Essa é a minha tradição
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Começando pelo princípio que tudo é de todos, não deveríamos discutir entre nós mesmos. Mas se fosse assim tão fácil, o povo de meu pai, chamado Head, seria o único que existiria no mundo. No entanto, não vivemos sozinhos. Pode se dizer que nosso povo é visto como um erro. Preferem viver com a natureza, dançar, pular, cantar. Os Head são chamados de ciganos e de ladrões. Mesmo chamados ciganos, não poderiam ser, não apreciam o dinheiro, apenas o que realmente precisam.
Talvez, por isso, meu pai roubou minha mãe da cama com juras de amor. Pelo menos, não teve aquelas típicas conversas com o meu avô, que com certeza teria negado o casamento. Viver como nômades é fácil para meu povo. Nascemos assim, crescemos do mesmo jeito e quando morremos, vamos para um pouco além do que se pode enxergar.
Chamo meu pai de Graph, mas como todos nós ele tem três nomes. Um é o que recebe sussurrado da mãe ao nascer, que normalmente só a mãe e o filho sabem. O segundo é o nome entre o povo, que no caso de meu pai é Graph. E o outro é o nome visto pela sociedade, normalmente sua posição social e seu sobrenome, ou só seu sobrenome. Os que conhecem meu pai, e não são da nossa família o chamam de Sr. Front. Por se casar com minha mãe, Annabelle Kirst, seu destino foi não viver mais entre seu povo.
Pelo que sei, só os Head tem três nomes. Meu pai e o marido de minha tia, são os únicos Head que conheço, mas admito que queria conhecer mais. São interessantes. Mesmo eu sendo metade Head, todos que tem um pouco deles em seu sangue, tem os três nomes.
Meu pai teve aventuras quando jovem, com as damas, porém elas não eram mulheres de respeito como minha mãe. Anne dizia que negava sempre que ele se aproximava, não por medo, mas por não querer se apaixonar. Após ficar com minha mãe finalmente, ele foi atrás de seu antigo povo, agora meu também, rever os familiares que não gostaram nada dos votos sagrados. Minha mãe gostava de ser livre e poder falar por si mesma e pela família que já tinha. Um irmão mais velho, Kev, e três irmãs mais novas, Cloe, Grace e Margarett.
Kev, tendo seis anos a mais que ela, vivia bêbado e sumido, Cloe teve sua época de doente, com febre muito alta, Grace não conseguiu frequentar o ensino de música e artes como os pais queriam e não fazia muito mais que ajudar a irmã doente. Maggie, durante seus quinze anos, tinha o péssimo costume de furtar e colecionar guardiões, seus bichinhos de estimação.
Visto que meu pai era um senhor de sorte. Mesmo querendo perder o dinheiro, mesmo não querendo se vestir como a sociedade, mesmo acreditando no destino, se apaixonou por Anne. E minha mãe pelo meu pai. Eles eram tremendamente opostos, mas tinham uma coisa em comum: A ideia idiota de o que era o amor, e como funcionava. Nasci quatro anos depois da minha mãe finalmente concordar com o casamento. Meu pai, um cigano sortudo, se casou com minha mãe, a Sra. Kirst, levando consigo todos os azares da família.
Já tenho dezessete anos e estou vivendo com meu pai na Eddit House a quase minha vida inteira. Lembro-me de poucos dias em que não estive nesta casa, ou nesta cidade. E essas poucas vezes seriam os dias que fui ao meu povo, que sempre estavam em lugares diferentes. Não vivo como uma Head, como meu povo é chamado, nem como uma nobre, como diria minha mãe. Digamos, sou a mistura dos dois em um mesmo corpo. O que pode ser complicado quando se vive com damas e mileides tão mesquinhas e fúteis.
Meus pais nunca poderiam me comparar a elas. Na verdade, ninguém poderia me comparar à aquelas que deveriam ser minhas amigas por classe social. Minha mãe tinha a ideia fixa que eu já deveria ter me casado, ou pelo menos estar noiva, por causa da minha idade. Todavia, Graph concorda comigo que se minha mãe pode ser livre e escolher tarde o casamento, eu também posso.
Mas, afinal, depois de tantos jogos de sorte no casino no final da estrada, que deveria ser só para homens, pude perceber que não sou azarada como o resto dos Kirst. Sou sortuda como o Graph. Tenho uma mesa reservada no fim do saguão, para os homens e para mim. Ganhei esse direito por ser tão boa quanto a maioria dos homens com quem joguei, apesar de ser por isso que grande parte não gosta de jogar contra mim.
Graph e Anne viviam discutindo minhas fugidas aos jogos, minha mãe gostava de que eu não precisava que eles pegassem minha comida, roupa e dinheiro. Mas, meu pai não gosta do meu gosto em querer ter dinheiro, pois é contra o costume Head. É contra o custume dele. Como é do modo de um britânico, Kev o tem também. E sempre me ajuda dar essas fugidas. Sendo da família da minha mãe, ele é azarado. Com isso, tudo o que ele perde, eu recupero, mas meu pai não sabe. Acredita que ele parou o vício, porém meu tio quis é criar um para mim.
Tio Kev é o único que mora perto da Eddit House. Minhas outras tias moravam com seus maridos, espalhadas por Londres. As duas mais novas se casaram com homens ricos, que eram nobres. Mas a minha tia mais velha, Cloe, se casou com um Head, chamado por nós de Suble, que agora mora com o nosso povo. Até hoje não sei o verdadeiro nome dele. Só sei que os vejo apaixonados sempre que nos visitam. Ele morava com minha mãe e a família dela, aqui em Eddit House, e era como um irmão para todas. Menos para Cloe. Mas a vida amorosa de minha tia começou e terminou com Suble.
Amo falar de Anne, pois apesar dela ter insistido para Kev não nutrir o amor pela falecida noiva, Susan, que teve quando ainda era jovem, nutrir o amor é o que faço por minha mãe. Ela morreu recentemente, à menos de um mês. E como toda história triste e óbvia, eu diria que foi por ser uma Kirst. Pois como ela, tia Grace e tia Mag morreram a pouco menos de dois anos. Essa de sarampo, e aquela de desidratação.
Não sei como o alcólatra de meu tio Kev continua vivo, porém continua. Deve ser por que não é mais chamado pelo sobrenome Kirst e sim de lorde Eddit. Creio que Cloe, só continua viva porque vive agora como uma Head e não como uma Kirst. Então a possível maldição não a seguiu. Meu pai não falou comigo desde nossa perda. Mais dele do que minha ou dos meus irmãos.
Somos três. Stuart é o mais velho e menos responsável. Ele vê nosso tio como um sábio ou até como um ídolo. O garoto tem vinte anos e age como se a idade nunca fosse o alcançar. Vive como um nobre e não como um Head como meu pai queria. Depois, sou eu. A tímida mas não tão controlada Avalon, em homenagem a minha avó parte de mãe. Vivendo quase entre os dois mundos. Aceitando as duas ideologias e realidades, apesar de nunca ter vivido como uma verdadeira Head. E por ultimo mas não menos importante Christina, é a menor. Tem dez anos, ama viver no nosso quintal. É muito bonita, com sua pele clara como a neve e seus olhos azuis como o céu. É uma joia rara. A mais inteligente menina que eu já conheci.
Meu irmão na aparência parece meu pai, mas no jeito soberbo, parece o tio Kev. Minha irmã, por ser tão bonita e pelos olhos, diria que é a cópia de minha mãe, apesar de não gostar de ser nobre e que preferiria morar na natureza. Como sempre, eu sou a mistura dos dois. Bebo como Stuart, gosto do meu sofá e de jogos mas amo caçar pássaros como Chris, ter as minhas próprias idéias e é claro, não me rebaixar a homem algum.
O que tenho em comum com meus pais exatamente são os cabelos negros de meu pai, o que não combina em nada com meus olhos verdes com pintas laranjas. Com a minha mãe, eu tenho a semelhança em amar a música e me preocupar mais com os problemas da nossa família do que com os meus.
– Corre, Avalon! – Grita Stuart, enquanto passa por mim correndo, carregando Chris no ombro.
Não demorou muito para que eu sentisse o cheiro de fumaça e a cor meio vermelho meio laranja do fogo, o qual engolia a casa tão rápido quanto a água de uma cocheira bate contra as pedras. Comecei a correr. O ruim de ser a mistura que sou, é que consigo correr tão rápido quanto um gato, mas tropeço em meus próprios pés.
Grito ao cair, perto da porta do meu quarto. Entro nele sem pensar duas vezes, taco muitas roupas dentro da mochila e quando saio pela porta o fogo está se alastrando muito mais rápido. Quando vejo um belo quadro, que minha mãe pintou, pegando fogo percebo que já esta tarde demais para salvar a casa e saio correndo.
Quase caio na terceira escada, mas finalmente chego fora de casa. Deito na grama, quero dizer, caio nela. A grama esta úmida e eu olho para o fogo. Minha querida casa, já era. Depois olho para meus irmãos.
– Cade Graph? – Digo me levantando e limpando meu vestido verde. Como não ouso resposta, olho da casa para Stuart – Não! – Grito e vou em direção a casa, mas algo me impede.
– Calma tonta! – Diz Stuart me segurando. – Não está lá dentro. Foi ele que me avisou do fogo, e agora está pegando os cavalos. Ele viu o fogo começar e me avisou. Eu fiquei a par de tirar vocês de lá.
– Amém! – Diz Chris – Achei que papai tinha morrido como mamãe! – Ela ajoelha e olha para o céu. Sujando totalmente seu vestido vermelho rubi.
– Achei que ela pensava que minha mãe só estava longe de casa – Stuart sussurrou e eu concordei com a cabeça. Minha irmãzinha sempre se mostrou mais madura do que todos nós.
– Estamos indo – Diz o homem alto e robusto puxando os cavalos. – Não temos mais como ficar aqui.
– Mas pai... Meu amigos estão aqui, minha bebida está aqui, tem o tio Kev aqui também. – Stuart diz enquanto anda até nosso pai e pega a corda de um dos cavalos.
– Para com isso! Apreciar bens materiais é um ultraje Sr. Ronald Stuart Front Kirst! – Grita meu pai ajudando Chris a subir no seu cavalo cor de mel enquanto eu subo com um pouco de dificuldade em Safira, a minha égua esbranquiçada com pelugens cinzas.
– Pai, não mistura todos os nomes! Fica estranho! Ou é Sr. Front como o senhor, ou Stuart ou Ronald. Não dá para colocar tudo em uma frase só. – Comenta minha irmã se apoiando no cavalo e quase adormecendo antes mesmo que comecemos a andar.
– Concordo – Digo puxando as rédeas e falando para Safira andar. Atrás de mim veio meus irmãos e meu pai passou na minha frente.
– Vamos de cavalo por que, velho? – Ouso Stuart reclamar – Temos um carro em perfeitas condições.
– Não é bom chegar em um lugar de nômades com um carro como aquele. – Meu pai faz o cavalo ir mais rápido, e eu o sigo de perto.
Dos três filhos que meu pai tem eu sou a quem ele menos conversa, mas a que mais tenta. Por Chris ser a mais nova, é a que ganha mais bajulação. Por Stuart ser o mais irresponsável, é o que ganha mais olhares e conversas. Por eu dizer o que penso, ganho mais um “não comente” e “prefiro que se cale” da maioria das pessoas.
– Graph, para onde vamos exatamente? – Pergunto, olhando para trás e vendo que o fogo ainda queimava nossa casa.
– Mantenho contato com Suble, e ele me disse aonde está. Vamos para lá. A partir de hoje, e até conseguirmos uma nova casa, viveremos como nômades, viveremos como deveríamos ter vivido todo esse tempo.
– Mas a caça aos ciganos está perto! – Coloco meu cavalo ao seu lado. – Não foi por isso que você acabou aqui em Londres? Não podemos ir para o primeiro lugar onde nos caçariam.
– Somos nobres, não nos caçariam – Stuart surge esbarrando em Safira. – Não sei como o Sr. Front acha que vamos conseguir viver entre os Head. Estamos acostumados com luxos, e não com o lixo.
– Vão passar a se acostumar – Graph não olha para nós. Apenas segue o percurso.
– Mas e o noivado de Avalon? – Murmura Chris. – Ela não ia se casar com o Lorde Lance?
– Quem é Lance? – Olho da minha irmã para meu pai, e de volta a ela. – Não se preocupe meu anjo, não me casarei, ao menos que eu queira. – Olho Graph. – Certo, pai?
– Onde ouviu isso Christina? – Pergunta Stuart. – O Lorde Lance é um pouco mais velho que eu, um dos mais antigos amigos meus. Sua irmã nem o conhece.
– Mas iria conhecer daqui a dois meses. – Diz meu pai mau-humorado. – Annabelle foi quem decidiu. Disse que este homem é formoso, charmoso e seria um ótimo marido. – Graph vacila ao falar o nome de minha mãe. – E como ela não está aqui para conversar com você sobre isso, acabou que esqueci de falar.
– Eu não vou me casar! – Afirmo com a cabeça e olho para minha irmã – Vamos viver com o nosso povo.
– Mas que povo, Avalon? Não fala com eles, não vive com eles, não sabe nada sobre os Head! – Stuart me empurra do cavalo, mas eu consigo continuar em Safira. — Vamos viver com os selvagens? Sério?
– Sim, sério. – Meu pai fala e depois nenhum de nós comenta mais sobre esse assunto.
Cada homem, ou mulher, que nos vias ao longe sabia sobre nós. Sobre quem são os Kirst, que mistura eu sou e os meus irmãos são. Pensando bem, aqui não é muito grande, e onde tiver “ciganos” entre os nobre, será motivo de fofoca e reprovação.
Minha irmã Chris, também chamada de Nice por nossa mãe, ama a natureza, pois se sente conectada a ela. Nice, a rainha das fadas. Quem sabe? Chris é tão linda e delicada, que até poderia ser tanto uma rainha, quanto uma fada. Eu descobri seu verdadeiro nome enquanto ouvia nossa mãe cantando para Chris dormir mais ou menos quando ela tinha dois ou três anos.
O nome que Anne sussurrou ao Stuart foi Ronald. Pois acreditava que o nome Ronald é um nome digno de um imperador misterioso. Seu nome nunca foi um segredo como deveria, pois sempre que fazia alguma besteira era por esse nome que Anne o chamava. Nossa mãe achava que os nomes eram poderosos. Eu creio que ela estava certa, pois agora não posso mais dizer a ela sobre estar errada. Sobre os nomes não fazerem sentido. Sobre não serem mágicos. Acredito que ela pensava isso tudo por conviver com meu pai. Aquele o qual a ensinou sobre a cultura do nosso povo.
Ela não me chamava pelo meu nome sussurrado desde quando eu era menor. Meu pai disse que foi por que não concordava mais com o meu primeiro nome. Não me lembro mais do sussurro de minha mãe.
– Acha que algum dia vamos chegar aos Head? – Murmura a menininha ficando em pé, em cima do cavalo.
– Cuidado, você pode cair! – Digo parando meus pensamentos. Seu vestido vermelho está um pouco rasgado nas pontas, mas continua bonito. Ao contrário do meu, estando sujo de lama e cheirando a fumaça.
– Você é uma estraga prazeres. – Ri Chris. – Quando vai voltar a ser divertida? A ser uma Head? A pular, dançar e cantar?
– Provavelmente agora, já que vou viver com eles. – Rio e tento me equilibrar com ela, mas depois vejo que meu cavalo está rápido demais para isso. – Venha para Safira e deixa seu cavalo descansar um pouco.
– O nome dele é Hércules! – Diz ela ofendida, se abaixando para abraçar o cavalo. – Já te contei quando eu cai do telhado hoje de manhã, ele surgiu de repente e me salvou? É meu herói!
– Nossa! Sério? Você se machucou? Está melhor agora? – Pergunto me ajeitando na sela.
Ela ri, batendo devagar no pescoço do cavalo e acariciando sua crina. Chris tem um amor incondicional pelos os animais. Com ela, não existe nada selvagem, a não ser as pessoas.
– Eu nunca caio, Avalon. Eu estava brincando. – Ela olha para Stuart, com os olhos fechados. – Quem cai é aquele ali atrás. Mais azarado que ele, só a família de mamãe. Mais bêbado que ele, só o nosso tio.
– Por que você não tem esse azar? – Rio com o fato que ela constatou.
– Por que sou uma Head. Viveria na natureza se eu pudesse. Posso ser chamada de Srta. Kirst mas não sou nem senhorita, nem Kirst.
– Claro que é. É uma dama. – Sorrio.
– Minha mãe dizia que não. Dizia que brinco como garotos. Subo em árvores, me penduro de cabeça para baixo. Fico em pé na sela de Hércules. Não sou uma dama. – Ela se levanta e começa a pular no coitado do cavalo. – Sou uma menina selvagem e aventureira. Sou como uma águia ou uma leoa.
– Não acredito que nossa mãe falava que você não era uma dama, e insistia tanto que eu fosse. – Olho para nosso pai e sorrio triste, com a decepção que era esta noticia.
– Certo, certo. Ela nunca disse “Christina você não é uma dama”, mas dizia “Se estique”, — Chris imitou a voz de Anne, ou pelo menos tentou. — “leve o garfo a boca e não ao contrário”, “não corra pela casa”, “assim nunca terá um bicho de estimação”, “pare de dar tanto trabalho para as criadas!”
– Você é uma mentirosa – Rio, e toco em seu nariz. – Um dia ninguém acreditará em você. Por que faz isso?
– Hm... Deve ser por que amo mentir. – Ela colocou a mão no peito. – Eu, princesa das fadas Srta. Nice Christina Front Kirst, juro, nunca mais mentir em toda minha vida.
– Você cruzou os dedos? – Pergunto
– Não. – Diz ela trazendo o dedo cruzado de detrás das suas costas. – E você nem comentou sobre “princesa das fadas”. – Ela riu e fez sinal para eu olhar para frente. – Nunca se esqueça de se curvar, camponesa.
Estávamos no meio da mata fechada há quase três horas, não tínhamos comido, nem bebido nada até então. Mas, quando minha irmã apontou, eu vi umas cabanas, nem um pouco bem feitas, desorganizadas por uma longa planicie. Head para todos os lados. Algumas garotas dançando perto da fogueira enquanto uns garotos faziam barulho com os instrumentos.
Crianças pulando atrás das borboletas e fugindo para a mata. Adultos reunidos em um circulo cantando e se mexendo de lá para cá, e vice versa. Cavalos presos em um cabo de madeira, comendo grama e descansando. Olho para as roupas de cada um. Nada se comparava com meu vestido e o de Chris. Muito menos com a roupa pomposa de Stuart, mas tinha bastante bebidas perto dos mais velhos. E uns troncos no chão, onde muitos estavam sentados.
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