Essa Estranha Atração

31 Essa estranha atração


Notas iniciais
Bem, depois de longos três anos. “Essa estranha atração” chega ao final. Durante esse tempo enfrentei muitas dificuldades para continuar a fanfiction. Vocês queridos e fiéis leitores devem se lembrar que ela era feita em parceria, parceria que foi desfeita no decorrer do processo. Aí as dificuldades apareceram, primeiro porque isso me causou um desgosto e frustração muito grandes e depois porque, estando sozinha no comando da fic, me senti livre para mudar muita coisa que achei nonsense, então a partir daí a fic passou a ser completamente reescrita e reestruturada de acordo com a minha visão de mundo somente e isso foi bem trabalhoso. Agradeço aos leitores que sempre apoiaram e deram um retorno positivo para mim durante esse ardo processo. Não foi fácil terminar, até pelas mudanças na minha vida – é, foi durante a trama que entrei na faculdade e conclui o curso, me tornando professora, ou seja, menos tempo para tudo! XD – Em fim, foi um caminho difícil, mas finalmente consegui concluí-lo. Sei que o final não agradará a todos, claro que não!, mas saiba que foi feito com muito carinho e extrema dedicação, tentando sempre tornar a coisa mais romântica, verossímil e coesa possível; uma derrapada aqui, um errinho ali, acontece com quem não tem editor,mas espero de coração que vocês gostem e desde já agradeço a todos que fizeram dessa trama algo tão especial, sempre colaborando com especiais reviews e recomendações maravilhosas! Um beijo imenso no coração de vocês! Boa leitura! Sion Neblina

Essa estranha atração

Capítulo final

Ikki levou Shaka até o escritório. O loiro entrou, mirando ao redor e vendo, num canto, a cesta com frutas, chocolates e as flores. Sentiu seu coração pesar. Parecia que Ikki teria um encontro romântico naquela noite. Com certeza ele estava saindo com alguém, na certa uma daquelas moças bonitas que vira com ele no show.

– Acho que estou te atrapalhando... – deixou o ciúme falar mais alto. – É melhor eu ir embora...

Ikki olhou para ele e depois desviou o olhar para as flores. Sorriu de leve com a ironia e um tanto de tristeza. Na verdade, aquela história de Shaka e o outro cara ainda não tinha sido digerida e se mantinha dentro de si como uma sombra de dúvida e medo, mas ele tentava se controlar; tentava ter, pela primeira vez, controle dos seus sentimentos.

– Ah sim... Você atrapalhou meus planos, sim. – Disse, sério.

O loiro sentiu o sangue ferver de raiva com aquela afirmação. Se ele estava atrapalhando, por que o outro o levou ali?

– Quer que eu vá embora? Posso procurar o Shura e ele me leva – provocou, vendo a expressão de Ikki se fechar novamente.

­– Se é isso que quer, eu não vou impedi-lo, Shaka. Chega de cenas, não? Mas é muito estranho que uma pessoa que disse há alguns minutos que tudo tinha sido uma encenação agora diga que vai sair com o cara. Fala a verdade! Você está mentindo de novo e de novo! – Explodiu o moreno, confuso.

O loiro ruborizou e entreabriu os lábios, percebendo a bobagem que dissera. Ikki tinha razão, e o pior seria tentar remediar isso.

– Eu não estou mentindo! Foi realmente uma encenação, um acordo. Ele queria fazer ciúmes ao namorado também e eu topei essa idiotice! Não preciso mentir, Ikki, não mais! Estou cansado.

O moreno o encarou, sentindo a raiva e a dúvida retornarem com força.

– E você acha que eu sou estúpido o suficiente para acreditar nisso? Você está mentindo, mentindo novamente como fez o tempo inteiro em que estivemos juntos! Deve achar mesmo que eu sou um idiota! E eu quase acreditei em você, como sou burro!

Shaka encarou o outro, atônito.

– Por acaso você agora se tornou bipolar? Eu não estou mentindo! – exclamou, segurando o moreno pelo braço. – Se era para não acreditar em mim por que me chamou aqui? Você parecia bem há alguns minutos, deuses! Eu devo estar louco então! – Irritou-se o loiro.

– Bem? Nada estava bem! – Ikki suspirou. – Eu não sou a pessoa que sempre tentei parecer, Shaka. Eu também sinto medo, eu tenho medo de tentar novamente e tudo dar errado de novo! Aí você vem com essa história de encenação e acha que é fácil para eu acreditar? Não é! Diga a verdade, diga que se envolveu com ele, que veio aqui com ele, mas ao me ver, desistiu de ficar com ele! Seria mais fácil acreditar nisso do que...

– Sim, seria mais fácil, mas não seria a verdade! – exasperou-se o loiro. – Acha que também não sinto? Acha que foi fácil armar esse plano idiota e vir aqui como um desesperado em busca do amor? – o escritor passou as mãos nos cabelos, angustiado. – Ikki, eu não sei o que dizer para que acredite em mim novamente. Não sei o que dizer para que nós dois possamos resolver isso. Eu só posso falar do que eu sinto, meus sentimentos são meu único argumento nessa história.

O moreno respirou fundo, tentando controlar-se novamente. Sentia sinceridade nas palavras do loiro, deuses! Ele o conhecia, sabia que Shaka não era leviano.

Acabou sorrindo de leve, mesmo que ainda tivesse dúvidas. Sim, ele sabia que uma noite não era o suficiente, palavras não eram suficientes, mas precisava tentar. Ser feliz era a única coisa que importava e só seria feliz ao lado daquele loiro problemático.

– Isso tudo aqui era pra você, Shaka. Porque justo hoje... Justo hoje quando eu resolvi ir procurá-lo, você apareceu aqui com aquele cara. Imagina como me senti? Como me sinto com toda essa história?

O loiro entreabriu os lábios, sentindo-se culpado e ao mesmo tempo fez por saber que Ikki pensava em procurá-lo. Caminhou até o moreno e o abraçou com força.

– Me desculpe, eu não tinha ideia! – confessou. – Eu também estava desesperado, Ikki, por isso fiz o que fiz! Eu não queria magoá-lo, não era isso que queria.

O moreno suspirou e fechou os olhos com força, sentindo profundamente aquele abraço. Como gostava de estar assim com ele; como era bom senti-lo perto de si daquela maneira. Que se danassem os medos, as dúvidas. Ele queria Shaka, ele o amava, era apenas isso o que importava!

– Senti tanta a sua falta, loiro... – ele murmurou. – Pode parecer que não, sei que agi como se não me importasse, mas... Não se passou um dia que eu não pensasse em você. Aí você me aparece com... – respirou fundo, tentando conter o ciúme.

– Ikki, acredita em mim, eu não tenho nada com o Shura. Na verdade, eu não estive com ninguém desde que nos separamos. Eu ainda tenho nojo do toque das outras pessoas. Apenas consigo controlar essa sensação. Eu estou me tratando por você, por nós! Sempre foi por nós! Quer prova maior do que essa dos meus sentimentos?

Ikki queria acreditar nele, mas o ciúme era tão forte. Ele não conseguia admitir que outro tocasse o corpo de Shaka, isso era uma tortura.

– Você não parecia muito enojado enquanto aquele idiota se esfregava em você... – falou entre dentes – nem parecia mais o Shaka que conheci, será que você realmente me ama ainda? Porque se me amasse não faria isso sabendo o que eu sentiria! O que pensa que senti ao vê-lo se esfregando com aquele cara na pista de dança? E... Deus! Isso é o pior! Vocês transaram? Vocês... Diz a verdade! – Olhou o outro, o medo brilhando nos olhos.

Shaka riu e revirou os olhos, parecia que Ikki simplesmente não o escutava.

– Eu. Não. Tive. Nada. Com o Shura! – pontuou sem paciência. – E nem com ninguém! Se não vai acreditar em mim é melhor eu ir embora! – irritou-se. – Eu não sabia mais se você ainda me amava e o único jeito de tentar descobrir era provocando o seu ciúme! Se você ficasse com pelo menos um pouco de ciúme aí talvez ainda houvesse esperança... Mas parece que a única coisa que está ferida aqui é seu ego! Isso não é amor, Ikki, isso é orgulho!

O moreno suspirou, perdido demais na própria dor e ciúmes. Afastou-se um pouco mirando a expressão grave de Shaka, as lágrimas que se formavam nos olhos dele, mesmo que inconscientemente. Sentiu o peito se apertar com aquilo e o tomou nos braços, o abraçando novamente.

– Me desculpe... – pediu, magoado. – Sou realmente um ogro. É claro que acredito em você! Eu tenho que acreditar em você! Você me ama? – afastou-se, olhando o escritor nos olhos.

Shaka sorriu.

– Como sempre, Ikki. Como nunca deixei de amar.

O moreno o beijou com força, ardor, saudade, amor, desejo. Não queria conversar mais, já sabia de tudo que precisava. Palavras muitas vezes só serviam para magoar. Não adiantava tentar racionalizar o que sentiam, não era racional, e estava cansado. Apenas queria Shaka de volta, só isso. Queria apenas sentir o calor do corpo dele novamente e pensar que tudo ficaria bem, uma hora ou outra. O amava, nunca deixou de amá-lo e sabia que Shaka o amava também, mesmo por baixo daquele mar de dúvidas, ciúmes e mentiras.

Cobriu-lhe os lábios num beijo profundo, forte, a língua forçando passagem para dentro de sua boca, o impedindo de falar qualquer coisa que fosse. Não queria ouvir, falar, discutir mais, agora queria sentir, matar a saudade, esquecer todo o resto. O segurou fortemente pela nuca, aprofundando o beijo e o mantendo cativo em seus braços até que ficou sem ar e afastou-se segurando o loiro pelo pulso.

Shaka entregou-se à felicidade total. Um simples beijo do moreno foi capaz de deixá-lo completamente excitado, louco de desejo e vontade de tê-lo novamente nos braços. Só Ikki possuía aquele poder sobre ele, mais ninguém.

Como fora burro em aceitar aquela história. Por que simplesmente não foi até ele e disse que estava com saudades e pediu que voltassem? Ele acusava o moreno de ser orgulhoso, mas não era muito diferente. Aquela ideia havia sido totalmente estúpida. O loiro só havia conseguido deixar Ikki com raiva, e um Ikki com raiva não era exatamente a pessoa mais fácil de lidar.

Os seus pensamentos foram interrompidos quando o moreno deixou-se cair no sofá, o puxando para seu colo, sem parar o beijo; um beijo carregado de desejo e saudade. Shaka não tinha ideia do que aconteceria depois, mas se deixaria levar e aproveitar aquele momento. Nem que fosse somente isso; um momento.

Ikki se afastou minimamente do loiro para se livrar da camisa, jogando-a em um canto qualquer enquanto continuava beijá-lo, afagando-lhe o corpo com desejo e saudade. Puxou-o para si, beijando-o no pescoço com lábios famintos, marcando a pele com chupões e mordidas. Ouviu Shaka gemer alto quando lhe mordicou os mamilos já eriçados de desejo, então o derrubou no sofá de couro que tinha no escritório, puxando uma pequena manivela que o transformava numa cama e depois cobrindo o corpo de Shaka com o seu, voltando a beijá-lo na boca, as mãos deslizando para livrar o loiro da calça que ele vestia.

Shaka gemia prazer a cada marca que Ikki deixava. Ele lambia, sugava, mordia, e o indiano tentava retribuir as carícias, mas o moreno não estava deixando que ele o tocasse direito. Talvez fosse uma punição ainda ou talvez Ikki estivesse apenas com saudades demais.

O loiro cerrou os olhos e entreabriu os lábios quando sentiu as mãos forte do amante deslizarem para dentro da sua cueca. O toque fez seu falo enrijecer a ponto de ficar extremamente dolorido.

– Me deixa te tocar também... – ele pediu com a voz rouca assim que os lábios se desencontraram.

Ikki ignorou o pedido do loiro e continuou descendo os lábios por seu corpo, enquanto o masturbava devagar. Era um sentimento estranho, ele queria punir Shaka, puni-lo com prazer por ele ter ficado longe de si, ter mentido e ter deixado outro chegar perto. Puni-lo pela dor que lhe causou e ao mesmo tempo saciar o desejo, a saudade, dar prazer ao indiano, amá-lo. Provar que somente ele poderia enlouquecê-lo de prazer.

Todos os sentimentos estavam misturados dentro de si.

Livrou-o completamente da calça e da cueca, enquanto mordiscava a barriga lisinha de Shaka e aspirava seu cheiro. Suspirou; como sentia falta da pele dele, como sentia falta do seu gosto... Voltou a beijá-lo, enquanto com mãos afoitas desafivelava o próprio cinto, tinha pressa, queria tê-lo logo, entrar nele fundo, ouvi-lo gritar de prazer, chorar de prazer e confessar que ele, Ikki, era seu único homem.

Shaka arqueou o corpo em busca do calor de Ikki, e tremeu ao sentir o corpo nu do amante sobre o seu. Ele movimentou levemente os quadris, fazendo uma gostosa fricção e gemendo com isso. Também não tinha condições de ir devagar, ele queria logo, sentia saudades daquilo, das mãos, dos lábios, do gosto de Ikki. Conseguiu deslizar as mãos pelas costas do amante, arranhando-o e deixando algumas marcas também, mas Ikki logo puxou as suas mãos e as segurou acima da sua cabeça. O mais velho lançou um olhar exasperado ao ver-se preso daquela forma e sentiu-se derreter com o olhar que recebeu; Ikki o mirou nos olhos com uma mistura de amor e selvageria e mordeu seus lábios não forte demais, mas de maneira a causar uma leve dor, antes de mergulhar novamente em sua boca e abrir-lhe as pernas com a sua em um movimento pouco delicado.

O loiro gemeu dentro da boca do moreno e se remexeu querendo se livrar, mas ele não lhe deu atenção. Ikki estava louco de saudades, seu membro pulsava dolorido e já gotejava de excitação. Moveu-se forçando-se levemente contra o corpo do indiano, mas sem penetrá-lo de fato, só sondando, enlouquecendo-o, sentindo-o tremer e gemer alto em agonia, o membro teso comprimido entre os dois corpos, sendo friccionado de forma torturante.

Shaka choramingou e revirou o corpo mais uma vez, tentando se soltar. Ikki o estava torturando demais e Shaka achou que também devia castigá-lo, afinal Ikki esteve com várias garotas durante o tempo em que estiveram separados e nesse caso não foi encenação!

O sangue do loiro ferveu de puro ciúme ao imaginar quantas garotas já não haviam estado naquele sofá cama durante aqueles meses. O problema era que ele não conseguia se soltar e o movimento para tentar libertar os pulsos só o machucava. O ar-condicionado estava ligado, mas não estava ajudando em nada. Shaka sentia o corpo em brasas.

– Ikki! – ele gemeu quando os lábios se afastaram um pouco. – Não me tortura mais. Preciso de você – suplicou. – Por favor.

O moreno sorriu satisfeito com aquela confissão e continuou a provocar, soltou-lhe os braços e segurando o próprio pênis e afastando ainda mais as pernas do loiro de modo que ele ficasse deliciosamente exposto. Esfregava a ereção em sua entrada, molhando-a, massageando, sentindo-a se contrair involuntariamente. Mordeu o lábio para evitar um grunhido de prazer, queria também, mas estava disposto a chegar ao limite do prazer; não queria ser afoito.

– Então diz, Shaka, grita que me quer, que sou seu homem, o único! Que você é meu e de mais ninguém... – exigiu, continuando com a tortura.

Shaka parou de se mexer e o encarou de uma forma profunda. Sentia-se um pouco incomodado pela posição em que estava, mas não exatamente humilhado. Ikki estava precisando ouvir aquilo para acreditar nele e se esse era o preço a pagar por suas mentiras, Shaka estava mais que disposto a pagar.

Ele inclinou-se um pouco para mordiscar a orelha do amante e sussurrou de uma forma provocativa:

– Eu te quero, seu teimoso, só você... Eu serei sempre seu. Apenas seu. Agora não me faz mais esperar... Me possua!

Ikki fechou os olhos e se arremeteu dentro dele em um único e profundo golpe. Shaka gemeu alto e cravou as unhas em seus ombros, numa mistura de dor e prazer alucinantes.

O ritmo já começou forte, o moreno estava descontrolado de desejo e precisava saciá-lo com urgência. Entrava fundo e firme, gemendo com a sensação de ser acolhido naquele corpo tão apertado, quente e gostoso.

Shaka gemia e mordia os lábios com força, perdido de prazer, mesmo que o ritmo intenso o deixasse dolorido. Os corpos se chocavam numa dança vibrante e sensual.

Shaka conseguiu capturar os lábios do moreno por alguns segundos. Quando ele sentiu que iria gozar, jogou a cabeça para trás, arqueando o corpo e abrindo-se ainda mais para aquele que tanto amava. Feliz e inteiro como só conseguia com ele.

– Ah, Ikki! – gritou, desesperado para sentir mais, rebolando com força e o apertando ainda mais dentro de si. – Eu... Ah... Ikki! – não conseguia formular uma frase inteira. Arfou ao sentir o orgasmo lhe arrebatando os sentidos e gritou o nome do moreno mais uma vez.

Ikki sentiu um arrepio correr por seu corpo e todos os músculos responderem tensionados. Soltou um grunhido ao sentir-se estrangulado dentro do canal já tão estreito, levando-o a um prazer inominável. Segurou o loiro com mais força nos braços e murmurando seu nome chegou ao orgasmo mais desolador da sua vida. Seu corpo inteiro tremia à medida que seu sêmen se derramava dentro do indiano e o prazer se prolongava por cada veia por mais tempo que o normal, até que a cadeia alucinada de sensações foi serenando, e ele desabou exausto sobre o corpo alvo e marcado de Shaka. A respiração descompassada, o coração batendo feito louco. Alguns minutos se passaram até que tudo isso cedesse ao cansaço e ele sentisse aquela vontade insana de fechar os olhos, enquanto aspirava o cheiro do amado.

Apesar de fisicamente e emocionalmente exausto, Shaka não adormeceu. Ele ficou passando a mão lentamente pelas costas de Ikki, acariciando-o. Suspirou pesadamente, sem coragem de tentar puxar algum assunto. Estava com medo que Ikki iniciasse outra discussão. Tudo ainda parecia muito frágil entre eles. O amor estava ali, mas o caminho de volta era longo e incerto.

– Jack está com saudade – o loiro murmurou com cuidado.

– Eu também estou – murmurou o moreno e beijou o ombro claro do loiro, sentindo-se em paz como só esteve nos braços dele – me perdoa? – pediu. Agora as coisas pareciam mais claras, inclusive seus sentimentos. Agora era capaz de acreditar em Shaka, de acreditar nas palavras que insistentemente ele tentou lhe dizer e não pôde ouvir, tomado pela raiva e o ciúme, não conseguiu compreender que Shaka o amava e que, se estava ali, era porque também estava com saudades, porque também o queria de volta. Frágil, dolorido; eram assim os sentimentos e sensações naquele momento, mas precisavam tentar.

Shaka não conseguiu acreditar no que ouviu. Ergueu a cabeça procurando pelos olhos de Ikki e ficou meio tonto com a força dos sentimentos que viu refletidos naquele azul tão profundo e indomável. Sorriu sentindo os olhos úmidos.

– Eu te amo... – disse ainda sorrindo. – Perdoo. Claro que perdoo. E você? Consegue recomeçar do zero? Consegue esquecer todos os erros que comentemos? Todos?

Ikki sorriu verdadeiramente e afagou o rosto do loiro com carinho, mergulhando naquele azul úmidos e radiante que eram seus olhos. Os olhos mais lindos que já vira em sua vida.

– Recomeçar? Não, não podemos recomeçar, loiro, porque para recomeçar pressupõe-se que algo tenha acabado e... Pra mim nunca acabou, eu nunca deixei de amar você, nem por um minuto... Por mais idiota que eu tenha sido.

Shaka sorriu ainda mais, totalmente emocionado. Não demoraria a ter uma câimbra facial por tanto sorrir, mas ele não se importava. Estava tão feliz que poderia... Sair dançando nu por aí! Mas isso deixaria Ikki com ciúme e era melhor não provocá-lo. Riu dos próprios pensamentos.

– Eu me tornei um bobo sentimental... E você um bobo apaixonado – Shaka brincou enquanto deslizava os dedos pelos lábios dele antes de beijá-lo com ardor para selar aquela reconciliação de uma vez por todas.

Quando se separaram, ele voltou a relaxar e encostar a cabeça no sofá cama. Isso o fez franzir a testa e voltar a sentir o ciúme por lembrar-se dos pensamentos que povoaram a sua mente por alguns instantes logo que ele viu o sofá se tornar uma cama.

– Por que você tem um sofá cama? – perguntou enciumado. – Quantas garotas você já trouxe aqui?

Ikki bufou. Não! Ia começar tudo de novo!

– Às vezes fico tão cansado que acabo dormindo por aqui mesmo, só isso – explicou, porque era verdade que comprou o tal sofá com esse pensamento, mas ao mesmo tempo, ele já servira para outras coisinhas.

Shaka resmungou, mas achou melhor não ser ele a começar uma discussão por ciúmes naquele momento. Precisavam de paz e não seria ele a quebrar aquela trégua.

– Eu encontrei com aquele barman idiota... Ele disse que volta e meia você aparece na Santuário com alguma loira de olhos azuis. Pelo menos eu continuo sendo o único homem na sua vida, não é? – riu de leve para disfarçar o ciúme e a conversa não se tornar tensa.

– Na verdade não, eu conheci há pouco um cara incrível, maravilhoso, lindo e muito bom de cama e saí transando com ele feito um louco! Ah, pelo amor de Deus, Shaka, isso é pergunta que se faça? Claro que você é o único na minha vida! – falou rindo, radiante e feliz por estar com ele novamente. – E quanto às garotas, era apenas sexo, você sabe... – rolou para o lado libertando o corpo do loiro e beijando-lhe o rosto – Vamos esquecer isso, certo?

– Eu tenho direito de sentir ciúme também – Shaka resmungou, mas logo desfez o bico e sorriu outra vez. Estava se comportando como uma criança. – Eu lancei o meu livro! – disse animado, querendo compartilhar as alegrias que teve naqueles meses em que ficaram separados.

– Eu sei, eu comprei alguns exemplares e acompanhei as vendas pelo site da editora. Parabéns, está vendendo muito bem.

– Sério que comprou? – Shaka perguntou, emocionado.

– Eu nunca o perdi de vista, loiro. Continuei pensando em você. Até pro seu terapeuta eu ligava para saber se estava frequentando as sessões.

– Você fez mesmo isso? – indagou emocionado.

– Claro que fiz – sorriu, beijando a ponta do nariz do outro.

– Eu te amo tanto... – murmurou o loiro, fechando os olhos. – E parabéns pela boate nova. É de muito bom gosto.

Ikki sorriu enquanto afagava o rosto do loiro – Obrigado – murmurou um tanto sonolento, mas não queria ficar ali, queria ir para sua casa. Sentou-se na cama e começou a pegar suas roupas que estavam espalhadas. – Eu comecei a ler seu livro. Eu li o primeiro e gostei muito. Você ainda será famoso.

– Não seja tão otimista – Shaka disse, sem jeito. – Vou te dar um exemplar autografado de presente.

Ikki sorriu e o beijou no rosto. – Vamos embora, quero que conheça minha casa... – falou se erguendo. – E quanto a ciúmes... Não se preocupe, acho que tenho o suficiente para nós dois – disse divertido. – Não precisa sentir.

O loiro riu, feliz.

– É, infelizmente, tem sim... Ah! Quero muito conhecer a sua casa – Shaka sentou e fez uma careta. – Eu só... Bom, eu não estou totalmente curado... Eu gostaria de tomar um banho antes – disse timidamente. – Não tenho crises tão fortes há muito tempo, mas me sinto incomodado e sujo ainda.

O moreno o beijou no topo da cabeça.

– Desculpe, acho que estou ansioso demais e me esqueci desse detalhe – disse Ikki sem jeito. – Venha o banheiro é aqui – estendeu a mão a Shaka e esperou que ele a segurasse, mas se surpreendeu porque o loiro continuou no mesmo lugar e fez uma careta de dor – Ei, loiro, você está bem? Eu o machuquei?...– as últimas palavras foram ditas de maneira mais baixa e pensativa – Desculpe, acho que sou mesmo um bruto incorrigível.

– Estou bem – Shaka respirou fundo e aceitou a mão Ikki oferecia. – E você não é bruto, minhas pernas é que ainda estão meio bambas – riu de leve, erguendo-se enfim.

Ikki mexeu os ombros e o puxou pra si, alçando-o em seus braços – Às vezes não acredito no quanto você é leve, sendo desse tamanho! – riu e o levou para o banheiro, o colocando com cuidado no boxe – Pena aqui não ter uma banheira – falou ligando a água. – Eu vou tomar banho com você...

Os olhos de Shaka brilharam e ele mordeu levemente o lábio inferior sentindo a excitação tomar conta do seu corpo mais uma vez. Puxou o moreno para baixo da ducha morna, o abraçando.

Ikki suspirou e umedeceu os lábios quando seu corpo roçou levemente no do loiro, mas achou melhor não começarem aquilo ou não sairiam daquele escritório nunca. Virou-se de costas para Shaka e começou a tomar um banho vigoroso e rápido, esperando que o amado fizesse o mesmo. Shaka bufou insatisfeito, mas sorriu, sabia que se começassem, passariam a noite ali. Quando terminaram o banho, o loiro percebeu que sua camisa estava sem alguns botões e não o cobriria direito.

– Tem uma camisa sobrando? – perguntou mostrando o estado da sua. – Posso até sair assim... Mas aí vão ver meu peito todo marcado. – Riu.

Ikki abriu um armário e retirou uma camisa entregando a Shaka que a vestiu, mesmo que esta ficasse um tanto larga nele. Os dois deixaram o escritório e começaram a descer as escadas. A boate continuava agitada e as pessoas dançavam como se não houvesse amanhã. O problema, ou melhor, os problemas apareceram no patamar da escada. Shaka gemeu baixinho de puro desgosto ao avistar Mu e Aiolia.

– Ainda bem que você está vivo! – Aiolia exclamou despreocupado. – Pensei que ele ia te matar! – voltou-se para Ikki. – E então? Voltaram?

O moreno estreitou os olhos, mirando os rostos preocupados à sua frente. Será que nunca se livraria deles?

– Quieto – Shaka resmungou irritado. – Depois conversamos, Aiolia. Está tudo bem. Vão, divirtam-se!

– Tudo bem, só ficamos preocupados. – Mu replicou e sorriu. – Ficamos felizes por estar tudo bem, então. Estamos indo!

Ikki suspirou. É, precisava se acostumar com aqueles dois, não tinha jeito. Continuou a andar pelo meio da multidão quando alguns flashes o cegaram por um tempo. Ele era alguém conhecido, pois a Santuário e agora a Elíseos eram as casas noturnas mais exclusivas da cidade. Então vê-lo deixar o escritório de mãos dadas a outro homem, ambos com cabelos molhados, e aquela cabeleira de Shaka sabia chamar atenção, despertaria o interesse da imprensa ali presente, mas não estava nem um pouco incomodado. O que o incomodou mesmo foi ver o tal Shura novamente, isso fez seu sangue ferver e ele ficou estático enquanto o rapaz se aproximava dos dois, seguido por Ângelo, o magnata italiano que era um cliente vip da boate.

Shura parou de frente a eles com uma expressão grave, e Ângelo chegou por trás dele, o abraçando pela cintura.

– Fizeram as pazes?! – Shura e Shaka perguntaram ao mesmo tempo e acabaram rindo.

– Sim. Acho que eu consigo compreender que às vezes as pessoas fazem escolhas erradas e têm direito a uma segunda chance, se merecer! – inclinou a cabeça para trás para mirar Ângelo, que o beijou de leve no rosto. – Agora, ele vai precisar provar. – Encarou o dono da boate. – Ikki, desculpe por toda a confusão. Espero que não haja ressentimento agora.

O moreno suspirou e estendeu a mão ao outro.

– Tudo bem – disse, finalmente acreditando completamente em tudo que fora dito naquela noite. – Mas fica longe do Shaka, certo? – falou, apertando a mão do advogado que riu.

– Pode deixar. Io mesmo me certifico disso, Ikki – Ângelo falou, piscando e segurando a mão do namorado e o levando para longe.

Shaka sorriu e beijou o rosto do namorado.

– Acho que agora tudo foi esclarecido completamente, certo?

– Sim, vamos embora – Ikki falou, passando o braço pela cintura do indiano e começando a caminhar para a saída lateral da área privativa da boate, mas novamente foi interceptado, agora por um afoito segurança.

– Chefe, aqueles dois que falavam com o senhor... – Ele se interrompeu, observando espantado com a posição insinuante em que o moreno estava. Ele ficou mudo por um tempo, engolindo em seco.

– Continue, homem, ficou mudo?! – Ikki exigiu sem paciência.

– Aqueles dois que... Conversavam com o senhor foram os caras que estavam... Transando na sala vip. Quer que os expulsemos?

O moreno revirou os olhos e riu de leve.

– Não, não. Deixe-os em paz, só advirta Ângelo que se ele fizer isso novamente, nem todo o dinheiro que ele deixa aqui o livrará de uma expulsão. – Falou e deu as costas, saindo abraçado ao loiro.

A distância da boate para a casa de Ikki era considerável, mas Shaka percebeu que valia muito a pena. O lugar era simplesmente lindo e bucólico. Bastante afastado da cidade, mas combinava tão bem com o moreno. Parecia ter sido feito especialmente para ele e sua reclusão arredia, mas esperava colocar ali pequenos toques de ternura e intimidade; coisa que apenas ele conseguiu levar à vida do outro. Reconhecia que não era fácil abrir aquela noz chamada Ikki Amamiya, mas ele conseguiria novamente; com amor e paciência, e tinha os dois de sobra. Conseguiria derrubar novamente todas as barreiras que ficaram entre eles.

– Nossa, incrível! – exclamou Shaka ao descerem do carro. – Sem vizinhos chatos e irritantes – brincou. A casa de Ikki era a única em vários metros.

Ikki sorriu com o entusiasmo do namorado, enlaçou-lhe a cintura e o guiou para dentro da casa, abrindo a porta para que ele entrasse.

– Que bom que gostou. Kanon projetou a parte interna para mim e fez pequenas mudanças no desenho original. Acho que ficou bem minha cara não foi? Simples e aconchegante. Você sabe que não sou homem de luxos, tirando você, claro... – beijou-lhe o pescoço, o envolvendo nos braços.

– É linda! – Shaka disse, girando a cabeça freneticamente tentando ver tudo de uma vez só. – A única coisa que lamento é que antes para te ver eu só tinha que atravessar o corredor e agora terei que dirigir quilômetros. Mas com certeza, aqui teremos muita privacidade. E o Jack vai adorar toda essa área! – Dizia entusiasmado.

Ikki mordiscou-lhe a pele sensível da orelha, sentindo-se excitado apenas por aquele leve contato.

– Você pode vir pra cá de vez, loiro, aí não precisará nem atravessar o corredor – fez a proposta, sentindo o coração acelerar no peito. Era algo muito sério, eles estariam assumindo um compromisso, praticamente se casariam. Mas apesar do medo que sentia, sabia que Shaka ao seu lado era tudo do que precisava. Os dias sem ele simplesmente não existiram, não tiveram relevância em sua história.

Shaka parou de sorrir e se virou, ainda preso nos braços forte do moreno, para encará-lo.

– Eu... Morar aqui? – perguntou um pouco incerto de que seus ouvidos realmente haviam escutado aquilo. Eles haviam acabado de fazer as pazes. Imaginou que teria que ir o reconquistando aos poucos e agora ele praticamente o pedia em casamento. – Eu não sei... – murmurou confuso, com medo de magoar os sentimentos do outro. – Nós brigamos tanto. Será que daria certo? Talvez seja muito cedo ainda...

Ikki se afastou dele com delicadeza e se apoiou no bar de madeira rústica que tinha na sala.

– Talvez eu esteja realmente me precipitando, afinal, eu acho que quando dizemos “eu te amo”, deve significar coisas como: eu quero ficar ao seu lado... – disse dando de ombros – Mas posso estar enganado também...

– E lá vamos nós outra vez... – Shaka disse após um suspiro. – Nós tivemos uma briga muito séria, Ikki. Ficamos meses separados. Eu mudei nesses últimos meses. Você também não deve ser o mesmo. O que custa namorarmos por um tempo antes de nos amarrarmos de vez? – tentou brincar e descontrair o ambiente. – Eu acho que precisamos desse tempo, precisamos respirar, reconquistar a confiança. Não será em uma noite que tudo será apagado.

O moreno sorriu de leve, meio triste. Mesmo que reconhecesse aquelas palavras como sendo sensatas, ainda sentia-se um pouco rejeitado. Não era racional.

– Não se preocupe, se você não quer não ficarei insistindo... – falou e riu numa mistura de mágoa e constrangimento. Tirou algo do bolso, algo que tinha comprado enquanto preparava aquela noite em que nada havia seguido da forma que queria. Pegou o pequeno estojo e colocou sobre o balcão do bar. – É que eu comprei pra você...

Shaka entreabriu os lábios e se aproximou, abrindo a pequena caixa e vendo o anel bonito que havia nela. Seu coração falhou e voltou a bater loucamente no peito.

– Vo-Você... – Não conseguia dizer o que queria, tamanho era seu espanto e sua felicidade. – Você iria me pedir em casamento hoje?

Ikki riu de leve, o rosto ficando completamente vermelho. Ele desviou o olhar, pondo as mãos nos bolsos.

– Parece idiota e precipitado, eu sei... Me desculpa... Mas, se não lembra..., faz dois anos hoje, eu acho..., desde que o beijei pela primeira vez.

Shaka continuava estático, mirando o anel como se visse um ser mágico e aquilo já estava deixando o moreno nervoso.

– Acho que você tem razão, até porque agora, melhor do TOC, você deve pensar em se relacionar com outras pessoas, digo, ter amigos, sair com eles de vez em quando, não sei! Desculpe pela ideia estúpida. – Disse sem nenhum resquício de raiva, era apenas uma conclusão que chegou e que expunha para o outro. Achava normal que Shaka se relacionasse com outras pessoas, tivesse amigos, mesmo que aquilo o matasse de ciúmes.

– Não diga que foi estúpida... – Shaka murmurou, buscando os olhos dele, mas Ikki olhava para outro lugar. – Por que tem que ser tudo como você quer? Na hora que você quer? Eu só estou pedindo um tempo para me acostumar com a ideia, e você já começa a fantasiar!

– Não estou fantasiando, Shaka – disse sério. – Estou chegando somente a uma conclusão óbvia. Você terá uma vida social agora, e eu não vou me opor a ela. Não sei o que fez nesses três meses e, sinceramente, prefiro não saber, mas penso que sua rotina pode ter mudado. Eu entendo, mas ainda assim fico magoado por você não querer morar comigo. – Foi sincero.

– Eu não disse que não queria... Eu só... Só não esperava! – explicou-se o loiro ainda olhando e reolhando o anel.

– Eu sei que parece muito rápido... – falou o moreno, meio triste. – Mas eu estou abrindo o meu coração e pedindo para você vir morar comigo, ficar ao meu lado, porque tenho medo de perdê-lo novamente. Agora se você não quer, acha cedo, tudo bem, eu entendo. – Sorriu de leve. – Assim como deve entender que ficarei magoado e frustrado! – despejou sem se incomodar muito com as palavras. Depois deu as costas ao loiro, abrindo a janela que dava para o mar e ficando observando a madrugada escura. – Eu não quero brigar, desculpe. Não quero brigar mais com você – sussurrou, embora não olhasse para o outro. – Pode ter sido mesmo uma ideia tola... Mas é realmente o que quero, é o que planejei para essa noite: te dar esse anel e pedir pra você vir morar comigo. Dizer que quero você comigo para sempre.

Shaka mordeu o lábio inferior e foi até o moreno, segurando a mão dele, lembrando que ele estava machucado. Não sabia o que dizer e havia tanto a dizer. O caminho era muito longo e pedregoso. Ambos teriam que ter paciência para trilhá-lo.

– Onde está o kit de primeiros socorros? – perguntou sem encará-lo, e não obteve resposta. – Ikki... Você tem medo de me perder e eu tenho medo de vir e você acabar se cansando das minhas excentricidades. – Confessou. – Você acha que eu não fiquei feliz com a proposta? – segurou a outra mão do namorado e a colocou sobre o peito onde seu coração batia enlouquecido. – Sente?

O moreno ergueu os olhos para ele e suspirou – Eu nunca vou me cansar de você, nunca. Você pensa um monte de bobagens e é maluco, mas eu te amo, o que posso fazer? – sorriu.– Desculpe se... Bem, se não sei ouvir um não como resposta...

– Eu não disse não... – Shaka sorriu e o beijou de leve nos lábios. – Além disso, isso tem que ser feito com calma. Não posso vir para cá de uma hora para outra. Vou ter que vender minha mobília... Talvez Aiolia se interesse em alugar meu apartamento, agora que Mu está morando no apartamento que foi seu.

– No meu apartamento? – surpreendeu-se o moreno e riu de leve. – Eu sempre soube que ele queria o meu lugar. – O moreno disse para disfarçar as batidas loucas do seu coração. Será que era mesmo aquilo? Que Shaka estava dizendo que...?

– Bobagens, Mu está muito feliz com Aiolia. Ele nunca sentiu nada por mim além de uma grande amizade. Ele é meu amigo e você terá que se acostumar com ele. – Falou o indiano, brincando com os dedos do amado e cortando seus pensamentos.

Ikki assentiu levemente com a cabeça. Se iriam recomeçar, ele teria que se esforçar para que aquilo desse certo.

– Eu vou tentar, eu prometo. Contanto que ele mantenha aquelas patas de lagartixa longes de você.

Shaka riu, balançando a cabeça. Levou os dedos ao rosto bonito do moreno, olhando em seus olhos excentricamente azul-escuros.

– Sempre me pergunto o que você viu em mim, além de eu ser loiro e lindo – brincou, fazendo Ikki rir de verdade.

– Isso já seria por si só algo, loiro. – Disse. – Mas talvez eu tenha visto mais do que você ache que possua, só isso.

Shaka o beijou de leve.

– Você viu tanto, Ikki... Você foi o único que conseguiu chegar perto suficiente para ver, o único que teve coragem o suficiente para enfrentar tantos desafios... – Shaka suspirou, emocionado. – Você fez tanto por mim...

– Não tanto quanto você fez por mim, loiro... – Ele disse e segurou a mão de Shaka com cuidado, pegando o anel e colocando no dedo anelar esquerdo dele. – Sem você, eu ainda estaria vivendo aquela existência vazia... Você me trouxe de volta, obrigado...

O indiano fechou os olhos, apertando a mão dele e eles se calaram por um tempo, deixando que as palavras morressem um pouco e ficassem apenas os sentimentos. Amava-o tanto, sentia tanta falta dele... Sim, talvez não fosse um passo tão grande assim recomeçar daquela forma tão drástica. Deuses! Era Ikki quem queria para sempre. O conhecia, sabia de todos seus defeitos e de todas suas qualidades... Por que não?

– Jack sente sua falta e ele detesta o Mu. – riu, divertido. Falando uma banalidade enquanto seus pensamentos e sensações tentavam se equilibrar. – Não o deixa chegar nem perto de mim e ainda ocupou seu lugar na minha cama para manter qualquer engraçadinho bem distante. Você o treinou muito bem.

– Grande Jack! – exclamou o moreno, enlaçando o namorado pela cintura – Sinto a falta dele... Aliás, eu senti muito a falta dos dois – murmurou beijando o loiro levemente – Minha vida se tornou tão vazia sem vocês... Eu quero tanto você ao meu lado, loiro... Preciso tanto de você... – Tudo bem, agora ele sabia que estava apelando, mas não se importava. Precisava convencê-lo e nada melhor para isso do que seduzi-lo. Pensava enquanto continuava e distribuir beijos pela pele clara do escritor.

Shaka estremecia à medida que as mãos do amado desciam pelo seu corpo, deixando um rastro de fogo onde tocava. Por todos os deuses! Seria sempre assim? Ikki sempre conseguiria deixá-lo louco com meros toques? Enquanto se tocavam e se beijavam, o sol começou a nascer, e o loiro arfou com o espetáculo da natureza.

– Eu pensei melhor... Esse nascer do sol é incrível! – disse em um tom de brincadeira. A verdade foi que a declaração e os beijos o amoleceram por completo, levando de vez qualquer dúvida que ainda tivesse. – Vale o sacrifício de aguentar o seu mau humor matinal – sorriu.

– Sério? – o moreno afastou-se um pouco para encará-lo.

– Sim! – Shaka sorriu feliz. – Eu te amo, aceito casar com você – mostrou o anel que encaixou-se perfeitamente em seu dedo.

Ikki respirou aliviado e o apertou mais forte nos braços.

– Eu te amo, te amo muito, loiro, prometo fazê-lo muito feliz... – falou e mordicou-lhe os lábios, sorrindo emocionado. – E eu prometo que tentarei controlar meu mau humor, meus ciúmes, meu gênio difícil e tantos outros defeitos que você odeia em mim.

Shaka balançou levemente a cabeça e ficou de frente para a janela enquanto Ikki o abraçava por trás.

– Eu não quero que mude. Me apaixonei por você desse jeito... Com gênio difícil e ciúmes inclusos no pacote – suspirou e encostou-se mais ao namorado. – Eu também te amo. Obrigado por ter me ajudado a me curar, obrigado por ter me ensinado a ser uma pessoa melhor... Obrigado.

– E obrigado por dar sentido a minha vida, loiro.

Ikki segurou-lhe o queixo e o beijou profundamente. Ainda teriam grandes desafios a enfrentar. Desafios na convivência diária, na aceitação social, barreiras emocionais a serem derrubadas, dentre tantas outras coisas. Mas o que estava acima de tudo isso era o amor sem limites que sentiam. Amor que foi provado pelo tempo, pela mágoa, traição, ciúmes e toda espécie de sofrimento. Ikki tinha certeza que era ao lado de Shaka que queria estar pelo resto da vida; Shaka sabia que Ikki era o único capaz de trazer ao mesmo tempo a paz e a tormenta deliciosa da paixão à sua vida.

Ficaram abraçados mirando o sol que nascia sobre o Egeu naquela manhã.

– Lembra-se que um dia, você me disse que o nascer do sol era o que te deixava feliz? – o moreno perguntou, beijando os cabelos dele.

– O Virgo disse – riu Shaka.

– Vocês dois são a mesma pessoa... – observou o moreno.

– Minha razão me diz isso, mas ainda sinto ciúmes sempre que penso nele.

– Porque é um bobo ciumento... – murmurou o moreno. – Eu me apaixonei por tudo seu que havia nele e tudo dele que há em você...

– Eu também, Fênix – sorriu, suspirando ao sentir o calor dos primeiros raios da manhã e agradecendo por estar novamente nos braços do amor da sua vida.

– Você se lembra do que eu lhe disse naquela nossa conversa? – indagou o moreno com malícia.

– Não. – Respondeu Shaka sem dar muita atenção até ser virado nos braços dele que o apertou ainda mais contra si.

– O nascer do sol é lindo, mais não se compara a sexo, principalmente a sexo com quem se ama...

Antes que pudesse protestar sua boca foi tomada e... Protestar para quê? Estava mais que perdido de amor, desejo, loucura e paixão por aquele homem e disposto, assim como ele, a viver cada mísero segundo daquele embriagante sentimento... Cada momento prazeroso e inigualável daquele amor intenso e provado, que foi capaz de transformar ambos... De fazê-los crescer, experimentar, viver.

Ikki se afastou alguns minutos depois um tanto sem fôlego, olhando o rosto ruborizado de Shaka e rindo. O loiro também riu de leve e o abraçou.

– Vamos lá fora. Vamos ver o nascer do sol pertinho do mar – o moreno sugeriu e segurou a mão de Shaka o levando porta afora, passando novamente pela pequena cerca do jardim.

Ambos tiraram os sapatos e sentiram a areia fofa e fria nos pés, causando uma sensação boa, uma sensação de renascimento.

Caminharam por um tempo na areia até chegaram à beira do mar e sentiram a água fria nos pés.

– Sabe no que estou pensando? – o loiro perguntou, ainda abraçado ao moreno enquanto eles caminhavam em direção a um imenso rochedo.

– O quanto tem sorte de estar comigo novamente, suponho? – Ikki perguntou divertido.

– Também – Shaka respondeu sorrindo. – Mas não é isso, estou tentando descobrir o exato momento em que me apaixonei por você...

O mais novo riu, o puxando mais contra o próprio corpo.

– E quando foi? – indagou, sentando-se numa pedra e puxando o loiro pela cintura de forma que ele ficasse entre suas pernas.

– Não consegui encontrar. Acho que foi a convivência... A forma que você sempre cuidou de mim...

– Eu te xingava! – Ikki riu, ruborizando um pouco.

“Escuta, eu pago esse condomínio que por sinal não é barato, então tenho o direito de fazer o que quero e como e quando quero na minha casa! Qual o problema? Será que o senhor assexuado está ficando excitadinho com nossos gemidos?”

“Você que é o doente aqui, não eu... Estou avisando, faça isso baixo, eu não me incomodo, mas se eu ouvir mais alguma coisa vinda desse apartamento, vou ligar para a polícia e denunciá-lo por atentado violento ao pudor!”

“Mal fodido de merda!”

Shaka suspirou e riu também, aquelas lembranças não doíam mais, eram até divertidas.

– Mas depois você cuidou de mim, foi a primeira pessoa que cuidou realmente de mim. Você me deu banho! – Observou, divertido.

– Eu estava olhando sua bunda! – Ikki riu. Aquelas lembranças o aqueciam de alguma forma; contava a história dos dois.

Pára com isso, enlouqueceu? Você está se machucando!”

“Você não entende! Ninguém entende!.Sai daqui! Me deixa em paz! Você não se importa comigo. Eu magoei a única pessoa que gostava de mim. E agora estou imundo! Você não vê? Eu estou sujo!”

“Tá bom, você está sujo, está imundo — o segurou por um dos braços e o outro pegou um xampu e derramou na cabeça do loiro — Eu vou deixar você bem limpinho, certo?”

– E você salvou o Jack! Ou ele iria para o incinerador de lixo! – Ikki disse, puxando o loiro para que ele sentasse em seu colo e realmente aproveitasse o nascer do sol.

Shaka suspirou e mirou os raios solares que subiam atrás da água escura. Eram tantas lembranças e difíceis ou maravilhosa, elas fizeram a história dos dois. Fizeram aquela história tão diferente e especial.

– Acho que no final, foi Jack que me salvou. Se não fosse por ele, nunca teríamos dado uma chance um ao outro. Temos que agradecer ao Jack...

– Ou a Pandora que me deu o Jack...

– Não fala na Pandora! – advertiu o loiro.

– Certo, não falo mais, minha boca é um túmulo! – Ikki disse rindo, enfiando o nariz na curva do pescoço do indiano e o apertando pela cintura.

– Ela também foi culpada por nossa primeira separação...

– Não. Eu fui o culpado. – O moreno o corrigiu, e Shaka assentiu com a cabeça.

– É,você tem razão. E não precisamos mais nos lembrar dessas coisas. Estamos recomeçando e hoje é nosso marco zero! – falou o loiro, suspirando com o carinho em seu pescoço. – Acho que estou pronto, Ikki. Pronto para esse novo passo...

O moreno sorriu, suspirando, apoiando o queixo no ombro dele.

– Eu também, loiro. E eu tenho a certeza de que dará certo. Nos amamos, é claro que dará certo!

Shaka sorriu e eles se beijaram enquanto a manhã irrompia radiante, iniciando um novo dia, novas histórias, situações, amores, uniões.

Mais desafios viriam; desentendimentos? Sim. Mas não haveria mais dúvidas e medos. Eles estavam finalmente prontos para retomar a caminhada, juntos. Seguirem o maravilhoso e tortuoso caminho dos relacionamentos, cheios de obstáculos e delícias.

O mais importante eles já tinham: a certeza de que se amavam perdidamente e que nada mais seria capaz de separá-los. Sobreviveram ao fogo, fora provados, e o amor continuou firme. Ambos possuíam a certeza do amor do outro e estavam mais que nunca prisioneiros por vontade.

Prisioneiros daquela deliciosa e estranha atração.

Fim

Notas finais
Bem, foi isso! Obrigada a todos que colaboraram de alguma forma com essa história. Obrigada especial a Polly Weasley que me ajudou na betagem e também me dando dicas preciosas para o final da trama! Obrigada a todos pelo carinho que deixaram de qualquer forma aqui! Beijos apaixonados da Sion e até breve! Ah, teremos um provável epílogo, aguardem!!!