Essa Estranha Atração

20 Essa estranha conversa


Notas iniciais
Olá, queridos, tudo bem?
Oun! Dessa vez nem demorei. Estou tentando acelerar os capítulos das fics enquanto estou tendo um tempinho. Infelizmente a inspiração não vem para todas as fics, mas eu estou tentando terminar todas.
Obrigada a todos que leem e curtem a história, em especial ao que deixam comentários:
Kao, Scarlett Collette, Kassandra, Vanessa Braga da Silva, guima, ddkcarolina, PollyWeasley, Hime sama, Thatta Chan, KassiaKarolayne, Belle Princesse, Lord Juno Apollo,
Sanny Ericsson Gwiyomi, Sabakunoisis, Elaine,JB, Lariissa, Luthie, KitsuneKiki, Sarah.

Um agradecimento especial a Álefe que mesmo não podendo deixar reviews devido a alguns problemas, sempre está por perto me motivando. Querida, sua presença em minha vida é um presente, obrigada!

Beijos a todos que passaram por aqui e boa leitura!

Sion Neblina

P.S. Não revisada.

Essa estranha conversa

Capítulo 19

Na manhã seguinte, Shaka despertou com o som do toque de um celular. Franziu a testa e tentou abrir os olhos, mas estava tão bom ali. Não tinha vontade nenhuma de sair de onde estava. Girou e suspirou aconchegando-se mais nos braços que o rodeavam de forma possessiva.

– Eu tive um sonho tão bom – murmurou ainda de olhos fechados. – E acho que ainda estou sonhando...

Ikki já havia acordado com o barulho irritante do celular, que deixou tocar até cair na caixa, e resolveu ficar na cama. Sorriu e bocejou ao escutar a voz do indiano, prendendo-o com mais força nos braços e beijando seu pescoço.

– Bom dia, loiro... – murmurou – que bom que acha que ainda está sonhando. Que sonho bom foi esse?

O escritor abriu os olhos imediatamente ao ouvir a voz do namorado e se virou para ele, o encarando estupefato.

– Como eu-...? – começou a perguntar confuso, mas as imagens da noite anterior surgiram em sua mente como flashes, e ele foi ficando corado, corado, corado até que não aguentou de vergonha e se virou para o outro lado, enfiando o rosto no travesseiro. – Eu não acredito que fiz aquilo! – exclamou com a voz abafada.

Ikki se ajeitou na cama ao ver a reação do namorado e tocou-lhe o ombro com carinho.

– Vergonha de mim, loiro? Você não queria que tivesse acontecido é isso? – perguntou confuso e ao mesmo tempo decepcionado.

– Não é isso... É que... Parece ter sido um sonho... É como se eu estivesse bêbado, não sei... – Shaka disse enquanto se virava para encará-lo, mas a lembrança de como havia praticamente atacado o outro voltou e ele desviou o olhar. – Eu lembro que tomei o remédio, deitei no sofá para assistir a um filme e acabei adormecendo. Quando acordei só pensava que precisava te ver. Eu não sabia por que, mas... meu corpo estava enlouquecido, Ikki... Não era eu! estava com essa ideia fixa na mente, então vim pra cá... E quando te vi... perdi o controle. Já fazia muito tempo que eu queria te beijar daquele jeito e queria... queria-... você sabe! Só que eu não tinha coragem.

– E está com vergonha do que já tinha vontade de fazer? Por Deus, Shaka, a gente tá nesse chove não molha há meses e, sério, eu adorei esse remédio – falou e riu, beijando os cabelos do loiro para descontrair, mas gemendo de leve quando seu ombro, mordido, roçou o travesseiro.

– O que foi? –Shaka perguntou preocupado e só então viu a quantidade de mordidas e arranhões no corpo do namorado. – Eu fiz isso?!

Ikki deu uma olhada no próprio corpo, já que vestia apenas o short do pijama, realmente havia várias marcas roxas e arranhões em sua pele, alguns sulcos marcado por sangue, mas a pele de Shaka também não estava tão melhor, cheia de marcas roxas que foram deixadas por seus lábios e línguas.

O moreno inclinou-se no ouvido do loiro e sussurrou:

– Não se preocupe, foi delicioso...

Shaka sentiu o corpo responder imediatamente à provocação e gemeu baixinho.

– Você está tentando me transformar num pervertido – brincou, mas logo ficou sério outra vez. – Eu só queria estar mais consciente do que fazia. Eu ainda não consigo acreditar que te ataquei daquele jeito. Eu li a bula do remédio... Lá dizia que em doses altas demais poderia causar alguns efeitos colaterais como euforia... Excitação, mas... eu só tomei dois.

– Pra mim foi um ótimo efeito colateral – sorriu Ikki – e o que há de mal em se transar com o namorado? Ou você queria casar primeiro? – provocou mordiscando a orelha do loiro.

–Não, Ikki. Eu sou quadrado e careta, mas não idiota! – Shaka irritou-se e tentou se levantar, mas parecia que um trator havia passado por cima dele. – Você vai rir com o que eu vou dizer, mas eu queria que tivesse sido mais romântico que... selvagem. Eu nem consigo me mover...!

O empresário franziu as sobrancelhas e se sentou na cama, visivelmente preocupado.

– Sério, loiro? Eu... desculpe, eu tentei ir devagar... sério, você não deixou... – justificou-se não para se livrar da culpa, mas para tentar explicar o que aconteceu. – Está muito machucado? eu-... – estava nervoso.

Shaka sorriu, sentindo-se tocado pela preocupação dele, e o beijou de leva nos lábios.

— Eu sei que você tentou, eu me lembro. Vou ficar bem, estou dolorido, mas deve melhorar durante o dia.

– Tem certeza? Se quiser eu ligo lá pro seu trabalho...

– Não! – o escritor quase gritou apavorado. Se Ikki ligasse para seu trabalho tudo estava perdido. – Estou bem, sério, mas vou ter que falar com Shun. Acho que... errei a dose e esse tipo de medicamento vicia que eu sei. É perigoso... Olha só que aconteceu?

Ikki não acreditou muito nas palavras do indiano. Se ele não conseguia nem se levantar, como ficaria bem no decorrer do dia? Pensou em levá-lo ao médico, mas não seria nada agradável ter um marmanjo examinando o traseiro do seu namorado e nem muito menos dizendo coisas do tipo: “Vocês hein?... Safadinhos! tomem cuidado da próxima vez!”; a verdade era que ele ainda não sabia muito bem como agir. Claro que já tinha feito aquela “modalidade de sexo” com mulheres, mas nunca ficou muito tempo para ver como seria o dia seguinte. Estava terrivelmente sem jeito agora e imaginando que aquilo devia doer pacas. “Eu nunca vou dar meu rabo... cruzes!” Pensava receoso.

– Você quer-... eu vou trazer o café pra você, certo? – disse se levantando e coçando os cabelos.

– Agora quem parece estar com vergonha é você – Shaka observou. – Café? Não gosto muito, mas seria bom. Ainda estou com sono e preciso despertar de vez porque tenho que trabalhar.

Ele viu Ikki se afastar em direção à porta e mordeu levemente o lábio inferior. As costas do moreno estavam com arranhões bem feios de cima a baixo.

– Ikki, não seria melhor passar alguma coisa em suas costas? Esses arranhões estão muito feios. Eu estava completamente fora de mim. Como pude te ferir? – murmurou enquanto levava as mãos ao rosto. E olha que suas unhas nem eram cumpridas!

O meio japonês fez um gesto de mão sinalizando que aquilo não era importante, depois foi para a cozinha. Ele colocou o pó na cafeteira e enquanto esperava ficar pronto pensava na noite anterior e só isso o deixava excitado. Nunca sentiu tanto desejo na vida, é verdade que a abstinência sexual havia o levado até a beira da insanidade, mas não era só isso, ele amava e desejava Shaka como nunca a ninguém. Com ele o sexo não foi só satisfação momentânea, foi algo maior que não conseguia definir.

Quando o café ficou pronto, ele encheu duas canecas e levou para o quarto, entregando uma a Shaka e se sentando ao lado dele na cama. Observou o loiro que bebia o líquido calmamente, olhando-o por cima da caneca. Pensou em algo para dizer, mas não achou nada muito inteligente, então falou apenas o que estava sentindo:

– Desculpe se fui afoito demais e se... de alguma forma tenha me aproveitado do momento, não pensei que você estivesse drogado ou fora de si, eu... – respirou um pouco mais profundamente. – Eu pensei que você queria e... mesmo achando estranho, em nenhum momento pensei nos remédios...

Shaka ficou deitado quando o moreno saiu. No tempo que Ikki ficou fora, ele apenas repassava os acontecimentos da noite. Era bem verdade que não havia sido planejado, mas não podia negar que havia gostado e muito. Ele jamais imaginou que sexo fosse algo tão bom, nem que ele fosse se sentir tão completo nos braços de alguém.

– Não tinha como você saber – o mais velho disse com carinho. Sabia que o moreno se sentia culpado, mas lembrava muito bem quem foi o tarado daquela vez. — Eu já sou bem grandinho, não é? Já estava na hora de perder a virgindade – brincou. – Além disso, foi incrível. Eu não me arrependendo de nada. Quer dizer, de quase nada... Só dos arranhões e mordidas.

Ikki sorriu fraco e experimentou seu café ainda sem tirar os olhos da expressão do loiro. Tinha certeza de que Shaka falava aquilo para que ele não se sentisse pior. Era notório que doía, seria até cômico se não fosse trágico pensar que tinha se esquecido totalmente de que Shaka era virgem e deixado às coisas acontecerem de forma tão selvagem entre eles.

– Não se preocupe com os arranhões, não são nada. Eu estou preocupado com você... – riu e passou a mão no pescoço dele – você está todo roxo e duvido que possa sentar direito hoje, tem certeza que quer ir trabalhar?

– Querer eu não quero... mas não acho que tenho muita opção. Minha licença médica acabou. Além disso, parece que finalmente encontraram um editor para o meu livro. Estou curioso para conhecê-lo – Shaka disse animado. – Tenho que procurar Shun no hospital também. Você acha que seria melhor parar de tomar essas coisas? Estou preocupado... Eu não quero estar dopado quando fizermos outra vez.

Ikki arregalou os olhos se concentrando apenas na última frase. Soltou a caneca, deixando-a em uma banca e segurou a mão do loiro.

– Você quer mesmo? – indagou feliz.

– Sim, quero. Eu não menti quando disse que a noite foi incrível, Ikki – Shaka afirmou tranquilo. – Eu quero repetir, mas..., não sei se consigo sem os remédios, então... Eu aceito procurar um profissional com mais experiência, mas eu prefiro que Shun indique. Não quero mais confiar em qualquer um.

– Claro, eu entendo. Acho que ele fará isso. – Beijou a mão de Shaka delicadamente e afagou-lhe o braço com carinho, subindo os dedos para afastar os cabelos e expor o pescoço marcado. – Você tem alguma pomada que resolva isso? Parece bem... dolorido...

– Você marcou meu pescoço?! – Shaka exclamou, levando a mão ao local. – Como eu vou trabalhar assim? Se alguém vir isso vou virar piada de repartição! Eu vou te matar, Ikki! – pegou o travesseiro e acertou a cabeça dele. Depois levantou e foi até o banheiro onde viu que não havia apenas uma marca roxa, mas várias.

Shaka balançou a cabeça e deixou a suíte. Pegou suas roupas que estavam espalhadas pelo chão da sala e foi até a porta.

– À noite eu volto – disse ao moreno que estava escorado ao lado da saída. – Passo aqui antes de você ir para a boate.

Ikki não deixou que ele saísse, o puxou pelo braço e o beijou com ardor, invertendo a posição e o prensando contra a porta aberta, nem se importando se algum outro morador passasse e os visse.

– Agora você já pode ir... – disse lambendo os lábios enquanto mirava o rosto ruborizado e ofegante do amado.

Shaka ficou dividido entre a vontade de acertar um soco no estômago do moreno para tirar aquele sorrisinho irritante dos lábios dele, ou revidar com um beijo que o deixasse tão desorientado quanto estava naquele momento. Mas ele não fez nenhuma coisa e nem outra, atravessou o corredor em passos não muito firmes e foi para seu apartamento.

Assim que ele abriu a porta, Jack saiu em disparada para o apartamento de Ikki.

– Seu traidorzinho – o loiro resmungou observando o cachorrinho dar pulinhos felizes em volta do moreno.

Ele deixou o cachorrinho com Ikki e entrou no próprio apartamento. Tomou um banho demorado, sentindo o corpo todo doer. O namorado havia realmente acabado com ele. Mas, apesar de dolorido e cansado, o escritor estava feliz. Ao fechar os olhos e relembrar a noite, já não sentia tanta vergonha; havia sido ótimo.

Antes de ir para a editora, Shaka passou no hospital. Shun ficou surpreso ao vê-lo, não esperava receber uma visita naquele dia.

– Shaka, o que faz aqui? algum problema? – indagou preocupado.

O indiano ficou sem jeito, mas achou que deveria falar sobre os efeitos nada comuns dos medicamentos.

– Bem, é meio embaraçoso dizer, mas eu perdi o controle ontem à noite depois de tomar o remédio e... eu e Ikki... Eh... Nós transamos – disse em um tom baixo e sentiu o rosto arder enquanto contava, sem entrar em detalhes, como havia atacado o namorado. – Eu fiquei muito... eufórico e agitado. Na verdade, eu estava muito ansioso antes e por isso acabei dobrando a dose de um dos medicamentos.

Shun arregalou os olhos corando e passando as mãos nos cabelos.

– Shaka, você não podia fazer isso! Esses remédios são perigosos se não administrá-los corretamente!

– Eu sei. Eu fiz exatamente o que você mandou, só esse último que tomei dois em vez de um – o loiro tirou a receita do bolso e entregou ao estudante. – Fiz exatamente o que você escreveu aqui.

– Mesmo dois comprimidos não deveriam fazer isso. Bem, cada pessoa pode reagir diferente. Eu posso ter colocado uma dose alta demais pra você, não sei. Podemos diminuir a dose, o que acha? – sugeriu o irmão de Ikki.

– Acho melhor – Shaka concordou.

– Eu deveria ser mais cuidadoso. Geralmente, no começo da administração de medicamentos como esses, os efeitos são mesmo mais intensos. Temos que ter cuidado.

– Eu e Ikki gostamos do que aconteceu e...

– Shaka, esses remédios são perigosos. – Ralhou Shun. – Em doses altas podem viciar e até matar. Por mais que você e meu irmão tenham gostado do... do que aconteceu entre vocês, não podemos brincar com isso – completou sério, de forma muito profissional, embora estivesse corado.

Shaka se assustou com a informação.

– Eu não imaginei que...?

– Sim, é perigoso, e eu acho que já está na hora de você fazer um tratamento mais convencional. Se você concordar, eu posso indicar um ótimo psicoterapeuta...

– Shun, escuta... – Shaka encarou o mais novo. – Se esses remédios forem a única forma de Ikki e eu termos um relacionamento completo, eu quero continuar os usando.

O mais novo entreabriu os lábios.

– Não. Não se for efeitos colaterais que possam prejudicá-lo. Eu prefiro levá-lo até um psicoterapeuta. Por favor.

Shaka mordeu os lábios, mas acabou aceitando que o mais novo tinha razão.

–Tudo bem. Foi o que eu e Ikki concluímos mesmo. Eu quero fazer sexo com ele outra vez, mas sem estar dopado. Não sei se consigo sem o remédio por isso eu vim falar com você. Eu quero tentar um tratamento mais intenso, mas achei que você poderia ficar... chateado...

– De forma alguma! – Shun sorriu – Fico aliviado, inclusive. Eu vou continuar te acompanhando porque vou te indicar o meu professor. O nome dele é Camus Léfrève.

Shun continuou falando o quanto Camus era um excelente profissional, que ele estava sempre com a agenda lotada, mas que iria conseguir encaixá-lo em algum horário.

– Enquanto isso, vamos diminuir as doses do remédio, certo? Eu vou marcar a consulta pra você. Explicar tudo a Camus e é ele quem dirá se você continuará com os medicamentos que te indiquei ou se outros serão administrados.

– Tudo bem, eu concordo. – Shaka sorriu. – Obrigado por tudo, Shun.

– Por nada, Shaka. Eu fico feliz por você ter melhorado, mesmo que um pouco – riu sem jeito apertando a mão do loiro.

Depois que tudo ficou resolvido com Shun, o escritor foi para a editora. Chegou um pouco atrasado da hora marcada para reunião com o chefe – o que realmente quase nunca acontecia, afinal Shaka era extremamente pontual, mas Shion estava de ótimo humor e por isso não o repreendeu.

– Conseguimos um editor para o seu livro. Este é Mu Gyatso – Shion disse indicando o rapaz.

– É um prazer conhecê-lo – Mu estendeu a mão para o indiano. Shaka olhou para o chefe sem saber o que fazer. Na sua pressa, acabou deixando as luvas em casa.

– Mu, meu rapaz, Shaka tem uma pequena mania e não toca ninguém – o chefe interveio. – Logo, logo, você se acostumará com esse jeito dele.

Mu recolheu a mão e fitou o indiano desconfiado, mas não disse nada.

– Então, Shaka, nós tivemos um problema com a reserva do hotel do Mu e não conseguimos encontrar nenhum outro lugar para instalá-lo. Pensei que ele poderia ficar na sua casa por alguns dias, algum problema?

O loiro engoliu em seco. Não gostaria de ter alguém na sua casa, dividindo espaço com ele e tirando sua privacidade, mas como negar um pedido daqueles? Afinal eram apenas alguns dias.

– Tudo bem, contato que ele não fique muito tempo. Eu tenho um quarto extra – falou, mas demonstrou não gostar muito da ideia. Contudo sabia que teria que ser receptivo afinal trabalharia direto com o rapaz a partir de agora. – Talvez isso até adiante um pouco a revisão do livro. Estamos muito atrasados.

Shion e Mu concordaram. Eles começaram a discutir sobre a publicação e o tempo passou depressa.

Depois de deixar a editora, Shaka andou a esmo pela cidade com Mu para mostrar alguns pontos turísticos, mas não demoraram em nenhum. O sol estava muito quente e Mu mostrava cansaço e confusão por causa do fuso horário. Almoçaram em um restaurante perto da casa de Shaka e foram finalmente para o apartamento do indiano.

O loiro mostrou o quarto onde Mu deveria ficar e pediu que ele ficasse à vontade. Só esperava que ele não ficasse à vontade demais.

– Vou dormir um pouco. Podemos começar a revisão mais tarde – o tibetano disse assim que Shaka mostrou em que quarto ele ficaria.

O loiro não se importou e seu hóspede dormiu a tarde quase toda. Shaka ficou na Internet naquele meio tempo. Mandou um e-mail para Fênix perguntando como ele estava e justificando sua ausência dizendo que estava com alguns problemas de saúde.

Depois ele foi buscar Jack na casa de Ikki. Eles haviam trocado chaves dos apartamentos. O moreno não estava, e Jack pareceu ficar feliz ao vê-lo.

– Eu já disse que você é um vira-casaca? Fica feliz com qualquer um que te dê comida – Shaka ralhou e o cachorrinho latiu feliz.

Ao voltar para casa encontrou Mu sentado no sofá.

– Está muito quente – o tibetano reclamou. – Não consegui dormir quase nada, mesmo com o ar-condicionado ligado.

– O clima no Tibete é muito diferente, não é?

– Nem tem nem comparação. Você se incomoda se eu ficar só de camiseta? – Mu perguntou sem jeito, pois já estava apenas com uma regata.

– Não, fique à vontade. Eu também fiquei assim quando me mudei da Índia pra cá. – Falou indiferente. Tanto fazia para si se Mu ficava sem camisa, calça, ou o que quisesse. Só queria que ele verificasse seu livro e lhe desse uma opinião.

Os dois engataram uma conversa animada sobre os seus países e culturas e quando perceberam já estava quase na hora do jantar. Shaka foi improvisar alguma coisa para comerem, enquanto Mu foi tomar banho. Depois do jantar, eles foram verificar o livro no computador e começaram a discutir sobre este. Mu já havia lido o livro. Shion o mandara para ele, e Gyatso só aceitou o trabalho porque achou a história muito boa.

– Eu adorei essa parte – disse indicando um trecho logo no começo do primeiro capítulo. – Os leitores vão adorar é bem... comercial!

– Jura? – Shaka riu com ironia – Eu pensei em tirá-la do livro exatamente por isso. Não quero escrever livros comerciais.

– Não seja tão esnobe. Vender é necessário e paga as contas. – Brincou Mu com sua voz suave.

– Tudo bem, você é o editor aqui. – Deu de ombros.

– Sim e até por isso, essa parte fica. – Ele sorriu. – Eu realmente gostei muito do esboço que Shion me mandou, por isso aceitei vir.

– Que bom. Eu preciso mesmo de um editor. Veja esse trecho aqui...

O loiro inclinou-se para mostrar outra parte do livro que pensava em cortar, sem perceber, em sua concentração enquanto procurava a cena, que estava ficando com o rosto bem próximo ao do editor. Não percebeu também que alguém entrava em seu apartamento.

Depois que Shaka saiu, Ikki resolveu ir para a academia, estava se sentindo enferrujado, há dias não fazia exercícios. Passou mais ou menos três horas na academia e marcou uma partida de futebol com os amigos para o domingo, depois foi para a boate onde ficou o restante da manhã. Almoçou com Kanon, um velho amigo, e conversaram sobre vários assuntos impessoais, mas mesmo sem querer o “tema Shun” surgiu, e ele acabou confessando ao amigo que não achava que houvesse chance de eles se entenderem algum dia. Ele voltou para a boate depois, passando a tarde lendo o livro que Shaka havia lhe emprestado, mas como a noite se aproximava, lembrou-se que o loiro prometera encontrá-lo antes que ele fosse definitivamente para a boate, então foi para casa e tomou um banho, se arrumou e, já que Shaka não aparecia, resolveu ir ao apartamento dele. Como tinha a chave, não precisou bater na porta...

A cena que viu, no entanto, o deixou estático por alguns segundos, Shaka estava inclinado sobre outro homem disposto a beijá-lo!

– Que merda está acontecendo aqui?! – por mais que tentasse que sua voz fosse irônica ela saiu alta e agressiva, e Ikki tremia de raiva – Se ia dar uma festinha particular, loiro, deveria pelo menos ter tido a bondade de me pedir a chave de volta! – seus olhos brilhavam com uma fúria assassina enquanto avançava em direção aos dois homens.

Shaka estremeceu de susto quando ouviu a exclamação exaltada do namorado. Afastou-se rapidamente de Mu e foi até Ikki impedindo-o de se aproximar do editor.

– Do que está falando? – o loiro exclamou confuso. – Festinha? Eu estava apenas procurando uma parte do livro para mostrar ao meu editor!

Ikki soltou uma risada sarcástica. – Editor? Ele deve ser bem íntimo para estar dentro da sua casa, desse jeito! – cuspiu revoltado.

– Ikki, não seja exagerado – reclamou o indiano. – Não está acontecendo nada.

– Ikki! – Shaka exclamou revoltado, não acreditando no que o namorado estava pensando. – Me desculpa por isso, Mu. Continue olhando o livro. Eu volto daqui a pouco – disse para um tibetano pasmado enquanto puxava o moreno em direção ao quarto, onde entrou e fechou a porta. – O que há com você? Ele é meu editor sim! Eu disse que iria conhecê-lo hoje. Aconteceu um problema com o hotel, e ele não tinha onde ficar, então Shion pediu que eu o hospedasse aqui.

Ikki puxou o braço com violência, estava irritado com toda aquela intimidade que vira entre o namorado e o outro.

– Me solta! Você acha que sou idiota? Quer me convencer que conheceu esse cara hoje e já está nessa intimidade toda com ele? Ele está quase pelado, Shaka! e você em cima dele!

– Pelo amor de todos os deuses, Ikki! – Shaka se desequilibrou e por pouco não caiu quando Ikki o afastou. – Ele só está de regata! Ele morava no Tibete e lá é frio demais. Ele ainda não se acostumou com o calor infernal daqui – exclamou exasperado tentando colocar um pouco de bom senso na cabeça do namorado. – Você está com ciúme? – perguntou com um pequeno sorriso.

Se um olhar pudesse matar, Shaka cairia durinho e gelado no chão. Os olhos de Ikki destilaram raiva ao mirar o loiro.

– Ciúmes? Eu estou é furioso! – bradou revoltado. – Furioso porque enquanto eu estava trabalhando, você estava aqui me traindo e ainda fica com esse sorrisinho cínico na cara! Estou falando sério, Shaka, você não brinca comigo, você não sabe do que sou capaz! – começou andar de um lado a outro como um leão enjaulado, depois de umas 10 idas e voltas encarou o namorado de forma dura – Vai lá naquela sala e manda esse cara embora agora!

– Eu não posso e nem farei isso. – Shaka tentou ser paciente já que tinha certeza que o namorado estava com ciúme e ele deu um "show" muito parecido com aquele e pediu até que o moreno mudasse o número do celular por causa das garotas que não paravam de correr atrás dele. – Foi um pedido do meu chefe. Você não tem por que se preocupar. Eu nem o toquei! Sabe que não toco em ninguém!

– Você estava em cima dele! – rosnou como um leão enfurecido. – O que acharia se chegasse ao meu apartamento e me encontrasse daquele jeito com uma garota hein? Eu to dizendo, Shaka, se livra daquele idiota e rápido ou eu... ou eu não venho mais aqui!

O loiro suspirou pesadamente começando a se arrepender de ter desejado ver um acesso de ciúme de Ikki. Foi até ele, mesmo receando levar um empurrão ou algo parecido, e o tocou de leve no rosto. Ao ver que ele não o afastou, se aproximou mais.

– Eu vou me livrar dele sim, só não posso fazer isso imediatamente. Estamos no meio da temporada de alta e os hotéis estão lotados. Eu não gostei de ter que hospedá-lo, mas o que posso fazer? Nós só estávamos conversando sobre o livro e não é como se eu pudesse jogar o coitado na rua, Ikki.

O moreno balançou a cabeça negativamente, não se deixaria seduzir por Shaka, afastou a mão dele do seu rosto, mas sem a mesma agressividade anterior. Se o loiro pensava que permitiria que ele dormisse sob o mesmo teto que aquele idiota na sala, ele estava muito enganado.

– Certo, então você deixa aquele paspalho aqui até ele achar um hotel e fica em meu apartamento – cruzou os braços com um sorriso satisfeito ao ver o indiano empalidecer. – E então, loiro? Convença-me que não quer ficar ao lado daquele idiota.

– Isso é completamente desnecessário, Ikki. Você não confia em mim? – perguntou magoado.

– Eu não confio é nele, Shaka! – bradou irritado, depois respirou fundo e passou as mãos nos cabelos os desalinhando num gesto de total confusão – Sabe, quer saber de uma? Eu vou trabalhar,. Espero encontrá-lo em meu apartamento quando chegar. A partir daqui é por sua conta, loiro – não esperou resposta, saiu andando para fora do quarto.

Shaka bufou e largou-se na cama encarando a porta que Ikki deixou aberta. Ele era o seu namorado e não o seu dono para ficar lhe dando ordens daquele jeito. O loiro teve ganas de jogar a chave do apartamento do moreno pela janela, mas apenas ergueu-se e voltou à sala.

– Achei que ele fosse me matar com o olhar – Mu comentou – Desculpe-me, Shaka, não queria causar problemas.

– Está tudo bem, Mu. — ele disse de uma forma seca, sem querer prolongar o assunto. – Vamos continuar discutindo as mudanças do livro.

Eles passaram as horas seguintes falando apenas de trabalho. Quando já passava da uma da manhã, Mu se retirou dizendo que já estava para dormir por cima do teclado.

Shaka ficou dando voltas pela sala, indeciso se ia ou não para o apartamento de Ikki.

"É melhor evitar brigas", pensou enquanto deixava o próprio apartamento, mesmo que um tanto revoltado. Entrou no apartamento do namorado e decidiu esperar no sofá onde acabou adormecendo.

Ikki passou a noite com os pensamentos presos ao namorado e ao que ele poderia fazer com aquele cara. Estava zangado, enciumado, puto! Como nunca esteve na vida. Sua expressão calada e furiosa chamou atenção dos funcionários que acharam melhor não puxar conversa, claro que em questão de discrição, Seiya não estava incluído, mas depois de quase ter sido mandado embora, sendo salvo apenas por um pedido de Shiryu, o rapaz manteve a língua dentro da boca e não amolou o chefe.

Quando a casa estava fechando, ele saiu, rezando para que Shaka estivesse em seu apartamento. Não era que não confiasse no loiro, não era isso, mas deixá-lo sozinho com outro cara durante a noite já era demais. Quando chegou finalmente a casa, surpreendeu-se ao encontrar Shaka dormindo no sofá. Sorriu com a cena e se aproximou, ajoelhando-se ao seu lado e lhe beijando os lábios levemente. – Acorda, loiro, vai ficar com torcicolo...

Shaka coçou os olhos tentando fazer o rosto de Ikki entrar em foco, mas estava com muito sono. Provavelmente ainda eram resquícios do remédio em seu organismo.

– Eu vim – murmurou sonolento. – Agora que já viu que eu não vou te trair, vou voltar para casa.

Ikki segurou o braço dele antes que ele pudesse se afastar. Suspirou e encarou os olhos celestes do amado.

– Não é que eu achei que... Ah, Shaka compreenda o quanto isso é desagradável pra mim! Você está com outro cara dentro da sua casa, vai passar o dia com ele no trabalho e ainda... Ah, que merda! Eu não consigo, loiro, por mais que você fale que nada vai acontecer... como pode ter certeza de que ele não vai tentar nada?

– Estou com muito sono para discutir isso agora. Acho que ainda é efeito dos remédios – Shaka sussurrou e acabou encostando o corpo no dele para não cair. – Eu fico aqui hoje, tá bom assim? Só vamos dormir logo antes que eu desmaie aqui mesmo.

Ikki o pegou nos braços com certa facilidade o que sobressaltou Shaka, fazendo-o rir.

– O que foi loiro? Você deve pesar uns 70 quilos, eu levanto isso fácil, tenho condicionamento físico invejável. – caminhou com ele para o quarto o colocando na cama e juntando seus lábios aos dele em um beijo sensual e calmo. Quando se separaram, seus olhos ficaram encarando os do outro por um tempo, antes do moreno declarar:

– Boa noite, vai dormir, eu venho logo, vou tomar um banho primeiro.

Shaka o impediu de ir, segurando-o pela manga da camisa. Puxou-o e fez com que seus lábios voltassem a se encontrar, passando os braços em torno do pescoço dele entregando-se totalmente a sensação de bem-estar e euforia.

– Eu te amo, Ikki – sussurrou assim que se separaram. Mordiscou levemente o lábio inferior enquanto afundava os dedos nos cabelos dele. – Estava com saudade do teu beijo. Nós Passamos o dia separados e você me castigou ao sair daquele jeito. Não faz mais isso.

O moreno correspondeu ao beijo e afagou o rosto macio do namorado. Também o amava, amava muito e não queria perdê-lo, não que fosse alguém inseguro, mas era ciumento, possessivo, mesmo que achasse que isso era apenas uma forma de cuidar do que lhe pertencia.

– Também te amo, loiro – disse com carinho. – E, já que me ama também, deve perceber o quanto é difícil pra mim, vê-lo com esse cara...

– Ciumento – Shaka sorriu e o beijou mais uma vez antes que o sono o vencesse.

Ikki se ergueu, tomou um banho e depois de seco e vestido se deitou ao lado do namorado, mas não dormiu logo, o dia já clareava quando ele fechou os olhos e conseguiu adormecer de verdade.

Shaka acordou quase oito horas. Não era nem um pouco do seu feitio dormir até tão tarde. O pior era que continuava se sentindo extremamente cansado. Girou na cama e viu que o moreno ainda dormia de bruços na cama, com a cabeça embaixo do travesseiro. Ficou com pena de acordá-lo, então rabiscou um bilhete avisando que voltaria para casa.

Ao entrar viu que Mu colocava a mesa.

– Bom dia – Shaka o cumprimentou. – Acordou tarde também?

– Bom dia. Ainda não me acostumei com o fuso horário.

Shaka sentou e começou a se servir.

– Conseguiu acalmar seu namorado? – O tibetano perguntou um pouco sem jeito.

–Ele é meio possessivo. Não gostou de saber que você vai passar uma temporada aqui.

– Vai ser por pouco tempo – Mu disse demonstrando incômodo por atrapalhar a vida do escritor.

– Não se preocupe. Você pode ficar o tempo que precisar – Shaka disse em um tom educado. – Eu preciso ir trabalhar. Você vai ficar bem sozinho?

– Ah sim. Vou ficar revisando o livro.

– Ótimo. Cuide do Jack pra mim – Shaka terminou de tomar café e foi tomar uma ducha. Não sabia exatamente porque, mas estava com um pressentimento ruim.

"Bobagem. Está quase tudo bem. Só esse problema com o Ikki, mas tudo vai se resolver", pensou enquanto ligava o chuveiro.

Quando Ikki acordou já era tarde, aproximadamente duas horas. Geralmente não dormia tanto, mas estava mesmo cansado. Foi para o banheiro e fez sua higiene matinal, depois foi para a cozinha onde preparou um café forte e algumas torradas que colocou em um prato e seguiu para a varanda onde “conectou-se” à internet, verificando extrato de uma de suas contas. Pensava se iria para a Santuário naquela noite ou ficaria em casa, já que não gostava nada da ideia daquele cara sozinho com seu namorado.

Percebeu pela mensagem do MSN que Virgo estava online. Hesitou em teclar porque não estava em um momento muito bom para conversar, mas não custava nada dar um alô, fazia tanto tempo que eles não se falavam.

Fênix diz: Oi.

Shaka estava distraído quando viu a janela do MSN piscar. Hesitou um pouco antes de responder. Tinha medo de deixar alguma pista escapar e que Ikki descobrisse quem Virgo era na verdade.

Virgo diz: Oi, amigo. Tudo bem?

Fênix diz: Td bem e vc? Melhor de saúde?

Virgo diz: Sim, bem melhor. Tive uma crise nervosa. Acho que foi o estresse. Corremos demais no nosso dia a dia e quase não temos tempo para descansar. Me desculpe por andar tão ausente.

Fênix diz: Não se preocupe com isso, q bom q está melhor, estava preocupado com vc, tinha muito tempo que não nos falávamos.

Ikki teclava enquanto verificava cheques e fatura e por isso não prestava muita atenção na conversa, ao menos não prestava atenção como achava que deveria.

Shaka mordeu levemente o lábio inferior enquanto digitava a próxima pergunta. Entraria em um campo perigoso, mas precisava saber o que Ikki estava pensando sobre a noite que tiveram.

Virgo diz: Como vai seu namoro? Conseguiu resolver as suas diferenças com o rapaz?

Ikki suspirou ao ler a pergunta no meio de uma transferência eletrônica.

Fênix diz: Mais ou menos. Ainda não tá tudo bem e apareceram novos problemas.

O loiro suspirou frustrado. Fênix andava tão fechado quanto Ikki. Estava difícil arrancar qualquer coisa dele.

Virgo diz: Se quiser conversar sobre o assunto...

Ikki suspirou e fechou a janela do banco para falar direito com o amigo.

Fênix diz: Desculpe-me se estou sendo evasivo, mas não quero correr o risco de chateá-lo com meus problemas. Minha vida anda uma confusão só, aconteceram muitas coisas nesse meio tempo. Meu irmão reapareceu, eu comecei a namorar um homem, uma cantora alemã não sai do meu pé (risos)... Muita coisa pra q consiga falar tudo com detalhes, entende?

Shaka arregalou os olhos com o trecho "uma cantora alemã não sai do meu pé". Ikki ficava com ciúmes de Mu, sendo que Shaka nem o tocava, e aquela cantora de quinta ficava correndo atrás dele e ele não dizia nada sobre isso? O indiano respirou fundo, tentando se mantiver racional na conversa.

Virgo diz: Você não me chatearia nunca. Eu me preocupo com você e se puder ajudá-lo apenas "ouvindo" os seus problemas já ficarei feliz.

"E eu ainda pego aquela alemã pelos cabelos e a atiro da janela mais próxima para que você fique mais feliz ainda!", Shaka pensou enciumado.

Ikki sorriu de lado. Era incrível como Virgo possuía a capacidade de acalmá-lo, talvez sim, ele pudesse ajudá-lo.

Fênix diz: Estou meio perdido. Não sei como agir com meu irmão. Ainda não sei como agir com o Shaka (esse é o nome dele), com seu problema, ele... bem, vc me disse que tinha manias e eu disse que todos têm, lembra? Mas acho que ninguém tem uma mania tão séria quanto o Shaka, ele tem TOC (risos), veja só onde fui me meter? Homem e maníaco demais, eu não esperava isso nessa altura da minha vida, sério! As vezes o destino nos prega mesmo peças...

Shaka sabia que não deveria ficar triste, mas foi inevitável quando leu as palavras do namorado. Parecia que continuava apenas causando dor de cabeça a ele. Tinha consciência que Ikki não dizia nenhum absurdo, mas aquilo o entristecia.

Virgo diz: Sobre seu irmão... Acho que você tem que tentar se reaproximar aos poucos dele. Vocês têm o mesmo sangue e como você disse, ele é a sua única família então uma hora ou outra isso vai falar mais alto. Quanto ao seu namorado... Bem, é uma situação complicada, mas acredito que você o apoie e isso fará diferença.

Fênix diz: Espero que sim. – respondeu ignorando as observações sobre Shun, porque não achava que qualquer coisa fosse solucionar o problema deles.

Fênix diz: Estou tentando apoiá-lo. Eu gosto dele como nunca gostei de ninguém. Não sei se é isso que chamam de amor... Deve ser, penso nele o dia inteiro e à noite quero ficar ao lado dele. Mas as coisas se complicaram agora... Apareceu um concorrente (risos).Bufou irritado ao pensar em Mu e rejeitou uma nova ligação de Pandora. Não entendia as mulheres! Parecia que elas tinham um prazer masoquista em serem rejeitadas. Era só serem rejeitadas que ficavam mais interessadas!

A declaração fez o coração de Shaka ficar um pouco mais leve. Quis dizer que também pensava nele o tempo todo, mas teve que ficar quieto afinal quem estava falando com Ikki era Virgo. O loiro já estava cansado de representar aquele papel.Odiava ter que mentir para o namorado, mas agora já não tinha coragem de contar quem era. Tinha medo da reação dele, afinal o enganava por meses. Talvez Virgo devesse simplesmente desaparecer do mundo virtual sem dar qualquer explicação.

Virgo diz: Um concorrente? Duvido que ele seja idiota a ponto de deixar você por qualquer outra pessoa. Mas fiquei curioso sobre uma coisa... Quem tem TOC tem aversão a toques, não é isso? Como vocês fazem para namorar? – Jogou. Precisava se arriscar um pouco para descobrir algumas coisas.

Ikki mordeu o lábio inferior. Como responderia aquilo? Não que estivesse envergonhado, não era isso, mas sua relação com Shaka era meio complexa para que o outro conseguisse entender.

Fênix diz: É complicado. Ele não sente nojo de mim como parece sentir dos outros, mas... Bem, ele tem nojo de sexo, nós só transamos uma vez e ele estava meio drogado...

Agora estavam entrando no terreno que Shaka realmente queria chegar. Ele pensou bem antes de escrever a próxima mensagem.

Virgo diz: E foi estranho para você? Transar com outro cara?

Fênix diz: Eu não tive muito tempo de pensar nisso (risos), aconteceu muito rápido, mas... bem, foi muito bom...

Não entraria em detalhes picantes, não gostava de falar assim da sua intimidade, mesmo que fosse com Virgo, talvez a pessoa que mais confiasse.

Ainda não era a resposta que Shaka queria, mas ele concluiu que teria que se dar por satisfeito. Fênix não estava muito receptivo para conversas naquele dia.

Virgo diz: Eu realmente torço para que vocês consigam superar esses problemas. Quero que você fique bem.

Fênix diz: E quanto a vc? Como tá sua relação com aquele rapaz?

Shaka hesitou mais uma vez. Resolveu ser sincero. Por mais que Ikki não soube que era ele o "rapaz", o escritor queria que ele conhecesse os seus sentimentos.

Virgo diz: Eu lutei contra o que sinto por ele, mas não consegui esquecê-lo. Nós resolvemos tentar. Ele está tentando superar o preconceito dele e eu minhas manias. Eu o amo tanto que me assusto com a intensidade desse sentimento.

Ikki sorriu meio bobo com aquela resposta. Incrível como os pensamentos e sentimentos deles sincronizavam.

Fênix diz: Meu amigo, é incrível porque sinto o mesmo em relação a Shaka. Eu lutei também, não queria me apaixonar por um homem e agora não quero perdê-lo. Ele pensa que sou muito seguro, mas na verdade eu estou morto de medo de perdê-lo, porque eu sei que não sou um cara muito fácil sabe? Não é fácil conviver... me amar... E eu acho que ele pode achar alguém que o mereça mais que eu, que não tenha o magoado tanto no passado...

Confessou finalmente o que sentia, porque talvez Virgo entendesse e pudesse ajudá-lo a se acalmar. Sim, estava nervoso com a presença daquela lagartixa de cabelo roxos dentro do apartamento do seu loiro.

Shaka ficou surpreso com aquela resposta e precisou ler três vezes para acreditar que tudo que estava escrito ali não era apenas fantasia da sua cabeça. Ele sorriu emocionado com a declaração. Ikki tinha medo de perdê-lo. Shaka sentia exatamente o mesmo, mesmo que o moreno não soubesse.

Virgo diz: Eu te entendo perfeitamente. Também estou com medo de perder o meu namorado por causa de algumas bobagens que eu acabo fazendo e que o deixam magoado. Mas estou lutando para que a gente dê certo. Você tem que fazer o mesmo. Tenho certeza que se Shaka está com você é porque viu várias qualidades que eu também vejo. Você é incrível, Fênix. Tenho certeza que Shaka também pensa isso.

Fênix diz: Mas com certeza você não disse ao seu namorado as coisas que disse a ele no passado. Eu fui... muito grosseiro... Além disso... eu fiz uma coisa errada, muito errada...

E emocionalmente envolvido como estava, o mais jovem não conseguia perceber as coincidências que uniam as duas histórias.

Shaka sentiu os pelos do corpo eriçarem. Como assim algo muito errado? O que Ikki fizera? Seu coração disparou no peito. Estava com medo de saber e ao mesmo tempo, precisava saber.

Virgo diz: O que você fez?

Ikki não sabia muito bem o motivo, mas hesitou em confessar sua traição. Temia que Virgo não entendesse, não entendesse que as coisas não saíram da forma que ele queria, que não foi totalmente sua culpa. Tinha medo do julgamento do amigo.

Fênix diz: Aconteceu um lance na boate, mas não foi nada sério. Foi só um vacilo.

Virgo diz: Que tipo de vacilo?

Shaka não conseguiu se segurar, agora todos os seus instintos, anseios e faculdades mentais estavam voltadas para aquela conversa. Ele queria que Ikki escrevesse naquela maldita tela com todas as palavras o que tinha acontecido na boate.

Ikki suspirou e tamborilou os dedos na mesa, pensando se confessaria seu crime ou não.

Fênix diz: Lembra-se daquela cantora alemã que te falei?

Virgo: Sim, lembro.

Fênix: Aconteceu algo numa noite...

Virgo: O quê? – Shaka já estava a ponto de enlouquecer com aquele suspense.

... Minutos. Digitava ou não? incerteza. Por quê?

Fênix diz: Tivemos algo, algo sem importância. Ela me agarrou e... Bem, mas nada demais. Eu amo meu namorado.

Que porra é essa, Amamiya? Você parece que está se justificando? – Recriminou-se o moreno e voltou a digitar.

Fênix diz: A Pandora é insistente, mas pra minha sorte, o contrato dela termina essa semana e ela vai embora.

Shaka estava gelado, estático, lendo e relendo o que o namorado havia escrito. Por que ele não era direto? Por que não dizia de vez o que havia acontecido? Ikki estava mentindo, aquilo não foi algo sem importância como ele tentava demonstrar.

Virgo diz: Ela o agarrou? E você? não reagiu?

Fênix diz: Estava bêbado. Mas sei que isso não é justificativa. A culpa foi minha... Mas tudo bem, ela vai embora.

Virgo diz: Você Já contou isso para o seu namorado? Ele sabe disso?

Demora...

Fênix diz: Não. Não quero magoá-lo. E também não foi nada importante. Me diga: pra que contar? Ele vai se magoar, ficar triste, por algo que não teve a menor importância.

Virgo diz: Não justifique seus erros. Ele merece saber!

Shaka sentia vontade de chorar. Mordia os lábios se controlando ao máximo, mas estava difícil. Como assim aquela coisinha atirada o agarrou e Ikki não contou nada?

“Não deve ter sido nada importante, Shaka. Ela não faria nada que o Ikki não quisesse”, tentava pensar, mas algo reverberava dentro do seu peito. E se ele quis? E se... Por Buda e agora o que faria?

Ikki mirou a tela por um tempo e suspirou. Virgo não fazia ideia do que dizia. Ele não conhecia os problemas de Shaka e não sabia o quanto saber daquilo poderia fragilizar o loiro ainda mais.

Fênix diz: Eu vou contar. Estou apenas procurando o momento certo. Aconteceram muitas coisas nos últimos meses, foi impossível tocar nesse assunto.

Virgo diz: O que aconteceu entre você e essa cantora alemã? Tem certeza que não foi importante? O que vocês tiveram de verdade?

Fênix diz: Não, não foi.

Shaka suspirou e apertou os olhos com força. Queria acreditar nisso. Precisava acreditar nisso. Quando os abriu verificou a nova mensagem do moreno.

Fênix diz: cara, eu tenho que ir agora. Nos falamos em outro momento. Um abraço.

Ele já estava offline.

Não! Não, Não saia sem me dizer toda a verdade! O indiano quase gritou e rapidamente desconectou o bate papo e foi para o banheiro, lavando o rosto para esconder os vestígios das lágrimas. Estava no trabalho e isso não seria de bom tom. Pensava como chegaria à noite e ele olharia para o moreno e fingiria que estava tudo bem. Precisava saber o que aconteceu de verdade, eu não ficaria em paz.

Continua...

Notas finais
Obrigada a todos que leram até aqui.

Beijos!

Sion Neblina

Postada em 23/06/2013