senão Ikki descobriria a sua identidade. A única solução era contar uma meia verdade.
Virgo diz: Ah, estamos nos entendendo um pouco melhor. Ele fica no canto dele, eu no meu e assim evitamos brigas.
Ikki percebeu de forma estranha que o amigo não quis entrar muito no assunto. Eles já conversaram sobre aquilo outras vezes e Virgo parecia bem à vontade, mas agora o sentia reticente.
Fênix diz: Mas antes, você parecia que gostava dele, estava confuso, mas parecia gostar dele. Será que não estará sofrendo mais se mantendo distante por medo de sofrer?
"Maravilha", Shaka pensou aborrecido. "É por isso que eu odeio mentiras... ou meias verdades". Era melhor encerrar aquela conversa de uma vez. Já havia tido emoções e informações demais. Precisava refletir sobre tudo aquilo.
Virgo diz: Ele está namorando. Foi melhor assim. Nós discutíamos demais. Mesmo que ele me correspondesse, não daria certo. Olha, chegou um cliente e vou precisar desligar. Conversamos depois, está bem?
Ikki digitou um “está bem” e saiu do MSN. Ficou ainda mais irritado depois daquela conversa e sua cabeça parecia que iria estourar, mas precisava permanecer firme. Tinha coisas a fazer. Era segunda-feira e a boate não funcionava, aquele era o dia de verificar as instalações e o faturamento.
Trocou de roupa, vestindo-se num jeans e camiseta, bem casual, e partiu. Quando chegou ao estabelecimento encontrou Seiya e Shiryu conversando animadamente sobre o movimento do sábado e fazendo piadas.
— Olá chefe! — disse o barman — estávamos falando exatamente de você.
— Com certeza você estava fofocando sobre minha vida — resmungou irritado, puxando uma cadeira e se sentando. — Ao invés disso deveriam estar trabalhando.
— Relaxa, chefe, eu já fiz todos os pedidos e o Shi já fechou o faturamento, só falta você conferir.
— Que eficiência.
— É que sabemos que as segundas não são exatamente o seu dia preferido, Ikki — falou Shiryu sorrindo de leve.
Ikki entendeu o que ele quis dizer, geralmente seu humor era péssimo nas segundas-feiras e naquele dia estava ainda pior.
— Vamos conferir o faturamento, Shiryu — falou sem dar mais atenção aos comentários e se dirigindo à sua sala. Shiryu piscou para Seiya e surrou: “como falávamos”, antes de seguir o chefe.
Ikki deu uma pausa após duas horas ininterruptas de trabalho. Estava pensando em tudo que lhe acontecia nos últimos tempos, ou seja, pensando em Shaka e seu estranho comportamento. Resolveu fazer uma pesquisa a respeito na internet, digitou: “Mania exagerada de limpeza, medo de contato...”
Mais de 245.000 páginas encontradas. Vagou por elas até chegou a uma que lhe pareceu interessante; essa falava sobre um transtorno psicológico: TOC – Transtorno-obsessivo-compulsivo.
O resto do dia passou como um borrão para Shaka. Pouco depois de ele ter fechado o MSN, um grupo de jovens chegou querendo organizar uma excursão para o Japão e ele se viu ocupado pelo resto da manhã, não tendo tempo para pensar na conversa com Fênix e a revelação de que seu amigo virtual e seu namorado eram a mesma pessoa.
No meio da tarde, ele pediu para sair, já que tinha que passar na editora e conversar com Shion. Por sorte, não trombou com Aiolia, mas a conversa com o chefe foi a pior possível.
— Aiolia realmente devolveu seus manuscritos e se recusa a voltar a trabalhar com você. Eu o questionei sobre o motivo e ele disse ser de cunho pessoal. Não vou lhe perguntar, pois sei que terei a mesma resposta. Mas você está em uma situação delicada, Shaka, porque não temos nenhum editor disponível e o prazo para entrega a gráfica já está se esgotando. Se não encontrarmos ninguém, o lançamento do livro poderá ser adiado em pelo menos seis meses.
Esse foi o resumo da conversa. O loiro deixou à editora cabisbaixo. Não havia nada que pudesse fazer para reverter à situação com Aiolia. Conhecia aquele leão teimoso e ele não voltaria em sua decisão. A única solução seria encontrar um novo editor.
Quando chegou ao prédio, Shaka pensou em ir direto para o próprio apartamento, mas se lembrou de como Ikki estava magoado e irritado com ele, e pensou que não poderia deixar as coisas daquele jeito.Tocou a campainha do apartamento do namorado e torceu para que ele estivesse em casa.
Ikki havia acabado de entrar em casa e bebia um copo d’água quando ouviu a campainha. Suspirou pensando que poderia ser mais uma das mocinhas assanhadas e estava completamente sem paciência. Dado a forma que Shaka saiu do seu apartamento naquela manhã não esperava que fosse ele. Bufou irritado, já havia se livrado da camiseta, meias e sapatos e queria apenas um banho e cama, sua cabeça ainda doía, embora tivesse se entupido de analgésicos que o deixaram sonolento.
Caminhou até a porta e abriu rápido, já exibindo um olhar irritado que mudou completamente para um atônito quando viu o loiro.
— Oi... — murmurou somente, apertando os olhos para mirá-lo melhor porque sua cabeça latejava. Não sabia muito bem o que falar depois de tudo.
Shaka estancou por um segundo ao ver que o namorado estava apenas de calça. Jamais se cansaria de admirar o belo corpo do moreno e se enchia de orgulho e satisfação ao olhar para tudo aquilo e pensar: é meu.
Depois de alguns segundos de hesitação, ele se aproximou e passou os braços em torno da cintura do mais novo, apoiando a testa no ombro dele.
— Desculpe — murmurou sem desejar dar maiores explicações dos motivos que o levaram a uma mudança tão radical. Obviamente, a conversa com Fênix era o fator determinante de suas ações naquele momento.
Ikki o abraçou com força, cerrando os olhos por alguns instantes e o puxando para dentro do apartamento onde Jack dormia tranqüilo. Afagou os cabelos de Shaka e caiu sentado no sofá, levando-o consigo.
—Tudo bem... — murmurou beijando o rosto do loiro e suspirando — vamos começar novamente, okay? — O beijou de leve nos lábios.
— Você me acharia um bobo idiota apaixonado se eu disser que senti sua falta? — o loiro perguntou enquanto se aconchegava nos fortes braços do namorado, e era incrível como sua fobia a toques desaparecia completamente quando estava com o moreno.
Ikki sorriu e o beijou novamente, agora na testa, olhando em seus olhos. — Senti sua falta também, em todos os momentos do dia, loiro... — afagou-lhe o rosto — O que você me deu enquanto estive doente hein? Uma porção do amor? — gracejou agora beijando o nariz arrebitado do escritor.
— Eu não revelo os meus segredos, Ikki — Shaka disse em um tom de brincadeira. — Nossa, estou cansado! — fechou os olhos. — Ah! Eu li uma matéria tão interessante sobre jovens empresários. Me diz o seu e-mail para que eu possa enviar. Acho que você vai gostar bastante — disse em um tom inocente enquanto erguia a cabeça para fitá-lo.
Era idiota. Tudo que sabia não deixava dúvidas de que Ikki e Fênix fossem as mesmas pessoas, mas ele ainda tinha uma pontinha de esperança de que poderia estar enganado e tudo aquilo fosse uma grande, muito grande, big, imensa coincidência!
Ikki suspirou e relaxou no sofá com o loiro apoiado em seu peito, enquanto afagava de leve seus cabelos, sem dar muita atenção à pergunta do namorado.
— Manda para E. fênix@hotmail.com. Esse é o que uso com mais freqüência... — falou completamente inocente das intenções do namorado.
— A matéria falava exatamente sobre o quê? — tentava conversar, mas os remédios o deixavam sonolento.
Ali estava. Sua prova definitiva. Os lábios de Shaka se entreabriram e ele sentiu o corpo tremer. Lá no fundo, ainda esperava que aquilo não fosse verdade, mas era. Ikki e Fênix, de fato, eram a mesma pessoa.
— É... Sobre... Vários jovens que conseguiram construir verdadeiros impérios sozinhos — forçou-se a responder. — Pode te inspirar para que você expanda o seu negócio.
Ikki sentiu Shaka estremecer e o apertou com mais força, mas não falou nada.
— Hum... legal. — disse sem parar de afagar os cabelos dele. — Hoje também vi algumas matérias... — tentou manter o mesmo tom casual que estavam falando até ali —, matéria comportamental, sobre... pessoas que têm TOC, já ouviu falar nisso? É um transtorno de ansiedade, é bem interessante...
Na verdade, Ikki gastou horas pesquisando sobre o assunto e quanto mais pesquisava, mais se convencia que Shaka sofria daquele problema. Colocando a palavra: “mania de higiene” chegou a vários sintomas do TOC e descobriu, que essa mania de higiene era uma das características mais comuns de quem sofria do transtorno. Entretanto, precisava ir muito devagar ao levar aquele assunto até Shaka, sabia que ele achava que tinha apenas uma mania e não uma doença psicológica.
O loiro sentiu seus músculos tensos e pensou em escapar do abraço do namorado, mas Ikki o prendeu mais forte e ele, sabendo que o moreno estava se esforçando para entender sua mania, decidiu ficar onde estava, mesmo que a palavra transtorno de ansiedade o deixasse deveras... Ansioso!
— É apenas uma mania, Ikki — disse fingindo descaso. — Olha, eu não quero falar sobre isso agora. Estou faminto, depois a gente conversa! Você tem alguma coisa comestível na geladeira? — desconversou visivelmente incomodado.
Ikki mordeu o lábio inferior, mas suspirou e resolveu deixar o assunto por ali naquele momento.
— Acho que deve ter algo, comida congelada, só... — sorriu e retirou Shaka de cima de si, para ir até a cozinha checar a geladeira — Não tem salada, mas se quer vegetal, tenho sacos e mais sacos de batata frita — provocou, descontraído, porque sentia que o loiro estava tenso, embora quisesse negar.
— Argh! — Shaka torceu o nariz. — Vou jantar na minha casa.
Era melhor mesmo ir para o seu apartamento. Não estava se sentindo bem. Precisava ficar um pouco sozinho e pensar. Devia ou não contar a Ikki que era Virgo? Se Ikki descobrisse que ele estava omitindo aquilo... O loiro nem queria pensar no que aconteceria e ainda tinha aquela conversa sobre transtorno... Ele não tinha transtorno algum, não podia ter... Aquilo era só... Higiene...
— Jack! — chamou o cachorrinho que ainda cochilava perto da porta da varanda.
— Vamos logo senão eu te deixo aqui para se entupir de batata frita com o seu pai.
Ikki riu e olhou o cachorrinho acordar e ir até o loiro balançando o rabo. Cruzou os braços e balançou a cabeça — Temos que chegar a um consenso em relação à comida — falou fingindo-se de sério. — Mas, tudo bem, por hoje passa, vai jantar, eu vou tomar um banho, certo? Você volta? Eu ainda estou doente, sério, tossi o dia inteiro e estou estourando de dor de cabeça, preciso de cuidados... — fez charme.
— Não sabia que você era tão manhoso — Shaka sorriu e encostou seu corpo ao dele. — Tomar banho... Hum, que pena que você não me convidou para tomar banho com você — sussurrou em um tom ousado e sentiu o rosto arder pelo que fazia, mas não voltou atrás. Mordiscou levemente a orelha do moreno e sorriu ao senti-lo estremecer. Afastou-se ainda sorrindo, e com as faces rubras — Eu volto sim. Vê se tem algum filme legal para assistirmos mais tarde — disse em seu tom usual.
Ikki estremeceu e sentiu imediatamente uma fisgada em certo lugar quando Shaka mordeu sua orelha. Ele ali se controlando ao máximo para não agarrar o loiro e receber novamente um senhor fora e ele provocando. Sentia tanto tesão por ele, como nunca imaginou em seu mais infernal e terrível pesadelo-macho alfa-ogro-homofóbico da adolescência. Pensar na adolescência o fez se lembrar de Shun e imediatamente pensar que o irmão agora era estudante de psicologia ou psiquiatra? Ah, não importava! O importante era que ele poderia ajudá-lo, mas com que cara de pau iria procurá-lo depois de 2 anos sem dar as caras? Não, nunca teria coragem de procurá-lo, afinal, embora arrependido das coisas duras que dissera no passado, seu orgulho nunca permitiu que voltasse atrás.
Em meio a todos esses pensamentos, seu corpo praticamente agia sozinho enquanto puxava Shaka novamente para seus braços e roçava os lábios no pescoço dele.
— Eu convido agora... me redimo do meu erro... toma banho comigo, loiro... dorme aqui... mas deixa o Jack em casa... — riu de leve enchendo o pescoço claro do escritor de beijos.
Shaka riu sentindo cócegas e... desejo.
— Então peça alguma coisa porque eu me recuso a me encher de batata frita — brincou enquanto segurava os cabelos do namorado e os puxou para afastá-lo do seu pescoço que era o seu ponto fraco e sabia que se Ikki continuasse o beijando ali conseguiria convencê-lo a ficar. — Não, eu preciso ficar um pouco sozinho, amor — disse tentando não ser rude ou mal agradecido. — Estou com alguns problemas na editora — mais uma meia verdade. — Preciso pensar no que vou fazer, mais tarde eu volto. Prometo.
— Tudo bem, não vou bancar o namorado grudento — beijou os lábios do escritor de leve. — Mas vou pedir comida chinesa mesmo assim, certo? Se depois do seu retiro espiritual, você sentir fome, é só vir. Seja qual fome for... — piscou sacana para ele.
— Que golpe baixo, Ikki Amamiya — Shaka disse enquanto abria a porta. — Só porque eu adoro comida chinesa... — acrescentou em um tom de brincadeira. Jack passou por ele e ficou esperando obedientemente na porta do apartamento da frente.
Ikki apenas sorriu e disse: Vou ficar esperando. Viu o loiro abrir a porta e entrar. Ele então, pegou o telefone e fez o pedido da comida, indo em seguida tomar um gostoso banho. Vestiu o corpo ainda meio úmido em uma boxer preta e uma calça branca de tecido fino. Usou também uma regata preta que deixava exposto os músculos bem trabalhados dos braços. A comida chegou e, em segundos ele arrumou-a (do seu jeito) na mesinha de vidro, dispondo as almofadas em estilo oriental. Achou que estava bom e que Shaka não teria motivos para reclamar. Depois ligou a TV para escolher um filme no paperview.
Assistiria alguma coisa para se distrair até Shaka resolver aparecer. Para ele, momentos sozinhos eram muito importantes; gostava do seu espaço e por isso respeitava os momentos de solidão e privacidade do namorado, mesmo porque, sempre foi um solitário e, até Shaka, cultuava sua solidão como a uma divindade. Apenas o loiro lhe causava aquela necessidade de estar com alguém, de dormir junto, dividir algo.
Suspirou. Como a vida dava voltas!
— Ikki te levou pra passear? — Shaka perguntou a Jack já dentro do apartamento. O cachorrinho, todo feliz, foi correndo direto para a tigela de ração que estava vazia. O indiano sorriu e despejou uma generosa quantidade para o filhote que começou a comer parecendo bastante satisfeito.
Antes de ir tomar banho, o loiro ficou alguns minutos deitado na cama, repassando os acontecimentos do dia. Ainda estava confuso e indeciso sobre o que fazer. Ainda achava incrível que Fênix e Ikki fossem à mesma pessoa. Não imaginou que o mundo virtual fosse tão pequeno! Nem que os deuses pregariam uma peça daquelas nos dois. Não achava justo esconder a verdade do namorado, mas ao mesmo tempo, queria conhecê-lo melhor e havia coisas que Ikki só dizia a Virgo. Talvez pudesse manter aquilo em segredo por uma semana ou duas.
Depois de muito pensar e não conseguir chegar à conclusão alguma, o indiano se levantou e foi tomar banho, como sempre demorado. Secou-se ao final e vestiu uma bata em estilo indiano azul claro, e só então voltou ao apartamento do namorado. Franziu ligeiramente a testa ao ver que teria que sentar no chão, e geralmente faria um escândalo por isso, mas não quis provocar mais atritos, nem dar motivos para que ele continuasse achando que ele era louco.
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— Vou te usar como almofada quando formos assistir ao filme — brincou enquanto começava a se servir.
Ikki sorriu enquanto se sentava à frente do loiro e começava a se servir também.
— Eu pensei que na Índia as pessoas comessem assim, sentados sobre almofadas, mas pode me usar, eu não me importo nem um pouco, na verdade, acho que vou gostar muito, por que não faz isso agora? — piscou para o namorado o olhando de maneira sedutora.
— Está enganado, está confundido a cultura indiana com suas raízes japonesas, lá no monastério, comíamos em grandes mesas, compartilhada por todos e não em almofadas.
— Nossa, que fora! — riu Ikki gostosamente.
— Mas... quanto ao resto da conversa... — Shaka balançou levemente os ombros, e fitou o rosto do namorado. Sem pensar duas vezes, levantou-se e se sentou em seu colo, tentando ignorar a vergonha que sentia por fazer algo tão íntimo, pois queria demonstrar a Ikki que não temia certa... intimidade com ele. — Bem mais confortável! — brincou enquanto se movimentava sobre o corpo do moreno na tentativa de encontrar o melhor encaixe.
Ikki primeiro ficou surpreso, mas depois relaxou e passou as mãos pela cintura do loiro, afastando seus cabelos para cheirar e beijar seu pescoço. Quase gemeu quando ele se remexeu inocentemente sobre si, mordeu o lábio inferior para não o fazer. Será que Shaka tinha noção do que estava fazendo? Provavelmente não e... Caso tentasse algo, com certeza ele sairia correndo, mas não poderia viver daquele jeito para sempre. Pegou os hashis com dificuldade, já que a posição, com Shaka em seu colo, dificultava um pouco o movimento do seu braço, e levou uma porção do frango xadrez a boca, sentindo-se um tanto trêmulo pela excitação que tentava conter. Diabos! Desde quando não conseguia se controlar?
— Estou te atrapalhando? — o escritor perguntou ao perceber que estava limitando os movimentos do namorado. Além disso, seu corpo parecia entrar em ebulição quando Ikki o tocava e o beijava como fez assim que ele se sentou em suas pernas. Era melhor manter uma distância segura, pelo menos enquanto estivessem jantando, depois... Bom, depois eles iriam assistir ao filme e Shaka imaginava que estariam cansados demais para que Ikki tentasse alguma coisa, afinal, ele reclamara de dor de cabeça.
"Se bem que ele não tentou nada... Eu que estou começando a entrar em pânico à toa", pensou.
— Você nunca me atrapalha, loiro... — o moreno se lembrou das palavras de Virgo “Ele só parece te trazer problemas!” Não, ele não era um problema, era a primeira pessoa com quem mantinha um contato emocional... Era a única pessoa com quem mantinha um contato emocional! Por que Virgo não era uma pessoa, era uma entidade virtual, nem sabia se ele era mesmo quem falava. Bufou sem perceber, talvez estivesse chateado com as palavras do amigo e por isso tentasse denegrir algo que sempre lhe foi tão caro, sua amizade. Prendeu Shaka em seus braços quando ele tencionou se afastar – Fica aqui mesmo... – sussurrou beijando suas costas — Eu quero você exatamente onde está.
Shaka estremeceu, mas não se afastou. — Tudo bem — sorriu. — Estou cansado e aqui é um bom lugar.
Ikki pegou um pedaço de frango e levou aos lábios do loiro. — Imagino que esteja cansado sim. Em falar nisso, o que você faz hein? Pensei que escritores trabalhavam em casa, mas você sai todos os dias e cumpre horários rígidos...
Shaka gelou. Não podia dizer a Ikki que trabalhava em uma agência de turismo, pois Virgo havia dito o mesmo e aquilo seria o estopim para que o moreno descobrisse a verdade.
— Ah... É que sou um escritor... contratado, assim... eu preciso cumprir horários, dar resultados... eu... eu também tenho outros afazeres na editora que não apenas escrever! — respondeu nervoso e tratou de pegar com os hashis um generoso pedaço de legume e enfiar na boca do namorado, para que ele não fizesse mais perguntas.
Ikki mesmo achando estranho o nervosismo do namorado, deixou que a conversa morresse, mesmo porque, sua mente ainda procurava uma forma de tratar do assunto do TOC.
Quando terminaram o jantar, Shaka ajudou-o com a louça e ao terminarem,
Ikki fez um balde gigantesco de pipoca no microondas, sob o olhar estupefato do indiano. Voltaram para sala e se sentaram no sofá para assistir ao filme de ação. — Não tinha nada mais romântico? — Shaka provocou rindo. — Quer algo mais romântico que isso? Olha quanto sangue? Sangue lembra coração, que lembra amor... — o moreno completou divertido e eles caíram numa gostosa gargalhada.
O loiro apoiava a cabeça no peito do moreno que olhava para a TV enquanto afagava levemente suas costas, distraído. O calor do corpo de Shaka era tão bom e o relaxava, mesmo que seus pensamentos, vez por outra, deixassem seus músculos tensos.
— Não sei como você consegue manter esse corpo, se enchendo de porcaria desse jeito... — Shaka murmurou se referindo à pipoca, enquanto deslizava os dedos pelo peito do namorado, ainda por cima da camisa. Distraído entre o filme e em seus pensamentos sobre Fênix. Deslizou uma das mãos para baixo da camisa do moreno e passou a brincar com o peito do namorado, deslizando os dedos de forma delicada pelos gominhos do abdômen até chegar a um dos mamilos, enquanto continuava com os olhos na tela.
Ikki sentiu o corpo tremer como se recebesse um choque e seu membro responder imediatamente pulsando dentro da calça. Ai, merda! Resmungou mentalmente, mordendo os lábios e cerrando os olhos levemente, suspirando, relaxando os ombros no encosto do sofá, indeciso entre afastá-lo ou gozar do prazer que o contato da mão macia do namorado lhe causava. — Shaka... — murmurou, deslizando os dedos para invadir a bata que ele usava e acariciar-lhe as costas — Não provoca, loiro... — pediu com um meio sorriso sacana.
— Hã...? — Shaka ajeitou-se melhor no sofá e só então percebeu o que estava fazendo. — Desculpa! — fez o movimento de que iria puxar a mão, mas estava tão bom... Ele não queria parar. Como que atraído por um imã, colou os seus lábios nos do namorado, tremendo com o toque dele em sua pele.
Ikki acolheu os lábios macios, sugando-os sensualmente até introduzir a língua por eles, provando o gosto do loiro. Uma das mãos segurou o queixo de Shaka, enquanto a outra continuava fazendo carinhos circulares em suas costas, subindo até alcançar a nuca que foi massageada com carinho, enquanto a língua sugava a dele, fazendo seus corpos pegarem fogo.
O filme e os medos de Shaka foram prontamente esquecidos quando ele sentiu a língua de Ikki tomar sua boca. Ele gemeu baixinho e agarrou-se ainda mais ao moreno, tentando corresponder à altura, o beijo com o qual era presenteado. Voltou a massagear os mamilos do namorado, agora sem qualquer ingenuidade, desejando ouvi-lo gemer e suspirar seu nome. Ikki gemeu no beijo, sentindo-se ainda mais excitado agora, seu pênis pulsava miseravelmente dolorido. Puxou Shaka pra si, de modo que o loiro caiu sobre ele e o pote de pipoca no chão. Invadiu a bata que ele vestia, tocando sua pele macia, a cintura delgada, a barriga lisa. Brincou com os dedos em seu umbigo e subiu-os para tocá-lo exatamente como ele fazia consigo.
Shaka afastou-se um pouco para poder tirar a própria camisa e a do namorado, sem desviar o olhar nem por um segundo das chamas escuras dos olhos de Ikki. Quando se livrou das peças, voltou a abraçar o moreno, deliciando-se ao sentir suas peles unidas e quentes. Não queria pensar no suor nem na pipoca espalhada pelo corpo dos dois; isso o faria surtar e naquele momento precisava senti-lo, precisava mostrar a ele que estava tentando deixar a sua mania de lado. Beijou-lhe o ombro, o pescoço, a bochecha, mas não voltou a beijá-lo na boca; passou a distribuir beijos pelo peito nu do namorado, entrelaçando os seus dedos aos dele e lutando para afastar qualquer pensamento que não fosse Ikki da sua mente.
Ikki se surpreendeu quando o loiro o livrou da camiseta, mas não queria pensar muito, gemeu ao sentir aquela boca quente e gostosa descer por seu corpo, provando sua pele, apertou os dedos que estavam entrelaçados nos seus com força , jogando a cabeça para trás, sentindo a ereção pulsar e se tornar bem evidente dentro da calça folgada. Não importava mais o filme, a pipoca, nada; só pensava que precisava libertar aquela agonizante pressão que se acumulava em seu baixo ventre, precisava ter Shaka. Pensando assim, inverteu a posição, fazendo-o cair deitado no sofá e começou a beijá-lo inteiro também, descendo a língua para dar especial atenção aos mamilos rosados e túrgidos, ouvindo-o gemer de prazer...
— Ah... Ikki! — Shaka se contorceu, cego de tanto desejo e prazer. Ele sentia um formigamento no baixo ventre e o falo pulsar forte, de uma maneira que jamais havia sentido antes. Nem de longe aquela sensação se assemelhava ao que sentiu quando se tocou pensando em Ikki. Sua face estava rubra, e ele mordia o lábio inferior com tanta força que acabaria se ferindo. Sem pensar, deslizou a mão até o cós da calça do namorado, mas não teve coragem para seguir adiante.
Ikki sentiu a hesitação do loiro e parou para encarar seus olhos azuis, as pupilas dilatadas davam mostra de que Shaka estava tão excitado quanto ele, mas hesitante do que fazer. A mão do loiro brincava com o cós de sua calça. Segurou-lhes as mãos, as prendendo acima da cabeça de Shaka, voltando a beijá-lo, deslizando a língua por seus lábios devagar, saboreando, até voltar os lábios novamente para seu corpo, descendo, circundando o umbigo e subindo novamente para beijar-lhe a boca; soltando as mãos de Shaka e escorregando a sua para entre as pernas do loiro, o tocando por cima da calça.
Shaka arqueou o corpo e tentou se libertar, mas Ikki o segurou com força limitando seus movimentos.
— Você... quer me enlouquecer! — Shaka arfou antes de murmurar entre gemidos. Sentia a língua do mais novo percorrendo o seu corpo, e parecia atear fogo por onde passava.Quando Ikki o soltou e começou a estimulá-lo por cima da roupa, Shaka achou que fosse morrer, e tudo aquilo ainda com aquela barreira incomoda entre eles! O loiro gemia, tremia e suplicava por mais.
Estimulado pelos gemidos de Shaka instintivamente Ikki enfiou a mão por dentro de sua calça e começou a masturbá-lo com mais força, enquanto mordia-lhe o ombro para abafar e controlar a própria necessidade. Seu corpo ardia, clamava por ser saciado, mas como Shaka não demonstrava nenhuma reação se contentou apenas com a função de lhe dar prazer, até que o loiro se derramou em suas mãos.
Por um minuto pareceu que tinha sido arrancado de seu corpo e alcançado as estrelas. Shaka jogou a cabeça para trás, cerrando os olhos e deixando um som quase animalesco escapar de seus lábios, um som que jamais imaginou que um dia pudesse emitir. A respiração aos poucos foi se regularizando, e ele sentia um ardor em seu ombro por causa da mordida que Ikki lhe deu; mas em meio a sua satisfação, isso pouco importava.
Olhou para o namorado e percebeu que ele estava muito excitado. Mordeu levemente o lábio inferior fazendo o movimento de que iria retribuir o que Ikki havia feito, mas não conseguiu. Aquilo era demais para alguém com uma mania como a sua...
Ergueu a mão para alcançar o cós da calça do namorado, mas ela tremeu no ar, ao mesmo tempo em que os pensamentos vagaram pelo suor que cobria seu corpo, o sêmen pegajoso que molhava a mão de Ikki e que, se fizesse o mesmo, molharia a sua e não haveria sabão que a limpasse.
A mão tremeu no ar e então se recolheu.
— Eu não consigo — Shaka murmurou angustiado, e aquilo o matava, pois ele sabia que Ikki merecia sentir o que ele próprio sentiu. Sabia do esforço do namorado para se relacionar com outro homem. Talvez, Ikki tivesse razão e ele fosse problemático demais para se relacionar com ele... Louco.
Ikki fechou os olhos por alguns segundos e mordeu o lábio inferior para se controlar ao ouvir a declaração do indiano. Afastou-se de Shaka com cuidado e em silêncio. “Muito bem, Amamiya, um cinco contra um cai bem agora!” Pensou sem humor, realmente, numa situação como aquela, ninguém ficaria de bom humor. Ainda assim por um instinto de preservação natural da sanidade, resolveu se afastar do loiro. Seu sexo latejava dolorosamente dentro da calça, mas não forçaria a barra. — Já volto... — tentou não ser ríspido, mas não teve certeza se sua voz soou assim, foi para o banheiro, tirou a roupas e ajustou a temperatura da água para frio siberiano, caindo embaixo dela, mas não tinha certeza se somente aquilo daria resultado e não deu, então encarou uma masturbação rápida que, a ponto de bala como ele estava, logo deu resultado. Apoiou as costas no azulejo enquanto gozava, mordendo os lábios para não gemer alto. Ainda assim... Aquilo não satisfazia, a frustração era grande e incômoda.
Shaka não era uma pessoa que chorava com facilidade, mas o tom frio utilizado pelo moreno doeu muito mais do que aqueles que ele usava no tempo em que brigavam. Era lógico que ele estava decepcionado, e o loiro não tirava a razão dele. Com os olhos cheios de lágrimas e sem saber o que fazer, abraçou os próprios joelhos, sentindo-se minúsculo, completamente frustrado. Sua mania estava extrapolando os limites? Ele devia ceder e procurar ajuda profissional? Será que era mesmo louco? Queria tomar banho!
Ikki passou mais de meia hora sob o chuveiro gelado, mesmo após se masturbar, seu corpo estava excitado e inquieto. Sentia-se profundamente frustrado, não negaria, mas tentava pensar que a culpa não era de Shaka, ele não tinha culpa por seu distúrbio, embora tivesse que tratá-lo com urgência. Ele, Ikki, não resistiria aquilo por muito tempo. Não podia negar que seu corpo era uma explosão de testosterona e que sexo era fundamental em sua vida.
Voltou à sala depois de enxuto e vestido e encontrou Shaka abraçado aos próprios joelhos e com os olhos úmidos. Mordeu o lábio inferior e se sentou ao lado dele, passando as mãos nos cabelos molhados. Era melhor não comentar nada, fingir que nada aconteceu. – Vamos terminar de ver o filme? – falou em um tom mais grave do que queria. Passou o braço sobre os ombros do namorado o aconchegando e pegou o controle remoto para procurar um filme melhor, ignorando a pipoca espalhada pelo chão e a expressão vazia no olhar do loiro. Na verdade, não sabia o que dizer, de forma que Shaka não se sentisse mal, então preferia se calar.
— Não. Eu vou pra casa. Só não fui antes porque não quis ser indelicado — o loiro murmurou enquanto o afastava. Ele apertou os dedos enquanto pensava no que dizer. Ikki parecia querer ignorar o acontecido, mas ele continuava se sentindo muito mal e não era uma pessoa de virar a página sem resolver os problemas pendentes. — Talvez você tenha razão... — falou lentamente. — Sobre a minha... Mania.
Okay! Ele não queria tocar no assunto, queria que aquele momento passasse e falariam sobre aquilo quando o loiro se sentisse menos constrangido, mas se ele insistia, então vamos lá!
Cruzou os braços e o encarou.
— Talvez eu tenha razão em quê, loiro?
Forçou, sabia que era difícil para o namorado falar daquele problema, mas achava que falar era uma forma de Shaka conseguir superar o transtorno.
— Sobre... — Shaka inspirou profundamente e encarou o namorado. — Sobre ter passado o limite normal de... uma mania, mas eu não confio em ninguém! — foi logo emendando. — Eu tenho medo de ir ao médico e ele tentar me internar ou dizer que meu caso não tem solução! E se eu não conseguir nunca? Você não merece passar por isso!
Finalmente Shaka deixou que seu medo explodisse, ele estava trêmulo, perdido, apavorado. Ikki ficou pensativo. Compreendia o mais velho; para alguém que passou a vida inteira negando algo e trancado dentro de si mesmo, não deveria ser nada fácil admitir que precisasse de ajuda. Shaka acabou se isolando do mundo e das pessoas para se proteger dos julgamentos alheios e agora que saiu um pouco da sua toca, estava apavorado com a possibilidade de perder a única pessoa que conseguiu se aproximar.
O moreno apenas se aproximou dele e o abraçou com carinho, suspirando e apoiando o queixo em seu ombro. — Você não é louco e não vai precisar ser internado. Vamos fazer as coisas com calma, certo? Não precisa ter medo, eu estarei ao seu lado, nada de ruim vai acontecer a você, eu não deixo. — beijou-lhe o rosto com carinho, sorrindo de leve.
Shaka correspondeu ao abraço, apertando com força os braços do namorado. Esboçou um sorriso apesar de sua vontade ainda ser de chorar por causa da sua incapacidade de retribuir as carícias do namorado.
— Eu realmente não te mereço. E pensar que eu achava que você era incapaz de ser gentil e amável com alguém.
Ikki riu e o beijou várias vezes no rosto com carinho — Acho que sou incapaz sim, menos com você...É testemunha de como trato o pobre do Jack... — riu mais abertamente.
Shaka sorriu e descansou a cabeça no ombro do namorado. Ikki passou a mão no ombro em que havia deixado àquelas mordidas e o fez gemer de leve — acho que isso vai ficar roxo... — observou o indiano despreocupado.
Ikki se afastou um pouco para mirar a marca que deixara no ombro do loiro. A pele clara já começava a arroxear. — Hum... Desculpe, mas é que você me deixa louco, descontrolado... — murmurou no ouvido dele e suspirou fechando os olhos, apoiando a testa nos cabelos cheirosos do loiro — Acho melhor dormirmos, já está tarde...
— Você ainda quer que eu fique? — Shaka perguntou sem jeito e um tanto inseguro. Só Ikki mesmo para conseguir arrancar aquele tipo de reação dele. — É que... Você diz que eu te deixo louco e dormir tão perto de mim assim...
Ikki riu alto da reação do escritor. Imaginava que ele o visse como um mulherengo incorrigível, mas não como um maníaco sexual.
— Hey, loiro, eu sei me controlar, certo? Não sou tão instintivo assim, você só não deve me provocar...
Shaka corou e desviou o olhar.
— Tudo bem! — disse de uma forma rápida na tentativa de disfarçar a sua vergonha. — Eu vou ficar quieto. E vamos logo dormir que amanhã eu tenho que começar a procurar um novo editor e rápido senão o lançamento do meu livro vai ser adiado.
Ikki ignorou as primeiras informações, fixando-se apenas na de que o livro seria adiado.
— Pena, mas não fique chateado, pode ser que o atraso seja providencial e você o lance em um momento em que o marcado literário esteja mais aquecido. Mas vamos dormir então — ergueu-se e pegou o loiro pela mão o levando para o quarto. Quando chegou nele, notou que o celular vibrava e caminhou para ler a mensagem.
“Está uma noite tão solitária e eu estou apenas de calcinha deitada em minha cama... você não quer vir me ver, prometo fazer sua noite mais feliz. Amanda.”
Ikki acabou deixando escapar um sorriso com o absurdo da mensagem de alguém que ele mal conhecia e a ironia, devido a tudo que já tinha acontecido naquela noite. Deixou o celular onde estava e se jogou na cama com um suspiro pesado.
Shaka estreitou os olhos ao ver aquele sorriso nos lábios do namorado, depois de ver o quer que fosse no celular. Bufou indignado, imaginando que era uma mensagem de uma das garotas atiradas. Largou-se na ponta da cama e abraçou o travesseiro, sentindo uma angústia absurda o devorar.
Ikki se deitou ao lado dele e lhe beijou o rosto, notando que ele estava emburrado, mas estava cansado demais para iniciar um DR, cansado e dolorido em certas partes para ser sincero, porque o sexo solitário no banheiro não tinha aliviado de vez o tesão que sentia. Além disso, sua dor de cabeça voltou.
Beijou o rosto de Shaka e murmurou:
— Boa noite, loiro — antes de virar-se de bruços e fechar os olhos.
— Boa noite — Shaka murmurou largando o travesseiro. Queria outro "travesseiro", mas tinha medo de se aproximar de Ikki e acabar provocando outra sessão de amasso que não terminaria bem para o moreno. Suspirou e encolheu-se ainda mais na cama, decidido a ficar quietinho, tal como prometeu.
No dia seguinte tentaria conversar com ele e... Quem sabe, procurar uma saída para sua estranha mania...
Continua...
Notas finais
Se alguns não entendem isso, só tenho a lamentar, felizmente tem muitos que entendem que retribuem, não são os vampiros energéticos que só querem receber sem nada dar em troca e ainda se ressentem quando você para de oferecer pérolas aos porcos.
Bem queridos leitores, desculpem-me o desabafo, mas eu precisava fazê-lo e liberar um pouco do que estou sentindo, creiam, não é contra nenhum de vocês XD! Vocês são maravilhosos, mas é que às vezes, precisamos expor sentimentos para que os demônios saiam e não nos envenenem a alma, e falar do Ikki foi um estopim para isso ** cora***
OBRIGADA DE CORAÇÃO A TODOS VOCÊS!
Ddkcarolina, Agathachan, Belle Princesse, hapyfee, Alexia-Black, Chakal_Maldito, Lord Bol, Sarah, Matheus_Uchiha, lunna-chan, Hanajima, guima, Su Cabral, Hatake Sayuri, CahFencz, Ale, KitsuneKiki, Álefe, cici, Alone Chan, PollyWeasley.
OBRIGADA AOS LEITORES SILENCIOSOS TAMBÉM!
EM FIM, OBRIGADA A TODOS PELO IMENSO CARINHO!
Sion Neblina
Postado em 28/05/2012
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