Essa Estranha Atração
21 Essa estranha separação
Notas iniciais
Mais um capítulo de EEA. Espero que gostem, que não queiram me matar, que entendam as atitudes falhas dos personagens como atitudes humanas - cof.. cof... nem começou a coisa e Sion já ta saindo na defesa de gente errada, aff.
Bem, espero que gostem!
Obrigada a todos pelo carinho, reviews, recomendações, críticas construtivas, em fim, todos que realmente se interessam, gostam da fic e me ajudam com ela.
Boa leitura a todos!
Sion Neblina
Essa estranha separação
Capítulo 20
O último show de Pandora e sua banda na Santuário foi maravilhoso. A alemã possuía um talento e sensualidade natos. Ikki participou, a pedidos, da última apresentação com seu sax e o publico adorou. A banda foi saudada por um público enlouquecido e Pandora ganhou flores. Emocionada, ela se despediu dos fãs grego, pois sairia em turnê pelo restante da Europa depois dali.
Ikki sentia-se aliviado por se ver livre da alemã finalmente. Não podia negar que a presença de Pandora era um transtorno constante, e depois da conversa com Virgo, mais cedo, parecia cada vez mais inadmissível que continuasse convivendo com ela. Sabia da própria culpa, não fora um garotinho seduzido e enganado, no mínimo um homem irresponsável, mas ainda não havia encontrado uma forma de dizer aquilo a Shaka. O loiro entraria em surto, em pânico, em-... Nem sabia o que poderia acontecer.
Estava no escritório preparando o cheque. Pandora estava sentada à sua frente com um dos seus insinuantes vestidos que expunha os seios perfeitos num decote em V. Ikki não a olhava, apenas preenchia o papel que depois de pronto foi entregue à mulher.
– Aqui está, obrigado por tudo. – Ele se ergueu e estendeu a mão a ela. – Foi um prazer trabalhar com vocês.
A voz era fria e profissional. Pandora se ergueu e o mirou com seus belos olhos violeta.
– O prazer não foi maior porque você não quis. – Sorriu. – Mas não vou me lamentar, quem perdeu foi você.
Ikki não falou nada enquanto a mulher rebolava até a porta, mas ela se voltou com um sorriso maldoso.
– Ah, eu vou tentar deixar um presentinho pra você. Quem sabe não sirva para apimentar as coisas entre você e o namoradinho? Não, não precisa agradecer, até porque, eu estarei longe.
O empresário franziu as sobrancelhas confuso. Do que ela estava falando? Pandora saiu sem explicar nada. Ele acabou indo para casa, estava exausto física e emocionalmente e queria ver Shaka, saber como ele passou o dia, se estava bem.
Era até estranha a necessidade que possuía de cuidar dele. Ikki era naturalmente superprotetor, ao menos era com Shun, quando ainda tinham uma relação. Talvez usasse Shaka na tentativa de recuperar isso, essa função da qual sentia saudade, embora não quisesse admitir. Amadureceu muito, percebia. Talvez mais do que realmente tivesse consciência.
Bateu à porta do apartamento do loiro. Possuía a chave, mas raramente entrava sem bater. Por quê? Era uma pessoa exigente e que necessitava muito do seu próprio espaço. O respeito à sua privacidade era de certa forma vital para qualquer um que quisesse manter uma relação consigo. Então procurava agir sempre da mesma forma com o outro. Shaka tinha suas manias, necessitava de sua solidão e privacidade. Nisso eles eram muito parecidos.
O indiano abriu a porta com um semblante sério. Shaka sabia que deveria disfarçar, mas não estava conseguindo. Aquela seria uma péssima hora para contar a Ikki que ele era Virgo, sabia disso, porque o moreno se sentiria usado. Pensando friamente, o loiro achava que o melhor era desaparecer do bate-papo e nunca fazer tal revelação, afinal, já havia se passado tempo demais, desde que descobrira a verdade.
Ikki o beijou de leve nos lábios.
– Oi, loiro, vim te ver, mas já estou voltando pra casa, estou exausto. – Falou sorrindo. – Como foi o seu dia?
– Foi... Normal...
– E aquele cara?
– Está dormindo, Ikki. Não precisa sentir ciúmes dele, já disse. – Volveu o indiano. Sabia que não era o momento de perguntar nada, mas estava se roendo de ciúmes e curiosidade. Precisava, mas não conseguiria resistir. – Como foi lá na boate hoje?
– Normal também. – Disse displicente.
– A apresentação foi boa?
– Sim, e foi a última, ainda bem!
– Ainda bem por quê? — Shaka o encarou com olhos estreitos e hostis.
O empresário coçou os cabelos sem jeito.
– Porque a Pandora vai embora. Estaremos finalmente livres dela.
– Estaremos? – os olhos de Shaka se prenderam aos de Ikki de uma forma que desconcertou o moreno. – Ikki... você confia em mim?
– Claro que confio, loiro, que pergunta! – riu sem jeito, desviando o olhar.
– Se algo importante houvesse acontecido entre você e... e aquela mulher...
– Não aconteceu nada importante, porque só me importo com você – o mais novo segurou o rosto dele entre as mãos. – Ela não é ninguém, entende?
Shaka mordeu os lábios e abraçou o namorado com força. Tinha medo de perdê-lo, medo de saber a verdade e medo de não saber. Estava confuso, perdidamente confuso.
– Me abrace, me abrace e diga que está tudo bem – sussurrou apertando os músculos fortes do mais novo. – Eu preciso acreditar nisso.
– Ei, o que foi? – Ikki se afastou levando a mão ao rosto do loiro. – O que aconteceu, Shaka? Por acaso esse Mu...
– Não tem nada a ver com o Mu! Tem a ver com nós dois! Apenas nós dois! – O indiano suspirou tentando restabelecer o autocontrole perdido. Não era justo o que estava fazendo. Não era justo ficar ‘colhendo’ as coisas em segredo e agora estar daquele jeito. Afinal, Ikki não dissera nada importante a Virgo, somente que aconteceu algo, mas nem falou o que seria esse algo. Seria um beijo? Ela o teria agarrado? Não, não fora nada sério, se fosse, Ikki contaria, sim ele contaria.
– Shaka...
– Posso dormir com você hoje? Eu não estou me sentindo bem, devem ser os remédios. – Mentiu. Parecia que tudo que falava agora era uma sucessão de mentiras.
– Claro que pode, eu cuido de você. – Beijou a testa do loiro o chamando de volta aos seus braços. O que faria? Como dizer a verdade, toda a verdade, com Shaka assim? Tão frágil em seus braços?
Os dois entraram no apartamento em silêncio. Um silêncio tenso.
Shaka sentia os lábios tremerem e os mordia o tempo todo.
– Ikki...
– Hã? – o mais novo respondeu de súbito, se aproximando do outro como quem espera uma reação ruim, como um desmaio.
– E-Eu tive um sonho ruim essa tarde... Nele, você estava com aquela mulher, vocês estavam...
– Shaka, pare com isso! Ela foi embora, entende?! – Pediu segurando os braços do loiro com carinho, mas estava nervoso. – Eu já disse, pelos deuses, aquela mulher não tem nenhuma importância pra mim! Eu juro.
– Vocês transaram?!
A pergunta pareceu uma explosão dentro do apartamento escuro. Ikki sentiu o coração falhar e um nó se formar em sua garganta. Baixou a cabeça e pôs as mãos no quadril numa demonstração visível de cansaço.
– Isso não tem importância... – ele murmurou.
– Então vocês transaram! Então você me traiu?! – Shaka gritou sem conseguir controlar a voz. A comoção subia por sua garganta, avermelhando seu rosto e levando lágrimas aos seus olhos sem que ele conseguisse conter. Ele inteiro tremia.
Ikki estendeu a mão e acendeu a luz da sala para olhar o loiro nos olhos, mas o que viu partiu seu coração em mil pedaços. Shaka parecia uma criança apavorada naquele momento. E então, sem pensar de fato, e só imaginando em uma forma de acabar com toda a dor estampadas naqueles olhos, o mais novo retrocedeu na decisão de finalmente dizer a verdade.
– Não, eu não o traí! – Mentiu. – F-Foi... antes...E-Eu te amo...
O loiro não sabia se acreditava ou se fingia acreditar, mas era muito difícil ter qualquer reação que não fosse chorar. Tentava pensar que Pandora, ao menos, estava indo embora e que a cantora não teria mais nenhuma oportunidade de tocar em seu namorado.
Ikki o abraçou com carinho, sentindo-o trêmulo. Levou-o para o quarto e sentou-se com ele na cama.
– Ei... – forçou Shaka a olhá-lo. – Eu te amo. Nada e nem ninguém é mais importante que você na minha vida, acredite nisso.
– Eu acredito — Shaka disse enxugando as lágrimas, sentindo-se ridículo e patético por achar-se tão frágil e dependente. Não podia mais ficar assim.
O moreno preparou chá para o namorado e depois disso, eles tentaram dormir. Depois dessa noite, os dias foram passando e aqueles sentimentos tempestuosos se arrefeceram. Estranhamente, nenhum dos dois tocou mais no assunto. Não era como se tudo estivesse bem, não, não estava. Mas eles resolveram permanecer numa linha tênue entre o autocontrole e a explosão assassina. Enquanto o nome Pandora não fosse citado, eles fingiam estar bem.
A rotina continuou, e embora Ikki permanecesse relutante a Mu, ele já não implicava tanto com o tibetano. Contanto que Shaka dormisse em seu apartamento, estava bom para ele. Não se tocaram mais desde a primeira noite que tiveram, ao menos não de forma tão íntima. O que era frustrante para ambos, mas eles se esforçavam para tornar os momentos a dois agradáveis. E conseguiam, se amavam.
A rotina na boate estava sendo ainda mais pesada com a contratação de novas atrações para a casa. Ikki acabou reconsiderando a demissão de Seiya, porque, embora ele fosse tagarela e idiota, segundo o moreno, ele era competente na administração do bar. Isso foi um alívio para Shiryu, não somente por ter o namorado readmito, como também por não ser obrigado a contratar alguém, sem contar que Seiya sozinho, era risco ao qual ele não queria correr.
O moreno passou o dia na boate. Naquele dia, Shaka sairia com Shun para conhecer o tal psicoterapeuta. Dessa vez, ele achou melhor que Ikki não o acompanhasse. O loiro queria se sentir mais seguro e fazer aquilo sozinho. Certo, não totalmente sozinho, pois estava com Shun, mas precisava de um pouco mais de independência. Não se sentia bem em incomodar o namorado todas as vezes que precisasse sair. Ikki não era obrigado a aturar todas as suas manias o tempo todo, e Shaka pensava que aquilo poderia desgastar a relação que, se fosse sincero admitiria, sempre estivera numa constante crise e agora estava em crise mais que nunca.
Doutor Léfrève era um homem sério, mas gentil. Ele fez uma entrevista inicial e pediu que o loiro voltasse, marcando o dia. Depois, ele e Shun ficaram conversando um pouco até que o estudante saiu e encontrou Shaka o esperando no corredor.
– E então? O que achou dele?
– Ainda é cedo para dizer, mas creio que ele deve ser melhor que Valentine, apesar de também ser ruivo.
– Ah sim. Camus é ótimo, você verá. – Sorriu o mais novo. – Por que o Ikki não veio com você?
– Porque ele está te evitando como sempre. – Shaka foi direto. – E também porque eu pedi.
– Pediu? – Shun estranhou aquilo. No pouco tempo de convívio com aqueles dois, ele percebia o quanto eles eram ‘grudados’. Era estranho para si ver o irmão dessa forma, já que uma das características básica do Amamiya mais velho era ser extremamente livre e solitário. Não era para qualquer uma, ou um, amarrar Ikki Amamiya. Nunca foi. Muitas tentaram, mas nenhuma conseguiu, nem mesmo Esmeralda o primeiro e, até Shaka, único amor do empresário.
– Estou me sentindo muito dependente, Shun, como nunca fui de ninguém. – O loiro suspirou. – Deve presumir que sempre fui alguém muito solitário devido ao meu... transtorno – ainda era difícil admitir –, então... a forma que tenho sido dependente do seu irmão, às vezes, me incomoda um pouco...
– Eu entendo. – Shun sorriu. – Ikki tem essa capacidade não é? De fazer o mais arrogante dos homens confiar nele, saber que pode contar com ele...
O indiano franziu as sobrancelhas o que fez o mais novo corar.
– Não que você seja arrogante! Não foi isso que quis dizer... – levou a mão ao óculos o consertando sobre o nariz. – Não sei se você conhece Kanon, Kanon é o melhor amigo, eu acho que ainda é, do meu irmão. Ele confia muito no Ikki... Muito, e olha que ele tem um gênio tão forte quanto...
– Não, eu não conheço. Não conheço os amigos do seu irmão. – Shaka falou um tanto incomodado.
– Ainda não conhece, vai conhecer – sorriu Shun. – Bem, agora eu tenho que ir.
– Eu também. Preciso trabalhar. – O loiro disse e se despediu do irmão do namorado. Seu celular tocou e ele viu ser o número do moreno.
– Oi, amor – sorriu ao atender.
– Oi, e então como foi a consulta? – Ikki estava ansioso.
– Bem. Ele fez apenas a entrevista inicial e pediu alguns exames. Não esperava que fizesse isso, mas ele disse que era importante saber meu quadro clínico e neurológico.
–Hum... entendi.
– Deve achar que sou louco – riu Shaka abrindo a porta do carro.
– Nem brinca...
– E você, o que está fazendo? Muito trabalho?
– Sim. Hoje é a estreia da nova atração musical, acho que vou chegar tarde. A casa estará lotada.
– Você sempre chega tarde. – Entrou no carro dando a partida. – Mas tudo bem, eu espero, apesar de estar com saudade.
– Também estou.
– Tenho que desligar, vou dirigir agora.
– Certo. Eu te amo, loiro.
O indiano estancou, sentindo o coração falhar. Apesar de já ter ouvido aquilo de muitas formas e muitas vezes, agora aquelas palavras tiveram um toque especial que o emocionou. Estava magoado com o namorado, não conscientemente, mas estava e, ainda assim, o amava demais.
– Eu também amo você, Ikki. Muito.
– Que bom – o moreno sorriu. – Nos vemos mais tarde. Tchau.
– Tchau.
O moreno desligou. Shaka suspirou e deu partida no carro. Passaria à tarde na agência de turismo.
O indiano voltou para casa já à noite. Ele estava cansado. Tudo que queria era um bom banho e cama! Era uma pena que Ikki não estivesse ali. Gostaria de ter ficado com ele pelo menos um pouquinho naquele dia. O loiro sorriu sentindo-se um bobo. Nunca havia sentido tanta necessidade de estar assim com alguém antes. Era incrível, mas agora caía em si que estava juntos há quase um ano! Dez meses! Era um tempo considerável se levasse em conta dois temperamentos difíceis como os deles.
–Oi! – Mu o cumprimentou assim que Shaka entrou no apartamento. Jack foi saltitando até o loiro e ficou entre os dois rosnando para Mu. – Seu cachorro não gosta de mim.
– Notei – Shaka disse, estranhando aquela atitude de Jack que geralmente era pacífico e adorava brincar com todo mundo. – O Ikki deve ter feito alguma coisa pro Jack “pegar” o ciúme dele.
–Vocês falam como se o pobrezinho do cachorro entendesse disso – sorriu o tibetano.
–E quem disse que ele não entende? – Shaka calçou as luvas e segurou Jack no colo.
–Ah, chegou esse pacote pra você... – Mu pegou o envelope que estava sobre a mesa e entregou ao loiro.
–Estranho... Não tem remetente – o indiano disse ao virar o envelope de um lado a outro. – Vou tomar banho e jantar primeiro. Depois vejo isso. Deve ser alguma propaganda.
O editor balançou os ombros como quem diz:“você quem sabe” e voltou para o computador. Shaka foi para o quarto e colocou Jack no chão. O cachorrinho ficou brincando com um osso de borracha enquanto o dono se despia.
O jantar transcorreu sem grande agitação. Jack, volta e meia, rosnava para Mu que ignorava solenemente. Shaka acabava rindo da “guerra fria” que os dois começaram. O loiro nem ia mais olhar aquele envelope naquela noite, mas ficou curioso e resolveu abri-lo. Ele caminhou até a sala e procurou onde havia largado o envelope, achando-o sobre o sofá.
– Shaka? Algum problema? Pensei que fosse dormir. – Mu perguntou se erguendo da cadeira do computador. Também já estava com sono.
– Sim, eu vou, mas me deu vontade de olhar o que temos aqui.
Ele abriu o envelope e viu tratar-se de um DVD. Franziu a testa. Havia um bilhete dentro com apenas uma frase escrita: “Para apimentar a relação”. Sentiu-se ainda mais curioso. Será que fora Ikki quem mandara aquilo? De qualquer forma, não queria ver perto de Mu. Pensando assim, foi para o quarto, se despedindo do editor com um boa-noite.
Chegou ao quarto e ligou os aparelhos necessários, colocando o disco e esperando o que quer que fosse aparecer. Ele só não estava preparado para a cena que surgiu: Ikki, visivelmente embriagado, sendo amparado por Pandora até o sofá cama que ficava no escritório do moreno.
A imagem era em preto e branco e um tanto embaçada, mas era nítido o que estava acontecendo ali e havia a data estampada na tela. Eram imagens do circuito de segurança da boate.
Shaka mordeu o lábio com força. Sentiu impulso de desligar o vídeo, mas não conseguia se mover. Pandora começou a atacar Ikki que no início tentou afastá-la, mas chegou a certo momento que ele não reagia mais e até... correspondia ao que aquela mulher fazia. Quando os dois começaram a tirar as roupas e os gemidos aumentaram consideravelmente, Shaka não aguentou e virou de costas.
– Por quê? – ele murmurou sentindo as primeiras lágrimas despencarem de seus olhos.
Seu coração doía miseravelmente no peito. Por que confiou tanto naquele homem? Naquele homem que ele sabia ser um promiscuo, um imoral.
Esmurrou a primeira coisa que encontrou que foi a cama. Começou a trocar de roupa rapidamente, tentando conter as lágrimas. Fizera tudo por Ikki, mudara seu jeito de viver por ele, confiara nele, para quê? acabava de ter a certeza que nada daquilo teve significado para o moreno. Nada!
“Eu tentando ficar bom por ele! e ele...!” Os pensamentos do loiro estavam confusos. Shaka não suportaria dormir sabendo de tudo aquilo, dormir sem falar com Ikki, sem entender o motivo. Por que tinha um motivo, não tinha?
“Você, você é o motivo, Shaka! Você e essa sua doença! Doente! Doente!” Vozes pareciam falar dentro da sua cabeça. Parecia que eles gemiam dentro de si. Parecia que Pandora ria e debochava deles em seus pensamentos.
Ele não conseguia controlar as emoções, mas tentou, tentou ao máximo, entoando um mântra que sempre o ajudava. Mas não poderia dormir. Precisava falar com Ikki, e foi assim que saiu de casa em direção à boate.
A noite na santuário estava animada como sempre e naquele dia em especial, Ikki se mostrava com ótimo humor. Tanto que já tinha tocado seu sax o que, evidentemente, fez um número considerável de mulheres o rodear. Fazia muito calor também e embora a casa fosse climatizada, ele chegava forte pelo contato dos corpos.
O moreno bebia algo doce e gelado enquanto conversava com um grupo animado que era formado por quatro garotas e dois rapazes. Eles não estavam na pista de dança, mas isso não os impediam de dançar de forma discreta. As garotas gingavam os quadris arredondados e se insinuavam descaradamente. Ikki seguia os movimentos delas com um sorriso provocador e ria simpático. Eram clientes Vips, e ele precisava dar atenção. Não sabiam elas que aquilo era tudo que teriam dele, o moreno gostava de seduzir, fazia parte dos negócios, mas só isso. Odiava infidelidade e depois do incidente com Pandora passou a controlar ainda mais suas aventuras com álcool e acompanhantes femininas.
Shaka saiu de táxi, pois não tinha condições de dirigir. Ele pagou a corrida e estancou na hora de entrar na boate. Primeiro porque ainda não sabia o que diria ao namorado, segundo, porque a fila para entrar estava imensa, e ele demoraria horas, se remoendo, enquanto esperava.
–Ei, você não é namorado do Ikki? – um rapaz de longos cabelos negros perguntou ao vê-lo parado encarando a fila.
–Sim – Shaka murmurou sem muita convicção. O loiro o reconheceu: era o namorado do problemático do Seiya.
–Ah, não precisa entrar na fila. Pode me acompanhar – o rapaz sorriu e fez um sinal para que ele o seguisse.
Ao entrar, Shaka viu que Ikki estava rodeado de garotas. O loiro apertou o envelope com força, o amassando bastante, decidindo como iria agir. “Ele me traiu uma vez... Quem garante que não continua fazendo isso?” Pensava amargamente. Aproximou-se, tentando manter a pose firme e altiva. Pose que só perdeu para o homem sorridente à sua frente; o homem que o fez se apaixonar para depois traí-lo.
Shaka estava magoado; amargurado; raivoso; cego.
Ele parou ao lado do grupo em que estava seu namorado. Tocou-o de leve no cotovelo para chamar-lhe atenção.
Ikki virou-se lentamente e encarou surpreso o rosto do amado. Imediatamente segurou-lhe o braço e o afastou do grupo. Achava que algo muito sério acontecera para o indiano estar ali.
– O que houve? – perguntou alto, pois o som era ensurdecedor.
Shaka forçou um sorriso falso. Não queria deixá-lo de guarda alta.
–Só queria conversar com você um pouco... Podemos ir até seu escritório?
Ikki franziu as sobrancelhas, estranhando aquela novidade. Por mais que Shaka tentasse demonstrar calma, ele o conhecia bem e o loiro parecia nervoso.
– Claro, vem – ele o enlaçou pelos ombros e o guiou pelo meio da multidão de forma a protegê-lo dos esbarrões e toques que deixariam o indiano incomodado. Subiram as escadas, chegando ao mezanino e logo depois ao escritório.
– O que é tão importante para trazê-lo aqui? – perguntou sorrindo. – Sei que você não gosta dessa confusão toda!
Shaka ouviu a pergunta de longe. Ele olhava para o sofá cama e sentia como se o mundo estivesse ruindo aos seus pés. Céus! Ele ainda estava tentando negar a si mesmo que Ikki realmente havia feito aquilo. Lembrou-se do passado. Sim, ele desconfiou de Ikki certa vez, mas depois aconteceram tantas coisas que ele acabou esquecendo. Esqueceu-se do jeito esquivo do moreno quando ele apareceu com aquele... corte no pescoço. Agora sabia que não foi um corte, foi um violento chupão deixado por aquela vampira do inferno!
– Sempre me perguntei como aquele corte não deixou nenhuma cicatriz – o loiro murmurou. Foi tão idiota por ter fechados os olhos para as evidências da traição que saltavam à sua frente: os chupões e arranhões pelo corpo do moreno que Pandora havia feito questão de deixar. Ele viu as pequenas cicatrizes nas costas de Ikki, mas não comentou e ainda havia aquele adesivo constante por dias no pescoço. “Me cortei fazendo a barba”. O moreno dissera e ele caiu como um patinho. Acreditou. Fingiu acreditar.
– Corte? – Ikki não entendeu o murmúrio do loiro, mas assim que se recordou da mentira contada há tempos, deu um passo para trás, corando e colocando a mão instintivamente no pescoço. – Ah... foi... algo pequeno... – respondeu quase num murmúrio também.
– Que bom que sarou – Shaka se aproximou dele e deslizou o dedo lentamente pelo pescoço do namorado. – Não ficou nem cicatriz. Ele fixou seu olhar no dele, fazendo um desafio mudo, desafiando Ikki a continuar mentindo.
O mais novo sentiu-se estremecer com aquele olhar, sua garganta ficou incrivelmente seca, e ele procurou algo para dizer sem encontrar. Era evidente que Shaka sabia de alguma coisa... Como? Não sabia! Mas aquela visita e aquelas perguntas não eram em vão.
– É... não ficou... – ainda assim ele murmurou, mas dessa vez, sem convicção e baixando o olhar para o chão numa atitude visivelmente envergonhada. Não sabia o que dizer naquele momento.
–Eu quero te mostrar uma coisa – Shaka se afastou e sentou-se diante do computador. Tirou o DVD do envelope sob o olhar sempre atento de Ikki. – Vem aqui – ele chamou o moreno que continuava parado no centro da sala. Deu o play quando Ikki parou ao seu lado. – É uma sorte que em você não restou nenhuma cicatriz... Porque eu te garanto que isso causou um ferimento em mim que vai deixar uma cicatriz enorme se é que vá sarar algum dia.
Ikki sentiu-se empalidecer ao perceber do que se tratava. A louca da Pandora roubara suas fitas para poder se vingar e fez um DVD com elas. Agora ele entendia as palavras ardilosas da mulher antes de ir embora. Ela não o perdoaria pela rejeição; ela precisou se vingar.
– Eu...– não sabia o que dizer, não havia o que dizer. – Desculpe... eu... eu nem sei o que dizer... – voltou a olhar o chão. Não conseguia encarar Shaka e nem aquelas imagens que eram a prova concreta dos seus meses de mentiras.
–Você sabe que um mero pedido de desculpas não vai adiantar, Ikki – Shaka disse sem tirar os olhos da tela. Era masoquista. Só podia ser. – O que mais dói... é a mentira. Eu sempre soube que talvez em algum momento você não aguentasse. Eu sempre soube que em algum momento você poderia fraquejar e estava pronto pra isso. Mas... por que você não me contou na manhã seguinte? Por que me enganou esse tempo todo?
– Porque eu não queria te perder! – falou alto erguendo os olhos para mirar o loiro. – Eu ia contar, juro que ia, mas o dia seguinte a isso foi sua primeira consulta com o louco do Valentine, e eu não queria que algo o perturbasse! Eu sei que menti... Mas... – respirou fundo. – Isso não teve nenhuma importância pra mim, Shaka... Eu já disse: Pandora não tem nenhuma importância em minha vida!
Shaka se afastou do namorado antes que ele tentasse tocá-lo e ficou do outro lado da sala mirando o maldito sofá cama.
– Shaka, eu estava bêbado! – Ikki tentou se defender desesperado. – Sei que isso não justifica, sei que errei, mas saiba que eu nunca mais errei desde aquele dia! Eu nem mesmo tenho bebido mais, não tanto! Acredita em mim!
Shaka deu-lhe as costas. Não choraria na frente de Ikki! Não demonstraria fraqueza! Estava doendo, mais do que poderia imaginar, mas aguentaria.
– Quando cheguei você estava lá, cercado! Como posso confiar novamente? Você disse que odiava mentiras, e o que fez esse tempo todo? Inventou desculpas e mentiras para as marcas que aquela... – engoliu a raiva e o palavrão – Aquela cantora de quinta deixou no seu corpo. A verdade é que você não aguenta ficar sem sexo, e eu não sou capaz de satisfazer seus desejos!
– Que merda você está dizendo?! – irritou-se Ikki. – Eu vivo sem sexo há meses! Há meses sem reclamar! Não pode me julgar por um único deslize, e esse foi o único! Mesmo que você não acredite em nada que eu fale... – respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos e voltando a encarar o namorado. – Shaka, eu te amo...
O coração do indiano falhou uma batida e ele mordeu o lábio com força. Estava se sentido tão ferido e traído que não conseguia acreditar no que Ikki dizia. Só conseguia se lembrar da forma como ele gemia e se entregava às caricias de Pandora. O ciúme estava o correndo por dentro. “E se eu nunca me curar?”, Shaka pensava angustiado.
– Eu preciso de um tempo – murmurou desviando o olhar. – Eu não consigo confiar mais em você, não consigo...
– Shaka, não faz isso... – O mais novo suplicou baixinho, olhando o chão de forma perdida. Parecia que o indiano não percebia o quanto aquilo era difícil para ele também e o quanto o amedrontava a possibilidade de perdê-lo. – Será que não pode tentar me perdoar?
– Eu quero um tempo, Ikki! Um tempo pra pensar. Não é tão fácil quanto parece ser pra você! – Irritou-se o loiro, sentindo as lágrimas querendo voltar. – Eu não consigo fingir que nada aconteceu, não consigo!
– Um tempo? – o moreno indignou-se. – Vai me deixar por algo que não teve a menor importância?! – sua voz começou a se elevar. – Se não percebeu naquela maldita fita, Shaka!, eu estava bêbado! Completamente bêbado quando isso aconteceu! Não é justo!
– Eu já disse que não é apenas a traição física que está me magoando! Você mentiu!– Shaka acusou. – Você esteve bem lúcido durante todos esses meses em que escondeu isso de mim! Uma hora ou outra eu iria descobrir! – por um segundo ele pensou que também andava mentindo para o namorado, mas a sua frustração naquele momento era maior que a culpa.
Ikki calou-se, não tinha muito a dizer. Shaka estava certo, ele mentiu; justo ele que odiava mentiras, ocultou aquele problema durante todo aquele tempo e chegou mesmo a esquecê-lo e talvez passasse à vida inteira sem tocar naquele assunto se Shaka não acabasse descobrindo.
– Não sou infalível, Shaka... – murmurou derrotado. – Sei que dizer que me arrependi não basta... Então... eu só posso... – respirou fundo, porque aquilo era difícil para alguém orgulhoso como ele, mais difícil do que as pessoas ditas normais conseguiriam entender – pedir perdão... e dizer que isso não vai acontecer novamente.Dizer que te amo. Me perdoe... Por favor...
O indiano entreabriu os lábios. Percebia que o moreno estava um pouco trêmulo ao dizer aquilo. Ele conhecia bem o namorado e sabia não ser fácil para ele engolir o orgulho e admitir um erro. O loiro até queria perdoá–lo, mas a dor e a mágoa que sentia, misturava-se a raiva e a desesperança. Não conseguia.
–Assim como você, eu tenho os meus defeitos... – Shaka disse lentamente. – E eu não consigo perdoar. Pelo menos não agora – ele se afastou em direção à porta. – Vou para casa. Essa conversa não está nos levando à lugar algum.
Ikki não permitiu que ele saísse; segurou o escritor pelo braço o puxando para encará-lo. Estava envergonhado, confuso, mas também estava irritado com a falta de compreensão do namorado. Será que Shaka não podia perdoar uma falha, quando durante tanto tempo ele suportou todas as falhas do loiro sem reclamar? Será que o amor que ele sentia era tão pequeno que o impedia de perdoá-lo por um único erro?
– Escuta! A gente tem que terminar essa conversa agora, loiro! – falou nervoso. – Eu consigo perdoar seus defeitos, por que você não pode fazer o mesmo comigo?! Aquilo aconteceu e eu não posso voltar atrás, mas precisa acreditar em mim quando digo que te amo e que não voltarei a traí-lo?! Que merda! Será que é tão difícil acreditar em mim? O que vivemos durante todo esse tempo é tão pouco importante que um simples deslize apague tudo?!
–Não minta para mim! – Shaka estourou, puxando braço ou pelo menos tentando puxar, já que Ikki o segurava de uma forma que era impossível fazê-lo. – Você trocava de mulher como quem troca de roupa! Cada dia era uma diferente saindo daquele apartamento!E quando eu cheguei aqui, você estava cercado, flertando descaradamente! E tem a cara de pau de me dizer que não vai acontecer de novo? Você não vive sem sexo, Ikki! Você não pode garantir que vá resistir caso uma daquelas beldades anoréxicas que estavam ao seu lado resolva dar em cima!
– Eu estava trabalhando! Você sabe que isso faz parte do meu trabalho e... O que aconteceu com a Pandora foi um fato isolado!... Não significa que eu vá cair nos braços de qualquer outra, Shaka, acredita em mim! Você não tem o direito de me condenar! – irritou-se puxando o loiro mais para si e falando entre dentes – Sim, eu gosto de sexo, preciso de sexo, mas estou vivendo sem ele há meses! Por você! em dez meses eu só tive sexo duas malditas vezes! E você vem aqui e me diz que eu só penso nisso?! Está sendo injusto e egoísta!
Shaka sentiu a cor que ainda havia no seu rosto se esvair com aquela acusação. Foi como um soco muito bem dado em seu estômago. Magoado, ele tentou se soltar mais uma vez, mas só o que estava conseguindo era aumentar a fricção da mão de Ikki em seu braço.
–Você não precisa mais se preocupar com isso! Pode voltar a transar com quantas vagabundas você quiser porque estamos terminando aqui! – ele exclamou com raiva, sentindo os olhos arderem pelas lágrimas que bravamente continha.
O moreno sentiu o coração falhar e lágrimas chegarem aos seus olhos também, mas a raiva que sentiu naquele momento conseguiu controlar a dor e a mágoa, e ele trancou ainda mais a expressão séria, mirando Shaka agora de forma furiosa.
– É o que quer? Ótimo! – Ikki soltou o braço do loiro. – Vamos terminar, por que eu não quero mais ficar mentindo! Não é isso que disse? que eu menti? Então vamos falar a verdade! e a verdade é que eu preciso de sexo sim! eu sinto falta sim! e você não é capaz de me satisfazer e parece não ligar a mínima pra isso! eu sou tão responsável pelo que aconteceu quanto você! Aquilo aconteceu porque eu estava há meses sem ter o que preciso e você parece nunca ter se importado com isso! É isso que quer ouvir? Não é isso que sou? um ninfomaníaco?! Dane-se então!é isso que sou!
Ele derramou sua raiva, frustração e mágoa da forma mais catastrófica que poderia, mas não conseguiu evitar. O que estava fazendo? Magoando Shaka? Não era o que queria, mas como um animal ferido, ele apenas reagia com suas garras. Nunca soube muito bem como agir em situações de estresse emocional. Sempre acabava falando demais, externando da pior forma seus sentimentos.
As lágrimas de Shaka finalmente se derramaram. As palavras ferinas de Ikki conseguiram atingi-lo como uma facada direta no coração. Ikki estava sendo injusto e cruel. Atacando-o num ponto sensível demais, num ponto em que o loiro era completamente vulnerável: sua doença. A doença que os impediu, durante todo aquele tempo, de ter uma relação completa.
–Eu não... – ele tentou falar, mas viu que não adiantaria tentar se justificar. Ikki não via o quanto ele se esforçava e tentava superar seu transtorno. Pelo visto todos os seus esforços haviam sido em vão.
Shaka limpou o rosto com raiva de si mesmo por estar sendo tão fraco diante dele. Abriu a porta, lançou um último olhar ao ex-namorado e saiu sem dizer mais nada. Precisava sair dali antes que desabasse. Ikki com certeza teria quem o consolasse, não precisava dele e nem se importava com ele.
– Shaka, espera! Eu não queria dizer isso, droga! – o moreno levou as mãos aos cabelos puxando-os com força, então saiu da sala, correndo atrás do namorado, o alcançando já na saída, próximo ao estacionamento. Segurou-o pelos cotovelos, mas Shaka lutou para se libertar. – Eu não queria dizer aquelas coisas! Eu... que merda! As coisas vão terminar assim entre nós dois? – perguntava com o coração descompassado de medo e mágoa. – Eu fui um idiota, eu sei, mas eu te amo! Eu te amo, isso não significa nada?!
Shaka o olhou com sua melhor expressão de raiva e desprezo. Ikki recuou. Aquele olhar, aquele olhar foi um retorno ao passado. Aquele olhar era semelhante ao olhar que Shun lhe lançara antes de desaparecer da sua vida. Sim, era aquele o olhar. O olhar de decepção e desprezo, de dor e de mágoa.
– Você escolheu, Ikki – Shaka disse com toda sua raiva. – Entre o amor e o sexo, você escolheu o sexo.
– Eu não... Por fav-
– Me esqueça! Desapareça da minha vida! – Cuspiu o loiro. – Eu nunca mais vou acreditar nas suas palavras mentirosas. Você nunca passou mesmo de um pervertido doente! Eu odeio você!
O indiano libertou o braço e saiu correndo dali. Não conseguia controlar as lágrimas que caíam insistentemente. Entrou no primeiro táxi e foi para casa.
Ikki ficou um tempo parado olhando na direção que o namorado foi. Sentia-se tragado por um buraco negro. O peito doía de um jeito que ele sentia dificuldade até de respirar. Ele se sentou na calçada ao lado do estacionamento e apoiou a cabeça nas mãos.
Ficou nessa posição por um longo tempo sem pensar em nada, não conseguia pensar. Quando saiu desse estado de torpor percebeu o rosto molhado e os soluços que escapavam da sua garganta. Ele esteve chorando aquele tempo todo, mas não conseguia se lembrar de nada. Agora, era como se despertasse de um doloroso sonho porque alguém o chamava.
– Ikki, você está bem? – A voz de Shiryu parecia distante.
O gerente mirou o patrão preocupado. Ele passara a noite inteira procurando por ele até que a casa noturna fechou. Agora já era dia e finalmente ele localizara o empresário ali no estacionamento. O jovem de cabelos longos fez um gesto para que Seiya que o acompanhava o deixasse sozinho com o outro, o que o rapaz dessa vez fez sem protestar.
– Ikki – ele tentou novamente.
O mais velho finalmente ergueu o rosto, encarando o outro, meio envergonhado.
– Está tudo bem, Shiryu, eu... eu vou pra casa. – Declarou. – Preciso pensar...
– Mas, você não está bem, eu acho melhor...
– Vai à merda, me deixa em paz... – O empresário resmungou e saiu. Voltou à boate e pegou a chave do carro, indo para casa logo em seguida.
Quando chegou, controlou a vontade de bater no apartamento do indiano, foi para o seu, tomou um banho e trocou-se. Precisava estar controlado antes de tentar falar com ele de novo. Preparou um café bem forte e esperou o momento em que Shaka fosse sair para o trabalho. Então ficou esperando no corredor, mas como ele não saiu, resolveu bater à porta do indiano.
Para sua raiva, quem atendeu foi o maldito editor.
– Quero falar com Shaka – foi dizendo ao entrar no apartamento.
– Olha, eu acho que ele não quer te ver... – Mu tentou, mas Ikki não ouviu, marchou para dentro do quarto do loiro e o encontrou fazendo as malas.
– Pra onde você vai? – Perguntou com o coração em frangalhos. Sabia que havia perdido o indiano.
O loiro lançou um olhar gelado para ele, vestindo uma máscara de frieza que disfarçavas todos os seus sentimentos.
– Vou viajar a trabalho, mas isso não é mais da sua conta. Você não tem mais o direito de entrar na minha casa sem pedir – disse fechando a mala.
– Shaka, vai ser assim? Você não vai me dar mais uma chance?
O loiro tirou a mala de cima da cama. Já estava pronto, vestido elegantemente, embora o inchaço dos olhos e as olheiras fossem indisfarçáveis.
– Estou te dando uma chance, Ikki. A chance de ter uma vida completa. Uma vida com alguém que não lhe prive daquilo que você mais preza. A chance de estar com alguém que seja capaz de satisfazê-lo.
Ele passou pelo mais jovem. Arrastando a mala.
– Eu amo você... – O moreno sussurrou, e o loiro apertou os lábios tentando não fraquejar. Estava doendo. Era como se seu coração estivesse esfacelado, em carne viva.
– Pois eu vou esquecê-lo. – Disse. E saiu.
Ikki sentiu-se morrer naquele momento. Ficou um tempo parado no meio do quarto. Jack foi fazer-lhe companhia, mas ele não deu a mínima para o cãozinho. Saiu minutos depois, passando por Mu, sem vê-lo, e indo para seu próprio apartamento. Não iria implorar pelo amor de Shaka. Uma das suas características mais marcantes era o orgulho e ele já havia implorado demais. O loiro queria esquecê-lo? Que esquecesse então, embora soubesse que quanto a si, isso seria impossível.
Continua...
Notas finais
E sim, eu não gosto da Pandora, e sim, ela será uma bitch sem escrúpulos em qualquer fic que eu escreva XD
Obrigada a todos que comentaram e comentam sempre. Isso não tem preço pra mim. Perdoem possíveis erros de revisão, sem tempo e sem saco pra fazer uma betagem decente.
Beijos a todos e até o próximo capítulo!
Sion Neblina
Postado em 25.07.2013
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